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O País – A verdade como notícia

A selecção nacional de futebol realiza, esta quarta-feira, o treino de adaptação ao FNB Stadium (Soccer City), palco do jogo diante do Ruanda, inserido na 1.ª jornada do grupo “L” de apuramento ao Campeonato Africano das Nações – CAN 2023 –, prova a realizar-se na Costa do Marfim.

Sem o esquerdino Bruno Langa, os Mambas realizaram, na manhã desta quarta-feira, uma ligeira sessão de treinos no Wits University, campo do Bidvest Wits.  Existe, no seio do grupo de trabalho, um espírito de confiança quanto ao alcance de um bom resultado diante dos ruandeses.

O mesmo pode dizer-se em relação à equipa técnica chefiada por Chiquinho Conde, que aposta na quebra de um ciclo de doze anos sem marcar presença na maior montra do futebol africano.

Aliás, arrancar esta campanha de qualificação com uma vitória não só seria moralizador como também se pode revelar importante nas contas finais.

Após a sessão de treinos realizada na manhã desta quarta-feira, Reinildo Mandava, jogador do Atlético Madrid, deu cara ao grupo. Em entrevista ao “LanceMZ”, o esquerdino disse claramente que não estão pressionados, mas sim focados em arrancar os três pontos.

“É algo que nos falta nesta selecção – que é a qualificação para o CAN –, particularmente, nesta geração nova, vamos fazer de tudo, até porque temos o objectivo de chegar a esta competição e acredito que, com mais trabalho, vamos chegar lá. O estado de espírito é de alegria, muita concentração e, acima de tudo, trabalho. O grupo está muito forte e unido para chegar ao jogo com um objectivo traçado, que é chegar à vitória”, assegurou.

O jogador do Atlético Madrid abordou, ainda, o situação de os Mambas jogarem fora de casa devido ao facto de o Estádio Nacional do Zimpeto ter sido banido pela Confederação Africana de Futebol de acolher jogos internacionais: “É algo que me deixa triste, porque o futebol é feito de adeptos e, quando não podemos jogar na nossa casa com o nosso público, ficamos tristes. Todavia, sabemos que isso não cabe a nós, que gostaríamos de fazer todos jogos de qualificação na nossa casa, pois jogar em casa do vizinho não é como estarmos a jogar na nossa casa, a sentir o calor do público, pelo que pedimos que o assunto seja resolvido o quanto antes”, frisou Mandava, em entrevista ao “LanceMZ”.

Por sua vez, Genny Catamo, jogador que fez uma boa temporada ao serviço do V. Guimarães por empréstimo do Sporting, mostrou-se, igualmente, confiante na vitória. “Estamos aptos e preparados para enfrentar Ruanda. O grupo está focado em conquistar a primeira vitória, para começarmos bem esta etapa de qualificação. Estamos todos motivados, temos mais energia para enfrentar Ruanda ou qualquer adversário”, disse o jogador ao “LanceMZ”.

O certo é que Moçambique vai enfrentar uma selecção de Ruanda, que vem de uma derrota, em Janeiro último, diante da Guiné Conacri, por 2-0, em desafio amigável realizado em Janeiro.

Moçambique e Ruanda dividiram vitórias nos últimos quatro duelos entre as duas selecções. A única presença de Ruanda, na fase final do Campeonato Africano das Nações, foi em 2004, quando foram eliminados na primeira fase.

Inseridos no grupo “A”, os ruandeses perderam com Tunísia (2-1) e depois empataram com a Guiné Conacri (1-1). No fecho da ronda, Ruanda arrancou uma vitória à tangente diante da República Democrática do Congo (1-0).

“Clube de Xadrez Quadrado Mágico” é um projecto ambicioso que pretende elevar, cada vez mais, o xadrez no país e além-fronteiras. Reúne, por isso, figuras incontornáveis da modalidade e com credenciais dadas a nível nacional e internacional: Mateus Viageiro e Ivan Andrade (mestres FIDE) e Vânia Vilhete e Donaldo Paiva (campeões nacionais da modalidade).

A iniciativa terá uma forte componente social, levando uma modalidade que estimula o conhecimento e pensamento às comunidades carentes e desfavorecidas.

Com larga experiência no xadrez, os mestres e campeões nacionais pretendem ensinar aos alunos a prática desta modalidade, assim como os incentivar a participar em actividades de cariz social que vão ao encontro do lema “Quadrado Mágico Cultivando Mentes”.

A prática de acções de solidariedade para com o próximo é, igualmente, uma das fortes componentes do projecto que vai identificar áreas de acção.

“Os integrantes do projecto uniram forças e têm como objectivo trazer a sua experiência para o desenvolvimento da modalidade, fazendo diferença na sociedade”, explicou Mateus Viageiro.

O clube iniciou as suas actividades com aulas de xadrez e pretende participar em eventos internacionais. Para além destas áreas, temos a loja do clube, que coloca à disposição dos interessados vários materiais desportivos.

Retirado da modalidade em 2018, Mateus Viageiro é mestre FIDE e dominou o xadrez durante cerca de vinte anos. Mateus Viageiro tornou-se mestre FIDE (Federação Internacional de Xadrez) nas Olimpíadas de Itália, em 2006.

Ivan Andrade, também activista social, pode-se gabar de ter sido um dos melhores xadrezistas de todos os tempos em Moçambique.

Quanto à Vânia Vilhete e Donaldo Paiva, pode-se dizer, simplesmente, que são, actualmente, os donos dos tabuleiros. Ano passado, Donaldo Paiva conquistou o seu segundo título consecutivo de campeão nacional de xadrez. Imperial, a xadrezista Vânia Vilhete conquistou o seu oitavo título consecutivo ao contabilizar seis pontos ao cabo de sete jornadas.

São estas figuras com conhecimento profundo da modalidade que, agora, dão corpo a um projecto que se desafia a colocar o xadrez a outro nível de intervenção na sociedade.

Uma grande figura, uma homenagem à sua dimensão. No ano em que se assinala o centenário do nascimento do poeta José Craveirinha (passado dia 28 de Maio), Maria de Lurdes Mutola não ficou indiferente à efeméride.

Influenciada pelo primeiro moçambicano a vencer o Prémio Camões e que a desviou do futebol para o atletismo, modalidade em que viria a brilhar e tornar-se campeã olímpica, Lurdes Mutola não quis deixar passar este momento de evocação ao poeta-mor.

É neste sentido que, no próximo dia 16 de Julho, a Fundação Lurdes Mutola, da qual é patrona, vai organizar uma légua que terá como ponto de partida e chegada a Praça da Independência.

E porque José Craveirinha teve “olho de lince” ao descobri-la e lançá-la para o atletismo pela mão do filho Stélio Craveirinha, a campeã olímpica e mundial dos 800 metros faz mesmo questão de participar activamente nesta légua como uma das corredoras.

A apresentação deste evento, que se espera que seja de grande dimensão, está prevista para esta quinta-feira, 2 de Junho, na capital do país.

Mutola, de resto, não deixou de recordar o papel fundamental que José Craveirinha teve para a sua afirmação ao nível mundial. Falando na I Conferência Internacional Centenário José Craveirinha, evento promovido pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), Lurdes Mutola, visivelmente emocionada, recordou: “Craveirinha não foi só poeta, mas alguém que serviu de pai e tutor e que, sem o qual eu não teria todo este sucesso”.

Craveirinha identificou, desde logo, no bairro do Chamanculo, talento na menina de ouro. Fez, por isso, as démarches para que deixasse o atletismo e abraçasse o futebol. Mutola acenou positivamente, mas quis desistir devido às exigências da modalidade. Todavia, Craveirinha insistiu-a e teve um grande papel na ascensão da única atleta moçambicana a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos.

“Quando o vi, não acreditei e, a partir daquele momento, mudei de mentalidade. Fomos à minha casa para falar com o meu pai e explicar o que pretendia, assim, foi-lhe dada a liberdade de ser meu tutor. Comecei a entender que, afinal de contas, parece que tenho um pouco de talento e dediquei-me até chegar ao topo”, recordou Lurdes Mutola.

De resto, como Renato Caldeira, o decano do jornalismo desportivo moçambicano, retratou em palavras ao “O País”, Stélio Craveirinha sentenciou: “Esta menina que me trouxeste é ouro, pai! Logo nos primeiros treinos, obteve marcas que não estão ao alcance de qualquer uma!”, lê-se no artigo publicado a 12 de Outubro de 2020.

Caldeira, que acompanhou a carreira de Lurdes Mutola, refere que foi a partir desta constatação feita por Stélio, então treinador do Desportivo, que surgiu, por parte do pai, a insistência para que Mutola optasse e apostasse no atletismo. A partir daí, ela participou em maratonas locais, colocando-se, muitas vezes, à frente de atletas masculinos. Depois ganhou algumas provas na nossa Zona.

Sempre com Stélio a orientar, foi à Olimpíada de Seul, em 1988, ainda sem grande notoriedade. Seguiu-se o desafio norte-americano, a partir do qual Lurdes venceu marcas e medos.

Stélio, com a paixão de sempre, abraçou outros projectos, na primeira linha dos quais surgiu uma outra estrela: Argentina da Glória. No Mundial de Estugarda, Alemanha, 1993, não fosse um tropeção desta e tê-la-íamos no pódio, para além do ouro de Mutola, uma outra medalha para o nosso país, tal era a forma e o momento da nova coqueluche nacional.

Ruanda é o primeiro adversário dos Mambas no grupo L de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, que terá lugar próximo ano, na Costa do Marfim. O embate dar-se-á próxima quinta-feira, e o seleccionador dos Amavubi, o espanhol Carlos Alós Ferrer, diz que quer arrancar com vitória diante dos Mambas.

“Vamos dar tudo o que temos para vencer o jogo diante da selecção de Moçambique”, disse Ferrer, citado pelo The News Times, do Ruanda.

Para alcançar o seu objectivo na estreia à frente dos destinos do Ruanda, Carlos Ferrer conta com sete jogadores que actuam fora de portas, nomeadamente, em campeonatos da Europa e outros de África.

Um dos destaques dos jogadores chamados por Carlos Ferrer é o meio-campista Djihad Bizimana, que actua no Deinze da segunda liga da Bélgica, que foi o primeiro a chegar à concentração dos Amavubis.

Emmanuel Manishimwe e Thierry Manzi, ambos do FAR Rabat da primeira liga do Marrocos, Salomon Nirisarike, do Urartu da primeira liga da Arménia, Ange Mutsinzi, do Trofense da segunda liga portuguesa, Meddie Kagere, da primeira liga da Tanzânia, concretamente no Simba, e York Rafael, que actua em Eskilstuna, da segunda divisão da Suécia e que foi o último a juntar-se esta segunda-feira aos Amavubi, são os jogadores profissionais que estão às ordens de Carlos Ferrer na selecção.

Carlos Alós Ferrer disse que os seus jogadores estão em boa forma e têm trabalhado durante os treinos para o confronto com Moçambique a pensar na vitória. “Estou feliz com os jogadores que tenho, eles estão a dar 100% de si nos treinos e estou motivado pelo empenho deles dentro e fora do campo. Estamos muito felizes como grupo”, disse o seleccionador ao The News Times do Ruanda.

Entretanto, o técnico espanhol foi claro na abordagem, ao dizer que os jogadores é que têm a tarefa, dentro das quatro linhas, de correr atrás da vitória. “Meu trabalho é preparar os jogadores para o jogo; eles fazem a execução”, observou Carlos Ferrer.

A selecção do Ruanda chegou a Joanesburgo, na África do Sul, este domingo, para o arranque da fase de qualificação ao Campeonato Africano das Nações de 2023, diante de Moçambique. Depois dos Mambas, os Amavubi recebem o campeão africano, Senegal, no Huye Stadium, a 7 de Junho, para a segunda jornada do grupo L, um dia antes do embate entre Benin e Moçambique.

As duas selecções, Moçambique e Ruanda, estão empatadas no confronto directo, com duas vitórias para cada uma, nas últimas quatro partidas.

 

EIS A LISTA DOS 23 ELEITOS DO RUANDA:

Guarda-redes: Fiacre Ntwali, Yves Kimenyi e Olivier Kwizera.

Defesas: Thierry Manzi, Ange Mutsinzi, Salomon Nirisarike, Claude Niyomugabo, Fitina Ombalenga, Aimable Nsabimana, Ali Serumogo e Clement Niyigena.

Meio-campistas: Kevin Muhire, Blaise Nishimwe, Djihad Bizimana, Bonheur Mugisha, Jean Bosco Ruboneka, Rafael York e Djabel Manishimwe.

Atacantes: Dominique Ndayishime, Meddie Kagere e Muhadjiri Hakizimana.

Combinado nacional realizou dois treinos esta segunda-feira, contando com quase todos os jogadores, excepto Bruno Langa, que foi o último a juntar-se aos Mambas, depois de ter disputado o embate do paly-off de acesso à I Liga portuguesa, este domingo.

A selecção nacional de futebol, os Mambas, deixou o país, passado domingo, por via aérea, com destino a Joanesburgo, onde já prepara o jogo de estreia de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, prova que terá lugar na Costa do Marfim, próximo ano.

Para o arranque, os Mambas realizaram duas sessões de treinos, sendo uma matinal, que consistia nos aspectos ligados ao físico dos jogadores, tendo em conta que alguns deles se juntavam pela primeira vez aos Mambas, nomeadamente, os que actuam fora de portas, e outra no período da tarde, mais incisiva a aspectos técnico-tácticos.

Chiquinho Conde, seleccionador nacional, já conta com todos os jogadores. Ora, nesta primeira sessão, ainda não contou com Bruno Langa, que foi o último a juntar-se devido a compromissos com a sua equipa, o Desportivo de Chaves, que disputou a segunda mão do play-off de acesso à I Liga do Futebol Português, diante do Moreirense, este domingo.

Do resto, todos os jogadores estão aptos para o embate desta quinta-feira, nomeadamente, os três guarda-redes e os 20 jogadores do campo.

Para além dos aspectos técnicos-tácticos, o seleccionador nacional pretende criar uma coesão e espírito combativo nos jogadores, uma vez que havia muito que não estavam juntos, especificamente, desde Março passado, quando disputaram o Torneio Internacional de Nouackchout, na Mauritânia.

Uma peladinha com duas equipas formadas, sem, no entanto, estar claro qual delas será a principal para o jogo desta quinta-feira, foi outro trabalho feito na sessão da tarde dos trabalhos dos Mambas.

Para esta terça-feira, os Mambas terão o dia todo de descanso, a realizarem apenas o treino de adaptação ao relvado do FNB Stadium, à hora do jogo, ou seja, 18h00, até porque quarta-feira, à mesma hora, será a vez do Ruanda de realizar o seu treino de adaptação, na qualidade de visitante.

Quarta-feira, voltam a ter duas sessões, novamente, no Estádio do Bidvest Wits, local onde realizam as suas sessões de treinos, antes do embate de quinta-feira.

Bruno Langa é o jogador de destaque neste fim-de-semana, dos jogadores moçambicanos que actuam fora de portas.

O internacional moçambicano esteve em evidência no Desportivo de Chaves nos dois jogos do play-off de acesso à primeira liga do futebol português, diante do Moreirense. O titular indiscutível na equipa flaviense, Bruno Langa, é o esteio da defensiva.

Com ajuda do moçambicano, o Desportivo de Chaves venceu o play-off por 2-1, apesar de ter perdido por um golo, na noite do último domingo, em casa do Moreirense, e regressa à primeira divisão de Portugal três anos após a descida.

A vantagem conseguida em Chaves por 2-0 foi determinante para esta subida ao escalão maior do futebol português.

Treinado por Sá Pinto, o Moreirense desce, assim, à II Liga, depois de uma época esforçada na I Liga, na qual andou, praticamente, nos últimos lugares da tabela, depois de muitos anos consecutivos no principal escalão.

Em Moreira de Cónegos, acabou por ser Paulinho a marcar, aos 25 minutos, o golo da equipa da casa, mas não foi suficiente para superar a formação transmontana.

Os flavienses, terceiros na II Liga 2021/22, vão cumprir, na próxima temporada, a 17.ª presença entre os “grandes”, e primeira desde 2018/19.

Bruno Langa tem mais dois anos de contrato com o Desportivo de Chaves e, certamente, uma aposta dos flavienses para a lateral esquerda na próxima temporada.

Sem descanso, Bruno Langa partiu na noite passada para se juntar aos Mambas em Joanesburgo, onde preparam o embate da próxima quinta-feira diante do Ruanda, para o arranque da fase de grupos de qualificação ao CAN da Costa do Marfim, em 2023.

 

JOGADORES DE FORMAÇÃO BRILHAM EM PORTUGAL

Com os principais campeonatos da Europa terminados no passado fim-de-semana, a formação continua a movimentar os seus jogadores. É o caso da equipa sub-21 do Estrela de Amadora, que conta com dois moçambicanos, nomeadamente, Zidane Sidat e Raimundo Duarte.

Zidane Sidat foi titular e marcou dois na goleada da sua equipa diante do Casalinhense, enquanto Raimundo Duarte, jovem guarda-redes, foi poupado e esteve no banco de suplentes.

Gaby Pinho foi suplente utilizado na vitória da sua equipa, o Moura Atlético Clube, diante do ACD Penedo Gordo, para os campeonatos distritais.

Francisco Simbine, também conhecido por Bonera, e Amâncio Canhemba, carinhosamente chamado por Neymar, tiveram sortes diferentes na equipa B do Marítimo, no embate diante do Vilaverdense.

“Neymar” Canhemba foi titular, mas não conseguiu ajudar a equipa que terminou com nulo a prevalecer, enquanto Bonera não foi convocado para o jogo.

Por seu turno, Celton Jamisse e Dércio Augusto foram titulares na pesada derrota da sua equipa, o Leixões B, por 4-1, diante do Pastelaria.

Finalmente, está Luís Miquissone, que, por lesão, tem estado a falhar jogos do Al Ahly do Egipto, para além dos jogos dos Mambas. Com seis semanas de paragem, o internacional moçambicano falhou, inclusive, a final da Liga dos Campeões Africanos, disputada esta segunda-feira, diante do Wydad Casablanca de Marrocos.

A Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF) não teve meias medidas e, depois de ver o relatório do delegado do jogo, imagens e outros intervenientes, decidiu suspender o árbitro principal, Eduardo Chissano, e o primeiro assistente, Cláudio Macamo, e criar uma comissão de inquérito que vai averiguar o que terá acontecido com a arbitragem do jogo entre o Ferroviário da Beira e a Black Bulls, a 15 de Maio passado.

O jogo contava para a segunda jornada do Moçambola 2022 e era de cartaz, tendo em conta que se tratava do embate entre o campeão e o vice-campeão nacionais. Dentro das quatro linhas, aconteceu um pouco de tudo.

A história começa quando o árbitro marca uma falta a favor da Black Bulls, na primeira parte, aos 33 minutos, com a qual os jogadores do Ferroviário da Beira não concordaram. Na mesma cobrança, Hammed aparece em posição irregular e marca, com anuência do árbitro e do assistente.

Já na segunda parte, houve duas situações na área da Black Bulls, ambas reclamadas pelos jogadores do Ferroviário da Beira, que exigiam uma grande penalidade, mas Eduardo Chissano e Cláudio Macamo fizeram vista grossa.

Voltaram a fazer vista grossa aos 83 minutos, quando Ibrahimo apareceu na cara do guarda-redes da Black Bulls para restabelecer o empate, numa jogada em que estava claramente em posição de fora de jogo.

No mínimo, foram quatro lances que mancharam a actuação da equipa de arbitragem, que tinha António Macuate, como segundo árbitro assistente, e Pereira António, como quarto árbitro. Ora, estes dois não foram sancionados, até porque os lances todos aconteceram na mesma área e baliza.

Assim, a CNAF, “tendo em conta as recomendações da Comissão Técnica Nacional (CTN), após a apreciação da Comissão de Análise de Jogos (CAV) ao Relatório do Delegado Técnico e análise das imagens do jogo n.º 11, disputado entre as equipas do Ferroviário da Beira e da Associação Black Bulls, a 15 de Maio, no campo do Clube Ferroviário da Beira (…), decidiu suspender preventivamente os senhores árbitros Eduardo Chissano e Cláudio Macamo”, depois de uma reunião realizada a 23 de Maio passado.

Para completar esta suspensão e determinar o grau de culpa dos árbitros Eduardo Chissano e Cláudio Macamo, a CNAF decidiu, ainda, instaurar uma comissão de inquérito que vai averiguar as causas que ditaram aquela má actuação.

De acordo com o comunicado da Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol, a referida comissão de inquérito será “constituída pelos senhores Eduardo Mahumane, Adolfo Chitache e Paulo Buque para o apuramento dos factos”, sem, no entanto, referir quando vai iniciar o seu trabalho e por quanto tempo deve trabalhar para entregar o relatório final das investigações.

 

LMF JÁ COBRA MULTAS AOS JOGADORES E CLUBES

Para além da suspensão aos árbitros feita pela CNAF, a Liga Moçambicana de Futebol também iniciou o processo de multas e suspensões aos jogadores e clubes, jornada a jornada.

As multas aos jogadores são referentes a cartões amarelos e vermelhos que foram tendo ao longo das três jornadas.

Quanto aos clubes, destaque para três deles a quem foram averbadas multas de 50 mil Meticais cada, por não terem recolhido aos balneários durante o intervalo, nomeadamente, a Liga Desportiva de Maputo, no jogo da segunda jornada diante do Costa do Sol, Incomáti de Xinavane, no embate da primeira jornada frente ao Ferroviário de Lichinga, e Costa do Sol, também na primeira jornada, diante da Associação Desportiva de Vilankulo.

À Black Bulls foi averbada multa, também de 50 mil Meticais, por se ter equipado fora dos balneários, no jogo da segunda jornada frente ao Ferroviário da Beira. Os “touros” foram, ainda, multados com pena de cinco mil Meticais, pela ausência do delegado técnico no mesmo jogo da segunda jornada.

Já os “locomotivas” de Chiveve terão de pagar 20 mil Meticais à Liga Moçambicana de Futebol por duas multas de 10 mil Meticais cada, nomeadamente, pelo facto de os sócios e simpatizantes terem adoptado comportamento desportivamente incorrecto, através do arremesso de objectos para o interior do rectângulo do jogo, tais como garrafas plásticas e laranjas, bem como por consumo de bebidas alcoólicas no interior do recinto do jogo, no embate diante da Black Bulls, para a segunda jornada, no “Caldeirão” do Chiveve.

O fim-de-semana foi aproveitado por algumas associações provinciais para promover a disputa da Taça de Moçambique, fase provincial, uma vez que o Moçambola está parado para dar lugar à preparação dos jogos dos Mambas, em Junho próximo.

A província de Inhambane é disso exemplo, com a disputa da segunda fase da prova ao nível local. A Associação Desportiva de Vilankulo passeou a sua classe no sábado, ao golear a Nova Aliança da Maxixe por claros 7-0 e passar com distinção para a última fase da prova.

A maior estrela do dia foi o avançado Sibale, ex-jogador do Costa do Sol, que apontou quatro golos, fazendo um póquer. Depois de ter jogado pelos “canarinhos” entre 2018 e 2019, Sibale voltou ao seu país de origem, Malawi, onde representou o Chitipa United, regressando ao país pela porta da Associação Desportiva de Vilankulo.

Os restantes golos dos “hidrocarbonetos” foram apontados por Xirasse, ex-jogador do Maxaquene, Desportivo e Black Bulls, Mbiza, prata da casa, e um auto-golo.

Assim, a Associação Desportiva de Vilankulo qualifica-se à última fase da Taça de Moçambique ao nível provincial, juntando-se ao Ferroviário de Inhambane.

Os “locomotivas” de Inhambane tiveram que enfrentar dificuldades para suplantar o seu adversário, a União Desportiva de Zavala. O jogo só ficou resolvido nas grandes penalidades, depois do empate a um golo no tempo regulamentar, sendo que, no desempate, os “locomotivas” venceram por 4-3, passando à fase seguinte.

 

UD SONGO CHEGA À ÚLTIMA FASE AO NÍVEL DE TETE

Na província de Tete, já é conhecido o cruzamento dos jogos que vão ditar os representantes na fase regional, com a qualificação de quatro equipas para a última fase.

Os “hidroeléctricos”, únicos representantes no Moçambola 2022, garantiram presença e vão defrontar o Ferroviário de Moatize nas meias-finais provinciais, depois de terem goleado o FC Lion de Missawa por 6-1, na fase anterior.

O adversário da União Desportiva de Songo, o Ferroviário de Moatize, chegou a esta fase após ficar isento na eliminatória passada, por causa da não inscrição do FC de Angonia na Associação de futebol da província de Tete.

Além deste jogo, o Desportivo de Tete vai medir forças com o FC Bagamoio de Moatize noutra meia-final.

O Desportivo de Moatize afastou, da última fase provincial da segunda maior competição do país, o 3 de Janeiro de Chigondze por 4-2, enquanto o FC Bagamoio de Moatize teve que ir às grandes penalidades para afastar o Chingale de Tete, por 5-4, depois do empate a um golo no tempo regulamentar.

Os jogos das meias-finais da Taça de Moçambique, ao nível provincial, ainda não têm data para a sua realização.

Em Manica, a Taça de Moçambique, fase provincial, vai, também, para a última eliminatória, as meias-finais. Sem nenhum representante no Moçambola, a província de Manica aposta fortemente no pódio da Taça de Moçambique.

O Textáfrica de Chimoio, último representante no Moçambola, em 2021, terá pela frente o Concelho Autárquico de Chimoio, enquanto o FC de Soalpo vai medir forças com o Mini Mundo de Inchope.

Os vencedores desta eliminatória vão defrontar-se na final da prova e serão os representantes da província na fase regional.

Real Madrid conquistou a 14.ª Champions do seu palmarés. O Golo de Vinícius Jr. foi decisivo para vencer o Liverpool (1-0) numa final que começou atrasada.

E vão 14! O Real Madrid festejou, este sábado, a conquista da Liga dos Campeões, uma competição que, em 2020, tentou aniquilar para fundar uma Superliga europeia, só com os melhores e os mais ricos da Europa. O triunfo merengue sobre o Liverpool (1-0), além de lhe valer 136 milhões de euros, mostra como o jogo cínico cabe no futebol moderno e pode bater os melhores e os mais geniais intervenientes do espectáculo futebolístico.

Mérito do “mister Champions” Carlo Ancelotti, que é agora o único treinador com quatro orelhudas no currículo (e ainda tem duas como jogador), superando Bob Paisley (Liverpool) e Zinedine Zidane (Real Madrid), ambos com três troféus. O italiano ganhou duas pelo AC Milan (2002-03 e 2006-07) e outras duas pelo Real Madrid (2013-14 e 2021-22) e já se tinha tornado, nesta temporada, o único da história a vencer os cinco principais campeonatos da Europa.

 

VINÍCIUS JR. MARCA O GOLO, COURTOIS SEGURA A VITÓRIA

A final começou com um atraso de mais de meia hora por “questões de segurança”. O anúncio nos altifalantes do estádio criou alguma apreensão nas bancadas ainda meio despidas e levou a UEFA a explicar a medida “em defesa dos adeptos”, uma vez que um terço das 75 mil pessoas com bilhete para a final ainda estava fora do recinto. Para não começar o jogo sem os milhares de adeptos que tentaram forçar a entrada, a maioria afecta ao Liverpool (foram travados pela polícia), o organismo atrasou o início da Champions.

Depois de um segundo aquecimento, o jogo entre “reds e blancos” começou devagar, devagarinho. O adiamento do apito inicial descarregou as pilhas das equipas ou seria mais um exemplo do cinismo estratégico de Ancelotti e do jogo cerebral de Klopp? A verdade é que não havia espaço para jogar e só aos 15 minutos começou a haver alguma emoção, quando Salah tentou surpreender Courtois. Depois, foi Mané (que pode ter feito o último jogo pelos reds antes de se transferir para o Bayern) a tentar. O guarda-redes belga do Real Madrid fez duas defesas soberbas em pouco mais de cinco minutos (uma delas com ajuda do poste) e mostrou por que é o guarda-redes com mais defesas na prova.

O Liverpool ia crescendo no jogo, muito por causa da dinâmica pelo lado direito. Aos 35 minutos, os ingleses tinham oito remates, cinco deles à baliza, contra zero (!) do Real Madrid, que tentava levar a bola no pé até Benzema, mas sem sucesso. Conseguiu-o num passe longo antes do intervalo, que acabou com a bola na baliza. Foi preciso o VAR entrar em acção para descortinar se o lance era ilegal. Não foi golo, mas ainda deu para assustar os adeptos do Liverpool que festejaram a anulação do golo como se de um golo red se tratasse.

 

O GOLO DA REAL PACIÊNCIA

A final que demorou a começar também demorou a ter golos (válidos). Só aconteceu no segundo tempo, como aconteceu noutras duas finais entre os dois emblemas (o Real venceu em 2018, por 3-1, e o Liverpool ganhou em 1981, por 1-0).

Os reds voltaram dos balneários com a mesma dinâmica do primeiro tempo, enquanto o Real continuava interessado em pausar o ritmo e fechar espaços – não confundir com posição defensiva. Foi mais um a adormecer o adversário para dar o golpe fatal. Aos 59 minutos, e contra a corrente do jogo, Valverde foi pela direita, sem grande marcação, e conseguiu meter a bola na área, onde Vinícius Júnior apareceu ao segundo poste a finalizar (foi o segundo remate à baliza feito pelos merengues no jogo todo).

A resposta de Klopp foi colocar Diogo Jota para o lugar de Luís Díaz. Sem mexer na estrutura da equipa, o técnico alemão apostava na iniciativa individual do português para ajudar Salah e Mané a criar mais desequilíbrios. Mas o problema não estava em criar oportunidades, mas sim em finalizá-las com sucesso. E muito por culpa de Courtois, que, já depois dos 80 minutos, voltou a voar para impedir aquele que seria um grande golo do egípcio. Foram as mãos do belga que seguraram a taça e deram ao Real Madrid a 14.ª Liga dos Campeões. No novo formato da Champions (desde 1992), este foi o 8.º título. Ficou assim provado que a vitória não é para quem ataca mais, mas quem ataca melhor!

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