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O País – A verdade como notícia

Técnico português falou sobre o ‘rei’, que recusa comparar a Maradona, e ainda sobre a capacidade de o futebol ressuscitar depois de uma grande perda.

José Mourinho reagiu ontem à morte de Pelé, aos 82 anos. O técnico da AS Roma começou por recordar a sua infância, na qual viu o ‘rei’ jogar futebol, falou sobre as vezes que encontrou o antigo jogador e recordou-o com nostalgia.

“O Mundial de 1970 foi o meu primeiro, o segundo título do ‘rei’. Imagine-se o que significa para a minha geração. Não gosto de comparar jogadores de diferentes gerações, é desrespeitoso, mas é considerado como um daqueles que fez o futebol aquilo que é hoje. Tive a honra de poder estar com ele em três momentos diferentes e cada segundo guardo-o com grande carinho”, começou por dizer em declarações à RTP3.

“O primeiro [momento] foi em 2005, quando recebi o troféu do ‘Sports Personality of the Year’. A BBC convidou o ‘rei’ para me dar o troféu. Depois, em Manchester, voltei a estar com ele e aí deu para perceber melhor a dimensão humana. A última vez foi num evento de uma marca que ambos representamos. Aí foi muito mais tempo, foi jantar, almoço, um par de dias. É daquelas pessoas que nos faz sentir pequeninos, que são pessoas especiais, que escreveram história de um modo especial. Devorei cassetes com os golos de Pelé, consegui uma vez ver o Pelé jogar no Cosmos [nos Estados Unidos], numa fase final. Para a minha geração, Pelé, Maradona, são qualquer coisa de especial. Não é o prazer, é a honra de os ter conhecido”, disse ainda.

Pelé ficou marcado pelos mil golos que marcou, mas Mourinho descreveu o antigo jogador para lá da finalização.

“Para mim, os mil golos, que para uns são mil e tantos, para outro serão menos de mil, foi um goleador tremendo. Era fortíssimo de cabeça sem ser gigante, driblava, conduzia, baixava para ligar jogo. Depois, é aquela coisa de ter três títulos, a figura principal de um Mundial… Acho que há muito pouco para dizer, a história está escrita para a minha geração. Somos privilegiados. Para esta gente nova de hoje, basta-me sentir o modo como o meu filho está a sentir este momento, ele que nunca o viu a jogar, não é desta geração mas conhece a história, que não se apaga”, acrescentou.

Para Mourinho, Pelé foi influente para lá do futebol, recusando compará-lo a Maradona.

“É eterno, acho que faz parte da cultura. Nem é só do desporto, faz parte da história do mundo. O futebol é o fenómeno cultural de maior expressão, Pelé  marcou o futebol de uma maneira muito especial. Depois do futebol, aquilo que ele conseguiu criar em termos de empatia, de mensagens de paz, até a maneira como ultrapassaram rivalidades que se construíram na carreira, para mim Pelé é o meu primeiro Mundial. Para mim, Pelé é Pelé, Maradona é Maradona. Não se comparam personagens como estes. Tive oportunidade de ser amigo do Diego, ri-me muito com ele, mas Pelé é o senhor Pelé e Pelé é futebol”, afirmou.

A figura de Pelé ficou marcada na sua geração, inspirando vários jovens a entrar no mundo do futebol. Mourinho

“Eu acho que cada jogador na sua geração tem influência sobre os sonhos de muitas crianças. Não penso que a criança, como criança, que o ser jogador de futebol poderá levá-lo a uma situação económica ou familiar melhor. Penso que hoje possam ser familiares a pensar assim. A criança, na sua inocência, ou ama ou não ama futebol. A geração Pelé viveu apaixonada, mas hoje trata-se de Pelé que partiu. Dentro da nossa tristeza, podemos rir um bocadinho. Grandes peladas poderão ser jogadas entre Pelé, Maradona e outras grandes figuras”, disse. Para José Mourinho, a morte de Pelé significa a morte… do futebol.”O futebol morreu hoje, mas o futebol tem esta capacidade de ressuscitar. Com tantos jogadores de grande dimensão que existiram depois de Pelé e que poderão nascer amanhã, pode ser que o futebol ressuscite. Mas o futebol morreu”, concluiu.

 

BENFICA DESPEDE-SE DE PELÉ COM UM “ATÉ SEMPRE”

O Benfica reagiu, ontem, à morte do antigo futebolista brasileiro Pelé com um “Até sempre, Pelé” seguido de um coração.

Na sua página no Twitter, os ‘encarnados’ complementam a homenagem com uma foto do astro ‘canarinho’, com a camisola do Santos, ao lado de Eusébio, com a do Benfica.

O Museu Benfica — Cosme Damião despediu-se igualmente do atleta hoje falecido com uma imagem dos mesmos atletas, ambos falecidos, com o título “O reencontro dos Reis do Futebol! Eusébio e Pelé serão sempre recordados por nós”.

Pelé, nascido a 23 de Outubro de 1940 na cidade Três Corações, em Minas Gerais, foi o único futebolista três vezes campeão do mundo, em 1958, 1962 e 1970, marcou 77 golos nas 92 internacionalizações pela seleção brasileira e jogou pelo clube brasileiro Santos e pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos.

Foi ainda ministro do Desporto no governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998 e eleito o desportista do século pelo Comité Olímpico Internacional (1999) e futebolista do século pela FIFA (2000).

 

SPORTING DIZ QUE TRICAMPEÃO DO MUNDO PELÉ “NUNCA SERÁ ESQUECIDO”

O Sporting lamentou, ontem, a morte do antigo futebolista brasileiro Edson Arantes do Nascimento, conhecido como Pelé, aos 82 anos, salientando que o tricampeão mundial “nunca será esquecido”.

“Espalhou magia dentro das quatro linhas e nunca será esquecido pelo mundo do futebol. Até sempre, Pelé”, escreveram os ‘leões’ na rede social Twitter.

A lenda do futebol brasileiro e mundial, único jogador tricampeão do Mundo, ficou internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, em 29 de Novembro, quando se submeteu a uma reavaliação do tratamento ao cancro detectado em setembro de 2021, e ao tratamento de uma infeção respiratória, agravada pela covid-19, com antibióticos.

Desde que foi operado ao cancro, Pelé passou por um ciclo de sessões de quimioterapia que o obrigou a ir várias vezes ao hospital para acompanhar a sua evolução.

A saúde de Pelé piorou nos últimos anos também por outras causas, como problemas na coluna, na anca e nos joelhos, que reduziram a sua mobilidade e o obrigaram a ser operado, além de ter sofrido uma crise renal, o que reduziu drasticamente as suas aparições públicas, embora tenha continuado ativo nas redes sociais.

Pelé, o único futebolista três vezes campeão do mundo, em 1958, 1962 e 1970, assinou 77 golos nas 92 internacionalizações pela selecção brasileira, tendo vestido as camisolas do Santos e dos norte-americanos do New York Cosmos.

Nasceu em Três Corações, no Estado brasileiro de Minas Gerais, a 23 de Outubro de 1940, e foi baptizado como Edson Arantes do Nascimento, mas, para a ‘lenda’, será sempre Pelé, o ‘rei’ do futebol.

Os três títulos mundiais, feito ímpar na história, e os mais de 1000 golos marcados, muitos em jogos hoje não considerados oficiais, fazem com que seja considerado ainda por muitos, e por todos os brasileiros, como “o melhor de todos os tempos”.

Os argentinos não concordarão, pois, entretanto, chegou Diego Armando Maradona, vulgo ‘D10s’, e, na actualidade, há Lionel Messi, mas, para os brasileiros, únicos pentacampeões mundiais, só há um ‘rei’ e esse é Pelé.

Alguns, outros, já reclamaram, sem pudor, a sua ‘coroa’, mas nunca ninguém se atreveu a retirar-lhe o cognome de ‘rei’, que pressupõe grandeza, algo que nunca lhe faltou em toda a carreira, tal como golos, que foi coleccionando, desde cedo, a um ritmo frenético, para construir uma carreira inigualável.

“Igual a Pelé não há, nem nunca vai haver. A minha mãe fez-me e fechou a fábrica”, disse um dia Pelé, de si próprio, ele que nunca permitiu que lhe arranjassem sucessor: “Nasci para jogar futebol como Beethoven para a música”.

Pelo Santos, o clube da sua vida, o Brasil, que lhe deu a projecção universal, e, já em fim de festa, o Cosmos de Nova Iorque, o único clube em que jogou fora do Brasil, nunca deixou que os golos faltassem e que a lenda extinguisse.

Só nas contas do ‘Peixe’, são 1282 golos, em 1366 jogos, de 07 de Setembro de 1956 até ao jogo de despedida, a 31 de Outubro de 1990, já 13 anos após o final da sua carreira, em 1977, o último ano em que representou o clube norte-americano.

No que respeita a encontros oficiais, os números são menos exuberantes, mas a verdade é que foram também os conseguidos em muitos jogos de exibição, por todo o mundo, que ajudaram a construir a lenda, de um jogador único.

Talento precoce, Pelé começou a mostrar toda a sua habilidade desde ‘moleque’ e, com 15 anos, foi indicado ao Santos, onde desde logo encantou toda a gente, celebrando de imediato um contrato profissional com o clube de Vila Belmiro.

Estreou-se a 07 de Setembro de 1956, face ao Corinthians, de Santo André, ainda com 15 anos, e o seu impacto foi imediato, marcando um dos golos na goleada por 7-1.

No ano seguinte, com apenas 16 anos, já era titular do Santos e, 10 meses depois de se tornar profissional, estreou-se pela selecção principal do Brasil, a 7 de Julho de 1957, sem conseguir marcar, num desaire com a Argentina.

Pelé mostrou, porém, capacidade para representar o Brasil ao mais alto nível e, um ano volvido e muitos golos ao serviço do Santos, foi sem grande surpresa que foi escolhido para representar os ‘canarinhos’ no Mundial de 1958.

Foi a primeira aparição internacional de Pelé, a primeira vez que se mostrou ao mundo, e logo espantou, conduzindo os ‘canarinhos’ ao seu primeiro título mundial, oito anos após o traumatizante ‘Maracanazo’ – derrota por 2-1 com o Uruguai que custou o título Mundial em 1950, em pleno Maracanã.

Na Suécia, o ‘miúdo’ passou algo despercebido na fase de grupos, mas ‘explodiu’ nos jogos a eliminar, com um golo ao País de Gales (1-0), nos quartos-de-final, um ‘hat-trick’ à França (5-2), nas meias-finais, e um ‘bis’ com a Suécia (5-2), na final.

A forma como marcou o seu primeiro golo na final, ao dominar no peito um passe da esquerda, fazer passar a bola por cima de um defesa sueco e atirar de primeira de pé direito correu mundo e é um dos grandes momentos da história dos Mundiais.

Feita a sua ‘apresentação’, Pelé continuou a encantar, sobretudo os seus compatriotas, numa ‘era’ bem diferente da actual, sem jogos transmitidos a todos a hora e em que era possível a um clube como o Santos segurar um jogador desta qualidade.

Para o Mundo ver, só de quatro em quatro anos, sendo que as lesões não o deixaram ‘brilhar’ em 1962 e 1966, sendo que no Chile ainda ajudou com um golo o Brasil a revalidar o cetro, para, em Inglaterra, cair na fase de grupos perante Portugal, e Eusébio.

“Entre dezenas de reis, foi o melhor de todos”, disse à Lusa António Simões, numa entrevista a propósito dos 50 anos do dia em que Pelé chegou ao ‘tri’, explicando que Pelé esteve “sempre ligado àquilo que não tem defeito no futebol, que é o golo”.

Em 1970, conseguiu, porém, chegar a 100% em termos físicos ao seu quarto Mundial e, como único sobrevivente de 1958, com a hipótese de se tornar o primeiro tricampeão mundial. Não desperdiçou a ocasião, num feito ainda por igualar.

Com 29 anos, Pelé chegou ao ‘tri’ e não como figurante, já que foi o segundo melhor marcador do ‘escrete’ com quatro golos, incluindo o primeiro da final, na qual um Brasil de imensa qualidade superou sem dificuldades a Itália por 4-1.

Entre os Mundiais e, depois, nunca parou de marcar golos, até 1974 ao serviço do Santos, e a partir de 1975 nos Estados Unidos, ao serviço do Cosmos de Nova Iorque, engrandecendo, jogo após jogos, a sua lenda com golo atrás de golo.

Por tudo isso, foi eleito pela FIFA como o “jogador do século”, em 2000, ainda que tenha sido batido por Maradona na votação online.

Logo após a notícia da morte de Pelé se ter tornado pública, Kely Nascimento, filha do ex-futebolista, quebrou o silêncio nas redes sociais.

Junto de uma fotografia onde se pode ver a família de mãos dadas com Pelé, Kely escreveu: “Tudo o que nós somos é graças a ti. Amamos-te infinitamente. Descansa em paz”.  A partilha rapidamente recebeu carinhosas mensagens na caixa de comentários.  Como recorda a revista Quem, Pelé casou-se três vezes. Em 1966 deu o nó com Resemeri Cholbi, com quem teve os filhos Kelly Cristina, Jennifer e o jogador Edinho. Em 1994 casou-se com a cantora Assíria Nascimento, com quem teve os gémeos Joshua e Celeste. O terceiro casamento aconteceu em 2016 com a empresária Marcia Aoki.

É ainda pai de Sandra Regina Arantes do Nascimento, que morreu em 2016, e de Flávia Christina Kurtz Nascimento, da relação com Lenita Kurtz. Também viveu uma relação com Xuxa, entre 1981 e 1986.

 

LULA DA SILVA: “TIVE O PRIVILÉGIO QUE OS BRASILEIROS MAIS JOVENS NÃO TIVERAM: VI PELÉ JOGAR AO VIVO”

Lula da Silva, presidente eleito do Brasil com tomada de posse marcada para o próximo domingo, também já reagiu à morte de Pelé. “Eu tive o privilégio que os brasileiros mais jovens não tiveram: eu vi o Pelé jogar, ao vivo, no Pacaembu e Morumbi. Jogar, não. Eu vi o Pelé dar show. Porque quando pegava na bola ele sempre fazia algo especial, que muitas vezes acabava em golo”, começa por dizer Lula da Silva na publicação partilhada no Twitter. “Poucos brasileiros levaram o nome do nosso país tão longe feito ele. Por mais diferente do português que fosse o idioma, os estrangeiros dos quatros cantos do planeta logo davam um jeito de pronunciar a palavra mágica: ‘Pelé’, acrescenta. Por fim, o presidente eleito lembrou alguns dos outros jogadores, brasileiros e não só e contemporâneos de Pelé, que também já morreram. “Pelé nos deixou hoje. Foi fazer tabelinha no céu com Coutinho, seu grande parceiro no Santos. Tem agora a companhia de tantos craques eternos: Didi, Garrincha, Nilton Santos, Sócrates, Maradona… Deixou uma certeza: nunca houve um camisa 10 como ele. Obrigado, Pelé”, termina Lula da Silva.

 

NEYMAR: “ANTES DE PELÉ, O FUTEBOL ERA APENAS UM DESPORTO”

Neymar rendeu, ontem, homenagem, nas redes sociais, à importância que Pelé teve na história do futebol. “Antes de Pelé, 10 era apenas um número. Li essa frase em algum lugar, em algum momento da minha vida. Mas essa frase, linda, está incompleta. Eu diria que antes de Pelé, o futebol era apenas um desporto. Pelé mudou tudo. Transformou o futebol em arte, em entretenimento. Deu visibilidade ao Brasil. O futebol e o Brasil elevaram seu status graças ao Rei! Ele se foi, mas a sua magia permanecerá. Pelé é eterno”, escreveu o internacional brasileiro.

 

KYLIAN MBAPPÉ: “O REI DO FUTEBOL DEIXOU-NOS”

O craque do Paris Saint-Germain, Kylian Mbappé, partilhou ontem  a sua tristeza pela morte de Pelé, mas realçou que tudo aquilo que o rei fez nos relvados nunca será esquecido. “O rei do futebol deixou-nos, mas o seu legado nunca será esquecido. RIP King», escreveu o internacional francês nas redes sociais”. Mpabé foi o melhor marcador do Mundial 2022, prova realizada no Qatar, com um total de sete golos marcados na competição.

 

MESSI: “DESCANSA EM PAZ, PELÉ”

O argentino Lionel Messi, melhor jogador do Mundial de futebol do Qatar 2022, lamentou, ontem, a morte do Rei Pelé, pedindo que o ex-jogador descanse em paz.

O craque vinha tendo cuidados paliativos, recebendo medidas de conforto para aliviar dores e falta de ar. Pelé passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor no passado dia 4 de Setembro do ano passado. Lionel Messi expressou a sua tristeza pela morte de Pelé nas redes sociais. “Descansa en paz, Pelé”, escreveu o goleador argentino. Messi também partilhou várias fotos do Rei do futebol.

 

RONALDO DO ROSÁRIO: “ÚNICO. GENIAL. TÉCNICO. CRIATIVO. PERFEITO. INIGUALÁVEL”

Ronaldo Nazário não tem dúvidas que Pelé é o maior de todos os tempos. O ‘Fenómeno’ admite que sente uma mistura de tristeza com a sua morte, mas, também, orgulho por tudo aquilo que o Rei fez pelo futebol. “Único. Genial. Técnico. Criativo. Perfeito. Inigualável. Aonde Pelé chegou, ficou. Sem nunca ter saído do topo, ele nos deixa hoje. O rei do futebol – um só. O maior de todos os tempos. O mundo de luto. A tristeza da despedida misturada ao orgulho imenso da história escrita. Que privilégio vir depois de você, meu amigo. Seu talento é uma escola pela qual todo jogador deveria passar. Seu legado transcende gerações. E é assim que seguirá vivo. Hoje e sempre, celebraremos você. Obrigado, Pelé. Descanse em paz.»

 

CRISTIANO RONALDO DESOLADO COM A MORTE DE PELÉ

Cristiano Ronaldo recorreu às redes sociais para expressar a tristeza que sentiu com a notícia da morte do Rei Pelé. “Os meus profundos sentimentos a todo o Brasil, e em particular à família do senhor Edson Arantes do Nascimento. Um mero “adeus” ao eterno Rei Pelé nunca será suficiente para expressar a dor que abraça neste momento todo o mundo do futebol. Uma inspiração para tantos milhões, uma referência do ontem, de hoje, de sempre. O carinho que sempre demonstrou por mim foi recíproco em todos os momentos que partilhámos, mesmo à distância. Jamais será esquecido e a sua memória perdurará para sempre em cada um de nós, amantes de futebol. Descansa em paz, Rei Pelé”, escreveu o goleador português na sua página do Instagram.

A notícia foi confirmada à AP pelo agente do ex-futebolista. Pelé estava internado em São Paulo desde 30 de Novembro. Considerado o maior jogador do século XX, marcou cerca de 1279 golos, um recorde.

Pelé morreu hoje, aos 82 anos, avançou o agente do ex-jogador de futebol, Joe Fraga, à Associated Press. Kelly Nascimento, a filha do antigo futebolista que vinha partilhando actualizações sobre o estado de saúde do craque no Instagram, publicou uma fotografia das mãos da família sobre as de Pelé, com a legenda: “Tudo que nós somos é graças a você. Te amamos infinitamente. Descanse em paz”.

A morte do craque foi também confirmada pela sua conta oficial no Twitter, numa publicação em que se refere que “a inspiração e o amor marcaram a jornada do Rei Pelé”, que faleceu no dia de ontem. “Amor, amor e amor, para sempre”.

Pelé estava internado desde 30 de Novembro no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde deu entrada com um quadro de inchaço por todo o corpo e “insuficiência cardíaca descompensada”. O tratamento de quimioterapia que estava a receber para o cancro no cólon, que foi diagnosticado em 2021, não estava a fazer efeito.

Em comunicado, o hospital confirmou na altura que estava a fazer “uma reavaliação do tratamento de quimioterapia ao tumor do cólon”, tendo depois passado por uma infecção respiratória e colocado a antibióticos. Perante o quadro clínico agravado, foi transferido para a área de cuidados paliativos.

Filho de um futebolista, o jovem Edson (que foi baptizado em homenagem a Edison, o inventor), tinha apenas 17 anos quando saltou para a ribalta. No verão de 1958, na Suécia, por entre golos e fintas memoráveis, ergueu a taça de campeão do Mundo, a sua primeira e a primeira do Brasil, e ergueu-se no imaginário dos adeptos de futebol de todo o mundo.

O seu lugar na história ficou guardado depois desse Mundial, mas Pelé fez muito mais. Ao serviço do Santos, clube pelo qual começou a jogar quando tinha 15 anos, levou o seu nome aos quatro cantos do mundo. A sua popularidade era tanta que as suas equipas faziam digressões pelo mundo.

Pelo Santos ganhou tudo: seis campeonatos brasileiros, duas Taças dos Libertadores e 2 Intercontinentais (uma delas frente ao Benfica de Eusébio). Bateu todos os recordes, marcou todos os golos que havia para marcar. Ainda hoje, o número exacto gera polémica: são-lhe reconhecidos entre 1279 e 1282 golos, um recorde da Guinness.

Pelé conquistou três Campeonatos do Mundo ao serviço do Brasil. O primeiro foi na Suécia; o segundo, quatro anos depois, no Chile (nesse, ganhou praticamente sem jogar, após se ter lesionado na primeira fase); e terceiro, em 1970, no México. Este foi o primeiro a ser transmitido em directo para o mundo inteiro.

Ao fim da carreira, já era mais mito que homem, mais um embaixador do futebol do que um mero jogador seu. Foi nessa condição que, já com 35 anos, optou por levar o jogo mais além. Em Nova Iorque, ao serviço do Cosmos, tornou-se uma celebridade (ainda mais) planetária, e desempenhou um papel fundamental para que o futebol plantasse raízes na América do Norte até aos dias de hoje.

Se existe alguma mancha no seu currículo, talvez seja a forma como optou deliberadamente por evitar a política e causas sociais. No auge da carreira, evitou envolver-se com a ditadura militar, que só viria a terminar em 1985. Mais recentemente, durante os protestos no Brasil em 2013, que em parte visavam os gastos públicos com o Mundial de 2014, veio a público pedir para que as demonstrações fossem postas de parte em prol do apoio à selecção brasileira.

No final, Edson Arantes do Nascimento era apenas um homem. O Rei era Pelé, aclamado dentro das quatro linhas, no seu tempo e em todos os tempos. Tanto assim foi que, em 2000, a FIFA o reconheceu como o Melhor Jogador do Século XX, prémio que partilhou com Maradona, o outro “monstro sagrado” dos relvados.

Edson morreu, mas Pelé é eterno. Longa vida ao Rei.

O Estoril, clube onde evolui o internacional moçambicano Mexer, defronta, hoje, às 21h00, o Boavista em jogo da 14ª jornada da Liga Portuguesa de futebol.

Décimo quinto classificado com 16 pontos, menos um que o Boavista que está um degrau acima na tabela classificativa, o Estoril vai procurar alcançar a quinta vitória na prova para não ficar cada vez mais pressionado na luta pela manutenção.

A equipa de Mexer atravessa um mau momento. Os números não mentem. Os “canarinhos” somaram o nono jogo sem vencer após derrota, no passado dia 15 de Dezembro, com o Famalicão por um a zero, em desafio da 5ª jornada do grupo A da Taça da Liga.

O treinador do Estoril, Nélson Veríssimo, assumiu há dias as responsabilidades e prometeu que os ”canarinhos” vão lutar para inverter a situação no jogo diante do Boavista. “Não há que esconder: estamos num momento mau, já o assumi até com os jogadores, numa época e fase que está a decorrer aquém das nossas ambições. Temos de saber reagir e já, de uma forma positiva, e encarar já o próximo jogo. Expectável é que regressemos à forma evidenciada na fase inicial da Liga”, manifestou Veríssimo na antevisão do duelo com os “axadrezados” esta quinta-feira.

O Boavista parte condicionado para este jogo, até porque o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol confirmou castigo de um jogo de suspensão a Petit, na sequência da expulsão do treinador dos “axadrezados”na partida com o Académico de Viseu, para os quartos-de-final da Taça da Liga.

Já o Chaves, formação onde milita Bruno Langa, recebe, sexta-feira, às 21h00, o Famalicão, num duelo entre o 9º e 15º classificados com 19 e 11 pontos, respectivamente.

É um duelo no qual a equipa de Bruno Langa vai procurar capitalizar o factor casa para chegar à quinta vitória esta temporada na Liga Portuguesa de Futebol.

Excluídos da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal, Marques “Marquito” da Conceição Abdala e Artur César de Castro Bandeira foram indigitados como árbitros acompanhantes nos campeonatos nacionais de basquetebol de juniores masculino e feminino agendados para 16 a 21 de Janeiro, em Quelimane.

São, e a folha de serviço comprova-o, dois árbitros com bastante experiência tendo ao longo destes anos apitado várias finais dos “nacionais” de basquetebol sénior masculino e feminino, assim como do Campeonato da Cidade.

Recentemente, aliás, Marques da Conceição Abdala e Artur Cesar de Castro Bandeira dirigiram as finais do Campeonato da Cidade de Basquetebol em seniores masculinos e femininos, competições que consagraram o Costa do Sol e Ferroviário de Maputo, respectivamente.

Para além de Abdala e Bandeira, foram nomeados os árbitros internacionais António Englesse e Maria Liliana Bagnath como juízes neutros.

Depois de um período de cerca de um ano sem apitar, devido à doença, Marques da Conceição Abdala voltou ao activo em Outubro de 2021.

Lá fora, e depois de obter a carteira de árbitro internacional obtida em Julho de 2013 após uma acção de formação orientada pelo então director de competições da FIBA-Africa, Ludomir Kotleba, foi indicado como árbitro acompanhante nos Jogos da Lusofonia de 2014, em Goa, na Índia.

No continente africano, foi indicado para a fase final do Campeonato Africano de Basquetebol feminino na categoria de sub-18, em 2016, no Cairo, Egipto. Foi ainda indigitado para apitar, em ocasiões, os Jogos do SCSA.

Com mais indicações ao nível internacional, Artur César de Castro Bandeira conta com mais aparições como árbitro neutro do grupo “D” das eliminatórias para a Liga Africana de Basquetebol, em Madagáscar, competição que movimentou o Petro de Luanda (Angola), Smouha S.C (Egipto), ASDB Mazembe (República Democrática do Congo) e Club Omnisports Police Nationale (Madagáscar).

Outrossim, foi indicado pela FIBA para os jogos do grupo “F” da quarta janela de qualificação da zona africana para o Campeonato do Mundo da China 2019, em Lagos, Nigéria. Antes mesmo de atingir a idade limite para se manter como internacional, Bandeira marcou ainda presença nas eliminatórias do grupo  “C” da terceira janela das eliminatórias para o Mundial, no Cairo, Egipto.

Como árbitro-acompanhante, Artur César de Castro Bandeira esteve nas fases finais da Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em seniores femininos em 2015 e 2017, em Luanda, Angola; 2016 e 2018; em Maputo.

Em 2017, foi  um dos juízes acompanhantes designados pela FIBA-África para apitar o Campeonato de Africano de Basquetebol Feminino, em Bamako, Mali.

Dois anos antes, ou seja, em 2015, Bandeira foi igualmente árbitro-acompanhante no “Afrobasket” de Yaoundé, nos Camarões, prova na qual a selecção nacional de basquetebol sénior feminino ocupou a sexta posição.

A presença nos “Afrobaskets” de Antananarivo, no Madagáscar, em 2009; Mali, em 2011; e Maputo, em 2013; são uma indicação do percurso como árbitro internacional de basquetebol.

No Rio dos Bons Sinais, tal como baptizou Vasco da Gama, vai navegar-se em Janeiro próximo, para resgatar provas dos escalões de formação no basquetebol com a realização dos Campeonatos Nacionais de juniores femininos e masculinos. Quelimane esmera-se, dezasseis anos depois, para celebrar a modalidade da bola ao cesto.

Contagem regressiva para os “nacionais” de basquetebol de juniores masculinos e femininos. Fervescente e também acolhedora, a cidade de Quelimane estará no centro das atenções dos amantes do basquetebol, porque acolhe no seu bojo, de 16 a 21 de Janeiro de 2023, uma prova que é retomada quase quatro anos depois de condicionada pela pandemia da COVID-19 e letargia geral na modalidade. Será, em boa verdade, um momento para sintetizar o renascer de provas de realização obrigatória em países com projectos sérios de desenvolvimento do basquetebol assim medir o barómetro do que se faz nas camadas de formação.

O pavilhão do Favezal, que acolheu, recentemente, provas da “poule” de apuramento da zona Centro à Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal, é o palco eleito para os jogos dos “nacionais”. Pequenos retoques, nesta altura, são projectados pela Associação Provincial de Basquetebol da Zambézia para que o recinto apresente uma boa imagem.

Projectam-se, para evitar reclamações dos clubes participantes, campos que servirão para as equipas treinarem no decorrer da prova. Foram identificados, segundo João “Zema” Passadas, presidente da Associação Provincial de Basquetebol da Zambézia, dois recintos para albergar os treinos: escolas secundárias Filipe Nyusi e Patrice Lumumba.

Há perspectivas de que a prova movimente equipas de Maputo cidade, Manica, Nampula, Tete, Zambézia, Niassa e Cabo Delgado. Estas serão responsáveis pelo seu alojamento, mas há possibilidade de se abrir espaço para que as que não tenham condições possam beneficiar-se de acomodação em alguns lares previamente identificados.

“Podemos, nesta altura, dizer que está tudo acautelado. Temos encargos relacionados com o Comissário da Federação Moçambicana de Basquetebol e os árbitros acompanhantes. Está tudo acautelado. Contamos com o apoio do Governo Provincial da Zambézia”. Estas são palavras de Zema Passadas, figura muito engajada na criação de condições para que o basquetebol gravite em Quelimane.

A definição dos horários dos jogos será em função do número de equipas confirmadas no certame, havendo ainda indicação de que o sorteio e reunião técnica decorrerem no dia 15 de Janeiro.

A boa nova é que o pavilhão do Benfica vai ganhar nova imagem, pelo que haverá mais um espaço alternativo para as provas de basquetebol em Quelimane.

É um caso que está a deixar o Ferroviário de Maputo e a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) de costas voltadas. Ou seja, num ambiente verdadeiramente de cortar à faca. É que, duas semanas depois de ter conquistado a Taça de Moçambique (vitória na final sobre o seu homónimo da Beira por 1-0), o Ferroviário de Maputo não recebeu o valor monetário de 550 mil Meticais previsto no regulamento de competição da prova. O finalista vencido, o Ferroviário da Beira, teria direito caso tivesse havido premiação a 330 mil Meticais.

Mas mais do que não ter recebido o valor, o Ferroviário de Maputo queixa-se de não ter sido informado oficialmente pelo órgão reitor do futebol moçambicano sobre a alegada falta de dinheiro para dar aos clubes que se qualificaram para os oitavos de final da segunda maior prova do calendário futebolístico moçambicano.

O eclético clube, que este ano açambarcou o desejado troféu pela sexta vez na sua história, reclama ainda por, alegadamente, ter tido conhecimento de exiguidade de fundos e falta de patrocinador e premiação na competição através das cada vez mais activas redes sociais.

“Ainda não tivemos uma informação oficial da Federação Moçambicana de Futebol relacionada com a premiação na Taça de Moçambique.  Tudo que sabemos foi através das redes sociais. Tivemos informação de que as equipas que se qualificaram para os oitavos de final não teriam prémio por falta de patrocinador. Nós temos compromissos com atletas e precisamos de dar uma justificação”, reclamou a secretária-geral do Ferroviário de Maputo, Ivone Buque.

O “País”, tal como lhe competia, procurou ouvir a versão dos factos da Federação Moçambicana de Futebol. E foi na voz do vice-presidente para Área de Estudos, Projectos, Marketing e Relações Públicas que “O País” foi informado que, desde o sorteio dos oitavos de final, a Federação Moçambicana de Futebol “informou aos clubes que a prova não teria patrocinador e, por consequência, premiação monetária”.

“Amputada” do patrocinador oficial, Tmcel, empresa que atravessa uma crise financeira e está em processo de reestruturação, a Federação Moçambicana de Futebol partiu para o mercado à procura de alternativas para que a prova tivesse premiação monetária. Acontece, porém, que nenhuma empresa deu uma resposta satisfatória até pela “situação delicada e de crise que muitas instituições enfrentam no mercado”.

E, perante esta situação, qual foi o posicionamento da Federação Moçambicana de Futebol? A resposta veio nos seguintes termos: “Se reparar, encurtamos a prova. O patrocinador não queria endividar-se ainda mais com a FMF. Informámos aos clubes”, frisou Gervásio de Jesus.

O BCI, parceiro da FMF ao nível da selecção nacional, foi a solução encontrada para pelo menos se criar condições para a compra de um troféu, fogos-de-artifício e garantir segurança. “O que fizemos foi pedir apoio ao BCI, que disponibilizou pouco mais de 150 mil Meticais para despesas prontas a pagar”, assegurou.

O presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, diz que o Governo não tem capacidade para fazer a gestão do Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ), cabendo ao executivo a tarefa de assegurar apenas a manutenção do recinto desportivo. Sidat defende ainda a privatização do Estádio Nacional do Zimpeto para a sua sustentabilidade.

A Confederação Africana de Futebol (CAF) reprovou, em Setembro de 2021, a utilização do Estádio Nacional do Zimpeto para jogos e/ou provas internacionais devido ao mau estado do relvado, balneários, vedação, fraca iluminação, torniquetes, entre outros itens exigidos pelo organismo que gere a modalidade rainha no continente.

Em Julho deste ano, e após um trabalho de inspecção feita pelo sul-africano Joshua Knipp, a Confederação Africana de Futebol deu nota positiva ao recinto e autorizou a realização, de forma provisória, de jogos de carácter internacional.

Durante o período de nove meses em que o recinto foi interdito, os Mambas viram-se à nora ao serem obrigados a fazer jogos em casa emprestada.

Para o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, este cenário mancha o país e revela a falta de capacidade do Estado em gerir e rentabilizar a maior infra-estrutura desportiva construída após a independência.

“Tínhamos de contactar gestores privados e vimos isto na vizinha África do Sul. Este também deve ser o modelo que Moçambique e, logicamente, que o Fundo de Promoção Desportiva deve seguir para gerir aquela infra-estrutura porque creio que se pode rentabilizar”, disse Sidat em entrevista ao programa “Noite Informativa”.

Este, segundo Feizal Sidat, não é o único problema na gestão do Estádio Nacional do Zimpeto. Sidat defende que é preciso privatizar a gestão daquela infra-estrutura desportiva para a realização de algumas actividades que possam gerar receitas para a sua constante manutenção.

A começar, argumenta o dirigente desportivo, o Estado deve apostar também na contratação de gestores técnicos capacitados para lidar com a componente de gestão do ENZ.

“Em vários países, existem cursos de manutenção de infra-estruturas. Deveria ser alocado alguém da área para gerir e rentabilizar o Estádio Nacional de Zimpeto, recinto que está como está por falta de um especialista na área de manutenção de infra-estruturas para a gerir o empreendimento do Estado”, frisou Feizal Sidat para quem “felizmente, agora, a relva está boa, mas devemos ser cautelosos para que venhamos jogar frente ao Senegal no próximo ano”, alertou.

A preocupação é ainda maior porque, em Janeiro do próximo ano, será realizada mais uma inspecção ao Estádio Nacional do Zimpeto pela Confederação Africana de Futebol. “Ainda faltam os torniquetes, faltam outros aspectos relacionados com perímetros que não foram complementados e, sinceramente, espero que desta vez não sejamos sancionados como no ano passado”.

Sabe-se que foram disponibilizados três milhões de Meticais para a manutenção do Estádio Nacional do Zimpeto.

Feizal Sidat faz, por outro lado, uma análise do ano de 2022 e afirma que o futebol moçambicano ainda está aquém do desejado, porque, segundo diz, os clubes em parte não investem na formação de atletas.

O dirigente desportivo considera que o fraco investimento na formação de atletas condiciona o seu crescimento.

Sidat reclama como ganhos do seu mandato a qualificação dos Mambas para o CHAN 2022, na Argélia, bem como da selecção sub-20, em duas ocasiões, para o Campeonato Africano da categoria. “Qualificámo-nos para o CHAN, qualificámo-nos para o CAN sub-20 duas vezes, qualificámo-nos para o Mundial de futebol de praia. Estas qualificações temos de realçar”, vincou Feizal Sidat.

Ao nível das competições de clubes da CAF, as equipas moçambicanas têm sido eliminadas precocemente. E o insucesso das mesmas não passa nem podia passar despercebida aos olhos de Feizal Sidat. “Sem dúvidas, fizemos visitas a vários clubes. Trabalhámos internamente com os clubes no sentido de estes apostarem mais na formação e, nestes contactos, constatamos que é um trabalho que não fizeram nos últimos anos”, observou.

Outro factor que contribui para o não desenvolvimento da modalidade, constata Feizal Sidat, é a desistência dos clubes do Moçambola. “Grandes clubes do centro e norte endereçaram, quando os campeonatos estão à porta, cartas à Federação Moçambicana de Futebol a informar sobre a sua desistência do Moçambola. O Ferroviário da Beira é um dos clubes que desistiu do campeonato nacional de juniores. Temos igualmente a Black Bulls e Matchedje que desistiram do Campeonato Nacional de Futebol Feminino”, lamentou Feizal Sidat.

E o problema, de acordo com Feizal Sidat, não pode ser entendido como orçamental. “Se há dinheiro que se pode movimentar para o Moçambola, então tem que haver um valor para a formação. Penso que não há uma vontade por parte de alguns clubes em apostar na formação. Isto é o que nos traz algum constrangimento. Nós esperávamos que os escalões de juniores e os juvenis pudessem ter mais provas e equipas”, acrescentou.

Sidat diz que apenas um clube está a criar academias e a formar atletas. “A boa nova é a ABB, que já está a apostar em academias. Esperamos que, a médio prazo, tenhamos os resultados. Mas isso está a acontecer com um clube. É um clube em Moçambique. Temos de fazer vénia à Associação Black Bulls, porque aposta na formação e nas infra-estruturas”.

E, como consequência desta situação, Feizal Sidat revela que tal perpetua um círculo vicioso de mesmos jogadores em clubes diferentes. “Temos os mesmos jogadores que passam de um clube para o outro. Não estamos a apostar na massificação e formação de novos jogadores”, lamentou. E qual é o papel da Federação Moçambicana de Futebol neste processo de massificação e formação de novos valores? “Nós fazemos aquilo que nos é devido, a formação de treinadores. Temos vindo a apostar neste aspecto, mas este é um trabalho que deve ser feito em conjunto entre os clubes e a federação para que possamos elevar o futebol moçambicano ao Mundial”, notou.

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