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O País – A verdade como notícia

Os livros de poesia “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados e fragmentos do escuro”, de Francisco Guita Jr. e Jeremias F. Jeremias, respectivamente, serão apresentadas no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, esta quinta-feira, às 17:30h. As obras venceram, ex-aequo, o Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira 2022, iniciativa da Gala-Gala Edições.

O Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira, em edição única, visava assinalar as comemorações do centenário do poeta Reinaldo Ferreira (1922–2022), que realizou toda a sua obra em Moçambique, e aqui morreu precocemente, vítima de um cancro pulmonar, aos 37 anos de idade, a 30 de Junho de 1959. O júri do prémio foi constituído, em duas etapas, pela bibliotecária Aissa Mithá, pelos escritores moçambicanos Adelino Timóteo e M. P. Bonde, pelo poeta e professor universitário brasileiro Ricardo Pedrosa Alves e pelo professor e ensaísta moçambicano Cristóvão Seneta.

Sobre “Chãos e outras arritmias”, de Guita Jr., de acordo com o júri, a poesia é encantadora, que faz corpo com o chão, com a terra, carregada de sensualidade; é, também, uma poesia que engloba o cosmos, numa vertente suportada pelo amor mesmo quando se lhe denota um certo desencanto do sujeito poético em relação às questões existenciais. Uma poesia firme, madura, dissecada com rigor e com sinais de vir a sobreviver no tempo.

“Em nota de prefácio, a professora brasileira Carmen Lucia Tindó Secco faz questão de assinalar que Guita Júnior, na esteira de Knopfli, Patraquim, Drummond de Andrade, Camões, é um grande poeta. ‘E é, também, não só um atento leitor da vida, da história, das solidões, da existência, do amor e da morte, mas dos silêncios e solitudes existentes nas entranhas líricas de sua obra poética’”, lê-se na nota de imprensa.

Para o júri, a obra “Rostos desabitados [e] os fragmentos do escuro”, de Jeremias F. Jeremias, avança a mesma nota, é impecável. A construção de imagens é nítida e inédita e há equilíbrio no conjunto e na atenção à sequência dos poemas no livro. Jeremias trabalha sobre a percepção, explorando o poema como pensamento e não como mensagem. Há condensação, ritmo, respeito ao poema como ente “não-parafraseável” (Roubaud). “Rostos desabitados” é um trabalho criativo a partir de elementos mínimos, básicos, como água, luz, pássaro.

A sessão de apresentação de “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados” estará a cargo dos escritores Lucílio Manjate e M. P. Bonde.

Francisco Guita Jr. nasceu em Inhambane, em 1964. Inicia a sua actividade literária no Xiphefo, Caderno Literário, em 1987, do qual é membro fundador. Estreia-se em 1997 com o livro de poesia “O Agora e o Depois das Coisas”. Em 2000, publica “Da Vontade e de Partir” (Prémio FUNDAC – Rui de Noronha, 1999) e “Rescaldo” (1.º Prémio de Poesia TDM – Telecomunicações de Moçambique, 2001). Lança em Portugal e Moçambique, em 2006, “Os Aromas Essenciais”. Em 2020 publica, em Moçambique e Angola, o livro “Da Pele do Rosto/ A Coisa do Tempo”.

Jeremias F. Jeremias é natural de Gaza. Reside em Maxixe, em Inhambane. É licenciado em Organização e Gestão da Educação pela Universidade Eduardo Mondlane e formado em Ensino de Português, pela Universidade Pedagógica. Foi vencedor da primeira edição do concurso “Prémio de Poesia Gala-Gala”, em 2020.

A 9ª edição da Feira do Livro de Maputo, marcada para os dias 27 e 29 de Julho, vai ser dedicada ao escritor Mia Couto.

A Feira do Livro incluirá conferências e debates com vários convidados ligados a Mia Couto e à literatura em língua portuguesa.

A Feira do Livro de Maputo é uma organização do Conselho Municipal de Maputo, em colaboração com várias instituições e destaca-se por homenagear escritores em vida bem como patronos homenageados a título póstumo.

Para este ano, o evento escolheu como patrono o precursor da poesia moçambicana, Rui de Noronha, que morreu ainda jovem. Tinha 34 anos, em 1943.

A organização revela que na edição deste ano, além do homenageado, estarão presentes em Maputo escritores e embaixadores dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acreditados em Moçambique.

Para Cristina Manguele, coordenadora da Feira do Livro de Maputo, “a escolha tanto do patrono como do homenageado deve-se ao facto de estes terem escrito livros que são muito celebrados na literatura moçambicana, espelhando, de forma muito peculiar, a situação da segregação racial, negritude, moçambicanidade, guerra civil e o renascimento que se operou depois do fim dos conflitos”.

Mia Couto é considerado hoje um dos principais nomes da literatura em língua portuguesa. Com premiações nacionais e estrangeiras, publicações em diversos géneros e países, a sua obra é lida e estudada por um número significativo de pessoas ao redor do mundo.

“Atento ao trânsito de sua escrita e à potência do texto literário enquanto possibilidade de escuta do outro, a obra tanto do escritor homenageado, como do patrono, subverte silenciamentos da História e (re)elabora narrativas que representam sujeitos subalternizados, invisibilizados e estereotipados deste Moçambique”, lê-se na nota de imprensa que cita a directora dos Serviços Municipais de Arquivos e Bibliotecas, Cristina Manguele: “A homenagem prende-se pela observação quase imediata dos temas que apoquentam a sociedade moçambicana, a problematização de algumas questões pertinentes à História de Moçambique, e, com isso, ampliar o nosso olhar sobre a produção literária de Mia Couto e de Rui de Noronha, tentando compreendê-la no âmbito do processo de formação e internacionalização da literatura moçambicana”.

A opção por Mia Couto, avança a nota de imprensa, mais do que um simples reconhecimento, é mesmo a chave para a compreensão mais profunda do entretecer da narrativa e, principalmente, da natureza das suas personagens. As suas obras são traduzidas e publicadas em 40 países.

Além das conferências e debates, a realizar no Paços do Município e escolas secundárias, a Feira proporciona aos munícipes de Maputo a possibilidade de conhecer a vida e obra do escritor, através de material visível nas ruas, nos outdoors e nas redes sociais, incluindo frases e a biografia do escritor.

Por: Sumbi Sê

 

Ao propor-me a escrever sobre a exposição A Brisa do Nada, não me comprometo a responder à pergunta que encabeça o texto. A expressão artística supera a categorização de obras em escalas menores, médias ou altas. A intenção do texto é entreabrir uma portada de um lugar ao qual o público nunca tem acesso, porque a produção artística realiza-se em espaço privado, fechado e discreto. Pelo menos é isso que se passa com  Lica Sebastião. Nesse espaço desconhecido aos outros, têm privilégio a obstinação, o desejo de criar o belo, a idealização mas também a incerteza, o medo e a teima em fazer bem, em comunicar, em ser a si próprio.

Apesar desse ambiente de contraste entre o fazer, desejar, idealizar e a incerteza, medo e a procura de si mesma, podem ser reconhecidas as dimensões da criação desta artista. Uns diriam que a presença do traço feminino é notório quiçá pelas imagens e rostos. Eu diria que se associa a artista a um traço restritivo e enganador. Há artistas que procuram soluções e saídas para os materiais que manipulam numa busca incessante de equilíbrio de cores, de voz ou vozes ou de qualquer outra coisa que os defina. Isso é a arte e não o feminino.

Outros podem constatar o esforço empreendido em observar em torno e a visualização de formas, de contornos, de objectos que podem ser o ponto de partida para a criação artística. Sim e isso é um desafio que não se esgota. Os artefactos, comprados ou recolhidos por aí, requerem a aplicação de diferentes técnicas e nem sempre a primeira ideia é bem-sucedida. Lica Sebastião fê-lo em Metal, cartão e madeira (2016), Gineceu1 (2019), Metamorphósis ( 2020), Gineceu2 (2022).

Finalmente, a carga afectiva, que só ao artista diz respeito, individualmente, e influenciado pelo ambiente. Percebe-se a história pessoal da artista nos motivos florais, o uso do lápis em contextos inesperados na tentativa de se surpreender, a escolha recorrente das mesmas cores como uma obsessão. Esta talvez seja a característica que mais salvaguarda a criação da artista.

As três vertentes citadas não se podem desligar, pois a sua criação é um movimento que começa mas a artista não sabe exactamente quando e como termina. O primeiro passo começa com qualquer objecto e, a seguir, o desenho, a pintura “escrevem” uma narrativa experimental. Por isso, cada peça é uma experiência e cada experiência é diferente da anterior.

E isto é arte?

A própria definição de arte não se fecha em uma só enunciação. Varia ao longo do tempo e coexiste com outras concepções numa dada época. A actualidade é receptiva da diversidade. A mimesis e reprodução do que existe são cultivadas ao mais ínfimo pormenor, a imaginação e as emoções desaguam o abstracionismo. Pode isto ser apenas argumento para justificar coerência e sentido à arte de Lica Sebastião.

Isso é arte? Uma pergunta bem pode ser a própria resposta.

 

 

 

 

 

A 23 de Abril de cada ano, celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor. Para celebrar a efeméride, a Editorial Fundza vai realizar, de segunda a sexta-feira, uma feira do livro que vai juntar autores, editores e leitores em geral.

A feira organizada pela Fundza vai decorrer em diferentes espaços da Cidade da Beira, sendo que a primeira actividade está marcada para 14 horas de segunda-feira, na Escola Primária de Matacuane. No local, a escritora e jornalista Vânia Óscar vai conversar com os alunos, referindo-se à sua oficina de escrita sempre concentrada em inspirar os mais novos.

Às 18 horas do mesmo dia 24, na Livraria Fundza, o advogado Joaquim Tesoura vai orientar uma palestra sobre “Como negociar os direitos de autor?”. Partindo da sua relação com escritores, poetas e ensaístas, Tesoura vai referir-se ao tema numa perspectiva didáctica, tendo como base a realidade moçambicana.

Na terceira-feira, às 18 horas, a Editorial Fundza vai proceder ao lançamento do livro Direito de marcas, da autoria de Salomão Viagem. A sessão aberta ao público contará com a apresentação do advogado Anastásio Ndapassoa

No dia seguinte, quarta-feira, a partir das 10 horas, será a vez do escritor Francisco Muianga, autor de Zeus, quando é cão, trocar impressões com os alunos da Escola Secundária Mateus Sansão Mutemba.

A semana do livro vai contar com a participação da professora universitária Carla Karagianis, que, na Livraria Fundza, propõe-se a conversar com os leitores, autores e entusiastas de literatura sobre “Os meus livros de cabeceira”. A sessão está marcada para 18 horas de quinta-feira.

Para o último dia da semana do livro, sexta-feira, a Editorial Fundza reservou duas actividades literárias. Primeiro, às 10 horas, o autor de O encanto da poesia, Assane Cadry, vai conversar com os alunos da Escola Secundária de Mutchatazina.

Mais tarde, na noite de sexta-feira, às 18 horas, a Livraria Fundza vai receber um sarau cultural em homenagem ao poeta e escritor Adelino Timóteo.

Ao longo da semana, todos os livros terão um desconto de 10%, na Livraria Fundza.

O veterano da luta de libertação do Congresso Nacional Africano (ANC) na África do Sul diz que a Frelimo deve ver os erros do partido libertador sul-africano, para não perder força também. Matheus Phosa, que falou, hoje, numa palestra na Universidade Wutivi, alerta ainda para as novas formas de pilhagem dos recursos africanos.

O veterano de luta de libertação sul-africano pelo ANC e membro da equipa que negociou com o regime do Apartheid, Matheus Phosa, deu, esta quinta-feira, uma aula de sapiência sobre a democracia e o neocolonialismo na Universidade Wutivi.

É alguém que conheceu os líderes africanos que deram liberdade e independência aos países. Na palestra que proferiu esta quinta-feira, começou por alertar os jovens para que “abram os olhos e os ouvidos” para ver e ouvir os novos modos de colonialismo de que o continente está a sofrer.

Se há mais de quinhentos anos, os colonizadores vieram à África dispostos a ocupar os territórios usando força bélica, hoje, segundo Phosa, “o neocolonialismo não carrega armas” os mais novos colonizadores “têm novos nomes e novos rostos, mas a agenda é a mesma; é colonizar África outra vez, explorar os recursos da nossa terra para o benefício próprio… querem roubar-nos outra vez!”

Esse é deve ser tomado como o problema. Entretanto, Phosa não quer ser entendido como quem diz que os países africanos não devem aceitar parcerias com outros, muito pelo contrário.

Os que devem fazer é “escolher os seus parceiros económicos internacionais e reginais de uma maneira que se traduzam em benefícios de longo prazo, parcerias benéficas, substanciais e sustentáveis para o povo”.

Antes disso, Phosa defende que se deve fazer um reforço da cooperação entre os países como Moçambique e África do Sul, para resolver problemas pontuais, como, por exemplo, o crime. “Há sul-africanos que roubam carros na África do Sul e vendem-nos no mundo inteiro, temos de os parar! Aqueles carros pertencem a pessoas inocentes na África do Sul”.

Há mais, Matheus Phosa debruçou-se sobre o estágio da democracia em Moçambique e na África do Sul. Aqui surgiu mais um aviso: “Vejam que, na nossa democracia, o ANC já foi forte, mas não mais. Cuidado, Frelimo!”

Na opinião do também advogado, a experiência do ANC, na África do Sul, deve servir para a Frelimo em Moçambique. Porque, segundo ele, neste momento, “Estamos num período difícil, onde as pessoas perderam confiança no meu partido e todos reconhecemos isso no ANC; as pessoas estão a perder confiança. Se verificarmos, é o crime, corrução e a própria prestação do serviço. As pessoas criticam-nos nesses assuntos em que somos muito fracos”.

A crítica é também assumida por ele mesmo quando diz: “nas campanhas, abraçamos e beijamos crianças, mas quando ganhamos esquecemo-nos das pessoas, das massas. Agora, nós estamos desconectados das massas”, por isso lança um apelo ao partido libertador em Moçambique e que ainda lidera o país. “A Frelimo não deve seguir essa via, deve continuar conectada às massas, deve responder às necessidades das massas, porque se não respondes às massas que te colocam no poder, vão virar-se contra ti, por isso, digo, cuidado! Cuidado, ANC, cuidado, Frelimo, cuidem das massas”.

E cuidar das massas só tem um significado: “deves prestar os serviços que prometeste às pessoas, e há coisas básicas: emprego, educação, habitação, estradas e partilha de riqueza com as pessoas, não algumas, as massas! As massas devem ser ricas. Assegura-te de que elas são ricas na mineração, na agricultura… e estes dois países, incluindo Zimbabwe, são ricos. Mas, e as pessoas, são ricas? Devíamos colocar essas perguntas”.

“Lamento que eu esteja a tornar isto difícil, mas estes são meus partidos. Amo a Frelimo e o ANC e temos de nos colocar perguntas difíceis: estamos a agir bem? Por que é que as pessoas estão a perder fé em nós e como podemos restaurar a fé das massas nos dois partidos? Não devemos fazer joguinhos com o poder, perdê-lo-emos”, alertou.

 

O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, exige maior fiscalização do processo de recenseamento, para que não haja pessoas com mais de um cartão de eleitor. Ossufo Momade diz que só assim é possível evitar fraudes eleitorais.

Ossufo Momade recenseou-se na Escola Secundária Josina Machel, na Cidade de Maputo, acompanhado pela comitiva do seu partido e pela esposa. Lembrou, na ocasião, que votar é um dever cívico e independente da filiação partidária.

“O recenseamento não tem cor partidária e constitui um acto de cidadania”, referiu Momade, afirmando que a expectativa do partido é que o processo seja transparente, por isso apela aos potenciais eleitores para que não se recenseiem mais de uma vez.

“Cada cidadão moçambicano, potencial eleitor, tem direito de ter um único cartão e o mesmo é individual, não podendo repassá-lo para outras pessoas.”

O recenseamento eleitoral visa actualizar o número de potenciais eleitores. Com o cartão de eleitor a ser adquirido no processo, os eleitores poderão votar quer nas eleições autárquicas de 11 de Outubro, quer nas gerais de 2024.

Sobre o não reconhecimento, de Ossufo Momade, como presidente do partido pelos ex-guerrilheiros desmobilizados e as acusações de perseguições por esquadrões de mortes, por supostos membros da Renamo, Momade preferiu não pronunciar-se sobre o assunto.

Por: Nwetana

 

O que aparentemente para alguns é visto como nada, para outros, como a Lica, é visto como pontos de partida. A brisa sussurra junto da artista a necessidade de dar vida ao que parece acabado, gasto, inadequado.

Lica olha para os objectos à sua volta, e não lhes vê o fim. Ela sente que aquele objecto pode ser outra coisa, pode renascer. Tal como Duchamp, Lica vê para além do óbvio, criando a sua linguagem “ready-made”, eu até prefiro “Dada”, mostrando assim que ainda mantém no seu ser a ingenuidade, a originalidade própria das crianças, de que a tudo é possível dar um sentido.

Será que essa sua necessidade, que parece vital, de não deixar a energia das coisas se perder, é antes uma esperança de que afinal tudo na vida vale, que tudo pode ser reutilizado, que tudo tem valor? Não posso deixar de sentir as minhas raízes falarem e surge-me a coincidência do nome. Sebastião. Talvez, tudo neste mundo esteja realmente interligado e conectado, e nela viva a semente remota de um “Sebastianismo” longínquo ou distante, isto é, a esperança de que é possível regressar e salvar aquilo que por muitos pode ser considerado perdido.

A arte de Lica, aqui hoje apresentada como “Brisa do Nada”, é um nada é muito.

São incontáveis horas, a contemplar a natureza e tudo o que a preenche, com olhos não de ver mas de sentir.

São incontáveis horas, a criar na solidão, no isolamento, no “mato”. Pois é no mato, como ela me contou, que a brisa lhe sussurra todos os segredos, que a brisa fala com ela… e juntas, criam “tudo”.

São incontáveis horas, a coleccionar objectos supostamente perdidos, tal como o seu pai o fazia… e, nessa reprodução do hábito de amontar coisas, ressurge aquilo que lhe faz ser Lica Sebastião, que é a vontade de criar.

Por sugestão de ninguém, a Lica quis ser artista. Firme à sua vontade, ela persiste e reinventa-se. No início, como ela me confidenciou, fazer arte foi muito sofrido porque as coisas não saiam como ela queria. Mas, a paixão e o amor à arte, a força interior que sente para o acto da criação, não a fez desistir. E hoje, aceita a sua arte com prazer, cria livremente e… a arte é agora a sua melhor amiga.

Não se considera retratista, mas retratar a expressão de algo é sua forte inspiração. Seja a natureza, seja o ser humano, a expressão das “coisas” é o que lhe permite criar histórias, que afirma não serem “africanas” mas antes do mundo.

Assemblage, colagravura, desenho, pintura… as técnicas usadas são diversas, sendo na mescla das técnicas, que a sua linguagem surge, naturalmente. Misturando, associando, combinando… o “nada” se transforma e passa a contar uma história, uma história de “Lica”, uma história de “todos nós”.

Maputo, CCBM, 13 de Abril de 2023

Os escritores galegos, Alexandre Brea Rodríguez (da cidade de Santiago de Compostela – Galiza), Concha Rousia (da cidade de Ginzo de Lima – Galiza) e Iolanda Aldrei (da cidade de Santiago de Compostela – Galiza), estarão no país neste mês de Abril, para participarem no VII Festival Internacional de Poesia 2023, na Cidade de Xai-Xai.

O evento da Associação Cultural Xitende, em parceria com o Conselho Municipal da Cidade de Xai-Xai, decorre entre 23 e 29 de Abril, na capital de Gaza, onde se vai realizar o Festival Internacional de Poesia com a participação de escritores africanos, europeus e americanos.

O vencedor do prémio melhor poema, editado em Portugal em 2017, Alexandre Brea, apresentará o seu livro de poesia intitulado “O Livro Branco”, a Presidente do Instituto Cultural Brasil-Galiza, Concha Rousia, apresentará o livro “As Sete Fontes” e a multipremiada escritora Iolanda Aldrei fará a apresentação do livro “O segredo de Sheela”. Os três autores da Galícia orientarão workshops sobre a literatura nas sessões do paços do Conselho Municipal da Cidade de Xai-Xai e nas escolas e universidades da província de Gaza.

Alexandre Brea Rodríguez nasceu em Santiago de Compostela, em 1994. Graduado em física, actualmente está a realizar o doutoramento em física de partículas. Nos últimos anos, participou nas obras poéticas colectivas “Além do silêncio, Galiza e Moçambique numa linguagem e numa sinfonia” e no Livro Homenagem a Manuel Maria, assim como em numerosos recitais.

No ano 2016, foi um dos seleccionados para formar parte da antologia lusófona Emergente, que selecciona até 12 poetas emergentes de todo o universo lusófono. Em 2017, publicou o seu primeiro livro de poesia, “O Livro Branco”. Um dos poemas deste livro, “Com o ritmo da chuva”, venceu o prémio aRi[t]mar, destinado ao melhor poema editado em Portugal em 2017.

Concha Rousia nasceu em 1962, na raia entre Ginzo de Límia e Montealegre. Começou a sua actividade literária com ‘Lobos’ em Vieiros e deu continuidade com numerosas publicações em suporte electrónico e em papel. Integra diversas antologias na Galiza e no estrangeiro. Em 2005, editou o seu primeiro romance, As Sete Fontes.

Entre os prémios que recebeu, destaque para o Prémio de Narrativa do Concelho de Marim e o Prémio do Certame Literário Feminista do Condado. É secretária da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa e colaboradora desde 2007 dos Colóquios da Lusofonia. É a Presidente pela parte galega do Instituto Cultural Brasil-Galiza.

Iolanda Aldrei nasceu em Santiago de Compostela, em 1968. Escritora e professora, é licenciada em Filologia Hispânica pela Universidade de Santiago de Compostela e em Filologia Galego-Portuguesa pela Universidade da Corunha. As suas publicações científicas focam os âmbitos da Linguística, a Sociolinguística, os Estudos Literários e a Didáctica, tendo dedicado grande parte dos seus estudos à Lusofonia. Para além de diferentes publicações culturais, antologias, livros colectivos, blogues, jornais e revistas, conta com obra literária poética (A Palavra no ar, 1990; Memória de nove luas, 1994; O Grimório Azul de Samaná, 2011; O Segredo de Sheela na Gig, 2017; Quando a Joana voltou, 2018)  e narrativa (Entrecontar, 2020, Através Editora).

De referir que esta edição irá contar com o escritor português Samuel F. Pimenta e com vários escritores moçambicanos, como Paulina Chiziane, Francisco Noa, Marcelo Panguana, Nelson Saúte, Andes Chivangue, Deusa d’Africa, Dom Midó das Dores, Dragon bee Yoni, Elísio Miambo, Lahissane, Lino Mukurruza, Mauro Brito, Jorge de Oliveira, Sónia Sultuane, Valério Maúnde, Alerto Bia, Almeida Cumbane, Cheina, João Baptista, Ingrid Ellen, Suely Vasconcelos, José dos Remédios e entre outros.

O poeta e consultor literário, Amosse Mucavele, é curador da colecção de fotografia contemporânea moçambicana na sexta edição dos Encontros Imagem & Território, na Guarda, Portugal. A exposição contará com a participação dos fotógrafos Thandi Pinto, Yasmin Forte, Mário Macilau, Albino Mahumane e Adiodato Gomes, que vão expor 50 trabalhos artísticos, resultado de uma proposta curatorial que apresenta interpretações originais de paisagens urbanas, inclusão social e diversidade cultural.

 

De acordo com uma nota de imprensa, o Centro de Estudos Ibéricos (CEI) vai levar a cabo a sexta edição dos Encontros Imagem & Território, de 14 a 22 de Abril, na Guarda, Portugal, evento que decorre do projecto “Transversalidades – Fotografia sem Fronteiras” e do compromisso do CEI para com os territórios de baixa densidade, onde relevam os transfronteiriços.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, tendo como mote “Memória, Coesão e Literacia Visual”, o evento tem Brasil como País Convidado de Honra e contempla Exposições, Debates, Mostras e Oficinas de Fotografia, Lançamento de Publicações, Maratona e Roteiro Fotográfico.

Através do poder comunicativo que a fotografia encerra, as actividades deste 6º Encontro visam estimular um debate crítico sobre os espaços onde nos inserimos, procurando gerar uma dinâmica virtuosa de desenvolvimento que reverta o ciclo vicioso em que mergulharam os territórios de baixa densidade. Procura-se, a partir de novos olhares, uma (re)interpretação do Interior com uma consequente renovação imagética, enaltecendo sinais emergentes susceptíveis de fazer renascer um horizonte de esperança.

Para Sérgio Fernando da Silva Santos, Presidente da Camara Municipal da Guarda, citado na nota, o projeto do Centro de Estudos Ibéricos visa esbater fronteiras, promover a cooperação e valorizar territórios com menor visibilidade, fomentando cada vez mais o necessário diálogo e a compreensão do outro.  “Em linha com os objectivos e princípios matriciais definidos por Eduardo Lourenço, o “Transversalidades” concorre, assim, para a missão sonhada pelo mentor e patrono do CEI: a afirmação da Guarda como verdadeira plataforma de diálogo, encontro de culturas e centro de transferência de conhecimentos, estimulando a cooperação entre territórios de aquém e além fronteira”.

Segundo Amosse Mucavele, “Não obstante, a pluralidade e a diversidade das fotografias e dos fotógrafos seleccionados especificamente para a exposição “Imagem e Território”, justifica o carácter multicultural da  produção versus dinâmicas estéticas e por quê não, enumerar a variedade das tendências experimentais em Moçambique, a destacar a produção fotográfica de Albino Mahumana, Mário Macilau, Thandi Pinto, Yasmin Forte e Adiodato Gomes, que documenta as mutações urbanas/ rurais, as demarcações e fronteiras do conflito social e o impacto humano no meio artístico-cultural”.

De acordo com o curador da mostra moçambicana, é válido enfatizar que, “no contexto geral, todo fotógrafo aqui exposto, exerce um papel significativo para o fortalecimento de uma consciência nacional de reescrita da história urbana, uma ambiguidade presumível, que concentra e revela similaridades de uma dinâmica plural sobre a moçambicanidade e seus enlaces. As mulheres fotógrafas estão muito pouco representadas na história da fotografia, especialmente em Moçambique. No entanto, elas assumem a dianteira na promoção dos direitos e o dos diferentes valores da mulher e o seu entorno”, prosseguiu Mucavele.

À semelhança dos anos anteriores, os Encontros contam com o envolvimento da comunidade da Guarda, através de actividades em escolas, instituições sociais, de saúde e freguesias, visando levar esta arte a novos públicos, numa perspectiva de democratização cultural e para além dos fotógrafos moçambicanos, participam fotógrafos e académicos do Brasil (a jornalista Rosilene Milliotti, a pesquisadora e curadora Lúcia Bertazzo); Portugal (os fotógrafos Duarte Belo, Lúcio Cunha, Hélder Sequeira, o professor e cronista José Pacheco Pereira, os geógrafos Rui Jacinto e José Manuel Simões; Espanha (o fotografo Valentin Cabero, o geógrafo e catedrático jubilado da Universidade de Salamanca, Valentín Cabero Diéguez) entre outros.

 Serão inauguradas 16 Exposições de Fotografia, em vários locais da cidade, funcionando como âncoras, o Museu da Guarda, o Paço da Cultura, o TMG e a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço e serão realizados 5 Debates e Mostras de fotografias, por vários autores, sobre, por exemplo, os seguintes temas: “Imagens sem fronteiras: diálogos lusófonos” (Rosilene Milliotti, Amosse Mucavele, Lúcia Bertazzo, Alfredo Cunha, Luísa Ferreira, Mário Macilau, Thandy Pinto, Roberto Montemor, Karla Inajara, Moderação: Rui Jacinto).

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