O País – A verdade como notícia

Uma das últimas pessoas que falou com Azagaia, quinta-feira, 9 de Março, foi Gina Pepa. Eram amigos desde os anos 90, eram amigos desde os tempos em que Dinastia Bantu e Rappers Unit faziam, de facto, parte do vocabulário da comunidade Hip-Hop em Moçambique.

A rapper encontra-se a finalizar o seu álbum de estreia, que terá como título Missão cumprida, mesmo a condizer com o percurso artístico do amigo. Para o álbum, Azagaia concedeu uma participação na música “Ironias da vida”. Gravada e acabada, a faixa musical deveria ter um vídeo-clip. Por isso mesmo, na quinta-feira, os dois amigos puseram-se a conversar sobre os pormenores necessários para as filmagens.

Como é habitual, no meio da conversa, Azagaia pôs-se a rir agradado em falar com a amiga para quem telefonou. Aliás, Gina Pepa pensa em Azagaia como um homem sorridente, divertido, de uma alegria contagiante. Portanto, quando falaram pela manhã de quinta-feira, interromperam a ligação porque cada um tinha de tocar o dia para frente.

Ainda assim, o rapper prometeu ligar novamente. O dia parecia longo. As horas passaram e Gina Pepa, ocupada com outros afazeres, só se lembrou de que Azagaia prometera ligar por volta das 19 horas, quando um certo jornalista a contacta a querer confirmar o que as redes sociais já tinham começado a divulgar. Aí, sim, Gina Pepa pressentiu que o seu amigo nunca mais voltaria a ligar. Então, tomou a iniciativa. Ligou ao celular que, do outro lado de Maputo, na Matola, chamou, mas ninguém atendeu. Ligou à esposa. Nada. A partir desse instante, as lágrimas da artista começaram a jorrar no seu rosto tão cheio de Hip-Hop. Mas ela precisava de uma confirmação. Percebendo, mas sem acreditar nas evidências, marcou no celular o número da irmã de Azagaia. Com ela finalmente conseguiu falar. A sentença final estava dada: Azagaia já não estava entre nós, afinal a sua missão na terra já estava cumprida. Quase como o álbum de Gina Pepa.

Inconformada com a morte do autor de Babalaze (2007), Cubaliwa (2013) e Só dever (2019), tanto quanto os seus admiradores, Gina Pepa pôs-se a pensar na amizade com o rapper de forma atabalhoada. A artista lembrou-se daquela voz vibrante, que cantou como ninguém; lembrou-se da sua frontalidade, sinceridade, inteligência e lealdade aos valores que defendia.

De nascimento Edson da Luz, 6 de Maio de 1984, Azagaia iluminou o raciocínio de muitos, intervindo, denunciando e criticando. Entre a música pimba, de fama fácil, Azagaia escolheu o mais difícil: estar do lado dos mais fracos, posicionando-se contra os políticos e os que têm força. Desse ponto de vista, Azagaia contrariou aquela ideia de um certo autor: “Beija a mão que não podes morder”. Azagaia mordeu essas mãos cheias de sangue e desordem. Picou e não soprou. De forma frontal, com recurso a uma composição contundente.

Desde os seus 20 anos de idade, Azagaia fez do RAP um fenómeno além da música. E essa vocação começou como que ocasionalmente. O rapper lança “As mentiras da verdade” e o tema logo se torna um hit. Na música, o artista convoca os moçambicanos a uma reflexão sobre a realidade social e política do país. Mexeu em temas considerados tabus e problematizou questões tornadas impronunciáveis, como o provável fim do primeiro Presidente da República, Samora Machel.

Depois de “As mentiras da verdade”, a forma de pensar a música mudou em Azagaia. No artista, fortaleceu-se um sentido de causa, de luta, de ideal e de compromisso com o seu povo. Talvez, por isso, o rapper se fez conhecido entre os moçambicanos, tornando-se, com cerca de 23 anos de idade, uma das figuras mais interventivas do país.

Azagaia ganhou respeito fazendo um ritmo que, para muitos, era de marginais. Fez-se ouvir e as pessoas passaram a prestar atenção nele, nas suas músicas, nas suas ideias e, consequentemente, no fenómeno Hip-Hop. Lírico e consciente. Com o microfone na mão, fez com que pessoas muito velhas do que ele passassem a apreciar o ritmo em poesia. Naturalmente, a sua música levou-o ao patamar dos “eternos”, dos que, com a música, encontram uma morada além da existência. Em Moçambique, na região, nos PALOP e na CPLP.

A importância de Azagaia consolidou-se com o lançamento do álbum Babalaze, em 2007, é certo. Nessa altura, granjeou tantas simpatias quanto inimizades. Com temas como “A marcha” e “Alternativos”, o álbum foi verdadeiramente bem recebido no país e Azagaia quase tornou-se uma legião. A certa altura da sua carreira musical, passou a fazer concertos trajado de roupas aparentemente militares. Eufórico, com um fôlego único, o rapper fazia vibrar o palco e mexia com as pessoas nos seus concertos.

Azagaia foi amado, cantado, apoiado, mas nem tudo foi um mar cor-de-rosa nos seus 38 anos de vida intensa. Atento às vicissitudes sociais como sempre foi, em 2008, lançou uma das suas músicas mais populares: “Povo no poder”. Foi um estrondo! A música incomodou muitos políticos. Na sequência desse tema inspirado na reacção popular a seguir à subida do preço do transporte, naquele ano, em pouco tempo, foi chamado à Procuradoria da República por suspeita de “atentar contra a segurança do Estado”. De lá saiu mais esclarecido e “Povo no poder” continuou a ser uma das principais composições musicais do país.  “Cão de raça”, “Maçonaria”, “Calaste” e “A minha geração” (Cubaliwa) não ficaram muito atrás.

Com as suas músicas, Azagaia honrava o pseudónimo que tinha. Sem dever nada a ninguém. Mas Só dever é esse último EP que lançou ainda vivo.

Azagaia sempre soube que era incómodo. Talvez, por isso, a morte foi abordada nas suas músicas. Sem medo. Azagaia viveu combatendo pela verdade e contra o medo. Numa das suas composições, “Filhos da”, com N. Star, o rapper diz o seguinte, a certa altura, “Medrosos, quando morrem, não servem nem para estrume”.

Azagaia viveu de pé. Quando se apercebeu de que poderia participar ainda mais na mudança, alinhou na lista do MDM para deputado na Assembleia da República. Mas essa eleição não aconteceu. Continuou a fazer música. Nem o tumor cerebral diagnosticado em 2014 o fez confusão. Pelo contrário, Azagaia continuou lúcido e a fazer os seus concertos. O último (ou dos últimos) aconteceu há poucos dias, na Beira, essa cidade que lhe permitiu ter o título para o seu segundo álbum, Cubaliwa.

Não morreu a tiro, como muitos temiam, não morreu na Índia, quando lá foi fazer cirurgia. Morreu em casa, num bairro humilde da Matola. As reacções à sua morte vieram de toda parte. O rapper Allan considerou, tal como Gina Pepa, que o país perdeu um herói e líder de uma geração de artistas. Simba Sitoi disse que a qualidade das suas líricas fará sempre falta.“Questionamo-nos agora sobre quem mais poderá ter o nível da sua qualidade poética”, disse Simba Sitoi.

Já Kloro defendeu a necessidade de se resgatar Azagaia que cada um tem dentro de si e continuar com a luta em prol da sociedade moçambicana e pela humanidade.

Em Portugal, Jimmy P., com quem gravou pelo menos uma música, deseja-lhe um eterno descanso. Valete destacou que “Morreu um dos maiores rappers da Língua Portuguesa. Um dos seres humanos que mais admirei em toda a minha vida. Um verdadeiro patriota. Amou África e Moçambique como poucos. O irmão que nunca tive”.

No Brasil, Gabriel, o Pensador, escreveu na sua rede social que “Nosso irmão Azagaia, ícone do rap lusófono, nos deixou hoje muito cedo, aos 38 anos, em sua casa em Moçambique. Grande perda para nossa música e cultura hip hop. Seu legado é eterno, mano, descanse em paz”.

Azagaia, homem temente a Deus e que rezava antes dos concertos, partiu. Coerente, deixando para trás uma mulher e duas princesinhas.

 

 

Ainda sobre a morte do rapper Azagaia, a ministra da Cultura e Turismo diz que o país perdeu um activista versátil, que usou a sua música para expressar a sua versão dos factos na sociedade.

Numa mensagem a que o “O País” teve acesso, Edelvina Materula disse, ainda, que Azagaia foi uma lenda da música moçambicana e que contribuiu para o engrandecimento e afirmação da música de intervenção social.

A governante acrescentou que a marca do rapper fica registrada e o seu nome agrafado na história da música do país e do continente africano.

Diversos artistas usaram as suas contas nas redes sociais para prestar homenagem ao rapper Azagaia. Ainda nas redes sociais, várias outras pessoas publicam fotos do autor de Babalaze, acompanhadas de palavras que expressam a sua grandeza.

As condolências sobre a morte de Azagaia vêm de toda parte. De Portugal, por exemplo, o rapper Valete partilhou nas suas contas das redes sociais.

“Um dos seres humanos que mais admirei em toda a minha vida. Um verdadeiro patriota” (…) A milhares de quilómetros de distância faremos uma homenagem eterna a um dos homens mais importantes da História do Rap Lusófono”.

Do Brasil, o rapper Gabriel Pensador lamentou nos seguintes termos: “grande perda para nossa música e cultura hip-hop”.

Mesmo sendo praticante de outro género musical, a cantora angola Pérola escreveu: “que notícia triste! Descansa em paz, Azagaia!”

Em Moçambique, a comoção foi ainda maior. Vários artistas dedicaram mensagens ao “mano Azagaia”, como era também chamado.

A cantora Lenna Baúle descreveu Azagaia em apenas duas palavras: Grandioso e eterno!

O professor universitário e presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, Nataniel Ngomane, escreveu:

“Morreu um Homem. Homem, com agá maiúsculo. Porque representava todos os Homens e Mulheres desfavorecidos. Os desgraçados, os miseráveis. E não era apenas um rapper. Era um Homem. Homem com agá maiúsculo.  “Povo no Poder!”

A também cantora de Hip-Pop, Iveth, que cantou ao lado de Azagaia várias vezes, dedicou o perfil no facebook ao cantor e ainda publicou o seguinte:

“Disseste o que deveria ser dito e fizeste o que deveria ser feito. Choramos a tua morte, mas celebramos a tua vida e obra com orgulho e honra. Lutaste um bom combate e deste voz aos sem voz, tiraste goela afora as mentiras da verdade e gritaste por paz, justiça para todos.”

O Governo também reagiu à morte do Azagaia, através da Ministra da Cultura e Turismo.

“Perdemos o músico de intervenção social, Azagaia, uma lenda da música jovem moçambicana que tatuou a sua carreira pela forma destemida como tratava os assuntos nas suas composições musicais. A sua marca fica registada, e o seu nome agrafado na história da música do nosso país e do continente africano.”

Ano passado, também nas redes sociais, o intelectual português Boaventura de Sousa Santos já se tinha rendido à composição de Azagaia, num vídeo que circulou bastante na internet.

Azagaia morreu, mas a obra é eterna. A família vai reagir à morte oportunamente.

Moçambique vai receber 25 milhões de euros para reforçar o combate à insegurança alimentar e a preparação face aos desastres naturais. O dinheiro é parte de um total de 50 milhões de euros disponibilizados pela União Europeia à região austral de África.

Moçambique vai receber dinheiro da União Europeia. Desta vez, o valor é de 25 milhões de euros, que deverão ser usados, entre vários fins, para a mitigação da insegurança alimentar no país, com maior enfoque na província de Cabo Delgado.

O valor é parte de 50 milhões de euros que a comunidade europeia vai desembolsar em apoio aos países da África Austral.

Num comunicado de imprensa, a que o “O País” teve acesso, a Comissão Europeia aponta as áreas em que o dinheiro deverá ser aplicado.

“Esses fundos ajudarão a combater a insegurança alimentar e a desnutrição, melhorar o acesso a serviços básicos, melhorar a preparação para desastres e promover a educação em situações de emergência em toda a região”, lê-se na nota.

Dos 50 milhões de euros, 25 milhões vão para Moçambique, 13,3 milhões para Madagáscar, 7,4 milhões para Zimbabwe, 4,3 milhões de euros para Lesotho, Malawi e projectos regionais.

No documento, a organização europeia faz referência ao terrorismo, que já provocou a deslocação de mais de um milhão de pessoas.

Morreu, esta quinta-feira, Edson da Luz, mais conhecido por Azagaia. Segundo uma fonte familiar, o cantor de hip-hop moçambicano morreu num acidente doméstico.

Famoso e acarinhado pela forma crítica com que abordava as questões sociais, até políticas, Azagaia era considerado, pelos seus fãs, a “voz do povo”.

Filho de uma comerciante moçambicana e de um professor cabo-verdiano, Edson da Luz nasceu no dia 06 de Maio de 1984, em Namaacha, Província de Maputo.

Aos 10 anos de idade, o cantor mudou-se para a capital do país, local onde viria a concluir o ensino médio e ingressou numa universidade. Ainda em Maputo, Azagaia passou pelas camadas de formação de basquetebol do Desportivo de Maputo.

Iniciou a carreira musical com 13 anos, integrando com o grupo Dinastia Bantu, com MC Escudo, e lançou, em 2005, o álbum Siavuma.

No dia 10 de Novembro de 2007, Azagaia editou o seu primeiro álbum a solo, intitulado “Babalaze” (que significa ressaca) pela editora Cotonete Records. O lançamento atingiu recorde de vendas no dia de estreia.

“Babalaze” contou com as participações de Terry, em “Eu Não Paro”, e de Valete, em “Alternativos”. O álbum continha músicas bastante críticas ao Governo moçambicano, facto que impediu que algumas faixas fossem tocadas nos canais públicos.

Das músicas consideradas polémicas, destacam-se “As Mentiras da Verdade” e “A Marcha”, este último que bateu recordes de vendas.

Numa retrospectiva dos principais acontecimentos em Moçambique, Azagaia lançou “Obrigado Pai Natal”, em 2007, e “Obrigado de Novo Pai Natal”, em 2008.

Depois da revolta popular de 05 de Fevereiro de 2008, em Maputo, Azagaia apresentou o tema “Povo no Poder”, que lhe valeu uma intimação para se apresentar na Procuradoria-Geral da República, suspeito de “atentar contra a segurança do Estado”. A música voltaria a ser lembrada na revolta popular de 1 e 2 de Setembro de 2010.

Em 2009, lançou a música “Combatentes da Fortuna”, que o rapper disse ser inspirado na crise do Zimbabwe e que, apesar de ter sido censurado, foi dado como o videoclipe mais visto da história do rap moçambicano.

No ano de 2010, lançou a música “Arriiii”, versando sobre um escândalo de tráfico de drogas em Moçambique, casos de fuga ao fisco e assassinatos.

Em 2011, Azagaia foi preso, na companhia do seu produtor Miguel Sherba, após ter sido encontrado um cigarro de “soruma”.

Depois de uma produção de três anos, Azagaia lançou o segundo álbum de originais, Cubaliwa (significa “nascimento”), a 09 de Novembro de 2013, na Associação de Escritores Moçambicanos, em Maputo, contando entre os temas destacados “Movimento de Intervenção Rápida”, “Homem Bomba” e o tema de apresentação lançado em Outubro “ABC do Preconceito”.

Como convidados neste álbum, encontram-se nomes como Stewart Sukuma, Dama do Bling, a Banda Likuti, Ras Haitrm, Júlia Duarte e o rapper angolano MCK. O álbum chegou a ser apresentado com o nome de “Aza-leaks” em 2011, por alturas da apresentação do tema “A Minha Geração”.

Cubaliwa deu origem a uma digressão denominada Bem-vindos ao Cubaliwa, em que Azagaia se apresentou com a banda Os Cortadores de Lenha.

O consumo de estupefacientes voltou a manchar a sua carreira, quando, em Junho 2014, durante uma entrevista a um canal televisivo, o cantor confessou que tinha sido detido novamente por posse de droga e justificando que o consumo da canábis se devia à suposta recomendação médica, uma vez que padecia de epilepsia. Azagaia preparou em directo e acendeu o que o próprio disse ser “soruma”.

Poucos dias depois, num texto apresentado no Facebook a 15 de Junho de 2014, Azagaia anunciou que, por temor pela sua vida, abandonaria a carreira musical e iria passar a viver em Namaacha, sua terra natal.

Semanas depois, o cantor disse que estava com um tumor cerebral e iniciou uma campanha de arrecadação de fundos pela Internet. O projecto “Help Azagaia” serviria para reunir mais de 790 mil Meticais para custear a cirurgia de retirada do tumor, realizada na Índia a 18 de Outubro.

Um ano depois de se ter afastado dos palcos, Azagaia voltou a actuar, apresentando-se num concerto numa discoteca, em Maputo, em Maio de 2016.

Xixel Langa e Wanda Baloyi darão início às celebrações organizadas pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano, neste mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, com dois concertos intitulados “She is”, a ter realizarem-se esta Sexta-feira, a partir das 20h, no Jardim do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

De acordo com o Franco-Moçambicano, os espectadores terão a oportunidade de reviver temas já conhecidos de Wanda Baloyi, sendo, para Xixel Langa, uma oportunidade para a apresentação do seu mais recente trabalho discográfico intitulado “Vatekile”, o qual constitui convite a uma viagem pelo período colonial, onde os negros eram transportados em navios para serem comercializados, ficando assim distantes da sua terra natal. Com isto, Xixel encontra na música uma forma de fazer sentir o grito de repúdio à guerra e desgraça mundial do povo que foi afastado da sua terra, para que tal acontecimento não se repita.

Xixel Langa começou oficialmente a sua carreira artística, a solo, em 2003, tendo no mesmo ano, feito a sua primeira aparição pública. Participou de shows de bandas e artistas conceituados como Gito Baloi, Stewart Sukuma, Kapa Dech, Timbila Muzimba, entre outros.Em 2006, radicou-se na África do Sul, onde fez parte de umas das melhores bandas Sul-africanas: “Tucan Tucan”; assim como, fez parte de “Manding Khan”, como bailarina e vocalista de ritmos do Ocidente de África. Em 2018, foi melhor canção no Ngoma Moçambique. Em 2004, foi prémio revelação e melhor voz no Top Feminino.

Quanto a Wanda Baloyi, é uma artista que pertence a uma família de músicos, e pode ser descrita como uma cantora de “cocktail africana” e neo-soul, com interesse multilinguístico: inglês, português, zulu, changana e guitonga. Lançou o seu primeiro álbum intitulado “Voices” pela Universal Music, e ganhou o Melhor Arranjo Africano no “Kora Awards”; teve duas indicações “SAMA” e uma indicação ao “Channel Music Video Award”. Seu segundo álbum, com título “So Amazing”, foi seguido por “Colours” e “Love & Life”, com o qual ganhou, em 2015, o prémio de “Best Urban Jazz”, no Metro FM Music Awards. Até o momento, Wanda Baloyi já se apresentou em vários festivais internacionais e fez turnês pela África do Sul para promover o projecto “Love & Life”, que mereceu um remix internacional para uma de suas canções intitulada “Kisses”, remixado por Louie Vega.

Próxima terça-feira, às 17h30, serão apresentadas no Camões – Centro Cultural Português em Maputo as obras distinguidas na 3.ª e 4ª edições do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa: A ilha dos mulatos, de Sérgio Raimundo (2019), e Marizza, de Mélio Tinga (2020).

O Director de Edições e Cultura da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (Portugal), Duarte Azinheira, e o poeta, editor e Presidente do Júri do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa, Mbate Pedro, estarão presentes nesta cerimónia e apresentarão as duas obras ao público, num momento em que os livros estarão também disponíveis para venda.

O júri constituído pelo poeta Mbate Pedro, na qualidade de Presidente, pela investigadora e especialista em Literatura, Sara Jona Laisse, e pela editora-chefe da Imprensa Nacional, Paula Mendes, deliberou atribuir o Prémio à novela policial contemporânea A ilha dos mulatos (2019) pelo facto de o autor entrelaçar criatividade e originalidade, com a gestão da polifonia e de fluxos de consciência, numa narração que convoca à preservação da memória sobre a Ilha de Moçambique.

Por seu turno, a atribuição do Prémio a Marizza justifica-se, segundo o júri, pela criatividade com que o autor aborda um assunto do quotidiano e pela qualidade e inovação estética da obra, numa narrativa coesa e coerente, na qual a forma se sobrepõe ao conteúdo. Nesse trabalho de Mélio Tinga, o júri destacou ainda a qualidade literária de uma escrita permeada por notáveis registos poéticos.

Durante a sessão de apresentação, serão também anunciados os membros do júri da próxima edição do Prémio (2023), constituído por figuras ligadas à literatura de Moçambique e Portugal.

O galardão foi instituído em 2017 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, e destina-se a premiar trabalhos inéditos, em prosa, de cidadãos moçambicanos ou a residir em Moçambique há mais de cinco anos. O Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa contempla a edição da obra vencedora pela Imprensa Nacional, bem como a atribuição do valor monetário de 5.000,00€ (cinco mil euros) ao vencedor.

Sérgio Simão Raimundo, também conhecido como Poeta Militar, nasceu em Maputo. Licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane, estudou também Crítica de Cinema, no Brasil, em 2017, Jornalismo de Saúde, no Quénia, em 2018, Artes Performativas e Jornalismo Cultural, na Alemanha, em 2018. Colabora como jornalista e colunista em diversos órgãos de comunicação social em Moçambique e Portugal. Como escritor, tem participado em diversas antologias literárias nacionais e internacionais e tem publicados o livro de prosa “A ilha dos mulatos” (Imprensa Nacional, 2020) e o livro de poesia “Avental de um Poeta Doméstico” (2016). Vencedor do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa (2019), do Prémio Africano de Imprensa Escrita da Merck Foundation (2018); do Prémio Fim do Caminho (conto – 2016) e do Prémio Nacional de Slam Poetry (2011). Foi também nomeado com a menção honrosa do Prémio Literário 10 de Novembro (2017 e 2018) e ainda uma menção especial no Concurso Mundial de Poesia NOSSIDE (2010). Actualmente, reside em Portugal, onde trabalha na área da literatura e frequenta o Mestrado em Ciências da Educação, na Universidade do Algarve.

Mélio Tinga nasceu, vive e trabalha em Maputo. Licenciado em Educação Visual pela Universidade Pedagógica e pós-graduado em Branding pela Universidade Europeia (IADE). Cofundador da Catalogus – Portal de Autores Moçambicanos e do OitentaNoventa – Projecto de ligação entre gerações literárias, em Moçambique. Membro do Movimento Literário Kuphaluxa, do projeto lusófono Mapas de Confinamento e Vice-Presidente da Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo. Escritor de ficção, tem publicados os livros: “Objecto Oblíquo” (OitentaNoventa, 2022), “Marizza (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2021), “a engenharia da morte” (Moçambique, 2020; Caos e Letras, Brasil, 2021; Edições Húmus, Portugal, 2021) e “O Voo dos Fantasmas” (Ethale Publishing, 1ª Edição, 2018 e 2ª Edição, 2022). Coorganizou dois volumes de “Contos e crónicas para ler em casa” (Literatas, 2020). Vencedor do Prémio Literário Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa (2020) e do BLOG4DEV do Banco Mundial (2021). Finalista do Prémio 10 de Novembro (2019) e do Prémio de Letras de Música SensaSons (2012).

Com vista a quebrar este tabu, a escritora apresenta, no próximo dia 10 de Março, o concerto “Msaho”, uma ópera africana desenhada por si há seis anos, com o objectivo de mostrar as valências culturais moçambicanas.

Inspirada no seu livro de poesia, intitulado “O Canto dos Escravizados”, Paulina Chiziane desenhou uma ópera à maneira moçambicana há seis anos.

Segundo conta, ao expor a ideia teve pouco apoio, mas não desistiu, caso para dizer que nem só de livros viverá Paulina.

Com o espectáculo, pretende-se juntar várias manifestações artístico-culturais, como teatro, poesia e canto, para apresentar a história de opressão e libertação do povo africano ao mesmo tempo que se quebram alguns tabus.

“Há várias coisas, uma das quais é quebrar esse tabu de pensar que África não tem ópera. [Quero] quebrar esse tabu de dizer que os moçambicanos não têm ópera. Ópera é uma manifestação cultural, assim sendo, todos os povos têm ópera”, argumentou a escritora.

Ao aderir ao espectáculo, segundo Paulina Chiziane, o público terá uma experiência equilibrada entre o entretenimento e reflexão sobre “a sua interioridade”.

O evento terá lugar no Centro Cultural Universitário, em Maputo, na próxima sexta-feira.

A exposição de arte “Entre Muros” será inaugurada esta quinta-feira, às 16 horas, na Galeria do Porto de Maputo, Baixa da Cidade de Maputo.

Segundo a artista plástica Bena Filipe, Coordenadora do Projecto Arte para a Mudança, “a exposição irá mostrar o ponto mais alto dos trabalhos que um grupo de artistas está fazendo, desde Abril do ano passado, na Penitenciária Feminina de Ndlavela”, na Matola, Província de Maputo.
Já para o actor Abdil Juma, que monitora a área de teatro na penitenciária, “as internas têm demonstrado o seu potencial não só nas artes plásticas mas também noutras áreas, como o teatro, música, artesanato e dança.”

Para estas outras áreas, como disse Juma, “contamos com os préstimos de Jubia Matusse (teatro), Renaldo Siquisse (artes plásticas) e Sizaquel Matlhombe (música).

A exposição, que termina no dia 23, está inserida no projecto “Quem disse que as mulheres não podem fazer uma serenata”, idealizado pela Banda Kakana e está inserido nas comemorações do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

Para além do público, estarão presentes representantes religiosos, dos serviços penitenciários, embaixadas e entidades culturais governamentais.

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