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O País – A verdade como notícia

Por: Huwana Rubi

Não é comum, no nosso meio literário, onde a crítica das artes parece hibernada na mesma cápsula onde o País se faz letargo, lermos dois exaustivos ensaios sobre a mesma obra, com os dois a convergirem na importância que a atribuem, ressaltando a sua relevância literária, neste caso, o facto de, “neste romance, a ficção e a história são habilmente combinadas.”, citada a co-autoria da Professora Ana Mafalda Leite.

Mais do que um simples reconhecimento da qualidade literária, um dos ensaios, “O insólito ficcional na narrativa moçambicana contemporânea: leituras de saga d’ ouro, de Aurélio Furdela”, do destacado estudioso brasileiro João Olinto, se mostra revolucionário no olhar que faz sobre a literatura moçambicana, a colocar no mesmo patamar de amadurecimento literário a prosa do escritor Aurélio Furdela, ao lado de Ungulani Ba Ka Khosa e Mia Couto, ao considerar:

“Decorre que, embora em períodos anteriores a prosa tenha apresentado obras que contavam sobre a realidade do – à época, colônia portuguesa – território moçambicano – a exemplos de obras como Godido, de João Dias; ou Nós Matamos o Cão-Tinhoso, de Honwana (TRINDADE JR, 2019) –, eram experimentações esporádicas, em detrimento da vocação dos moçambicanos para serem uma “pátria de poetas” (NOA, 2007, p. 284). Assim, a prosa passa por décadas até atingir o amadurecimento de um Ba Ka Khosa, um Mia Couto e, apontamos aqui, um Aurélio Furdela.”

Aurélio Furdela dizia há dias que neste preciso mês de Novembro completa 20 anos de publicação em livro, quero acreditar agora que terá motivos bastantes para celebrar: parabéns escritor!

A coreografia “Vagabundus”, de Ídio Chichava, será apresentada no Festival Souffle, próxima semana, na Ilha Reunião. O espectáculo é um exercício particular sobre a expressão do corpo e também será apresentado na bienal Kinani, dia 23.

Nos próximos dias 14, 15, 16 e 17 deste mês de Novembro, o espectáculo de dança “Vagabundus”, de Ídio Chichava, será apresentado nas cidades de Saint-Pierre e Saint-Denis, na Ilha Reunião.

Depois estreia na Bulgária, ano passado, a obra de Ídio Chichava será apresentada no Festival Souffle. Com a participação, o coreógrafo e os 13 bailarinos que viajam ao território francês, no Oceano Índico, têm expectativas altas, “Porque lá teremos uma espécie de aquecimento para apresentação no Kinani, em Moçambique. Além disso, estamos conscientes de que as as nossas futuras apresentações dependem do que faremos na Reunião”.

Para Ídio Chichava, levar “Vagabundus” a Ilha Reunião é uma oportunidade para provar que Moçambique continua com capacidade de exportar coreografias de dança ou cénicas de qualidade. Também por isso, Chichava entende que a participação no Festival Souffle, mais do que um reconhecimento, representa uma luta da Yodine, da Converge + e dos bailarinos, que consiste em sublinhar que é possível viajar com peças nacionais para o estrangeiro”.

“Vagabundus” é uma coreografia com 70 minutos de duração. O espectáculo estreou no Festival One Week Dance, na Cidade de Plovdiv, na Bulgária, ano passado. Até aqui, a versão final do espctáculo ainda não foi apresentada em Moçambique. A estreia em Maputo está maracada para dia 23 deste mês, no Grande Auditório do Centro Cultural Moçambique-China. “Espero que consigamos ter mil pessoas a ver ‘Vagabundus’, a sala tem capacidade para tantas pessoas, e mostrarmos que a dança moçambicana está viva e recomenda-se”, afirmou Ídio Chichava, durante o intervalo do ensaio desta quinta-feira.

A coreografia de ídio Chichava levou seis meses a preparar, pois Ídio Chichava esmerou-se em trabalhar experiências do corpo de cada bailarino, sem esquecer as suas tradições e as suas influências. Segundo o coreógrafo explicou, os bailarinos que fazem “Vagabundus” pretendem, através de movimentos coordenados, mostrar que em Moçambique existe a criação de vocabulários próprios, através da dança.

 

Por volta de 1995 tinha eu já a idade de homem, embora fosse o mais novo de casa e fosse vivo nessa altura o meu pai. As aldeias que nos circundavam, as quais entrávamos como suspeitos de algum crime e saíamos como se voltássemos de uma festa, tinham um aspecto à primeira vista silencioso, porém de pândega para quem olhasse com olhos de ver; mesmo que nos rostos de quem os habitasse vivesse pendurada uma lágrima. Destas lágrimas preguiçosas para cair. Anos mais tarde – era eu uma espécie de rato de biblioteca – vim a saber que aquele bairro que nos circundava – e que se encolhia ao nascente e se reanimava ao sol poente – era, afinal, um campo de refugiados. A guerra já havia terminado, é verdade. A paz nem tanto. Cada um daqueles habitantes que vinham à distância de dias e noites intermináveis tinha algures um morto por enterrar e, quem sabe, um pecado inconfessável.

As manhãs começavam com música na casa do meu pai. A menininha trazia água numa bacia metálica e pousava-a sobre a mesa. Quem me dera se eu lembrasse o seu rosto. A garotinha de idade pouco maior que a minha, mas demasiadamente inferior à do meu irmão mais velho, mesmo que só dois anos nos separassem, era solícita e vívida. Sob suas mãos, o chá escorria quente e fumegante para dentro da chávena que retinha o olhar do meu pai. A menina havia entrado pela porta de casa agarrada pelo ombro de minha mãe, que a havia encontrado algures vagamundando.

Eu podia esquecer de tudo, menos o cheiro de um pão. O cheiro da menininha esqueci, como esqueci o cheiro da casa, a cor daquele mar particular que eu via da janela, a areia que se deixava antever de longe e as palavras que pronunciavam os bêbados nos seus circos nocturnos, esquecidos da sede da matança e da fruição do medo. Sucedeu, porém, que por razões que até hoje ignoro, e que eram ainda mais confusas ou banais na altura, a meninha punha-se sempre a chorar quando fosse pontualmente dezassete horas. Daí a trinta minutos chegaria o meu pai, mão tomada por um cigarro e outra ocupada por um novelo que escondia um cesto de peixe, reclamando da severidade das ondas e da palidez que o legava a água do mar. Nunca me acostumo a essa vida – dizia. Mas no minuto seguinte era eu quem fungava e jurava aos deuses não ser capaz de tocar um fio que fosse da menininha. Não importa, o jantar estava servido. A minha mãe voltava do mercado puxando pelo braço do meu irmão. Havia sempre mais um jantar sobrando para mim.

Como eu frequentasse as aulas no período da manhã, passava toda a tarde em casa com a menina, brincando de ajudar nas tarefas domésticas. Antes de descascarmos a batata doce ou pôr de molho as folhas da aboboreira, fazíamos viagens em batéis de lata de atum, nadávamos no mar raso das folhas das mangueiras e baloiçávamos na imaginação de um dia poder vir a ter baloiços. No entanto, mal o começasse o sol a por-se e, meticulosamente calculado, a menina desatava ao choro, apontando-me com o seu indicador todas as culpas. A princípio não percebi nada, como na verdade nunca cheguei a perceber. Por dias longos, chegava o meu pai as dezassete e trinta, a mão tomada pelo cigarro e na outra o chinelo cantava.

Em “Talpa” de Juan Rulfo extraído de “El Llano en llamas”, a Virgem do Santuário de Talpa é um símbolo religioso destinado a curar os enfermos e outros problemas. Natália aventurar-se-á para aqui, guiada por um peregrino, para cumprir uma promessa. Tanilo está doente e é a ele que interessa salvar. Entretanto, é enterrado ali, com a sepultura cavada à mão, sem que ninguém ajudasse. A viagem é em suma um pesadelo, contudo Natália não derrama uma única lágrima. Talvez não a afligisse o luto, mas chegados a Zenzotla, percorridos dias e léguas de viagem, ao ver a mãe Natália despontou a chorar como se precisasse de algum consolo.

Não me cabe a mim – hoje – reflectir acerca do infortúnio de Natália ou sobre a narrativa de Juan Rulfo. Nossa terra ainda carregava a cor de chumbo. A menininha podia ser tão vítima quanto vilã, como mais tarde descobrimos em Talpa. O que sei, porém, é que um dia a minha mãe regressou mais cedo e pôs-se em tocaia algures próximo de casa. Claro, que desconfiava que alguma coisa não ia bem. Não tardou que as aves se pusesse em direccão ao sol poente e a menina ligasse a corda do seu choro, eram precisamente cinco da tarde. O choro durara os exactos trinta minutos até que no ar flutuasse o fumo de tabaco do meu pai. A minha mãe no camarote assistia àquele ensaiado ballet de lágrimas. Quando o chinelo ia começar outra vez a cantar…

Os meus pais estavam envergonhados, acreditaram por longos dias que eu tivesse violentado a menina, que fora o infantil carrasco, quando eram lágrimas de invenção. Se calhar ela não se sentisse confortável separada da sua família ou tivesse, quem sabe, motivos piores. Ninguém conhece a verdadeira dimensão da dor. A precisão com que a garota domesticava o choro, a sua duração matemática, a arte de compadecer o outro. Isso me fez acreditar que não há nada tão efémero como a felicidade, porque por mais que pudéssemos inventá-la nunca nos sairia tão perfeita e duradoira como a tristeza daquela pequena actriz da vida. Os refugiados de guerra retornaram cada um à sua maneira e nunca cheguei a vê-los chorar.

Próxima terça-feira, às 18h00, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo vai inaugurar a exposição colectiva “Obra dádiva”, organizada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) por ocasião do oitavo Encontro Internacional sobre Educação Artística, que se realiza na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM), de 15 a 17 de Novembro (8º Encontro Internacional sobre Educação Artística.

O encontro envolve docentes e investigadores da CPLP, particularmente de Moçambique — da ECA-UEM, da Universidade Pedagógica (UP), do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), e da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV).

A exposição “Obra dádiva” é comissariada por Paulo Luís Almeida, artista plástico e Professor Associado da FBAUP e director da sua Unidade de Investigação. A exposição apresenta cerca de 50 trabalhos originais, todos eles produzidos em papel. São autores professores da FBAUP e estudantes de pós-graduação da FBAUP e um pequeno grupo de autores de Moçambique, que, com o ‘movimento intercultural Identidades’, se têm cruzado.

Reconhecidos como Identidades, movimento intercultural, grupo de professores, artistas ligados à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), estabeleceram, a partir de 1996, em Moçambique, laços de partilha artística e cultural.

Por: Huwana Rubi

Gonçalves Patrício para os afáveis ( Djogorro) é um nome sonante no panorama literário Moçambicano vem se consolidando através do seu legado e densidade que os seus escritos emanam. De fala mansa, disciplinado talvez pela sua profissão de coronel e também poder-se-á dizer um “zambeziano de gema” demostra no seu livro “As conversas de Nhamacata” um nicho de contos com alguns guinchos tais como memorias vagas da terra que lhe passou o “feitiço” das historias que vivenciou e de personagens disparas. O curioso do nome Nhamacata é que na província de Sofala pejorativamente reconhecida na tradução portuguesa como “homens-catanas” malfeitores que jazeram por aquelas jeremiadas. Entretanto o presente titulo do livro tem origem sobre a localidade de Nhamacata, um dos embriões da província da Zambézia.

O nicho
Trata-se de um livro que cotem vinte e dois riquíssimos contos, os retratos que carregam “historias” tais como, A chegada, João não treme, O cão de Nhamacata, Estou a vir, Ladrão de sutiã, Pegadas vagabundas.
O autor também nos remete a outros aguçares como o mistério das cores, estórias que remetem ao leitor o mais íntimo sentimento, claro com o mérito da naturalidade discretiva do autor. Os textos como, Assim há-ser, Zefa, Jamy, A chuva de setembro, são alguns dos contos que carregam consigo a lareira acesa que o autor descreve quase que em forma de provocação.
Outros temas tais como Ave Maria, Covid-19, A mesa da revolução, A ultima rede de tempo, suscitam temas contemporâneos, temas que nos chamam a uma reflexão, atiçando ao leitor um momento “Deja vu”, em que o por do sol é inesperado mas também pode ser atemporal.

“O caminho das nuvens”
Um conto que transborda poesia numa situação caótica em que uma personagem vivera.
Djogorro com a sua caneta faz uma pincelada, com seguimento das diretrizes do maior escultor Michelangelo, onde a escultura é ciência e técnica ela é crua e bela, eloquente, como a melodia e finura da quinta sinfonia do Beethoven e nota se nestas notas:

“Ao atingir o cume da montanha, essa única nuvem desceu quase a sua altura. Podia toca-la. Era de um vapor frio que se movia preguiçosa. Esta envolveu o seu corpo como se quisesse reconhece la e num enlace carinhoso guiou-na pela estrada que terminava no desfiladeiro. Estava tensa. São poucos os que haviam apalpado uma nuvem igual a ela. Se fosse os que haviam apalpado uma nuvem igual a ela. Se fosse a contar as pessoas veriam nela alguma demência. As nuvens não convivem com os homens há sempre uma distância que os separa. Quado muito são apeladas durante a estiagens, nos versos românticos dos namorados ou na dúvida de um insano (…)
Por isso, deixou se transportar, qual pena quieta nas gotículas das nuvens”.

Djogorro na sua maestria do livro remete nos a outros grandes nomes como o Alan Poe, no seu manuscrito “o corvo” e com a mesma intensidade de um expressionista abstrato como o Jackson Polloch, evidencia o belo que sai de um perfecionalíssimo exacerbado em que o talento e a técnica confundem se com a majestade da obra.

 

 

O Governo decidiu alocar brigadas do Conselho de Ministros para províncias com eclosão da cólera a partir da próxima sexta-feira. A informação foi partilhada, ontem, pelo Executivo, que revelou ainda a celebração de um acordo bilateral com Zimbabwe para cooperar na gestão dos recursos hídricos.

Arnosso Cuco
O País

Em mais uma sessão do Conselho de Ministros, realizada esta terça-feira, na capital do país, o Executivo disse que vai enviar brigadas para as províncias com eclosão de cólera como é o caso da Zambézia, Tete, Nampula e Cabo Delgado.

“Por causa da necessidade de uma abordagem mais expressiva e mais abrangente sobre a questão do lançamento da época agrária, foram despachadas brigadas do Conselho de Ministros, que poderão fazer a partir de sexta-feira desta semana”, avançou Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros.

Nesta terça-feira, o Governo aprovou uma resolução segundo a qual Moçambique chegou a um acordo com Zimbabwe para a gestão de suas bacias hidrográficas.
“Foi aprovada a resolução que ratifica o Acordo Bilateral entre a República de Moçambique e a República do Zimbabwe, sobre o estabelecimento da Comissão das Bacias Hidrográficas do Búzi, Púnguè e Save, celebrado em Harare, Zimbabwe, no dia 17 de Maio de 2023.”

A resolução que ratifica o Acordo Bilateral entre a República de Moçambique e a República do Zimbabwe, sobre o Acolhimento do Secretariado da Comissão das Bacias Hidrográficas do Búzi, Púnguè e Save, foi celebrado em Harare, Zimbabwe, no dia 17 de Maio de 2023”, avançou.

O Conselho de Ministros aprovou, ainda, o regulamento de equivalências e homologação dos graus e títulos académicos adquiridos no exterior e no país.

De acordo com o Executivo, o decreto visa ajustar as competências de Equivalências e Homologações de Habilitações de todos os tipos e níveis de ensino obtidos no país; sanar as lacunas existentes no que concerne aos requisitos para as equivalências e homologações; aglutinar, num único instrumento normativo, os conteúdos sobre a matéria, dispersos em vários instrumentos normativos, por forma a permitir que a tramitação de um expediente do pedido de equivalência ou homologação seja mais célere e exequível, quer para o sector administrativo do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), quer para os cidadãos, instituições, entidades e os demais interessados que pretendam fazer valer os seus direitos previstos no Regulamento.

Próxima segunda-feira, arranca, na Cidade de Maputo, a décima edição do Kinani – Bienal Internacional de Dança Contemporânea. Desta vez, a iniciativa vai celebrar uma década de existência com artistas, promotores e directores de arte provenientes de 15 países, entre os quais África do Sul, Angola, Cabo Verde, Mali, Madagáscar, Marrocos, Nigéria e Tanzânia.

Num primeiro momento, a programação do Kinani inclui uma “Semana preliminar”, que inicia segunda-feira, dia 13, como forma de convidar o público ao que Quito Tembe, director do festival, considera imersão mais profunda no evento. Já de 20 a 26 de Novembro, será a deradeira fase da Bienal Internacional de Dança Contemporânea.

Ao todo, a Cidade de Maputo vai contabilizar 32 espectáculos em teatros, salas convencionais e espaços alternativos. Parte dos 32 espectáculos, inserem-se na bienal Danse em Afrique, que vai contribuir para que a capital do país também seja a capital da dança e de outras artes durante o mês de Novembro. Por isso mesmo, “A grandeza do Kinani, que passa do nosso controlo, traz interesse turístico à cidade. Agora, este é um evento que transcende a equipa de jovens que tem feito o evento acontecer”, afirmou Quito Tembe, durante o lançamento do evento semana passada, no Jardim Tunduru, em Maputo.

Como tem sido habitual, a organização do Kinani – Bienal Internacional de Dança Contemporânea não pretende, nesta décima edição, limitar-se a uma sala ou a um espaço. Pelo contrário, “Olhamos para a cidade como um palco. Por isso, o nosso principal parceiro é a própria cidade. Queremos aproveita o período da bienal para promover as artes e o turismo nacional”, disse Quito Tembe.

Para o Director do Centro Cultural Franco-Moçambicano, Vincent Frontczyk, a sua instituição, parceira do Kinani desde o início, a décima edição do Kinani constitui um momento da consagração para todos os sectores culturais moçambicanos. “Será uma grande festa, com impacto muito positivo pela cidade e pelo país. Gostava de agradecer e felicitar toda a equipa e todos artista. Aos que fazem de Maputo uma expressão de dança muito forte. Temos todos de aproveitar desta grande oportunidade”.

Por sua vez, a Vereadora da Cultura da Cidade de Maputo, Isabel Macie, entende que a décima edição do Kinani será um momento de exaltação da cultura e da força de Moçambique na capital. “Esta edição integra celebrações das festividades da Cidade de Maputo.

Combinando um evento nacional e o outro africano, o que indica que Maputo é uma cidade criativa. Esta plataforma está mais revigorada, a crescer e a enriquecer o roteiro da nossa cidade. A iniciativa de juntar artistas em Maputo prova que a linguagem cultural é aglutinadora, que não tem fronteiras. A arte funciona como vector da busca de soluções”, defendeu a vereadora.

De acordo com a organização do Kinani, a bienal vai apresentar, durante o evento, peças de companhias e a solo, com performances que valorizam a equidade de género e dimensão regional e territorial. As peças em causa, com efeito, resultam de actividades de pesquisa e de residências criativas.

Quanto aos espectáculos da décima edição do Kinani, serão apresentados na Praça da Independência, Jardim Tunduru, Centro Cultural Franco-Moçambicano, Teatro Avenida, Centro Cultural Moçambique-China, Cine-Teatro Scala, Sé Catedral de Maputo, Correios de Moçambique, Cine África, Quarto Andar e e Bairro Polana Caniço.

A organização da Feira do Livro de Maputo foi convidada a participar na terceira edição do Mercado de Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), evento a ser realizado de 8 a 12 deste mês de Novembro, em Belém. O evento inclui rodadas de negócios, actividades de networking, showcases, mentorias, conferências, mesas de debate e actividades culturais.

Segundo o Ministério da Cultura do Brasil, o Mercado de Indústrias Criativas do Brasil pretende fomentar e impulsionar o crescimento dos sectores criativos, facilitar a circulação de bens e serviços culturais, estimular a internacionalização da produção cultural nacional e promover a profissionalização dos agentes culturais brasileiros.

O evento vai reunir criadores e empreendedores dos sectores culturais e criativos do Brasil, além de convidados de outros países, abrangendo 15 sectores em sua programação.

A programação inclui, também, rodadas de negócio, apresentações para venda de ideia, projecto ou negócio, apresentações artísticas curtas com fins comerciais e actividades de formação de redes de contactos. Também são realizadas actividades formativas como mentorias, oficinas, palestras magnas (key-notes), mesas redondas e painéis e apresentações artísticas.

A participação da Feira do Livro de Maputo é resultado do trabalho abnegado do certame literário na internacionalização da literatura moçambicana e na criação de um espaço fértil para a mobilidade editorial e diálogo permanente entre os escritores dos países falantes da língua portuguesa, para além de firmar a cooperação que desde a primeira edição da Feira se assumiu “eterna” entre o Conselho Municipal de Maputo e a Embaixada do Brasil em Moçambique, por meio do Instituto Guimarães Rosa.

De acordo com a Coordenadora-Adjunta da Feira do Livro de Maputo e Directora Municipal-Adjunta de Bibliotecas e Arquivos, Verónica Chequele, diversas acções foram realizadas para atender ao convite feito pelo Ministério da Cultura do Brasil. A Coordenadora-Adjunta da Feira do Livro de Maputo, enquanto representante do Conselho Municipal de Maputo e de Moçambique, tem diversos compromissos oficiais durante o evento, participar em reuniões, debates e palestras.

“A presença da Feira do Livro de Maputo no MICBR 2023 reforça a reconstrução das pontes literárias e do importante papel da língua e do livro na valorização, divulgação e internacionalização das letras, artes, culturas e toda rede criativa da comunidade dos países da CPLP. Para nós, o fortalecimento das parceiras oferecerá uma oportunidade de estabelecer um diálogo permanente entre os criadores e a indústrias envolvidas nesta missiva cultural “, afirmou Verónica Chequele.

“Esta é uma excelente oportunidade para elevar a cultura moçambicana para além fronteira, promover os nossos fazedores das artes e fomentar o desenvolvimento da economia criativa na cidade capital. Estes mercados têm a capacidade de potencializar a produção, dar visibilidade e fortalecer as indústrias culturais, gerar empregos de qualidade e promover a comercialização de produtos nacionais e serviços no mundo” apontou a Coordenadora-Adjunta da Feira do Livro de Maputo.

O fotógrafo Mariano Silva vai inaugurar, às 18 horas desta terça-feira, a individual designada “Danças Comigo?”, na sala de exposições do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

A nova proposta de exposição de Mariano Silva, conforme avança a nota de imprensa do Franco-Moçambicano, reúne uma colecção de fotografias capturadas em performances de dança, vistas através da lente única do fotógrafo português, residente em Moçambique desde 2013, portanto, há 10 anos. “Mariano Silva tem uma paixão especial pela dança contemporânea e tem documentado as principais figuras da dança em Moçambique”, lê-se na na mesma nota do imprensa.

Mariano Silva nasceu em Elvas, Portugal, a 5 de Abril de 1976, com uma licenciatura em Engenharia Civil na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra – Portugal.

A fotografia ocupa a maior parte do seu tempo livre desde 2008, tendo-se tornado um profissional de pleno direito nesta área, já em Moçambique, em 2016.

Como fotógrafo profissional, executa uma infinidade de trabalhos para vários clientes, tendo a fotografia e vídeo empresarial, o trabalho de campo e a cobertura de eventos um stand-out. O seu conjunto de trabalhos já realizados permitiu-lhe adquirir uma vasta experiência profissional em vários sectores da fotografia e do vídeo.

“Danças Comigo?” fica patente no Centro Cultural Franco-Moçambicano até 9 de Dezembro.

 

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