O País – A verdade como notícia

O Ministro dos Transportes e Comunicações reagiu, hoje, às denúncias sobre alegada má gestão na LAM pela antiga administração da empresa. Na ocasião, Mateus Magala disse confiar nos gestores da companhia aérea. Os antigos gestores da firma são indiciados de praticar actos de corrupção.

Cinco meses depois de a empresa sul-africana, Fly Modern Ark, ter sido confiada à gestão da empresa Linhas Aéreas de Moçambique, o director-executivo da firma denunciou casos de corrupção e de má gestão por parte dos anteriores administradores.

Nesta sexta-feira, o jornal O País confrontou o ministro dos Transportes e Comunicações com as alegações. Na ocasião, Mateus Magala disse confiar nos referidos gestores.

Entre outras situações reveladas pelo director-executivo da Fly Modern Ark, está um alegado aumento do salário mensal dos administradores no valor de 100 mil Meticais, uma decisão tomada pela antiga administração em Janeiro último.

No verso da cicatriz, de Bento Baloi, e Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho, são os livros laureados na primeira edição do Prémio Literário Mia Couto. O primeiro livro distingiu-se no género romance e o segundo no género poesia. O anúncio foi feito esta quinta-feira à noite, na Cidade da Beira.

A cerimónia do anúncio dos vencedores da primeira edição do Prémio Literário Mia Couto foi marcada para 17 horas desta quinta-feira, na Casa do Artista, na Cidade da Beira. Por motivos profissionais, Bento Baloi não pôde viajar de Tete, onde vive e trabalha, para Beira, local onde a Associação Kulemaba e a Cornelder de Moçambique organizaram a iniciativa que pretende estimular a produção literária.

Assim, para não pensar na cerimónia ou algo assim, o escritor foi jogar voleibol com amigos, na Escola Secundária de Tete. Depois de umas horas de entrega ao desporto, sim, chegou a casa, pegou no telemóvel e reparou que tinha perdido muitas chamadas. Também reparou que tinha muitas mensagens por ler. Abriu a primeira e ficou a saber que era o grande vencedor do género romance, na primeira edição do Prémio Literário Mia Couto.

Entre o momento que leu a mensagem e a expectativa entre o que se iria seguir, Bento Baloi pensou em todos aqueles que, com edição, conversas, conselhos e ideias, contribuiram para que o seu No verso da cicatriz se tornasse uma boa ficção. “A todos os que contribuiram para que o livro fosse possível, eu agradeço com muito apreço”.

Segundo confessou Bento Baloi, sente-se muito satisfeito por ter conquistado um prémio prestigiante. “Este é o meu terceiro livro e, pela primeira vez, ganho um prémio literário. Nós, como autores, nunca pensamos nos prémios, mas, claramente, este reconhecimento nos dá força para continuarmos a trabalhar mais”.

Dito isso, Bento Baloi acrescentou que, com a distinção, espera que o seu terceiro livro (segundo romance) possa atrair o interesse de mais leitores.

“No verso da cicatriz, de Bento Baloi, é um romance que desafia não só as crenças e o horizonte de expectativas do leitor, mas a sua sensibilidade e a sua estabilidade emocional. O efeito catártico da narração se impõe de forma inapelável, convocando a dor, o sofrimento, o drama humano, a desilusão e a degeneração dos valores sociais”, refere uma nota de imprensa do Prémio Literário Mia Couto.

Ao contrário de Bento Baloi, Belmiro Mouzinho conseguiu viajar de Nacala, onde vive, até à Cidade da Beira. Chegou na manhã desta quinta-feira e participou na cerimónia do anúncio dos vencedores da primeira edição do Prémio Literário Mia Couto.

Pétalas negras ou a sombra do inanimado é o seu primeiro livro. Escreveu em 2021, em menos de 12 meses. Também por isso, Belmiro Mouzinho sente-se privilegiado por conquistar um prémio na sua estreia em livro. “Claro que isto traz uma grande motivação, já que comecei a escrever há muito tempo. Sinto-me feliz por ter sido abençoado por esta oportunidade”.

Com o prémio, “A expectativa está alta e sinto que tenho de trabalhar muito mais. Mas hoje recebi um conselho sábio, sobre trabalhar sem pressa. Tenho muitos trabalhos, mas não vou publicar tão já. Vou aprimorar para que sejam ainda melhores do que este que foi premiado”.
“Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho, é um livro de poesia que reflecte o encanto que a arte do verso exerce na vida do poeta, pois, para si, tudo o que as pessoas vêem e tocam, tem poesia. Nesta sua estreia em livro, Belmiro Mouzinho assume-se como um poeta rebelde e inconformado. Em parte, isso corresponde à sua maneira de ver as coisas à sua volta”, avança uma nota de imprensa sobre o prémio.

Com a distinção, Bento Baloi e Belmiro Mouzinho recebem, cada 400 mil meticais.

A DECISÃO DO JÚRI

A primeira edição do Prémio Literário Mia Couto teve como membros do júri Francisco Noa (Presidente), Fátima Mendonça, Teresa Manjate, Tânia Macedo e Daniel da Costa, que, para a avaliação das obras concorrentes, estabeleceram os seguintes critérios: Criatividade, Domínio técnico, Correcção linguística e Densidade.

Assim, segundo o júri, o romance No verso da cicatriz destaca-se por ser um livro corajoso e muito bem escrito, apresentando a estruturação do enredo premissas bem delineadas, conflitos definidos de maneira que a História e as estórias se entrelaçam perfeitamente. Destaca-se o facto de esta corajosa narrativa se inspirar em sombrios acontecimentos ocorridos em Moçambique, logo após a Independência (encarceramento das Testemunhas de Jeová, Operação Produção e Guerra dos 16 anos), alguns dos quais remetidos ao esquecimento ou rasurados. Ao fazê-lo, acrescenta o júri, o autor, através de procedimentos narrativos bem conseguidos, transformou essa realidade empírica numa odisseia densa e dramática, de poderoso efeito catártico.

Quanto a Pétalas negras ou a sombra do inanimado, seguno a acta do júri, destaca-se por apresentar-se em termos de singularidade criativa, herdeiro da modernidade literária, com versos longos a desenharem um mundo muitas vezes desencantado, onde a concretização do desejo nem sempre é sinónimo de encontros. Trata-se de uma poesia com uma marcada profundidade temática bem como a nível da construção poética, em que se reconhece uma escrita cuidada, densidade interpelativa, dados os questionamentos existenciais aliados a uma crítica sociopolítica e dos costumes muito subtil, mas corrosiva, maturidade na articulação entre palavra e pensamento e um investimento estético assinalável traduzido em imagens de belo efeito.

SOBRE OS AUTORES

Bento Baloi nasceu em 1968 no Vieira, bairro de Maxaquene, cidade de Maputo. Fez iniciação literária escrevendo contos e poemas publicados em páginas de especialidade de revistas e jornais moçambicanos. Dedicou parte significativa da sua carreira ao teatro escrevendo, dirigindo e interpretando papéis em peças, tanto de palco como de rádio. São da sua autoria as peças de teatro «Lágrimas»; «Grito Humano»; «Adão e Eva, Ámen»; «Alarme»; «Katina P, o Flagelo». Escreveu os bailados «O Filho do Povo» e «Raízes e Percursos», encenados por Pérola Jaime. Recados da Alma é o seu romance de estreia e foi publicado em 2016. Publicou pela Índico Editores em 2021, o livro de crónicas Arca de Não É, com relatos do drama vivido a quando do ciclone Idai, na cidade da Beira.
Belmiro Mouzinho nasceu a 07 de Maio de 1994, na Cidade de Quelimane, Província da Zambézia. É um dos membros fundadores do Círculo Académico de Letras e Arte de Moçambique. É estudante de Engenharia Eléctrica no Instituto Superior Politécnico e Universitário de Nacala. Tem participação em diversas antologias internacionais publicadas no Brasil. Inspira-se na poesia de Florbela Espanca.

Na quarta-feira da próxima semana, às 18 horas, no Átrio dos Paços do Município de Maputo, a Cavalo do Mar Edições vai realizar uma sessão de apresentação pública do livro A minha história, um livro autobiográfico da autoria de Virgínia Tembe.

A minha história será apresentado pelo escritor e professor universitário Lucílio Manjate, numa sessão que vai contar com leituras na voz da actriz Joana Mbalango e com proposta musical da cantora Mingas.

Para além de narrar o percurso pessoal da autora como nacionalista e o seu engajamento em diferentes etapas da luta clandestina, no Sul de Moçambique, A minha história é um olhar sobre diversos eventos críticos da história contemporânea do país.

Conforme sugere o poeta Mbate Pedro, autor do prefácio, o livro A minha história é importante porque ajuda a perceber o papel da mulher moçambicana na luta clandestina contra a opressão colonial portuguesa. Avança o poeta e editor: “A autora deste livro, minha mãe, tal como outras mulheres suas contemporâneas, teve um papel activo no duplo anseio da independência e emancipação, travando essas duas batalhas em paralelo. Poucos livros publicados até agora fazem uma clara menção ao importante papel da mulher na frente clandestina no Sul do nosso país, não obstante a mulher ter vivido intensamente os vários momentos da confrontação anticolonial”.

Além de Virgínia Tembe descrever a sua trajectória de vida e o seu papel na luta de libertação nacional, no seu livro vem demonstrar que a participação da mulher na rede clandestina no Sul de Moçambique vai para além de um papel inferior, circunscrito ao espaço doméstico. Ela, a mulher, tal como o seu companheiro, o homem, foi protagonista da proeza nacionalista e operou nos grandes palcos da luta pela independência nacional.

Em A minha história, livro de memórias, a autora narra o seu percurso pessoal como nacionalista e o seu engajamento em diferentes etapas da luta clandestina, incluindo a sua participação em várias discussões políticas, lado a lado com outros militantes homens. Portanto, trata-se de um livro que recupera parte importante do passado de Moçambique, mergulhado na longa noite colonial, numa viagem anacrónica que incide em vivência de um tempo difícil, mas que não se deve esquecer.

Virgínia Tembe foi militante na clandestinidade contra o regime colonial português, antiga presa política, enfermeira e humanista. Nasceu em 1938, na localidade de Denguene, na Província de Gaza. Foi refugiada política na Suazilândia e, integrada no chamado “Grupo dos 75”, foi raptada e detida na África do Sul, a caminho do Tanganyika, pela BOSS, polícia secreta sul-africana. Entregue à PIDE, permaneceu em reclusão cerca de quatro anos, primeiro no Campo de Concentração de Mabalane e, mais tarde, na Cadeia da Sommerschield, em Lourenço Marques.
Após a independência de Moçambique, retirou-se da vida política activa. Na qualidade de profissional de saúde, trabalhou em vários hospitais e serviços de saúde dispersos pelo país, oferecendo os seus cuidados de enfermagem aos mais vulneráveis, com destaque para mulheres grávidas e crianças.

A Cornelder de Moçambique e a Associação Kulemba anunciam, esta quinta-feira, na Cidade da Beira, os grandes vencedores da primeira edição do Prémio Literário Mia Couto. A iniciativa pretende estimular a produção literária de qualidade em Moçambique, distinguindo as melhores obras publicadas anualmente.

Eduardo Quive, Belmiro Mouzinho, Amosse Mucavele, Deusa de África, Sónia Sultuane e Bento Baloi são alguns dos escritores que concorrerem nesta primeira edição do Prémio Literário Mia Couto, refere uma nota de imprensa enviada ao “O País”.

O anúncio das obras vencedoras será feito durante a Feira do Livro da Beira (FLIB 2023), que decorre entre 20 e 23 deste mês de Setembro. Cada vencedor do Prémio Literário Mia Couto vai receber 400.000 MZN (quatrocentos mil meticais).

Nesta edição inaugural, o Prémio Literário Mia Couto tem como membros de júri Francisco Noa, Fátima Mendonça, Teresa Manjate, Tânia Macedo e Daniel da Costa.

José Jalane, Osvaldo Passirivo e Dinis Quilavei são os três bailarinos moçambicanos que, entre 5 e 8  Outubro, no Teatro Nacional São João, em Portugal, vão actuar na estreia do espectáculo “Bantu”, que assinala  os 20 anos de criação artística de Victor Hugo Pontes. “‘Bantu’ rasura a distância entre dois continentes e entre linguagens distintas, arriscando a invenção de um lugar partilhado e de uma língua celebratória comum”, lê-se na nota de imprensa.

Bantu designa uma família de línguas faladas na África Subsariana, o que significa que representa muito mais do que uma ocorrência linguística. Pode ser também uma linguagem própria que sobreviveu às línguas europeias impostas; um mecanismo identitário; um signo vedado ao colonizador; uma forma de comunicação, com códigos culturais, históricos, religiosos e políticos próprios; e, sobretudo, a materialização efémera de um longo encontro.

“Bantu, o título, acolhe tudo o que queremos ou imaginamos que Bantu, o espectáculo, seja. Se da língua que falamos vemos o mundo que nos cabe, das diferentes geografias que ocupamos – num país ou num palco –, temos diferentes perspectivas do mesmo mundo – assim, nunca poderemos falar a mesma língua, ver as mesmas coisas, ou chegar aos mesmos lugares. Em Bantu, Victor Hugo Pontes percorre o caminho oposto e vai ao encontro de uma língua despida de palavras, mas universal”, lê-se na nota de imprensa sobre o espectáculo.

Bantu é um caminho por traçar, e o percurso será feito entre Moçambique e Portugal, dois países com afinidades complexas e memórias profundas um do outro.

Bantu teve origem num convite endereçado a Victor Hugo Pontes pela OPART / Estúdios Victor Córdon e pelo Camões – Centro Cultural Português em Maputo, para o desenvolvimento de uma nova criação de dança contemporânea com intérpretes moçambicanos e portugueses. Os EVC e o Camões – Maputo são parceiros numa programação que visa criar pontes entre Portugal e Moçambique.

A Associação Kulemba realiza, a partir desta quarta-feira, a terceira edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2023). Agendada para Livraria Fundza e universidades da cidade, o evento vai juntar autores e leitores de diferentes gerações para a celebrarem Moçambique através da arte literária.

Conforme avança a nota de imprensa, neste dia inaugural, 20 de Setembro, às 14h, a terceira edição da FLIB vai iniciar com a cerimónia de lançamento dos livros Estórias trazidas pela ventania, de Adelino Albano Luís, e Phombe, de Juvenal Bucuane. O evento vai decorrer na Universidade Zambeze. Às 15 horas, na Universidade Católica de Moçambique, será lançado Deixa-me escrever-te, de Timóteo Papel.

À noite desta quarta-feira, quando forem 18 horas, na Livraria Fundza, o professor universitário e filósofo, José Castiano, vai proferir uma palestra subordinada ao tema “O reencontro com munthu: em busca do sujeito reconciliador”. Cruzando a filosofia e a literatura, Castiano vai, inclusive, recorrer a uma abordagem intelectual anteriormente partilhada na sua mais recente publicação em livro: O inter-munthu.

No dia 21, quinta-feira, às 9 horas, na Universidade Católica de Moçambique, o escritor e jornalista Daniel da Costa vai conversar sobre literatura com autores e leitores. Às 10 horas, na Universidade Alberto Chipane, será a vez de Timóteo Papel e Whaskety Fernando trocarem impressões. Por fim, às 14 horas, na Universidade Zambeze, será a vez Mia Couto conversar com a comunidade literária.

No dia 22, sexta-feira, às 9 horas, na Universidade Licungo, José Castiano e Álvaro Vasconcelos farão parte de uma mesa redonda subordinada ao tema “Memória e reconciliação: diálogo entre filosofia e história”. No mesmo horário, no Instituto de Formação de Professores de Inhamizua, Francisco Noa vai interagir com docentes e futuros docentes daquela instituição de ensino. Mais tarde, quando forem 16h30, na Livraria Fundza, Daniel da Costa e Juvenal Bucuane vão dividir a mesa redonda “Isso aconteceu? Fronteiras entre história e literatura”. Por fim, às 17 horas, na Universidade Aberta ISCED, Mia Couto volta a conversar com autores e leitores.

A FLIB 2023 termina no dia 23, sábado, às 9 horas, na Livraria Fundza, com o lançamento do livro Estórias da paz e reconciliação, uma colectânea de crónicas que reúne textos estudantes universitários que se destacaram na edição do ano passado do Concurso de Crónicas. Por fim, às 11 horas, na Livraria Fundza, serão anunciados os vencedores do Concurso de Fotografia “Eu na Livraria”.

A terceira edição da FLIB 2023 decorre com o lema O reencontro com o munthu: diálogos entre a História, a Filosofia e a Literatura. Portanto, a programação dos quatro dias do evento inclui sessões de conversas, debates, feiras, lançamentos de livros e premiação.

Vim para contar uma hisória é o título da nova individual de artes plásticas, de Butcheca. A mostra de pintura será inaugurada esta terça-feira, na sala de exposições do Centro Culural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

Ao fim de um ano, Butcheca expõe pela terceira vez uma individual de artes plásticas. Depois do Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, e da Galeria Manoeuvre, em Matosinhos (Portugal), o artista regressa às exposições com algo por narrar. Na verdade, Vim para contar uma história é uma forma que o artista encontrou para regressar ao seu e ao passado dos moçambicanos, de modo a extrair eventos que ajudam a preservar a memória colectiva de uma sociedade em permanente transformação.

Recorrendo a óleo, carvão e acrílico sobre tela ou à pintura sobre metal, Butcheca imprime nas suas novas obras imagens que sugerem movimentos realizados por personagens aparentemente familiares. Na verdade, é através de figuras aparantemente humanas que, de certo modo, as narrativas de Butcheca ganham, primeiro, um sentido comunitário, e, simultaneamente, nacional.

Vim para contar uma história é a dimensão onde o passado e o presente de Moçambique se encontram, o que faz com que as artes plásticas participem na composição de uma realidade social inerente a um certo tempo. Aliás, conforme aponta a nota de imprensa do Centro Cultural Franco-Moçambicano, “Nesta exposição, Butcheca atravessa episódios da sua autobiografia, cruzando memórias de pessoas e lugares da sua história de vida. Na sua pintura, o artista leva-nos pela mão, fazendo-nos mergulhar no seu universo, através de manchas de cores e personagens, que nos transportam para a sua história, que também pode ser a nossa história”

“Vim Para Contar uma História” estará em exibição até o dia 28 de Outubro.

As Tertúlias Itinerantes, que promoveram o debate sobre interculturalidade no mundo de língua portuguesa, em Maputo, entre Agosto de 2016 e Março de 2020, estão de regresso à capital moçambicana neste final de ano. Interrompidas pela pandemia do COVID 19, as Tertúlias Itinerantes apresentaram, durante quase cinco anos, um cartaz de conversas mensais, animadas por especialistas moçambicanos, portugueses, brasileiros e italianos. Partilhando com as suas audiências conhecimento e experiência sobre temas relacionados com a complexa convivência no interior da comunidade cultural de língua portuguesa, estes especialistas abordaram questões como a coexistência entre o português e as línguas nacionais em Moçambique, a tensão entre as culturas locais e a cultura global, ou a decolonialidade nas relações interculturais neste espaço geocultural.

Com o fim da pandemia, poderemos contar com o regresso desta iniciativa já a partir deste mês de Setembro, a vários espaços culturais de Maputo, pela mão dos seus habituais promotores: Eduardo Lichuge, Lurdes Macedo, Mário Forjaz Secca e Sara Jona Laisse.

O programa deste regresso das Tertúlias Itinerantes começa a 27 de Setembro, às 18h, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, onde Eugénio Santana lançará o debate sobre Xico Nhoca e Nhoca Jr. e os olhares destes personagens sobre o passado e o presente.
A moderação desta tertúlia estará a cargo de Sarita Monjane Henrikson. Em Outubro, no dia 25, também às 18h, Matilde Muocha partilhará o seu ponto de vista sobre as “Indústrias culturais e criativas em Moçambique: utopia e realidade”, no Centro Cultural Guimarães Rosa. Mário Forjaz Secca fará a moderação desta tertúlia.

O cartaz deste regresso fica completo com a sua última tertúlia, a 29 de Novembro, no horário habitual das 18h, com Augusto Jone, que nos falará  sobre “O ensino bilingue e a formação multicultural de professores em Moçambique”. Esta última tertúlia, que decorrerá na Casa do Professor, será moderada por Aissa Mithá Isaak”.

 

Por: Lurdes Macedo

No próximo dia 28, a partir das 17h30, o poeta Rudêncio Morais irá lançar a sua mais recente obra literária, no Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo. A ser apresentada por Aurélio Ginja, O ecoar musical da gente – a música e o amor imprime nos textos o ritmo e as sonoridades moçambicanas. Para o efeito, o autor explorou as vozes, os lugares e os instrumentos tradicionais na definição da essência do que escreve.

Para o autor, O ecoar musical da gente – a música e o amor “é também uma homenagem aos fazedores da nossa música nacional. O livro percorre os vários lugares deste país, fazendo-se tradutor dos nossos silêncios, no amor e na forma com a qual encontramos na música um espaço para exteriorizar o que se nos vai à alma, com pureza e autenticidade”.

Com 110 páginas, O ecoar musical da gente – a música e o amor é resultado de um exercício de escrita bastante interactivo, tendo como ponto de partida a escuta atenta dos trabalhos dos músicos homenageados no livro e entrevistas que os mesmos foram dando em diferentes programas televisivos e radiofónicos.

Na sequência da escuta, houve um trabalho poético de Rudêncio Morais, buscando trazer as suas interpretações sobre o que as músicas tramitem, revestindo-as de uma significação que apalpa o íntimo dos lugares em que as mesmas foram concebidas, e estabelecendo uma ponte entre a música e o silêncio, para depois categorizar a música como um veículo no qual as línguas locais emolduram o amor, “cimentando partidas seguras para uma vida de profunda gratuidade”.

Entre os vários autores homenageados no livro, encontram-se Mr.Nhungue, Isaú Meneses, Grupo Primeiro de Maio, Fafitine, Carlos Gove, Saldicos, Elcides Carlos, Mandjolo, Matchume Zango, Duas Caras e Dudas.

“No final, este trabalho marca uma clara separação entre Falso Poeta e Rudêncio Morais, fechando, assim, um ciclo de convivência repartida, e, pavimentando, assim, um futuro em que o escritor se define plenamente como Rudêncio Morais”. Ou seja, ao contrário do que vinha acontencendo nos livros anteriores, em que o autor assinava Rudêncio Morais e Falso Poeta, nos próximos, o autor passará a assinar apenas com o seu próprio nome.

O prefácio de O ecoar musical da gente – a música e o amor é assinado por Aurélio Ginja, para quem “Há algo de divino na música, que a torna inseparável da voz sagrada da poesia! Por isso, Falso Poeta, vestindo a alma de Rudêncio Morais, cidadão mundano apaixonado pela música e Rudêncio Morais encarnado em Falso Poeta, lavrador da palavra, decidiram juntos e com identidades distintas, mas em comunhão fraternal, embarcar nesta aventura lírica em que a pena literária e a tecla musical de diversos autores se juntam, a beira da paisagem de letras e sons que este livro sugere”.

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