O País – A verdade como notícia

Depois de oferecer a “União e o amor”, através dos seus quadros, no “festival dell`arte de Roma”, Sebastião Matsinhe marcou presença no “Festival de Arte Africana”, também, na Itália.

Entre os dias 23 e 26 de Maio, o artista plástico compartilhou a cultura de Moçambique na galeria “ Corrado Veneziano”. “Foi uma grande satisfação poder mostrar ao mundo aquilo que nós produziu”, introduziu.

As cores vivas e beleza típica das obras de Matsinhe atraíram atenção de muitos admiradores de arte que marcaram presença a exposição.

Outra artista moçambicana que participou do “Festival de Arte Africana”, é Albertina Lopes.

Neste festival, artistas oriundos de várias partes do continente africano, expuseram a pintura, as esculturas, a culinária, a música e a dança de África.

 Durante o evento, também, foi realizada uma palestra da história da unidade africana.

Depois da sua estadia em Roma, Sebastião Matsinhe partiu para Portugal, onde deu continuidade aos seus estudos sobre arte sacra. “Vim continuar os meus estudos e analisar propostas para futuras exposições aqui na Europa”, finalizou.

Recorde-se que a última exposição do artista foi “Mistérios da Noite” e teve lugar em Maputo, no princípio do ano.

 

Que o teatro moçambicano clama por várias condições, fundamentais para se desenvolver, toda a gente sabe. Igualmente, toda a gente sabe que urge alterar esse quadro, de modo que a arte possa fortalecer-se como merece e como se pretende. A grande questão é: o que se deve fazer para que os actores, encenadores, dramaturgos e o público em geral orgulhem-se não apenas do teatro, mas também das condições de trabalho?

Aquela foi a pergunta que a actriz Sheila Nhachengo, da Associação Cultural Girassol, organizadora do Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI), tentou responder no último sábado. Falando ao programa Artes e Letras, da Stv Notícias, Nhachengo, antes de se alongar no discurso, respirou fundo, reconhecendo que a luta pela sobrevivência do teatro no país é de anos, e, durante essa trajectória, não tem sido fácil alavancar o teatro como é suposto fazer porque promover a mudança nas pessoas é algo complicado.

A actriz alvitra que a robustez da arte teatral depende, mais do que nunca, da educação e sensibilização à mistura, pois só assim os actores poderão ter um público consciencializado. “Sem público educado, não há hipótese de construirmos uma sociedade suficientemente capaz de valorizar a arte ou de pagar um ingresso para ver uma peça teatral. Normalmente, deveríamos ter preparado as crianças de ontem para que hoje fossem elas a ensinar as mais novas o quão importante as artes são para o desenvolvimento do ser humano”, explicou Sheila Nhachengo, sugerindo que o país perdeu muito tempo nesse processo. Por isso, para actriz, a sensibilização atinente à importância do teatro deve ser canalizada aos pais e encarregados de educação. “Porque, se os pais não desligarem a televisão e convidarem os filhos a irem ver teatro, cinema ou dança, não temos como construir uma juventude com uma disciplina alicerçada nas artes”.

Com efeito, a responsabilidade de formar uma sociedade que saiba valorizar e acarinhar os artistas não é exclusiva da família. Na percepção da actriz do Girassol, os artistas também têm uma missão. “Passa por nós, por exemplo, convidar os nossos filhos, sobrinhos, irmãos, amigos, etc., a ir ver teatro, nem que seja por imposição, no princípio, porque depois, quem vai convida a um amigo, e esse amigo chama por outro. Quando dermos por nós, teremos cada vez mais salas cheias e os actores poderão viver exclusivamente e condignamente de teatro como sua profissão”.

Mesmo a pensar na responsabilidade que os artistas devem desempenhar para a mudança de comportamento, a Associação Cultural Girassol tem distribuído ingressos gratuitos nas escolas secundárias ao longo das edições do FITI. A esperança é que os alunos ganhem interesse por ver teatro até chegar uma altura em que não se sintam a perder por pagar por arte.

“Não compreendemos por quê o ministério da cultura não nos acarinha”

Além de todos os boicotes que se impõem no percurso dos actores, há um que magoa e muito. Sheila Nachengo exprime-se, tendo o Teatro de Inverno como exemplo: “Estamos cansados de nos queixarmos, mas não compreendemos por quê o Ministério da Cultura não nos acarinha. No princípio do FITI, até apoiavam, mas, a certa altura, o apoio foi cortado. E não queremos muito, uma carta de recomendação do Ministério da Cultura já seria alguma coisa. Por falta desse apoio, grupos teatrais perdem oportunidade de participar em festivais no estrangeiro. As nossas autoridades deveriam rever esta situação porque o teatro também contribui para a construção do nosso país”.

António Pinto de Abreu tem um novo livro. Com o título “(Algumas das) Memórias que (eu ainda) retenho”, a aventura pelas letras do autor leva às prateleiras uma autobiografia que contém crónicas relacionadas.

A ser lançada quarta-feira, às 17h, no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel, o livro de Pinto de Abreu começou a ser pensado/escrito há oito, nove anos, traduzindo experiências que o autor foi registando sobre o que viu, fez e contaram-lhe. Devido à diversidade temática dos assuntos imortalizados, “(Algumas das) Memórias que (eu ainda) retenho” está divido em capítulos, os quais incluem motivações que levaram o autor a escreve-lo. E porque é de autobiografia de que se trata, não faltam, ao longo das páginas, alusão aos locais onde o escritor nasceu, passou a infância ou frequentou os primeiros anos de escola. Nesta analepse, Pinto de Abreu recupera, inclusive, as suas vivências em Sofala, Gaza, Maputo e Zambézia, por exemplo.

Além disso, escritor leva aos seus leitores episódios da sua carreira no Banco de Moçambique, os tempos de escola em Cuba, os anos de docência, o casamento, a constituição da sua própria família, a paixão pelo desporto e pelas artes em geral.

Como forma de tornar o livro ainda mais interessante, Pinto de Abreu inseriu no livro fotografias feitas a nível familiar e resumos fotográficos de como era a vida dos estudantes em Cuba. Com esta publicação, o escritor espera ser útil aos que quiserem retirar da obra instrumentos de análise construtiva. “Espero que contribua para o leitor recuperar as lembranças das coisas boas que conquistamos e esquecemos”, afirmou.

“(Algumas das) Memórias que (eu ainda) retenho” conta com prefácio de Luís Bernardo Honwana, e, esta quarta-feira, será apresentado por Nataniel Ngomane, amigo de longa de longa data, com que esteve em Cuba a estudar.

O livro de 382 páginas sai sob a chancela da AEMO, e é o segundo da colecção Memórias, a seguir De todos se faz um país, de Óscar Monteiro.

A voz da autobiografia

“Neste percurso literário, sinceramente, julguei muito importante debruçar sobre várias questões de enquadramento familiar. Esta decisão surge na perspetiva de eu próprio sentir a necessidade de reconhecer a existência social da minha família e resgatar a sua origem. Para além disso, neste “(Algumas das) Memórias que (eu ainda) retenho” também busquei o sacrifício e o desempenho do Estado no sentido de aprofundar a qualidade da educação e operacionalizar a conquista da independência, sempre a partir das minhas vivências. Era preciso ver como esse percurso de busca da qualidade foi, o que falhou, o que foi feito. Penso que o livro pode ajudar aos diversos especialistas a debruçar-se sobre um percurso investigativo. Por fim, “(Algumas das) Memórias que (eu ainda) retenho” encerra com uma árvore genealógica”, informou António Pinto de Abreu.

 

 

Pintar, reciclar e ler são actividades que os meninos da Escola Primária 3 de Fevereiro têm praticando nas oficinas de educação ambiental. Para dinamizar este processo, antigos alunos em parceria com a Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV) e associação “Ntumbuluku” apetrecharam uma das salas de aulas da instituição com livros sobre o meio ambiente, matérias para reciclagem e artesanato. O espaço inaugurado, nesta segunda-feira, foi baptizado como “Clube Ambiental”.

Com recurso a técnicas de grafite, muralismo e desenho a mão livre, professores e alunos do ENAV cobriram algumas das paredes da Escola Primária 3 de Fevereiro e renovaram os tambores de lixo. Os desenhos educativos retratam a importância da recolha dos resíduos sólidos e da reciclagem. “As crianças receberam aulas de preservação ambiental e depois fizeram desenhos que retratam o aprendizado. Com base nestes trabalhos, nós, professores e estudantes da ENAV, produzimos o mural e decorramos as lixeiras”, elucidou Laís Martins, professora do ENAV.

Laís Martins acrescenta que a arte é um método muito eficaz de ensinar as crianças, pois elas aprendem se divertindo.

As lições sobre a conservação do ambiente e cidadania já estão a ser bem assimiladas pelos meninos.

Ciente dos seus deveres, aos intervalos, a pequenada recolhe as embalagens de refrigerantes e produz quadros e objectos de decoração.
Regina Charrumar, ambientalista representante da “Ntumbuluku”, diz que o foco da sua organização são as crianças. “Elas são o garante da mudança. “Nós queremos educa-las, ainda na tenra idade, para que possam crescer como cidadãos conscientes e capazes de fazer alguma coisa pelo meio ambiente”, explicou a ambientalista.

A entrega do primeiro “Clube do ambiente” aconteceu na mesma data em que se celebrou o Dia Internacional do Ambiente.

A 5 de Junho de 1972 realizou-se a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente. E, anualmente, comemora-se a efeméride, destacando-se as acções positivas de protecção e preservação do ambiente e alertar as populações e os governos para a necessidade de salvar o ambiente.
 

 

5, 6 e 7. A Feira do Livro de Maputo volta a acontecer nos primeiros dias de Outubro, e no mesmo espaço: Jardim Tunduru. Enquanto a Feira não chega, porque a preparação é fundamental para o sucesso, o Conselho Municipal de Maputo, patrono do evento, e os Centros Culturais de Portugal, Espanha, Brasil, Itália, Alemanha, França e a British Council, seus parceiros, já estão na rua a fazer as coisas acontecer.

Na verdade, embora sem muito aparato, o lançamento da edição 2017 da Feira ocorreu em Abril, na Escola Secundária Eduardo Mondlane da capital. A ocasião serviu, igualmente, para abertura de concursos literários atinentes aos contos e à poesia, os quais abrangem alunos da 11ª e 12ª classes de uma Escola Secundária em cada Distrito Municipal. Assim, as escolas seleccionadas são: Francisco Manyanga (KaMpfumu), Heróis Moçambicanos (KaMubukwana), Lhanguene (Nlhamankulu), Eduardo Mondlane (KaMavota), Catembe (KaTembe) e Inhaca Sede (KaNyaka).

A organização da Feira optou por este critério de selecção das escolas porque, primeiro, procurou ser o mais inclusivo possível, estendendo a Feira aos distritos do município que organiza o evento. “Gostaríamos de envolver todas as escolas, mas, infelizmente, neste momento, não temos essa condição. Quanto à inclusão da 11ª e 12ª classes, tem que ver com o facto de ser o principal público-alvo da Feira”, disse Cristina Manguele, Coordenadora da Feira do Livro de Maputo, acrescentando: “Mas isso não quer dizer que não temos eventos para as crianças. Pelo contrário, para os mais novinhos, organizamos actividades como oficinas de livro, mesmo para despertar neles o gosto pela leitura”.
No lançamento desta edição da Feira do Livro de Maputo, Óscar Monteiro, um dos presentes na cerimónia, falou do seu percurso como estudante, incentivando os alunos para não se preocuparem com coisas efémeras, como os celulares, mas com conhecimento, que é para toda a vida.

Além das escolas secundárias, para que a divulgação dos propósitos da Feira seja eficaz, valorização do livro como amigo do conhecimento, a organização da Feira trabalha com instituições como Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Universidade Pedagógica (UP) e as duas escolas de Jornalismo (superior e médio).  

A actividade inaugural dos eventos que antecedem os três dias de celebração ao livro, designados “A Caminho da Feira do Livro de Maputo”, foi a palestra “A leitura: um direito à liberdade”, orientada pelo poeta e escritor Calane da Silva, a qual contou ainda com a apresentação dos vencedores da 15ª edição do Prémio Eloquência Camões 2017. Este “A Caminho da Feira do Livro de Maputo”, com forte pretensão de divulgar o evento de Outubro, incluiu ainda a intervenção da actriz Ana Magaia, numa palestra dirigida aos alunos secundários, subordinada ao tema ?Livro, Leitura e Escrita”.

À imagem do que Aconteu ano passado, nesta edição, a Feira do Livro de Maputo vai homenagear um autor moçambicano, que, com a sua obra, tem contribuído para o fortalecimento da arte literária do país. “Queremos valorizar os nossos autores, a nossa literatura, e, com isso, incentivar os autores mais novos, para que não deixem de escrever, porque entendemos que a escrita regista o nosso quotidiano, a nossa forma de ser, de estar e de nos relacionarmos. Distinguir os autores é reconhecer a importância que eles têm na construção do nosso país”, disse Cristina Manguele.

Com efeito, uma das novidades que o Conselho Municipal leva à Feira do Livro de Maputo este ano é a exposição “Farol da liberdade”, oferecida pelo Camões, a qual retrata a luta pela liberdade, com recurso à escrita, dos antigos Estudantes da Casa do Império, em Portugal. A exposição inclui fotografias e textos. “Vamos levar essa exposição à Feira para que o público possa contemplar e inspirar-se”, afirmou a Coordenadora da Feira.

 

 

 

 

 “A boca”. Nem mais. Eis o título da peça do grupo teatral Makweru, que será exibida na 14ª edição do Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI), a decorrer em Maputo até 25 deste mês.
A peça foi estreada no Cine-teatro Gil Vicente, em Maio, numa temporada que antecede a realização da fase final do FITI.
A obra do grupo Makweru, a ser exibida dia 18 deste mês, no Teatro Avenida, investe no retrato da liberdade de expressão, no país, e foi inspirada em dois casos muito mediáticos como foram as mortes de Carlos Cardoso e Gilles Cistac. Sempre com um propósito, conforme assume o actor e encenador do grupo, O Estreante, pseudónimo de Ernesto Langa: “Já que as pessoas nasceram para serem livre, com esta peça tentamos mostrar que podemos alcançar a liberdade, que podemos falar, sem receios”.
Porque a liberdade de expressão é um assunto sério para o grupo, a peça de Makweru tece, igualmente, um cruzamento daquele direito cívico com a democracia. Mas só por isso vale ver a peça? O estreante responde: “Não. Além disso, sendo o teatro uma arte, ao ver-se esta peça entra-se em contacto com técnicas de representação diferentes. Podemos ter vinte mil grupos a representarem o mesmo tema, mas cada espectáculo é um espectáculo e isso é um pretexto para assimilar inovações inspiradas em vários elementos, no nosso caso, da dança contemporânea”. E assim acontece, com Makweru, porque O Estreante entrou para o teatro depois de se ter tornado dançarino.  
Nesta participação na 14ª edição do FITI, um dos maiores objectivos do grupo Makweru passa por entrar em contacto com novas formas de fazer teatro, pois as oportunidades de trocar ideias sobre arte a nível nacional é escassa. “Também pela troca de experiências o FITI é importante para nós. Afinal, às quintas-feiras existe o “Papu Cultura”, momento de conversa que nos proporciona boas aprendizagens, por exemplo, quando discutimos sobre peças que são exibidas no Festival e apresentamos sugestões”.
“A boca” tem duração de uma hora, e conta com a representação de oito actores. A ideia do título e do conteúdo da peça também é apropriada da máxima que sugere, por analogia, “o peixe morre pela boca”.   

 

Era uma vez um menino que amava brincar ao telemóvel e não gostava de ouvir estórias e nem de brincar com outros meninos no quintal. Ele tinha uma avozinha, que gostava muito dele e que ficava triste ao ver o menino a “derreter o cérebro” em frente à telinha do aparelho electrónico. Preocupada, a velhinha decide contar ao menino a estória da sua infância. Juntos, avó e neto, embarcam para um passado não muito distante.

E, foi com a encenação do retrato da infância moderna versus a infância antiga que os TP50 abriram o show de celebração do Dia Internacional da Criança e do lançamento do álbum “Rebricando um tributo ao tio Tirutão – o amigo das crianças”.

Jogar a “neca”, a “matacosana” e ao mbalelé; ouvir as estórias da vovó e aprender as palavras mágicas como “bom dia” e “obrigada”, é um cheirinho das coisas que os artistas do TP50 ofereceram as crianças e pais, num espectáculo cheio de cor e luz.

A festa foi um momento de nostalgia para os adultos e de descoberta para a pequenada que não conhecia canções como “os dias da semana” e “marrabentinha”.  

Xixel langa, Hortêncio Langa e Roberto Chitsondzo são alguns dos músicos que deram a voz aos temas do tio Turutão e ensinaram a pequenada a poupar a água, a ser asseados e bem-comportada. Para estes, fazer parte do projecto não significou, apenas, realizar mais um trabalho, mas o cumprimento do seu dever de educar as crianças e sociedade através da música.

O artista António Prista revelou que a ideia de fazer um CD infantil surgiu no dia 1 de Junho, do ano passado, quando o grupo se apercebeu da ausência de músicas para crianças. Ao seu entender, o desenvolvimento cognitivo da criança deve-se a vários factores como o estímulo a imaginação e aos sentidos. E, artes desempenham um grande papel nesse processo. “As crianças devem ser contadas estórias, devem desenvolver o imaginário, ouvir música apropriada, pois, as referências educativas vêm, também, da arte” detalhou.

Com o lançamento da iniciativa, o agrupamento espera ver a experiência replicada por outras pessoas. “O recado que deixamos para os pais, educadores e artistas é que façam música para a criança e apropriada à sua idade”, frisou.

O show contou com a colaboração de mais de 50 artistas entre adultos e crianças. A produção do álbum, que contam com 15 faixas de músicas regravadas e originais, levou um ano.

Tio Turutão é pseudónimo do falecido Ernesto Edgar de Santana Afonso, figura que se destacou nas décadas 70 e 80, na produção de programas na Rádio Moçambique. Durante a sua carreira, dinamizou a produção de teatro radiofónico e música infantil, tendo deixado como legado o álbum “Bons Sonhos”.

Para o futuro, os TP50 esperam continuar a levar o espectáculo para mais crianças e, se possível, gravar um CD com temas infantis, anualmente.

 

 

Amosse Mucavele esteve em Portugal. No país de Camões, Pessoa e Saramago, o poeta foi convidado a participar em vários eventos de âmbito literário, forma de dar azo a essa infinita necessidade de se ouvir o som dos silêncios que muitas vezes a palavra encerra.

Num dos eventos, Mucavele viu-se desafiado a debruçar sobre o tema "A Fronteira", que o poeta considera “um espaço invisível, de pensamento, de entoação de trajectórias, herança viva da palavra em acção, eterno utensílio para a multiplicação do diálogo intercultural”.

Na sua intervenção, Amosse Mucavele sublinhou que o que mais lhe seduz na imagem causada pelo tema proposto para conversa, "A Fronteira", é a particularidade de ser um lugar de metamorfoses, confrontos, circulações, ressonâncias, representações e a capacidade dos descobrimentos do “outro”.

“Podemos olhar ‘A Fronteira’ nos termos do make it new poundiano, como um espaço incrível de prazer, um ‘entrelugar’ de revisão do passado, que teima em “ser absolutamente sempre o novo”, disse o garimpeiro da palavra no seu discurso.

De acordo com o autor do livro “Geografia do olhar”, não é por acaso que "A Fronteira" se caracteriza prioritariamente por ser uma cartografia de trânsito dividida simultaneamente entre a tradição e a ruptura, isto é, na construção do novo a partir da destruição do antigo, onde pulsa a nostalgia do “escuro anterior”, com as suas luzes de negação, e ao negar-se, afirma a sua pertença.

Ora, no Fundão o poeta foi pragmático ao referir que “a importância da experiência daquele que viajou, contudo, só se transforma em sabedoria quando cessada a viagem”. Além disso? “Este “entrelugar” [a fronteira] que separa e une ao mesmo tempo, tem a grande potencialidade de ser um espaço aberto de intercomunicação, é uma via de escape para o imaginário moçambicano, uma única via de fuga onírica e concreta em direcção a outras culturas e identidades que não são outras, porque já fazem parte da cultura moçambicana há muito tempo”, avançou.

Amosse Mucavele, Membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), foi convidado ao Festival Literário da Gardunha-Fundão, em Portugal, em representação de Moçambique, para uma série de eventos literários marcados para a segunda quinzena de Maio. Com efeito, Mucavele participou na IV edição do Festival, no Fundão, que contou com autores de Portugal, Angola, Espanha e Brasil.

O principal tema proposto ao Festival foi “A Viagem”, que incluiu debate sobre o conceito “fronteira”, geográfica, imaginária e poética.

 

Depois do “King of Mozambique” agora é a vez do “Mr Romantic”. O sexto trabalho discográfico de Mr. Bow está quase nas prateleiras e a grande aposta em termos de temas é o amor. “Sei que sou uma grande influência para as famílias. As minhas mensagens são sempre bem acatadas, então decidi apostar na música romântica. Espero com este trabalho ver as famílias unidas, transformando os seus lares em lugares de paz e acolhedores”, introduziu.

O CD “Mr Romantic” – Senhor romântico em português – vem recheado de 12 músicas. Para dar um toque especial, Bawito convidou cinco artistas renomados.

Lizha James e Liloca são as apostas nacionais. Já nas terras da palanca negra, Mr Bow conta com préstimos de Yuri da Cunha e Edmázia Mayembe. Com Mr Pulungunza canta “dance for me”. “A música é para os casais divertirem-se. Na letra contamos a estória de um parceiro que pede a esposa para dançar para ele”, detalhou.

A parceria com a “Mamoite da zona” resultou em “ainda vais me amar”. A composição fala da resiliência do amor diante de infortúnios. “Nesta canção, eu faço o papel do marido e pergunta a Edmázia: − Se eu perder toda fama e dinheiro vais continuar a amar-me? Ela também questiona − Se eu perder todas as curvas o amor continuará?”.
A quinta participação é do artista zimbabwiano, Jah Prayzah.

Como é habitual a marrabenta continua a ser o carro chefe do artista, mas os fãs serão brindados com alguns sons do estilo afrobeat.
As produções ficaram a cargo do Mr dino, Cadu grove beats e para enriquecer o trabalho há préstimos de um produtor tanzaniano.

Apesar de não ter uma data para o lançamento, a promoção do álbum “Mr Romantic” teve início há poucas semanas, e os temas “Nitiketelile”, “Guilhermina” e “im ready” estão disponíveis para o consumo público.

 

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