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O País – A verdade como notícia

Moçambique acolhe pela primeira vez o Design Talk, uma plataforma que visa discutir o design feito no país, sob o tema “Reticências do Design em Moçambique”. O Design Talk é uma iniciativa da MED – Comunicação, com apoio da Universidade Pedagógica (UP), entre outras organizações, e terá lugar no dia 29 de Junho de 2017, na Biblioteca Central da UP, em Maputo, entre às 16h00 e 18h30.

O evento vai juntar profissionais da área de design, jornalismo, marketing, publicidade, artes visuais, estudantes, professores, estúdios criativos e curiosos em design, com o propósito de partilhar experiências e conhecimentos em torno do design local e mundial.

O Design Talk é a primeira iniciativa nacional do género e conta com parceria de organizações nacionais e estrangeiras, tais como Design Culture (Brasil), Festival Literatas, Chamanculo Guezi Movement, Maputo Fast Forward, Escola Superior Técnica da UP. Trata-se de uma plataforma física e digital para a promoção de debates, pesquisa, inovação e criatividade sobre design em Moçambique, que pretende contribuir para sua divulgação, dentro e fora do meio académico. Esta plataforma pretende abrir espaço para discussões e partilha, pretende desmistificar o conceito de design e outros a si associados, deseja consolidar o “Design moçambicano” e divulga-lo a nível nacional e internacional. É uma plataforma inédita em Moçambique, e vai abrir espaço para jovens criativos exporem as suas ideias, soluções a nível do design, para empresas e organizações.

No seu arranque oficial, o Design Talk tem como tema “Reticências do Design em Moçambique”, tendo como oradores principais, o comunicólogo Sérgio Langa e o criativo Cláudio Mangujo.

Pretende-se, ao escolher este tema, fazer uma reflexão em torno do design em Moçambique, reflectir sobre a necessidade da existência ou não de um “Design Moçambicano”, buscando referências histórias que originaram o que hoje chamamos de design no País.

O tema estará dividido em três principais eixos, nos quais pretende-se discutir (I) as origens do design em Moçambique – as primeiras tentativas de comunicar através do design, os precursores, referência do espaço geográfico e temporal; (II) o design no período pós-independência – procurando compreender se haverá tendência de unificar o design nesta época, os meios disponíveis para produção e a relação com o design internacional. Por último em discussão estarão as (III) tendências do design actual em Moçambique – o que se tem a nível da produção, a influência tecnológica na produção de objectos e peças de design, o surgimento e a influência das escolas no design.

Neste eixo pretende-se também mostrar ideias criativas do design actual e como é que a fase anterior contribuiu para influenciar as actuais formas de fazer design.

 

A escritora e jornalista Fátima Langa morreu. A autora de “Ndinema vai à escola” não suportou à doença que lhe afligia há algum tempo e partiu na madrugada deste domingo.

Ainda são escassas as informações sobre a morte de Fátima Langa. No entanto, uma fonte próxima à escritora e jornalista disse a Stv que a autora morreu na última madrugada, vítima de doença.
De acordo com a fonte, Fátima Langa tinha problemas de saúde há algum tempo.

Fátima Langa nasceu a 24 de Junho de 1953, na província de Gaza. A sua escrita é muito influenciada pelas experiências da sua infância.
Langa dedicava-se, sobretudo, à literatura infantil. É autora de livros como: “A Gazela, o Carneiro e O Coelho”, “O galo e o coelho” e “Nhembeti”, e era membro efectivo da Associação dos Escritores Moçambicanos.  

 

Será mesmo verdade que morreu o “cão tinhoso”? Foi, se calhar, essa dúvida que conduziu maior parte dos presentes à grande cerimónia do lançamento do mais recente livro de Luís Bernardo Honwana.

“A Velha Casa de Madeira e Zinco” é uma nova maneira de estar deste embondeiro da literatura moçambicana, que, tal o cão tinhoso matou os moçambicanos de saudades. Foi preciso passarem 53 anos para que o escritor se recordasse da “dívida” que esta arte cria. E agora, ainda que não seja necessariamente fruto de uma imaginação, decidiu pagá-la.

Alguns dirão que não a pagou totalmente ou que tenha criado outras dívidas, como os seus netos deixaram transparecer, ao oferecer-lhe dois cadernos, para que escreva mais dois livros. Os netos, esses, são claramente a metonímia de toda família Honwana e, porque não, da família moçambicana. Ainda que esta aventura não seja ficcional, até os leigos em literatura percebem a confusão que este livro cria não só para si como para a literatura moçambicana. Entenda-se o termo “confusão” como uma alusão ao debate, às questões que daí podem advir, como, por exemplo: por que não escreve outro livro? Isso porque, a partir de agora, os que não sabiam questionam-se: afinal, não tinha parado?

Pois, não tinha. Esta obra não compila só escritos recentes. Faz uma radiografia do seu pensamento sobre vários assuntos e momentos, assuntos esses já colocados a debate em várias plataformas. Eis aqui a coragem, referenciada por Aurélio Rocha, que permitiu ao cinquentenário escritor de “Nós Matamos o Cão Tinhoso” lançar outro livro.

A Estação Central dos Caminhos de Ferro de Maputo “rebentou pelas costuras”. Nem nas horas de ponta se nota tamanha enchente. Mas, diga-se, enchente seleccionada. O outro diria: culta. O certo é que foi uma plateia mista, mas reduz-se a uma única palavra: personalidades. Políticos (maioritariamente), artistas, activistas sociais e académicos viam-se em quase todas as filas.

A estação tornou-se, por quase três horas bem corridas, uma instituição política. Ainda que tenha havido uma bela actuação musical de Wazimbo, artista que coube no evento como uma luva, por ser também oriundo das casas de madeira e zinco, Teodato Hunguana levantou uma série de questões sobre o nosso passado colonial que nos fazem reflectir sobre o presente e, quiçá, o futuro.

O apresentador da obra fez um discurso longo, pausado, caracterizado pelas etapas mágicas da construção do país, afinal, esse é o pano de fundo de “A Velha Casa de Madeira e Zinco”.

Entre o apitar do comboio e outros barulhos da Estação, Hunguana recordou uma conversa que teve com o autor, nos últimos três anos, sobre as casas velhas de madeira e zinco como reservatório da memória de um tempo que, com o tempo, se ia irreversivelmente perdendo, se calhar, ao mesmo ritmo em que as casas desapareciam. “Inexoravelmente, depois das casas, seguiremos nós”, disse.

Este livro, no entanto, é para contrariar este dilema. Assim, segundo Hunguana, estes escritos têm por objectivo contribuir para a preservação da memória de um tempo em relação a qual a casa de madeira e zinco encerra um significado importante para a sua geração.

Mas a seguinte pergunta (ainda) não cala: será mesmo que esta “velha casa” absorve o “cão tinhoso”?

“Ruth” não é uma história sobre futebol. Nem será, em momento algum, uma série com futebol. Trata-se de uma série em dois episódios (55min cada) sobre a sociedade portuguesa metropolitana e ultramarina no início da década de 60 à boleia da história de um jovem futebolista moçambicano chamado Eusébio, atleta predestinado do Sporting Clube de Lourenço Marques, que se vê cobiçado e, finalmente, contratado pelo clube rival, o Sport Lisboa e Benfica.

Este é o filme de António Pinhão Botelho, produzido pela Leopardo Filmes, que será apresentado hoje à imprensa, às 15h00, no Conselho Municipal de Maputo.

Estarão presentes na cerimónia o realizador, a produtora e vários actores moçambicanos e portugueses que participaram nas filmagens em Moçambique.

Chantagem, tentativas de rapto, envolvimento de ministros do regime, fugas apressadas, delírio nos jornais e promessas de “dinheiro grande” fazem da história da transferência do futebolista uma saga altamente improvável desenrolada em dois continentes: na pacatez da capital e na agitação de uma colónia africana à beira da sublevação.

Esta mini-série começa em Lourenço Marques, no bairro de lata da Mafalala, e termina nas escadarias de acesso ao relvado do Estádio da Luz no momento em que o jovem jogador as sobe pela primeira vez. O resto é lenda.

O filme “Ruth” conta com o apoio do INAC, do Conselho Municipal de Maputo, Câmara Municipal de Lisboa, Camões – Centro Cultural Português em Maputo e Pestana Rovuma.

O académico e ensaísta, Francisco Noa, irá lançar, próximo mês, no Brasil, a sua mais recente obra literária. Intitulada Uns e outros na literatura moçambicana, o livro que sai sob a chancela da editora Kapulana, daquele país, é uma colectânea de textos que se insere na série “Ciências e Artes”.

Em Uns e outros na literatura moçambicana Francisco Noa traz comunicações feitas em congressos e colóquios, apresentações de livros, entrevistas, artigos para jornais, além de ensaios inéditos, nos quais o autor analisa a formação da literatura moçambicana e seus caminhos de identidade.

Para a construção deste livro, Noa reuniu importantes referências de autores que fundamentam o cenário literário do país. São os casos de João Albasini, José Craveirinha, Noémia de Sousa, Eduardo White, Luís Bernardo Honwana, Rui Knopfli, Luís Carlos Patraquim, Mia Couto, Suleiman Cassamo, Paulina Chiziane, Adelino Timóteo, Aldino Muianga, Clemente Bata, Sangare Okapi, Lucílio Manjate e João Paulo Borges Coelho.

De acordo com a editora Kapulana, os textos de Noa levam o leitor para uma viagem pelos trilhos matriciais de uma literatura marcada, como sempre, pela história do país.

Ainda em Julho, Francisco Noa participará do 27º Encontro da AULP (Associação das Universidades de Língua Portuguesa) – Confluências de cultura no mundo lusófono, que reúne reitores do mundo inteiro. O encontro será no Centro de Convenções da Unicamp (Campinas), entre os dias 10 e 12 de Julho. Noa também será recebido por uma comissão na Câmara Brasileira do Livro (CBL), em São Paulo, para troca de ideias sobre o intercâmbio cultural entre países de língua portuguesa.
Além de ensaísta, Francisco Noa é, actualmente, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio). Doutorou-se em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (2001) pela Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e é professor de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e Investigador Associado na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Francisco Noa também publicou Império, mito e miopia: Moçambique como invenção literária; Perto do fragmento, a totalidade: olhares sobre a literatura e o mundo; A escrita infinita; Literatura Moçambicana: memória e conflito – itinerário poético de Rui Knopfli; e A letra, a sombra e a água.
 
 

 

 

A peça “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, da Companhia João Garcia Miguel (Cia JGM), vai ser apresentada no Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI), em Maputo, nos dias 23 e 24, às 19h30, no Teatro Gil Vicente e no Teatro Avenida, respectivamente.

“Nós Matámos o Cão-Tinhoso” é uma peça inspirada no livro homónimo de Luís Bernardo Honwana. Escrito em 1964, este livro é considerado um projeto literário primordial da literatura moçambicana moderna. Apesar das várias situações e emoções de incompreensão, injustiça social, alienação/desalienação de sonho e realidade, as “estruturas sociais violentas” conseguem envolver e mover o leitor numa energia afectiva, pela sua extraordinária capacidade de persuasão.

Em Maputo, a Cia JGM vai ainda dar uma acção de formação na área de Encenação e Representação, em conjunto com Rute Alegria, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane.

Fundada há 15 anos, em 2002, a Companhia João Garcia Miguel é uma companhia de criação artística contemporânea que pesquisa o desenvolvimento artístico e criativo em artes performativas, exploradas no teatro.

As criações do grupo foram por várias vezes distinguidas e premiadas, sendo a mais recente em 2014 com o Prémio SPA para o Melhor Espetáculo de Teatro, com a peça Yerma.

A Cia JGM é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal, pela Secretaria de Estado da Cultura e pela Direcção Geral das Artes.

A deslocação da Cia JGM a Moçambique para participar no Festival de Teatro de Inverno conta com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Fundação Calouste Gulbenkian.

A direção e encenação da peça adaptada da obra de Luís Bernardo Honwana esteve na responsabilidade de João Garcia Miguel. A interpretação e co-criação contou com Sara Ribeiro e António Pedro Lima, e a música esteve a cargo de Ricardo Martins e Joana Guerra
 

 

A manhã do último sábado (17), na “cidade das acácias”, foi marcada por um desfile incomum. Mães de crianças com doenças raras e necessidades especiais, ou simplesmente mães especiais, tomaram o palco do Conselho Municipal da Cidade de Maputo para advogar pelas causas dos seus filhos e dizer basta à discriminação.

Ao todo, foram 12 mulheres – membros da Cooperativa Semeia Sorrisos (CSS) – que, trajadas de roupas africanas e carregando os seus filhos ao colo, mostraram muita ginga, garra e força.

Em meio a tantas histórias de superação, encontrámos a de Cornélia Cristina e sua filha Wendy. A pequena Wendy nasceu com má formação congénita e, por conta disso, Cornélia teve que experimentar a dor da exclusão. Alguns meses após o nascimento da filha, foi “convidada” a abandonar o seu emprego. Ciente de que o mais importante naquele momento era a saúde do seu bebé, Cornélia abriu mão de lutar pelos seus direitos e aceitou a demissão.

Hoje, passados alguns anos, diz não estar arrependida de ter largado a carreira, mas reconhece que foi injustiçada. Exactamente por isso, decidiu juntar-se ao desfile das “mães especiais”, para chamar atenção da sociedade e incentivar outras mulheres a lutarem pelos seus direitos.

As mães especiais dizem que desfilaram não apenas pelos seus filhos, mas por todas as crianças com necessidades especiais. “Este momento foi muito importante para mim. Estou aqui para incentivar outras mães a levarem os seus filhos ao hospital e cumprirem os tratamentos. Ter uma criança especial não pode ser motivo de vergonha”, declarou emocionada Rosalina, outra mãe especial.

Além das mães, subiram ao palco alunos da Escola primária 3 de Fevereiro, o poeta Leco Nkhululeko, a banda Mazu, bem como os músicos Roberto Chitsondzo, Miguel Xabindza e Xixel Langa. As roupas foram produzidas pelo estilista Luiggi Júnior, sendo que a coordenação artística do evento ficou a cargo bailarino e coreógrafo Lulu Sala.

O desfile foi organizado pela Cooperativa Semeia Sorrisos (CSS) e contou a colaboração vários agentes culturais e sociais. Segundo a co-fundadora da CSS, Benilde Mourana, alguns dos objectivos desta organização sem fins lucrativos são: lutar pelos direitos das crianças especiais, garantir a reintegração familiar das mesmas e dar suporte às famílias, em particular as mães.

A partir de quarta-feira, Luís Bernardo Honwana não será mais um escritor de apenas único livro publicado, mas continuará sendo de único livro de ficção. Cinquenta e três anos depois, “Nós matámos o Cão-tinhoso” ganha um “irmão”. Ainda não se sabe se é o fim da crise de obras na prateleira do escritor. O que importa, segundo disse hoje aos jornalistas, é que o seu foco neste momento está para “A velha casa de madeira e zinco”.
Luís Bernardo Honwana partilha, em forma de livro, ensaios, crónicas, depoimentos e testemunhos, uns já publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras, e outros ainda inéditos.

“Estes textos que estão agora reunidos neste livro são textos que se referem a várias discussões: discussões com pessoas, discussões que decorrem de apresentações que fiz em vários momentos e discussões comigo próprio”, contou Honwana, acrescentando também que são discussões que se referem a temas relevantes, por isso a ideia de trazê-las à luz do dia e para alimentarem uma discussão mais alargada.

A este conjunto de textos, o autor chamou de “A velha casa de madeira e zinco”. E a razão é simples: “este livro finalmente discute coisas que se passam com as pessoas que viviam em casas de madeira e zinco ou são coisas tomadas a partir da perspectiva de pessoas que viveram naquelas casas. Mas passa-se que as casas de madeira e zinco já estão velhas. Estou trazendo coisas que são tão velhas como essas casas.

Questionado a razão pela qual não mais escreveu ficção, Honwana disse, em poucas palavras, que não havia outra razão. Entretanto, recordou que ao longo do período que esteve ausente dedicou-se a outras tarefas.

Quem partilhou a mesa com Honwana foi Calane da Silva. Para o escritor, a simbologia que aparece na capa (a imagem de uma casa de madeira e zinco) tem a ver não só com a história, com a cultura, com o renascimento de um pensamento até protonacionalista, depois nacionalista e depois revolucionário. “Uma casa de madeira e zinco para nós simboliza muita coisa. E estes textos são extraordinários sob ponto de vista de todo um conjunto de questões e de ideias para todo o país”, disse.    

Além do lançamento do livro, a Estação Central dos CFM, em Maputo, vai acolher a exposição “Madeira e Zinco”. Trata-se de um conjunto de obras que estará patente na galeria Kulungwana e que vai acompanhar a narrativa escrita.

 

No âmbito da comemoração do 81.? aniversário de Malangatana, um grupo de amigos e admiradores do artista, reunidos à volta do projecto da Fundação Malangatana Valente Ngwenya, organizou um conjunto de eventos com o objectivo de evocar a memória do pintor Moçambicano de maior projecção e de maior reconhecimento Internacional.

Esse conjunto de eventos, organizados ao longo do corrente mês, culminará com a primeira exposição de Pintura de Malangatana realizada em Moçambique após a sua morte.

O conjunto de pinturas seleccionadas para esta mostra tem como tema “A Mulher em Malangatana” e estará patente ao público no átrio de entrada do Conselho Municipal de Maputo entre os dias 22 e 26 de Junho de 2017.

Contudo, este conjunto de iniciativas não se confina apenas a assinalar o aniversário do mestre Malangatana, uma vez que pretende instituir uma prática durável no futuro, a realização anual de exposições: todos os meses de Janeiro, para artistas plásticos nacionais; e em todos de Junho, o festival internacional de arte, recordando a memória de Malangatana.

 

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