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O País – A verdade como notícia

O músico Moreira Chonguiça está desde o dia 12 em Cuba, onde tem reunido com artistas e diversas  organizações ligadas à cultura. Moreira Chonguiça está em Cuba integrando a comitiva presidencial a convite do presidente da República Filipe Jacinto Nyusi, no âmbito da sua visita oficial àquele país.

Da agenda do etnomusicólogo em Havana, constam reuniões com o Centro de Investigação da Música Cubana, Coro Nacional de Cuba e actuações conjuntas com músicos cubanos.

“É sempre um prazer estar em Cuba para o fortalecimento da amizade entre os povos, representando o sector privado na promoção da sustentabilidade das indústrias criativas e culturais – olhando a arte como negócio. Desta vez a viagem acontece no âmbito da visita presidencial do nosso presidente, Filipe Nyusi, onde faço parte da sua delegação”, afirma Moreira Chonguiça.

 

“Amor é cego”, agora estampado na nova aventura discográfica do músico angolano Anselmo Ralph, é um dos ditados mais antigos e que inspirou uma data de obras artísticas, sobretudo músicas e filmes. No universo cinematográfico destaca-se a comédia romântica norte-americana lançada em 2001 e dirigida por Peter e Bobby Farrelly. Mas não só, ainda que outros tantos não ostentem um título igual, expõem um enredo parecido, tal é o caso do famoso filme “Titanic”.

Quando parecia que o ditado já tinha sido usado abusivamente e de forma desnorteada, eis que um dos músicos mais sonantes da lusofonia arrisca para intitular o seu mais recente álbum.

As 15 músicas que compõem o seu quinto “bebé”, em termos de abordagem, não surpreendem, mas não são tão óbvias quanto o título que lhes embrulha. Ralph carimba a marca indelével do homem romântico. Sempre foi assim e nunca escondeu o seu “coração em chamas”, mas os defeitos típicos dos homens assombravam suas boas acções. Já neste recente álbum, mesmo a justificar à pertinência do título, revela-nos um homem maduro e determinado.

No “Amor é cego”, não vemos aquele marido que chega de manhã, que trai a parceira, dividido entre tantas mulheres, ou que é abanado por “um rabo de saia”. Muito pelo contrário, é abandonado e “faz festa” com a volta do seu amor. E quando há festa, há sempre um brinde: “Chin Chin”, diz uma das músicas.

Mas não é apenas a oitava música que nos leva a este pensamento, a faixa número quatro, num perfeito cruzamento de vozes e conteúdo com Paulo Flores confirma-se a cegueira do amor e a maturidade. Nesta música, Anselmo Ralph encarna um jovem que pede a mão da filha de um pai em casamento, este que aqui é Paulo Flores. O “Pedido”, em si, não é motivo de muitos comentários, mas o que se arrasta nele é digno de atenção. A conclusão desta conversa entre futuro genro e sogro concluem-se com a importância do amor. Sim, os dois, em profundo acordo, assumem que o amor é mais que tudo e é o único trunfo que o proponente deve ter para ganhar a mão da filha. Tudo para além do amor não é chamado a debate.

E quando os momentos de tensão chegam, é importante que os casais digam um ao outro que é o amor que lhes une e porque “não há amor sem drama, miúda tenha calma que tudo vai passar”. O rapper Manda Chuva, com uma estética dos novos ventos do rap, reitera no enredo de Ralph que esse amor não vai acabar. A ideia que se vinca é de que mesmo aqueles que têm uma postura avessa ao amor, rendem-se aos seus vícios. Se com Paulo Flores o autor de “Amor é cego” revela-nos uma imagem adulta e de conselheiro, com Manda Chuva – como o nome não mente – um imaturo que, entretanto, não escapa aos golpes deste sentimento.

Ou seja, o autor do álbum não cruza gerações a toa. Assim, confirma que independentemente da idade, o amor, poderoso que é, cega. Aliás, essa ideia é bem evidenciada no cartão-de-visita deste trabalho: “Por favor dj”. Esta música conta-nos a história de um jovem que no meio da festa, como se de um tiro se tratasse, é obrigado a recordar-se da namorada através de uma música que escapou na mistura do dj.

“(…) mulher que vale mais que ouro”. Esta é uma das frases que revela a tão sublime amada que percorre por quase todas as músicas. Os ritmos variados – o acústico, o r&b, pop, soul e bossa nova – compõem a arquitectura deste trabalho que, na última semana deste mês, chega a Moçambique numa digressão que vai até 8 de Julho.

Esta é uma das presenças mais esperadas este ano. Afinal, o amor exaltado pelo artista também contagia os moçambicanos. À todos seus seguidores de Moçambique (e do mundo), Anselmo Ralph promete um espectáculo inédito como também, através da sua última música, aconselha-os à recorrer a Jesus para aprenderem a amar.

É a partir de hoje que o “Comboio de Sal e Açúcar” vai apitar nas telas das cidades de Maputo e Matola. O filme estreado há cerca de um ano, só agora encontrou espaço para que os legítimos “donos” possam reviver alguns dramas da guerra de desestabilização que durou “eternos” 16 anos. Esta é uma oportunidade para que os moçambicanos possam fazer as pazes com um dos momentos tristes da história moçambicana, onde centenas de civis vincaram a sua heroicidade a bordo num comboio constantemente sabotado por aqueles que detinham armas.

Só chega agora ao país, como justifica o realizador do filme, Licínio Azevedo, devido à escassez de salas para exibição de cinema.

“O País” vivenciou a anti-estreia do filme, momento reservado a pessoas próximas dos envolvidos no projecto. E antes que as portas da Lusomundo escancarassem, o jornal procurou alguns protagonistas para saber da sua sensibilidade agora que o público vai testemunhar esta longa-metragem que já soma três grandes prémios e uma data de menções honrosas.

“O país sem cinema é um país sem memória”, disse na tarde ontem Azevedo, ao lado de Mário Mabjaia (maquinista), Abdil Juma (chefe do comboio) e Hermelinda Simela (Amélia) – alguns actores que dão a alma a esta trama. Azevedo justificava assim o facto de ter transportado esta história às telas. O realizador disse também que por onde o filme passou teve boa recepção e espera que o mesmo aconteça a partir de hoje e convida a todos a testemunhar esta obra magnífica.

Para os actores foi uma experiência única, que acrescentou muito conhecimento não só pelo enredo, mas pela aprendizagem nos bastidores.

Um “festival” de prémios

No dia em que filme estreou a nível internacional, em Agosto passado, foi agraciado com o prémio de Melhor Produção, por ter movimentado em Locarno, na Suíça, o maior número de espectadores naquela edição. O outro prémio não menos importante foi de Melhor Realizador, recebido no Festival Internacional de Cairo, já em Novembro. “Comboio de Sal e Açúcar” arrancou ainda o prémio de Melhor Filme na vizinha África do Sul, em Joanesburgo, entre diversas menções honrosas.  

 

Luís Bernardo Honwana volta às livrarias. O autor de “Nós matamos o Cão-Tinhoso” regressa com o livro “A Velha Casa de Madeira e Zinco”, a ser apresentado publicamente no dia 21, na associação Kulungwana (Estação central CFM), em Maputo.

À vontade de fazer ficção, Honwana juntou sempre a necessidade de escrever textos de análise e reflexão. O livro ora editado contém textos de elevado interesse cultural e político, entre ensaios, crónicas, depoimentos e testemunhos, uns já publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras, e outros ainda inéditos.

Os temas abordados são vários, desde os que interessam à história recente do país ao sempre actual debate da língua portuguesa versus línguas bantu, passando pela questão da identidade, pela análise literária e pela produção artística em Moçambique.

A novidade que o livro traz, diz o autor, é fazer os seus escritos funcionarem juntos e “ver o que nessa reconfiguração poderão eventualmente trazer de interessante” e também, acrescente-se, de valor literário, que realmente têm, além da sua actualidade inquestionável para a compreensão da realidade moçambicana.

Luís Bernardo Honwana nasceu em Maputo, em 1942, numa família com longas tradições nacionalistas. Escritor e jornalista, tornou-se figura incontornável da intelectualidade moçambicana. Bem cedo ganhou notoriedade como activista cultural, envolvendo-se com outros jovens, na disseminação do ideal da libertação nacional.

Como jornalista colaborou nos principais jornais do país. Era membro da redacção do jornal Notícias, quando em 1964 viu a sua carreira interrompida pela PIDE, a polícia política do colonialismo português. Foi preso num grupo que incluía outras figuras públicas como José Craveirinha, Rui Nogar e Malangatana, com a acusação de envolvimento no processo da luta de libertação. Isto aconteceu no justo momento em que Luís Bernardo Honwana publicava o seu livro “Nós Matamos o Cão-Tinhoso”.

Honwana foi condenado a uma pena de três anos de prisão maior mas, em contrapartida, o seu livro foi imediatamente reconhecido como um marco importante da literatura de Moçambique. Hoje figura na lista dos 100 melhores livros publicados em África, e foi já traduzido para as principais línguas europeias.

Além de ficcionista, Luís Bernardo Honwana investiga e escreve sobre temas socioculturais, como atesta “A Velha Casa de Madeira e Zinco”.

Após a independência de Moçambique, Honwana ocupou cargos destacados na administração pública do país, como Director de Gabinete do Presidente Samora Machel e, mais tarde, foi Ministro da Cultura.

Antes de ir servir à UNESCO, primeiro como membro do seu Conselho Executivo e, depois, como representante da organização em alguns países da África Austral, Honwana criou, como projecto pessoal, e foi o primeiro presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

De regresso ao país, Honwana passou a dedicar-se profissionalmente a questões ligadas à preservação ambiental e à conservação, sendo neste momento o Director Executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND.
    
“A Velha Casa de Madeira e Zinco” sai sob a chancela da Alcance Editores.

 

O “Moments of jazz” é sem dúvida um novo paradigma na produção de espectáculos em Moçambique. A série de concertos que agita Maputo há quatro anos resgata o público que já não tinha fé em espectáculos que concretizam seus sonhos, ao ver artistas que se celebrizaram nos anos passados e que marcaram gerações a actuarem em Moçambique. A título de exemplo, mencionam-se os músicos Gerald Albright, Norman Brown, Euge Groove, Kirk Whalum, Marcus Miller, Richard Bona, Kool & The Gang e George Benson, só para citar alguns num total de 19 espectáculos realizados.

Depois de cruzar três monstros da guitarra, em Março último, Norman Brown, Jimmy Dludlu e João Cabral, o “Moments of Jazz” vai, mais uma vez, brindar os sedentos de boa música com a presença de mais um ícone da música internacional: Billy Ocean.

Pela primeira vez em Moçambique, com o espectáculo agendado para dia 22 de Setembro, no Campus principal da UEM, o célebre artista de 67 anos vem partilhar o melhor do seu blues, pop e soul divulgados num universo de 18 álbuns.

O responsável da BDQ, organizadora dessas tertúlias musicais refere que “o que motivou o convite ao músico é o seu sucesso musical no mundo e a oportunidade de tê-lo em Moçambique ainda no auge da sua carreira”.

Segundo Belmiro Quive, a escolha dos músicos internacionais para estes eventos que já são uma marca de prestígio em Moçambique é determinada pelo perfil do “show” que é feito no quadro do projecto “Moments os jazz”. Este critério, como explica Quive, não é exclusivo aos músicos estrangeiros. Para se ter noção do que o administrador diz, o espectáculo de Billy Ocean vai contar com músicos como Fernando Luís, Miguel Xabindza e Sérgio Butler.

Quive não tem dúvida de que estes três nomes estão à altura de dividir o palco com o autor de “When the going gets tough”, entretanto, não quis aprofundar sobre o critério de selecção dos músicos. “Há muitos segredos de produção que não são partilhados e a selecção dos músicos também obedece a um critério que, muita das vezes, faz parte do nosso segredo de produção”, contou.

Segredos à parte, o melhor é que realmente os anfitriões não costumam decepcionar, que o diga quem ouviu as guitarras de Jimmy Dludlu e João Cabral.

O nosso interlocutor assegurou-nos ainda que se prevê um espectáculo sem igual, pois está a ser preparado ao mínimo detalhe. “Queremos que seja mais um “show” de sucesso e que os fãs de Billy Ocean não se arrependam de o terem esperado”, secundou.

Billy Ocean nasceu a 21 de Janeiro de 1950 no Trindade e Tobago, mas cedo emigrou para Inglaterra para aprender música na década de 1970. Tem um vasto repertório e algumas músicas usadas como trilhas sonoras de vários filmes.

Imaginemos…. Uma jovem dos seus 18, 20 ou 22 anos de idade. Enfermeira, que sai de Maputo, em plena guerra, para ir exercer a profissão em Cuamba, Niassa. Bonita, com voz suave e atributos inigualáveis. Agora, imaginemos essa jovem deslumbrante, entre a força e os assédios dos soldados, a escolher apenas um para entregar o seu coraçãozinho cor-de-rosa. A jovem aprende a amar em plena guerra, no meio de tiros, ódio, rancor e traição. E, quando o amor parece triunfar, mesmo perto de Cuamba, seu destino, Taiar, o homem que a jovem escolheu, morre, depois de ser baleado. Esta é a estória da Rosa, personagem de “Comboio de sal e açúcar”, filme de Licínio Azevedo, que, finalmente, estreou ontem, nas duas salas da Lusomundo, em Maputo, em simultâneo.

Adaptado pelo poeta Luís Carlos Patraquim, do livro com o mesmo título de Licínio Azevedo, “Comboio de sal e açúcar” juntou um elenco de grandes actores, que, de facto, fazem do filme uma obra-prima do cinema moçambicano, que, pelo argumento, tem capacidade de, na viagem ferroviária, conduzir os espectadores a tantas outras: pelo tempo, pela história, pela dor escondida nas cicatrizes dos que viveram a guerra dos 16 anos e, fundamentalmente, pela memória.

A propósito de memória, momentos antes da estreia, depois de se referir ao empenho que Samora Machel teve na criação e do Instituo Nacional de Áudio Visual e Cinema (INAC), Azevedo disse que é importante preservar o cinema, porque “um país sem cinema é um país sem memória”. E, nesse aspecto, o filme é um livro aberto que concilia arte e conhecimento, sem deixar o drama, o suspense longe da expectativa de quem com os olhos abertos vê com quantos litros de sangue derramado foi feito o país que, agora, “está de volta”. Por onde andou?

Na Lusomundo, além do filme com cerca de duas horas, o auditório contou com a presença dos actores. Os ministros dos Combatentes e do Interior não quiseram perder a oportunidade, e fizeram à sala para ver na tela o que traduz a alma de um povo, preto no branco, com a mestria que compõem grandes produções. “Comboio de sal e açúcar” é um desses filmes, por isso Djlama Lourenço, do INAC, fez questão de lembrar que o foi premiado em festivais internacionais, como o do Cairo, Egipto (Melhor Realizador), e de Joanesburgo, África do Sul, (Melhor Longa Metragem)

A tropa de elite do filme que é de Moçambique para os moçambicanos

O sucesso deste “Comboio” não se fez ao acaso. Uma equipa vasta juntou-se para o efeito. Além dos actores: Matama Joaquim, Melanie Rafael, Abdil Juma, Thiago Justino e Sabina Fonseca, a obra contou com serviços de Ukbar Filmes (que aposta em jovens realizadores portugueses em Portugal), Ébano Multimédia (uma das mais antigas produtoras moçambicanas de cinema e vídeo), A Les Films de l’Étranger (que co-produz, na Europa e in-ternacionalmente obras premiadas), Urucu Média (pequena equipa dedicada a alimentar vozes autênticas no cinema africano) e Panda Filmes (que deixou sua marca na cena audiovisual brasileira). “Comboio de sal e açúcar” foi produzido por Pandora da Cunha Telles e Pablo Iraola, e co-produzido por Licínio Azevedo, Philippe Avril, Beto Rodrigues, Tatiana Sager, Elias Ribeiro e John Trengove.

O poeta e romancista Adelino Timóteo está em Maputo, e fará parte da Mesa Literária, iniciativa do Movimento Literário Kuphaluxa.

Ao encontro desta quarta-feira, com outros autores, Timóteo leva o livro mais recente: "Os oito maridos de Dona Luíza Michaela da Cruz”, pretexto para uma conversa aberta, da qual resultará a presentação da obra publicada sob a chancela da Alcance Editores.

O interesse de Adelino Timóteo em participar na sessão marcada para 17h, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, tem que ver com o facto de a capital possuir muitos leitores. Além disso, o escritor sente-se atraído pela ideia de poder proceder ao lançamento do seu último romance em Maputo por via de uma conversa, depois de ter sido lançado em Portugal e na Beira. “Isto cria um clima e ambiente propício para o calor humano, o calor entre o autor e os seus leitores, sabido que a última vez que cá estive para lançar um livro foi em Novembro de 2015", lembrou o escritor.

Porque Adelino Timóteo tem uma imensa bibliografia, no dia da conversa estarão disponíveis outros títulos seus, como "Corpo de Cleópatra”.

A conversa com Adelino Timóteo estará subordinada ao tema ”Leitura e Escrita: o que fazer com a vontade de expressar os sentimentos”. De acordo com a organização, esta é uma “forma de iniciar um diálogo com jovens escritores e entusiastas sobre os processos de criação literária, as dificuldades, os medos e os principais desafios para compor uma obra literária. Mas também, trata-se de um tema transversal para leitores que poderão compreender o que se passa por dentro da obra e do criador da obra, tornando-se assim leitores competentes”.

Portanto, a Mesa do Movimento Literário Kuphaluxa é um espaço sustentado por troca de leituras entre escritores e amantes das letras, conta com a parceria do Centro Cultural Brasil-Moçambique e desafia-se a promover mais de vinte sessões com escritores de diferentes proveniências.

 

O grupo Katchoro, que recentemente participou no Festival Teatral Yesu, no Brasil, está de volta à Pátria Amada. E, como se impõe, o encenador, Guilherme Roda, partilhou as experiências colhidas naquele país americano. Na percepção do artista, além de ter sido óptimo participar no festival, também foi agradável lá estar porque foram muito bem recebidos, quer pela organização quer pelo público. A recepção foi tão calorosa que os actores moçambicanos sentiram-se em casa. Para o efeito, contou muito a performance no palco o facto de os brasileiros terem-se identificado com a temática da peça “Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença”.

No Yesu Luso, Katchoro teve duas actuações, ambas com a mesma peça, uma no dia 2 e outra no dia 4 deste mês. Nas duas circunstâncias, mesmo devido à natureza do espectáculo intimista que o grupo levou ao Festival, a apresentação aconteceu num auditório com capacidade para 30 lugares. No entanto, por causa da adesão do público a sala recebeu mais 20 pessoas. Ainda assim, nem todos puderam ver “Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença”. Alguns espectadores ficaram de fora, porque os bilhetes esgotaram.
Nos dois dias de exibição que Katchoro contou com uma audiência de 100 pessoas teve que adaptar o espectáculo devido ao espaço da actuação. Nada de inquietante, afinal, em nada interferiu o essencial. E quanto à aprendizagem? “Houve muita, tanto do ponto de vista de organização do festival, tanto do ponto de vista do aprimoramento da qualidade”, garantiu Roda, salientando: “gostamos ainda de lá estar porque percebemos que há uma tendência de se reivindicar um teatro ‘puro’, livre da subordinação à televisão. Porque, infelizmente, os brasileiros reportam que há muitos grupos que usam o teatro como forma de chegar às câmaras, o que põe em causa a qualidade da arte”.

Ao mesmo tempo que Katchoro actuava no Yesu Luso, no Brasil, participa também num outro festival, FITI, ainda a decorrer em Maputo, o que Guilherme Roda considera uma prova de muito trabalho de ascensão no panorama do teatro nacional.

“Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença” é uma obra com 50 minutos e narra a estória de uma personagem julgada no tribunal como se fosse culpada pelo surgimento da luta pela emancipação das mulheres em vários cantos do mundo, a qual desencadeou outros combates, contra a violência doméstica e sexual. Dois actores fazem parte da peça: Assucena Daniel e Castigo dos Santos.

 

O Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP) realizou, no recinto da Escola da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, em Songo (Tete), este fim-de-semana, uma feira de leitura.

O evento que decorreu com o lema “Os sentidos da leitura”, em parceria com a escola da HCB, abrangeu mais de 400 alunos, da 1ª a 12ª classes, e aproximadamente 40 professores. As actividades de animação cultural centradas na leitura e escrita criativa, atelier de pintura e desenho, projecção de filmes, dança e música contaram com o envolvimento dos pais e encarregados de educação.

A cerimónia de abertura foi dirigida pelo Presidente do FBLP, Nataniel Ngomane, e contou com a presença do Director da Escola da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Virgílio Lemos, Director pedagógico da Escola da HCB, Eurico Jorge, Director Distrital de Educação e Desenvolvimento Humano da vila de Songo, o músico e compositor D’Manyissa e Directores de outras instituições de ensino de Songo.

A Feira de Leitura é uma iniciativa introduzida pelo Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, como ferramenta através da qual se promova o gosto pela leitura, como acto de prazer e requisito para emancipação social e promoção da cidadania. Neste contexto, a leitura proposta para esta feira foi através da oralidade, do livro, da música, das artes plásticas e das artes performativas, com o objectivo de impulsionar a compreensão do mundo que nos rodeia.

Na feira, os participantes puderam partilhar conhecimento e experiências sobre e técnicas de ensino e promoção da leitura.
Os vencedores dos concursos de redacção, declamação de poesia,  desenho e pintura receberam prémios em livros diversos (dicionários, gramáticas, livros da literatura moçambicana, literatura geral, literatura infantil) e um certificado de participação. A escola anfitriã foi atribuída um certificado de honra.

As partes envolvidas manifestaram o desejo de continuar com a parceria para a realização de feiras similares em outras ocasiões.
Ainda em Songo, o FBLP renovou um memorando de entendimento para os próximos cinco anos com Pedro Conceição Couto, PCA da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que concerne a realização da Feira do Livro de Songo, que vem sendo efectuada anualmente desde 2012.
 

 

 

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