O País – A verdade como notícia

A primeira edição da “Francofolia” escala o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo. A iniciativa da Embaixada da França e parceiros insere-se na Semana da Francofonia 2019, e vai realizar-se sábado, entre 17h e 23h.

De acordo com uma nota do Franco-Moçambicano, o evento é dirigido a um público diverso e multicultural, e pretende fazer convergir as culturas francófonas num evento musical. “Além da presença do músico Naâman (revelação do reggae francês) e os moçambicanos Ras Skunk e Dub Rui, esta edição irá ainda acolher um "buffet" com gastronomia de várias embaixadas parceiras do evento”, anuncia a organização.

A propósito dos artistas convidados a participar na presente edição, Naâman, revelação do reggae francês dos últimos anos, lançou em Outono de 2017 o seu terceiro álbum, Beyond. Nesta nova obra, o autor vai mais longe nas suas aspirações musicais do que ele propôs anteriormente. Além das vibrações do reggae e do Hip-Hop, mergulha no Soul, passa pela música latina, pousa nos ritmos caribenhos. Com o artista francês, no palco do CCFM estará o moçambicano Ras Skunk, considerado um dos mais promissores cantores de reggae no país, tendo apresentado recentemente o seu álbum de estreia Born in Africa, com a produção da Kongoloti Records. “A sua voz peculiar e sentido melódico fazem de Ras Skunk um dos artistas mais originais do panorama musical de Maputo”, segundo entende o CCFM. Skunk iniciou sua carreira em 1999. Influenciado pelo seu crescimento espiritual, cedo se interessou pelo movimento Rastafari. Começou a frequentar a Igreja Zion para saber mais sobre Jah, opressão negra, suas raízes e como a música poderia salvar e libertar os oprimidos. Isso o encorajou a cantar reggae na esperança de curar os corações do movimento negro e encorajar a paz, o amor e a libertação entre todas as Nações.

Ainda no princípio de tarde de sábado até a noite dentro, o moçambicano Dub Rui, DJ e baixista dos famosos 340ml, fará os interlúdios ao ritmo do Reggae.

 

 

Diaz Santana é um dos artistas moçambicanos que se encontra a trabalhar para uma empresa de dublagem, na China. Naquele país asiático, o actor já cumpriu oito meses de trabalho, dublando séries televisivas e desenhos animados que, mais tarde, serão exibidos, fundamentalmente, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Enquanto as produções não são disponibilizadas ao público, Santana vai trabalhando com alguns dos seus compatriotas e com vários chineses na capital Pequim, o que considera rara e grande oportunidade. “Não é fácil furar o mercado chinês, seja em área for, porque a China tem de tudo e do melhor. Perguntamo-nos sempre o que podemos oferecer a China que aquele país não tenha. Para conquistar o mercado deles, temos de possuir um grande diferencial. Portanto, fazer parte dos primeiros artistas moçambicanos a trabalhar no mercado chinês é muito gratificante”.  

Para Diaz Santana ter a oportunidade de ir a China, teve de passar por um casting realizado ano passado, na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na capital do país. O concurso durou três dias, em jeito de eliminatórias. Assim, foram sendo eliminadas centenas de concorrentes. No total, apenas seis pessoas foram apuradas, entre elas o actor do grupo Lareira Artes, dos mais internacionais em Moçambique.

Mas como é fazer dublagem numa realidade bem diferente da moçambicana, como é a chinesa? A resposta surge na primeira pessoa: “A barreira inicial é a alimentação e o mandarim. Depois, a intensidade com que os chineses trabalham. Eles trabalham muito, não fazem de contas”. Ainda assim, Santana não se sentiu desgastado porque já estava preparado para o desafio. Mesmo porque meses antes desta aventura pelo país de Mo Yan, Nobel da Literatura de 2012, esteve em Macau, sempre pela mesma causa: a arte. Na altura, o grupo de Lareira Artes levou a peça A cavaqueira do poste, encenada por Elliot Alex. “Portanto, para mim foi relativamente fácil a integração também porque já colhi várias experiências de dublagem no Brasil, além de Moçambique”.

Inicialmente, Diaz Santana ficou um pouco chocado com o avanço tecnológico dos chineses, que obriga o actor a ser versátil durante as gravações, sujeitando-se a desempenhar trabalho de três pessoas, com ferramentas de qualidade e exigência à mistura. Outrossim, o actor confesssa: “se não tivesse viajado para China e lá ter trabalhado esses oito meses, não teria a velocidade que hoje possuo, pois lá exige-se mais as metas, com muita rigorosidade, pouco importa o tempo e o horário de trabalho”.

Uma das coisas boas que Santana destaca de Pequim é o facto de a empresa para qual trabalha não fechar, a qualquer altura, se assim o preferir, o actor pode gravar. E há ainda a segurança. Muito boa, que lhe permite sair do estúdio às 0 horas e caminhar 15 minutos sossegado até a casa.   

Além de moçambicanos, Maria Atália, José Magagule, Dany Ripanga, Nádia Cris e Cíntia das Rosas, na empresa para qual Diaz Santana trabalha há actores de países como Tanzania, Nigéria, Costa do Marfim, Portugal, Brasil e França.

Ainda esta semana, Diaz Santana viaja novamente a China, para cumprir mais uma etapa nas gravações. Depois disso, regressa à Pátria Amada e aos palcos, num espectáculo que vai reunir um elenco de luxo.

 

O TRAJECTO

Diaz Santana nasceu em Maputo. É formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Escola de Jornalismo de Maputo. Em 2001, foi convidado a integrar o projecto musical francófono para novos talentos, que culminou com uma digressão pela Bélgica, França e Burquina Faso. Em 2012, o actor participou na série mexicana El Caminhante, no Brasil. No ano seguinte, foi convidado a integrar no grupo brasileiro Blem Blem Blem, apresentando-se em São Paulo e Porto Alegre. Nos finais de 2014, foi consagrado pela imprensa brasileira como um dos sete actores negros que fazem diferença nas artes no Brasil. A eleição aconteceu na cidade de São Paulo, quando o actor participava com o seu grupo de teatro, Lareira Artes, pela quarta vez consecutiva no Circuito de Teatro em Português, a convite do Dragão 7, grupo organizador do evento. Lareira Artes participou nesse festival com a sua então recente criação: A Nova Aragem, uma co-produção com o grupo português Chão de Oliva, com texto de Sérgio Mabombo e encenação do português João de Mello Alvim. Lareira Artes foi fundado nos finais de 2010, por Diaz Santana e Sérgio Mabombo, actor que se encontra doente desde ano passado, na sequência de um AVC que lhe impede de falar. O último espectáculo de Lareira Artes é intitulado Recados de lá, estreado no Brasil ano passado.

A Feira do Livro de Leipzig deste ano, a realizar-se de 21 a 24 deste mês, terá dois autores moçambicanos, Mbate Pedro e Lucílio Manjate, os quais viajam para Alemanha interessados em conquistar novos leitores num mercado excitante como é o daquela região da europa. Os dois artistas estreiam-se na presente edição de Leipzig no dia 21, e, juntos, farão parte de um debate subordinado ao tema “Geracao XXI – Literatura de Moçambique hoje”, com o tradutor alemão Michael Kegler, no Pavilhão 4, no stand português, na verdade, a convite da Embaixada de Portugal na Alemanha. Naquele stand, estarão disponíveis mais de 300 títulos literários, em edições portuguesa, alemã e moçambicana.

Ainda na tarde do dia 21, Mbate Pedro fará parte da “Conversa com editores do universo de língua portuguesa e alemã”, em que com os seus colegas de painel, Zeferino Coelho (Portugal), Stefan Weidle (Alemanha), Lucien Leitess (Suíça), com moderação de Markus Sahr, vai procurar responder à pergunta: “O que distingue o trabalho dos editores? Exemplos de Portugal, da Alemanha, Suíça, e Moçambique”.

No dia seguinte, 22, Lucílio Manjate volta à carga para intervir no painel “Uma África de Língua Portuguesa?”. O painel inclui José Eduardo Agualusa (Angola) e Zeferino Coelho (Portugal), com moderação de Michael Kegler, que também fará leituras de excertos dos livros A Triste História de Barcolino e Vácuos, da autoria de Lucílio Manjate e Mbate, Pedro, respectivamente, e Margrit Klingler-Clavijo.

A representar a língua portuguesa na Feira do Livro de Leipzig, estarão, igualmente, autores de Portugal (país convidado de honra da Feira do Livro de Leipzig na edição do próximo ano), como João Luís Barreto Guimarães, Afonso Cruz, Ana Margarida de Carvalho e Joana Bértholo.

Com efeito, a participação dos autores moçambicanos na Feira de Leipzig deste mês resulta da parceria entre a Embaixada de Portugal na Alemanha, o Camões – Centro Cultural Português em Berlim e a editora Cavalo do Mar, que, recentemente, teve dois autores a partilhar o prémio BCI de literatura para melhor livro do ano passado: Armando Artur e Álvaro Taruma.

Nesta edição da Feira do Livro de Leipzig, Mbate Pedro pretende concretizar o interesse de fazer com que a sua poesia ascenda a outros tipos de leitores, além da língua portuguesa. “Estou à procura de editores alemães para autores moçambicanos, de pequenas editoras no princípio, porque sei que estas estão interessadas em conhecer bons escritores e poetas africanos sem aquele estereótipo de que o escritor africano tem que escrever exótico para ser reconhecido”, afirmou o editor da Cavalo do Mar, revelando de seguida que na Alemanha será publicada uma antologia de poesia e prosa de autores moçambicanos, traduzida por Michael Kegler, que já traduziu autores como Agualusa, Paulina Chiziane e Luiz Ruffato para alemão.

Segundo entende Mbate Pedro, a Alemanha é o maior mercado de tradução. Assim, uma vez lá, Moçambique ganha visibilidade numa grande montra do mundo, com sistema literário que funciona muitíssimo bem. Entretanto, essa visibilidade só se pode consolidar se, para o poeta e editor, os autores moçambicanos participarem regularmente nos festivais literários, com alternância. “Não devem ser os mesmos autores a representar o país nos festivais. E há que investirmos cada vez mais em encontros realizados em África”.

Entre os 16 ou 17 títulos que a Cavalo do Mar leva a Leipzig, portanto, consta A triste história de Barcolino, de Lucílio Manjate. Para este escritor, estar numa das feiras mais concorridas da Alemanha e da Europa é precioso para apresentar o seu trabalho. “Há uma produção da nossa literatura que precisa ser mostrada ao mundo. E, neste caso, temos dois lados da criação moçambicana que estão representados na feira. Mbate e eu estamos com alguma propriedade que nos pode permitir criar condições para que os outros escritores moçambicanos possam ter este tipo de oportunidade. Mbate está a editar autores com 30 anos de carreira e os que estão ainda a começar. Tem conhecimento e legitimidade. Do meu lado, estou a desenvolver trabalhos que me dão segurança de falar do que está a ser produzido por diferentes gerações”. Por isso, acredita Lucílio Manjate, ele e Mbate Pedro têm argumentos para convencer o mundo, ao referirem-se ao que está sendo produzido em Moçambique.  

Finalizando, ambos os autores destacam que feiras do livro são eventos cruciais para os artistas porque coloca-os em contacto com outros interesses editoriais. Além disso, acrescentam que já é altura de os poetas e escritores moçambicanos pararem de se preocupar apenas com o espaço nacional. “Precisamos de ganhar asas. Os nossos editores devem sempre encontrar mecanismo para colocar autores nas rotas dos festivais internacionais. Temos autores que já não cabem nas nossas fronteiras nacionais. Temos que existir fora. Os mecenas e as empresas devem juntar-se aos programas literários, subsidiando autores. Só quem produz sabe o quão importante é estar com Agualusa e trocar sensibilidades. Actualiza-nos no ponto de vista de produção para sabermos o que está ser produzido fora. O autor não vive só do seu quintal”, lembrou Lucílio Manjate.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amanhã será dia de exibição de mais um filme do realizador sueco Ingmar Bergman, no Teatro Avenida, na cidade de Maputo. Como nas anteriores ocasiões, a sessão cinematográfica está marcada para 18 horas e, novamente, será gratuita.

Depois de, semana passada, ter sido exibido o filme Sorrisos de uma noite de verão, de Ingamr Bergman, logo à noite de amanhã será projectado mais um clássico de um dos maiores realizadores do século passado, intitulado O sétimo selo. Nesta longa-metragem, um recém-chegado de uma longínqua cruzada, um cavaleiro é surpreendido pela morte perto de casa. Nisso, resolve apostar tudo num jogo de xadrez, numa meditação sobre a vida e a morte.

Portanto, numa atmosfera apocalíptica, a longa-metragem de Bergman retrata a Idade Média. Na história, está patente a preocupação do director sueco em buscar no passado questões ainda presentes no mundo contemporâneo. O filme foi lançado em 1956, período em que os traumas da Segunda Guerra Mundial e da bomba atómica ainda marcavam a vida dos europeus.

O sétimo selo tem duração de 96 minutos, e, como é habitual, depois da projecção, seguir-se-á um debate sobre o filme com o escritor português António Cabrita.

 

 

A temporada de Sol nascente, com a talentosa Giovanna Antonelli como protagonista, chegou ao fim. Por isso, a Stv foi buscar mais uma telenovela ao Brasil, certamente, com o mesmo propósito de entreter e educar os seus telespectadores. Desta vez, o título da produção da Globo tem qualquer coisa de misteriosa e, se quisermos, de onírico: O outro lado do paraíso, com estreia marcada para logo a seguir ao Jornal da Noite desta segunda-feira.

Com uma centena de capítulos, a telenovela de Walcyr Carrasco, com Direção-artística de Mauro Mendonça Filho e Direção-geral de André Felipe Binder, O outro lado do paraíso retrata várias histórias, nas quais entrecruzam-se percalços e eventos premeditados para fazer do amor algo perdedor. Entre os percalços, encontram-se a ganância desmesurada, as artimanhas e a indiferença que condena a inocente Clara (Bianca Bin), uma das personagens-chave da história, à solidão. Na trama, Clara, neta de Josafá (Lima Duarte) entrega-se à paixão por Gael (Sérgio Guizé), um homem bem humorado, mas de temperamento explosivo, herdeiro de uma família rica de Palmas. A atracção entre os dois é imediata, mas acompanhada de muitos acontecimentos maus para Clara, quem sofre pelo temperamento do marido.    

No entanto, influenciada pela sogra, Sophia (Marieta Severo), Clara vê-se na condição de o ter de perdoar e ser compreensiva muitas vezes. O que Clara não sabe é que por trás de tanto carinho da sogra esconde-se o interesse financeiro de Sophia pelas terras do avô, onde é descoberta uma mina de esmeraldas. A certa altura da telenovela, a ambiciosa Sophia faz de tudo para conseguir o que deseja e tece um plano maquiavélico contra a nora Clara, que é internada numa clínica psiquiátrica por 10 anos, longe de tudo e de todos, inclusive do próprio filho. Para se livrar dessa condição, a personagem vai contar com ajuda do amigo Renato (Rafael Cardoso), que, na telenovela Sol nascente, desempenhou o papel de César, um ambicioso que se perde nos corredores do crime.

N’O outro lado do paraíso, Renato é decisivo para o segundo período da trama. É ele um grande aliado de Clara, quando a personagem decidi dar uma reviravolta na sua vida, ao sair da clínica para reencontrar o filho e ver seus algozes pagarem por tudo o que a fizeram. Também por isso, esta telenovela é uma história de justiça, de acertos e motivação, por via da qual o telespectador é sempre convidado a acreditar em si e nas várias possibilidades de vitória que a vida proporciona.

Além de Lima Duarte e Renato Cardoso, outros actores bem conhecidos pelo público moçambicano na telenovela são Glória Pires, mulher de Henrique (Emílio de Mello), mãe de Adriana (Lara Cariello/Júlia Dalavia). Mora no Rio de Janeiro com a família. Mas ao cair numa trama do sogro, Natanael (Juca de Oliveira), é obrigada a forjar a própria morte e a afastar-se de todos que ama; Thiago Fragoso, um advogado, neto de Nathalia Timberg e aliado de Clara; Laura Cardoso, a actriz de 91 anos, que, em Sol nascente, interpreta o papel de avó de César, Dona Sinhá, entre outros.

É esta a história e o elenco intrigante que, a partir de logo à noite de segunda-feira, vai fazer companhia aos telespectadores da Stv nos próximos meses.

O galo que não cantou é o pretexto que leva Alex Dau ao Brasil, em época de carnaval. Mas não é para dançar ou mascarar-se. O escritor está na terra do samba até ao final do mês para promover o seu mais recente livro de contos, publicado naquele país sob a chancela da editora Nandyala.

As actividades de promoção de O galo que não cantou estão distribuídas pelas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde foi programada uma oficina de escrita criativa da “Fábrica de Textos”.

Ainda naquele ponto da América Latina, Alex Dau deverá participar nas cerimónias de apresentação da edição brasileira da colectânea  de contos que junta  autores moçambicanos e brasileiros, sete de cada país. O título do livro em causa é Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos, co-organizado por Vagner Amaro e Dany Wambire. Alex Dau participa com o texto “Menina Teresinha”, na antologia apadrinhada por Mia Couto. A história de Dau tem como protagonista uma rapariga com 15 anos de idade, que enfrenta vários desafios para cuidar do pai doente.

A colectânea Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos será igualmente publicada pela Fundza, na cidade de Maputo, numa pretensão de se contribuir para a promoção da literatura moçambicana no Brasil, e, também, divulgar em Moçambique a literatura de alguns autores da literatura brasileira contemporânea.

Além de escritor, Alex Dau é produtor cultural, videomaker e activista sócio-ambiental. Tem textos espalhados pela imprensa nacional e estrangeira. À semelhança d’O galo que não cantou, é autor de Reclusos do tempo, Heróis de palmo e meio e Habitante do inóspito. Como videomaker tem realizado filmes documentários com cunho identitário moçambicano. A sua estadia no Brasil também abrangerá actividades ligadas à sétima arte.

 

 

Foi a figura do ano para categoria do teatro, em 2018, vencendo, por isso, um dos prémios Artes e Cultura, instituído pela Associação Kulungwana. Neste princípio de 2019, Venâncio Calisto volta a ter uma razão para continuar a fazer da arte do palco um modo de vida, afinal, recebeu um convite para estagiar na Companhia de Teatro da Rainha, na cidade Caldas da Rainha, em Portugal, durante dois meses, Maio e Junho.

Ao artista, o convite foi feito por Fernando Mora Ramos, director daquela companhia portuguesa que, ano passado, esteve em Maputo para orientar um workshop de escrita e encenação em teatro, destinado aos estudantes da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em particular, e ao público em geral. Na verdade, Calisto nem participou no workshop em causa, pois, na altura, montava o espectáculo de “Opera Mwango e Mwanga a partir de Bastien und Bastienne”, de W. A. Mozart. Ainda assim, sempre teve a oportunidade de se encontrar com o director português e com ele debater sobre vários assuntos. Foi nesse encontro que surgiu a ideia de Venâncio Calisto e Fernando Mora Ramos colaborarem em outras ocasiões e latitudes. Calhou logo a possibilidade do encenador moçambicano ir a Caldas da Rainha, numa ocasião em que o grupo local estará a montar o espectáculo A cidade dos pássaros, adaptado de As aves, de Aristófanes, por Bernard Chartreux.

O espectáculo retrata a problemática da democracia, num dialogo com contemporaneidade, e será apresentado ao ar livre, devendo Venâncio Calisto participar na montagem como assistente de encenação e actor.

A permaneça do encenador em Portugal será suportada pela Companhia de Teatro da Rainha. No entanto, a passagem de partida e de regresso está na responsabilidade de Calisto. Por isso teve de arranjar apoio para o efeito, que logo conseguiu da Associação Kulungwana. Resolvido o assunto da passagem, faltam agora arranjar valores para custear outras despesas quotidianas da viagem. Aí a resposta deverá advir de outras instituições, as quais já receberam pedidos por escritos do artista.  

Esta viagem é, para Venâncio Calisto, uma oportunidade de interagir com uma nova realidade teatral. “É uma forma de me abrir para o mundo, conhecer mais coisas da companhia portuguesa e de outras que lá estarão. E é também uma forma de fazer conhecer o meu trabalho e da juventude moçambicana. Vou lá para representar a nova geração de actores e encenadores moçambicanos, sempre na perspectiva de, no regresso, partilhar experiências internamente”. E o artista formado pela ECA acrescenta: “É importante termos este tipo de viagens porque amplia os nossos horizontes. Quanto mais rica for a nossa experiência e mais amplo for o horizonte, mais qualidade terá o nosso trabalho e mais sensível ficaremos. O contacto com outros artistas e outras formas de fazer arte enriquece o nosso trabalho. Nós necessitamos muito desse tipo de oportunidade no país porque a arte é um espaço de diálogos. Eu acredito que vou adquirir uma nova forma e perspectivas de fazer teatro em Portugal”.  

Segundo percebe o Prémio Artes e Cultura 2018, actualmente, em Moçambique é raro os artistas terem a oportunidade de estagiar no exterior. “Nas décadas de 90, os nossos actores tinham mais possibilidades. De uns anos para cá, é cada vez mais difícil, até porque já não temos tradição de companhia, estamos mais individualizados e, sem estarmos afiliados a alguma companhia, as oportunidades dificilmente aparecem. Por causa da falta de oportunidade de viajar, o contacto entre os nossos artistas e de outros países de língua oficial portuguesa é fraco. É necessário termos mais espectáculos de cabo-verdianos ou são-tomenses cá como os nossos naqueles países. Nós não sabemos o que está sendo feito noutras partes de África e eles também quase que não sabem nada de nós”.

Como forma de se alterar o quadro acima, uma das sugestões de Calisto é criar-se um incentivo para os artistas que facilite a aquisição do visto de viagem nas circunstâncias que pretendam deslocar-se por questões culturais. Enquanto isso não acontece, o encenador vai-se preocupando em garantir que as condições logísticas estejam todas garantidas. Todo o apoio é bem-vindo.

 

O PERCURSO

Venâncio Calisto nasceu a 8 de Julho de 1993, em Maputo. É Licenciado em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, e trabalha como Assistente Estagiário das disciplinas de Encenação e Dramaturgia na mesma instituição. É encenador e activista cultural. Fundador e director dos grupos de teatro Katchoro e (In)versos, faz parte do Movimento Literário Kuphaluxa. É locutor de rádio e membro da Plataforma ECArte. Participou do festival Yesu Luso – 2017 no Brasil com “Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença?”, texto e encenação de sua autoria. Além de distinguido com o Prémio de Artes e Cultura da Mozal – 2018 na Categoria de Teatro, venceu o Primeiro Lugar do Prémio “Ponte que liga vidas/ Maputo – Katembe” na categoria de Poesia promovido pelo Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA) – 2018. Encenou as seguintes peças: “(Des)mascarado”, “As Visitas do Dr. Valdez” – adaptado do original de João Paulo Borges Coelho – 2017; “A Crise” ou os infantis: “Natal, um presente misterioso”, “Leão: o rei que só queria brincar” e “O Resgate da Princesinha”.

 

 

Até dia 22 deste mês, os actores ou encenadores que queiram participar na segunda edição do Festival de Teatro Cenas Curtas, evento realizado pela Fundação Fernando Leite Couto, têm a possibilidade de se inscrever gratuitamente. Para o efeito, as associações culturais, os grupos de teatro (amadores e profissionais) e artistas individuais devem, no acto da inscrição, na sede daquela fundação na cidade de Maputo, submeter um texto com máximo de uma página A4, contendo a ficha técnica e a sinopse de cena.

Porque é de cenas curtas de que se trata, a peça submetida deve conter até oito minutos de duração, com um elenco constituído por três pessoas no máximo. De acordo com os requisitos divulgados pela Fundação Fernando Leite Couto, as cenas devem ser originais ou feitas a partir de uma adaptação de texto/ autor já existente. “Se for este o caso, o autor ou texto deverá ser devidamente mencionado na ficha técnica”, avança a organização.

Um dos propósitos desta segunda edição do Festival de Teatro Cenas Curta é estimular a criatividade dos participantes, bem à imagem do ano passado, altura em que se estreou a iniciativa. Assim sendo, há um conjunto de elementos que deverão ser incluídos nas cenas curtas, de modo a garantir a autenticidade e, igualmente, criar o que os organizadores consideram elo comum entre as apresentações. Os elementos propostos pela Fundação Fernando Leite Couto incluem adereços: mala e colher de pau; e as palavras: lixo e luxo.

Cumpridos todos os requisitos acima apontados, seguir-se-á, no dia 30 deste mês, a sessão de selecção dos candidatos, o que será confiada a um júri constituído por cinco profissionais do teatro e de outras áreas. A selecção será feita depois do júri avaliar as cenas apresentadas. Portanto, os critérios de avaliação serão os seguintes: qualidade técnica e artística das cenas, excelência técnica e artística da direcção e dramaturgia, qualidade da produção, adequação da montagem à proposta dos requisitos e o modo como os adereços e as palavras são criativamente incluídos.

Ano passado, houve 33 candidaturas para edição inaugural do Festival de Teatro Cenas Curtas, das quais foram seleccionados 15 grupos.

 

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em todos os anos a 8 de Março, não vai passar em branco, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo. Afinal, a fim de tributar o “eu feminino”, símbolo da natalidade e de tantas outras realidades, a Banda Kakana protagoniza o concerto designado “Quem disse as mulheres não podem fazer uma serenata?”. Para o efeito, foram convidadas várias artistas, as quais vão subir ao palco a partir das 20h30 da próxima sexta-feira. São os casos de Anita Macuácua, Assa Matusse, Catarina Domingues, Énia Lipanga, Gigliola Zacara, Idálvia Bahule, Onésia Muholove, Regina dos Santos, Rhodália Silvestre, Sizaquel Matlhombe, Tchakaze e Xixel Langa.

 

Segundo uma do Franco-Moçambicano, o concerto inserido na semana da mulher é uma iniciativa da Embaixada da França em Moçambique e parceiros, traduzindo o interesse da Banda Kakana, com as 12 convidadas a partilhar o mesmo palco, homenagear todas mulheres do mundo, em especial a mulher moçambicana, enquanto exemplo de luta e determinação: “desde as mães camponesas até às executivas, cada uma tem seu papel para o desenvolvimento do país”.

Esta não será a primeira que a Banda Kakana demonstra preocupação pela condição das mulheres, aliás, o próprio comunicado do Franco-Moçambicano faz referência ao facto de, desde o lançamento do seu primeiro álbum, Serenata, o grupo sempre ter composto temas que as diz respeito. À imagem do primeiro álbum, no segundo, Juntos, a banda abordou assuntos como violência baseada no género. Exemplo disso são as músicas "Nicarate" e "Sohura", do primeiro CD, e, no segundo, as músicas "Nkata", "Xingombeleni" e "Mariane". A música “Serenata”, a qual intitula o primeiro álbum da banda, revela o potencial da Mulher e é simultaneamente um apelo à igualdade de género, avança a nota do Franco-Moçambicano.

 

 

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