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O País – A verdade como notícia

O estabelecimento turístico da cidade e província de Inhambane, Vista do Mar, organiza a IV edição da Pesca Desportiva 2019.

A competição envolve 18 embarcações das quais 90 são competidores e 130 visitantes, na sua maioria provenientes da África do Sul, o que irá custar aos organizadores cerca de 4,5 milhões de meticais em despesas de alojamento, alimentação, combustível, entre outras despesas.

Durante os dias de competição serão empregues sazonalmente 35 trabalhadores locais.

O vencedor da IV edição de Pesca Desportiva será premiado com um valor de 12 mil rands o equivalente a 54 mil meticais.

O evento foi organizado em parceria com a com a Platinum Skiboat Club e Barra Bonanza, clubes desportivos sul-africanos e conta com apoio e colaboração dos sectores de Cultura e Turismo, Mar, Águas Interiores e Pescas, e Administração Marítima, lê-se no comunicado do Ministério da Cultura e Turismo.

O evento que termina amanhã teve o seu início no dia 25 deste mês.

O músico sul-africano, Tlane Mkhene, actua, amanhã, a partir das 20h, no Café Jazz Spoon, na Matola. Vindo da cidade de Joanesburgo, esta não é  primeira vez que Makhene vem ao país para concertos. Pelo contrário, já cá esteve pelo menos duas vezes para promover a sua música.

O seu álbum de estreia, “A ascensão dos iluminados”, para além do seu talento enquanto baterista, foi o trunfo que trouxe na bagagem. Desta vez, trazido pelo promotor Ginho Sibia, o músico não dispensa as músicas dessa primeira viagem discográfica no seu portefólio, no qual exibe uma fusão de talento bruto e habilidades aprimoradas, misturando-se aos elementos tradicionais que fazem dessas músicas algumas das que mais ama. Segundo a nota da Tindziva, “trata-se de um álbum espiritual, uma oferta sincera de um homem verdadeiramente iluminado. Tlale Makhene foi realmente abençoado. Como um álbum de estreia, a qualidade e a sofisticação de ‘A ascensão dos iluminados’ não envelhecem e serão amadas por muitas gerações vindouras, e em Maputo vem novamente deixar a marca de um álbum vencedor do MTN SAMA, na categoria de Melhor Álbum Contemporâneo, em 2005, deixando para trás artistas como o falecido Hugh Masekela, Paul Hanmer ou Themba Mkhize”.

Além de “A ascensão dos iluminados”, o artista traz o seu segundo CD, “Swazi Gold”, que presta homenagem à sua ascendência materna, a eSwatini, baseado na música que ele cresceu ouvindo e que teve um grande impacto em sua carreira. Afinal, mesmo nascido em Soweto, Tlale mudou-se para a eSwatini ainda jovem e começou a tocar bateria aos quatro anos de idade.

 

 

 

 

 

 

No próximo Sábado, a partir das 17h, o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo, será palco da primeira edição do “Hip-Hop Show contra violência à mulher”.

Sob o lema “O Hip-Hop como um instrumento do empoderamento feminino”, esta primeira edição vai acontecer propositadamente num mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, com um programa que inclui música, debate, poesia, dança e feira de Hip-Hop.

Este evento resulta de uma parceria entre o Franco-Moçambicano, a Nexta Vida Entertainment e o activista e Rapper Flash Enccy, com o objectivo de proporcionar aos jovens um espaço de mobilização e diálogo pelo empoderamento feminino e, simultaneamente, alertar para a importância de se condenar qualquer forma de Violência contra às mulheres, através da música.

Igualmente, esta primeira edição surge em consequência de a organização ter percebido que a violação à mulher é um dos mais graves problemas que a sociedade moçambicana enfrenta, sendo que o número de casos tende a subir no país. De acordo com o Franco-Moçambicano, dados divulgados pelas autoridades que lidam com esta problemática apontam que no ano passado foram registados 25 356 casos de violência doméstica em Moçambique, dos quais mais de 12 500 contra mulheres.

Os artistas convidados para o evento são Filady, grupo Revolução Feminina, Trez Agah, Queen Sheba, Jazz P, T-Rese, Carina Houston, Char Loca, Tira Teimas, Flash Enccy, Neblina, Feeling Capela e DJ Asnepas.

O Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA), na cidade de Maputo, abre as portas, sexta-feira, para promover a segunda Noite de Poesia deste ano. Subordinado ao tema “Asas d’arte”, a sessão artística terá João Paulo Borges Coelho como grande convidado. Com o escritor, Prémio BCI de Literatura para melhor livro do ano 2017, estarão a radialista Glória Muianga, a jornalista Cremilde Massingue e a actriz Rita Couto.

Como é habitual, além de conversa, a Noite de Poesia vai ecoar aos ouvidos dos espectadores música acústica com Asanda Bam (cantora sul-africana) e Malhangalene Jazz Quartet. E porque o evento tem nome de poesia, os Poetas d’Alma irão fazer-se à ribalta para exprimir sentimentos por intermédio dos seus versos.

A sessão de sexta-feira à noite, começa 8h30, terá o poeta Eduardo Quive como moderador, e insere-se no trajecto que conduz à primeira edição do Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas.

Ora, para os que ainda não têm a obra Ponta Gêa, de João Paulo Borges Coelho, com a qual venceu o BCI de Literatura, poderão comprá-la na feira do livro a realizar-se no local.

Desta vez, à entrada, a organização pede doação de bens e alimentos não perecíveis. Contudo, esta amanhã, quando forem 18h, o CCMA vai proceder à inauguração da exposição Pitch, Chillout & Networking.

O passado, o presente e o entre. Este é o título da colectiva que Moçambique leva à 58ª edição da Exposição Internacional de Arte na Bienal de Veneza, Itália. A realizar-se entre 11 de Maio e 24 de Novembro, o programa inclui três artistas nacionais: Gonçalo Mabunda, Filipe Branquinho e Mauro Pinto, os quais vão apresentar as suas obras no Pavilhão Nacional de Moçambique.

De modo que tudo aconteça com o impacto que se pretende, encontra-se em Maputo a curadora da exposição, Lidija Kostic Khachatourian, quem, enquanto trabalha com os artistas, paralelamente, encontrou-se com o Secretário Permanente do Ministério da Cultura e Turismo, Domingos Artur, entidade que apadrinha a ida dos artistas nacionais à Itália.

A primeira vez que Moçambique apresentou-se com um Pavilhão Nacional na Bienal de Veneza foi em 2015, na 56ª edição. Neste ano, a delegação de artistas moçambicanos vai procurar exibir, naquela cidade italiana, uma abordagem do passado conturbado da nação e uma eventual consequência daí resultante. Portanto, a escolha de Gonçalo Mabunda, Filipe Branquinho e Mauro Pinto pela curadora tem que ver com um passado que os três têm comum:  “Quisemos juntar a experiência dos artistas que viveram a guerra civil. Com isso, queremos mostrar como eles conseguiram transformar eventos negativos em algo artístico e belo, que será apresentado em Veneza”, explicou Lidija Khachatourian, consultora de arte que produz shows e exposições em Dubai desde 2014, trabalhando também como representante internacional de artistas.

Para Gonçalo Mabunda, diferente dos seus companheiros, esta não será a primeira vez a participar na Bienal de Veneza. Ainda assim, explica o artista, esta edição vai ser especial, até porque estará na qualidade de representante oficial do país, o que não aconteceu há alguns anos. “A primeira vez que estive na Bienal de Veneza não expus no Pavilhão de Moçambique. Então, sinto-me muito feliz por esta oportunidade de poder ir a um evento de topo mundial com o Mauro e o Filipe, artistas que conheço há muitos anos”.  

À 58ª edição de Veneza, Gonçalo Mabunda vai levar seis obras, desta vez, sem tronos e sem máscaras. Tudo para se questionar e surpreender os apreciadores da sua arte. No caso de Mauro Pinto, o artista preparou um trabalho que ainda está a ser realizado numa mina de carvão, em Tete. A série do trabalho que problematiza alguns aspectos sociais intitula-se Black money, na qual o fotógrafo pergunta-se como as pessoas que vivem em Moatize vivem sócio e economicamente. “Questiono-me muito sobre esta realidade que, na verdade, não diz respeito apenas a Tete. Este boom de investimentos estrangeiros começa a ter um certo impacto um pouco por todo o país. Sentindo-me intrigado com essa realidade, decidi sair à rua e pôr-me a desenvolver este projecto”, explicou Mauro Pinto.

Os três artistas nunca haviam expostos todos juntos. O máximo possível foi dois deles estarem na mesma colectiva. Também por isso, a bienal de Veneza será marcante, conforme admite Filipe Branquinho: “será uma oportunidade única esta de expor com dois principais promotores das artes visuais em Moçambique, no país e no estrangeiro. O Gonçalo e o Mauro são amigos que, para mim, têm um papel importante como pessoas e como artistas. Há muitas oportunidades, por exemplo, que me surgem por causa dos dois”.

A exposição dos artistas nacionais na 58ª Bienal de Veneza tem apoio e patrocínio da África Legal Network, Abu Dhabi Securities, e o centro criativo Akka, em Dubai e Veneza.

 

 

 

 

Na próxima quarta-feira, quando forem 19h, a peça teatral (Des)mascarado, da autoria de Venâncio Calisto, vai ao palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo.  

A exibição do espectáculo insere-se nas comemorações do Dia Mundial do Teatro e do mês da Mulher, de acordo com o Franco-Moçambicano, que sublinha, em comunicado de imprensa: “a peça traz-nos uma reflexão sobre as questões de conflito de género e conta com as actrizes Sufaida Moiane e Rita Couto na interpretação”.

Ainda de acordo com a nota do Franco-Moçambicano, (Des)marcarado, é um espectáculo de teatro que invade a intimidade do casal Amélia e Arcanjo, para levar à ribalta questões de feminilidade versus masculinidade, que muitas vezes são postas por baixo do tapete da modernidade.

“Eis um poema dramático cujo enredo e plástica fazem dialogar a tradição com a modernidade, neste caso o mito e a performance do Mapiko com o quotidiano e a estética do teatro ocidental, resultando numa experiência sincrética que valoriza a diversidade e o diálogo entre culturas”, avança a nota do Franco.

SOBRE O ELENCO DO ESPECTÁCULO

Venâncio Calisto é um artista com 25 anos de idade. Nasceu e vive em Maputo. É licenciado em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, onde trabalha como assistente estagiário das disciplinas de Dramaturgia e Encenação. Fundou e dirige os grupos de teatro Katchoro e (In)verso. Mas também tem colaborado com outras companhias, associações e centros culturais na criação de espectáculos, acções sociais, entre outros projectos artísticos.

Os seus trabalhos têm participado em diversos festivais nacionais e internacionais. Em 2017 participou do festival Yesu Luso – em São Paulo, Brasil. E em 2018 foi distinguido com o prémio de Artes e Cultura da Mozal, na categoria de Teatro.

Uma das actrizes que integra o elenco de (Des)mascarado é Rita Couto, socióloga de 28 anos, igualmente formada em teatro pelo programa de intercâmbio da SP Escola de Teatro em São Paulo. A música e o teatro sempre foram paixões que a acompanharam, sendo complementadas por formações em escolas de música como a JB Jazz em Lisboa e companhias de teatro como O Bando.

É autodidata e apaixonada por diversos instrumentos além da guitarra, tais como baixo, mbira e percussão. Desenvolveu um trabalho e competências na área cultural e no domínio da produção e comunicação por via da arte em Moçambique, Portugal e Brasil. Essa experiência cobre desde o trabalho como socióloga em investigação e implementação de projectos de desenvolvimento comunitário, até à dinamização de actividades teatrais, culturais e organização de eventos culturais.

Por fim, integra o elenco da peça a actriz Sufaida Moyane, de 28 anos de idade, recém-formada em Teatro, pela Escola de Comunicação e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane.

Para além dos trabalhos artísticos realizados dentro da academia, tem experiências como actriz/performer, em diferentes projectos artísticos nos âmbitos de teatro, rádio, dança, cinema e literatura, com artistas nacionais e internacionais, com companhias como Mutumbela Gogo e Mahamba. Desses projectos em que participou, importa mencionar os seguintes: Incluarte com o coreógrafo moçambicano Panaibra Canda; Identity, a blood romance, com o encenador alemão Jeans Vilela Neumman; e o projecto Framewalk Moçambique-Alemanha.

Recentemente, fez parte da equipa de actores do espectáculo Netos de Ngungunyane, co-produzido por Teatro O Bando de Portugal, Teatro do Instante do Brasil e a Fundação Fernando Leite Couto de Moçambique, e apresentado nos três países. Participou como actriz em filmes nacionais tais como O Dia do Homem e Nada para nós sem nós, e em radio-novelas nacionais tais como Fatias da Vida e Uma Geração na Encruzilhada.

Para além de actuar, Sufaida Moyane também encena e é professora de teatro no ensino primário e secundário em escolas privadas.
 

 

Em Dezembro de 2018, Milton Gulli conheceu-se com o rapper do Sudão do Sul, L.U.A.L, que, na altura, encontrava-se em Maputo a gozar férias. Uns amigos em comum apresentaram os artistas, que, logo a seguir, decidiram fazer alguma coisa juntos. Começaram por trabalhar no Tofo, em Inhambane, durante o período das festas. Lá ficaram hospedados na casa da irmã de L.U.A.L durante quatro semanas, tempo suficiente para ambos produzirem dois temas e realizarem um video-clip. Uma dessas produções tem aqui titulo, “Confirm”, uma música com três minutos e trinta e nove segundos, cuja composição do beat foi feita em aproximadamente dois dias, os arranjos e gravações em duas semanas. Tudo no Tofo, num estúdio caseiro improvisado, não fosse aquela ser terra da boa gente.

Esta foi a primeira vez que a Kongoloti Records de Milton Gulli trabalhou com um artista proveniente de um país que não pertencesse a África Austral. Por isso, o músico admite: “Para nós é fantástico poder contar com um artista como o L.U.A.L., que é um rapper consciente e que já passou por muita coisa nesta vida e tem muito a dizer. Ele reside em Juba, no Sudão do Sul, que não é um país nada fácil de se viver e assombrado por muita insegurança, gangs, facções rivais, etc”.

Para Milton foi ainda especial produzir aquele rapper porque tem um discurso muito interventivo, cantando ora em inglês, ora em árabe, que já foi proibido de tocar nas rádios e que sofreu atentados à sua vida. “É muito inspirador trabalhar com alguém com uma experiência de vida tão diferente da nossa e com vontade de mandar a criatividade cá para fora”, afirmou Milton Gulli, para quem a arte é um meio fulcral para se mudar o mundo. “E se falamos de artistas que vêm de países com muitas dificuldades, creio que a sua missão é educar, alertar o povo e apontar o dedo a determinadas situações. Não faz muito sentido andar a cantar sobre festas e curtição quando todo o país passa fome e muitas dificuldades. Eu próprio venho de projectos musicais sempre interventivos (Philharmonic Weed, Cacique´97, Cool Hipnoise) então identifico-me bastante com estes artistas”.

Além de L.U.A.L, Milton Gulli é responsável pelos sucessos de artistas como Simba, Azagaia, Deltino Guerreiro, Gran’Mah, Tassiana, Ras Skunk, Spirits Indigenous e Mingo Rangel. Com efeito, no catálogo da Kongoloti Records podem encontrar-se artistas estrangeiros como Bob Da Rage Sense, Faradai e Prince Wadada, de Angola, Jazz P e Spirits Indigenous, de eSwatini. 

 

A OBRA DE GULLI

Milton Gulli nasceu e foi criado nos subúrbios de Lisboa, em Portugal. É um artista profundamente imerso nos sons lusófonos e na cena musical africana contemporânea de Lisboa. Passou por bandas como os Philharmonic Weed, Cool Hipnoise, The Grasspoppers e faz, desde 2005, parte do colectivo afrobeat Cacique´97. Já tocou com Prince Wadada, Kimi Djabaté, Mercado Negro, Marcelo D2 e ??foi convidado em álbuns de artistas como Sam The Kid, Sagas e XEG. Há oito anos, mudou-se para Moçambique e logo começou a trabalhar com o rapper Simba no lançamento do "The Heroes – A Tribute To A Tribe", ao mesmo tempo que ajudava a produzir "Cubaliwa", de Azagaia, para sua recente formada label independente Kongoloti Records. Na capital do país, Gulli actuou com Azagaia, Simba, TP50, Gravity Regulators e Ras Skunk. 

 

L.U.A.L. EM PERFIL

L.U.A.L. é um dos rappers mais populares do Sudão do Sul. Nasceu e foi criado nos Estados Unidos. É filho de pais diplomatas, e dedica-se ao Hip-Hop desde a adolescência. Mudando-se para o Sudão do Sul em 2009 para participar no referendo do país em Janeiro de 2011, lançou Letter 2 Dr. John pt. 2, no dia de Independência do seu país. L.U.A.L. destaca o sofrimento das comunidades sul-sudanesas, o nível de corrupção, o nepotismo e encoraja as massas a unirem-se como sul-sudaneses. Em 2013 lançou Dowla Jadit, que significa nova nação, referindo-se a funcionários públicos que sempre usam o argumento da nova nação como uma desculpa para a falta de serviços básicos. A música foi proibida nas rádios no Sudão do Sul. Em 2012, L.U.A.L. fez uma canção encomendada pela Unesco intitulada “Give peace a try”, que foi usada para uma festa de recepção especial para o actor vencedor do Oscar, Forrest Whitaker, após ser nomeado embaixador pela UNESCO.

Moçambique e outros poemas dispersos é o novo livro de José Craveirinha, que será apresentado às 17h30 de quarta-feira, no auditório do BCI, na cidade de Maputo, a título póstumo.
Numa cerimónia que contará com a presença e intervenção da família Craveirinha, o livro será apresentado pelo professor catedrático, antigo Director da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, Armando Jorge Lopes, autor do livro A batalha das línguas.  

O POETA-MOR

José João Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, na então cidade de Lourenço Marques, e faleceu a 6 de Fevereiro de 2003. Os seus restos mortais repousam na cripta da Praça dos Heróis, em Maputo. Cravo iniciou a sua carreira no jornal O brado africano e, posteriormente, trabalhou nos jornais Notícias e Tribuna.

De acordo com o comunicado da Alcance Editores, grande parte da sua poesia ainda se mantém dispersa na imprensa, não tendo sido incluída nos livros que publicou em vida. Outra parte permanece inédita e faz parte do seu volumoso espólio.

Além da sua actividade como jornalista e poeta, José Craveirinha desempenhou um papel de relevo na vida desportiva e associativa de Moçambique, a partir dos anos 50, tendo chegado a ser Presidente da direcção da Associação Africana, agremiação que constituiu um foco importante das ideias nacionalistas. Em 1965, foi preso pela PIDE/DGS, acusado de fazer parte de uma célula da 4ª Região político-militar da FRELIMO, tendo sido julgado, condenado e cumprido pena até 1969. Foi o primeiro Prémio Camões africano, distinção que lhe foi atribuída em 1991.Foram-lhe ainda atribuídas as seguintes medalhas: Medalha Nachingwea, Medalha de Ouro da Comuna de Concesio (Brescia), Medalha de Ouro do Município de Aljezur, Medalha de Ouro 1º Grau do Município de Sintra e Medalha de Ouro de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo Medalha de Ouro Participação no “Seminário Internacional de Estudo da Nova Literatura Africana” (Roma). Em 2002 a Universidade Eduardo Mondlane outorgou-lhe o Grau do Doutor Honoris Causa. Nos últimos anos de vida exerceu o cargo de Vice-Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Moçambique e outros poemas dispersos sai sob a chancela da Alcance Editores.
 

Hoje, arrancou a semana do teatro, afinal, é sempre a 27 de Março que se celebra a efeméride dedicada àquela arte. E porque aos domingos quase nada acontece nas casas culturais do país, então, inicia, amanhã, às 18h, no Centro Cultural Ntsindya, no bairro Xipamanine, na cidade de Maputo, as comemorações do Dia Mundial do Teatro.

Por isso mesmo, os grupos Mintsu e Teatro Anónimo vão exibir os espectáculos O padecer das rosas e Espera de Godot. A primeira peça será exibida a partir das 18h15, devendo durar cerca de 25 minutos, segundo o programa. A segunda, irá aos palcos quando forem 19h05. Uma hora depois, o jornalista Belmiro Adamugy vai moderar um debate sobre as apresentações do dia.

Já no outro espaço cultural, Centro de Teatro do Oprimido, terça-feira, a peça apresentada será Munyama, do grupo Makweru, das 18h40 às 19h30, hora prevista para o debate sobre os espectáculos apresentados, moderado pelo actor Dadivo José.

Este ciclo organizado pela Associação Moçambicana do Teatro termina no próprio dia dedicado à arte, 27. Na manhã de quarta-feira, às 10h, na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Zeca Tsamba, Joaquim Matavel e Ernesto Langa vão debater as “Influências da complexidade de produção de teatro para grupos amadores”. No princípio da noite, 18h, o grupo Oprimido vai levar ao palco do Teatro Avenida o espectáculo O corpo é meu. A seguir à exibição de meia hora, o grupo Mahamba vai encerrar a sessão de apresentação teatral com Culpado (combati um bom combate).

Por fim, a partir das 19h30, o jornalista Leonel Matusse vai moderar o último debate deste ciclo de celebrações, no Avenida.

Na óptica de Dadivo José, esta é uma boa oportunidade para os actores e encenadores mostrarem ao público o que é teatro e porque devem gostar desta manifestação artística. Assim, acredita o actor e professor da ECA, as pessoas poderão deixar de andar desavindos com o teatro. “Repare que isso nem acontece porque o público quer, mas porque, muitas vezes, é todo o dia bombardeado por outras ofertas, as quais, veiculadas pela televisão e pelas redes sociais, contribuem para se destruam grupos amadores. Então, nesta semana em que celebramos o dia do teatro, queremos, igualmente, levar boas produções ao palco e provar que existem bom teatro no país”. Mais não disse, Dadivo José.  

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