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O País – A verdade como notícia

A nona edição do festival AZGO vai realizar-se entre os dias 16 e 19 de Maio, no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo. Nesta iniciativa da Kuzula, estarão vários artistas nacionais e estrangeiros. Entre os seleccionados, destacam-se, de Moçambique, Isabel Novella, Stewart Sukuma, Marlen, Yolanada Kakana e o regresso ao festival de Mr. Bow. Já de fora do país, a organização traz mais uma vez um artista brasileiro, depois da passagem por Maputo de Maria Gadu. Nesta edição, Marcelo D2 é o “cara” convidado a desfilar um pouco de Brasil no palco do AZGO. À semelhança de D2, Nelson Freitas, NGA (Angola) e TKZEE e Black Spirts (África do Sul) vão igualmente, ecoar música aos ouvidos do auditório.

Nesta nona edição, o evento terá duração de quatro dias, cruzando música, artes plásticas, gastronomia, diálogos, encontros, convergência e experiências únicas na “cidade das acácias”.

Não obstante, a nona edição do festival AZGO conta com atracções especiais da emblemática banda Massukos, espaço infantil AZGOZITO e um concerto gratuito no bairro da Mafalala, com atuacções de Isabel Novella, Safira José, Lizzy e a banda Marrove. E porque recentemente a música africana perdeu um grande embondeiro, o fundador do Tuku music, a presente edição do festival vai ainda homenagear Oliver Mtukudzi, pela vida e obra e que continua a inspirar gerações. Segundo a organização, numa nota de imprensa, o artista zimbabweano seria uma das grandes atracções do festival este ano, depois de ter estado no Palco Fany Mpfumo, em 2014.

Tendo falecido antes que tal voltasse a acontecer, a Kuzula decidiu prestar uma homenagem a um músico que foi parceiro e apoiante do projecto. “Juntamos no mesmo palco a banda Black Spirts (África do Sul) Stewart Sukuma, Xixel Langa, Yolanda Kakana, Kaliza (Moçambique) e Mbeu (Zimbabué). Vamos recordar o homem e a sua música, num concerto agendado para o palco principal do Festival AZGO”.

 

 

Juntaram-se centenas de pessoas, exaltaram uma só causa: ajudar as vítimas do ciclone Idai. Foram mais de 50 cantores entre moçambicanos, angolanos e portugueses que actuaram esta sexta-feira, na cidade de Maputo  para angariar apoio para ajudar as vítimas do Idai.

O céu parecia cinzento, mas braços juntaram-se para ajudar as vítimas do ciclone Idai na zona centro do país.

A cada entrada, um donativo. Pouco ou muito, valia a intenção de quem também queria desfrutar do espetáculo que que tinha uma causa justa e solidária.

Vários artistas em palco. Quebraram-se as fronteiras e ali, viu-se a Beira, aliás toda a zona centro do país.

O público vibrou e exaltou um país inteiro em nome de uma região, Tradução: moçambicanidade.

A música serviu, mais uma vez, para quebrar fronteiras e despertar o sentimento solidário. Não se contabiliza, porque afinal, foi o coração de cada moçambicano, angolano e português que juntos estiveram por uma só causa: devastar o Idai.

A intenção de prestar apoio às vítimas do ciclone Idai está a juntar diversos grupos sociais. Desta vez, são artistas moçambicanos, angolanos e portugueses que se vão juntar em palco para abraçar uma causa solidária.

Não é um espetáculo qualquer: ao público exige-se a apresentação de um donativo para assistir ao espectáculo.

São mais de 50 artistas que irão emprestar a sua voz de forma gratuita.

O espetáculo solidário para as vítimas do Idai será transmitido em directo na STV.
 

Juvenal Bucuane tem um encontro marcado com os leitores e apreciadores da literatura moçambicana. O compromisso está para 18 horas do próximo dia 11, quinta-feira, no Auditório-sede do BCI, na cidade de Maputo. O pretexto para o efeito é Meu mar, título da sua mais recente obra literária, constituída por uma centena de páginas.  

Meu mar é uma colectânea de poesia, a qual contém textos publicados noutros cinco livros, dos sete deste género que Juvenal Bucuane já levou às prateleiras das livrarias. Ao compilar poemas dos livros já lançados, Bucuane preocupou-se com os mais românticos, aqueles que melhor expressam o amor e a admiração pela mulher. Aliás, no seu todo, Meu mar dedica-se à esposa do poeta e escritor, Ana Maria, quem completa mais um aniversário a 13 deste mês, isto é, dois dias depois da cerimónia de lançamento do livro.

“Sei que, normalmente, não se fazem ofertas de presente na véspera do aniversário, mas um livro não é um bolo, por isso não vejo problemas de entregar esta singela homenagem à minha esposa dias antes dos anos dela. Até porque a data da cerimónia de lançamento não depende muito de mim, mas da disponibilidade do editor e do local onde pretendemos apresentar o livro. O que me coube fazer foi tentar encontrar uma data de lançamento mais próxima do aniversário da minha esposa. Calhou 11”.

Este grande tributo à esposa de Juvenal Bucuane, um dos fundadores da revista Charrua, acontece 43 anos depois do casal ter-se juntado, união que se traduz em três filhos e netos. “Sempre tivemos boa convivência ao longo desses anos todos e, sinceramente, admiro a forma como ela encara a nossa vida, a nossa união, e como me trata como marido e amigo. Então, esta homenagem em livro não é forçada. Antes pelo contrário, é algo que ponderei com muita calma”.

Logo se nota. O mar de Juvenal Bucuane é a sua mulher Ana Maria. Mas desengane-se quem julgar que o título do livro dedicado à esposa é algo recente. Longe disso. Há um ou dois anos, Juvenal Bucuane escreveu um poema para esposa, o qual não fez parte de qualquer livro. Ficou guardado. Talvez numa gaveta cheia de papéis… ou de outras coisas, que agora já ninguém enche gavetas com papel. Quando decidiu intitular o novo livro, lembrou-se do poema “Meu mar”. E convenceu-se que essas duas palavrinhas, entre o ego e a paixão traduziam em absoluto o que exprime em verso lírico, livre, indiferente ao esquema rimático.   

Estando o amor de Juvenal Bucuane no ar, e, obviamente, nas páginas da obra publicada sob a chancela da editora Cavalo do Mar, há sempre alguma pretensão do autor. Que não a esconde: “Espero que este livro tenha um grande impacto nos leitores. Sei que há pessoas que não conseguem levar os seus relacionamentos além de poucos anos.

Por diversas razões que não interessam aqui apontar. Por isso, pretendo sugerir caminhos àqueles que têm relações estáveis, de modo que saibam sempre contornar problemas no seu lar, com diálogo, inclusive sem receio de adquirir conselhos dos filhos. Penso que esta opção literária pode inspirar muita gente”. Bucuane fez uma breve pausa. Do outro lado da linha, ouviu-se uma tosse duplicada.

Dessas que aparecem para manter o ar poético dos amigos da palavra. Depois de se recompor, sublinhou: “A minha pretensão também é fazer com que as pessoas compreendam que as relações conjugais só valem a pena se forem tratadas de forma especial”.

Meu mar será apresentado pelo professor universitário Aurélio Cuna, quem já prefaciou e apresentou cinco livros do autor. Juvenal Bucuane escolheu o académico por ser uma pessoa que conhece bem, o que é recíproco no domínio da produção literária. “Poderia ser Nataniel Ngomane ou Almiro Lobo a apresentá-lo, mas, mais uma vez, julguei que Aurélio Cuna é a pessoa certa. Por ser um estudioso das minhas obras, julguei que não seria difícil para ele trabalhar este Meu mar. Ele tem sido meu recurso”.

Então pronto. O encontro está mesmo marcado. O resto fica para a sede do BCI, daqui a uma semana.

 

Celso, Lucrécia, Tony e Frank Paco, todos irmãos, vão actuar, juntos, sexta-feira, às 20h, no Café Jazz Spoon, na Matola.

Com o espectáculo, os Pacos pretendem juntar energias e levarem o melhor do que sabem fazer ao público que há muito os aplaude individualmente. A noite dos irmãos, no Café Jazz Spoon, será de diversos ritmos e ricas melodias que partem do mais tradicional ao jazz. 

Lucrécia Paco já teve oportunidade de tocar com Celso e Tony Paco. Agora, a actriz também vai poder partilhar o palco com o irmão mais velho, Frank, quem se julga orgulhoso ver os irmãos mais novos a trilhar o mesmo caminho da arte.

O percurso dos Pacos começou no Bairro do Aeroporto, na cidade de Maputo, onde os quatro irmãos cresceram rodeados de cultura. Quando se mudaram para o centro da Cidade de Maputo, graças ao músico Salimo Mohamed, que lhes levava às matinés, o gosto pelas artes cresceu.

No Café Jazz Spoon, na Matola, Celso, Lucrécia, Tony e Frank Paco vão viajar pelo universo da música depois de hoje terem cedido uma conferência de imprensa a falarem de dois concertos, cujo primeiro está marcado para esta noite, no Pool Bar do Hotel Términus, na cidade de Maputo.  

 

 

A ideia de os três artistas Mabundas exporem juntos, pela primeira vez, surgiu da antiga Directora do Camões, Alexandra Pinho. Entretanto a portuguesa partiu de regresso ao seu país antes de poder concretizar a exposição. Ficou o projecto e o interesse. Por isso, agora com novo Director, João Pignatelli, o Centro Cultural Português convidou Gonçalo, Santos e Rodrigo Mabunda para uma colectiva cuja abertura está marcada para 18h30 do dia 10 deste mês.

No princípio, a ideia da nova direcção do Camões era que fosse Gonçalo Mabunda a expor, o que não dava jeito ao escultor meter-se numa individual, em Maputo, pois, na altura do convite, já preparava três exposições para o estrangeiro: uma na Inglaterra (a partir de 16 Maio) e duas na Itália (a partir 11 e 20 de Maio, respectivamente). “Por isso, julguei interessante expor com os meus irmãos, porque não conseguiria preencher a sala do Camões sozinho com tanto trabalho que tenho. O director, depois de analisar a minha sugestão, convenceu-se que fazia sentido e cá temos uma colectiva para inaugurar”, explicou Gonçalo Mabunda, que, desta vez, leva 20 peças ao Camões.

Para Santos Mabunda, esta oportunidade de puder expor com os seus dois irmãos significa tudo. “É algo importante, marcante. Não é comum no nosso país haver três irmãos artistas, e exporem juntos”. Para o efeito, Santos preparou duas dezenas de cartões sobre desenho. A sua pretensão é que os visitantes da colectiva nela encontrem um sentido de beleza bem elaborada, “pois isso também caracteriza a realidade criativa do nosso país”.

Com Gonçalo e Santos estará Rodrigo. O irmão mais novo dos Mabundas organizou para a colectiva obras feitas com recurso à pintura e desenhos com esferográfica, destacando-se neles a intervenção social, porque, remata Rodrigo Mabunda, “sou um artista que se inspira na rua”.

Quer Santos quer Rodrigo já estiveram numa colectiva com Gonçalo. Agora chegou a vez dos “manos” estarem finalmente juntos, como os “três putinhos”.

 

NO HORIZONTE DOS CURADORES

A exposição “Os Mabundas” é uma colectiva com curadoria de Guilherme Godinho (Arquiteto) e João Pignatelli (Diretor do Camões – Centro Cultural Português em Maputo). De acordo com a nota de imprensa da organização, as peças seleccionadas para esta iniciativa apoiada pelo banco Barclays “são apresentadas dentro de um discurso curatorial que envolve não só a disposição espacial das obras em harmonia com o genius loci da sala do Camões, mas também factores como a tonalidade das paredes, a luminosidade, a presença de textos, entre outros elementos. O olhar dos curadores explorou uma opção de trabalhos representativos dos diversos estilos representados pelos artistas”.

De acordo com João Pignatelli, citado pela nota do Camões, a colectiva “Os Mabundas” “é um excelente exemplo da singularidade, criatividade e qualidade da arte e dos artistas que existem em Moçambique. Um país que de norte a sul tem artistas e criadores de grandíssima qualidade”. E o curador acrescenta: “será também uma ocasião para fazer um tributo a esta família moçambicana tão especial e que tem no seu ADN todo este talento artístico”. O outro curador, Guilherme Godinho, citado na mesma nota do Camões, realça que nas obras dos três irmãos Mabundas prevalece uma convergência que se mistura com influências socio-antropológicas e artísticas ocidentais “e, em conjunto com a constante alusão à arte étnica tribal e ao folclore africano, converge para um pós-Dada Africano”.

Em suma, as 40 peças que farão parte da mostra incluem um painel colectivo que será terminado e apresentado no dia da inauguração da exposição. 

OS MABUNDAS

Dos três irmãos, Gonçalo Mabunda é o artista mais reconhecido nacional e internacionalmente. Aliás, Gonçalo é dos artistas moçambicanos mais destacados em África e fora do continente. As obras do escultor reconhecido por trabalhar a soldadura de armas estão expostas nas galerias de países como África do Sul, Marrocos, Estados Unidos de América, Inglaterra, França, Emirados Árabes Unidos e Portugal. Entre as actividades previstas para o próximo mês, vai expor na 58ª edição da Bienal de Veneza, no Pavilhão Nacional de Moçambique, com Mauro Pinto e Filipe Branquinho.

Santos é o irmão do meio dos Mabundas. Nunca expôs numa individual, mas já participou em várias colectivas. Inclusive, ganhou alguns concursos abertos às artes plásticas promovidos pelo Banco de Moçambique.

Já Rodrigo Mabunda, o mais novo, já expos na África do Sul e em Dubai. Depois desta colectiva, eventualmente, irá expor também em Portugal. É interessado pelo ambiente. Por isso, a sua criatividade inclui a reciclagem de papelão e trabalhos com recurso a esferográficas.

 

 

 

 

O poeta Amosse Mucavele acaba de garantir a presença na Residência Literária, programa a realizar-se próximo mês, entre os dias 2 e 30, na capital portuguesa. O autor do livro Geografia do olhar (poesia) distinguiu-se, ao concorrer em Maputo, com o projecto “Vestígios do silêncio”, o qual propõe-se a debater-se sobre imagens, mapas, memórias e recortes internos de edifícios abandonados, com o que o autor considera (re)dimensionar a dimensão afectiva das ruínas de Maputo e Lisboa.

No projecto que Amosse Mucavele submeteu ao concurso, esclarece que “‘Vestígios do silêncio’ é uma poética concebida como objecto de desvendar os mistérios, de celebrar a memória transnacional dos ritos de passagem e ruptura, um desencanto de repensar as origens, as mutações da dor, as variações dos mapas territoriais e sociais das duas cidades [Maputo e Lisboa], partindo de um ponto de vista subjectivo das estórias destes lugares que simulam pequenos sarcófagos sensíveis a qualquer olhar”.

Para Mucavele, o facto de ser vencedor do programa literário aberto à candidatura do público no início do ano demonstra que o seu trabalho tem visibilidade e impacto. “É uma grande vitória, o que estimula a minha criação. Este projecto, que o tenho bem antes do concurso, ficará mais enriquecido, porque uma questão que abrange duas cidades vai alastrar-se a outras zonas abandonadas nas quais se cruzam vários afectos”.

Com efeito, o que na Residência Literária vai interessar Mucavele são os lugares que guardam muito do passado, daí adivinhar-se uma viagem que atravessa o tempo. “Nesta ida a Lisboa, espero dar mais vida ao meu projecto, tornando bem vivo o testemunho de épocas”.

A Residência Literária é um programa que se destina a escritores de nacionalidade moçambicana com obra publicada, com residência oficial em Moçambique ou que se encontrem a viver, estudar e/ou trabalhar no país e que pretendam desenvolver um projecto de criação literária, coerente com o seu percurso e pertinente na proposta de relação com a cidade de Lisboa. O programa foi criado ao abrigo do protocolo de cooperação celebrado entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, de acordo com a nota de imprensa desta instituição, e o júri foi constituído por Clara Riso (Casa Fernando Pessoa, convidada), Manuel Veiga (Câmara Municipal de Lisboa) e João Pignatelli (Camões – Centro Cultural Português em Maputo). Todo os membros do júri decidiram, por unanimidade, seleccionar a proposta de Amosse Mucavele, considerando que no universo das candidaturas admitidas é a que melhor se enquadra na lógica do presente programa de Residência Literária.

OS “VESTÍGIOS” DO POETA

Amosse Mucavele nasceu em 1987, em Maputo. Foi chefe de redação de “Literatas – Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona”, director editorial do Jornal O Telégrafo, Colaborador do Jornal Cultura de Angola e Palavra Comum da Galiza da Espanha. É membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmargens (Brasil), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (Brasil) e da Internacional Writers Association (Ohio – USA). Representou Moçambique na Bienal de Poesia da Língua Portuguesa em Luanda (2012), no Festival Internacional de Poesia de Córdoba (2016) e, em 2017, participou numa série de actividades em Portugal. Coordenou a publicação do livro “A arqueologia da palavra e a anatomia da língua – antologia poética”. É autor de Geografia do olhar.

 

Pedro Pereira Lopes, Miguel Ouana e Mauro Brito participam, amanhã à tarde, 17h30, na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), cidade de Maputo, num debate subordinado ao tema “ A produção literária para a infância em Moçambique: linguagens e imaginação nos processos de aprendizagem”.

Lopes, Ouana e Brito deverão falar, segundo a nota do evento, “da génese da literatura infantil em Moçambique, valor pedagógico e didáctico intrínseco nos livros infantil, análise sobre as lendas e tradições folclóricas dos povos transmitidas oralmente de geração em geração, como fonte inspiradora da literatura infantil, atribuindo às obras valores sobre questões humanas e sociais, bem como culturais”.

Ao longo do debate, avança a organização em comunicado, os três autores vão tentar explicar a importância dos conteúdos de livros escritos e dirigidos essencialmente para as crianças, embora sejam extensivos aos adultos: “O encontro de escritores em torno deste tema, ‘A produção literária para a infância em Moçambique: linguagens e imaginação nos processos de aprendizagem’ é alusivo ao Dia Internacional da Livro Infantil, uma data destinada ao incentivo, consciencialização da importância desde género literário para a formação de novos leitores e pretende destacar o contributo que os escritores da literatura infantil moçambicana têm prestado ao longo dos anos na preservação e divulgação da literatura nacional, bem como a importância do que é produzido para o cenário moçambicano”.

2 de Abril foi escolhido para ser o Dia Internacional do Livro Infantil por ser a data de nascimento do escritor e poeta dinamarquês Hans Christian Andersen, primeiro a adaptar antigas fábulas para o público infantil, incluindo importantes lições de moral nas entrelinhas.

 

 

No mês em que se comemora o Dia da Mulher Moçambicana, Suzy Bila, artista residente em Portugal, aproveita o regresso à pátria para expor Nua e crua, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), na baixa da cidade de Maputo. A inauguração da individual está marcada para dia 10 de Abril, num evento a realizar-se entre 18h e 21h.

Nua e crua, na óptica de Suzy Bila, é uma exposição carregada de simbolismo, de singularidades de um mundo em mudança, na qual retrata o drama da violência, a solidão das mulheres reduzidas ao anonimato, no entanto sem deixarem de lutar pela sua própria identidade.

Ao levar acabo a obra, a artista plástica parte da sua condição de mulher, convocando-se a uma reflexão delicada e profunda, mas descomplexada, sobre os aspectos socioculturais e das dificuldades que a mulher continua a sofrer nas sociedades contemporâneas. “Ao retratar a mulher nos vários papéis sociais e na luta pela igualdade de género direciono as suas fragilidades para o mundo como forma de reconhecimento desta luta contínua pela mudança na simbiose das relações entre os sexos e na educação do homem e da mulher”. E Suzy Bila acrescenta: “Pretendo também uma abordagem que favoreça processos de confrontação entre o passado e o presente, visando a arte como ferramenta de construção e de intervenção pedagógica. Acredito que a educação é uma ferramenta que todos os contextos sociais devem usar como meio para a autonomização da mulher, partindo da infância, e da família”.

Na individual a ser levada ao CCBM dentro de semana e meia, Suzy encontra um pretexto para trocar ideias e experiências com artistas e, eventualmente, com eles mergulhar em diferentes universos, sempre priorizando o seu projecto, a sua envolvência com o outro.

Suzy Bila (Maria Suzete Bila) nasceu em Maputo, a 23 de Agosto de 1974. Iniciou-se nas artes aos 19 anos de idade e foi premiada numa competição nacional de descobertas de novos talentos. Aos 22 anos, muda-se para Portugal, onde mora. A sua individual, Nua e crua, estará patente no CCBM até 5 de Maio.

 

 

 

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