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O País – A verdade como notícia

A Temporada de Música Clássica de Maputo prossegue com mais espectáculos. Este ano, o Xiquitsi apresenta as habituais três séries de concertos e com a particularidade de escalar outras províncias do país, mantendo, segundo a organização, o seu compromisso para com os moçambicanos no enriquecimento da oferta cultural e do conhecimento.

A série inaugural de concertos irá acontecer de 8 a 12 de Maio, com uma programação que arranca com a Gala de Abertura, às 19h30 de 8 de Maio, no Conselho Municipal. No dia 9, no mesmo horário, Noite Clássica, será ecoada aos ouvidos do auditório no Teatro Avenida. Já no dia 10, o Xiquitsi escala a província de Nampula para a Noite Clássica, às 18h00, na Capela do Museu – Ilha de Moçambique. A Noite Clássica segue no dia 11 de Maio, às 19h30, no Teatro Avenida. O encerramento da série será com a Tarde para Pais e Filhos, às 16h00, também no Teatro Avenida.

Um dos momentos interessantes na abertura da série de concertos será a estreia nacional da obra “Moya” para quinteto de cordas, do jovem Estevão Chissano, aluno do Xiquitsi. A obra estreou no Japão, ano passado, “e representa a prova irrefutável de que todo o esforço feito neste projecto é devidamente reconhecido”, avança a organização na nota de imprensa. Além do registo que vai marcar a primeira série do Xiquitsi, outro facto importante é o envolvimento na qualidade de solistas dos alunos Florêncio Manhique e Kleyd Alfainho. “O envolvimento individual dos alunos do Xiquitsi é a demonstração e prova de que passados todos estes anos, o Xiquitsi está sem dúvidas com o olhar no futuro, sendo a ‘Educação, Cultura e Desenvolvimento Social’ as palavras de ordem que nesta fase movem o projecto”, afirma a organização.  

A Temporada deste ano, marca o sexto ano de existência do projecto, com resultados encorajadores dos quais a Directora Artística do Xiquitsi, Kika Materula, afirma que “ O desenvolvimento pessoal e artístico que se tem verificado nos alunos revela-se pelas oportunidades que têm surgido dentro e fora do Xiquitsi. Cinco anos após o nascimento do projecto, verificamos o despertar de uma pequena centelha que vem incendiando Moçambique na expressão desta arte maior. Prova disso foi o grande concerto de encerramento das comemorações dos cinco anos do Xiquitsi onde vimos uma amostragem de todo o trabalho realizado pelas classes de instrumento, orquestra, composição, coral partilhando o palco com alguns dos maiores nomes da Música moçambicana”.

A série de Maio conta com a presença de 14 músicos convidados, sendo 10 estrangeiros e quatro moçambicanos, designadamente: Kika Materula-Oboé (Moçambique), Maya Egashira – violino (Japão), Joaquín Torres – Violino (Espanha), Suzanne Martens – violino (África do Sul), Anna Maria Marin– violino(Suecia), Kleyd Alfainho – viola d’arco (Moçambique), Maria Quevedo – Violoncelo (Espanha), Pedro Muñoz – viola d’arco (Venezuela), Peter Martens – violoncelo (África do Sul), Manuel Rego – contrabaixo (Portugal),  Florêncio Manhique – violoncelo (Moçambique), Raphael Lustchevsky – piano (Polónia), João Alexandrino AKA JAS – Desenho em Tempo Real (Portugal), Humberto Tandane – Teclado (Moçambique) e o Ensemble Xiquitsi.

A grande componente deste ano é que a Temporada traz linguagens musicais mais contemporâneas, por acreditar que a contemporaneidade na linguagem artística e académica confere o garante de continuidade e esse é o olhar do Xiquitsi: o futuro.
Segundo Materula, os resultados da criação do Xiquitsi são visíveis na medida em que, “Olhamos agora para o panorama cultural e musical do país vendo que em variadas instituições de ensino de Música se encontram frutos destas raízes. O apoio de todos os patrocinadores tem resultado na possibilidade de um percurso de vida para cada um dos alunos, que seria impossível quer a nível individual, colectivo ou institucional”.

O projecto Xiquitsi conta hoje com cerca de 200 alunos entre crianças e jovens das escolas pu?blicas da grande Maputo, que provêm das mais diversas camadas sociais e que te?m acesso livre e gratuito ao ensino de mu?sica. O projecto e? inspirado naquele que e? considerado o maior exemplo de sucesso de inserção social através do ensino colectivo de mu?sica – o Venezuelano “El Sistema”.

Desde a sua fundação o Xiquitsi tem colaborado com as mais variadas entidades públicas, privadas e Embaixadas acreditadas em Moçambique.

O Xiquitsi e? um projecto desenvolvido pela Associação para o Desenvolvimento Cultural  Kulungwana e a sua direcc?a?o artística esta? a cargo da oboi?sta Moc?ambicana Kika Materula desde a sua fundação.

 

A ‘Índico’, revista de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), está entre as finalistas para uma das categorias dos prémios internacionais ‘World Travel Awards’ (WTA), considerado os ‘óscars’ mundiais do turismo.

A indicação para o prémio foi feita por passageiros e leitores que apreciam e identificam-se com a revista, e que submeteram a proposta de inclusão ao júri que apurou as publicações finalistas. Até hoje, decorre a votação através do link https://www.worldtravelawards.com/vote, através do qual os passageiros da LAM, em particular, e os moçambicanos, em geral, podem indicar as suas preferências.

Em Moçambique, a revista ‘Índico’ já foi distinguida como ‘Melhor Parceiro de Turismo’, numa iniciativa da AVITUM – Associação de Agen.

 

O Auditório Municipal Carlos Tembe, na Matola, vai acolher, no próximo dia 27, a estreia do bailado Makhandene, quando forem 17 horas.

Sob a direcção de Carlos Alberto, a peça é uma adaptação do livro de teatro de Luís Savele. O evento enquadra-se nas actividades da MUQUIKU, uma plataforma teatral que tem como objectivo principal a massificação do teatro no Município da Matola, a qual é constituída por três associações, nomeadamente Mugachi, Quiloa e Kucha Ka Dambo.

Neste momento, o movimento está a organizar várias produções artísticas dentre as quais , FITM (Festival Internacional de Teatro da Matola), a produção da peça de teatro a esperta do godot em coordenação com o Município da Cidade da Matola.

 

30 filmes farão a 18ª edição do Ciclo de Cinema Europeu, evento a realizar-se nas cidades de Maputo (24 deste mês a 9 de Maio) e Quelimane (3 a 9 de Junho). Daquele universo cinematográfico, 16 filmes é o número de longas-metragens e os outros 14 são curtas-metragens de jovens realizadores moçambicanos, fruto da 3ª edição do concurso e workshops de curtas promovidos pelo Centro Cultural Moçambicano-Alemão e a Embaixada da Alemanha.

Nesta 18ª edição do Ciclo de Cinema Europeu, que, anualmente, traz ao país uma mostra do da sétima contemporânea exibida em várias cidades, este ano, irá decorrer no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, de 24 deste mês a 9 de Maio, em duas sessões diárias, às 17h e às 19h30. Ainda na capital moçambicana, e Ciclo poderá ser acompanhado pelos espectadores no bairro Chamanculo, em duas sessões ao ar livre, no campo do Cape Cape, a 3 e 4 de Maio, às 19h.

Quanto à capital da Zambézia, o Ciclo de Cinema Europeu decorrerá de 3 a 9 de Junho nos espaços do Ponto de Encontro e Universidade Pedagógica.

Com efeito, a cerimónia de abertura da 18ª edição do ciclo está marcada para 24 do mês em curso, pelas 18h, no jardim do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, com música ao vivo, seguida da exibição do primeiro filme.

De acordo com a organização do evento, durante a presente edição serão apresentados filmes europeus de produção recente de vários países do velho continente: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça.
A organização do Ciclo de Cinema Europeu, que este ano coube a Alemanha, resulta de uma colaboração entre várias Embaixadas e Centros Culturais dos países da União Europeia em Moçambique.

OS FILMES
Entre os filmes que serão exibidos nesta edição do ciclo, constam “Em trânsito” (2018, 102 min.), drama de Christian Petzold. Neste filme, quando Georg (Franz Rogowski), um refugiado político, tenta fugir de França, roubando os manuscritos de um autor falecido, assume a sua identidade.

Preso em Marselha, em trânsito para a América do Sul, acaba conhecendo Marie (Paula Beer), que está desesperada para encontrar o seu marido desaparecido na guerra. Começa assim uma história com vários conflitos, a ter lugar na Europa contemporânea. Dos Países Baixos, o filme seleccionado é intitulado “Estranho no paraíso” (2016, 82 min.), documentário de Guido Hendrikx. Aqui encontra-se um exame da visão europeia da crise dos refugiados em três actos: três grupos de migrantes são recebidos por um homem, que sempre
assume uma atitude diferente: rejeição na primeira parte, e cheia de empatia e boa vontade na segunda. Na última parte, ele representa o procedimento de asilo holandês, com todas as suas regras complicadas. Hendrikx mostra onde os sonhos dos refugiados se chocam com a realidade e obriga o espectador a pensar sobre a sua própria posição. Da Suécia, a proposta levada à 18ª edição do ciclo é “Martha e Niki” (2016, 92 min.), documentário de Tora Mkandawire Mårtens. Esta é a história de duas mulheres que, pela primeira vez, se tornam campeãs mundiais de hip-hop. Este filme retrata o amor de Martha e Niki pela dança, de uma para com a outra e como a amizade das duas é posta à prova. Do Reino Unido, “Maria, a rainha dos escoceses” (2018, 123 min.), drama de Josie Rourke é a proposta para este ciclo. Na história, Maria Stuart, rainha da França aos 16 e viúva aos 18, desafia a pressão de voltar a casar. Em vez disso, regressa ao seu país natal, Escócia, para recuperar o seu direito ao trono, numa altura em que a Escócia e a Inglaterra estão sob o domínio da imperiosa Isabel I. Cada uma das jovens rainhas vê a sua “irmã” com terror e fascínio.

Rivais no poder e no amor, e regentes num mundo de homens, as duas têm de decidir como mover as peças no jogo do casamento contra a independência. Determinada a governar como mais do que uma mera representante, Maria impõe a sua reivindicação ao trono inglês, ameaçando a soberania de Isabel. Traição, revolta e conspirações em cada uma das cortes põem em perigo ambos os tronos e mudam o rumo da história. Da Suécia, Noruega e Dinamarca (2016, 110 min.) será projectado Sami Blood, drama de Amanda Kernell. O filme retrata a vida de uma menina lapónica de 14 anos. Exposta ao racismo e à biologia racial da década de 1930, ela sonha ter uma outra existência, e para o conseguir ela renuncia à sua família e à sua cultura. O filme ganhou o

Prémio Lux do Parlamento Europeu, em 2017.
 

 

 

 

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), este sábado, entre 18h e 23h,  a segunda edição do Jazz no Franco. O espectáculo na sequência das comemorações do Dia Internacional do Jazz, assinalado a 30 de Abril de cada ano.

Na edição deste ano, fazem parte do cartaz os seguintes artistas: Stélio Mondlane (Moçambique), baterista que goza de uma vasta experiência na indústria musical, igualmente, como produtor e compositor. Mondlane venceu dois prémios no Ngoma Moçambique e tem  participações em festivais de renome, tais como Festival Azgo e More Jazz Series, e é autor do CD e DVD – Mix Culture. Na segunda edição do Jazz no Franco, segundo a nota do CCFM, Mondlane vai lançar o seu primeiro álbum «New Chapter ». O baterista vai actuar com Nelton Miranda (baixo), Dodó (guitarra), Lívio e Almiro Souto (teclados), Mahu (saxofone) e Leyna Souto (voz).

Da África do Sul, vem ao evento do CCFM Zoë Modiga, quem já actupou em festivais famosos como o Aardklop Festival, Artscape Youth Jazz Festival, UCT Jazz Festival, Joy of Jazz, Fête de la Musique, Hugh Masekela Heritage Festival, Oppikoppi, Rocking the Daisies, Redbull Music Festival, Bushfire, Basha Uhuru Music Festival, Joy of Jazz and The Cape Town International Jazz Festival. Foi ainda vencedora da categoria Jazz do SAMRO Overseas Scholarship Competition 2015. Inclusive, partilhou o palco com artistas como Frank Paco Art Ensemble, Lira, Ladysmith Black Mambazo, Louis Maholo e Amandla Freedom Ensemble. Recentemente, foi nomeada para Melhor Álbum de Jazz e Melhor Artista Africana para o 24º South African Music Awards de 2018.

Por fim, o Jazz no Franco ainda Sandra St. Victor, norte-americana que gravou com artistas como Prince, Chaka Khan e Tina Turner. A sua música também faz parte da banda sonora do filme Shrek.

Conhecida como membro fundador do trio The Family Stand, a cantora e compositora destaca-se no R&B, Rock, Gospel e Jazz. Recentemente, a revista Ebony elogiou St. Victor como uma “cantora que balança”, ao lado de ícones como Grace Jones, entre outras. Como compositora, o trabalho de Sandra St. Victor foi indicado  aos Grammy Awards em 2003 e 2009. Para o concerto em Maputo, Sandra St. Victor estará acompanhada por: Walter Mabas (guitarra), Hélder Gonzaga (baixo), Stélio Mondlane (bateria), Lívio e Venâncio (teclados), Onésia e Pauleta Muholove (coros).

 

 

 

 

O Teatro Avenida, na cidade de Maputo, é o palco escolhido pelo poeta Leco Nkhululeko para misturar várias manifestações artísticas, designadamente, a poesia, a música e dança. O concerto acústico intitulado “Mulher da noite – o eterno amor” irá realizar-se no dia 18 deste mês, e contará com a participação da escritora Paulina Chiziane, a bailarina e actriz Iva Mugalela, o bailarino Osvaldo Passirivo, dos músicos Samito Tembe, Mauro Paulo, Jorge Domingos e a cantora Helena Rosa.

Do elenco, os instrumentistas seguem Nkhululeko sempre que a sua inspiração envia-o ao palco. Apenas Samito Tembe e Jorge Domingos são novos no grupo. Quem não é nova neste tipo iniciativa é Paulina Chiziane, afinal, além da escrita literária, nos últimos tempos também tem-se dedicado à música.

Ao longo dos 50 minutos, de acordo com antropóloga Sónia Seuane, citada em comunicado da Tindziva, Leco Nkhululeko propõe-se a entreter as percepções sobre a expressão “Mulher da noite”, usada no quotidiano de forma “normativa”. “Neste encontro entre a poesia, a música e a dança, a expressão ganha novos contornos e desperta-nos para uma vivência que não muito distante, muitas vezes é escondida, repelida e não reconhecida entre nós cidadãos da aldeia global. Nós os cosmopolitas. Numa mistura de amor e ódio, prazer e dor e de lutas internas sofridas que só os africanos conhecem o sabor, Nkhululeko insita-nos a reflectir profundamente  sobre a diferença que os discursos têm das práticas e desafia-nos a reconhecer as diversas mulheres da noite que podem existir nas nossas vidas. Quem é a dita Mulher da Noite afinal, esse tal amor eterno?”, questiona a antropóloga.

Leco Nkhululeko é autor dos livros “Há Gritos no silêncio” (2011) e “Bíblia Lounge” (2018). É activista cultural e social, com foco na literatura. Nos últimos anos, recebeu distinções do Prémio Nósside, na Itália, pelos poemas: “Sangue de Darfur”, 2009; Casa de Ninguém, 2010; África Esperança, 2013; “Eutanásia”, 2014 e “Mediterrâneo”, 2015.

 

 

 

O autor do álbum discográfico, Tsunela papai, disponível para o público desde ano passado, seleccionou quatro autores para celebrar a arte e a fé. O espectáculo vai acontecer na cidade de Maputo, dia 18.

Tsunela papai. No próximo dia 18, quinta-feira da semana que vem, os apreciadores da música de Aniano Tamele voltam a ter um pretexto para gozar os acordes do artista. Depois de lançar o seu álbum de estreia em Abril do ano passado, o músico vai ao Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo, para celebrar três eventos: a criatividade sintetizada na obra composta por 11 temas; a memória que tem do pai, Eusébio Tamele, que, se estivesse vivo, completaria 89 anos no dia 17 deste mês; e a páscoa, que Aniano é um músico temente a Deus.

O espectáculo musical designado Munganame (do xichangana, amigo em português), coincidentemente título de uma das músicas do disco do músico, vai iniciar quando forem 20h30, devendo prolongar-se até 22h30.

A fim de tornar o espectáculo mais festivo e, simultaneamente intimista, Tamele convidou quatro autores: António Marcos, Safira José, Kambeza e Rei Dragão. Todos eles vão interpretar pelo menos uma música do Tsunela papai com Aniano. E, já agora, a selecção dos convidados tem uma explicação: “Em cada concerto que faço, procuro adequar-me a um determinado conceito. Assim, para este Munganame, quis juntar gerações e géneros. António Marcos é um músico que oiço cantar desde pequeno. Safira José, além de representar as artistas do sexo feminino [que este é o mês da mulher moçambicana], está no cartaz porque é uma artista intermédia, entre a minha e a nova geração. Ela não é tão jovem e nem tão velha”. Quanto aos outros dois? “Também convidei Kambeza, um jovem que admiro muito e que conheci no Dondo, quando ainda era pequenino. É um jovem muito talentoso e penso que faz sentido estar no meu espectáculo. Por fim, também estarei no palco com Rei Dragão, quem vai representar a diferença dos que investem num estilo rítmico que não calha com o meu”.

Essencialmente, Aniano Tamele espera que o espectáculo da próxima semana seja um momento de convivência cúmplice com todos os que contribuem para que Tsunela papai continue abrindo-lhe portas repleta de oportunidades.

Sobre o músico, num artigo publicado recentemente neste jornal, Dadivo José deduz que Aniano Tamele “é a imagem de um homem que levou do melhor que os pais deram e narrou num álbum que contou com grandes instrumentistas liderados por Domingos Bernardo. Neste álbum foram respeitados os temas originais e foi melhorada a execução técnica e os novos arranjos dão brilho auditivo. Escutamos baladas (faixas 1, 3, 5 e 7) e altos beats para uma dança”. E o actor e professor de Teatro na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) remata no mesmo artigo: “Aniano canta muito bem”.

 

“Um rapaz tranquilo – memórias imaginadas” é o título do livro de Álvaro Carmo Vaz que será lançado no dia 15 deste mês, às 17h00, no Auditório do Edifício-Sede do BCI, na cidade de Maputo.

De acordo com o ensaísta Eugenio Lisboa, citado em comunicado de imprensa pela editora que publica o livro, Marimbique, “Um rapaz tranquilo”  é um belo e comovente romance. “A obra cruza uma narrativa ficcional com um excurso memorialista de grande interesse, em Moçambique, no período imediatamente anterior e ulterior à independência do país. O texto é uma pungente história de amor na qual se traça o percurso de uma geração que sonhou com a independência e se entregou à tarefa de construir um país novo. É também, por isso, um importante exercício de memória, tão relevante quanto crucial nos dias de hoje”, avança a Marimbique.

Álvaro Carmo Vaz é engenheiro civil de formação, tendo feito a sua carreira na Universidade Eduardo Mondlane (antes Universidade de Lourenço Marques), onde atingiu a categoria de Professor Catedrático. Na sua área de especialidade, Hidrologia e Gestão da Água, é autor de dezenas de textos científicos e técnicos e co-autor do livro “Hidrologia e Recursos Hídricos”.

Sobre o livro, Luís Bernardo Honwana, na nota introdutória, escreve, segundo a Marimbique: "Um rapaz tranquilo", as primícias literárias de Álvaro Carmo Vaz, reconstitui, pela primeira vez entre nós, um roteiro que sempre permaneceu subentendido e, corajosamente, trá-lo a debate como uma das muitas dimensões da nossa pluralidade.”

 

 

Já são conhecidos os oito livros finalistas da 7ª edição do Prémio Literário Glória de Sant’Anna. Entre os escolhidos, consta Os crimes montanhosos, da autoria de António Cabrita e Mbate Pedro, publicado sob a chancela da Cavalo do Mar, ano passado. A obra de poesia, constituída essencialmente por duas partes: “o branco colarinho dos corvos” e “a gravata preta do corvo albino” é a quarta daquela editora moçambicana a alcançar a derradeira fase do prémio, depois de Fogo Preso, de Andes Chivangue, em 2017; O deus restante, de Luís Carlos Patraquim, e Cicatriz encarnada, de Rogério Manjate, ambos ano passado.

Além d’Os crimes montanhosos, concorrem ao prémio, nesta edição, mais sete livros: Aquilo que não tem nome, de Victor Oliveira Mateus; As flores se recusam, de Isabela Sancho; A transfiguração da fome, de Sara F. Costa; en_vuelta, de Sofia Ferrés; Lugar de espanto, de Ana Horta; Maligno, de Eduardo Quina; e Nómada, de João Luís Barreto Guimarães.

O grande vencedor do Glória de Sant’Anna será anunciado no dia 8 do próximo mês, em Portugal, obviamente, a seguir a concertação do júri, constituído por cinco membros, entre eles, Nataniel Ngomane, professor universitário e Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa. Os outros quatro são: Jacinto Guimarães (Jornal de Válega), Andrea Paes (Ourives), José Luís Porfírio (crítico literário, como os outros dois, de PortugaL) e Teresa Moure (escritora da Galiza).    

Experiente nas questões atinentes a nomeações e premiações literárias, até porque já atingiu a fase final do Glória de Sant’Anna, com o livro Debaixo do silêncio que arde, em 2015, Mbate Pedro não deposita grandes expectativas nesta edição. Na óptica do poeta, os prémios valem o que valem, mas servem para dar visibilidade às obras. “Penso que estas nomeações querem dizer que a linha editorial da Cavalo do Mar é certa. E, já agora, o grande prémio que queremos é o de ser lidos, porque Moçambique pouco ou nada fez para formar leitores. Pobre do escritor que anda atrás dos prémios”, afirmou o poeta e editor da Cavalo do Mar.

António Cabrita, que também foi finalista do prémio com Anatomia comparada dos animais selvagens, em 2018, tem uma opinião idêntica a de Mbate Pedro. Para aquele poeta, estar de forma regular na final do Glória de Sant’Anna quer dizer que há alguma qualidade no que se está a produzir no país. “Se o júri escolheu os oito livros para finalistas do prémio, acredita que, do ponto de vista literário são os que melhor vendem o próprio prestígio do Prémio”, considerou Cabrita, desejando que o reconhecimento desperte interesse das editoras de outros países pelo Os crimes montanhosos. Contudo, o poeta não se ilude. Defende que a lista de finalista do Sant’Anna apresenta dois nomes difícil de superar: João Luís Barreto Guimarães e Victor Oliveira Mateus. “Entretanto, seja qual for o desfecho, temos que continuar a trabalhar mais”.

O Prémio Glória de Sant’Anna, aberto aos autores de língua portuguesa, foi lançado em 2013, ano em que Eduardo White venceu a edição inaugural. De lá para cá, nunca mais um livro nacional venceu o prémio.

 

 

 

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