O País – A verdade como notícia

O passado, o presente e o entre. Este é o título da colectiva que Moçambique leva à 58ª edição da Exposição Internacional de Arte na Bienal de Veneza, Itália. A realizar-se entre 11 de Maio e 24 de Novembro, o programa inclui três artistas nacionais: Gonçalo Mabunda, Filipe Branquinho e Mauro Pinto, os quais vão apresentar as suas obras no Pavilhão Nacional de Moçambique.

De modo que tudo aconteça com o impacto que se pretende, encontra-se em Maputo a curadora da exposição, Lidija Kostic Khachatourian, quem, enquanto trabalha com os artistas, paralelamente, encontrou-se com o Secretário Permanente do Ministério da Cultura e Turismo, Domingos Artur, entidade que apadrinha a ida dos artistas nacionais à Itália.

A primeira vez que Moçambique apresentou-se com um Pavilhão Nacional na Bienal de Veneza foi em 2015, na 56ª edição. Neste ano, a delegação de artistas moçambicanos vai procurar exibir, naquela cidade italiana, uma abordagem do passado conturbado da nação e uma eventual consequência daí resultante. Portanto, a escolha de Gonçalo Mabunda, Filipe Branquinho e Mauro Pinto pela curadora tem que ver com um passado que os três têm comum:  “Quisemos juntar a experiência dos artistas que viveram a guerra civil. Com isso, queremos mostrar como eles conseguiram transformar eventos negativos em algo artístico e belo, que será apresentado em Veneza”, explicou Lidija Khachatourian, consultora de arte que produz shows e exposições em Dubai desde 2014, trabalhando também como representante internacional de artistas.

Para Gonçalo Mabunda, diferente dos seus companheiros, esta não será a primeira vez a participar na Bienal de Veneza. Ainda assim, explica o artista, esta edição vai ser especial, até porque estará na qualidade de representante oficial do país, o que não aconteceu há alguns anos. “A primeira vez que estive na Bienal de Veneza não expus no Pavilhão de Moçambique. Então, sinto-me muito feliz por esta oportunidade de poder ir a um evento de topo mundial com o Mauro e o Filipe, artistas que conheço há muitos anos”.  

À 58ª edição de Veneza, Gonçalo Mabunda vai levar seis obras, desta vez, sem tronos e sem máscaras. Tudo para se questionar e surpreender os apreciadores da sua arte. No caso de Mauro Pinto, o artista preparou um trabalho que ainda está a ser realizado numa mina de carvão, em Tete. A série do trabalho que problematiza alguns aspectos sociais intitula-se Black money, na qual o fotógrafo pergunta-se como as pessoas que vivem em Moatize vivem sócio e economicamente. “Questiono-me muito sobre esta realidade que, na verdade, não diz respeito apenas a Tete. Este boom de investimentos estrangeiros começa a ter um certo impacto um pouco por todo o país. Sentindo-me intrigado com essa realidade, decidi sair à rua e pôr-me a desenvolver este projecto”, explicou Mauro Pinto.

Os três artistas nunca haviam expostos todos juntos. O máximo possível foi dois deles estarem na mesma colectiva. Também por isso, a bienal de Veneza será marcante, conforme admite Filipe Branquinho: “será uma oportunidade única esta de expor com dois principais promotores das artes visuais em Moçambique, no país e no estrangeiro. O Gonçalo e o Mauro são amigos que, para mim, têm um papel importante como pessoas e como artistas. Há muitas oportunidades, por exemplo, que me surgem por causa dos dois”.

A exposição dos artistas nacionais na 58ª Bienal de Veneza tem apoio e patrocínio da África Legal Network, Abu Dhabi Securities, e o centro criativo Akka, em Dubai e Veneza.

 

 

 

 

Na próxima quarta-feira, quando forem 19h, a peça teatral (Des)mascarado, da autoria de Venâncio Calisto, vai ao palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo.  

A exibição do espectáculo insere-se nas comemorações do Dia Mundial do Teatro e do mês da Mulher, de acordo com o Franco-Moçambicano, que sublinha, em comunicado de imprensa: “a peça traz-nos uma reflexão sobre as questões de conflito de género e conta com as actrizes Sufaida Moiane e Rita Couto na interpretação”.

Ainda de acordo com a nota do Franco-Moçambicano, (Des)marcarado, é um espectáculo de teatro que invade a intimidade do casal Amélia e Arcanjo, para levar à ribalta questões de feminilidade versus masculinidade, que muitas vezes são postas por baixo do tapete da modernidade.

“Eis um poema dramático cujo enredo e plástica fazem dialogar a tradição com a modernidade, neste caso o mito e a performance do Mapiko com o quotidiano e a estética do teatro ocidental, resultando numa experiência sincrética que valoriza a diversidade e o diálogo entre culturas”, avança a nota do Franco.

SOBRE O ELENCO DO ESPECTÁCULO

Venâncio Calisto é um artista com 25 anos de idade. Nasceu e vive em Maputo. É licenciado em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, onde trabalha como assistente estagiário das disciplinas de Dramaturgia e Encenação. Fundou e dirige os grupos de teatro Katchoro e (In)verso. Mas também tem colaborado com outras companhias, associações e centros culturais na criação de espectáculos, acções sociais, entre outros projectos artísticos.

Os seus trabalhos têm participado em diversos festivais nacionais e internacionais. Em 2017 participou do festival Yesu Luso – em São Paulo, Brasil. E em 2018 foi distinguido com o prémio de Artes e Cultura da Mozal, na categoria de Teatro.

Uma das actrizes que integra o elenco de (Des)mascarado é Rita Couto, socióloga de 28 anos, igualmente formada em teatro pelo programa de intercâmbio da SP Escola de Teatro em São Paulo. A música e o teatro sempre foram paixões que a acompanharam, sendo complementadas por formações em escolas de música como a JB Jazz em Lisboa e companhias de teatro como O Bando.

É autodidata e apaixonada por diversos instrumentos além da guitarra, tais como baixo, mbira e percussão. Desenvolveu um trabalho e competências na área cultural e no domínio da produção e comunicação por via da arte em Moçambique, Portugal e Brasil. Essa experiência cobre desde o trabalho como socióloga em investigação e implementação de projectos de desenvolvimento comunitário, até à dinamização de actividades teatrais, culturais e organização de eventos culturais.

Por fim, integra o elenco da peça a actriz Sufaida Moyane, de 28 anos de idade, recém-formada em Teatro, pela Escola de Comunicação e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane.

Para além dos trabalhos artísticos realizados dentro da academia, tem experiências como actriz/performer, em diferentes projectos artísticos nos âmbitos de teatro, rádio, dança, cinema e literatura, com artistas nacionais e internacionais, com companhias como Mutumbela Gogo e Mahamba. Desses projectos em que participou, importa mencionar os seguintes: Incluarte com o coreógrafo moçambicano Panaibra Canda; Identity, a blood romance, com o encenador alemão Jeans Vilela Neumman; e o projecto Framewalk Moçambique-Alemanha.

Recentemente, fez parte da equipa de actores do espectáculo Netos de Ngungunyane, co-produzido por Teatro O Bando de Portugal, Teatro do Instante do Brasil e a Fundação Fernando Leite Couto de Moçambique, e apresentado nos três países. Participou como actriz em filmes nacionais tais como O Dia do Homem e Nada para nós sem nós, e em radio-novelas nacionais tais como Fatias da Vida e Uma Geração na Encruzilhada.

Para além de actuar, Sufaida Moyane também encena e é professora de teatro no ensino primário e secundário em escolas privadas.
 

 

Em Dezembro de 2018, Milton Gulli conheceu-se com o rapper do Sudão do Sul, L.U.A.L, que, na altura, encontrava-se em Maputo a gozar férias. Uns amigos em comum apresentaram os artistas, que, logo a seguir, decidiram fazer alguma coisa juntos. Começaram por trabalhar no Tofo, em Inhambane, durante o período das festas. Lá ficaram hospedados na casa da irmã de L.U.A.L durante quatro semanas, tempo suficiente para ambos produzirem dois temas e realizarem um video-clip. Uma dessas produções tem aqui titulo, “Confirm”, uma música com três minutos e trinta e nove segundos, cuja composição do beat foi feita em aproximadamente dois dias, os arranjos e gravações em duas semanas. Tudo no Tofo, num estúdio caseiro improvisado, não fosse aquela ser terra da boa gente.

Esta foi a primeira vez que a Kongoloti Records de Milton Gulli trabalhou com um artista proveniente de um país que não pertencesse a África Austral. Por isso, o músico admite: “Para nós é fantástico poder contar com um artista como o L.U.A.L., que é um rapper consciente e que já passou por muita coisa nesta vida e tem muito a dizer. Ele reside em Juba, no Sudão do Sul, que não é um país nada fácil de se viver e assombrado por muita insegurança, gangs, facções rivais, etc”.

Para Milton foi ainda especial produzir aquele rapper porque tem um discurso muito interventivo, cantando ora em inglês, ora em árabe, que já foi proibido de tocar nas rádios e que sofreu atentados à sua vida. “É muito inspirador trabalhar com alguém com uma experiência de vida tão diferente da nossa e com vontade de mandar a criatividade cá para fora”, afirmou Milton Gulli, para quem a arte é um meio fulcral para se mudar o mundo. “E se falamos de artistas que vêm de países com muitas dificuldades, creio que a sua missão é educar, alertar o povo e apontar o dedo a determinadas situações. Não faz muito sentido andar a cantar sobre festas e curtição quando todo o país passa fome e muitas dificuldades. Eu próprio venho de projectos musicais sempre interventivos (Philharmonic Weed, Cacique´97, Cool Hipnoise) então identifico-me bastante com estes artistas”.

Além de L.U.A.L, Milton Gulli é responsável pelos sucessos de artistas como Simba, Azagaia, Deltino Guerreiro, Gran’Mah, Tassiana, Ras Skunk, Spirits Indigenous e Mingo Rangel. Com efeito, no catálogo da Kongoloti Records podem encontrar-se artistas estrangeiros como Bob Da Rage Sense, Faradai e Prince Wadada, de Angola, Jazz P e Spirits Indigenous, de eSwatini. 

 

A OBRA DE GULLI

Milton Gulli nasceu e foi criado nos subúrbios de Lisboa, em Portugal. É um artista profundamente imerso nos sons lusófonos e na cena musical africana contemporânea de Lisboa. Passou por bandas como os Philharmonic Weed, Cool Hipnoise, The Grasspoppers e faz, desde 2005, parte do colectivo afrobeat Cacique´97. Já tocou com Prince Wadada, Kimi Djabaté, Mercado Negro, Marcelo D2 e ??foi convidado em álbuns de artistas como Sam The Kid, Sagas e XEG. Há oito anos, mudou-se para Moçambique e logo começou a trabalhar com o rapper Simba no lançamento do "The Heroes – A Tribute To A Tribe", ao mesmo tempo que ajudava a produzir "Cubaliwa", de Azagaia, para sua recente formada label independente Kongoloti Records. Na capital do país, Gulli actuou com Azagaia, Simba, TP50, Gravity Regulators e Ras Skunk. 

 

L.U.A.L. EM PERFIL

L.U.A.L. é um dos rappers mais populares do Sudão do Sul. Nasceu e foi criado nos Estados Unidos. É filho de pais diplomatas, e dedica-se ao Hip-Hop desde a adolescência. Mudando-se para o Sudão do Sul em 2009 para participar no referendo do país em Janeiro de 2011, lançou Letter 2 Dr. John pt. 2, no dia de Independência do seu país. L.U.A.L. destaca o sofrimento das comunidades sul-sudanesas, o nível de corrupção, o nepotismo e encoraja as massas a unirem-se como sul-sudaneses. Em 2013 lançou Dowla Jadit, que significa nova nação, referindo-se a funcionários públicos que sempre usam o argumento da nova nação como uma desculpa para a falta de serviços básicos. A música foi proibida nas rádios no Sudão do Sul. Em 2012, L.U.A.L. fez uma canção encomendada pela Unesco intitulada “Give peace a try”, que foi usada para uma festa de recepção especial para o actor vencedor do Oscar, Forrest Whitaker, após ser nomeado embaixador pela UNESCO.

Moçambique e outros poemas dispersos é o novo livro de José Craveirinha, que será apresentado às 17h30 de quarta-feira, no auditório do BCI, na cidade de Maputo, a título póstumo.
Numa cerimónia que contará com a presença e intervenção da família Craveirinha, o livro será apresentado pelo professor catedrático, antigo Director da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, Armando Jorge Lopes, autor do livro A batalha das línguas.  

O POETA-MOR

José João Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, na então cidade de Lourenço Marques, e faleceu a 6 de Fevereiro de 2003. Os seus restos mortais repousam na cripta da Praça dos Heróis, em Maputo. Cravo iniciou a sua carreira no jornal O brado africano e, posteriormente, trabalhou nos jornais Notícias e Tribuna.

De acordo com o comunicado da Alcance Editores, grande parte da sua poesia ainda se mantém dispersa na imprensa, não tendo sido incluída nos livros que publicou em vida. Outra parte permanece inédita e faz parte do seu volumoso espólio.

Além da sua actividade como jornalista e poeta, José Craveirinha desempenhou um papel de relevo na vida desportiva e associativa de Moçambique, a partir dos anos 50, tendo chegado a ser Presidente da direcção da Associação Africana, agremiação que constituiu um foco importante das ideias nacionalistas. Em 1965, foi preso pela PIDE/DGS, acusado de fazer parte de uma célula da 4ª Região político-militar da FRELIMO, tendo sido julgado, condenado e cumprido pena até 1969. Foi o primeiro Prémio Camões africano, distinção que lhe foi atribuída em 1991.Foram-lhe ainda atribuídas as seguintes medalhas: Medalha Nachingwea, Medalha de Ouro da Comuna de Concesio (Brescia), Medalha de Ouro do Município de Aljezur, Medalha de Ouro 1º Grau do Município de Sintra e Medalha de Ouro de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo Medalha de Ouro Participação no “Seminário Internacional de Estudo da Nova Literatura Africana” (Roma). Em 2002 a Universidade Eduardo Mondlane outorgou-lhe o Grau do Doutor Honoris Causa. Nos últimos anos de vida exerceu o cargo de Vice-Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Moçambique e outros poemas dispersos sai sob a chancela da Alcance Editores.
 

Hoje, arrancou a semana do teatro, afinal, é sempre a 27 de Março que se celebra a efeméride dedicada àquela arte. E porque aos domingos quase nada acontece nas casas culturais do país, então, inicia, amanhã, às 18h, no Centro Cultural Ntsindya, no bairro Xipamanine, na cidade de Maputo, as comemorações do Dia Mundial do Teatro.

Por isso mesmo, os grupos Mintsu e Teatro Anónimo vão exibir os espectáculos O padecer das rosas e Espera de Godot. A primeira peça será exibida a partir das 18h15, devendo durar cerca de 25 minutos, segundo o programa. A segunda, irá aos palcos quando forem 19h05. Uma hora depois, o jornalista Belmiro Adamugy vai moderar um debate sobre as apresentações do dia.

Já no outro espaço cultural, Centro de Teatro do Oprimido, terça-feira, a peça apresentada será Munyama, do grupo Makweru, das 18h40 às 19h30, hora prevista para o debate sobre os espectáculos apresentados, moderado pelo actor Dadivo José.

Este ciclo organizado pela Associação Moçambicana do Teatro termina no próprio dia dedicado à arte, 27. Na manhã de quarta-feira, às 10h, na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Zeca Tsamba, Joaquim Matavel e Ernesto Langa vão debater as “Influências da complexidade de produção de teatro para grupos amadores”. No princípio da noite, 18h, o grupo Oprimido vai levar ao palco do Teatro Avenida o espectáculo O corpo é meu. A seguir à exibição de meia hora, o grupo Mahamba vai encerrar a sessão de apresentação teatral com Culpado (combati um bom combate).

Por fim, a partir das 19h30, o jornalista Leonel Matusse vai moderar o último debate deste ciclo de celebrações, no Avenida.

Na óptica de Dadivo José, esta é uma boa oportunidade para os actores e encenadores mostrarem ao público o que é teatro e porque devem gostar desta manifestação artística. Assim, acredita o actor e professor da ECA, as pessoas poderão deixar de andar desavindos com o teatro. “Repare que isso nem acontece porque o público quer, mas porque, muitas vezes, é todo o dia bombardeado por outras ofertas, as quais, veiculadas pela televisão e pelas redes sociais, contribuem para se destruam grupos amadores. Então, nesta semana em que celebramos o dia do teatro, queremos, igualmente, levar boas produções ao palco e provar que existem bom teatro no país”. Mais não disse, Dadivo José.  

No próximo dia 28, o escritor moçambicano Ganhanguane Masseve, pseudónimo de Agostinho Inguane, lança a colectânea de contos intitulada A verruga de martelo, pela editora Kuvaninga Cartão d'Arte. A cerimónia de lançamento está marcada Akino Café, na cidade de Maputo, e vai iniciar às 18h00.

A função de apresentador da obra literária foi confiada a dois autores, nomeadamente, o escritor Marcelo Panguana e o artista plástico Circle Langa. O primeiro interlocutor irá debruçar-se sobre o conteúdo, e, o segundo, por sua vez, fará uma abordagem tendo em consideração os aspectos visuais do livro.

A sessão, terá Pedro Muiambo como mestre de cerimónias, irá contemplar um momento musical a ser protagonizado por Helena Rosa e a leitura de excertos do livro caberá a um grupo de actores sob orientação do encenador Venâncio Calisto.

Editada pela Kuvaninga cartão d´arte – editora moçambicana que publica livros de cartão reciclado – A verruga de martelo é, de acordo com aquela editora alternativa, uma colectânea de seis contos, profundos e com uma escrita cuidada que mergulha nos problemas sociais dos moçambicanos.

Segundo o autor, trata-se de uma obra que retrata as dificuldades, as lutas diárias, o sofrimento de cada moçambicano na busca de uma solução para as suas dores. No livro, o autor faz uma analogia entre este tipo de câncro de pele – verruga – com a vida do moçambicano, “porque a verruga é um sofrimento que abraça o indivíduo, acompanha-o por toda a vida, mas não mata repentinamente”, decifra.

Segundo Masseve, a verruga não é mais do que a dificuldade que o moçambicano passa para sobreviver.

No mesmo evento de lançamento de A verruga de martelo, haverá uma sessão de autógrafos da obra As três mulheres de Malunga, do mesmo autor, lançada em 2015, no âmbito do primeiro Festival Literário da Matola – Literatas. Um livro que, este ano, sai pela segunda vez sob a chancela da Kuvaninga, a mesma editora encarregue de publicar há quatro anos.

Ganhanguane Masseve é escritor e activista cultural. Venceu a edição de 2012 do Prémio Literário do Banco de Moçambique, com o livro As três mulheres de Malunga, e o Prémio Literário As Línguas em Português do Instituto Camões, Pólo da Beira, com a obra No reino do Asfalto, em 2013. Foi Menção Honrosa com o livro A verruga de Martelo, no Prémio Literário 10 de Novembro, em 2015. Foi Vice-Presidente do Movimento Literário Kuphaluxa, com sede no Centro Cultural Brasil – Moçambique.

A ARTE DA KUVANINGA

A Kuvaninga cartão d’arte é uma editora moçambicana, sem fins lucrativos, criada a 10 de Maio de 2012, na cidade de Maputo, e a 27 de Julho do mesmo ano lança as suas primeiras duas obras.

A editora usa capas de cartão (papelão reciclado, retalhos de tecido e outros) para cobrir o miolo através de uma linha, um processo feito manualmente.

Durante os sete anos de existência, a editora já publicou 24 títulos, entre poesia, contos, romance, drama, crónicas e ensaios de autores moçambicanos e estrangeiros.

Trata-se de um processo que para além de estimular novos escritores através da oportunidade dos autores emergentes participarem, leva à consciência da preservação do meio-ambiente, através do reaproveitamento do papelão, como também ensina a amar o belo e a estética através da pintura do papelão e a promoção da actividade artesanal.

 

Domingo será um dia solidário, no Estádio da Machava, província de Maputo, afinal clubes de futebol lá vão encontrar-se para angariar fundos a favor das vítimas do ciclone Idai. De Portugal, a solidariedade vai manifestar-se com música, num evento marcado para Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto, na cidade de Lisboa.

De com uma comunicação publicada pela Galeria Zé dos Bois, no seu Facebook, ontem à noite, a tarde de domingo servirá para partilhar música, num gesto de encontro solidário com concertos, DJ sets e trabalhos de artistas, cujo lucro reverterá na íntegra para o auxílio da população moçambicana.

Ainda de acordo com a fonte, “todos as contribuições e donativos serão entregues ao Grupo Unidos pela Beira, cujo trabalho na recolha de bens de primeira necessidade, bem como de medicamentos, se tem revelado significativo na minimização dos efeitos da catástrofe”.

Entre os músicos já confirmados para o espectáculo solidário, destaca-se a moçambicana Selma Uamusse, autora do álbum Mati (do rhonga, água) recentemente apresentado ao público nacional na cidade de Maputo. Com a artista moçambicana estarão tantos outros, como a fadista portuguesa Gisela João, Bruno Silva, Cátia Sá, Genes, Jasmim, Luna Pena, entre outros.

 

Em Maio, realiza-se a terceira edição do Resiliência III, festival literário programado para o Camões – Centro Cultural Português, na cidade Maputo, e que contará com a presença do Prémio Camões 2018, o cabo-verdiano Germano Almeida, autor do célebre Os dois irmãos.

A iniciativa da editora Cavalo do Mar Cavalo do Mar, coordenada pelo poeta e editor, Mbate Pedro, nesta terceira edição, vai durar três dias, 7, 8 e 9 de Maio, e irá juntar 40 intervenientes da indústria do livro provenientes de diversas latitudes.

Ora, de Moçambique, estão confirmadas as presenças de Luís Carlos Patraquim, Paulina Chiziane, M. P. Bonde, Pedro Pereira Lopes, Énia Lipanga e as ensaístas Sara Jona e Ana Mafalda Leite. Além de Mafalda Leite e Patraquim, do estrangeiro vêm mais autores, nomeadamente: Válter Hugo Mãe, António Carlos Cortez, Ondjaki, José Luís Mendonça, Gisela Casimiro e o já anunciado Germano de Almeida.

O evento comportará mesas redondas, lançamentos de livros, recital de poesia, oficinas de escrita e música, para além de uma feira de livro.

“Mobilidade e criação artística” é o lema central desta edição que pretende embarcar na discussão sobre os trânsitos e as pontes que se podem construir a nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A grande pretensão da organização é tornar o Festival Resiliência no maior evento de literatura do país, com celebração da literatura e do livro e reflexão sobre os desafios do acesso ao mesmo. De igual modo, segundo um comunicado da organização, pretende-se com a iniciativa avaliar as dinâmicas existentes na distribuição do livro e as inúmeras barreiras editoriais num contexto social e económico difícil, onde as palavras do dia são resistir e inventar, criando utopias e sonhos.

A 27 de Março de cada ano, celebra-se o Dia Internacional do Teatro. A fim de dar eco à efeméride, o actor brasileiro, Expedito Araújo, realiza, de 25 a 30 deste mês, na capital do país, a Primeira Semana do Teatro do Centro Cultural Brasil-Moçambique. Para o efeito, foram convidados seis grupos teatrais, os quais vão exibir seus espectáculos.

No dia inaugural, quando forem 18h30, será eapresentada a primeira peça do ciclo, intitulada Mar me quer, da autoria do Grupo Girassol. Adaptada do original de Mia Couto, a obra teatral é uma história de amor, entre a enigmática Luarmina (Albertina Guilaze) e o galanteador Zeca Perpétuo (Horácio Mazuze). Estreada em Luanda, capital angolana, a peça com encenação de Joaquim Matavel mereceu uma temporada no Teatro Avenida, nos finais do ano passado.

Sempre às 18h30, no dia 26 sobe ao palco o grupo Mintsu, para estrear a obra Padecer das rosas, inspirada em Rosa Xintimana, de Aldino Muianga. Em 54 minutos de duração, a peça com direcção e dramaturgia de Emerson Mapanga retrata os dramas enfrentados pela mulher, quando, nos casos de infertilidade de um casal, vê-se obrigada a arcar com as consequências. Seis actores representam neste espectáculo, nomeadamente, Armando Mazoio, Arsénio Tchavango, Francisco Balói, Gerson Mbalango, Ramadan Matusse e Rodrigues Jalane.

 

No dia 27, Hamlet Machine é a razão que junta Expedito Araújo e Melanie de Vales, para uma leitura do texto do dramaturgo alemão Heiner Muller. “A peça foi escrita em 1977 e inspirada em Hamlet, de William Shakespeare, com uma breve sátira ao homem máquina dos dias de hoje, a partir do contexto do Hamlet shakesperiano. Em formato de leitura dramática será apresentado pelos actores Expedito Araújo e Melanie de Vales”, avança a organizção.

GrowUp será o quarto grupo teatral a apresentar-se, com o espectáculo Comédias da vida privada, adaptado do livro do escritor e cronista brasileiro Luís Fernando Veríssimo, por Alberto Manoel. A obra teatral é uma ventura pelo quotidiano da família, dos casais, com atençao aos casos de infidelidade. Aqui, o trágico e o cómico estão entrelançados. O espectáculo conta com o seguinte elenco: Anna Fernandes, Halima Izidine, Isabel Taborda, Joana B, Lara Faria, Lélio Gungulo, Mar Correia, Marcelo Marchesi, Mariana Gasparr e Rassula Santos.

O Grupo Cultural Hanya Arte também terá sua oportunidade. No caso, dia 29. Dentro da pequena colina é a proposta que será apresentada pelo grupo. A peça é dirigida e adaptada por Maria Clotilde, do texto original de Martin Crimp. Sobre a história, adianta uma nota do curador: “No período eleitoral, o presidente não mede esforços para convencer a multidão a depositar o seu voto nele, porém, entre o ser eleito e a tomada de posse a multidão exige ao candidato que extermine os ‘ratos’.  Um pacto é feito entre o presidente e o estrangeiro. A acção é executada mas o pagamento não.  Consequentemente, há cobranças, há sumiço, há sangue e há vingança”. Dentro da pequena colina conta com participação de Cesária Vuende, António Sitoe, Chris Langa e Valgy Congolo (na música).

Por fim, o Grupo de Teatro do CCBM vai apresentar A pequena princesa. Esta será a única peça com horário matinal, 11 horas. Todas as restantes serão exibidas às 18h30. Do escritor brasileiro Leandro Franz, a peça é uma história baseada n’O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, mas com uma interpretação modernizada. A peça conta todo o percurso feito pela Pequena Princesa para descobrir uma amizade verdadeira. No elenco, integram Chana Benje, Diana Muianga, Florêncio Paulo, Jéssica Garbo, Jujuba, Káwany, Lacimane Láurence, Mércia Castelo, Mindo Quehá, Rivaldo Mumguambe e Socá Muianga.

A iniciativa a realizar-se no CCBM vai decorrer com o lema “Teatro e diversidade: a dimensão humana”, e, segundo Expedito Araújo, pretende ser algo de aglutiniador, uma oportunidade de os grupos que pensam diferente poderem expor-se de forma unidade. Daí, acredita o curador, os actores não só vão interagir entre si como também poderão reflectir sobre possibilidades de levar sempre o teatro à rua, com destaque para os bairros suburbanos.

 

 

 

 

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