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O País – A verdade como notícia

10ª edição do Festcoros, sete grupos na final. A grande ventura, já se previa no Cine Scala, coube ao grupo coral Polifonia, vencedor do concurso realizado pela Stv em parceria com a Mozal. Em virtude de ter sido o primeiro classificado, Polifonia encaixou 250 mil meticais, numa gala deveras concorrida.

A segunda classificação foi conquistada pelo grupo coral da PRM, tendo, por isso, sido distinguido com 150 mil meticais. E não se ficou por aí. Esta edição laureou mais dois grupos com 50 mil meticais. O primeiro, Juventude da Betsaid, completou o pódio ao ocupar a terceira classificação. O outro grupo, da Escola Superior de Jornalismo, ficou com o prémio de Melhor Indumentária.

Já em quarto, quinto, sexto e sétimo lugar ficaram, respectivamente, os grupos: Escola Superior de Jornalismo, Siloé, Unidos em Cristo e Missão do Continente Africano.

Na derradeira gala desta 10ª edição do concurso foram, igualmente, distinguidos os membros do júri, com uma certificação de honra atribuída pela organização. A razão tem que ver com o facto de Hortêncio Langa, Isabel Mabota, Arão Litsure e Teresa Chiziane contribuírem para o fortalecimento dos grupos que há 10 edições têm participado no maior concurso de canto coral do país. Para o júri, o tributo prestado na gala final não só foi oportuno como foi revestido de muito simbolismo.

Além dos grupos finalistas, a gala que decorreu na tarde deste domingo, no Cine Scala, na cidade de Maputo, foi iluminada com actuações de grupos e cantores convidados, como é o caso do coral Wunanga, a quem coube abrir o espectáculo. Wunanga apostou em ecoar ao auditório o tema “África”, mesmo a condizer com o dia do continente, celebrado na véspera.

À semelhança de Wunanga estiveram também como convidado Coral da Polícia Municipal, dos TPM e os Madjaha Ya Kutsaka. Este, constituído por rapazes apenas, conciliou o canto coral com a dança tradicional Xigubo, do sul do país.

Quanto aos cantores, pisaram o palco do Festcoros Helena Rosa, Nordino Chambal, Humberto Luís e Marllen. A “Preta Negra” interpretou dois temas, o suficiente para deixar os concorrentes e os espectadores todos misturados, a cantarem numa só voz. Ou grito. Seja como for, lá se ouviu qualquer coisa como “Taratara” e parece que Marllen não se se importou com a desafinação. Ou afinação. Lá cantaram todos, no espectáculo que teve a presença do representante da Mozal, o parceiro da iniciativa da Stv. Para Mateus Mosse, o Festcoros é um espaço de união, de valorização e promoção da cultura moçambicana, daí a satisfação da sua instituição em contribuir para que mais grupos corais se fortaleçam com momentos de troca de conhecimento.

Portanto, passadas quatro horas, a última gala da 10ª edição do Festcoros, transmitida em directo pela Stv, chegou ao fim, tendo o grupo coral Polifonia como grande vencedor. Nem mais: “Glória aos vencedores e honra aos vencidos”.

Na próxima terça-feira, Juvenal Bucuane vai receber um galardão que lhe reconhece o título Poeta do Ano 2019, pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), e um diploma de Membro Honorário da organização, em Lisboa, Portugal. 

Segundo o CEMD, Juvenal Bucuane é o poeta do ano porque possui vasta obra publicada e de qualidade indiscutível, daí ter obtido consenso na escolha. Assim, o poeta e escritor receberá o galardão no próximo Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora (EEMD) que decorrerá na capital portuguesa próxima semana.

O reconhecimento do CEMD a Juvenal Bucuane acontece um mês depois do autor ter lançado mais um título de poesia, no caso, em homenagem à esposa, pela editora Cavalo do Mar. Entretanto, além de Meu mar, último livro seu, Bucuane é autor de duas dezenas livros, tais como, na poesia: A raiz e o canto (1984), Requiem: com os olhos secos (1987), Segredos da alma (1989), Limbo verde (1992), Marco zero (2004), Epicentro (2005), O fundo pardo das coisas (2015), Meu mar (2018); e na prosa: Xefina (1989), Kumbeza (1997), A denúncia (2003), Sal da terra: histórias do nosso chão (2005), Zevo, O Miliciano (e outros contos) (2009), Crendice ou crença – quando os manes ancestrais se tornam deuses (2012).

O CEMD é uma associação sem fins lucrativos, sem qualquer orientação política, étnica, cultural ou religiosa. Com sede em Portugal, a associação pretende promover internacionalmente a literatura moçambicana no estrangeiro.

A cerimónia de distinção de Juvenal Bucuane, um dos nomes da Charrua, deverá realizar-se no Centro Cultural Galego.

 

A abertura da exposição aconteceu no dia 11 e a obra da artista moçambicana estará patente no Centro de Artes e Espectáculo, na Figueira da Foz, até a 04 de Junho.

“Quero falar’t” mar é um projecto com trabalhos datados de 18 de Julho de 2016, nos quais Suzy Bila procura entender no seu processo criativo a genealogia dos problemas actuais e as respectivas condições ontolo?gicas, com vista a incorporar, transformar e confrontar num jogo de metamorfose.

“A natureza que nos acolhe esta? no seu limiar, leva o seu tempo para fazer eco no nosso corpo, porque estamos absorvidos na nossa intimidade. Mas quando estivermos infinitamente em simbiose, partilharemos o silêncio, de quem ja? chora, nesse instante, escutaremos o seu apelo. Como um segredo”, afirma Suzy Bila, quando se refere à exposição, defendendo que e? imperioso repensar-se o processo interno de construção, olhar-se o outro, o seu contexto e dele projectar-se um conhecimento mútuo.

Segundo entende a artista moçambicana residente em Portugal, actualmente, o mundo vive ao ritmo das grandes inovac?o?es tecnolo?gicas, o que contribui para se gerar sociedades complexas de interesses pluralistas antropogénicos e cada vez mais inumanas. Assim, no dia?logo com o outro que Suzy Bila estabelece por via das artes plásticas, é sua convicção, “encontraremos novas formas de escutar e significar o mundo, como seres conscientes dos seus problemas reais, criando mundos dentro de outros sustenta?veis”.

Maria Suzete Bila nasceu a 23 de Agosto de 1974, na cidade de Maputo. Em 1998, frequenta curso de Pintura no Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.co), onde permaneceu cinco anos. No encontro com obras de outros autores, liberta-se de algumas influências tradicionais do país de origem e cria a sua identidade artística. Em 2018/19, é Doutorada em Educação e Arte, num doutoramento conjunto entre a Universidade do Porto e a Universidade de Lisboa. A sua dissertação esboçou-se sobre as melhores estratégias para motivar a descoberta de arte na educação pré-escolar, “Como motivar a descoberta de arte na creche”, e levou-a a intervir com estratégias inovadoras na creche.

Suzy Bila é autora das seguintes individuais: “Nua e crua” (CCBM, Maputo, 2019), “A (R)MA O TEMPO” (Casa Museu Bissaya Barreto, 2015), “NÃO-SEI-QUÊ” (Galeria MAKALA, Lisboa, 2011), “REFLEXOS” (Centro Cultural Portuguêsês, Maputo, 2007), entre outras.

 

 

Os filmes etnográficos da antropóloga Margot Dias vão lançar a 4ª Edição do Festival Raiz, um evento que pretende prover a diversidade cultural enraizada em Moçambique promover ainda a valorização e reflexão em torno do património sociocultural moçambicano, reflectindo, igualmente sobre a tradição e suas transformações.

Este evento que marca o lançamento da programação a caminho do Festival Raiz 2019, vai realizar-se esta quinta-feira, às 18h30, no espaço 16Neto, em Maputo, com a mostra de importantes filmes para a compreensão de aspectos identitários do povo makonde, desde a sua emblemática actividade artesanal aos sistemas de parentescos.

A obra etnográfica de Margot Dias, realizada em Angola e Moçambique entre 1956 e 1961, no contexto das “Missões de estudos das minorias étnicas do ultramar português”, dirigida pelo antropólogo português Jorge Dias, seu marido, é considerada uma das primeiras utilizações do filme etnográfico no âmbito da antropologia portuguesa.

Ao lado do marido, Margot Dias, acompanhou os estudos que resultaram na publicação de quatro volumes de “Os Macondes de Moçambique” onde trouxe uma abordagem sobre o que considerou “tecnologias tradicionais”, referindo-se à cerâmica e cestaria, mas também uma análise aos ritos de iniciação.

Foi nesse contexto que Margot Dias, segundo o testemunho da própria, decidiu filmar os encontros e cerimónias como instrumento de apoio e auxílio à futura etnografia escrita, à semelhança do que sucedeu com os registos sonoros, destinados ao estudo da música e da língua.

De nacionalidade alemã, Margot Dias nasceu a 4 de Junho de 1908 em Nuremberga e viria a perder a vida em aos 93 anos em Oeiras, Portugal. Tinha diploma do Curso Superior de Música da Academia Nacional de Música em Munique.

 

Fotojornalismo é importante quando a fotografia transmite fielmente a realidade.

O filósofo e professor, Dionísio Bahule, estreou-se esta terça-feira como escritor, com o lançamento do livro "Fotojornalismo ou A Gramática das Sensações". Uma obra onde o estreante aborda com profundidade a sua visão sobre o fotojornalismo, dissecando sobre a história do fotojornalismo no mundo desde o surgimento da mesma no século 19 até a actualidade.

Bahule, não tem dúvidas que o seu livro vai servir de instrumento para que os amantes de fotojornalismo compreendam a área em que escolheram. Em entrevista ao jornal O País, o escritor disse que a imagem fala muito mais que palavras e complementa aquilo que o jornalista ou quem tirou a fotografia vai dizer.

"Quando nós pensamos em fotojornalismo, pensamos na conjugação entre a imagem e apalavra. Mas para se chegar até aqui temos que voltar ao século 19 com o surgimento da fotografia e do cinema. E eu volto um pouco antes de Cristo que é onde para mim começa a problematização sobre a verdade com duas grandes figuras, a primeira que é Protágoras e a segunda Gorjes. O primeiro diz que a verdade é relativa, ele nega a universalização da verdade quando diz que o homem é a medida de todas as coisas. E o segundo vai dizer que não existe a verdade, porque quem vê uma coisa e depois pretende reproduzir verbalmente ele nunca e jamais saberá dizer fielmente o que ele viu, ou vai acrescentar ou vai suprimir. Portanto este é o pretexto sobre o qual o fotojornalismo vai surgindo, e é isso que eu quero trazer", disse o escritor.

Dionísio diz que o fotojornalismo tem a função de dar credibilidade ao facto, tornando assim o leitor um sujeito activo.

"O fotojornalismo é este pretexto de buscar a verdade no sentido objectivo, afinal de contas quando a fotografia surge ela rompe com as artes plásticas, porque até às vanguardas europeias, as artes plásticas eram tidas como aquelas que visavam trazer a superfície uma verdade imagética e realística, mas quando a fotografia surge, ela quebra com a obsessão das artes plásticas como aquilo que vai buscar o retrato fiel", acrescentou Bahule.

O escritor reprova o conceito de sensacionalismo e espectacularização dos factos no fotojornalismo. Bahule diz que o objectivo principal do fotojornalismo é trazer uma conjugação fiel, objectiva, lógica e epistémica entre a verdade enquanto lugar imagético, e a verdade enquanto um lugar de discurso.

 

 

 

Logo à noite, o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Jens Frølich Holte, de visita oficial a Moçambique, vai participar, com a direcção do Teatro Avenida, de uma sessão cultural, quando forem 18h00. O evento vai realizar-se no espaço Sabura – Centro Cultural – Escola e Museu de Teatro, na cidade de Maputo.

Nesta vinda à capital moçambicana, o chefe da diplomacia norueguesa vai inteirar-se das actividades artísticas e culturais em geral que são levadas a cabo pelo Teatro Avenida, quer na cidade de Maputo, quer ao longo do território nacional, com especial apoio da Noruega. Para o efeito, Manuela Soeiro, Directora do Teatro Avenida, fará uma dissertação abrangente sobre a cooperação Moçambique-Noruega em vários campos ao longo de três décadas de parceria entre os dois estados.

De igual modo, o encontro entre o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega e a direcção do Teatro Avenida, num compromisso de caris artístico-cultural, vai servir para se apontar os passos que aquele país da Europa do Norte tem dado no processo de garantir o desenvolvimento no domínio económico, político, social e cultural, internamente e no mundo.

A cooperação entre Moçambique e Noruega não é algo novo. Depois da proclamação da independência nacional, de Oslo vieram apoios para artistas e grupos nacionais. O Teatro Avenida, por exemplo, produziu diversas peças a apelar à protecção dos moçambicanos, logo a seguir a guerra que assolou o país, recorrendo-se a peças que versavam sobre o perigo das minas, com apoio da Noruega. Através do projecto “Moçambique, Quero-te” adaptado da obra de Gulamo Khan, o Teatro Avenida produziu a peça teatral “Vestir a Terra” em 10 línguas bantu, permitindo deste modo que a mensagem chegasse a todo o País.

Actualmente, a continuidade dos projectos do Teatro Avenida tem na Noruega um dos principais parceiros.

 

A cidade de Maputo acolhe a partir do dia 27 de Maio até 01 de Junho a segunda edição de Encontro de Culturas. O evento vai reunir artistas de vários países com objectivo de promover diversas manifestações culturais.

Durante uma semana, os artistas vão exibir peças teatrais, filmes e haverá exposição de gastronomia, pintura e obras literárias. O programa inclui ainda debates sobre as diversas manifestações culturais e espetáculos musicais.

O Ministério da Cultura e Turismo, organizador do evento, avança que já se inscreveram, até ao momento, 13 países e espera que o número venha a aumentar.

O Segundo Encontro de Culturas vai decorrer sob o lema: “A cultura Unindo Nações, promovendo a paz e o desenvolvimento socio-económico”.

 

Entre os dias 24 de Maio e 23 de Junho realizar-se-á 16ª edição do FITI – Festival Internacional Teatro de Inverno, com a participação de 25 grupos de teatro.

O evento organizado pela Associação Cultural Girassol vai acontecer todas as sextas, sábados e domingos a partir das 18.30h, no Cine Teatro Gil Vicente, Centro Cultural Brasil-Moçambique, Teatro Avenida e Centro do Teatro do Oprimido. A Edição do FITI deste ano será constituída por três agendas: FITI Teatro, FITI Papu Kultura e FITI Homenagens.

Além dos grupos de teatro nacionais, no FITI Teatro irão desfilar grupos convidados de Angola, África do Sul, ESwathini, Portugal, Espanha e Brasil. De acordo com a organização, à semelhança da edição passada, personalidades do teatro que se destacam na sua promoção e divulgação serão homenageados.

A presente edição do Festival Internacional Teatro de Inverno é de carácter demonstrativo, tendo como objectivo a divulgação do produto artístico dos grupos, a troca de experiências e a capacitação dos actores.

O FITI – Festival Internacional Teatro de Inverno é uma iniciativa da Associação Cultural Girassol que teve o seu início em 2004 com o objectivo de apoiar os grupos amadores de teatro através da divulgação do seu trabalho artístico, associativismo cultural e formação de actores, tendo inicialmente sido de carácter competitivo.

Um balanço à edição do passado ano de 2018, indica que o Festival Teatro de Inverno movimentou cerca de 250 artistas entre actores, actrizes, dançarinos e músicos, tendo registado uma assistência de pouco mais 3.000 pessoas que durante quatro finais de semana afluíram aos locais de realização dos espectáculos.

 

Está agendado para esta sexta-feira, às 20h30, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, o lançamento do novo álbum de Isabel Novella, num espectáculo que vai juntar artistas de Moçambique, Ilha Reunião e Quénia. Na verdade, o evento vai marcar a abertura oficial do Festival Azgo, segundo a nota do CCFM, num espírito de “boas-vindas” para o público.

Do Quénia, vem a banda Maia and the Big Sky, um colectivo de música de Nairobi liderada pela cantora e compositora Maia. Maia and the Big Sky já se apresentou em vários festivais de renome pelo mundo fora, apresentando-se sempre com o seu som e espírito de alta energia. Sua música magnética em inglês e kiswahili tece vários ritmos africanos com soul e folk, criando uma familiaridade e calor que transcende os continentes.

Para completar o trio que estará em palco, da Ilha Reunião vem Lindigo, uma formação de jovens músicos, cheios de energia e orgulhosos da sua herança malgaxe. A música de Lindigo é um verdadeiro convite para viajar pelo coração da Ilha da Reunião através da Ilha Grande e da inevitável África, até às costas da índia, influências musicais que se fundem para desvendar o ritmo tradicional Maloya hipnotisante e irresistível.

Nesta quinta-feira, artistas, gestores, pesquisadores e comunidade académica de áreas sociais e académicas, juntam-se, na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane, para reflectir “arte e cidadania” no seminário Azgo Dialogar, no âmbito da 9ª edição do Festival AZGO.

Discutir a arte como uma possibilidade transversal dos processos de ensino-aprendizagem, que naverdade funcionam como um tipo de prática pedagógica de sensibilização dos indivíduos sobre os processos socioculturais é o ponto de partida e que ditou a escolha do tema “Arte e Cidadania”

 

 

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