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O País – A verdade como notícia

A telenovela brasileira Pega pega estreia hoje, na Stv. A produção brasileira é uma exaltação à moral e à decência e irá ao ar às 21 horas, de segunda a sexta-feira.

Em primeiro lugar, a nova telenovela das 21 horas, na Stv, é uma história sobre o que é certo fazer em situações de aperto e de aflição. Diante de uma crise ou de um conflito individual ou familiar, certas personagens terão de escolher o que é certo fazer para, por exemplo, resolver um problema.

No enredo de Pega pega há um roubo inesperado de 40 milhões de dólares do cofre de um luxuoso Hotel, local importante para os acontecimentos, o que muda e condiciona a vida de várias personagens. Logo, Pega pega é uma história sobre a honestidade, a ambição, o bom senso, a lealdade aos sentimentos e às pessoas que justificam esses mesmos sentimentos. No enredo, fundamentalmente, a moral e a decência estão representadas através das escolhas das personagens, cruzando-se de forma recorrente.

Entre o crime que muitas vezes condiciona o destino e a sobrevivência dos que estão na trama, encontram-se personagens interpretadas por actores bem conhecidos pelos telespectadores moçambicanos que vêem telenovelas na Stv. Entre eles, Marcelo Serrado, Milton Gonçalves, Ângela Vieira, Vanessa Giacomo, Nanda Costa, Thiago Martins, Guilherme Weber, Nicete Bruno e Mateus Solano, que interpreta o papel de Eric Ribeiro. “Em Pega pega, Eric Ribeiro irá aprender a ser mais humano, a ser menos um homem de negócio e a ser um homem que deixa o coração falar”, disse Mateus Solano, um dos protagonistas da telenovela.

Pega pega é uma história engraçada, dramática e policial, que, igualmente, tem o amor no centro da narrativa. As personagens são muito bem-humoradas e divertidas. Ainda assim, conseguem tecer uma narrativa que coloca o telespectador a perguntar-se se vale a pena roubar para se resolver uma situação grave.

Os acontecimentos da telenovela Pega pega passam-se em dois universos. Primeiro, Copacabana, meio rico. Segundo, nas vilas da Tijuca, onde moram a maior parte do hotel luxuoso que funciona como local importante da trama.

Maputo, Gaza e Inhambane são as três províncias do Sul do país que se vão beneficiar da primeira fase do ciclo de capacitação destinado aos profissionais do sector cultural. A acção de carácter nacional é levada a cabo pelo Ministério da Cultura e Turismo e pela Embaixada da França em Moçambique no âmbito do Fundo de Solidariedade para Projectos Inovadores (FSPI), sociedade civil, francofonia e desenvolvimento humano.

O programa, avança o Ministério da Cultura, visa colmatar o problema da frágil capacidade técnica por parte de um significativo segmento de gestores públicos e privados, entre eles artistas, produtores, promotores e empresários. Fundamentalmente, o ciclo de capacitação tem como principal objectivo melhorar as competências técnico-científicas destes profissionais.

Ao todo, são cerca de 200 profissionais que estarão envolvidos nas capacitações.

No Sul país, o ciclo arrancou esta segunda-feira e irá decorrer até dia 29.

Na segunda fase, as capacitações seguirão para o Centro do país, onde terão lugar na Cidade da Beira (4 de Julho a 13 de Julho).

Por fim, o Norte do país irá receber as capacitações em Nampula (18 a 27 de Julho de 2022).

 

Por Sandra Sousa

University of Central Florida, USA

 

 

Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura, o novo livro de Almiro Lobo em conjunto com Teresa Manjate, publicado pela editora Alcance, reúne, como os próprios coordenadores indicam na “Nota Explicativa,” textos de diversa índole (prefácios, textos de apresentação em cerimónias de lançamento, comunicações em conferências, congressos, reflexões, etc.) sobre Literatura Moçambicana, seja ela considerada sob pontos de vista teóricos e mais abrangentes, seja centrando-se em autores e obras moçambicanos específicos. Estes textos de incursão pela narrativa, pela poesia (veja-se, por exemplo, os textos sobre Guita Jr, Luís Carlos Patraquim, Lica Sebastião, Craveirinha) e dramaturgia (veja-se o texto sobre Lindo Lhongo) literária moçambicana têm a virtude de serem escritos com uma perspectiva “de dentro,” ou seja, foram produzidos pela mão de professores de Literatura da Secção de Literatura e Cultura da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. Virtude ainda porque na reunião destes textos se dá mais um passo no enriquecimento da crítica literária moçambicana em Moçambique. Explico-me melhor: para o olhar “de fora” este é um momento de extrema alegria, pois vê-se reconhecido um conjunto de professores que não descuram o seu papel de críticos literários e da importância que o seu contínuo trabalho tem para que um sistema literário nacional se consolide, sistematize e visibilize, tanto dentro como fora das suas fronteiras físicas.

A profusão de temas discutidos e analisados nas páginas destas “trajectórias” daria certamente pano para que mais um livro fosse escrito, tal é a riqueza do conteúdo que aqui encontramos. Restringir-me-ei a mencionar de leve alguns, na expectativa de aguçar o apetite para a sua leitura na totalidade que, posso desde já atestar, contribui para um aumento do conhecimento da ficção e intelectualidade moçambicanas, essencial e cada vez mais necessário para as mentes do século XXI demasiado dispersas em actividades superficiais.

Um desses temas aqui discutidos é o do cânone literário moçambicano ou do cânone literário em Moçambique, discussão com que a presente colectânea abre as suas páginas, decerto não sem um propósito intencional por parte dos coordenadores, através da inclusão de uma apresentação de Lucílio Manjate de três livros que sobre tal assunto se debruçam. Assunto controverso que passa pelo debate sobre a nacionalidade literária e se revela um “espaço de ambiguidades teóricas e práticas provavelmente insolúveis” (8) e no qual a crítica (e obviamente outros factores), que em Moçambique se tem revelado, de acordo com Lucílio Manjate e outros, perversamente silenciosa, tem um papel de peso. Daí a relevância e virtude de Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura cujo objectivo é também um apelo revelado nas palavras de Teresa Manjate num outro texto incluído na colectânea, ou seja, “a necessidade de restaurar o papel da crítica literária que se pretende mais robusta, com espaços igualmente fortes que possam enobrecer o trabalho de muitos actores [escritores] que podem, em virtude deste marasmo, cair no esquecimento, sob pena de outras gerações, as futuras, obviamente, questionarem não sem razão esta apatia e, sentença de morte a objectos (obras) e sujeitos (autores) nossos contemporâneos” (89). Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura tem, a meu ver, esse papel de extrema significância: contribuir para a consolidação do cânone literário moçambicano através da abertura desse espaço à crítica, quebrando o silêncio e abrindo voz a outras trajectórias. Seria de lamentar que a crítica literária moçambicana não aproveitasse esta ocasião para se expandir e revelar em toda a sua exuberância e qualidade como nos revelam os textos de mérito intelectual aqui reunidos.

A discussão em torno do cânone, e da crítica, leva-nos a outro tema de peso presente em diversos dos textos destas trajectórias de escrita e leitura, o da memória, ponto fulcral das obras de muitos, senão todos, os escritores moçambicanos de grande envergadura, tais como José Craveirinha, Paulina Chiziane, Mia Couto, Ungulani ba ka Khosa, João Paulo Borges Coelho, Aldino Muianga, para mencionar apenas alguns. De facto, a literatura moçambicana passa recorrentemente por essa “recomposição da memória do nosso passado” (43), citando as palavras de Almiro Lobo num dos textos incluídos na colectânea. Esse passado é recriado pelos escritores em obras ficcionais numa relação sedutora com a História do país que se invoca, relata, transforma e transfigura  através do acto criador da palavra, de forma a fazerem e transmitirem sentido sobre as diversas e, por vezes, contraditórias narrativas sobre a nação. É um processo indispensável para a identidade cultural de um país saído de trágicas guerras, para não mencionar, a situação de dependência colonial, em caminho da união, crescimento e entendimento de si mesmo. A recuperação e manutenção das memórias individual e colectiva surge aqui ainda discutida como oportunidade para dar liberdade a outras formas, marginalizadas estas, de se olhar para o passado, viabilizando, deste modo, um espaço de igualdade e formação de novas utopias.

Utopia, tema que igual e insistentemente perpassa as páginas deste livro é, de forma unânime, encarada como estando morta, tendo ficado enterrada nesse passado que se desamarrou das garras coloniais e apenas na memória de alguns que lhe sobreviveram e que por ela anseiam; assim como morta, ou adormecida, parecia estar, a certo momento, a literatura moçambicana. Mas, como sabemos, o povo moçambicano é um povo caracterizado pela resiliência e Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura é prova disso mesmo: um livro sobre livros. Mais do que qualquer outra coisa, este é um livro de resistência. Resistência de um conjunto de críticos que não entregam as suas armas (canetas, teclados de computador, folhas de papel) em prol do futuro de uma nação que se vai costurando com “velhos” e “novos” escritores, em que uns e outros acreditam que sem literatura um povo jamais se pode imaginar e, portanto, recriar e seguir rumando a um futuro mais justo.

Os textos incluídos na colectânea demonstram tanto uma sensiblidade na escrita e na análise como uma acessibilidade de leitura a um público mais vasto.Trajectórias de Leitura é, deste modo, um livro de leitura indispensável, que terá certamente de fazer parte não apenas de estantes pessoais como integrar o currículo das humanidades nas universidades moçambicanas.

 

Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura. Org. Almiro Lobo e Teresa Manjate. Maputo: Alcance Editores, 2022, 195 pp.

A telenovela brasileira Pega pega estreia esta noite, depois do Jornal da Noite, na Stv. A produção brasileira é uma exaltação à moral e à decência.

 

Em primeiro lugar, a nova telenovela das 21 horas, na Stv, é uma história sobre o que é certo fazer em situações de aperto e de aflição. Diante de uma crise ou de um conflito individual ou familiar, certas personagens terão de escolher o que é certo fazer para, por exemplo, resolver um problema.

No enredo de Pega pega há um roubo inesperado de 40 milhões de dólares do cofre de um luxuoso Hotel, local importante para os acontecimentos, o que muda e condiciona a vida de várias personagens. Logo, Pega pega é uma história sobre a honestidade, a ambição, o bom senso, a lealdade aos sentimentos e às pessoas que justificam esses mesmos sentimentos. No enredo, fundamentalmente, a moral e a decência estão representadas através das escolhas das personagens, cruzando-se de forma recorrente.

Entre o crime que muitas vezes condiciona o destino e a sobrevivência dos que estão na trama, encontram-se personagens interpretadas por actores bem conhecidos pelos telespectadores moçambicanos que vêem telenovelas na Stv. Entre eles, Marcelo Serrado, Milton Gonçalves, Ângela Vieira, Vanessa Giacomo, Nanda Costa, Thiago Martins, Guilherme Weber, Nicete Bruno e Mateus Solano, que interpreta o papel de Eric Ribeiro. “Em Pega pega, Eric Ribeiro irá aprender a ser mais humano, a ser menos um homem de negócio e a ser um homem que deixa o coração falar”, disse Mateus Solano, um dos protagonistas da telenovela.

Pega pega é uma história engraçada, dramática e policial, que, igualmente, tem o amor no centro da narrativa. As personagens são muito bem-humoradas e divertidas. Ainda assim, conseguem tecer uma narrativa que coloca o telespectador a perguntar-se se vale a pena roubar para se resolver uma situação grave.

Os acontecimentos da telenovela Pega pega passam-se em dois universos. Primeiro, Copacabana, meio rico. Segundo, nas vilas da Tijuca, onde moram a maior parte do hotel luxuoso que funciona como local importante da trama.

 

ÀS 16 horas de terça-feira, na biblioteca do Centro Cultural Português de Maputo, realizar-se-á a Apresentação Oficial dos Projectos financiados pelo PROCULTURA, em curso no país.

Segundo a nota de imprensa do Centro Cultural Português de Maputo, a cerimónia contará com a presença de representante do Ministério da Cultura e Turismo; do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal; e dos Embaixadores de Portugal e da União Europeia em Moçambique.

Ao todo, são 24 projectos beneficiados pelo PROCULTURA nos cincos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor Leste, nas áreas das Música, Artes Cénicas e da Literatura Infanto-juvenil, num total de 7.600.000€ (cerca de 500 mihões de meticais), que irão, ao longo dos próximos dois anos, contribuir para a criação de emprego adicional no sector cultural, e, simultaneamente, para a comercialização e internacionalização da produção artística, ao nível regional e internacional.

No país, estão em curso 10 projetos, implementados em Maputo, Inhambane, Niassa, Cabo Delgado e Nampula. Sete destes projectos, conforme a nota de imprensa,  são coordenados por entidades nacionais. Está ainda em curso o projecto de desenvolvimento de um pôlo de criação artística contemporânea, em Maputo.

As actividades enquadram-se no PROCULTURA PALOP-TL – Promoção do Emprego nas Actividades Geradoras de Rendimento no Sector Cultural nos PALOP e Timor-Leste, financiado pela União Europeia, co-financiado e gerido pelo Camões, I.P., e cofinanciado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Josefina Massango é a nova directora-artística do Cine Scala, na Cidade de Maputo. O grande desafio da actriz é explorar as potencialidades da infra-estrutura para promover diferentes manifestações artísticas.

 

Aos 14 anos de idade, Josefina Massango começou a frequentar o Cine Scala. Nessa altura, a adolescente fazia o que fosse possível para ver filmes. E, quando a regra do cinema a impedia de ver as longas-metragens destinadas a maiores de 18 anos, lá recorria ao guarda-facto das irmãs mais velhas para que, usando certas peças de roupas, umas biqueiras e uns ósculos escuros, parecesse mais crescida. Aliado a isso, o golpe de mestre: fazia-se acompanhar por uma pessoa adulta e, ao entregar o ingresso ao porteiro, evitar encara-lo nos olhos. Muitas vezes, esse truque deu certo e, assim, pôde acompanhar as várias produções cinematográficas do seu tempo.

35 anos depois de começar a frequentar aquele cinema localizado na Baixa da Cidade de Maputo, Josefina Massango recebe o convite para dirigir a componente artística do Scala. Por isso mesmo, a actriz confessa: “É uma honra estar nesta casa onde conheci as maiores alegrias em termos de cinema”.

Ao longo dos anos, de facto, o Scala foi sobretudo um espaço de promoção e divulgação da sétima arte. Desde os filmes cowboys americanos aos romances indianos, o Scala afirmou-se como um dos locais de referência na geografia da capital moçambicana, funcionando, inclusive, como uma janela aberta para o mundo.

Não obstante o foco no cinema, a gestão do Scala pretende, actualmente, aproveitar o espaço para promover as mais diversas manifestações artísticas. Por exemplo, dança, música, artes plásticas e, inclusive, teatro. “O teatro foi pouco explorado aqui, mas a intenção é, agora, explorar ainda mais essa arte, porque o espaço permite. Portanto, o projecto é convidarmos todos os artistas que queiram fazer alguma coisa no Scala”.

O Cine Scala foi construído em 1931, lá vão 91 anos. Actualmente, é gerido pela Associação Cultural Scala. A directora-artística anterior a Josefina Massango foi Chimene Costa.

Monólogos com a história é o título do novo filme de Sol de Carvalho, projectado em ante-estreia no Cine Scala, em Maputo. A ficção tem no elenco Horácio Guiamba e Abdil Juma.

Antes da COVID-19, Sol de Carvalho resolveu realizar um filme curto, mas que já considera o mais pessoal da sua carreira. Rodado em nove dias, em Inhambane, Monólogos com a história foi inspirado no texto “Diálogo à beira de uma sepultura”, do livro Mitos (histórias de espiritualidade), de Aldino Muianga.

Em geral, o novo filme de Sol de Carvalho é a história de um jovem que, depois de se formar no estrangeiro, recebe a notícia da morte do pai e sobre a herança de um grande espaço. Quando vai visitar o espaço, percebe que está tudo em ruínas. É nessa visita que se dá um diálogo com o pai falecido e com a sua própria consciência. “É um filme sobre o pensamento, que me deu enorme prazer de rodar num sítio espectacular, em Inhambane”, revelou Sol de Carvalho, esta quarta-feira à noite, no Cine Scala.

Rodado entre 2018 e 2019, Monólogos com a história tem no elenco apenas dois actores: Horácio Guiamba e Abdil Juma. Para ambos, foi especial estar num filme que também é sobre uma relação conflituosa entre um pai e um filho. “Eu fiquei muito feliz em interpretar esta personagem [Camilo, o filho], que é guiada pela voz do pai. Foi muito interessante visualizar, criar e construir a personagem”, disse Guiamba.

A história transversal ao cinema, com efeito, foi exigente para Horácio Guiamba porque teve de fazer muitos monólogos. Portanto, teve de sair da sua zona de conforto.

Já para Abdil Juma, que interpreta o papel de pai de Camilo (Horácio Guiamba), o filme representa a dignidade e a integridade de homens que são cada vez mais escassos no país, que não abusam das suas regalias. Segundo o actor, o filme é uma espécie de um ensinamento, que realça a importância de as pessoas servirem ao seu país sem tirarem proveitos pessoais disso.

Monólogos com a história tem 20 minutos de duração e deverá estrear em dois meses, no Cine Scala, em Maputo. Só depois irá entrar no circuito comercial.

Será inaugurada, próxima terça-feira, às 18h, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, a exposição O apetrechar do tempo, do artista Gonçalo Mabunda, com a participação especial do artista Francisco Vidal.

Depois da exposição Os Mabundas, de 2019, Gonçalo Mabunda volta a ocupar as salas do Camões com criações mais recentes, produzidas a partir do seu novo espaço de trabalho. Para projecto, segundo a nota de imprensa, foi convidado Francisco Vidal, um artista reconhecido pelas suas instalações de pintura traçando poderosas linhas caligráficas sobre telas de serigrafia, em cores vivas e variados esquemas cromáticos. Francisco Vidal deslocou-se propositadamente a Moçambique para participar neste projeto e criar também, em conjunto com Mabunda, uma obra/instalação reflexiva.

Segundo avança o Camões, a instalação referida interseta e promove o encontro entre linguagens e expressões distintas, que transitam da escultura para a pintura, e justapõem criações que se cruzam em vivências e inspirações cubistas de certa forma comuns, mas que se distinguem pela singularidade de percursos artísticos naturalmente distintos. A exposição, acredita o Camões, é uma oportunidade única para o público poder usufruir da colaboração entre os dois artistas estabelecidos e reconhecidos internacionalmente no mundo da arte contemporânea.

Para o Embaixador de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, “A exposição é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para podermos dar a conhecer ao público os novos trabalhos de Gonçalo Mabunda e observar o resultado deste feliz e inédito encontro que acontece em Moçambique entre estes dois magníficos artistas”, lê-se na nota de imprensa.

A iniciativa é organizada pelo Camões – Centro Cultural Português e conta com o patrocínio do Absa Bank. E, para Rui Barros, Administrador Delegado do Absa Bank Moçambique, “Apoiarmos a promoção da arte e da cultura tem sido um dos nossos compromissos e é com orgulho que nos juntamos ao Camões – Centro Cultural Português em Maputo na promoção desta exposição com dois artistas singulares que através da sua arte nos mostram como juntos podemos ir mais longe e que a criação do futuro que desejamos, para as gerações vindouras, são o reflexo das nossas acções hoje.”

O apetrechar do tempo ficará patente ao público até ao próximo dia 31 de Agosto na Galeria do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, de segunda a sábado, entre as 10h00 e as 17h00.

Monólogos com a história é o título do novo filme de Sol de Carvalho. Projectado em ante-estreia no Cine Scala, em Maputo. A ficção tem no elenco Horácio Guiamba e Abdil Juma.

 

Antes da COVID-19, Sol de Carvalho resolveu realizar um filme curto, mas que já considera o mais pessoal da sua carreira. Rodado em nove dias, em Inhambane, Monólogos com a história foi inspirado no texto “Diálogo à beira de uma sepultura”, do livro Mitos (histórias de espiritualidade), de Aldino Muianga.

Em geral, o novo filme de Sol de Carvalho é a história de um jovem que, depois de se formar no estrangeiro, recebe a notícia da morte do pai e sobre a herança de um grande espaço. Quando vai visitar o espaço, percebe que está tudo em ruinas. É nessa visita que se dá um diálogo com o pai falecido e com a sua própria consciência. “É um filme sobre o pensamento, que me deu enorme prazer de rodar num sítio espectacular, em Inhambane”, revelou Sol de Carvalho, esta quarta-feira à noite, no Cine Scala.

Rodado entre 2018 e 2019, Monólogos com a história tem no elenco apenas dois actores: Horácio Guiamba e Abdil Juma. Para ambos, foi especial estar num filme que também é sobre uma relação conflituosa entre um pai e um filho. “Eu fiquei muito feliz em interpretar esta personagem [Camilo, o filho], que é guiada pela voz do pai. Foi muito interessante visualizar, criar e construir a personagem”, disse Guiamba.

A história transversal ao cinema, com efeito, foi exigente para Horácio Guiamba porque teve de fazer muitos monólogos. Portanto, teve de sair da sua zona de conforto.

Já para Abdil Juma, que interpreta o papel de pai de Camilo (Horácio Guiamba), o filme representa a dignidade e a integridade de homens que são cada vez mais escassos no país, que não abusam das suas regalias. Segundo o actor, o filme é uma espécie de um ensinamento, que realça a importância de as pessoas servirem ao seu país sem tirarem proveitos pessoais disso.

Monólogos com a história tem 20 minutos de duração e devera estrear em dois meses, no Cine Scala, em Maputo. Só depois irá entrar no circuito comercial.

 

 

 

 

 

 

 

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