O País – A verdade como notícia

Por Valério Maúnde

Já lá se foram os tempos em que, para se fazer notar nos media, no meio profissional  e social, bastava o indivíduo ter um bom fato, sapatos polidos e um relógio Casio, ou, no caso das senhoras, uma bolsa Prada, biqueiras Cavalinho e um perfume que, por si, declara o seu preço. Hoje, só isso não chega, é preciso usar as palavras da moda.

Quem não se lembra da tão aclamada “conjuntura social”, dita pela primeira vez não se sabe bem por quem nem quando, mas que se espalhou rapidamente como rastilho de pólvora, ou talvez devesse dizer, pandemicamente, como um vírus tão mutável quanto as tendências e preferências lexicais da elite moçambicana.

Na altura em que a tal expressão estava em voga, os mais curiosos até pesquisaram o seu sinónimo e os dicionários apontaram termos como circunstância e situação. Por muito práticos que estes sinónimos fossem, pecavam pela falta de requinte e de notoriedade. É que ao dizer situação ou circunstância, ao invés de conjuntura, corria-se o risco de se parecer menos instruído e menos importante. Então choveram conjunturas por toda a parte até que os ouvidos se tornaram impermeáveis. Foi então que se sentiu a necessidade de se adoptar uma nova moda lexical.

Desta vez, a vítima foi o substantivo ‘resiliência’. Em pouco tempo, tornou-se tão popular que logo apagou o legado da sua antecessora. Há quem diga que faltou resiliência à conjuntura, mas isso é um debate para outro momento.

O facto é que este termo (resiliência) era mastigado e ruminado em praticamente todos os meandros sociais onde se reuniam os indivíduos (mais) estudados. Nos media, nos debates políticos e nos jornais, o apelo era igual: era-se preciso ser resiliente perante a crise financeira, diante dos desafios impostos pela pandemia e em toda a sorte de entraves sociais.

A sua aparição televisiva, tão frequente que era, fez que perdesse o seu estatuto elitista e se tornasse uma palavra possível de ser dita pelos indivíduos menos afortunados, tornando-se um lugar comum de pouco ou nenhum interesse.

O tempo mudou e, conforme o incontestável preceito Camoniano, as vontades também, aliás, o vocábulo da moda. A resiliência e a conjuntura deram lugar à afamada ‘sinergia’. É por isso que hoje, nas reuniões de planificação, aponta-se a sinergia como garante do sucesso da empreitada que se pretende iniciar. Nas reuniões de balanço, atribui-se o insucesso à falta dela. É sinergia para cá, no singular, são sinergias para lá, no plural. Há sinergia(s) em toda a parte.

Assim, para impressionar o senhor director e adubar o solo da promoção, não é preciso entender muito do assunto debatido ou ter alguma ideia extraordinária, muitos menos um infindável leque de adjectivos rebuscados, dirigidos ao chefe sem o mínimo sinal de acanhamento, mas, pelo contrário, com toda a vénia, júbilo e rigor, pela suposta forma pedagógica, exaustiva, oportuna, pertinente, clarividente, metódica, meritocrática, abnegada, inquestionável, inabalável e indelével como tem dirigido os destinos seja lá do que for. Não! Basta conhecer a palavra da moda. Basta mencionar uma tal conjuntura social que obriga à resiliência e a existência de sinergias entre os intervenientes do assunto em apreço e já está, logo se conseguem umas palmadas nas costas no fim da reunião e, quiçá, uma promoção antipedagógica, inoportuna, obscura, ametódica, nepotista e questionável.

 

Mas que importa o mérito, se aqui, na Pérola do Índico, vence quem está mais atento aos modismos linguísticos e os remata com a necessária precisão cirúrgica no momento mais propício?

 

A Pl’Arte D’Alma e o Museu Mafalala apresentam a primeira “Noite de Poesia” de 2022. O evento a ter lugar esta quinta-feira, dia 19, a partir das 18h00, no Museu Mafalala, acontece a pretexto da celebração dos 100 anos do maior poeta moçambicano José Craveirinha.

O evento contará com as presenças da escritora e empreendedora Tânia Tomé, do jornalista, jurista e poeta Tomás Vieira Mário, da comunicadora e declamadora Anabela Adrianópolis e do escritor Ricardo Santos; para além de uma roda de poesia com Adela Querol, Eduardo Quive, Énia Lipanga, Jessemuce Cacinda, Mabjeca Tingana, Nhezi Nhenhele entre outros.

Para além das actuações, o “Noites de poesia” terá, em exposição artesanato, gastronomia e livros das editoras Ethale Publisher e Kuvaninga. Nesta última, o destaque será para o livro “Crónicas de emergência”, de Elcídio Bila, lançado no dia 11, na celebração dos 10 anos da editora.

O evento vai contemplar também a mostra da residência artística denominada “Celebrar Craveirinha”, onde a literatura serviu de exemplo de cidadania e afirmação de identidades na periferia da Cidade de Maputo. A acontecer em Maio, no Museu Mafalala, a residência artística que junta participantes de seis províncias conta com a curadoria da artista moçambicana Lucrécia Paco e Eduardo Quive.

Este evento inaugura as “Noites de Poesia” para o ano de 2022 e um ciclo de eventos que vai culminar com a 4ª. edição do Festival de Poesia e Artes Performativas Poetas D’Alma que, este ano, como não podia deixar de ser, homenageia José Craveirinha a propósito dos 100 anos de idade que completaria no dia 28 de Maio se fosse vivo.

Recorde-se que, ano passado, o festival teve o Museu Mafalala como a sua principal “casa”, onde juntou mais 30 artistas – entre poetas e performers multidisciplinares – para celebrar o “Poder da oralidade”. Esta festa pelo “poeta-mor” não podia acontecer noutro sítio, visto que Mafalala é considerado berço da poesia moçambicana.

O Festival de Poesia e Artes Performativas Poetas D’Alma é uma iniciativa resultado de aproximadamente 20 anos do sarau Noites de Poesia, o maior e o mais antigo que acontece no solo pátrio, que todas as terceiras sextas do mês, religiosamente, juntava poetas, declamadores, músicos, artistas plásticos, sociedade civil e académicos em diversos espaços culturais em Maputo.

O Governo francês disponibilizou 600 mil euros para apoiar os sectores das indústrias culturais e criativas, musicologia e direitos do autor e conexos. De acordo com a ministra da Cultura e Turismo, o apoio é fundamental para o desenvolvimento do sector.

Foi recentemente aprovada, na Assembleia da República, a revisão da Lei dos Direitos do Autor e Direitos Conexos. A aprovação do instrumento, segundo a ministra da Cultura e Turismo, constitui um ganho para os artistas e para o sector da cultura em geral, mas ainda prevalecem desafios para a sua implementação.

“Não basta ter uma lei dos Direitos do Autor e Conexos aprovada se nós não tivermos mão-de-obra capaz de fazer a implementação desta mesma lei no âmbito da recolha dos direitos do autor”, afirmou Materula.

E é neste sentido que o Governo, segundo Eldevina Materula, mereceu apoio de 600 mil euros, cerca de 40 milhões de Meticais, que vão incidir sobre o sector das artes culturais e criativas, musicologia e direitos do autor e conexos.

“Escolhemos estas áreas, em específico, porque achamos ser importante e urgente resolver esta questão de recolha dos royalty, para que também haja mecanismos, do Governo e instituições privadas, de distinguir o artista profissional e o amador, e todos aqueles que cumprem com os seus deveres enquanto membros e fazedores da indústria cultural criativa”, disse Eldevina Materula.

É também urgente e breve, segundo Materula, a revisão da Lei do Mecenato.

Segundo a Ministra da Cultura e Turismo, a revisão do regulamento dos espetáculos e divertimento público está na fase final da sua agenda.

O escritor Hélder Muteia irá lançar, às 17 horas de hoje, o seu mais recente livro. A cerimónia de apresentação do romance Matoa, a febre do batuque irá decorrer no Boske, na Cidade de Maputo.

 

O novo livro de Hélder Muteia começa com uma morte, em Miguerrine, uma aldeia perdida no meio do imenso palmar da Província da Zambézia. Mal a história começa, o narrador revela que um homem suicidou-se à beira do rio. “Enforcou-se num galho horizontal de uma árvore frondosa da família dos salgueiros, localmente conhecida por Mukhandara”. Pior, o homem casara-se na véspera do suicídio com uma das mais belas donzelas da aldeia. A pergunta que se coloca, a essa altura do enredo, é: porquê no momento que deveria ser de satisfação, a personagem toma essa trágica decisão? Ao invés de uma resposta precipitada, o leitor terá de estabelecer uma relação entre a causa e o efeito, num jogo entre o suspense e a ansiedade.

Com a sua recente obra literária, Matoa, a febre do batuque, Hélder Muteia quis mergulhar na tradição da Zambézia, retirando de lá uma história com base real. Por isso, antes de se pôr a escrever sobre o que mal entendia antes do romance, teve de entrevistar a muita gente, inclusive curandeiros especializados no ritual/ doença da matoa. Claro, nem tudo foi-lhe revelado, pois, como em tudo, há certos segredos que apenas se podem partilhar com as pessoas de muita confiança. Ou seja, para que lhe fosse contado certas particularidades desse universo místico, o escritor foi convidado a forma-se como curandeiro. Porque a sua vocação não é essa, Muteia recolheu e cruzou informação de várias fontes, o que lhe custou 10 anos a amadurecer um projecto que, depois da pesquisa, ficou pronto em um ano. Quer isto dizer que Hélder Muteia investiu mais tempo a recolher informação do que propriamente a escrever. “Decidi partilhar esta história porque achei que pode ajudar os leitores a compreender as comunidades rurais, incluindo essa dimensão espiritual da nossa cultura. Realmente, a história começa com choque e os eventos não terminam aí. Pelo contrário, despontam tantos outros eventos. A história real, quando tomei conhecimento, emocionou-me muito”.

Para Muteia, Matoa, a febre do batuque é o somatório de muitas emoções, em geral, contraditórias, que simbolizam a relação pacífica do amor com as entidades poderosas, espirituais, que interferem no dia-a-dia das personagens e das pessoas. Paralelamente, Muteia pretende, através da ficção, mostrar que as comunidades rurais têm um conceito de felicidade que, em muitas ocasiões, não são perceptíveis logo à primeira a quem vive no contexto urbano. “Igualmente, o romance ajuda-nos também a perceber por que, certas vezes, as pessoas urbanas regressam ao campo, sua zona de origem, quando busca por um equilíbrio espiritual”.

Matoa, a febre do batuque é constituído por 279 páginas e o livro foi publicado pela Alcance Editores.

 

 

 

Entre 30 de Maio e 2 de Junho, o músico Radjha Ali irá actuar durante meia hora, no IOMMa (Indian Ocean Music Market – Mercado de Música do Oceano Índico), na Ilha Reunião. O evento reúne vários autores africanos.

Num intervalo de três meses, esta será a segunda vez que Radjha Ali irá apresentar-se num palco fora de Moçambique. Depois de actuar nos Emirados Árabes Unidos, em Fevereiro, agora chegou a vez da Ilha Reunião. Entre 30 deste mês e 2 de Junho, Ali terá a oportunidade de fazer o que bem pretende: representar a arte e a diversidade cultural do seu país. Por isso mesmo, mais do que ir ao IOMMa para cantar e dançar, o músico vê aí um enorme privilégio e uma enorme responsabilidade, afinal compreende que, neste excelente início de 2022, são boas as portas que se estão a abrir.

Nesta edição do IOMMa, Radjha Ali irá actuar durante meia hora. Informado sobre o rigor da organização do festival na gestão do tempo, o músico e a sua banda já seleccionaram os temas que irão interpretar. Mas não foi nada fácil escolher umas faixas em detrimento de outras. Assim, depois de ensaios literalmente cronometrados, as músicas seleccionadas são as seguintes: “Grito de socorro”, dedicada às vítimas do terrorismo em Cabo Delgado; “Ekoma tsowani”, uma espécie de louvor aos ritmos nacionais; “Mwanamwani”, uma música sobre casamentos prematuros; “Nthupi”, uma música folclórica que cresceu ouvindo em Nampula; “Mamã” e “Malaxi”.

A fim de interpretar as seis músicas da sua autoria, Radjha Ali far-se-á acompanhar pela sua banda: Amade e Nando Morte (percussionistas), Sílvio (guitarrista) e Sidney (baixo). Na mesma delegação, que parte dia 29 para Ilha Reunião, também estará o manager do músico: Paulo Borges. “Espero que, daquilo que preparamos, a nossa presença no IOMMa será um estrondo. Penso que será marcante e tenho a certeza de que as pessoas irão gostar. Acredito que as portas irão abrir-se para outros festivais, porque queremos mostrar a nossa riqueza cultural no estrangeiro”, afirmou Radjha Ali, esta terça-feira, frisando que irá levar a Ilha Reunião várias sonoridades moçambicanas. “Como militar, bebi sonoridades de todo o país, pois convivi com pessoas de todas as regiões de Moçambique. E isso está presente na minha música”.

A propósito do exército, se antes Radjha Ali cantava ocasionalmente na igreja, sem grandes pretensões, a partir de 2006, na tropa, percebe que a música era o seu destino. “Foi lá que eu tive o primeiro grande contacto com canto e com a dança”.

No exército, Radjha Ali especializou-se na Força Aérea. Mais tarde, foi transferido para Escola de Música das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Lá, inclusive, teve um convite para integrar a banda de um colega militar, mas, nessa altura, sem muito tempo, não foi possível. Seja como for, Ali tomou o gosto de profissionalizar a sua arte e, por via disso, matriculou-se na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane. Tirou o curso de  Música e, agora, está mais do que preparado para exportar uma excelente imagem da arte moçambicana na edição 2022 do IOMMa.

Radjha Ali nasceu na década de 80, numa família de classe média, no Distrito de Muecate, em Nampula. Além de cantar, formou-se em música e teologia e é chefe de cozinha. Em 2020, venceu um really show numa televisão nacional. Desde então, nunca sequer pensou em interromper o seu percurso musical. Em Fevereiro deste ano, representou Moçambique, a convite do Ministério da Cultura e Turismo, na Expo Dubai.

 

SOBRE IOMMA

O Mercado de Música do Oceano Índico (OIMMa) tem apoiado, desde 2011, profissionais do sector da música para destacar as potencialidades da Ilha Reunião e do Oceano Índico. O OIMMa tem como objectivo conectar os delegados internacionais. O evento também promove workshops, encontros profissionais e formação durante todo o ano. Anualmente, o OIMMa reúne mais de 400 delegados internacionais do sector da música para uma reunião de quatro noites e três dias na Ilha da Reunião. Até hoje, o OIMMa permitiu que mais de 200 grupos do Oceano Índico, incluindo de Moçambique, se apresentassem ao vivo na Ilha da Reunião.

Além de Radjha Ali, nesta edição do IOMMa também participam autores como Jim Fortuné, Akoda, Destyn Maloya, Fayazer, Kombo (Ilha Reunião), Lisa Ducasse (Maurícias), Morena Leraba (África do Sul), Elijah and the Warrior Band (Seychelles) e Olo Blaky (Madagáscar).

O mais recente filme de Sol de Carvalho foi rodado na Ilha de Moçambique, durante 40 dias. Intitulado O ancoradouro do tempo, a longa-metragem foi adaptada do livro A varanda do Frangipani, de Mia Couto.

 

Durante mais ou menos 20 anos, Sol de Carvalho “evitou” a possibilidade de adaptar um filme de Mia Couto para o cinema. O receio de falhar contribuiu para que o realizador adiasse levar a obra do escritor à grande tela – Sol entendia que apenas um grande realizador de nível mundial poderia fazer um filme sobre a obra de Mia que o escritor merecesse. No entanto, a coragem venceu o medo e Sol de Carvalho realizou Mabata bata, há alguns anos, e tudo correu maravilhosamente bem, o que até se pode medir pelo número de prémios: 17.

Ora, partindo mesmo dessa boa experiência, Sol de Carvalho propôs-se, então, a realizar o seu mais recente filme, O ancoradouro do tempo, adaptado do livro A varanda do Frangipani, da autoria de Mia Couto. Para o efeito, reuniu vários actores moçambicanos consagrados, na Ilha de Moçambique, Nampula, onde, durante 40 dias de rodagem, todos fizeram a magia da sétima arte acontecer.

Desde o princípio, Sol de Carvalho soube que não seria nada fácil levar a maior parte da equipa a Ilha de Moçambique. No entanto, porque na história original há uma fortaleza, o realizador calculou que a melhor fortaleza para a longa-metragem que terá 90 minutos de duração seria aquela, localizada na Ilha. Em termos visuais, todo o elenco do filme concorda que foi a melhor opção, todavia, por um motivo qualquer, boa parte da equipa ficou doente. Malárias e diarreias para todos. De graça. Mas nada parou, pois, segundo disse Mia Couto, esta segunda-feira, todos, principalmente os actores, foram soberbos, com muita entrega ao trabalho intenso. “Eles estiveram sempre disponíveis, tentando fazer o melhor que podiam. Foi uma experiência que não vou esquecer, trabalhar com os actores e fazer com que o texto não seja algo definitivo”.

O ancoradouro do tempo, com efeito, é uma história, de alguma maneira, improvável. No enredo há um polícia bom, que quer ser justo, honesto e que se entrega a essa grande caminhada contra tudo e contra todos. Essa personagem acredita que, sendo um bom polícia, pode contribuir para construir um mundo melhor. Para Mia Couto, esse polícia existe e precisa ser encontrado. “Foi bom trabalhar com o Sol, com o Mário Mabjaia e com toda a equipa. Foi um grande estímulo para fazermos um segundo filme. Acho que este filme será um marco para o cinema moçambicano, sem dúvida nenhuma”, confessou o escritor.

Em O ancoradouro do tempo, Mia Couto escreveu o guião com Sol de Carvalho, que, inclusive, ficou impressionado com o desempenho dos actores. “A disciplina artística que consegui encontrar nos actores, tenho 40 anos de profissão, nunca tinha tido em toda a minha vida. Isso é uma coisa que vou levar comigo à cova. Eu fiquei muito satisfeito pelo desempenho dos actores”.

O ancoradouro do tempo foi orçado em cerca 600 mil euros, cerca de 40 milhões de meticais, dos quais 70 mil euros, quase 5 milhões de meticais, foram usados para logística. Na Ilha, as rodagens iniciaram uma semana depois do Ciclone Gombe, o que complicou e muito o trabalho da produção, afinal, todo o cenário anteriormente montado, ficou destruído. A equipa começou as rodagens sem luz e teve de usar um gerador. Ainda assim, apensar das complicações de ordem natural e logística, Sol de Carvalho adianta que uma das coisas mais certeiras que fez na vida profissional foi levar as rodagens a Ilha de Moçambique.

No Scala, esta segunda-feira à tarde, estiveram alguns actores. Entre eles Josefina Massango, Mário Mabjaia, Horácio Guiamba, Maria Atália, Tomás Bié, Vítor Gonçalves e Stewart Sukuma, que deixou a música de lado para poder representar. Em geral, todos destacaram a entrega ao trabalho duro e minucioso, divertindo-se enquanto trabalhavam. A colaboração e a sintonia, reforçaram, foi extremamente essencial.

Agora, a fase que se segue é o da pós-produção e dos efeitos especiais. O filme deverá ficar pronto em oito meses. No entanto, em Moçambique, poderá ser exibido depois da apresentação no circuito de festivais internacionais.

 

SINOPSE O ANCORADOURO DO TEMPO

IZIDINE, um recém-graduado inspector da polícia, é chamado a investigar um crime ocorrido numa antiga fortaleza colonial, que é actualmente um asilo de velhos – mataram Vasto Excelêncio, o director. A ordem chega quando o inspector está prestes a concluir uma investigação que levará uma gang à prisão.

A fortaleza está situada numa ilha e os dois únicos veículos de comunicação são um velho barco e o helicóptero que o transporta ao local. Ele tem 8 dias para resolver o crime até que o helicóptero o vá buscar.

 

 

 

O Festival de Vozes continua a trazer surpresas, novidades e emoções. Na segunda gala do concurso, dos 17 grupos que subiram ao palco para cantar e encantar, nenhum foi eliminado.

“Foi decidido que nenhum grupo abandona a família do Festival de Vozes nesta segunda gala”, revelou Valter Tembe.

Esta foi a grande novidade da segunda gala do Festival de Vozes. Depois das grandes actuações, a produção decidiu manter os 17 grupos de canto coral. Os grupos esmeraram-se nesta gala. Durante duas horas, o talento esteve em alta na Arena 3D.

Um palco, luz e som marcaram o ambiente em que os grupos de canto coral fizeram da segunda gala do festival de vozes um grande show. Cânticos eram interpretados com um toque de magia.

Notaram-se um pouco de nervosismo e timidez em algumas apresentações, mas nada que tirasse o brilho do espectáculo. E porque nem todas as apresentações correram bem, o corpo de jurados teve de intervir.

“Trabalhem mais a nível do grupo para que estejam mais equilibrados e possam trazer um bom show”, advertiu Cídia Isabel, membro do Júri.

“Solista, por favor, passe um pouco da sua técnica, energia e colocação de voz aos outros colegas”, aconselhou Joel Mauele, membro do Júri.

Para além de críticas, houve elogios.

“Quero felicitar os grupos pelas apresentações e aconselhar a continuarem a trabalhar. Vocês têm potencial para chegar longe”, disse Onésia Muholove, membro do júri.

O Festival de Vozes vai para o ar todos os domingos, às 18 horas, na STV.

Paixões e emoções é o título do EP da autoria de Vitcha Ventura. Lançado este sábado, no formato digital, o disco reúne cinco faixas musicais do estilo R&B, Afro Pop e Kizomba.

De acordo com o próprio autor, o resultado final do disco reflecte a paixão pela música, o esforço e a permanente busca pela melhoria do seu trabalho e do seu compromisso para com os seus admiradores. A fim de alcançar os seus propósitos musicais, Vitcha Ventura propôs-se a trabalhar com Jokher Khalium e Freakin Genius, na produção.

Paixões e emoções foi gravado nos estúdios da Revolution Music. Já mistura e masterização foram feitas por Justin, tendo o CD contado com a direcção artística de D Close.

A primeira faixa do EP, intitulada “Queria ser eu”, já tem o vídeo-clip disponível no YouTube e a rodar nas televisões nacionais. Quanto às músicas do disco, estarão disponíveis em todas as plataformas digitais.

Ora, Vitcha Ventura dedica o EP Paixões e emoções à mãe que já não está em vida.

Quanto às expectativas, Vitcha Ventura espera que o seu trabalho seja bem recebido e seja um contributo para o enriquecimento da música Moçambicana.

Vitcha Ventura é o nome artístico do cantor e compositor Rosário Ventura Torres Júnior, nascido na Cidade de Tete a  25 de Novembro de 1993. O autor de Paixões e emoções  viveu a sua infância e parte da adolescência no Bairro Francisco Manyanga. Aos 18 anos, mudou-se para Cidade da Beira, a fim de seguir estudos universitários. É licenciado em Economia e Gestão. Actualmente, vive em Maputo. O cantor começou a  sua carreira musical em 2010, com um grupo de amigos que fazia RAP e R&B.

 

 

 

A poeta moçambicana Hirondina Joshua participa da trigésima sétima edição do Festival Internacional de Poesía de Barcelona, que arrancou no dia 11 e prolonga-se até  18 do corrente mês, na Espanha.

O evento é um apelo autêntico à diversidade e harmonia na variação, metáfora sobre a necessidade radical de compreensão na diferença. Hirondina é parte dos sete poetas de línguas, idades, culturas e propostas líricas radicalmente diferentes que participam do evento.

A organização do festival aponta que Hirondina Joshua é  um dos expoentes da poesia em língua portuguesa, e devido aos seus livros e textos disponíveis em antologias e portais vem ganhando espaço e notoriedade.

Para Hirondina participar no festival é a possibilidade de poder interagir com pessoas de lugares onde não se fala português.

“Serei a única que fala português. Tudo vai acontecer em inglês, menos a leitura dos poemas” disse, realçando que o festival abre espaço para expor o seu trabalho, em particular, e da literatura nacional em geral.

Além da poesia, o festival traz uma proposta musical encabeçada por Marina Herlop que, acompanhada pelas coristas Marta Torrella e Helena Ros (Tarta Relena) e com a proposta de indumentária de Rosa Tharrats.

“Será um show de poesia no Palácio da Música com os poetas convidados acompanhado de piano ao vivo”, detalhou Hirondina, acrescentando que alguns poemas dos escritores participantes estarão num livro traduzido em catalão.

Hirondina Joshua é membro da Associação dos Escritores Moçambicanos. Faz parte da nova geração de autores moçambicanos. Integra nos 122 autores (artistas visuais, escritores, poetas) do projecto brasileiro Modernos & Ternos onde “conversa” com a modernidade num registo dos 100 anos da Semana de Arte Moderna. É redactora da revista InComunidade (Portugal) e curadora de colunas literária na Plataforma cultural Mbenga Artes & Reflexões, que visam a divulgação de textos e conversas com escritores de língua portuguesa.

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