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O País – A verdade como notícia

Por Eduardo Quive

 

Raras são as vezes que sou desafiado a apresentar um livro. Muitas são as vezes que me chegam textos inéditos para dar a opinião crítica e indicar prováveis caminhos aos autores que estão na berma da estrada. Devo confessar que essas tarefas, tanto a de apreciador crítico sobretudo a de apresentador de livro são me sempre estranhas, por pensar e saber que tenho também feito o mesmo em relação aos meus textos de ficção, entregando-os a outros olhos, que os considero mais apurados. Mas por considerar necessária essa troca de textos para uma apreciação por parte do outro, aceito o desafio com o entusiasmo e certo cuidado por saber que muitas vezes trata-se de uma degustação de produtos ainda em cozedura.

Desta vez, foi o Alerto Bia, um escritor que vem se apresentando na literatura moçambicana que desafia-me a vier a público apresentar o seu primeiro livro em prosa. E porque com a tarefa me vou expor a um público principalmente jovem, aproveito para levantar a voz em torno de uma reflexão que venho fazendo.

Tenho constatado que a literatura moçambicana dos tempos actuais, apesar de ser conotada como nova, muitas vezes se repete, sobretudo na abordagem estética e temática. Se o estético ainda nos abre espaço para experimentações, os temas são o lado mais arriscado na escrita, por desafiarem o escritor a superar a todas as abordagens já feitas. Em literatura quase já se escreveu sobre todos os assuntos. Então, ao decidir escrever, um autor coloca-se um grande desafio temporal. Noto que parece que os escritores sucedem-se, vão surgindo, mas pouco se arrisca na abordagem aos temas. Andamos às voltas, vendo as mesmas coisas, sentindo os mesmos cheiros, ouvindo as mesmas vozes e o que resulta são os textos que parecem sempre uma repetição de outros textos.

Esta leitura que faço é muito particular e não tem a ver com alguma obra específica. Tem antes a ver com os tempos que vivemos. O tempo em que as ropturas parecem serem feitas a todo custo. Tempos em que nos custa afirmar as nossas referências. Tempos que andam depressa, onde a vaidade corrompe a razão e nos tira a dúvida metódica. Temos em que são os outros a definirem o nosso tempo e um bom texto parece ser um grande achado num mar de obras. E os leitores, que sempre foram em número reduzido, parecem também ter perdido a paciência para uma ficção. Isto quererá dizer-nos alguma coisa sobre o trabalho literário. Sobre a vaidade e a astúcia do escritor. Sobre a formação do escritor e de todo um contexto que o define enquanto criativo. E se calhar nos levará a fazer-nos a pergunta que nos aconselha Reiner Maria Rilke, se pararmos de escrever, morremos?

Penso que um novo livro tem de ser sempre uma oportunidade para formular um novo debate ou para fundamentar opiniões que já existem ou abras novas possibilidades, tanto por parte do escritor e por parte do leitor crítico ou comum.

Dito isto, tenho de reconhecer que não acho o momento literário moçambicano mau. Acho-o, pelo contrário, entusiasmante. Chegam-nos, de quase todas partes deste vasto país e para gostos variados, obras literárias, como raramente já se assistiu. Sempre pensei a nossa literatura como pobre, enquanto não nos apresentar as propostas literárias das geografias, paisagens e linguagens dos vários pontos que fazem este país. E pensando nisso, felizmente, há narrativas que nos desafiam. Há estéticas que não sendo de grande revolução imaginária, sempre colocam em pauta uma visão, uma atitude de inconformismo em relação ao estabelecido e ainda nos trazem essas novas geografias, paisagens e linguagens.

O Alerto Bia já nos levou até ao cais da sua escrita. É um autor com um certo percurso nas letras o que nos leva a receber a sua obra, embora com menos desconfiança, mas com alguma atenção acima do que seria em caso de um primeiro livro.

Publicou seu primeiro livro em 2016, com o título Sonhar é ressuscitar, o segundo livro saiu em 2017, intitulado Sombras cálidas, em 2021, o terceiro, O desassossego por dentro. Portanto, como podem notar, estamos de um autor que já não se enquadra no termo novo, porque tem um caminho andado. Se calhar, para os hábitos da vida literária nacional, ainda se lhe pode chamar “jovem escritor”, sabe-se lá com que significado, preferindo eu achar que se refere à idade literária.

O Alerto Bia tem uma forma de ser e estar própria na literatura. É um autor regular como nos prova a sequência temporal com que publica. Mostra-nos esse facto que estamos diante de um autor oficinal, alguém que tem a escrita como uma tarefa entre outros afazeres da vida. E assim se constrói um escritor cujo estabelecimento na literatura moçambicana se fará primeiro pela regularidade.

A obra que nos traz desta vez, O ardina de sapatos gastos, editada pela Fundza, é composta por um conjunto de 14 contos que produziu durante o confinamento obrigado pela pandemia da covid-19. E vai se notar pelo tempo que dá ao ritmo das suas estórias e pela estética que emprega. As narrativas muitas vezes se apresentam sem acções segmentadas ou personagens com características exaustivamente descritas.

São contos em que o autor privilegia a escrita criativa. Eu diria que é a escrita somente em si a fazer as histórias, talvez inspirado pelo inusitado, por um momento, por uma ideia abstrata, ou somente, sentou-se diante do papel em branco e foi começando a escrever sem rumo, até que surgiram os nomes, os lugares e os acontecimentos e se fez o conto.

Muitas vezes e desde a escola, somos ensinamos a ouvir as histórias e nos fazermos a pergunta: qual é a moral da história? Ou perguntas do tipo, qual é o assunto da história? Pois se o leitor é desse tipo terá de reformular o seu pensamento e entregar-se para um estilo que desafia o nosso preparo para os livros.

Este conjunto de contos de Alerto Bia não visa necessariamente trazer-nos assuntos. Visa levar-nos para os labirintos da palavra, para a viagem da escrita. Como pouco há hábito, o escritor propõe-nos em O ardina de sapatos gastos, a entrarmos no seu mundo e acompanhar a formação das palavras, acharmos as personagens e construirmos uma estória provável.

O ardina de sapatos gastos, pode ser aquele livro que há de nos levar a perplexidade pela forma rápida com que os momentos-chaves são narrados ou então, a lentidão com que o autor vai levar-nos a revelar um segredo ou a resolver um problema. É como disse, nota-se que se trata de textos que o escritor escreveu sem pressa, para matar o tédio dos dias de isolamento e de ausências. Textos de uma solidão que não é propriamente o habitual resguardo do escritor que precisa de um tempo para si e para o seu processo de escrita. Mas uma solidão do mundo, que nos permitiu, a todos, a experimentação de um momento incomparável. Então este livro há de ser um pouco do espelho do que cada um de nós experimentou quando não havia abraços, nem beijos, muito menos pessoas nas ruas com rostos abertos.

As estórias que nos revela são de uma peculiaridade em termos de construção e personagens, fugindo da estética que nos habitua a tradição do conto, onde as personagens muitas vezes são rostos visíveis, são vidas reconhecíveis de longe e os assuntos vem cadenciados, mesmo em narrativas abertas, onde o fim, por vezes é um enigma. O Alerto Bia, apresenta-nos um livro que vai ser um deleite, mas também uma contradição em muito do que manda o nosso senso comum. Por isso, lê-lo é também um exercício ousado, de interagir com a escrita que nos contraria, que não sendo explosiva, é estranha. Uma estranheza que nos leva a querer mais, a querer ler de novo e querer outras histórias depois destas. Aí fica já o desafio para os leitores corajosos.

 

*Texto apresentado na cerimónia de lançamento do livro O ardina de sapatos gastos, de Alerto Bia, realizada no dia 1 de Novembro de 2022, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na Cidade de Maputo.

 

 

 

 

Mário Macilau encontra-se, neste momento, a caminho de Málaga, Espanha aonde irá participar na primeira edição da Bienal Africana de Fotografia, denominada Ozangé. Ozangé é uma bela expressão emprestada de Omyènè, a língua materna da directora artística Owanto.

“O termo tem como significado ‘luz’. Transmitindo através da Bienal uma vontade de abrir caminho para a luz, onde o Sul da Europa, Málaga, se torna essa ponte, esse ponto de encontro iluminado por uma multiplicidade de perspectivas que levantam as questões que devemos olhar juntos. Esta primeira edição convida artistas de diferentes nacionalidades africanas e da diáspora a apresentarem as suas propostas únicas no Centro Cultural La Malagueta, La Térmica, A Universidade e as ruas de Málaga – particularmente Calle Alameda Principal. Os quatro diferentes espaços prometem uma Bienal perspicaz e envolvente neste ambiente cultural e vibrante na cidade de andaluza”, lê-se na nota de imprensa.

Segundo Macilau, o evento é definido como um espaço de encontro onde há liberdade para criar diálogos sobre os existentes medos, desejos, fracassos, realizações e o futuro do mundo. Pretende-se reunir cidadãos de todos os cantos de África em torno de uma estação. Isso significa seguir simbolicamente as rotas milenares migratórias e continentais para reconstruir o palco da vazante e do fluxo de ideias, culturas e do conhecimento.

Como prelúdio da selecção de criação contemporânea, a Bienal deseja homenagear alguns dos mais relevantes festivais de fotografia que é organizada na África desde a década de 1990, com o objectivo de apresentar obras emblemáticas da história da fotografia africana.

Este ano, o foco será no Lagos Photo Festival, onde o fotógrafo Mário Macilau foi um dos principais pioneiros como artista principal nas primeiras quatro edições que tiveram lugar na Nigéria, onde Macilau desenvolveu palestras e diversos programas educativos.

Macilau foi seleccionado para apresentar uma parte do seu trabalho e junto a uma palestra e oficina fotográfica que irão decorrer no espaço La Termica, em Málaga e durante o Festival. “Mário Macilau foi eleito a participação desta edição pelo seu compromisso consistente com a arte fotográfica e ele é uma pessoa firme no que faz, há anos que percorre uma longa jornada com o objectivo de dar uma roupagem a distinta a fotografia, ele sempre trabalha no seu país e nas suas fotografias tenta representar o seu povo e a sua cultura, principalmente quando se trata de pesquisas sobre o temas que têm explorado, ele tem uma forma única e sensível de retratar seus temas. Ele tem-se concentrado na forma como o tempo desloca as coisas e separa certas estruturas vitais como a tradição de convivência e a inclusão social em todas as actividades”, afirmou o director de Lagos Photo, curador actual desta Bienal, citado na nota de imprensa.

O trabalho de Macilau tem sido presença assídua em exposições individuais e colectivas, tanto no seu país natal como no estrangeiro. São disso exemplos a Bienal de Dakar, em colaboração com a Fundação Dapper, em 2022. Foi seleccionado pelo Instituto Inclusartiz, no Rio de Janeiro, para um projecto no Rio de Janeiro, em colaboração com a curadora Ana Beatriz Almeida, tendo, posteriormente apresentado o seu trabalho na ArPa, com a Ed Cross Fine Art, em São Paulo, Brasil (também incluído no programa Prism).

Macilau expôs também o seu trabalho na Feira de Arte da Cidade do Cabo (2022), na Art Madrid (2022), The Philips, em Londres (2022) e apresentou uma exposição individual na La Terrasse, em Nanterre (2021). Colaborou com o curador, escritor e jornalista Ekow Eshun, no âmbito da Sombras do Tempo (Shadows of Time), uma exposição individual na Galeria Movart, em Lisboa, Portugal (2021). Em 2020, integrou uma exposição com trabalhos de vários artistas com actividade em Moçambique, Cinco Fotógrafos Africanos Contemporâneos (Five Contemporary African Photographers), com curadoria de Julie Bonzon.

Em 2019, expôs também na Ar.co Lisboa e, em 2018, na Feira de Arte 1:54, em Londres, no Reino Unido (2018), bem como na Art Marbella, Espanha (2018); Terceira Bienal de Fotografia de Pequim, Pequim, China (2018); no Unseen, Amesterdão, Holanda (2018); Feira de Arte FNB de

Joanesburgo, África do Sul (2018); Cimeira Mundial do Clima, São Francisco, EUA (2018); no High Museum of Art em Atlanta, Geórgia, EUA (2018); no Festival IPhoton, em Valência, Espanha (2017).

A conceituada cantora moçambicana Juliana de Sousa anunciou a sua união ao movimento de conservação no Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, no norte daquela província.

Natural da terra da boa gente, Juliana de Sousa compôs a música “Bassissa Bazaruto”, uma expressão em língua citswa, uma das mais faladas naquele ponto do país, que significa “limpar Bazaruto”, em português.

Em conversa com o “O País”, Juliana de Sousa disse que pretende, através da sua melhor arma, a música, consciencializar as pessoas sobre a necessidade de preservar aquela área de conservação: “Muitos gostam de ir a Bazaruto, mas, para manter aquele local atractivo, tal como está agora, é importante manter limpo, para que outras mais pessoas cheguem a Bazaruto e sintam também o feitiço daquele pequeno paraíso”, disse a cantora.

“Em Bazaruto, encontram-se riquezas e animais raros de ver noutros cantos do mundo, mas o lixo coloca em perigo a vida desses animais e da terra” – é apenas um trecho da música Basisa Bazaruto, de Juliana de Sousa, que chama atenção para não transformar Bazaruto num depósito de lixo.

Juliana de Sousa diz que a sua participação na causa não termina por aí e, mesmo sem revelar detalhes, diz que está na fase final um projecto de comunicação comunitária sobre como lidar com o meio ambiente.

A música e o vídeo que já foram gravados, serão lançados em breve e partilhados em várias plataformas de comunicação.

No âmbito da gestão sustentável do parque, foram ainda criados seis clubes ambientais em todas as escolas do Arquipélago do Bazaruto, compostos por um universo de 1450 crianças, com o objectivo fundamental de consciencializar as comunidades sobre a importância da conservação da biodiversidade e da gestão sustentável dos recursos naturais. “O destino do planeta está nas mãos das crianças, por isso é importante que, desde pequenas, elas aprendam a racionalizar os recursos e a cuidar do meio ambiente”, acrescentou Juliana de Sousa.

O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto foi estabelecido a 25 de Maio de 1971, numa acção progressiva por parte do Governo de Moçambique, para proteger aquela paisagem marítima excepcional – um bem natural de valor nacional e global significativo.

Composto por cinco ilhas, três das quais albergam aproximadamente 5000 habitantes locais, o arquipélago serve de santuário a milhares de espécies de peixes, baleias, mantas-raia, golfinhos, tartarugas marinhas que nidificam nas ilhas que compõem o arquipélago e a última população viável de dugongos da região. A sua beleza e diversidade de vida selvagem fazem de Bazaruto um destino turístico cobiçado.

O bairro Mafalala vai receber, entre os dias 3 e 6 de Novembro, a 13ª Edição do Festival Mafalala. O evento multidisciplinar leva ao público uma programação diversificada com seminários, workshops, concertos e exposições.

Segundo uma nota de imprensa, a edição celebra o centenário do poeta-mor José Craveirinha (1922–2003). Poeta da Mafalala e herói nacional.

Em termos temáticos, o festival vai decorrer sob o lema “Migrações, diáspora e memória”, uma abordagem que representa em grande medida a essência do bairro Mafalala. Por essa razão, o Museu da Mafalala acolhe uma residência artística que se debruça sobre a mesma temática a partir do som como factor de memória, seguindo a carreira e a vida de Fany Mpfumo, um migrante, músico, cuja obra continua viva e relevante na arte e nos outros domínios quer sociais quer políticos.

Para a organização, os resultados da residência artística serão demonstrados ao longo do festival, com uma instalação e concerto propostos pelos participantes da mesma; Lerato Lichaba (África do Sul) e Fu da Siderurgia (Moçambique).

Está igualmente agendada a actuação da banda sul-africana Urban Village, uma presença que reforça a abordagem curatorial da 13ª Edição do Festival Mafalala, pois trata-se de um agrupamento que busca na música uma forma de conexão entre o passado, presente e futuro a partir de diversos espaços geográficos do continente africano.

O Brasil é um outro país convidado para a presente edição do festival; constitui pretexto para uma discussão sobre afrodescendência e todo o debate sobre a influência de África naquele território da América Latina.

Os seminários integrados no festival propõem e procuram desenvolver encontros que reflictam sobre o papel da arte na promoção de mais consciência de cidadania na comunidade e nos artistas.

Às 17h30 desta terça-feira, no Centro Cultural Brasil-Moçambique/ Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo, a Editorial Fundza vai lançar os livros O ardina de sapatos gastos, de Alerto Bia, e Barca oblonga, de Otildo Justino Guido e Fernando Absalão Chaúque.

Segundo a nota da editora, a ser apresentado pelo poeta Eduardo Quive, o livro O ardina de sapatos gastos, de Alerto Bia, é um conjunto de histórias que oscilam entre o conto e a crónica. Para o autor com três livros de poesia, O ardina de sapatos gastos apresenta-se como uma nova abordagem, que amplia o seu processo criativo. “Na sua quarta publicação em livro, a primeira pela Editorial Fundza, Bia faz da sua escrita uma possibilidade de tecer uma radiografia da sociedade moçambicana. Por isso, o autor espera que os seus leitores encontrem uma escrita sugestiva”, lê-se na nota de imprensa.

De acordo com a Fundza, quanto ao livro Barca oblonga, de Otildo Justino Guido e Fernando Absalão Chaúque, que será apresentado pelo poeta Álvaro Fausto Taruma, é um projecto que surgiu ocasionalmente em 2020. No princípio, a ideia dos autores era combater o confinamento imposto pela COVID-19. Depois, ao aperceberem-se que ambos são grandes apreciadores de Luís Carlos Patraquim, decidiram avançar com um projecto em homenagem ao poeta.

Barca oblonga foi escrito de forma amigável, avança a Fundza, sem pressa e sem grandes pretensões. O que Guido e Chaúque quiseram foi criar diálogos literários com a obra de um dos mais importantes autores moçambicanos. Desse modo, ao lê-lo e ao estabelecerem diálogos com a sua obra, puderam conhecer o que consideram homem da palavra medida.

O livro Barca oblonga é poesia em verso constituído por dois cadernos: “A curva suspensa” e “A sombra eléctrica”. Os títulos de ambos os cadernos foram retirados da estrofe do poema “O osso côncavo”, de Luís Carlos Patraquim.

Os livros O ardina de sapatos gastos, de Alerto Bia, e Barca oblonga, de Otildo Justino Guido e Fernando Absalão Chaúque, foram seleccionados na primeira chamada literária da Editorial Fundza.

Alerto Bia nasceu a 2 de Março, em Inhambane. Possui uma publicação dispersa de textos em prosa e poesia nos jornais e revistas. Foi associado do CEPAN (Clube de Escritores, Poetas e Amigos do Niassa). Despontou no olimpo literário com a obra “Sonhar é ressuscitar”, 2016, sob a chancela da Livre Editores, Maputo. Em 2017, Publicou “Sombras cálidas”, sob a chancela da Editora do Carmo, Brasil; “O desassossego por dentro”, 2021, sob a chancela da Editora Folheando, Belém. É co-autor do primeiro volume de “Contos e crónicas para ler em casa”, 2020,  sob a chancela da Literatas. Em 2020, foi distinguido no Prémio Internacional Literatura e Fechadura, com a obra “O desassossego por dentro”, e ficou em 4º lugar no IV Concurso Internacional de Poesia – Prémio Cecília Meireles, 2019.

Otildo Justino Guido, moçambicano, natural de Inhambane, escritor, poeta, compositor e activista cultural, formado em Contabilidade e Finanças, vencedor do Prémio Literário Fernando Leite Couto (2019), com o livro “o silêncio da pele” (Moçambique), vencedor do Prémio de Poesia Judith Teixeira (2020), com o livro“ o osso da água” (Portugal). Publicado em várias antologias e revistas nacionais e internacionais.

Fernando Absalão Chaúque é natural de Maputo. É professor; licenciado em Ensino de Língua Inglesa pela Universidade Pedagógica de Maputo. É vencedor do terceiro Concurso Literário Alcance Editores – 2019, com o livro de prosa Âncora no ventre do tempo.

“Ora Chegou” é o novo álbum da cantora moçambicana Elvira Viegas. Composto por 17 temas, a obra discográfica foi lançada esta sexta-feira, no Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane.

Ao som da guitarra, do piano e da bateria, o público vibrou. A melódica voz de Elvira Viegas anunciava o lançamento do seu novo álbum “Ora Chegou”.

Com a música intitulada “khombo”, que significa azar, Elvira cantou e encantou. A música fala do azar, mas é no amor e educação que o casal Chissano se revê. “É uma mensagem educadora, que leva à reconciliação, à paz e, sobretudo, à valorização da nossa cultura e tradição”, afirmou o casal Chissano.

Roberto Chitsondzo fala da experiência de partilhar o palco com Elvira Viegas. “Quero felicitá-la pela perseverança. É uma pessoa que já não é jovem e que continua a marcar o espaço que todos nós queremos”, disse o músico.

Elvira Viegas, cantora com muitos anos de carreira, considera que a música é uma arma para moldar a sociedade moçambicana. “Devemos construir um Moçambique diferente, melhor para todos; um Moçambique em que a nossa criança não tenha medo de ninguém; um país em que um velho pai não tenha medo dos seus filhos. Então, não podemos ficar indiferentes diante de tudo o que acontece no nosso país”, vincou Elvira Viegas.

Para abrilhantar o espetáculo, o evento contou  ainda com artistas como Ivone Viegas, Chico António e Nelson e Tânia Chongo. Do lado da plateia, esteve um espectador especial, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano.

O novo disco não foge dos traços habituais das composições de Elvira, marcadamente de intervenção social, afinal. Ela sempre defendeu a tese de que “o artista deve continuar a ser a voz dos que não conseguem falar”.

“Ora Chegou” foi produzido pelo falecido Pacha Viegas, mas ficou na gaveta durante anos, porque, segundo Elvira, o tema-título é demasiado crítico. “Eu tinha algum receio de ser mal-entendida, mas os últimos acontecimentos no nosso país levaram-me a decidir publicar o disco”, revelou a cantora.

Elvira Viegas contribui para a cultura moçambicana há 48 anos. Com 68 anos de vida, a cantora conseguiu fascinar o seu público com o mais recente trabalho.

Dos 17 temas que compõem o álbum, os elegidos para maravilhar o seu público no espetáculo são “Ora Chegou”, “Khombo” e “Na Hale Tsongo”, que serviram de cartão para o lançamento do seu disco.

Elvira definiu o seu mais recente trabalho como maturidade, crescimento e contínuo aprendizado.

Às 18 horas desta sexta-feira, na Livraria Fundza, cidade da Beira, a Editorial Fundza vai lançar o livro Insistes em ignorar-me, de Argentina Banze.

Em aproximadamente 80 páginas, o livro motivacional pretende abrir caminhos para as mulheres e ampliar os seus horizontes, pois, conforme entende a autora, o que também lhe move é mostrar às mulheres que o matrimónio não é a realização da vida. Há outras conquistas importantes.

De acordo com a Fundza, Insiste em ignorar-me é um livro que, logo à partida, expressa a preocupação da autora pelos outros. Por isso mesmo, faz da escrita uma forma de terapia e uma poderosa forma de curar e solucionar os problemas quotidianos.

“Insiste em ignorar-me também é um grito e uma busca pelo controlo da existência. O livro tem como base o tempo, uma representação da vida num mundo efémero. “Quando julgamos que temos muito tempo, acabamos por não fazer nada, e, muitas vezes, corremos atrás do prejuízo”, entende Argentina Banze, acrescentando que é para ajudar às pessoas a deixarem de sentir uma espécie de perda, quando, aparentemente, pensam que o tempo lhes atraiçoa”, lê-se na nota de imprensa da Fundza.

Segundo Argentina Banze, quem melhor consegue fazer o uso do tempo, triunfa na vida, porque a vida e o tempo constituem relações indissociáveis.

Depois de escrever Insiste em ignorar-me, Argentina Banze conta que se transformou numa pessoa que abraça a ideia de transmitir ao mundo uma certa forma de expressar sentimentos, o que a favorece na percepção do outro e, consequentemente, das vicissitudes sociais.

Na cerimónia de lançamento a realizar-se esta sexta-feira, na Livraria Fundza, o livro será apresentado por Ivan Mauro Matos e Lemos.

Argentina Banze é natural de Massinga, Inhambane. É formada em Direito pela Universidade Zambeze, advogada estagiária, voluntária no TEDx Beira e já exerceu a docência universitária no curso de Direito. Sempre viu a escrita como uma forma de terapia. O seu gosto pela escrita é representado pelo texto de Fernando Pessoa, que diz: “Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir”.

O país quer combater e eliminar todas as formas de pirataria, exclusão e de opressão cultural, com a aprovação, esta quarta-feira, da ratificação da Carta Africana da Renascença. A ministra da Cultura e Turismo diz que o documento vai valorizar a cultura moçambicana.

Trata-se de um instrumento que estabelece os princípios para a promoção e valorização do património cultural em África, ou seja, segundo a ministra da Cultura e Turismo, com a ratificação da carta, o país passa a assumir, com mais obrigatoriedade, a missão de proteger e expor ainda mais a cultura nacional.

“A Carta da Renascença Cultural de África providenciará a Moçambique oportunidades, para desenvolver políticas e estratégias que venham responder aos desafios actuais que o Governo enfrenta no campo das artes e cultura, como também para concertar e consolidar posições com outros Estados”, disse Edelvina Materula, durante a sua intervenção.

Segundo o Governo, a lei visa, entre outros, afirmar a dignidade de homens e mulheres africanos, bem como os fundamentos populares da sua cultura; promover a liberdade de expressão e democracia cultural, que é indivisível da democracia política e social; promover um ambiente propício para os povos africanos manterem e reforçarem o sentido e a vontade de progresso e desenvolvimento; preservar e promover a herança cultural africana, através da restituição e da reabilitação; combater e eliminar todas as formas de alienação, exclusão e de opressão cultural em todas as partes de África.

Ainda com a ratificação do instrumento, Materula diz que Moçambique sai a ganhar, pois terá mais um elemento para se conectar ao mundo, através das artes e cultura, com destaque para as línguas.

O instrumento ora aprovado é, segundo a Comissão de Relações Internacionais, Cooperação e Comunidades, 7ª comissão da Assembleia da República, o assumir do compromisso de promover uma identidade cultural africana, uma vez que o país faz parte da União Africana.

“Tendo em conta que a cultura é parte integrante dos esforços de desenvolvimento do continente africano, no geral, e de Moçambique, em particular, mostra-se importante que os Estados adoptem medidas legislativas de protecção e aproveitamento eficaz do conhecimento e criações culturais”, disse Catarina Dimande.

A parlamentar defende ainda que a ratificação possibilitará maior articulação entre Moçambique e os Estados-membros da União Europeia no apoio à assistência, no âmbito dos processos de candidatura a património cultural e natural, considerando, particularmente, “a dimensão transfronteiriça dos bens culturais imateriais e naturais, reforçando a posição de Moçambique, a nível regional e continental, na lista do património mundial da UNESCO”, acrescentou.

Os deputados da Assembleia da República, que aprovaram, esta quarta-feira, por unanimidade a resolução, falam de um instrumento que deve ser acolhido e aplicado na íntegra e não sofrer influências políticas.

Os deputados exigem que, com a ratificação da carta, se abra espaço para maior valorização da arte e cultura.

Ainda nesta sessão, foram aprovadas em definitivo e por consenso a revisão da Lei Cambial e a criação da Lei das Contas Bancárias.

A Fundza lança, às 18h30 desta quarta-feira, no Espaço Ruby, na Cidade de Nampula, o primeiro livro de Adriano Félix, que, na cerimónia, será apresentado por Jaime Jemusse.

Makhalelo é uma colectânea de textos, entre o real e o hilariante, com questões do quotidiano vivenciadas na terceira maior cidade do país, onde o autor vive e trabalha. Trata-se de um livro constituído por 38 crónicas, que traduzem acontecimentos inerentes a diversos círculos, com destaque para ambientes familiares e informais, como mercados, chapas ou cemitérios.

Segundo a nota de imprensa da Editorial Fundza, Adriano Félix capta os sons, os sotaques, faz a subversão e o retrato da língua portuguesa num cruzamento com a maneira macua de a falar. É nisso que o autor identifica o potencial hilariante a que não resiste na ficcionalização dos espaços e dos ambientes retratados com personagens únicas e inspiradoras.

A mesma nota avança que através de Makhalelo, Adriano Félix pensa, fundamentalmente, na realidade dos nampulenses, esmerando-se, a partir da escrita, na valorização do que os seus co-cidadãos são quando se encontram em família ou na via pública. O grande projecto de Félix, de alguma maneira, é transmitir ao seu leitor a maneira de ser dos cidadãos sobre os quais escreve.

“Adriano Félix faz crónica como um acto de memória e de prender o tempo. Por isso mesmo, o autor escreve, muitas vezes, recorrendo ao que a Cidade de Nampula oferece em termos criativos. Bem dito, para Félix, Nampula é a sua maior inspiração, o seu chão e o lugar onde gosta de se movimentar”, lê-se na nota de imprensa da Fundza.

O primeiro livro de Félix foi seleccionado na primeira chamada literária da Editorial Fundza

Adriano Félix nasceu em Nampula. Além de crónicas, escreve poemas, contos e romances. É mestre em Urbanismo pela La Trobe University, docente do Curso de Urbanismo e Ordenamento do Território na Universidade Lúrio. Está publicado em algumas antologias, tais como antologia de poesia portuguesa contemporânea Entre o sonho e o sono (2017), antologia de literatura contemporânea Alma de mar (2021) e Nampula: antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante (2022).

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