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O País – A verdade como notícia

O director-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Daren Tang, visitou, esta quarta-feira, vários pontos de atracção cultural, na Cidade de Maputo, com o intuito de fazer a verificação e medir o pulsar das actividades que decorrem a nível da capital do país, mas com representatividade nacional. Dentre os lugares escalados, o destaque vai para Art d’Gema e Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).

De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo (MICULTUR), as visitas são o ponto de partida para uma colaboração conjunta baseada em necessidades reais do mercado cultural moçambicano.

No Franco-Moçambicano, Daren Tang foi recebido pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, com uma excelente performance da Companhia Nacional de Canto e Dança, numa demonstração da riqueza nacional no que diz respeito ao canto e à dança. De igual modo, o director-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual explorou a exposição multidisciplinar “Blackmoney”, de Mauro Pinto, um experimento real sobre as minas de Moatize. A instalação tenciona chamar atenção e questionar sobre várias matérias inerentes às políticas económicas, à saúde pública e ao meio ambiente.

Segundo avança a nota de imprensa do Ministério da Cultura, a visita desta quarta-feira marcou o culminar de conversações que se iniciaram na segunda-feira, cujos resultados serão visíveis a curto e médio prazo.

Eldevina Materula manifestou a intenção de buscar mecanismos junto da OMPI, para o reforço da implementação de propriedade intelectual, Direitos de Autor e Direitos Conexões. Já o director-geral da OMPI falou da necessidade de os estados se engajarem na implementação da Lei dos Direitos do Autor, por ser uma ferramenta essencial para os artistas de todo o mundo, principalmente na estratégia de recuperação após a pandemia. O dirigente também referiu-se aos números explosivos de turistas que entram no País nos últimos dias, o que significa que o Turismo está a reanimar-se.

Os encontros constituem uma porta aberta entre o Governo de Moçambique e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, para o início de relações de cooperação mais robustas e partilha de oportunidades mais intensas no que diz respeito à implementação de políticas públicas.

Na próxima terça-feira, a Editorial Fundza vai lançar, a partir das 18 horas, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, os livros A rapariga sem reflexo, de Clévia Guivala, e O amor que há em ti, de Larsan Mendes.

O amor que há em ti, de Larsan Mendes, é um romance cuja história gira em torno da família Mabungo. Nessa ficção de amor e desconfiança, o leitor é convidado a embarcar numa viagem imprevisível e a questionar a essência das coisas, através da visão das personagens. No enredo, o amor é sustentado por Ana Maria e Mateus. São eles que transformam momentos de caos em esperança, numa conexão de eventos entre o romântico e o surpreendente.

Segundo avança a nota de imprensa da Editorial Fundza, a primeira versão de O amor que há em ti foi escrita em 2018 e, em 2019, o livro foi menção honrosa do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa, em Portugal. O livro constituído por aproximadamente 350 páginas é uma tentativa de a autora fazer com que os seus leitores aprendam sobre algo que possam aplicar na vida enquanto se divertem com a leitura.

Quanto ao livro A menina sem reflexo, de Clévia Guivala, é uma história motivacional através da qual a autora pretende inspirar sobretudo as raparigas. A protagonista da história, Lupi, é uma jovem determinada, sonhadora e concentrada. No entanto, ao apaixonar-se por quem julga ser o homem da sua vida, passa a agir pela emoção em detrimento da razão que sempre a caracterizou.

Com a história, acrescenta a nota de imprensa da Fundza, Clévia Guivala pretende demonstrar que tipo de consequências pode advir da imprudente tomada de decisões. A ideia sempre foi contar uma história e, a partir daí, libertar lições realísticas. Portanto, no livro com cerca de 130 páginas, Clévia Guivala sente-se a abrir um caminho para todas as que, como ela, sonham um dia em publicar uma obra literária.

O amor que há em ti e A rapariga sem reflexo são livros seleccionados na primeira chamada literária da Editorial Fundza, o que permitiu a ambas as autoras estrearem-se em livro.

No Camões, o livro de Larsan Mendes será apresentado pela jornalista Yana de Almeida. Já o livro de Clévia Guivala será apresentado pelo jornalista Jeremias Langa.

Larsan Mendes é pseudónimo de Néusia da Larsane Abílio Pelembe. Nasceu a 9 de Dezembro de 1995, em Bilene-Macia, na Província de Gaza. É formada em Engenharia de Petróleo e Gás, pela Universidade de Mineração de São-Petersburgo, na Rússia. As suas histórias são baseadas na vida em geral, no que acontece no dia-a-dia, nos seus sonhos e no que imagina. Em 2019, teve menção honrosa na terceira edição do prémio literário Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/ Eugénio Lisboa, com a obra – O amor que há em ti. Em 2022, venceu o concurso de crónicas FLIB com o texto intitulado “Entre irmãos”.

Clévia Ramiro Guivala nasceu em Maputo, a 9 de Julho de 1995. Em 2009, iniciou a sua paixão pela promoção da saúde, tendo tornando-se activista no programa de saúde sexual e reprodutiva e prevenção de DTS/SIDA. É licenciada em Jornalismo pela Universidade Eduardo Mondlane. Enquanto estudante universitária, desenvolveu várias actividades, desde repórter, apresentadora de televisão, produtora de diversos scripts, incluindo, o documentário sobre Mulher no mercado de trabalho em Moçambique, desafios e perspectivas. O seu interesse pela escrita surgiu em 2014 e a sua primeira publicação foi na Revista Comunicação & Sociedade, Edição 2017.

Francisca Mirine, Leia Mabasso e Vasco Sitoe encontraram-se pela primeira vez para desenvolver um projecto coreográfico conjunto, durante quatro semanas de residência, entre Deltebre, Lisboa e Maputo.

Os Estúdios Victor Córdon, em Portugal, propõem uma conferência sobre transição de carreiras nas Artes Performativas, em parceria com a DGArtes e a Fundação GDA, e apresentam a 2ª edição do programa Itinerários, programação conjunta com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Depois de cinco anos de uma programação transversal na área da dança e da música, os Estúdios Victor Córdon (EVC) criam uma nova imagem para a comunicação da sua acção, que pretende ser um espelho de versatilidade e inovação desta plataforma criativa.

Assim, no dia 26 deste mês, das 10h às 18h, nos Estúdios Victor Córdon, a Conferência Encontros para o Futuro IV traz para o centro da reflexão a Transição de carreiras nas artes performativas. Com um olhar analítico sobre a experiência-piloto desenvolvida nos EVC ao longo de três meses e a situação que se verifica actualmente na Europa e em Portugal, perspetivam-se possibilidades futuras relativas à transição de carreiras de profissionais nas artes performativas.

Mais do que encontrar respostas no presente, pretende-se perfazer uma leitura palpável e clara da situação actual que permita, em colectivo, vislumbrar formas de actuar no futuro. É, pois, com o olhar direccionado para o futuro que se intenciona propor esta reflexão e, sobretudo, impulsionar um diálogo comprometido com a implementação efectiva de práticas no âmbito da gestão e transição de carreiras – projetando no futuro mecanismos permanentes que tenham a capacidade para alavancar e facilitar esse processo.

Com a curadoria de Pia Kramer e moderação de Sónia Baptista, a conferência desenvolvida pelos EVC com a parceria da Direcção-Geral das Artes e da Fundação GDA, conta ainda com intervenções de Jorge Ramos do Ó, Paul Bronkhorst, Carole Augustus, entre muitos outros convidados.

A Conferência encerra o programa Identidade Profissional em Transição, um projeto-piloto que ao longo de três meses estabeleceu uma metodologia possível para uma transição de carreiras e/ou carreiras duplas.

Para além do olhar para esta experiência-piloto, propõe-se um conhecimento de dois sistemas de sucesso já implantados na Europa e um fórum alargado para estabelecer um momento de reflexão, partilha e discussão conjunta sobre a transição de carreiras em Portugal.

“No dia 25 de novembro, pelas 18h, celebramos a criação artística e damos lugar a uma mostra pública do trabalho desenvolvido por três artistas moçambicanos, que integram a 2ª edição do programa ITINERÁRIOS. Neste encontro propõe-se uma apresentação de resultados do trabalho desenvolvido pelo colectivo, seguida de uma conversa moderada por David Marques. Francisca Mirine, Leia Mabasso e Vasco Sitoe encontraram-se pela primeira vez para desenvolver um projecto coreográfico conjunto, durante quatro semanas de residência, entre Deltebre, Lisboa e Maputo. (identidade oculta) é o resultado deste trabalho e traz-nos uma proposta coreográfica de ocultação e revelação”, lê-se na nota de imprensa.

Os EVC e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo dão continuidade à programação conjunta iniciada em 2021, desenvolvendo vários programas e iniciativas que estabelecem um contacto entre Lisboa e Maputo. ITINERÁRIOS integra esta programação conjunta, estabelece pontes entre os dois países e possibilita a circulação e internacionalização da dança. Esta edição integra a mediação de Edna Jaime, David Marques e também o apoio do L’Obrador, em Deltebre, e do Festival Kinani e da Converge +, em Maputo.

O saxofonista Moreira Chonguiça vai participar, representando Moçambique, no Festival Joy of Jazz, a decorrer no próximo dia 25, em Joanesburgo, África do Sul.

No concerto, o saxofonista vai apresentar o seu mais recente trabalho, o disco denominado “Sounds of Peace”, o mesmo que sons da paz em Português. “Sentimo-nos honrados pelo convite e somos a única banda estrangeira, pois a indústria criativa foi super afectada pela pandemia e não tiveram oportunidade de gerar renda e muito menos oportunidade de expor os produtos criados. Na retoma somos convidados, isso tem um significado especial para nós, como moçambicanos”, explica Moreira Chonguiça em comunicado de imprensa.

Depois da paragem de três anos, reata o Joy of jazz, este ano dedicado apenas a participação de grupos locais.

No festival, Chonguiça far-se-á acompanhar por Hélder Gonzaga (baixo), Vando Infante (bateria), Roberto Chitsondzo Junior (guitarra), Nicolau Cauaneque (piano), Alcido Matavel (percussão), Onésia Muholove (voz), e como convidado especial, estará Jaco Maria, músico moçambicano residente na Cidade do Cabo, na África do Sul. “Estaremos no palco principal, que leva 11 mil espectadores. Estamos a apresentar material novo, mas, o mais importante, é representar Moçambique”, afirma Moreira Chonguiça em comunicado de imprensa.

O arco-íris dos sentidos é o título da nova obra literária da autoria de Carlos dos Santos. Embora seja uma história sobre crianças, a obra infanto-juvenil, mais do que outras do autor, é para ser também lida por pais e por professores, na medida em que a história sugere um autêntico projecto pedagógico de ensino inclusivo.

O arco-íris dos sentidos é uma história à volta de uma aventura de uma turma que tem de fazer uso de várias linguagens, que todos os alunos, sem excepção (e não apenas alguns) aprendem na escola, para enfrentarem os obstáculos com que se deparam no decorrer dessa aventura, como a linguagem gestual, braille, línguas locais e até mesmo o Código Morse.

Na nova história de Carlos dos Santos, as crianças, que possuem todas elas diferentes capacidades, são chamadas a protagonizar actividades de igual relevância e complexidade, em igualdade de circunstâncias, demonstrando que em função das capacidades que tem, cada um é fundamental em diferentes situações e que todos somos cegos para muitas coisas.

O arco-íris dos sentidos é uma edição da Alcance Editores, e tem 44 páginas, com ilustrações de Rajau de Carvalho.

Carlos dos Santos, entre outras, é autor de várias outras obras destinadas ao público infanto-juvenil, e tem já a caminho uma nova obra do mesmo género intitulada “O Domador de Medos”.

Por José Paulo Pinto Lobo

 

Desembarco na cidade velha de mais de um século

Tal como uma respeitável idosa senhora

Que apesar dos traços caídos

Ainda conserva resquícios de uma beleza antiga

Sinto-me um alienígena sem passado

Passageiro num comboio de destino desconhecido

 

Circulo pelas ruas a quem furtaram os passeios

Pejados de montinhos barracas e quejandos

Há informais vendedores fugindo de ratoneiros polícias

Alunos fardados cães vadios pedintes e lixeiras

E crianças brincando nas águas estagnadas

Txopelas txovas e chapas se atropelando em alucinadas gincanas

 

No alagável subúrbio barracas de madeira e zinco ou de blocos de cimento sem reboco

As pessoas naufragam em babalazes de cerveja e tontonto

Xilonguine cidade de prédios decrépitos elevadores desconjuntados e escadas malcheirosas

Gradeadas gaiolas para pássaros de olhares vazios que perderam as asas

Ruas esburacadas onde caracolam latas velhas lamborghinis 4×4 e poderosos Mercedes C-180

E luzentes novas vivendas e condomínios belos escritórios e restaurantes finos

Com guardas sonolentos equilibrados em assentos improvisados

À sombra das acácias que ainda resistem teimosamente exibindo suas rubras flores

 

Por entre os destroços de uma guerra invisível

Na irreversibilidade do desconcerto

Uma insistente pergunta martela minha mente

Quando foi como foi

Que nos transformamos nisto?

 

I got to move canta Regina dos Gran’Mah

Afasto a melancolia do passado e aceito o desafio

Danço ao som do seu jovem reggae fusion

Socorro-me dos inconformados escritores

Numa mão Museu da Revolução do João Paulo Borges

Noutra a Literatas do Eduardo Quive

E assim sigo lendo e dançando

I got to move on

 

Por ocasião das comemorações do centenário de nascimento de José Craverinha, a AMOLP realizou concursos literários de Poesia, Redacção e Desenho de Retrato de José Craverinha, envolvendo alunos da 10ª à 12ª classe das escolas públicas e privadas de Maputo, com o objectivo de celebrar a vida e obra do Poeta-Mor de Moçambique.

Segundo avança a AMOLP, em comunicado de imprensa, participaram desta actividade as seguintes Escolas: Secundária da KaTembe; Willow International; Secundária Estrela Vermelha; Secundária Francisco Manyanga; Secundária da Lhanguene; Secundária da Machava Comunitária Franciscana Hospitaleira e Comunitária Sagrada Família.

A Gala de Premiação dos Vencedores aconteceu dia 16 deste mês de Novembro, no Centro de Conferência da Tmcel, em Maputo, e contou com a participação do agrupamento musical dirigido por DManyissa, que cantou poemas de José Craveirinha.

O júri de Redacção composto pelo Professor e Ensaísta Crimildo Bahule, e pelas poetisas Iracema de Sousa e Énia Lipanga, atribuiu o primeiro lugar a Nicole Simone Alves, da Willow International School; o segundo lugar a Catlhe Horácio Foia, da Willow International School e terceiro lugar a Celma Silvestre Urinho, da Escola Secundária da KaTembe.

Na Categoria de Poesia, o júri, composto pelos professores e poetas Nelson Lineu, Leo Cote e Solange Macie, atribuiu o primeiro lugar a Alcirio Endes Langa, da Escola Secundária Francisco Manyanga, segundo lugar a Yolanda Helena Mondlane, da Escola Secundária Francisco Manyanga e o terceiro lugar a Rofina Mapsuangane da Escola Comunitária Sagrada Família.

Na Categoria Desenho de Retrato de Craveirinha, o júri, composto pelos professores de arte Celestino Mudaulane, Carmen Muianga e pelo artista plástico Butcheca, atribuiu o primeiro lugar a Vânia Larissa, da Willow International School, segundo lugar a Jaime José Enginheiro, da Escola Comunitária Franciscana Hospitaleira, e o terceiro lugar a Alliyana Filipe Tembe, da Willow International School.

Como premiação, os alunos receberam material diverso, como tablets; telemóveis; pastas escolares; livros de literatura de autores nacionais, material de desenho, entre outros. A concretização desta actividade foi possível graças ao apoio da Tmcel; Bolsa de Valores de Moçambique; Coca-Cola; Águas de Namaacha; Alcance Editores; Plural Editores; Porto de Maputo e Associação Ilhas da Paz.

Por Rudêncio Morais

Confidenciou-me visivelmente maravilhado e olhar embaciado, o Aurélio Ginja, ao ver caminhar em direcção ao centro da sala que nos acolhia, uma das vozes que veste o âmago existencial da nossa música, prendi o olhar, e nesse instante, cauteloso, fui sentindo o dedilhar experiente e fluido de Xico António, uma espécie de “Karingana wa Karingana” que significa, em português, “era uma vez”, expressão que em língua Xironga dá início a uma história. E foi assim, com esse prelúdio musical em jeito de quem pede licença aos antepassados e a nossa ancestralidade, que a escritora moçambicana Sara Jona, convidou-nos a penetrar com cautela e trato delicado, o corpo da Margem Sul de Moçambique, sua arte e interculturalidade, uma viagem que tem como porta de entrada o agradecimento aos gigantes que fazem o percurso dessa voz que se deixa trajar de peito aberto pela tradição que corporiza o quotidiano das nossas comunidades e a forma como ela, a tradição, se vai transformando com o tempo nesse viajar entre o mundo rural e urbano.

Ouvir Xico António, antes do ritual da escrita de Sara Jona, aflorou o diálogo permanente entre a música e a escrita, permitindo que os textos fluíssem numa sonoridade que, vez por outra, nos convidavam a percorrer, de forma quente, o véu da saudade e a revisitar as noites nas quais a volta da fogueira se nos eram apresentadas as lições aprendidas na escola da vida, antecedidas de um _Karingana_ wa _karingana_ .
O princípio da noite foi verdadeiramente um mergulho sobre a margem sul de Moçambique, e quando o livro se nos foi apresentado, inundou-nos um frio e quente pertencer a esta terra e suas tradições, o trato do “Eu” cultural e a mania nossa de nunca nos esquecermos dos antepassados; diz o Falso Poeta, no _murmurar dos búzios_ e _as miudezas da Alma_ , que os mortos não morreram, eles transformaram-se nos fazedores da nossa paz interior…há muito de paz e de convocação de humanismo até da própria palavra neste trabalho que apalpa, de forma íntima, as entranhas de parte considerável de um país multicultural e linguístico, somos 11 grupos étnicos e com cerca de 25 línguas, para não falar dos dialectos que são mais de três dezenas, que se mesclam no falar das suas tradições e mitos.

Este livro é um arremesso para dentro do que somos antes de tudo resto, um diálogo constante entre as nossas tradições, crenças e transformações que se foram fazendo com o tempo, uma chamada obrigatória para encarrar os nossos medos e repensar os valores que pretendemos emoldurar para o futuro, as picadas da vida que os nossos filhos e netos terão que percorrer sem nunca se esquecerem do aroma dos nossos tempos e de como os seus ancestrais foram ao longo da vida, costurando as suas vivências. É um livro de memórias factuais e adornadas no trato de quem as veste de existência.



O músico e poeta Stewart Sukuma lançou, no Camões Centro Cultural Português em Maputo, a sua primeira obra literária. Na cerimónia de lançamento, o escritor angolano José Eduardo Agualusa considerou que o livro O alfaiate e a arte de costurar o amor lembra a melhor poesia erótica moçambicana. Já, para Mia Couto, a oficina de Stewart destaca-se pela diversidade estética.

Depois de ter sido lançada em Portugal, a obra literária de Stewart Sukuma, O alfaiate e a arte de costurar o amor, foi apresentada no Camões – Centro Cultural Português. Em Maputo, a primeira obra literária de Stewart Sukuma foi apresentada pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa, a quem o livro lembra o melhor da poesia erótica de Moçambique. “O Stewart tem vários poemas eróticos neste livro. Acho que é preciso alguma coragem para escrever dessa forma, mas ele faz isso muito bem”, começou por dizer José Eduardo Agualusa.

Para o escritor angolano, O alfaiate e a arte de costurar o amor reúne poemas que lembram um pouco a melhor poesia erótica moçambicana, em particular a de Eduardo White. E Agualusa disse mais, no Camões, que não se surpreendeu com o facto de Sukuma começar a escrever poesia, porque um cantor lida com a palavra.

Na percepção de Mia Couto, que também esteve na cerimónia de apresentação do livro O alfaiate e a arte de costurar o amor, Stewart Sukuma é, talvez, uma das figuras que mais corresponde àquilo que está no livro, que é o alfaiate, essa pessoa que costura margens e que constrói aquilo que parece impossível, que são pontes entre identidades tão variadas que Moçambique e o mundo têm. “Ele é uma espécie de tradutor de culturas, um homem que viaja entre diferentes culturas, com música, poesia e com o cinema”, lembrou Mia Couto.

O alfaiate e a arte de costurar o amor é um livro singular, escrito em silêncio para todo um povo. O livro, Stewart Sukuma dedica a todos os moçambicanos. “Nós somos alfaiates e temos a responsabilidade de costurar este país. Este país precisa de unir para ultrapassar todas as dificuldades que nós vivemos neste momento”.

O primeiro livro de Stewart Sukuma foi lançado sob a chancela da editora Poesia Impossível.

 

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