O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu, moedas de 1 dólar com a efígie do Presidente Donald Trump, constituindo este o mais recente passo de uma campanha, sem precedentes, do multimilionário republicano para imprimir a sua marca pessoal nas instituições nacionais. As moedas foram cunhadas para assinalar o 250.º aniversário da fundação dos Estados Unidos, celebrado no corrente ano.
Um rolo com 25 moedas de 1 dólar encontrava-se disponível para venda por 61 dólares, um agravamento de 144% em relação ao seu valor facial, ao passo que um saco contendo 100 moedas custava 154,50 dólares.
Quando o Departamento do Tesouro anunciou o plano, não se afigura claro se as peças teriam valor monetário ou se seriam de caráter puramente comemorativo; contudo, a Casa da Moeda dos EUA afirmou, que as moedas se encontram, efectivamente, em circulação.
A decisão de colocar a efígie de Trump numa moeda com curso legal contraria a lei federal que proíbe que qualquer Presidente vivo surja na numismática americana.
Ao longo do seu segundo mandato, Trump tem desafiado agressivamente precedentes e contestações judiciais na sua tentativa de reformular as instituições americanas, tendo, entre outras medidas, atribuído o seu nome ao Kennedy Center for the Arts e ordenado a demolição da Ala Leste da Casa Branca para dar lugar a um novo salão de baile.
A nova moeda ostenta o rosto de Trump numa das faces, acompanhado pelas palavras “Liberdade” e “Em Deus Confiamos”.
Exibe ainda as datas 1776-2026, assinalando os 250 anos da independência dos Estados Unidos. O reverso da moeda apresenta uma versão do selo presidencial, representando uma águia que segura setas e um ramo de oliveira, sobreposta por um escudo com a inscrição “250”.
Esta iniciativa surge na sequência de outros esforços da administração Trump para estampar o seu nome e rosto na moeda americana. Em Maio, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que o seu departamento estudava um plano para emitir uma nova nota de 250 dólares com a efígie de Trump.
Bessent admitiu, na altura, que tal medida exigiria que o Congresso alterasse a legislação vigente, que proíbe que figuras vivas apareçam nas notas de banco.
O Departamento do Tesouro dos EUA não respondeu, até ao momento, a um pedido de esclarecimento sobre se a nova moeda de 1 dólar viola a referida lei. Em Março, o Tesouro anunciou que as notas de papel dos EUA passariam a exibir a assinatura de Trump mais uma estreia para um Presidente americano em exercício.
O Governo da província de Tete quer acelerar a diversificação da economia local e desafia o empresariado nacional a preparar-se para ocupar maior espaço nas cadeias de valor associadas à exploração dos recursos minerais.
O desafio foi lançado pelo governador da província de Tete, Domingos Viola, durante uma visita realizada à Feira Internacional de Maputo, FACIM, onde manteve contacto com instituições e empresas ligadas ao desenvolvimento económico da região do Vale do Zambeze.
Para o governante, a imagem de Tete como uma província essencialmente produtora de carvão deve ser ultrapassada. A aposta passa pela transformação dos recursos existentes em oportunidades de negócio, emprego e maior retenção de valor dentro da economia provincial.
“Em Tete, toda a gente repara no carvão mineral”, reconhece Viola, defendendo, contudo, a abertura de “outras áreas de investimento”. O Governador considera que a província dispõe de outros recursos minerais e de potencial em sectores como agricultura, turismo, energia e serviços.
A preocupação central é garantir que o crescimento da actividade extractiva tenha maior impacto sobre as empresas e comunidades moçambicanas. Segundo o dirigente, as empresas interessadas na exploração de recursos devem criar condições para que a população residente nas zonas de ocorrência dos recursos seja uma das primeiras beneficiárias da actividade económica.
Neste contexto, Viola destaca a importância do conteúdo local e da revisão do quadro legal da mineração. Na sua leitura, a legislação deve permitir que os moçambicanos participem de forma mais efectiva nas cadeias de fornecimento de bens e serviços às grandes empresas.
O sector privado nacional é, por isso, chamado a elevar a sua capacidade técnica e financeira para responder à procura criada pela mineração. A oportunidade, segundo o Governador, não está apenas na extracção, mas também nos serviços, fornecimentos e actividades complementares que gravitam em torno dos grandes projectos.
Mas Tete pretende ir além da mineração. Na agricultura, a província quer avançar para um modelo de produção comercial com maior especialização ao longo da cadeia de valor. A ideia é separar a produção da comercialização, permitindo que diferentes operadores se dediquem à produção, logística, transformação e colocação dos produtos no mercado.
O turismo surge igualmente como uma frente de diversificação. O rio Zambeze e a albufeira de Cahora Bassa são apontados como activos ainda subaproveitados. O Governo vê espaço para desenvolver actividades turísticas fluviais, restauração, alojamento e outros serviços, beneficiando também da proximidade do Parque Nacional de Mágoè.
É neste contexto que Tete prepara a Conferência Internacional de Investimento de Tete 2026, marcada para os dias 8 a 10 de Outubro, na cidade de Tete. O encontro pretende posicionar a província como um pólo competitivo de investimento nacional e internacional e apresentar oportunidades nos sectores da energia, mineração, agricultura, turismo, infra-estruturas, indústria e serviços.
Sob o lema “Tete no Horizonte de Investimentos: Oportunidades para uma Nova Era de Desenvolvimento”, a conferência deverá servir também para apresentar projectos, mobilizar financiamento e estabelecer parcerias estratégicas entre investidores, empresas e instituições.
A agenda energética reforça a posição estratégica da província. Além da presença da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, estão em perspectiva novos investimentos estruturantes, com destaque para o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, considerado uma plataforma para a expansão da capacidade energética e para a industrialização.
Para o sector empresarial, a expectativa é que a conferência não se limite à apresentação de oportunidades, mas resulte em negócios concretos, maior participação das PME nacionais e criação de emprego.
O desafio colocado por Tete é, assim, transformar recursos naturais em cadeias de valor nacionais. Mais do que exportar matéria-prima, a província quer atrair investimento, desenvolver empresas locais e aumentar a parcela de valor que permanece na economia moçambicana.
Estão disponíveis 726 milhões de meticais da Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais para os próximos cinco anos. O valor é co-financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e será gerido pelo Moza Banco.
É mais uma linha de financiamento que é colocada à disposição, com foco para a zona Rural. A província de Nampula foi o palco para a sua divulgação na manhã desta quinta-feira.
“A Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais, é uma iniciativa estruturada pelo Governo da República de Moçambique, em parceria com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA),que responde à um desafio central do nosso processo de desenvolvimento: fazer com que o financiamento chegue, de forma adequada, sustentável, responsável e com custos comportáveis, aos produtores, aos empreendedores e às empresas que geram bens e serviços, produção, emprego e rendimento no meio rural”, explicou Salim Valá, ministro da Planificação e Desenvolvimento.
A Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais conta com 726 milhões de meticais para os próximos cinco anos. O valor é co-financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, que também colocou dinheiro na primeira fase que decorreu de 2019 a Março de 2026.
Jaana Keitaanranta, directora do FIDA em Moçambique, deixou uma garantia: “como FIDA e o Governo aqui presente, faremos todos os esforços de apoiar para que este modelo seja referência, não só no país, mas também na região. Pedimos igualmente que continuem a dar especial apoio aos grupos de poupança e crédito produtivo, que se tem desenvolvido bastante e tem tido um papel cada vez mais preponderante nas finanças rurais inclusivas.
O FIDA gera a nível internacional uma carteira de 315 milhões de dólares, dos quais, 90% são doações. Moçambique é para o FIDA o terceiro país que mais beneficia dos seus fundos.
O Moza Banco é a instituição confiada para gerir e disponibilizar os 726 milhões de meticais aos beneficiários. “É falar de atividades que sustentam e geram rendimento para muitas famílias moçambicanas e que se concentram precisamente em províncias como esta. Todos os destinatários têm que ter consciência que estes não são fundos perdidos, por estar envolvido a entidade do Estado não significa que nós não temos que devolver”, alertou Manuel Soares, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Moza Banco.
Nampula posiciona-se e na voz do chefe do Executivo provincial, Eduardo Abdula, diz que parte deste financiamento deve beneficiar o desenvolvimento do agricultor local.
“Queremos que esta linha ajude a mudar a forma como olhámos para o produtor rural, que este deixa de ser visto apenas como produtor de subsistência e tenha condições para transformar num verdadeiro empresário rural”.
No período da tarde, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, a sua comitiva e o PCE do Moza Banco deixaram as formalidades e fizeram-se ao distrito de Rapale para conhecer alguns beneficiários do Fundo de Desenvolvimento de Iniciativas Locais.
No ano passado, a margem financeira do Governo foi apertada, por isso dos mais de 356 mil projectos submetidos ao FDEL a nível nacional, foram aprovados e financiados 18.562. Este ano, o valor foi dobrado para ter mais beneficiários.
Pelo menos 56 unidades sanitárias em 16 distritos moçambicanos já administram o injetável lenacapavir, para prevenção da infeção por HIV, beneficiando 15.700 pessoas, avançou o Ministério da Saúde citado pela Lusa.
Segundo a informação, o medicamento lenacapavir para prevenir o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) já é administrado em 17 unidades sanitárias da província da Zambézia, no centro de Moçambique, e 21 da província de Maputo, no sul. A cidade de Maputo soma outras 17 unidades sanitárias que iniciaram a administração do medicamento, enquanto a província de Nampula, no norte do país, iniciou a administração do medicamento numa unidade sanitária.
“Importa esclarecer que a implementação não ocorre apenas em centros de saúde, mas também em hospitais. A previsão inicial de implementação em 55 unidades sanitárias foi alcançada. Embora o número total de unidades sanitárias se mantenha, houve ajustamentos na abrangência geográfica, incluindo a expansão para a província de Nampula”, esclareceu o ministério.
Os dados avançados pelo Governo indicam que até 21 de Agosto 15.703 pessoas tinham iniciado a prevenção com lenacapavir, das quais 9.264 beneficiários na província da Zambézia, 4.263 na cidade de Maputo, 2.146 na província de Maputo e 30 em Nampula.
“O país recebeu inicialmente cerca de 17.280 doses para início desta forma de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Considerando o elevado ritmo de utilização, o Ministério da Saúde mantém a monitoria regular dos níveis de stock, das redistribuições entre províncias e das entregas subsequentes, com vista a assegurar a continuidade dos serviços”, indica-se na mesma informação.
As autoridades sanitárias afirmam estarem em curso atividades de monitorização da implementação, seguimento clínico dos beneficiários, farmacovigilância, testagem de HIV, gestão de stock e reforço dos mecanismos de referência e continuidade da PrEP. Os dados recolhidos nesta fase servirão igualmente para orientar a expansão progressiva do lenacapavir para outras províncias e unidades sanitárias.
O Ministério da Saúde esclarece que o lenacapavir é uma nova opção de Profilaxia Pré-Exposição injetável de longa duração, administrada semestralmente a pessoas HIV negativas com risco de exposição, introduzida no âmbito do reforço da prevenção combinada ao HIV.
Moçambique iniciou em 22 de Abril a utilização do medicamento injetável, com a primeira dose administrada na província de Maputo, visando reduzir novas infecções e acelerar o controlo da doença no país.
“Estamos aqui, com muito orgulho, a lançar esta nova terapia inovadora, eficaz para a saúde do povo moçambicano, porque sabemos que, juntos, com essas intervenções combinadas que estamos aqui a introduzir, poderemos, a médio e longo prazo, ter gente com saúde”, disse então o ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse.
A nova opção de PrEP arrancou na província de Maputo, marcando a introdução de uma “tecnologia inovadora” na resposta ao Vírus da Imunodeficiência Humana, com aplicação inicial a pessoas a partir dos 15 anos.
Moçambique regista cerca de 92 mil novas infecções por ano, das quais 34 mil entre adolescentes e jovens dos 15 aos 24 anos, grupo considerado prioritário na nova estratégia de prevenção, referiu na ocasião o ministro da Saúde.
Ussene Isse sublinhou na altura o potencial da nova abordagem para reduzir o estigma e aumentar a adesão à prevenção, sobretudo entre jovens e adolescentes.
O ministro destacou que Moçambique passa a integrar o grupo de nove países africanos com acesso à nova tecnologia, considerada de longa duração e elevada eficácia na prevenção, mas alertou para a necessidade de controlo rigoroso na administração do fármaco.
A introdução do lenacapavir conta com o apoio do Governo dos Estados Unidos e da Organização Mundial da Saúde (OMS), no quadro de parcerias internacionais para reforço da prevenção e controlo do HIV no país, instituições representadas na cerimónia.
Um inspector da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto ao Posto de Fiscalização do Rio Save, no distrito de Govuro, província de Inhambane, foi detido em flagrante delito, acusado de cobrança ilícita de 200 meticais a um condutor de transporte de passageiros.
A detenção ocorreu no dia 31 de Agosto, na Vila Franca do Save, na sequência de denúncias de alegadas cobranças ilícitas protagonizadas pela força conjunta colocada naquele posto de fiscalização.
Segundo o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Inhambane (GPCCI), uma equipa operativa introduziu-se num mini-autocarro de transporte de passageiros, tendo testemunhado um agente regulador de trânsito a exigir e receber 200 meticais do condutor da viatura.
Perante os factos, o agente foi imediatamente abordado e detido em flagrante delito. O indiciado foi identificado como inspector da Polícia de Trânsito em exercício de funções no Posto de Fiscalização do Rio Save.
O indiciado foi presente ao Juiz de Instrução Criminal, que legalizou a sua detenção no mesmo dia.
Em comunicado emitido esta quinta-feira, 3 de Setembro, o GPCCI exortou os servidores públicos e os cidadãos em geral a cumprirem as normas e a denunciarem casos de corrupção de que sejam vítimas ou testemunhas.
Dez cidadãos foram detidos na sequência dos confrontos entre a população e agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), ocorridos no povoado de Sendedza, distrito de Angónia, província de Tete.
Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) morreu e outros contraíram ferimentos ligeiros na sequência de confrontos com populares, durante uma operação policial contra a venda e consumo de drogas, realizada no dia 2 de Setembro, no povoado de Sendedza, distrito de Angónia, em Tete.
A operação foi desencadeada pela Força Operativa do Comando Provincial da PRM, que realizou uma rusga dirigida a locais suspeitos de comercialização e promoção do consumo de estupefacientes.
Segundo a Polícia, durante a operação foram identificados dois pontos de venda de cannabis, nomeadamente um estabelecimento comercial e uma residência. Os respectivos proprietários foram identificados e detidos, tendo sido apreendida a droga que alegadamente era comercializada nos dois locais.
Quando os agentes se encontravam a transportar os dois suspeitos e a droga apreendida para o Comando Distrital da PRM em Angónia, onde seriam realizados os procedimentos legais subsequentes, foram surpreendidos por um grupo de populares.
De acordo com a Polícia, os populares atacaram os agentes com objectos contundentes, tendo provocado a morte de um dos membros da corporação e ferimentos ligeiros noutros agentes envolvidos na operação.
Na sequência da violência, a PRM anunciou a detenção de dez cidadãos, apontados como participantes directos nos confrontos.
A Polícia diz pretender responsabilizar criminalmente os envolvidos, como forma de repudiar actos de violência contra agentes da autoridade e desencorajar a repetição de situações semelhantes.
O director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas e um motorista estão detidos e são indiciados dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função. O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção (GPCC) em Gaza confirmou, esta quinta-feira, a detenção de dois funcionários do Governo do distrito de Mandlakazi, na província de Gaza, por alegado desvio de insumos agrários.
Entre os detidos encontra-se o director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, Artur Mathe, e um motorista do Governo distrital. Os dois são indiciados da prática dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função, segundo confirmou Saquina Jenga, magistrada do Ministério Público.
“Efectivamente, confirmamos a detenção do director substituto do Serviço Distrital de Actividades Económicas de Manjacaze. A detenção foi efectuada na semana passada. Importa salientar que também está detido o motorista do mesmo serviço. Eles são indiciados da prática dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função”, explicou a magistrada.
De acordo com os dados apurados, o motorista foi detido no distrito de Chókwè, depois de ter sido alegadamente interceptado num posto de controlo a transportar adubos numa viatura protocolar do Governo distrital.
O motorista terá percorrido o trajecto Mandlakazi–Guijá–Chókwè quando foi abordado pelas autoridades. Segundo Saquina Jenga, o Ministério Público promoveu igualmente a detenção do director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, tendo em vista garantir que este aguardasse, em prisão preventiva, os ulteriores termos do processo.
“Os arguidos foram efectivamente submetidos ao primeiro interrogatório e foi-lhes aplicada esta medida de coacção”, acrescentou. O caso está a gerar preocupação entre os agricultores, que alertam para a continuidade de alegados esquemas de desvio de insumos agrários e exigem que as investigações prossigam até à identificação de todos os possíveis envolvidos.
Os produtores defendem ainda que as autoridades devem esclarecer as circunstâncias em que os insumos foram retirados do circuito oficial de distribuição e determinar o seu destino.
O País sabe que o caso está sob investigação desde Junho. A magistrada do Ministério Público, Saquina Jenga, não afasta a possibilidade de novas detenções no âmbito do processo.
Na tentativa de obter uma reacção do administrador do distrito de Mandlakazi sobre as detenções, O País contactou a autoridade administrativa, que informou não ter autorização superior para se pronunciar sobre o assunto.
Manifestantes exigem soluções para a crise humanitária e responsabilizam o Governo de Pedro Sánchez pela gestão da situação na fronteira com Marrocos. Dezenas de milhares de pessoas saíram, quarta-feira, às ruas de várias cidades espanholas para protestar contra a crise humanitária em Ceuta, território espanhol situado no norte de África, na sequência da entrada em massa de migrantes no final de Julho.
Os protestos, que tiveram maior expressão em Madrid, Barcelona, Valência e Sevilha, decorreram no mesmo dia em que Ceuta assinalava o seu feriado oficial anual, celebrado a 2 de Setembro. Este ano, porém, as celebrações foram ofuscadas pela crise fronteiriça, considerada uma das mais graves de que há memória no território.
Em Madrid, as autoridades estimaram em cerca de 50 mil o número de participantes. Após o fim da manifestação, foram ouvidos tiros e explosões, segundo um jornalista da Associated Press. O jornal espanhol El País avançou que a Polícia utilizou balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.
Com bandeiras espanholas nas mãos, os participantes entoaram palavras de ordem contra o Governo de Pedro Sánchez e contra a presença de migrantes em Ceuta. Entre as frases mais ouvidas estavam “Uma Ceuta unida jamais será derrotada”, “Sánchez para a prisão” e “Invasores, voltem para casa!”.
O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, considerou que as manifestações tiveram uma forte componente política. Em declarações à Rádio Nacional Espanhola, afirmou que os protestos não tinham como principal objectivo demonstrar solidariedade com Ceuta e os seus habitantes, mas sim atacar o Governo central.
ENTRADA EM MASSA DE MIGRANTES
A crise fronteiriça agravou-se no final de Julho, quando cerca de 72 mil pessoas tentaram entrar em Ceuta, nadando, escalando ou lançando-se ao mar a partir do território marroquino. Pelo menos 90 pessoas morreram durante as tentativas de alcançar o território espanhol e, consequentemente, a Europa.
Grande parte dos migrantes regressou rapidamente a Marrocos ou foi conduzida de volta pelas autoridades. Contudo, segundo o Governo espanhol, cerca de cinco mil pessoas permanecem em Ceuta, entre as quais aproximadamente 1.200 menores.
As autoridades locais apresentam números superiores e alertam para a pressão exercida sobre os serviços e recursos da cidade, que possui cerca de 84 mil habitantes.
A chegada repentina de dezenas de milhares de pessoas provocou fortes reacções entre a população local. As autoridades de Ceuta acusam o Governo central de ter ignorado os sinais de alerta que antecederam a abertura da fronteira.
Continuam, entretanto, por esclarecer as causas exactas da travessia em massa. O Governo espanhol sustenta que o movimento terá sido impulsionado por uma campanha nas redes sociais que levou milhares de pessoas a dirigirem-se simultaneamente para a fronteira.
MADRID APONTA INFLUÊNCIA ESTRANGEIRA
A actuação de Marrocos também tem sido questionada em Espanha, com vários sectores a defenderem que as autoridades marroquinas poderiam ter feito mais para impedir a entrada massiva de migrantes.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez tem, contudo, defendido a actuação das autoridades marroquinas, argumentando que estas intervieram rapidamente para facilitar o regresso da maioria dos migrantes.
Na segunda-feira, Sánchez afirmou, sem apresentar provas públicas, que outros países terão contribuído para ampliar a desinformação relacionada com a crise.
“Não há nenhuma informação de nenhum dos nossos serviços de inteligência que aponte para a participação de autoridades marroquinas”, declarou o chefe do Governo espanhol à rádio Cadena Ser.
Sánchez, que deverá enfrentar eleições no próximo ano, atribuiu a crise, em parte, a uma interpretação errada de uma decisão do Supremo Tribunal e à desinformação difundida nas redes sociais.
O primeiro-ministro acusou ainda contas nas redes sociais associadas à Rússia e a Israel, bem como grupos de direita, de terem explorado e amplificado a crise de Ceuta após os acontecimentos de 30 e 31 de Julho. As acusações foram rejeitadas tanto pela Rússia como por Israel.
A crise em Ceuta mantém-se, assim, como um dos principais desafios políticos e humanitários enfrentados pelo Governo espanhol, num contexto de crescente pressão sobre as autoridades locais e de forte tensão em torno da política migratória do país.
A Fundação Fernando Leite Couto inaugurou ontem em Maputo, a exposição fotográfica “Momentos em que a natureza se revela”, de Pedro Couto, numa colecção que reúne imagens captadas ao longo de vários anos em diferentes paisagens e áreas de vida selvagem africana.
A exposição marca a primeira apresentação pública do trabalho fotográfico de Pedro Couto, profissional do Direito e fotógrafo autodidacta, cuja relação com a fotografia nasceu de uma paixão de longa data pela natureza e pela vida selvagem africana.
Nascido na Beira, em 1971, Pedro Couto começou a fotografar ainda antes da era digital, quando as imagens eram registadas em película. Ao longo dos anos, a prática da fotografia ensinou-lhe, como explica, “a arte da paciência, da disciplina e da observação atenta”, competências que se tornaram fundamentais na sua aproximação à natureza.
Mais do que documentar animais ou paisagens, o fotógrafo procura captar encontros espontâneos e momentos irrepetíveis. Cada imagem resulta de uma experiência de observação e espera, respeitando o ritmo próprio da natureza e evitando interferir naquilo que acontece diante da objectiva.
“A maior recompensa não é regressar a casa com uma fotografia, mas ter estado presente quando a natureza decide revelar uma das suas incontáveis histórias”, afirma Pedro Couto.
“Momentos em que a natureza se revela” apresenta, assim, uma perspectiva marcada pela contemplação, pelo respeito e pela consciência de que os diferentes elementos dos ecossistemas estão profundamente interligados. Do pequeno insecto ao maior mamífero, cada ser desempenha uma função no equilíbrio da vida selvagem.
As fotografias apresentadas foram sujeitas apenas aos ajustamentos necessários para recuperar luz, detalhe ou nitidez, mantendo-se, segundo o autor, fiéis às cenas originais. A intenção é preservar não apenas aquilo que foi observado, mas também a experiência e a emoção associadas a cada encontro.
A exposição é igualmente uma homenagem à família do fotógrafo, cujo apoio foi determinante para que uma paixão mantida durante anos no espaço privado pudesse transformar-se numa apresentação pública. As viagens, o tempo dedicado à observação e a espera pelo instante certo foram acompanhados pela confiança e pelo incentivo familiar.
“Cada fotografia desta colecção transporta, por isso, não apenas uma memória da natureza selvagem africana, mas também o amor, a paciência e o incentivo da família que tornou esses momentos possíveis”, escreve o fotógrafo.
Através desta primeira exposição, Pedro Couto pretende partilhar com o público parte da admiração e humildade que experimenta perante a natureza africana, contribuindo também para uma maior valorização da biodiversidade e da responsabilidade colectiva de preservar os ecossistemas para as gerações futuras.
O antigo presidente do Senado de Madagáscar, Richard Ravalomanana, foi condenado, a 10 anos de trabalhos forçados, depois de ter sido considerado culpado de cumplicidade em homicídio pelo seu alegado envolvimento na repressão violenta de manifestações lideradas por jovens, em 2025.
General reformado e aliado do antigo Presidente Andry Rajoelina, Ravalomanana negou as acusações e anunciou que vai recorrer da sentença.
O Ministério Público acusou o antigo presidente do Senado de ter usado a sua influência na gendarmaria para ordenar às forças de segurança que recorressem à violência contra os manifestantes durante os protestos de Setembro e Outubro do ano passado.
As manifestações começaram devido à persistente escassez de água e energia eléctrica, mas rapidamente se transformaram num movimento mais amplo de contestação ao Governo de Rajoelina.
Segundo dados das Nações Unidas, citados pela imprensa local, pelo menos 22 pessoas morreram e mais de uma centena ficaram feridas durante os confrontos.
A onda de protestos contribuiu para desencadear uma crise política que culminou na destituição de Rajoelina e na instalação de uma nova administração, liderada pelo coronel Michael Randrianirina.
Ravalomanana foi afastado da presidência do Senado em Outubro, pouco depois das manifestações, e detido em Dezembro, por não ter comparecido a uma convocatória da Polícia. Desde então, encontrava-se em prisão preventiva numa cadeia de alta segurança nos arredores da capital, onde permaneceu durante cerca de sete meses.
Durante o julgamento, os procuradores sustentaram que Ravalomanana utilizou a sua influência junto da gendarmaria, responsável pela resposta de segurança às manifestações, para ordenar operações violentas contra os protestantes.
A defesa rejeitou as acusações, alegando que não foram apresentadas provas de que o antigo dirigente tivesse dado ordens a polícias, gendarmes ou militares para recorrerem à força. Um antigo chefe da Polícia Nacional, ouvido como testemunha, afirmou igualmente que Ravalomanana não integrava a cadeia de comando operacional durante os distúrbios.
O advogado de defesa questionou a existência de qualquer ordem, escrita ou verbal, que estabelecesse uma ligação directa entre o seu constituinte e os actos de violência.
O tribunal rejeitou, entretanto, uma acusação autónoma de ameaça de morte, considerando que a denúncia era antiga demais para poder ser julgada.
Richard Ravalomanana é ainda alvo de uma investigação separada por alegados actos de corrupção. O antigo presidente do Senado está entre vários altos funcionários ligados ao anterior Governo de Rajoelina que enfrentam processos judiciais na sequência da mudança de poder em Madagáscar.