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Guimino aposta na digitalização para ampliar inclusão financeira

A nova vice-governadora do Banco de Moçambique, Benedita Guimino, quer apostar na inovação tecnológica, na digitalização dos serviços financeiros e no reforço da inclusão financeira como algumas das principais linhas da sua actuação à frente do banco central.

Falando após a sua tomada de posse, Guimino disse que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo do seu percurso no Banco de Moçambique, mantendo como prioridades a estabilidade de preços e a estabilidade do sistema financeiro, através do reforço da supervisão das instituições de crédito e sociedades financeiras.

Entre as ideias apresentadas pela nova vice-governadora está o recurso à inteligência artificial na formulação da política monetária, bem como na digitalização e automatização dos processos internos do Banco de Moçambique.

Para Guimino, a transformação digital deve igualmente alcançar os serviços financeiros, de modo a aproximar produtores, transportadores, comerciantes e consumidores e facilitar o acesso ao sistema financeiro por parte das micro, pequenas e médias empresas.

A nova responsável do banco central defendeu ainda maior apoio às mulheres e aos jovens que desenvolvem iniciativas de empreendedorismo, considerando que a expansão dos serviços financeiros digitais poderá contribuir para dinamizar estes segmentos da economia.

 

INTEROPERABILIDADE E INCLUSÃO FINANCEIRA

Benedita Guimino destacou a aprovação da nova Lei do Sistema Nacional de Pagamentos, que considera um instrumento moderno para promover a inclusão financeira, sem descurar a protecção do consumidor e a estabilidade do sistema financeiro.

A vice-governadora defendeu o aprofundamento da interoperabilidade entre instituições de moeda electrónica, bancos comerciais e outros provedores de serviços financeiros. Neste âmbito, apontou a introdução do QR Code como mais um instrumento para facilitar as transacções.

Guimino defendeu igualmente a dinamização da sandbox regulatória do Banco de Moçambique, criando condições para que as empresas de tecnologia financeira (fintechs) possam testar e implementar soluções inovadoras com maior rapidez e, posteriormente, integrar-se na rede nacional de pagamentos.

Segundo a responsável, estas ferramentas devem permitir que cidadãos, incluindo produtores, jovens e mulheres empreendedoras, possam realizar transações de forma simples, rápida e com custos reduzidos, mesmo sem recurso a um smartphone em determinadas soluções.

METICAL COMO MOEDA DE REFERÊNCIA REGIONAL

Outra aposta apresentada por Benedita Guimino está relacionada com o reforço do papel do Metical nas transações regionais.

A vice-governadora revelou que estão em curso trabalhos para permitir que a moeda moçambicana seja utilizada na liquidação de transações na região, à semelhança do que acontece com o Rand sul-africano.

Para Guimino, esta medida poderá reduzir a dependência de moedas estrangeiras nas transações regionais, melhorar a gestão das divisas e reforçar a soberania monetária de Moçambique. O desenvolvimento dos sistemas de pagamentos em tempo real, incluindo o RTGS, deverá contribuir para criar condições para uma maior utilização do Metical nas operações regionais.

 

NOVAS FORMAS DE FINANCIAMENTO

No domínio do financiamento da economia, a nova vice-governadora considera necessário ir além do tradicional crédito bancário, defendendo o desenvolvimento das chamadas finanças corporativas como uma alternativa para aproximar investidores de projectos que necessitam de capital.

Guimino apontou ainda para a criação de condições para o desenvolvimento das finanças participativas, através de instrumentos com características diferentes das formas tradicionais de financiamento. Entre os exemplos mencionados está a banca islâmica, que assenta em modelos de financiamento que não recorrem ao pagamento de juros. A vice-governadora considera que a diversificação dos mecanismos de financiamento poderá abrir novas oportunidades para empresas e investidores e contribuir para o crescimento da economia.

 

REFORÇO DO COMBATE AO BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS

 

Questionada sobre o combate ao branqueamento de capitais, Benedita Guimino garantiu que o Banco de Moçambique continuará a reforçar a supervisão das instituições de crédito e sociedades financeiras. A responsável reconheceu que já existem legislação e normas específicas nesta área, mas defendeu a necessidade de intensificar a coordenação entre o Banco de Moçambique, o GIFiM e os bancos comerciais.

A capacitação dos quadros e o reforço da articulação entre as instituições são, segundo Guimino, fundamentais para melhorar a prevenção e o combate ao branqueamento de capitais.

 

“CAPITALIZAR O QUE JÁ FOI FEITO”

Benedita Guimino assume as novas funções defendendo uma estratégia de continuidade, mas também de modernização.

“Capitalizar o que já foi feito, melhorar e olharmos para a frente”, resumiu a nova vice-governadora, que assegurou contar com os quadros do Banco de Moçambique para concretizar as mudanças que pretende introduzir.

Entre as prioridades apresentadas destacam-se a estabilidade de preços, estabilidade financeira, inteligência artificial, digitalização, inclusão financeira, interoperabilidade dos pagamentos, reforço do papel do Metical nas transacções regionais e diversificação das fontes de financiamento da economia.

 

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