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O País – A verdade como notícia

A previsão do tempo para está terça-feira , indica que  que as três regiões do país enfrentarão temperaturas entre 22 e 30 graus Celsius de máxima. Maputo, Inhambane, Tete e Quelimane serão as cidades mais quentes de hoje.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 29, 26, 30 e 30 e mínimas de 23, 16, 20 e 23 graus Celsius, respectivamente.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, no norte do país, poderão atingir temperaturas máximas de 27,  29 e  22 e  mínimas de 20, 23 e 12 graus, respectivamente.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 30, 29, 30 e 30 e mínimas de 20, 29, 23 e 21  graus Celsius, respectivamente.

Adicionalmente, o INAM prevê ocorrência de chuvas e ventos a soprarem, por vezes, com rajadas em algumas capitais provinciais do país.

Com vista a reflectir sobre os desafios e oportunidades na implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado (PRCD), representantes do Governo provincial e diferentes actores políticos, sociedade civil, religiosos, académicos e parceiros reúnem-se na quarta-feira , na cidade de Pemba.

A mesa-redonda, subordinada ao tema “Contribuição das Organizações da Sociedade Civil (OCS) na implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado – desafios e oportunidades na implementação do plano de reconstrução” visa, essencialmente, sensibilizar os diferentes actores envolvidos na implementação do plano, da necessidade do engajamento activo da sociedade civil e das lideranças comunitárias para redução dos riscos de falhas na implementação do mesmo.

“Com o debate, espera-se que sejam identificados os principais desafios e oportunidades para as organizações da sociedade civil, de modo a que possam dar o seu contributo para uma melhor implementação do PRCD, e, por essa via, reflectir-se sobre os possíveis caminhos para remoção de barreiras identificadas na sua implementação”, refere o comunicado conjunto do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e do Fórum das Organizações da Sociedade Civil de Cabo Delgado (FOCADE) que promovem a iniciativa.

Os organizadores entendem que um engajamento deficiente das Organizações da Sociedade Civil e das Lideranças Comunitárias na implementação do PRCD pode eventualmente comprometer os resultados, visto que estes assumem um papel relevante na promoção da paz e reconciliação, ajuda humanitária, no reforço à prestação de serviços às comunidades, bem como na monitoria da implementação do plano.

Assim, espera-se que, no encontro, sejam identificados os principais desafios e oportunidades para que as organizações da sociedade civil possam dar o seu contributo para uma melhor implementação do plano, e, por essa via, reflectir-se sobre os possíveis caminhos para remoção de barreiras na sua implementação.

Pessoas com a Síndrome de Dawn ainda enfrentam dificuldades de inserção social devido às suas limitações e ao estigma por parte da sociedade. Outro problema é que o país tem apenas uma unidade sanitária e dois profissionais especializados para atender às pessoas com esta doença.

Depois de uma gestação com o devido acompanhamento pré-natal, Sintia Tamele teve uma surpresa após o nascimento da sua filha. “Na primeira impressão, eu neguei a informação, eu disse não, os médicos devem estar enganados. Não me foi fácil acreditar”.

No entanto, sem muito que fazer, a mulher deixou o preconceito de lado e decidiu cuidar da filha. A menina tem, agora, três anos de idade e, segundo a mãe, enfrenta dificuldades de inserção na sociedade.

“Tenho dificuldade de ela não só ser umas pessoas com a Síndrome de Dawn, mas eu como mãe e particularmente outras crianças que brincam com ela”.

Mas o desafio não é apenas desta mãe. O Hospital Central de Maputo é a única unidade sanitária do país com capacidade para fazer acompanhamento de pessoas com a Síndrome de Dawn. São mais de duas mil pessoas assistidas no HCM.

O Hospital Central não só é o único como, a agravar, tem apenas dois profissionais de saúde, especialistas em genética médica, para prestar assistência aos doentes. Sheila Mabote é uma delas.

“O HCM já consegue fazer algum acompanhamento e dar o devido encaminhamento para estas crianças. É importante fazer o despiste inicial, principalmente as doenças cardíacas e vários outros factores que podem prejudicar a vida destas crianças”, disse a médica geneticista.

A médica aponta a necessidade de capacitar mais profissionais nesta área e criação de políticas públicas que possam maximizar a inclusão de pessoas com a Síndrome de Dawn.

Já iniciaram trabalhos de reposição dos solos de encontro do aqueduto arrastados no último sábado pela força das águas do rio Elege no distrito de Nicoadala, na Zambézia. Neste contexto, o trânsito rodoviário ao longo da EN1 continua interrompido, deixando a zona Norte do país isolada em termos de circulação de viaturas e bens.

As máquinas já estão a roncar visando a reposição dos solos da Estrada Nacional Número 1 (EN1) no distrito de Nicoadala, província da Zambézia. O empreiteiro abriu uma frente de homens que procuram flexibilizar os trabalhos, já que passam mais de 48 horas que a estrada ficou interrompida, isolando a zona Norte do país.

Terminada a colocação da rampa que possibilita a passagem de peões, esta segunda-feira, os trabalhos incidiram na reposição dos solos e colocação das pedras para permitir a construção do piso provisório.

O delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE), Jorge Govanhica, fez saber que quarta-feira é o prazo limite para conclusão das obras de emergência.

“E hoje pela manhã, demos início ao trabalho efectivo de reparação do corte, em que a solução inicial era reposição do rachão. No entanto, estamos a enfrentar alguma dificuldade no acesso às pedreiras e isso nos obrigou a mudarmos de abordagem para uma solução alternativa, que é esta que estamos a implementar, que consiste na aplicação de uma lufada de areia onde serão assentes duas linhas de manilhas que vão possibilitar o fluxo da água na eventualidade de termos alguma chuva. Por cima dessas manilhas, iremos colocar outro material resistente até ao topo da linha, com vista a restabelecermos rapidamente a transitabilidade”, explicou Govanhica.

Segundo a mesma fonte, a avaliação preliminar feita pela ANE indica que os trabalhos de reposição da via cortada pela água da chuva poderão ser concluídos na quarta-feira.

Enquanto as obras de reposição da EN1 não chegam ao fim, as pessoas tomam transportes semi-colectivos no sentido Quelimane-Nicoadala e vice-versa, descem e caminham alguma distância até encontrar a rampa. Não há idade, género ou extracto social. Homens, mulheres e crianças procuram usar vias alternativas para chegarem ao seu destino enquanto a ANE prossegue com os trabalhos de reposição da via.

“A travessia não está boa, conhecemos as condições climatéricas e os desafios que o Governo tem e que está a fazer o seu esforço para que possamos ter esta travessia a tempo e hora”, disse Dércio Agostinho, um dos utentes da EN1.

Por seu turno, Silva Bernardo, também utente da mesma via, vindo de Gurué com destino a Quelimane, afirmou que a questão do trânsito é muito complicada.

“Tivemos duas paragens, há duas pontes estragadas e em manutenção. Estamos a enfrentar grandes obstáculos”, acrescentou Silva Bernardo.

“Foram dias muito difíceis, mas graças a Deus conseguimos. As águas baixaram, há já um trabalho que as autoridades estão a fazer para repor a transitabilidade. Montaram pequenas escadas com sacos de areia e os peões estão a conseguir circular”, disse Rizique Zacarias, outro utente da EN1.

Enquanto se aguarda pela conclusão dos trabalhos de emergência para reposição do asfalto naquele troço, centenas de camiões que pretendem seguir para os dois sentidos continuam na fila. Neste caso, nada mais podem fazer a não ser mesmo aguardar pela conclusão das obras de reposição da plataforma que poderá permitir o escoamento de viaturas ligeiras, numa primeira fase, e a conclusão do piso que suporte camiões de grande tonelagem, numa segunda. Com a força das águas do rio Elege, parte da estrutura de betão do aqueduto assentou, o que obrigou a estrutura a ceder, no último sábado.

 

CORTE DA EN1 CAUSA PERDAS A COMERCIANTES

Os impactos da interrupção da EN1 em Nicoadala já são visíveis. Diversos produtos estão a apodrecer dentro de camiões de grande tonelagem, dada a demora em chegar ao mercado de Quelimane.

Enquanto aguardam pela conclusão das obras de reposição da via, a cada dia os transportadores e comerciantes somam perdas. O jornal “O País” viu produtos alimentares, como hortícolas, a deteriorarem-se.

Ainda assim, os comerciantes, nacionais e estrangeiros (de Malawi em particular) tentam reduzir os prejuízos colocando água sobre os produtos, de modo a retardar a sua deterioração. Porém, é uma tentativa incerta, quanto à conclusão da via até agora interrompida. Por outro lado, há quem tenha optado em descarregar os sacos e, através da tracção humana, carregá-los até a outra margem da estrada para apanhar outro meio de transporte até Quelimane

“Chegamos aqui com a mercadoria, mas não conseguimos atravessar. É muito sofrimento. Assim, tive que procurar ajuda de algumas pessoas para carregarem a mercadoria até ao outro lado da estrada, sob pena de perder o meu dinheiro”, disse Sabina Max, comerciante malawiana.

Luciano Jequecene é um moçambicano que também faz a comercialização. Hoje, não sabe o que fazer com a sua mercadoria.

“Saí anteontem de Milange para aqui, e apanhei a ponte de Namacura alagada. De lá cheguei até ao rio Elege e encontrei o mesmo cenário e assim, estou à procura de outras alternativas para fazer chegar o meu produto ao mercado. A batata, cenoura, tomate, pimento e repolho já estão estragados”, declarou Jequecene.

Deste modo e devido a dificuldades em transportar produtos para Quelimane, a ponte sobre o rio Elege tornou-se num lugar de compra e venda, ou seja, mercado. Os vendedores “despacham” aqui a sua mercadoria a preços competitivos e os compradores controlam o relógio para chegar o mais cedo possível a Quelimane com produtos ainda em condições de serem consumidos.

“Saí de Quelimane e vim comprar repolho aqui, em Namacurra. A situação está caótica, tal como podem ver. A chuva estragou a ponte, mas agradecemos ao Governo por estar a reparar os danos”, disse Marcelino Francisco, amarrando sacos de produtos alimentares na sua bicicleta com destino a Quelimane.

Junto a Marcelino, está o Marcos Muzeia que, vindo de Quelimane, procura produtos que já estão a escassear no mercado da capital provincial da Zambézia. A bicicleta entrou em acção e salva aos poucos a esperança de ver transportar a mercadoria até Quelimane enquanto decorrem os trabalhos de reposição da via.

Mais de 40 técnicos afectos nas diferentes áreas e unidades orgânicas do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) iniciaram, esta segunda-feira, na localidade da Ponta D’Ouro, distrito de Matutuíne, na Província de Maputo, uma capacitação em matéria de orientação para a aposentação, no quadro da entrada em vigor, em Junho próximo, do novo Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (EGFAE).

Durante cinco dias, os participantes, provenientes da sede e das delegações do INSS da Cidade e Província de Maputo, estarão a analisar os contornos que norteiam o referido EGFAE, que foi aprovado pela Assembleia da República este ano, através da Lei nº4/2022, de 11 de Fevereiro, sobretudo na componente das aposentações de funcionários e agentes de Estado, no âmbito da sua relação laboral com este, em que se salienta a obrigatoriedade sobre a matéria.

Segundo o artigo 176 da lei em referência que ”É obrigatória a aposentação do funcionário ou agente do Estado que tenha completado 60 anos de idade, com pelo menos 15 anos de serviço prestado ao Estado e satisfeito ou venha a satisfazer os encargos para a pensão de aposentação”. É dentro deste contexto que o INSS, dada a sensibilidade desta nova abordagem legal, que está a realizar estas acções de capacitação sobre a matéria de aposentação, de forma a preparar, psicologicamente, os seus funcionários para encarar a situação com naturalidade, uma vez que alguns abrangidos ainda teriam mais tempo no activo, mas que, com base neste instrumento legal, terão que se aposentar.

O INSS já tem um grupo de 117 funcionários que vão à aposentação, num horizonte de 5 anos, em todas as categoriais profissionais e áreas de especialização, alguns com planos pós-profissionais projectados para os próximos cinco anos, provavelmente, uma situação que pode não ser de fácil percepção por parte dos visados.

O director da Administração e Finanças do INSS, Jaime Nhavene, que procedeu à abertura do curso de formação de Matutuíne, em representação do Director-Geral, disse que esta iniciativa do sector de recursos humanos é oportuna, tendo em conta que, mesmo durante a vigência da anterior legislação, quando se chegasse ao tempo de reformar um funcionário houve sempre algum mal-estar ou má interpretação.

Tal deveu-se, segundo ainda com Jaime Nhavene, à falta de preparação psicológica, social, material e financeira do funcionário que passa à fase de aposentação, em que se chega, no momento da comunicação do facto, a se considerar como uma expulsão do serviço ou por ser um inútil à instituição.

Na formação que está a decorrer na Ponta D`Ouro o INSS elencou um conjunto de matérias que visam ajudar ao funcionário em vias de aposentação a ter uma ideia positiva sobre a sua nova futura vida pós-laboral, com destaque para os aspectos psicológicos, nomeadamente como socializar-se na nova etapa da vida, a gestão financeira e como criar um negócio, para além dos questões jurídicas de aposentação, tanto na antiga abordagem, como na que inicia em Junho do ano em curso.

Este ciclo de capacitações abrangerá outros funcionários espalhados por todas as províncias, sendo que para o próximo mês de Abril estão previstas mais duas acções formativas, nomeadamente uma na província de Sofala, onde estarão os participantes das regiões do centro e do norte, bem como das províncias de Gaza e Inhambane, enquanto a vila fronteiriça da Namaacha, província de Maputo, acolherá os participantes que constam do segundo grupo desta primeira fase e que não está na Ponta D’Ouro.

O chefe do Gabinete da antiga ministra do Trabalho, Helena Taipo, negou hoje ter recebido 200 mil Meticais da Direcção do Trabalho Migratório. Na sessão de julgamento do caso que envolve Helena Taipo, foram ouvidos, hoje, dois arguidos.

Dos dois arguidos ouvidos esta segunda-feira, o destaque vai para Sidónio dos Anjos Manuel, à data dos factos, chefe do gabinete da então ministra do Trabalho, Maria Helena Taipo. Pesa sobre si o crime de peculato e é apontado como quem recebeu 200 mil Meticais para benefício próprio, mas, em tribunal, negou tudo.

Esteve como chefe do gabinete da ministra do Trabalho durante cerca de um ano, entre 2012 e 2013, e foi nesta época que terá recebido um cheque de 200 mil Meticais da Direcção do Trabalho Migratório.

Quando ouvido durante a instrução do processo no Gabinete Central de Combate à Corrupção, Sidónio Manuel chegou a assumir ter recebido o cheque e ter passado a Helena Taipo. Diz que tomou esta posição só para se livrar do problema.

“Às vezes, costumamos dizer que não devemos agir com a cabeça quente. Estava com raiva, mas muita raiva, meritíssima. Estava com muita ira por conta disso tudo. As memórias que eu tinha da convivência com a então ministra só passavam pela cabeça, por que isto? Porque dizer que me entregaram um dinheiro que não recebi. Tudo o que aconteceu naquela altura me fez produzir este documento para sair do problema”.

O arguido explicou, em tribunal, que, na verdade, foi aconselhado durante a instrução que devia assumir ter recebido o cheque para encaminhar a Helena Taipo, mas, depois de seguir este conselho, teve peso de consciência.

Entretanto, da nota de entrega do cheque, consta a assinatura de quem recebeu o valor. Depois de ver os autos, disse que a assinatura era supostamente sua, mas, porque a juíza queria respostas exactas, o arguido acabou por negar que tivesse sido ele a assinar a nota de entrega.

Acusa a Direcção do Trabalho Migratório de ser a interessada em atribuí-lo a titularidade da assinatura, nomeadamente a directora Anastácia Zita, co-arguida, e José Monjane, chefe de repartição de Administração e Finanças.

Na sua vez de ser ouvido, o arguido Alfredo Lucas admitiu ter recebido mais de dois milhões de Meticais da Direcção do Trabalho Migratório e justifica que é pelo trabalho feito pela sua empresa Indumobil, que actua na carpintaria, estofaria e marcenaria.

Dos bens que terá fornecido à Direcção do Trabalho Migratório constam moageiras, cabos de enxada, redes para galinheiras, ração para pintos, botas e outros bens.

Diz que procurou estes bens nos estabelecimentos comerciais, mas, quando questionado sobre os recibos, disse não os ter, nem o contrato fechado com a Direcção do Trabalho Migratório.

“Eu trabalhava com um contabilista que era também guarda-livro e todos os documentos ficavam com ele. Ele morreu em 2017. Eu estava fora de Maputo. O seu escritório ficou encerrado por 30 dias. Depois disso, fomos convocados por um dos familiares para levantar as pastas. Fui perceber que havia perdido alguns documentos, incluindo o contrato”.

Amanhã, deverá ser ouvido o arguido Pedro Taimo, quadro do Ministério do Trabalho.

Mantém-se o cenário de degradação nas vias de acesso do troço Machava-15 a Nkobe, no Município da Matola. Automobilistas dizem que os buracos existentes na via, agravados pela queda da última chuva, danificam as viaturas e criam congestionamento.

Os problemas, para quem vai à Nkobe, começam no troço da Mafurreira, um local cujos problemas já nem vale a pena mencionar, pois o cenário tende a ser pior, na entrada da Machava-15.

Na estrada, com buracos cheios de água da chuva, ouvia-se o roncar dos carros, e via-se uma enorme fila de carros parados, nas duas faixas de rodagem, sem ter por onde passar, quando “O País” chegou lá por volta das 13 horas.

Os visados nem queriam falar e justificaram: “Estamos cansados, todos os dias somos entrevistados, expomos a situação, mas nada muda, sempre falamos dos mesmos problemas, pedimos socorro, clamamos por ajuda, mas tudo em vão”, gritava um automobilista.

Os que aceitaram falar com “O País” descreveram dias de sofrimento, para passar por aquele local. Segundo Carolina António, para passar da Machava-15, é preciso estar preparado para perder, naquele troço, entre 30 a 40 minutos, devido ao tráfego, originado pelos buracos da via.

“Os nossos carros estão estragados. A situação piora quando chove, metemos os nossos carros em buracos, sem ver a real situação, uns têm o azar dos carros pararem de funcionar dentro dos buracos, de tanta água ou por terem batido numa pedra, e outros vêem os danos depois, mas não há como escapar dito”, reclamou a automobilista.

O jornal “O País” seguiu para Nkobe. Aos solavancos do carro, originados pela degradação da via, por quase toda a extensão da via, da Machava-15 até à esquadra de Nkobe, os buracos já denunciavam os murmúrios dos automobilistas, que clamavam por socorro à nossa equipa de reportagem.

A estrada onde os buracos tomaram conta do asfalto, até carros de maior tonelagem enfrentam dificuldades para passar.

“No sábado, dois autocarros pararam aqui, neste buraco, porque a profundidade é maior. Nós fomos abandonados aqui, este é um bairro muito próximo à cidade da Matola e à Cidade de Maputo, mas levamos horas para chegar, não há justificação”, queixou-se José Macedo, um residente do bairro.

A fonte relatou que, nos dias de chuva, são poucos os “chapas” que chegam àquele bairro e a solução é fazer ligações para poder sair e entrar do bairro.

Já os transportadores de passageiros queixam-se da suspensão dos carros, do valor do combustível e de outros custos, que fazem com que o seu trabalho não seja rentável.

“Já não estamos a ganhar nada fazendo este trabalho, perdemos muito tempo no engarrafamento, metemos os nossos carros nos buracos e na água, toda a suspensão vai embora, e o preço do chapa mantém-se, isso não é justo”, refilou Osvaldo Raimundo.

Os moradores e automobilistas pedem, há tempo, solução para o problema, mas, mais uma vez, insistem, por respostas urgentes.

O Centro de Saúde Matola Santos, no Município da Matola, volta a funcionar, três meses depois do seu encerramento, devido ao alagamento das vias de acesso. A unidade reabriu as portas na última segunda-feira e já começa a registar adesão de pacientes.

“Ruas completamente alagadas, impossível transitar, tanto pela altura da água, bem como pelo terreno que é extremamente movediço”. Era a situação em que estava o Centro de Saúde Matola Santos durante cerca de três meses, devido à chuva que caiu entre Dezembro do ano passado e Janeiro do ano em curso.

Era um desespero total, pois vedava o acesso à saúde a mais de 65 mil pessoas, dos bairros Matola A e arredores, que tinham de recorrer às unidades sanitárias vizinhas e, por sinal, distantes, para ter atendimento.

Mas, o cenário hoje é diferente – as águas que inundavam a unidade sanitária já baixaram o que permitiu a sua reabertura.

Quem tinha que percorrer longas distâncias, formar longas filas e gastar mais dinheiro com o já deficiente sistema de transporte fala de dias difíceis.

“Nós tínhamos que ir ao Hospital da Matola 700 para ter atendimento. Não era um exercício fácil. Tinha que subir, pois tenho duas crianças e seria complicado ir lá a pé”, desabafou Cacilda Regina, mãe de duas meninas, que aguardava a sua vez na fila de atendimento no já reaberto Centro de Saúde.

Mas, nem todos tinham, ou dinheiro, ou disposição para percorrer longas distâncias para aceder a serviços de saúde. Anastácio Fernando optava pela automedicação.

“A minha outra opção era o Hospital Provincial da Matola, mas é longe. Quando tivéssemos uma dor de cabeça, comprávamos paracetamol para atenuar e só depois de piorar é que buscávamos por cuidados médicos. Agora, com o hospital aberto, ao invés de tomarmos quaisquer comprimidos, fazemos as análises e o médico passa-nos uma receita”, referiu a fonte.

A solução agora em aplicação é a abertura de caminhos que permitam o acesso ao centro de saúde.

Em chamada telefónica, a directora do Centro de Saúde da Matola Santos garante que o atendimento ocorre sem sobressaltos.

“Nós estamos abertos desde segunda-feira da semana passada (14) e, desde lá, tudo está a funcionar como antes do encerramento. É verdade que nos primeiros dias a adesão foi baixa, talvez por conta da chuva”, disse Nilsa De Jesus.

Questionada sobre a garantia de continuidade das actividades, a directora receia que, caso a chuva volte, o centro fique inacessível novamente.

“É um trabalho que ainda está a ser feito, por isso não podemos dizer que, se chover hoje ou amanhã, não poderemos voltar a fechar a unidade sanitária”, concluiu.

Apesar de a água ter reduzido e permitido a passagem dos utentes ao Centro de Saúde Matola Santos, ainda há charcos ao redor da unidade sanitária, que, havendo precipitação intensa, poderão voltar a vedar o acesso àquele hospital.

Gradualmente a vida tende a voltar à normalidade nos locais onde as águas das intensas chuvas tinham inundado. O nível das águas continua a baixar, mas vão, certamente, surgir problemas de saúde, tendo em conta que as águas das chuvas misturaram-se com águas negras, e, infelizmente, é a mesma que está sendo consumida em alguns bairros, como na Praia Nova.

Ciente disso, o sector de Saúde iniciou, hoje, a distribuição e sensibilização de como usar o cloro, em nos bairros mais afectados pelo mau tempo, para evitar a eclosão e propagação de doenças de origens hídricas.

“Durante três a cinco dias e em alguns casos até hoje, as águas dos poços nas zonas inundadas, que, normalmente, têm sido os tradicionais, ficaram misturados com as águas das latrinas e casas de banho, pois são áreas sem saneamento adequado. Portanto estas águas estão contaminadas e a população como não tem outro recurso, está a consumi-la, facto que irá contribuir para o surgimento de doenças diarreicas”, explicou Fino Massalambane, director Provincial da Saúde em Sofala.

O representante da Saúde acrescentou ainda que “as doenças de origem hídrica são frequentes em Sofala. Nas últimas quatro semanas, registamos cerca de 5300 casos, contra perto de 7.500 do ano passado. As intensas chuvas vão, certamente, contribuir para o surgimento de novos casos. A solução imediata passa por sensibilizar os afectados a usarem cloro ou a ferverem água. Ferver água fica muito oneroso para famílias sem posses financeiras, daí a nossa aposta na distribuição de cloro e sensibilizar os munícipes sobre outros cuidados a terem para evitar a cólera”.

Nesta semana, iniciou a distribuição de redes mosquiteiras nos mesmos bairros, pois os casos actuais da malária são preocupantes, c erca de 73 mil entre Fevereiro e Março. No ano passado, no mesmo período, foram contabilizados menos 18 mil casos da doença.

Ainda sobre as inundações em Sofala, recorde-se que para além das duas mortes causadas por afogamento, uma na cidade da Beira e outra em Mafambisse, o timoneiro de Sofala anunciou que em sete escolas, três delas onde estão abrigadas 341 famílias, vítimas das inundações, não haverá aulas por algum tempo, ou seja, até que as condições estejam criadas para que as pessoas retornem às zonas de origem.

Outros dados preliminares fornecidos pelo INGD indicam que 1350 casas foram parcialmente destruídas e outras três mil estão inundadas. Uma unidade sanitária foi, igualmente, inundada e cerca de 400 hectares de cultura de arroz foram afectados. O Nível das águas continua a baixar e os afectados já equacionam regressar às suas casas.

O INGD garantiu que está a monitorar a situação para garantir que as famílias, que se encontram nos centros transitórios, nas referidas três escolas, regressem de forma segura as suas origens.

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