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O País – A verdade como notícia

Perto de dez mil famílias precisam de apoio alimentar na Zambézia. Os estragos dos ciclones Ana e Gombe continuam visíveis nos distritos do centro da província. Para responder aos apelos do INGD, 184 deputados da bancada da Frelimo, na Assembleia da República, apoiaram em alimentos.

A província da Zambézia está com défice de pouco mais de cem toneladas de produtos diversos para assistir mais de dez mil famílias afectada pelo ciclone tropical Gombe. O delegado do Instituto Nacional de Gestão do Desastre (INGD), na província da Zambézia, Nelson Ludovico, explicou que, no âmbito do apoio às famílias afectadas pelos ciclones Gombe e Ana, decorre, neste momento, elaboração, junto dos parceiros humanitários, de um plano integrado de resposta e recuperação.

“Até ao momento, precisaríamos de mais de cem toneladas de produtos alimentares e multiformes. Em relação a bens não alimentares, temos ainda necessidades em material de abrigo, mas, felizmente, estamos a ter uma resposta rápida e atempada. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) já anunciou a vinda de mais de mil kits de abrigo para a província, e estamos a aguardar que estes bens cheguem para apoiarmos as nossas famílias”, disse Nelson Ludovico, delegado do INGD na Zambézia.

Com os materiais que se aguardam da OIM, Nelson Ludovico fala de uma assistência para dez mil famílias numa primeira fase. “Estamos ainda a resolver os problemas decorrentes do ciclone Gombe e afectados pelo ciclone Ana, então há um trabalho que estamos a fazer”, precisou aquele responsável. 

Os dois ciclones Ana e Gombe arrasaram a província da Zambézia, destruíram residências e culturas diversas de pouco mais de 16 mil famílias. Os rastos de destruição ainda são visíveis, apesar dos esforços do INGD e parceiros humanitários na busca de soluções para suprir as necessidades das famílias alojadas num total de cinco bairros de reassentamento nos distritos da Maganja da Costa, Namacurra e Nicoadala.

Para ajudar na resposta do INGD, 184 deputados da AR pela bancada da Frelimo canalizaram bens alimentares. “Temos, aqui, 50 sacos de farinha de milho, açúcar, arroz, sabão e outros materiais para apoiar as famílias”, disse Zuria Assumane, deputada da Assembleia da República pela bancada da Frelimo.

O primeiro secretário provincial da Frelimo na Zambézia, Paulino Lenço, apelou, na ocasião, aos diversos actores da sociedade para optarem pelo gesto de solidariedade para com as famílias que sofrem, vítimas de desastres naturais.

“Todas as bancadas, no Parlamento, deviam fazer isso, porque não basta apenas falar sem agir para o bem da população que carece de apoio neste momento”, apelou.

Neste momento, continua o processo de assistência às famílias pelo INGD e parceiros de cooperação. 

Há três dias que centenas de casas estão inundadas, na Cidade de Maputo, devido à chuva que cai desde o último sábado. Os moradores estão agastados com a situação e pedem a intervenção das autoridades para minimizar o sofrimento.

Que as casas de alguns bairros da capital do país ficam inundadas quando chove nem é novidade. Desta vez não foi diferente! Já lá se vão três dias que a palavra que mais se ouve na Cidade de Maputo é “casas alagadas” que ganhou o significado de dias difíceis para quem tem a cidade das acácias como sua residência.

Caetano Sitoe sabe de que estamos a falar. Passa dias sem dormir na sequência da chuva que cai desde sexta-feira. “Choveu naquela noite e o quintal ficou alagado sem ter como sair. Tive que tomar banho fora do quintal, vestir na estrada porque a situação está assim e não temos como”, contou Caetano Sitoe, residente no bairro Maxaquene “C”, na Cidade de Maputo.

Caetano Sitoe vive no bairro Maxaquene “C”, na Cidade de Maputo. Abriu as portas da sua casa para descrever o dia-a-dia passado no meio da água da chuva. “Não quero viver como peixe, tenho que ficar, para comer também tem que ser lá fora. O que a minha esposa quer cozinhar, eu vou comprar porque ela não tem como sair. A sorte é que onde ela cozinha, a água entra mas desaparece muito cedo, então consegue cozinhar ali e, se não tivéssemos aquilo, teríamos de cozinhar por cima das mesas”, narrou Caetano Sitoe.  

Na luta de salvar o que puder que Caetano Sitoe teve que improvisar algumas estratégias para evitar que os seus móveis molhassem. “Tirei os meus bens, deixei-os um pouco em cima e até não posso voltar a colocar no chão, porque não temos como. É a situação da nossa vida”, disse o morador de Maxaquene “C”.  

Uma vida que ninguém gostaria de ter. Pode não ser esta a forma de viver, mas os moradores de Maxaquene “C” não têm muitas opções quando a mãe natureza decide fazer das suas.

 “Estamos mergulhados nas águas. Tomamos as crianças e colocamo-las sobre as mesas. Ficamos dentro da água até amanhecer. E mais, as casas e os muros já estão a degradar-se e inseguras. Um dia, tudo vai desabar por conta das águas. No dia que ouvirem que em Maxaquene morreu o povo é quando irão resolver o problema”, alertou Filomena Guidione, moradora do bairro Maxaquene “C”, capital do país.  

Estão cansados de um problema que está a perigar a sua saúde e a revolta é inevitável. “A sujidade das casas de banho vem às nossas casas. Veja qual o nível das águas dentro das residências. Não seria melhor tirarem-nos daqui para um lugar qualquer, ainda que seja mato para sairmos dessa imundície?”, apelou Filomena Gudione.

Enquanto não saem da zona inundada, os moradores vão improvisando locais para preparar as refeições e cozinham onde ninguém pode imaginar: no tecto. “Para subirmos até lá, usamos o muro e, chegados àquele sítio, colocamos o fogão para podermos cozinhar”, revelou Ércia Manhique, também residente do bairro Maxaquene “C”.   

E os residentes de Maxaquene “C” sabem qual é a origem das inundações. A bacia de retenção de água construída no ano passado pela edilidade é apontada como a causa das inundações. O objectivo era que retivesse a água.

A bacia, até reteve a água, mas não o suficiente para que a mesma não invadisse as residências à sua volta. “Aquilo que chamam bacia é uma tigela. A água que vem de Coop, Frangão, Maxaquene “C” vem para aqui (referindo-se à bacia), então não suporta quase nada. É uma brincadeira o que fizeram”, criticou Caetano Sitoe, secundada por Ércia Manhique, que afirma que “por conta da bacia, a água da chuva pode chegar a ficar duas semanas ou mais”.

Nas margens da Estrada Circular de Maputo, há casas inundadas. Na zona do Chiango, vivem os reassentados da explosão do paiol de Malhazine e, agora, a preocupação não são mais os engenhos explosivos, mas as inundações. “É o que vocês vêem. Dentro de casa também está cheio de água. Os quartos não escaparam e as crianças não têm onde se sentar”, narrou Angelina Jaime, residente de Chiango e afectada por inundações.

Com o interior da casa e o quintal tomados pelas águas da chuva, é quase impossível viver por estes dias. “Não temos vida. Não temos o que fazer. Não há onde fazer lume e muito menos cozinhar. Dormimos em cima da mesa, isso para quem tiver ou na cama, mas para tal tem de elevá-la um pouco, colocando blocos por baixo”, desabafou a moradora da zona do Chiango.

A cama pode até estar mais para cima, mas a água, esta, continua dentro das casas e coloca em perigo a vida dos mais novos. “A minha filha, naquelas brincadeiras, de repente caiu e afundou na água. Graças a Deus, consegui tirá-lo e fiz com que cuspisse a água que tinha bebido e ficou bem”, descreveu o drama vivido Lézia Sebastião. 

A solução para frequentes problemas de inundações naquela zona passa por indicar um outro local para reassentar as famílias. “Queríamos que fossem eles (da Reencontro) para falarem com o Governo para que nos arranjem um sítio. Não estamos a dizer que nós é que vamos procurar. Que vejam um sítio para colocarem todos nós que estamos a viver nesta zona”, propôs Marta Nuvunga, residente de Chiango e um dos afectados pelas inundações urbanas.

O secretário do bairro esteve no local para avaliar os impactos e à nossa reportagem disse que nem sempre a zona teve inundações e sabe de onde o problema surge. “Quando surgiu a Circular, criou uma espécie de bloqueio em algumas zonas, porque as águas tinham tendência de descer até à zona baixa, mas, agora, a estrada está numa elevação, as águas já não atravessam para o outro lado e não há valas”, indicou Arnaldo Hell, secretário do bairro Albazine, na Cidade de Maputo.

Enquanto isso, o secretário do bairro disse que já reportou o problema à edilidade e aguarda pela resposta.

 

Foi adiado para o dia 26 de Maio o julgamento de dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), indiciados de terem espancado, até à morte, um cidadão há dois anos, pelo facto de ter estado a filmá-los a ameaçarem um grupo de adolescentes.

O facto foi registado no dia 18 de Abril de 2020, no auge das medidas de prevenção da COVID-19, com enfoque para o distanciamento físico. Um cidadão que em vida respondia pelo nome de Abudl Razak, que tinha, na altura, 44 anos de idade, foi espancado até à morte,  por dois agentes da PRM, afectos à esquadra do bairro Munhava, na cidade da Beira, quando tentou filmar, na base de um telefone celular, os referidos agentes que ameaçavam alguns adolescentes, por incumprimento do decreto presidencial, pelo facto de estarem a jogar futebol.

Os dois agentes da PRM foram detidos, mas, dias depois, mediante o pagamento de cauções, foram colocados em liberdade.

O processo prosseguiu e, esta terça-feira, teria início o julgamento do caso, na 4ª sessão do Tribunal Judicial da cidade da Beira, mas, devido à ausência de um dos agentes indiciados, considerado elemento fundamental do processo, o julgamento não arrancou. 

O advogado alegou que o seu constituinte está incontactável há algum tempo pelo facto de estar numa das frentes de batalha na zona Norte do país, combatendo os terroristas. A juíza do caso quebrou a caução do réu e ordenou a sua recondução à cadeia e a busca de informações no comando da PRM sobre o paradeiro do réu.

O advogado ficou inconformado com a decisão do tribunal, alegando que não tem fundamento no novo Código do Processo Penal. “Eu não consigo encontrar, no Código do Processo Penal, quais são as consequências que podem ser tomadas pelo julgador, após ser quebrada a caução”, afirmou Domingos José, advogado do agente que está supostamente em Cabo Delgado.   

O advogado da família da vítima acredita que a ausência do referido agente faz parte de uma manobra para retardar o julgamento. “O tribunal agiu muito bem em ordenar a captura do réu em questão. Este e o seu advogado tiveram muito tempo para informar a este tribunal da impossibilidade do agente da PRM fazer-se presente no início do julgamento, mas não o fizeram, portanto fica claro que pretendem protelar o julgamento. É uma manobra dilatória. Parabéns ao tribunal”, afirmou Cremildo João, advogado da família de Abudul Razak.

Há alunos que não vão à escola devido a inundações de residências e intransitabilidade de ruas em vários bairros, na Província de Maputo, devido à chuva que caiu nos últimos três dias.

A chuva que cai desde domingo último, nas cidades de Maputo e Matola, veio mais uma vez colocar a nu a situação precária a que muitos cidadãos estão sujeitos.

A frase “é sempre assim quando chove” ouve-se sempre que a nossa equipa escala os bairros assolados pelas inundações. É que, na verdade, o cenário é sempre o mesmo e a pergunta é: até quando as populações continuarão a sofrer?

Escalamos o bairro Nkobe, no Município da Matola, Província de Maputo, e o que ao longe parecia uma simples rua alagada, quanto mais nos aproximávamos, ficava visível a triste situação em que Énea Vilanculos e os seus dois filhos passam desde Dezembro do ano passado.

“Estamos a passar mal aqui, já passaram seis meses com água dentro do quintal. Se tivesse uma vala de drenagem, talvez fosse ajudar, porque assim, não está a dar. Pedimos socorro”, disse Énea Vilanculos.

As ruas ficaram intransitáveis, as casas inundadas e a água tomou conta de tudo. Até do direito de circular na própria casa.

Dona Énea conta que, para sair e entrar, tem de ter botas. “Aqui, está cheio de água. As crianças já nem podem brincar à vontade, pois não sabemos o que pode existir nela”, desabafou.

No bairro Nkobe, na Província de Maputo, circular pelas ruas requer botas ou encarar a água. Mas, em consequência da intransitabilidade das ruas, os filhos da dona Énea perdem aulas há semanas.

“As crianças estão há duas semanas sem irem à escola, por causa da chuva e da água que inundou as ruas. Nós não temos dinheiro para comprar botas e, enquanto isso, porque não conseguem chegar lá, só podem ficar por aqui, a brincar”, concluiu Énea Vilanculos.

Igual a Zita e Edson, filhos da Énea Vilanculos, estão tantas outras crianças do bairro Nkobe e arredores que, no lugar das aulas, brincam na água e, ter infecção nos pés é frequente e o tratamento é local.

“De tanto andar na água, temos tido problemas nos dedos dos pés e tratamos com óleo e água quente. Mas depois voltamos à mesma água”, disse Sónia Manhique, também mãe de duas crianças que não vão à escola devido à intransitabilidade.

Na casa da dona Sónia, a água ocupou todo o quintal. Para lavar roupa, cozinhar, ir à casa de banho, ela pensa duas vezes, pois tudo deve ser feito no mesmo quintal, cheio de água.

O grito de socorro vem de todos os lados, mas nem todas as crianças optam por gazetar as aulas. Com recurso a botas, muitas são as que atravessam as poças, mas há quem vá mais longe em busca do conhecimento, contra todos os riscos.

Contudo, não são só as casas que sofrem os efeitos da chuva.

As estradas da Matola têm sido a principal vítima nos últimos dias. A chuva vem pôr à prova a qualidade das mesmas e o resultado não é dos melhores, segundo a avaliação dos automobilistas.

“Estamos mal nesta estrada. O que estou a ver é que o Município [da Matola] não conhece esta estrada, apenas conhece os chapas da Liberdade. É um sacrifício andar aqui, ainda nós que fazemos mais de cinco viagens por dia”, declarou Nélson Manhique, motorista de transporte público de passageiros, que faz a rota Liberdade – Losalite.

Está tão mal que visitar o mecânico passou a ser actividade diária. São buracos, uns maiores que outros. “Temos que trocar as rótulas e a suspensão quase sempre. Nestas condições não dá para nada.”

Aos buracos da Liberdade juntam-se os da Machava 15, Damaso Ferreira, Nkobe, Patrice e tantos outros bairros, que clamam por reabilitação urgente.

“Só estamos a andar por falta de alternativas, pois a estrada está péssima. Com esta chuva, está pior e, com a ameaça de mais chuva, poderá ser impossível transitar”, declarou António Tomás, um dos automobilistas que desafiou a estrada de Nkobe.

Segundo os automobilistas, a chuva só veio piorar a degradação das vias, mas está insustentável circular de viatura, quer por degradação, quer por charcos, em pleno asfalto.

Ainda em consequência das chuvas intensas, está interrompida a circulação rodoviária no troço entre o posto administrativo de Catuane e a localidade de Madubula e ainda prevê-se a interrupção no troço entre a localidade de Madubula e o posto administrativo de Bela Vista.

O Ministério da Indústria e Comércio (MIC) lança esta quarta-feira, em Marracuene, Província de Maputo, a Campanha de Comercialização Agrícola 2022 e o IV Fórum Nacional de Comercialização Agrícola, sob o lema  “Comercialização agrícola, Dinamizadora do Agronegócio e Industrialização”.

Segundo um comunicado do MIC, o evento, que terá réplicas em todas as províncias, vai exortar os produtores e intervenientes no processo de comercialização, para o início da campanha de comercialização agrícola 2022, divulgar em linhas gerais, as acções de intervenção dos agentes económicos na cadeia de valor da comercialização agrícola, com a finalidade de garantir a absorção de todo excedente e melhorar a coordenação entre os produtores e intervenientes da cadeia de valor produtiva e comercial.

A fonte avança também que, durante a cerimónia, serão distinguidos os melhores intervenientes na campanha de comercialização agrícola 2021, entrega de cheques para financiamento aos intervenientes das regiões Norte, Centro e Sul do país, no âmbito do fundo rotativo da comercialização agrícola.

O IV Fórum Nacional de Comercialização Agrícola vai incidir-se sobre o diálogo com intervenientes da cadeia de produção e comercialização, em   que serão abordadas as questões ligadas à produção, comercialização, processamento, distribuição, consumo e exportação dos produtos nacionais, com vista a identificar constrangimentos e oportunidades neste processo.

Paralelamente, será realizada uma Feira Agro-Industrial e de serviços que terá a duração de três dias e consistirá na exposição de produtos agrícolas, pecuários, processados, fortificados e serviços de apoio à cadeia de comercialização.

Parte dos 113 milhões de Meticais desviados das contas da Direcção do Trabalho Migratório (DTM) teria sido usada para adiantar pagamentos diferidos aos mineiros, de acordo com os vários arguidos ouvidos em Tribunal. A responsável máxima da DTM diz que o valor, que tinha sido tirado de uma conta estranha para este efeito, foi depois reembolsado.

A não canalização de taxas de contratação de mão-de-obra estrangeira à Conta Única do Tesouro pela Direcção do Trabalho Migratório foi uma das questões colocadas no interrogatório a Anastácia Zitha, que pelo quarto dia esteve a ser ouvida hoje em Tribunal. A que era responsável máxima da DTM apontou o dedo ao Ministério da Economia e Finanças que teria dito que existiam 91 milhões de Meticais resultantes de 40% do valor das mesmas taxas para esta Direcção, mas, depois de a instituição que zela pelos mineiros ter feito planos e ter assumido compromissos, o Ministério das Finanças disse que o valor não seria mais disponibilizado.

Esta teria sido a razão de se usar dinheiro indevido, pela DTM, para adiantar os pagamentos diferidos aos mineiros e, por isso, o Ministério Público questionou se a DTM tem a prerrogativa de fazer a retenção na fonte dos 40% do valor das taxas de contratação de mão-de-obra estrangeira antes de canalizar o valor à Conta Única do Tesouro.

“A DTM não fez retenção na fonte dos 40%. Recorreu a uma parte do valor que deveria ter sido canalizado à Conta Única do Tesouro, daí que houve necessidade de comunicar e até protestar, por ofício enviado pela ministra do Trabalho, na época dos factos, ao ministro das Finanças”, explicou Anastácia Zitha, durante interrogatório feito pelo Ministério Público, acrescentando que “as actividades da DTM são suportadas, na sua maioria, pelas receitas consignadas. A falta do Ministério das Finanças, em não consignar o valor que havia sido comunicado, significa o não cumprimento das actividades que deviam ser cobertas por esse valor. Daí que a DTM foi forçada a ter que recorrer a uma parte do valor das taxas de contratação de mão-de-obra estrangeira”.

O procurador Armando Paruque quis perceber se os adiantamentos à TEBA, às minas filiadas e a outras unidades orgânicas do Ministério do Trabalho foram depois reembolsados.

“Os valores foram sim reembolsados. Os que foram à TEBA foram reembolsados a partir do valor do pagamento diferido. Enquanto o valor adiantado às unidades do MITRAB foi reembolsado por ordem do próprio DAF (Direcção de Administração e Finanças) a favor da DTM”.

E onde se encontram os comprovativos dos reembolsos? A arguida diz que parte dos comprovativos está nos autos. “Creio que é no volume 8, não posso precisar as folhas. Mas havendo necessidade de se juntar aos autos, caso não sejam suficientes, poderá oficiar-se à DTM para que junto aos bancos se reúna os documentos que provam o reembolso”.

O Ministério Público não demorou, requereu que se oficiasse ao Ministério do Trabalho a apresentar provas deste reembolso em sete dias. A defesa de Anastácia Zitha requereu, também, que se apresentasse provas do reembolso de um valor adiantado à Conga Música para a compra de material de som a favor do Ministério que era dirigido por Maria Helena Taipo.

A sessão continua esta quarta feira com a mesma arguida.

Há indivíduos que se fazem passar por inspectores para burlar e extorquir farmácias e hospitais privados. Segundo as inspecções do Trabalho, Saúde e Actividades Económicas, numa conferência de imprensa conjunta, o último caso, diga-se mais sofisticado, deu-se em Março último.

Entre as artimanhas, os burladores criaram um despacho falso, com carimbo e a identificação do Ministério da Saúde e, no documento, alegavam a existência de uma denúncia devido há várias irregularidades e a decisão seria de suspender as actividades das referidas empresas.

Através das redes sociais, o documento era enviado às firmas e, de seguida, os agentes económicos recebiam uma chamada telefónica a pedir um valor para que a decisão de suspensão fosse travada.

Segundo o inspector-geral da Saúde, Martinho Djedje, “foram vários números usados para burlar os agentes económicos. Eles usam imagens dos inspectores da INAE, ou da Inspecção do Trabalho e/ou da Inspecção da Saúde associada a um número deles e faziam as burlas”.

Ano passado, foram inspeccionadas 347 farmácias em todo o país e 19 hospitais privados, sendo que alguns foram obrigados a fechar e outros multados por irregularidades. Alguns agentes, por medo que o mesmo voltasse a acontecer, acabaram por ceder às chantagens e pagavam o que os falsos inspectores pediam.

Entretanto, nem todos caíram na burla, segundo Djedje. Várias firmas desconfiaram da forma com que o processo era feito e contactaram o Ministério da Saúde.

Por seu turno, Paulino Mutombene, inspector-geral-adjunto do Trabalho, o problema não é novo e já tem “barba branca”.

“Em 2017, registamos casos de inspctores falsos, em 2018 também e a proliferação agudizou-se com a pandemia da COVID-19 e, hoje, temos inspectores falsos do Trabalho e da Saúde”, disse para depois, em jeito de indignação, questionar: “afinal, onde é que estamos a falhar? O que tem que ser feito para estancar a situação?”

Para o inspector-geral-adjunto do Trabalho, o agravante é que as denúncias são sempre feitas pelos trabalhadores, não pelos empregadores e é necessário que haja o apoio do empregador para que esse mal seja estacando.

“Mas, como nalgumas vezes não cumprem as normas, logo que aparece um inspector, o empregador fica assustado, porque acha que não está a cumprir as normas e não presta atenção se esse indivíduo é de facto um inspector ou não”, apontou.

Por isso, a inspectora-geral da INAE alertou aos agentes económicos para uma maior atenção sempre que receberem alegados inspectores. Eles devem sempre andar credenciados e nunca sozinhos, no mínimo, dois.

Outro ponto que Freitas alertou é que a inspecção nunca é anunciada quando irá ocorrer e não é feita telefonicamente.

“Não comunicamos aos agentes económicos o valor da multa no local. Ao perceber uma irregularidade, há um processo que deve ser instaurado e, de acordo com o enquadramento legal, verifica-se qual é a penalização e não antes”, explicou.

Em conexão com o caso, ainda não há detidos, mas os inspectores mostraram insatisfação, pois muitas vezes são detidos falsos inspectores e, tempo depois, são soltos e voltam a praticar os mesmos crimes.

O Governo dos Estados Unidos da América (EUA), através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), lançou dois programas para melhorar a capacidade de resposta e recuperação dos agricultores moçambicanos face aos choques e tensões climáticas.

Segundo um comunicado de imprensa da USAID, os referidos programas de dois anos, em coordenação com as autoridades governamentais locais e provinciais, irão melhorar a produtividade agrícola, diversificar as oportunidades económicas e reforçar os sistemas de alerta precoce e de acção nas comunidades da província de Gaza afectadas por catástrofes.

De acordo com a fonte, os programas enfatizam as mulheres e os jovens agricultores, dois grupos que têm geralmente menos acesso aos recursos e serviços agrícolas. O primeiro programa, a Iniciativa de Resiliência e Reconstrução dos Agricultores, implementado pelo iDE, apoia 4.400 pequenos agricultores nos distritos de Chókwè e Guijá, gerindo escolas de cultivo para agricultores com um currículo adaptado ao contexto local, e criando uma rede de empresários rurais que aconselham os agricultores em tópicos que vão desde a gestão empresarial até à utilização de tecnologias inteligentes em termos de água.

Paralelamente, a Iniciativa de Promoção da Resiliência, através do Empoderamento da Mulher, implementada pela Save The Children, proporciona formação aos agricultores em práticas de produção sustentável que enriquecem o solo, protegem as culturas e melhoram a qualidade e a quantidade dos rendimentos.  O programa também apoia grupos de poupança e empréstimo baseados na aldeia para aumentar o acesso dos pequenos agricultores ao financiamento.  Adicionalmente, o programa trabalha com funcionários distritais e líderes comunitários para desenvolver planos de acção precoces que protejam culturas, campos e gado antes que os desastres aconteçam.  Estas actividades irão beneficiar cerca de 75 comunidades na província de Gaza, atingindo mais de 54.000 moçambicanos.

“Ao ajudar a construir competências, diversificar oportunidades económicas e aumentar o acesso aos recursos, estes programas permitem aos agricultores e às suas comunidades não só recuperar dos períodos de escassez, mas também melhorar os rendimentos e preparar-se para o futuro”, disse Helen Pataki, directora da missão da USAID Moçambique.

A USAID vai investir 5,5 milhões de dólares nestes dois programas ao longo dos próximos dois anos.  O apoio a programas de recuperação e resiliência em caso de catástrofes, destinados a satisfazer as necessidades imediatas das comunidades afectadas e a construir resiliência para futuras emergências, são componentes críticos da assistência mais ampla do Governo dos EUA em Moçambique.

O distrito de Mogincual foi o mais fustigado pelo ciclone Gombe na província de Nampula e, um mês depois, contabilizam-se 104 mil pessoas afectadas, das quais 9500 famílias precisam de uma atenção especial, porque perderam completamente as suas casas. Se tivermos em conta uma média de cinco membros por família, pode-se estimar que se trata de mais de 47 mil pessoas.

A assistência humanitária foi difícil nas primeiras semanas depois daquele evento natural extremo, devido ao corte das vias de acesso e durante mais de uma semana ficou completamente isolado do resto da província, mas, à medida que se vai repondo a transitabilidade, o INGD diz que vai aumentar a sua capacidade de assistência.

“Nas últimas duas semanas, temos estado a enviar alguns mantimentos para lá; temos um parceiro, a CARE, que já fez uma assistência a cerca de 1000 famílias em kits não alimentares (mantas, panelas e lonas que fazem parte do kit de abrigo), enquanto, da nossa partem, temos canalizado os mantimentos directamente para o Governo do distrito que, por sua vez, alcança as famílias mais vulneráveis das afectadas. O total das famílias afectadas ronda as 104 mil pessoas, aproximadamente 22 mil famílias. É este universo que paulatinamente precisamos de alcançar. Não são todos que estão nas mesmas condições, porque há aqueles que perderam as casas na totalidade e outros de forma parcial. Então, temos cerca de 9500 famílias que precisam de atenção especial, porque perderam totalmente as casas”, explicou Alberto Armando, delegado INGD em Nampula.

O assunto dos deslocados de guerra e das calamidades naturais tem merecido outra abordagem do Governo que diz que as pessoas não podem viver na situação de deslocados eternamente, a dependerem de ajuda alimentar, devendo ser inseridas no tecido económico para gerarem o seu próprio sustento.

“O caso específico dos que sofreram das intempéries que se abateram sobre a nossa província, como é o caso de Gombe, estão a construir as suas casas nas suas antigas zonas de residência. Ninguém é permitido construir a casa em nova zona de reassentamento ou de acomodação de qualquer tipo de deslocado. E em relação aos nossos irmãos de Cabo Delgado, igualmente, a medir pela estabilização ou pela conquista da paz na província de Cabo Delgado, elas, de forma paulatina, estão a regressar à província de Cabo Delgado, mas é preciso que todos saibamos que aqui não há política de forçar”, justificou Manuel Rodrigues, governador de Nampula.

Os nossos entrevistados falavam à margem da cerimónia de entrega de donativos da bancada parlamentar da Frelimo que se destina à assistência à população vítima do ciclone Gombe, sendo que o INGD garante que vai mandar todos os mantimentos para o distrito de Mogincual.

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