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O País – A verdade como notícia

Taxistas, na Cidade de Maputo, querem aumento de 50 Meticais por quilómetro, para fazer face aos custos operacionais. Assim, o valor pago por quilómetro passaria dos actuais 100 para 150 Meticais. A classe diz sentir-se abandonada, pois, há cerca de sete anos, a tabela de preços não é actualizada.

Desde 2015, mais de 270 operadores da Associação dos Taxistas da Cidade de Maputo (TAXIMA) esperam por uma resposta satisfatória por parte da Assembleia Municipal. Em causa, está a tabela de preços que permanece inalterada, mesmo com as várias subidas dos preços dos combustíveis e do aumento do custo de vida.

Os taxistas dizem-se abandonados, pois submeteram, há mais de sete anos, propostas, sem respostas satisfatórias.

“Nós somos órfãos. Pagamos taxas ao Conselho Municipal [da Cidade de Maputo], mas nunca vieram ao nosso encontro para saber o que está a acontecer de concreto com a nossa actividade. Sentimo-nos abandonados”, lamentou Artur Xavier, taxista há mais de 20 anos.

Segundo contam os taxistas, a situação tem contribuído para que os seus dias sejam cada vez mais complicados, devido aos custos operacionais da actividade.

A operar táxi desde 2002, Inácio Macuácua disse ao “O País” que o seu lucro mensal já não é suficiente para cobrir as despesas de manutenção da viatura e para alimentar a sua família.

“A situação não está nada boa, está cada vez difícil. Eu trabalho, tenho que sustentar a família, cobrir as despesas do carro, comprar pneus e fazer a manutenção completa da viatura. O negócio já não é rentável, pois eu trabalho, mas não vejo lucros”, queixou-se Macuácua, apelando para “que se faça a revisão da tabela dos preços e que seja geral, porque, se cada um marca o seu preço, o cliente acaba por ficar baralhado e isso torna o trabalho mais complicado”, referiu.

Por outro lado, a situação torna-se mais agravante pelas subidas sucessivas dos preços dos combustíveis, tal como explicou Daniel Firmino, que é taxista há mais de 10 anos.

“Quando os preços dos combustíveis sobem, o preço do táxi mantém-se. Estamos há mais de cinco ou dez anos a trabalhar com os mesmos preços. Assim, é impossível ter lucros. Não consigo nem sequer fazer a manutenção do meu carro”, justificou Firmino.

A tabela de preços em vigor prevê o pagamento de 100 Meticais por quilómetro, valor que não é suficiente para cobrir todas as despesas operacionais. Assim, a TAXIMA sugere um aumento de 50 Meticais.

“Ainda estamos em conversações com o Conselho Municipal para que aprove uma nova tarifa, pois precisamos de unificar os preços, para que todos os operadores de táxis possam implementá-la”, explicou Luís Rafael, presidente da Associação dos Taxistas da Cidade de Maputo.

O presidente da TAXIMA disse ainda que a actual tabela de preços tem contribuído para o aumento da concorrência desleal.

“É difícil, porque, além dos táxis por aplicativo, existem táxis ilegais, que se proliferam em toda a cidade. E o Conselho Municipal sabe muito bem da localização desses táxis, mas simplesmente nada faz e cada um aplica os seus preços, em prejuízo dos taxistas licenciados”, concluiu.

Nas ruas da capital da Finlândia, Helsínquia, cruzam-se várias nacionalidades, com histórias de aventura e uma vida que se vai construindo muito longe da terra natal.

Emília Gravata é casada com um finlandês com quem tem três filhos. Formou-se primeiro em Música, em Moçambique, e foi em Maputo onde conheceu o seu esposo que a fez partir para Helsínquia para cuidar do lar. Uma vez na Europa, decidiu abraçar outros desafios.

“Sou professora-assistente. Dou aulas a alunos com autismo e deficiência de desenvolvimento para actividades normais. Portanto, são, crianças especiais com deficiência de todos os géneros, alguns na cadeira de rodas. Aos fins-de-semana trabalho em asilos, cuido de idosos. Estudo Enfermagem, de noite”, apresentou-se à nossa reportagem, no início de uma conversa que se desenrolou numa praça verde, com som ambiente de artistas de rua e um movimento de pessoas de todas as idades.

Como é ser professora num país onde o sistema de Educação é bastante rigoroso? – questionamos à moçambicana que, há 17 anos, reside e trabalha na cidade de Helsínquia. “Aqui, na Finlândia, na sala de aula, está o professor e um assistente do professor, porque nem sempre o professor consegue dar aquela atenção a 100% ou ver tudo que está a acontecer nos cantos, mas, com o assistente, é fácil. Os dois sentam-se uma vez por semana para fazer o balanço da semana de cada aluno e o que se pode fazer para melhorar seu desempenho.”

Comparar o sistema de Educação da Finlândia com o de Moçambique seria um exercício muito difícil de fazer. Só para se ter ideia, para este ano, a Finlândia vai direcionar do Orçamento do Estado 7,5 mil milhões de euros para a Educação que é gratuita da pré-primária até à Universidade – qualquer coisa como quinhentos e quatro mil milhões de Meticais –, e Moçambique vai aplicar, este ano, pouco mais de 70 mil milhões de Meticais para o mesmo sector. No entanto, há coisas que não dependem tanto de dinheiro, mas sim da seriedade.

Emília Gravata mostrou-se chocada com os erros nos livros escolares em Moçambique, que vêm agravar a falta de investimento em salas de aula e equipamento de apoio para as lições. “Quando foi despoletado este problema, foi difícil aceitar. Como é possível que haja esse tipo de erros e o Ministério [da Educação e Desenvolvimento Humano] permite que os livros sejam direccionados aos alunos sem que houvesse revisão”, indagou-se Gravata e para quem não encontra resposta razoável para o que está a acontecer em Moçambique.

Num mundo cada vez mais competitivo, Raúl Abdula escolheu viver na cidade de Helsínquia com a sua esposa finlandesa e ganha a vida como técnico de manutenção.

“Isso inclui manutenção de infra-estruturas, estamos a falar de ventilação, electricidade, jardins, etc”, detalhou Raúl Abdula.

A vida na Europa não é um mar de rosas. Mas também é possível viver quando se investe no conhecimento. Algo que o jovem de Chimoio sente faltar para muitos concidadãos moçambicanos.

“Ajudem o povo moçambicano a avançar. Estamos a viver um momento de muita tensão – terrorismo, falta de emprego, água potável, oportunidade nas escolas – abram tudo isso aos moçambicanos”, disse em jeito de apelo ao Governo de Moçambique, porque, mesmo com os seus 19 anos a viver na Finlândia, não desliga a ficha que o liga à terra natal.

Raimundo Fortes é outro moçambicano que se dedicou à formação, tendo feito a primeira licenciatura em Gestão de Produção, outra em Informática de Computação e um mestrado em Gestão Internacional de Negócios. Rumou para Finlândia com vista a continuar os estudos e acabou por ficar lá para trabalhar.

“Actualmente, estou a trabalhar como coordenador de serviços de uma empresa que trabalha em diferentes supermercados e somos encarregados de fazer limpeza”, explicou-nos Raimundo Fortes, residente em Helsínquia desde 1999.

Entende que Moçambique precisa do seu contributo, sobretudo nesta nova fase de início de exploração de mega-projectos, porém, por enquanto, ainda não teve resposta positiva para voltar.

O Presidente da República desafiou, esta segunda-feira, a nova vice-ministra da Saúde, Farida Urcí, a usar a sua experiência para pôr fim ao mau atendimento, cobranças ilícitas nos hospitais, escassez e desvio de medicamentos no sector da saúde. Filipe Nyusi apelou ainda ao envolvimento do sector privado para a implantação de uma indústria farmacêutica no país.

A nova vice-ministra da Saúde chama-se Farida Urcí, uma profissional com uma experiência de mais de 20 anos, tendo exercido funções diversas, com destaque para o de directora do Bloco Operatório e da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Central de Maputo (HCM).

No acto da sua tomada de posse, Filipe Nyusi exortou a nova número dois do MISAU a dar o seu contributo para o combate ao mau atendimento, corrupção, cobranças ilícitas, fraca gestão de logística hospitalar, este último que culmina com a crise de medicamentos nos hospitais.

“Estes problemas devem ser ultrapassados através de um trabalho de equipa harmoniosamente coordenada. Tendo em conta a sua experiência, espero que coloque à disponibilidade os seus conhecimentos para ajudar a eliminar estes entraves provocados por homens e mulheres que juraram dar as suas vidas ao serviço da humanidade, manchando, muitas vezes, o nome da classe nobre que muito faz para o nosso país”, desafiou o Presidente da República.

Dirigindo uma mensagem directa a Farida Urcí, Filipe Nyusi apontou a logística hospitalar como um dos principais desafios da empossada, como uma medida para garantir que as populações tenham acesso aos serviços de saúde.

“Há que reforçar a planificação, a organização e a gestão da logística hospitalar, para estancar as irregularidades que habitualmente se verificam na aquisição, armazenamento e distribuição de medicamentos, causando a sua ruptura, originada por roubos, falta de competências na gestão de stocks, fraco controlo de qualidade, entre outros motivos”, acrescentou o Chefe de Estado.

O Presidente da República apelou, ainda, para o envolvimento do sector privado, com vista à implementação de uma indústria farmacêutica nacional, a curto ou médio prazo, por forma a reduzir a dependência de Moçambique.

Para Nyusi, o país deve parar de comprar medicamentos como aspirina e cloroquina, pois há capacidade interna para a implantação de fábricas, mas só será possível com a cooperação entre o sector público e privado, evitando que este segundo seja visto como concorrente.

“Gostaria que este assunto fosse levado a sério e começássemos a produzir vacinas no país. Não importa se é vacina contra a COVID-19, pois o princípio é o mesmo”, disse Nyusi, referindo-se a uma possibilidade que poderá garantir que o país reduza o volume das importações que, a cada ano, sobe, reduzindo a falta de medicamentos no país e “melhorar a rapidez na aquisição de medicamentos e outros produtos no sector da saúde público-privado.”

Já a empossada disse ser cedo para apontar estratégias, pois ainda precisa de se inteirar dos processos, planos e projectos da instituição, no entanto assumiu o desafio lançado pelo Presidente da República e afirmou que vai contribuir para a melhoria do sistema da saúde no país.

“Vou dedicar todo o meu esforço, como sempre fiz, mas, agora, será a dobrar, porque já não é só o HCM, mas todo o país que está na expectativa de que melhore a qualidade do atendimento nos hospitais”, disse Farida Urcí, actual vice-ministra da Saúde

Farida Urcí é licenciada em Medicina pela Universidade Eduardo Mondlane, especialista em Anestesiologia e Reanimação Cirúrgica pela Universidade Victor Segalen Bordeaux e Hospital Central de Maputo, com sub-especialidade em Anestesia e Reanimação para Cirurgia Cardiotorácica e Vascular pelo Hospital Geral e Clínico Valência, na Espanha.

Urci possui experiência na área de gestão, tendo exercido as funções de directora clínica do Hospital Distrital de Magude, directora dos Blocos Operatórios do HCM, onde foi também directora da Unidade de Cuidados Intensivos.

Na sua caminhada profissional, a nova vice-ministra da Saúde ganhou experiência na docência de disciplinas como Medicina Interna em Emergências Médicas na Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane e outros cargos.

Há cada vez mais vendedores informais nos semáforos da Cidade de Maputo. Actualmente, a edilidade contabiliza mais de quatro mil ambulantes em locais impróprios. Uma preocupação para a Polícia de Trânsito (PT), que diz que, para além de embaraçar o trânsito, o fenómeno contribui para o índice de atropelamento.

É uma resposta ao desemprego encontrada por vários jovens, mulheres e até crianças, que procuram convencer os automobilistas a comprarem os seus produtos. Um cenário que se replica por várias avenidas da capital moçambicana. E as razões são conhecidas –  a luta pela sobrevivência.

Isaías Mambo, natural da província de Gaza, vende bolachas, doces e pipocas no cruzamento entre as avenidas Joaquim Chissano e Acordos de Lusaka há mais de cinco anos. Debaixo do sol e ao pé da estrada, Isaías vê, no sinal vermelho do semáforo, uma fonte de renda para sustentar a sua família.

“Estou aqui à procura de pão. Tenho dois filhos por sustentar, para além da minha esposa e dos meus pais”, justificou o vendedor ambulante.

Para além de Isaías Mambo, há, nos semáforos daquele cruzamento, dezenas de vendedores, tal é o caso de Arlindo Lourenço, que explicou que “estou aqui por falta de emprego. O pouco que ganho com as vendas dá para pelo menos comprar comida para a minha família”.

Naquele negócio, tem mais lucro quem mais corre sem olhar para o perigo. Afinal, nem sempre os vendedores ambulantes respeitam a intercalação das cores dos semáforos.

Florência Alexandre, viúva e mãe de seis filhos, diz que conhece os riscos que corre ao dividir espaço com viaturas, ainda assim, “não tenho como, porque é fazendo isto que consigo ganhar pão”.

Na venda de hortaliças no vale de Infulene há mais de três anos, Florência ainda carrega memórias de colegas que foram vítimas de atropelamento.

“Acidentes têm acontecido muito. Temos um amigo que vendia aqui connosco e foi atropelado. Ainda hoje (semana passada), houve outro acidente, um colega que vendia numa carrinha foi também atropelado”, lamentou Florência Alexandre.

Alguns vendedores dizem que arriscam as suas vidas por falta de espaço, tal é o caso de Dércia Francisco, vendedeira de alface.

“Sei que é perigoso, mas não há nada a fazer. Não temos mercado. Se dessem espaço no mercado para mim e para as outras senhoras, a situação mudaria”, desabafou Dércia.

Mas outros, como Florentina Horácio, que se instalou naquele local em 2016, dizem que o negócio é mais lucrativo quando é desenvolvido fora do mercado.

A PT afirma que a invasão dos vendedores informais às estradas é uma preocupação, não somente devido aos constrangimentos para a circulação das viaturas, mas também no aumento de atropelamentos.

Só no ano passado, foram registados mais de 200 acidentes de viação na Cidade de Maputo, dos quais 150 do tipo atropelamento, que resultaram na morte de 103 pessoas.

“Os atropelamentos continuam a ser um grande problema na nossa cidade. A principal causa tem sido a má travessia do peão. Algumas pessoas fazem aquela actividade com menos cuidado, ou com ignorância, esquecendo que, apesar de ser uma forma de lutar pela sobrevivência, coloca em risco as suas próprias vidas”, referiu José Nhantumbo, chefe de Educação Pública da Polícia de Trânsito.

Cremildo Maunze está na Cidade de Maputo há menos de dois anos. Por influência dos seus amigos, decidiu montar a sua banca nos semáforos do cruzamento entre a avenida Eduardo Mondlane e a rua da Zâmbia.

O seu trabalho começa logo às primeiras horas do dia. De viatura a viatura, procura convencer os automobilistas a comprarem frutas. O jovem reconhece que o trabalho é arriscado e, porque não quer fazer parte das estatísticas das vítimas por atropelamentos, explica os cuidados que tem tomado ao fazer-se à estrada.

“Tenho que me arriscar para conseguir comprar pão. Há outros jovens que assim como eu querem ganhar a vida de forma honesta, ao invés de roubar, ou se passando por mendigo. Tenho prestado atenção para correr ao encontro dos automobilistas, somente quando o semáforo fecha. Quando abre, saio de imediato”, explicou Cremildo Maunze.

A venda ambulante nos semáforos cresce numa altura em que o Conselho Municipal de Maputo quer organizar o sector informal, e uma das medidas recentemente adoptadas foi a revisão da postura de mercados e feiras, segundo a qual, os compradores passarão a ser penalizados.

“O que queremos acima de tudo não é penalizar como tal, mas sim consciencializar o cidadão que deve fazer as compras nos mercados. A penalização é o último recurso na verdade, mas, acima de tudo, o que pretendemos é que o cidadão esteja cada vez mais consciente de que não pode exercer este acto a nível da via pública”, esclareceu Tomás Mondlane, director de Mercados e Feiras no Conselho Municipal de Maputo.

Por outro lado, o porta-voz da Polícia Municipal, Mateus Cuna, explicou que os bens que são vendidos nos semáforos e noutros locais impróprios podem ser aprendidos.

“Estas apreensões são uma forma de corrigir esta atitude, mas não é o fim, pois o munícipe tem a prerrogativa de se aproximar ao Conselho Municipal para poder reclamar em caso da aplicação desta sanção”, esclareceu Cuna.

Actualmente, cerca de quatro mil vendedores encontram-se em locais impróprios, dos quais 250 abandonaram os mercados.

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia ( INAM), para esta segunda-feira, aponta para  ocorrência de frio. A cidade de Lichinga poderá registar a temperatura mais baixa de hoje, de  22 graus.

Assim, as cidades de Maputo, Xai-xai, Inhambane e Vilankulo poderão registar máximas de 27, 24, 25 e 25 graus Celsius, e mínimas de 14,17,18 e 18 respectivamente.

Para as cidades da zona centro do país, Beira,Chimoio, Tete e Quelimane, a previsão é de máximas a atingirem 25, 23, 28 e 26 e mínimas de 19,13,17 e 17 graus, respectivamente.

Já para a cidades na região nortenha de Moçambique, prevêem-se máximas de  26,29 e 22 e mínimas de 16, 17 e 8 graus Celsius, respectivamente.

As comunidades anglicanas de Moçambique e Angola já não fazem parte da província da África Austral. A separação é resultado da criação de novas dioceses nos dois países, cujos bispos foram sagrados hoje. Os dois países passam a formar uma só província.

Os crentes da Igreja Anglicana em Moçambique estiveram em festa hoje. A razão é uma: a igreja está a crescer. Para provar isso, basta notar que, desde hoje, o país passa a contar com mais quatro dioceses, nomeadamente, Maciene, Rio Púnguè, Inhambane e Tete, para os quais foram sagrados os bispos Agostinho Buque, Paulo Hansine, Emanuel Capeta e Sérgio Bambo, respectivamente.

Com a entrada em funcionamento destas dioceses, Moçambique e Angola passam a constituir uma província anglicana e, assim, deixam de pertencer à da África Austral, na qual ficou por 129 anos.

Para a celebração, houve de tudo: grupo coral com banda e, até, a presença de um artista convidado – Aniano Tamele – que se juntou ao grupo coral para anunciar “a volta de Cristo”, através da música com o título “Wavuya Yesu”, que significa “Jesus está a voltar”.

Enquanto, os crentes jubilavam, no rosto de quem acompanhou o crescimento da igreja em Moçambique brotava um sorriso de encanto, ele diria “encantadíssimo”, como descreveu o seu estado, Dom Dinis Sengulane, bispo emérito da Diocese dos Libombos, que outrora era responsável pelo país inteiro.

Antes disso, foi mais difícil, por isso ele disse: “viemos de longe”. O “longe” de que fala é a altura em que ele era o responsável pelas províncias anglicanas de Moçambique, Niassa e Angola, isso entre 2000 e 2003. “Hoje, esta mesma área tem 12 bispos e 12 dioceses”.

A Igreja Anglicana de Moçambique e Angola (IAMA) será dirigida, interinamente, pelo Bispo da Diocese dos Libombos, Dom Carlos Matsinhe, o mesmo que reconhece que esta “desanexação é um reconhecimento de que a Igreja Anglicana de Moçambique e Angola têm agora maturidade de contribuir para a comunhão anglicana no mundo inteiro como uma família”, disse Carlos, reconhecendo que se trata também de um desafio para um maior crescimento, mesmo assim, “nós estamos prontos para, dentro do possível, e com a ajuda de Deus, dirigir os destinos da igreja para que ela possa lograr mais sucesso”.

Na cerimónia de sagração, estiveram representadas várias outras confissões religiosas e representantes de órgãos do Estado. Em nome do Governo, esteve a ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, que mostrou disponibilidade do Executivo em apoiar os novos bispos no que for necessário na sua missão.

Depois do relatório dos Estados Unidos da América (EUA) ter denunciado, a 2 de Junho corrente, violações de liberdade religiosa em Moçambique, em 2021, a ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos disse, este domingo, ainda não ter tido acesso ao documento, no entanto, pelo que se vive no país, garante haver respeito à liberdade religiosa em Moçambique.

O comentário surge duas semanas depois da publicação do relatório anual dos EUA sobre a liberdade religiosa em Moçambique.

“Nós estamos à espera deste relatório, que é para podermos apropriar-nos do que efectivamente vem escrito e, assim, podermos pronunciar-nos e posicionar”, reagiu Helene Kida, tendo acrescentado que “quando se fala de limitação de liberdades, temos que saber qual é a profundidade destas constatações, só depois disso é que nos podemos posicionar, mas, como membro do Governo, considero haver, sim, liberdade religiosa.”

Segundo o relatório, as violações ocorreram na sequência do combate ao terrorismo em Cabo Delgado, tendo os muçulmanos como as principais vítimas, por serem confundidos com terroristas.

O mesmo relatório avança a detenção de crentes em diferentes confissões religiosas, alegadamente por violação das medidas de prevenção da COVID-19, que determinavam a não realização de cultos com aglomeração de pessoas.

Apesar do aumento de casos de COVID-19, nos últimos dias no país, munícipes da Cidade de Maputo continuam a ignorar o uso da máscara em locais com aglomeração. Actualmente, as novas infecções rondam entre os 80 a 100 por dia.

É comum notar que, em vários locais com aglomerados, na Cidade de Maputo, as medidas de prevenção da COVID-19 começam a ser deixadas de lado. Nos estabelecimentos comerciais, até os baldes de água e sabão que eram comuns nas entradas foram removidos. É como que se estivesse voltado à normalidade. Nos principais mercados, o uso da máscara é ignorado.

“Eu tenho noção de que os casos estão a aumentar, estou sem máscara agora, simplesmente porque me esqueci”, justificou Linda Felismina, interpelada à sua saída de um estabelecimento comercial sem máscara.

Linda Chirindza, outra munícipe, explica-se: “eu nunca tive aquela doença, só ouço dizer por aí que há COVID, mas nem se quer sei como se manifesta”.

No Mercado Fajardo, ainda existe um tanque de água para a desinfecção, mas já sem torneiras e, talvez por isso, é ignorado por quem passa. Lídia Albino avança hipóteses: “Muitos já não usam máscaras, então já não lavam as mãos também porque pensam que a COVID-19 já não existe”.

Por outro lado, há quem opte por manter a máscara como seu principal aliado, por temer ser contaminado. “O apelo que deixo aos demais é que continuem a usar máscaras, pois a COVID-19 ainda é uma realidade. Noutros países, este vírus está a causar muitas mortes, então devemos usar não somente a máscara, mas cumprir todo o protocolo sanitário”, apelou Nurat Feliciano.

Recorde-se que o último decreto presidencial prevê o uso obrigatório da máscara em todos os locais com aglomerados e nos transportes semi-colectivos de passageiros.

Os transportes semi-colectivo de passageiros, vulgo “chapas”, passam a custar cinco Meticais a mais em todas as rotas urbanas no Chiveve a partir desta semana. A decisão foi tomada na semana finda, no decurso de uma recente sessão ordinária da Assembleia Municipal, pela força dos votos da Renamo e da Frelimo, que se juntaram para dar aval à proposta dos transportadores que era de cinco Meticais.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), bancada da Assembleia Municipal que votou na contraproposta da edilidade, que era um aumento de quatro Meticais, viu a sua pretensão gorada, uma vez que não reuniu votos suficientes, já que a Frelimo teve 14 votos e a Renamo obteve 12, totalizando 26 votos contra os 22 do MDM.

Assim, a rota mais barata na cidade da Beira passa a custar 15 Meticais, contra anteriores 10, e a mais cara são 30 Meticais.

As novas tarifas vão “sufocar ainda mais. Já era difícil suportar 10 ou 25 Meticais, devido ao elevado custo de vida e, agora, imagine desembolsar 30 ou 50 Meticais por dia, para suportar passagens de ida e volta durante 30 dias e a ganhar o nosso salário mínimo. Será insuportável, mas também os transportadores têm razão, porque os preços dos combustíveis estão constantemente a subir e vamos mesmo ficar sufocados”, afirmou Celso Rafael.

Os transportadores, que em finais de Maio passado paralisaram as actividades para pressionar a aprovação da nova tarifa, facto que vinham solicitando desde o início deste ano, devido aos aumentos constantes dos preços dos combustíveis, afirmaram que a medida vai aliviar a pressão que vinham sofrendo, “porque já vamos conseguir combater os encurtamentos e vamos combater os desvios de rotas”, garantiu Américo Massicuane, presidente da Associação dos Transportadores da Beira.

O Município da Beira, através do seu presidente, Albano Carige, garantiu que será implacável, a partir desta semana, na fiscalização das actividades dos transportadores. “A nossa Polícia Municipal estará muito atenta, principalmente nos actos de encurtamento de rotas, que têm sido o lema dos transportadores. Solicitamos aos passageiros para denunciarem os indisciplinados.”

Refira-se que a última vez em que a tarifa dos “chapas” foi actualizadaf na cidade da Beira foi em 2018.

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