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O País – A verdade como notícia

Alguns trabalhadores das minas não estão a receber os seus salários deferidos desde 2017, porque o Ministério do Trabalho e Segurança Social demora a disponibilizar o dinheiro à TEBA. Na verdade, este é um problema que começou antes daquele ano devido à lentidão de alguns intervenientes no processo de pagamento.

Na sessão de produção de provas desta quinta-feira, no caso de desvio de mais de 113 milhões de Meticais da Direcção do Trabalho Migratório, foram ouvidos cinco declarantes, entre os quais funcionários de bancos, do Ministério do Trabalho e o gestor-executivo da Agência de Emprego de África (TEBA), instituição que descontava valores dos mineiros.

Deste último, a juíza Evandra Uamusse quis saber como é que funciona o pagamento deferido e José Carimo explicou.

Consiste na redução de 60% do salário do trabalhador mineiro durante seus meses no período de vigência dos 12 meses de contrato renovados”, começou por esclarecer José Carimo, gestor-executivo da TEBA, África do Sul.

Nesta ordem de ideias, a juíza do caso quis saber como é que era feito o pagamento deferido entre 2012 e 2015, período durante o qual foram desviados mais de 113 milhões de Meticais da Direcção do Trabalho Migratório.

Os valores do pagamento deferido são enviados pelas minas para TEBA, Joanesburgo. Da TEBA, os valores são canalizados para a delegação do MITRAB em Joanesburgo. Da representação do Ministério do Trabalho na África do Sul, o dinheiro é transferido para o MITRAB em Moçambique. Do MITRAB, o valor é enviado para as estações da TEBA-Moçambique que faz os pagamentos aos próprios trabalhadores quando regressam das minas da África do Sul”, detalhou o gestor da TEBA.

Isso era o normal, pelo menos até 2017 quando começou a haver problemas na forma tradicional de pagamento que se tentou ultrapassar, através de um memorando de entendimento.

“Como é feito o processo de transferência dos 60 % do salário dos mineiros?”, questionou a juíza Evandra Uamusse.

E o declarante José Carimo respondeu: “É através das contas bancárias dos intervenientes. As minas, TEBA-África do Sul, delegação do Ministério na África do Sul, o próprio MITRAB e TEBA Moçambique”.

Quis ainda saber o Tribunal como é que os mineiros recebiam os seus salários deferidos no período entre 2012 e 2015. O administrador da TEBA esclareceu que, à luz de um memorando de entendimento, os trabalhadores das minas já tinham opções.

“Recebiam através das delegações da TEBA Moçambique. O processo de pagamento via bancos comerciais só começou em 2016, porque o memorando de entendimento assinado entre o MITRAB, Banco de Moçambique e a TEBA, em Abril de 2016, assegurou que o trabalhador tivesse a escolha de receber o seu salário deferido através de uma conta bancária ou da estação do pagamento da TEBA”, recordou.

E foi um ano depois deste memorando de entendimento que começou a haver demora na canalização de salários para os mineiros, devido à lentidão de alguns intervenientes do processo.

Juíza: “Existem situações em que os mineiros reclamaram junto à TEBA do não recebimento de salários deferidos que lhes eram devidos?

Declarante José Carimo: “Sim, tivemos essas situações.”

O gestor-executivo da TEBA sabe muito sobre quais eram as queixas dos mineiros. “Os mineiros não tiveram os seus salários, porque o MITRAB não disponibilizou os valores à TEBA para poder pagar-lhes. Isso aconteceu entre 2016 e 2017. Antes, só havia reclamações sobre a demora nos pagamentos. Entretanto, de 2017 a esta parte, começámos a ter problemas de mineiros que, até hoje, ainda não lhes foi pago”, revelou José Carimo.

Além do gestor da TEBA, esteve, no Tribunal, José Alfaica para esclarecer questões que têm a ver com contas da DTM, domiciliadas no Millennium BIM, e que estavam sob a sua gestão.

Juíza: Consta dos autos que a conta número 53956348, domiciliada no BIM, é titulada pela DTM. Quando foi aberta?

Declarante José Alfaica: Meritíssima, se a memória não me trai, foi em 1999.

O gestor sénior do BIM é quem cuidava, pessoalmente, das contas da Direcção do Trabalho Migratório, daí que conhece, inclusive, os seus assinantes no período entre 2012 e 2015.

“Lembro-me de José Monjane, Anastácia Zita e os outros não tenho memória. Estes eram os assinantes da conta em referência. Esta conta era destinada à receita de contratação de mão-de-obra estrageira”, avançou José Alfaica, gestor sénior de contas no Millennium BIM.

Juíza: Como é que era movimentada a conta?

Declarante José Alfaica: Esta conta era movimentada através de instruções vindas de uma transferência feita no final do mês e início de outro mês para a Recebedoria da Fazenda do 1º bairro fiscal. E da recebedoria, certamente, vai para a Conta Única do Tesouro.

Sentou-se, também, diante do Tribunal para ajudar a produzir provas Pedro Nhampossa, funcionário do Banco de Moçambique. Dele, a juíza quis saber quando foi inscrita a conta 544510014, domiciliada no Banco de Moçambique, mas a resposta não foi além de um “não me recordo”.

No entanto, mostrou ter detalhes sobre o objectivo da conta e como ela era movimentada. “Serve para alimentar a Conta Única do Tesouro. É movimentada mediante os requisitos constantes da ficha da abertura, tais como duas assinaturas e os outros de que não me recordo. Quem faz as transferências a partir dessa conta é a Recebedoria da Fazenda.”

Marcolino Fausto e Crespe Alfredo, auxiliar administrativo e motorista na DTM, respectivamente, também, estiveram como declarantes, tendo confirmado o levantamento de valores no banco a mando do réu José Monjane.

A sessão de julgamento continua esta sexta-feira e serão ouvidos cinco declarantes, nomeadamente, Carla Muchuane, José Almeida, Graça Mula, Alberto Novela e Amélia Mussara.

Contrariamente ao que tinha prometido, o Governo não tem, definitivamente, novo modelo de gestão dos autocarros movidos a gás. Hoje, 34 dos 80 veículos, que há dias geraram polémica por estarem parqueados enquanto os cidadãos minguam por transporte, foram entregues ao Município da Matola, contrariando as palavras de que a gestão municipal não era a melhor solução.

Os 80 autocarros movidos a gás adquiridos pelo Governo ficaram três meses parqueados, porque o Executivo não queria entregá-los à gestão dos municípios. “Já temos o processo de matrículas completamente finalizado, os seguros estão garantidos, urgentemente vamos ter que colocar os autocarros a circular, desde que não coloquemos nas mãos dos municípios”, disse, mês passado, Manuela Rebelo, vice-ministra dos Transportes de Comunicações

EXECUTIVO PENSAVA EM LANÇAR CONCURSOS PÚBLICOS

Porque a demora na entrega já era longa e o sofrimento da população continuava, o “O País” procurou respostas junto do Executivo. E o argumento era de que a melhor proposta de gestão dos autocarros era através de concursos públicos. “Estamos constantemente a distribuir autocarros, mas depois voltamos a ter problemas porque estes pararam. Por isso, estamos à procura de uma solução a esse problema. Julgamos que a melhor saída é fazer um concurso público. Quem ganhar irá explorar uma determinada rota. Esse é um processo que está a correr e achamos que poderá ser assim”, confiou na altura Rebelo.

Entretanto, nesta quinta-feira, o Governo deu indicação de que repensou e mostrou que não tem outro modelo de gestão dos autocarros, senão entregá-los à gestão dos municípios. E, nesta senda, 34 dos 80 autocarros estão já sob alçada do Município da Matola.

Questionado sobre o porquê o Governo recuou da ideia de lançar concursos públicos para entregar os autocarros aos municípios, que são alegadamente maus gestores, Calisto Cossa respondeu nos seguintes termos: “Não é esse o nosso entendimento. Não há contradições entre o Município da Matola e o Governo central. Estamos a trabalhar dentro de uma parceria e essa parceria está vigente. O mais importante é que os autocarros estão aqui”, rebateu Cossa, tendo avançado que, afinal de contas, alguns autocarros já estão em funcionamento há alguns dias.

“O facto é que os autocarros já estão a circular. Aqui, trouxemos os autocarros que ainda não haviam entrado em funcionamento. Aqui, temos 15, os restantes estão no terreno e em funcionamento. Entendemos que entre os municípios e o Governo central não há nenhum tipo de divergência. Nada está a falhar. O resultado que se pretende é transportar os munícipes e isso já está a acontecer”, disse o edil.

Contradições à parte, o presidente do Município da Matola diz que, com autocarros, irão abrir novas rotas. “ Esses autocarros não só irão alimentar os cidadãos que usam as rotas tradicionais da área metropolitana de Maputo, nomeadamente Maputo-Matola, Matola-Marracuene-Boane, mas também pretendemos fazer uma interligação com vários bairros. Onde tivermos condições em termos condições de transitabilidade, queremos colocar um autocarro. Pretendemos ter autocarros que saiam de Mualaze até na Matola A, passando por outros bairros como T3, usando a estrada T3 Boquisso, que já está em condições de transitabilidade, faltando os remanescentes 4.5 km que saem da Estrada Circular a Boquisso. Isso é para permitir que todos os bairros da zona centro da nossa cidade, como Kongolote, 1º de Maio, Dlavela, Acordo de Lusaka, Matibwana, Machava KM 15, Bunhiça possam ter transporte”, detalhou o edil.

DOIS PONTOS DE ABASTECIMENTO PARA 34 AUTOCARROS

A edilidade diz que existem apenas dois pontos de abastecimento para os 34 autocarros, o que não preocupa os gestores que garantem que há esforços para montar um posto na sede da Empresa Municipal de Transportes Públicos da Matola.

“Já esperávamos por estes autocarros há anos. E quando soubemos que iriamos receber esses meios, entramos em contacto com a empresa fornecedora que é a Auto Gás, que garantiu que irá envidar esforços para a montagem de mais um ponto de abastecimento junto à nossa empresa. Ainda não temos datas de quando esse processo será finalizado. Por enquanto, os veículos serão abastecidos na Cidade de Maputo e na Machava”, explicou Edson Ussaca, presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Transportes Públicos da Matola.

A edilidade garantiu ainda que a manutenção dos autocarros está garantida sendo que esta será feita pela Matchedje Motors. “Aquando da aquisição dos autocarros, a Agência Metropolitana de Transportes de Maputo acautelou esta questão da manutenção e esta será feita pela empresa Matchedje Motors. Estamos preocupados em ter os nossos funcionários ligados à Empresa Municipal de Transporte Público da Matola formados para que também saibam lidar com esses veículos. Existe uma manutenção periódica que está prevista e que foi orientada pelo próprio fornecedor. Há, inclusive, um guião que vamos procurar cumprir de forma rigorosa para que o seu uso seja duradoiro”, garantiu Ussaca.

Já no final, o edil da Matola lançou o repto à gestão da Empresa Municipal de Transportes Públicos da Matola, para que cuide bem dos meios circulantes. “Gostaríamos de apelar para o uso responsável desses autocarros. Hoje, estão novos e gostaríamos que ficassem assim por muito tempo, porque não teremos condições financeiras para poder adquirir sempre novos autocarros.”

A partir desta quinta-feira, a Casa do Agricultor passou a chamar-se AQI. A instituição, antes vocacionada para agricultura e pecuária, vai dedicar-se, também, à venda de artigos para pesca.

A novidade foi anunciada durante a inauguração da 14ª loja da rede em Moçambique, numa cerimónia concorrida.

Apontada como a maior loja da rede Casa do Agricultor, agora AQI, trata-se de um empreendimento que está orçado em 500 mil dólares, despendidos pela empresa e seus parceiros estratégicos.

Na ocasião, o director-executivo da AQI, Rui Brandão, explicou que a mudança do nome visa mudar por completo a visão da empresa.

“A nova marca reafirma a vontade de chegar a mais moçambicanos com o alargamento do seu portfólio de produtos. A marca, especialista na oferta de produtos na área da agricultura e pecuária, conta, agora, também com a gama de produtos de pesca, tornando-se num maior aliado da produção em Moçambique.”

Com a nova loja, a empresa espera responder à demanda de produtos nas áreas da agricultura, pecuária e pesca e apresenta preços competitivos para o mercado, como forma de contribuir para a disponibilidade de produtos de qualidade.

“Nós pretendemos ser mais profissionais no sector profissional nas áreas de pesca, mas queremos ser mais fortes nas áreas de exterior, de lazer ou profissional, como Pet e jardinagem.”

Brandão garante que a nova marca vai trazer inovações através de sementes de qualidade, conselhos técnicos adequados e bons instrumentos para uma boa colheita, tudo em prol do desenvolvimento dos principais sectores nacionais de produção alimentar.

“A loja é para ser inclusiva. Moçambique tem 80 por cento da população que pratica a agricultura e todos eles são bem-vindos.”

Com a abertura do novo espaço, localizado numa das principais zonas comerciais de Maputo, a empresa passa a ter mais de 100 colaboradores e 14 lojas em todo o país.

Cerca de 13 mil famílias que vivem em pobreza extrema nas zonas rurais do país vão beneficiar-se de educação financeira, créditos e assistência durante dois anos, em empreendimentos produtivos de agricultura e gestão de negócios.

A iniciativa, denominada “Financiamento de Empreendimentos Rurais”, conta com um financiamento de cerca de 72 milhões de dólares, disponibilizado pelo Governo e sector privado.

Neste âmbito, os implementadores estão reunidos na cidade da Beira para harmonizar os procedimentos para que nada falhe na sua execução, cujo horizonte temporal é de seis anos.

Pretende-se, com esta iniciativa, orientar as comunidades beneficiárias a saberem poupar cada vez mais e que usem os seus créditos para fins realmente produtivos para a superação da pobreza extrema.

Depois da educação financeira, os 13 mil agregados familiares, querendo, podem recorrer a créditos cujas taxas de juros serão bonificadas, segundo garantiu Rufino Duvane, coordenador nacional do projecto.

“Os nossos limites de financiamento são baixos, baseados na capacidade dos beneficiários que vivem nas zonas rurais. Normalmente, eles necessitam de pouco dinheiro, mas para aquele que tiver necessidades que superem cinco a seis mil Meticais, nada obsta o financiamento, mas o beneficiário terá que seguir uma linha que obviamente tem as suas balizas”, garantiu Duvane.

Para além de contar com o financiamento do Governo e sector privado, a iniciativa conta com o financiamento de uma fundação que opera em todo o mundo há cerca de 11 anos, no âmbito da inclusão financeira, e no país a abordagem da referida iniciativa é designada de Graduação.

“Denominamos de ‘Graduação’, porque é como se as pessoas graduassem da pobreza extrema. Vamos fazer um acompanhamento muito forte de habilidades para a gestão de negócios e para pouparem durante dois anos. Os beneficiários são famílias com problemas de literacia e numeracia e algumas a residirem em áreas muito afectadas pelos conflitos armados”, indicou Rodrigo de Reis, representante da Fundação Capital.

Poucas horas depois de uma reportagem veiculada pelo “O País”, na qual retratava o cenário de imundice que se vive no Matadouro de Inhambane, a Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) fez-se ao local para ver de perto a situação.

Os inspectores visitaram cada compartimento do Matadouro, a começar pela sala de processamento de carne, onde constatou-se que a mesma estava suja. Aliás, há muito que não se fazia limpeza naquele local e a alegação era de que não havia água canalizada e, por isso, não havia condições para fazer limpeza.

Na mesma sala, foram encontrados sacos já bastante usados e que estavam sujos. Os inspectores questionaram a função daqueles sacos e o gestor do Matadouro disse que eram usados no transporte de carne do Matadouro para o local de venda.

Sobre o transporte de carne, a mesma é acondicionada na carroçaria de uma viatura de caixa aberta, exposta ao sol e poeira.

A seguir os inspectores da INAE foram ao compartimento de abate de animais e constataram que os animais são abatidos e processados no chão e só são levados ao guincho apenas para o corte. Sobre o assunto, a instituição defende que o processamento da carne no chão é, por si só, um risco à saúde e que a mesma deveria ser feita pendurada no guincho.

Outro compartimento que preocupou os inspectores é o de processamento dos membros do animal, nomeadamente a cabeça e as patas que estava imundo e com cheiro nauseabundo.

O local de descarte dos resíduos feitos durante o processamento dos animais é outra preocupação. O descarte é feito a céu aberto, a apenas 20 metros da praia, colocando em perigo a vida das pessoas e a vida marinha, além do cheiro nauseabundo característico daquela região.

Sobre as condições de trabalho, no local não existem sanitários onde os trabalhadores podem se lavar antes e depois do trabalho. Para satisfazer as suas necessidades biológicas, recorrem ao mesmo local em que são descartados os resíduos saídos durante o processamento dos animais.

Não há naquele Matadouro um vestiário onde os trabalhadores podem trocar de roupa e colocar a sua roupa de trabalho, que por sinal não existe na totalidade, pois a única coisa que têm é um par de botas e uma bata.

O local usado como vestiário era, na verdade, o ponto em que se fazia o abate e processamento de suínos e aves.

Diante da situação, a INAE decidiu pela suspensão das actividades daquele estabelecimento, até que estejam criadas as condições.

A empresa pública Correios de Moçambique deve cerca de 850 milhões de Meticais a credores e está em discussão como é que a firma que está em liquidação irá pagar essa dívida, segundo a Comissão Liquidatária.

Nos últimos sete anos, a empresa pública Correios de Moçambique apresentou resultados líquidos negativos, o que terá levado a instituição à falência. No entanto, o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) considera viável extinguir a firma do que recuperá-la devido às despesas e dívidas.

Na voz do presidente, a empresa pública não conseguiu ajustar-se às transformações que ocorreram no mercado, especificamente, na área em que opera.

“Para o Governo, é mais fácil extinguir a empresa do que restabelecê-la. Já podem imaginar uma empresa que factura sete milhões e, em termos de salários, gasta cerca de 15 milhões, é totalmente insustentável. A Correios de Moçambique deve a diversos credores 853.9 milhões de Meticais”, divulgou Raimundo Matule, presidente da Comissão Liquidatária da Correios de Moçambique.

A Comissão Liquidatária da firma avançou, também, que diferentes instituições devem mais de 270 milhões à empresa.

“A Correios tem dívida a receber de cerca de 274 milhões de Meticais, resultantes de três áreas diferentes onde se destaca o arrendamento de espaço. Nesta área, várias entidades devem cerca de 200 milhões de Meticais”, disse o presidente.

Os imóveis da empresa pública de prestação de serviços estão avaliados em cerca de 1.1 mil milhões de Meticais sob o ponto de vista técnico e dois mil milhões de Meticais a preço de mercado.

“Foram avaliados em todas as províncias 127 imóveis. O consultor fez a avaliação destes imóveis, usando a metodologia técnica, que tem como objectivo produzir valores para a contabilidade da empresa”, explicou Matule.

As indemnizações aos trabalhadores estão avaliadas em cerca de 390 milhões de Meticais e a empresa não tem condições para pagar de uma só vez.

“Mais de 60 por cento dos trabalhadores da empresa têm pensões fixadas. O valor das indemnizações é demasiado alto e nós não temos o valor a pagar. Já foi discutido com os trabalhadores para uma calendarização de pagamento das indemnizações ao longo dos próximos meses, a partir de Junho”, acrescentou.

O presidente informou, ainda, que está a trabalhar para obter termos de referências para poder determinar o nível sustentável da empresa no seu todo e depois iniciar novas assinaturas de contratos. O certo é que boa parte dos trabalhadores vai perder o emprego e, segundo Matule, será em função do desempenho, formação e experiência de cada um.

Ainda não se sabe o valor patrimonial da empresa pública Correios de Moçambique e, segundo a Comissão Liquidatária da instituição, a avaliação deverá levar mais 30 dias.

De acordo com o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), espera-se que o dia de hoje seja de temperatura fria a fresca em quase todo o país, com máximas entre 24 e 32 graus. Na mesma sequência, o prognóstico aponta para a possibilidade de queda de chuva e vento a soprar, por vezes, com rajadas em algumas capitais provinciais.

Em graus Celsius, as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilanculo, na zona sul do país, poderão registar temperaturas máxima de 29, 28, 28 e 29 e mínimas de 16, 17,  20 e 12, respectivamente.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane prevêem-se máximas de 28,24, 32 e 28 e mínimas de 22, 17, 19 e 21 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 27, 30 e 24 e mínimas de 19, 19  e 10 graus, respectivamente.

O antigo director-geral do extinto Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional, Eduardo Chimela, disse, hoje em Tribunal, que não teve conhecimento de que a Direcção do Trabalho Migratório (DTM) financiou uma obra do INEFP em Nampula em 2014. As declarações do declarante Eduardo Chimela contrariam a informação segundo a qual parte do valor desviado da DTM foi para despesas do INEFP.

Para esta quarta-feira, estava agendada a audição de quatro declarantes, mas Argentina Taimo, esposa de Pedro Taimo, antigo responsável do Gabinete Mineiro, requereu, por via do seu advogado, que não fosse ouvida como declarante num caso em que o marido é arguido. Nada mais restava ao tribunal, se não diferir, até porque é seu direito negar de ser declarante.

Vale lembrar que Argentina Taimo é dona da empresa que foi contratada pela DTM para mobilar o Gabinete do Mineiro, cujo responsável era o seu marido, mas também é accionista de outra empresa que terá, igualmente, prestado serviços à DTM. E assim a sessão avançou. Foi ouvido Eduardo Chimela, 54 anos de idade, funcionário público desde 1992 e economista de formação. Foi chamado a esclarecer o processo de contratação da Construções Kuyaka para erguer o Bloco oficinal do INEFP em Malema, cuja parte do pagamento saiu da DTM. Foi quem assinou o contrato com Construções Kuyaka, na pessoa de Dalila Lalgy, administradora-executiva, que é arguida. O valor envolvido neste contrato é de cerca de 10 milhões de Meticais.

O declarante confirmou que era ordenador de despesas e representante da instituição na aquisição de bens, serviços e contratação de empreitada pública. Afirma também que foi lançado um concurso para empreitada de obras de construção de um bloco oficinal do INEFP no distrito de Malema, província de Nampula. Entretanto, sobre a possível existência de dois júris para o mesmo concurso, Chimela diz que não teve conhecimento.

“Não tenho domínio destas matérias, do processo de licitação. Existe um departamento que estava a tratar do assunto, no caso o Departamento de Aquisições, que tramitava os processos. Quando achasse que estava em condições, submetia a mim, director-geral, para dar despacho”, explica o declarante, que disse ainda que a despesa foi custeada pelo Orçamento do Estado e que não teve conhecimento de nenhum défice financeiro, tão pouco da comparticipação financeira da DTM nas obras. Mas, diz que o valor que o INEFP recebia proveniente das receitas consignadas era canalizado pelo tesouro por instrução da DTM.

Chimela explica, entretanto, que é possível ocorrer algum tipo de financiamento a algum projecto do INEFP sem o seu conhecimento.

“Há exemplos concretos de iniciativas das delegações provinciais que identificam o local e começam a construir, mas, com o desenrolar do tempo, acabam por comunicar ao INEFP central.”

Dos dois declarantes ouvidos hoje, esteve também Adelino Novais Estevão, funcionário público, à data dos factos director de Formação no INEFP, membro convidado do júri que seleccionou a Construções Kuyaka. Esteve a ser ouvido pelo segundo dia consecutivo, depois de, na terça-feira, ter sido pouco esclarecedor sobre o processo de contratação da Construções Kuyaka para erguer o bloco oficinal do INEFP em Malema.

E, esta quarta-feira, disse o mesmo. Sem dados de relevo. Explicou que, no processo de contratação de empreitada pública, houve outros concursos relacionados com o desenho do projecto-executivo e concurso para a selecção do fiscal da obra.

As audições continuam amanhã e já está agendado o dia reservado a alegações finais –  terça-feira, 10 de Maio.

No único matadouro da cidade de Inhambane, processa-se a carne que alimenta boa parte das famílias que vivem na cidade de Inhambane.

Depois do abate, o processamento é feito no chão, por onde passam os funcionários e clientes, deixando de lado todas as regras básicas de higiene alimentar.

No local, o “O País” encontrou trabalhadores no processo de abate de duas cabeças que, depois de retirarem a pele, colocam a carne no chão, onde vísceras dos animais também são tratadas, no mesmo ambiente em que é descartado todo o lixo decorrente.

Mas esse não é o único problema do matadouro de Inhambane. Quando o jornal “O País” esteve no local, os funcionários disseram que estavam há uma semana sem água canalizada e que tiveram de ir levar numa mesquita que dista há cerca de um quilómetro do matadouro.

Eles contaram ainda que esta não é a única semana em que não jorra água nas torneiras do matadouro, pois é frequente que o FIPAG faça cortes no abastecimento do precioso líquido, por conta das dívidas que a entidade acumulou com aquela empresa.

Esse facto foi confirmado por André, um dos clientes daquele matadouro. Ele vende carne há muito tempo e conta que se tem deparado com a falta de água no matadouro.

Nesses casos, ao cliente só restam duas saídas – desembolsar algum valor para comprar água e garantir o seu transporte ou ter de ser ele próprio a procurar água para limpar o seu animal.

Em dias normais, são processados, no referido matadouro, de dois a três animais, um número que aumenta em dias de festa.

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