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O País – A verdade como notícia

Onze funcionários da Saúde foram expulsos e oito demitidos da função pública na província de Nampula por envolvimento em cobranças ilícitas. O Hospital Central de Nampula (HCN) registou o maior número de denúncias que resultaram nessa decisão.

A Saúde na província de Nampula instaurou 40 processos contra funcionários do sector, na sequência de denúncias de cobranças ilícitas aos utentes das unidades sanitárias. Os processos em causa dizem respeito aos primeiros três meses deste ano e já houve desfecho.

Em conferência de imprensa conjunta, a médica Munira Abdou, directora dos Serviços Provinciais dos Assuntos Sociais em Nampula, deu a entender que a área que dirige está a distanciar-se dos funcionários com condutas desviantes, pelo que, depois de uma investigação aturada e com factos comprovativos, foram tomadas medidas que vão de leves a graves. “Estes oito e onze foram mesmo demitidos e expulsos. Para dizer que já não fazem parte. Temos enfermeiros, administrativos e seguranças que estão dentro deste número.”

O HCN lidera a lista de cobranças ilícitas, por isso é onde houve maior número de expulsões.

“Para além da maternidade, temos o Banco de Sangue onde temos informação de venda de sangue, mas também temos acompanhado a nível do Banco de Socorro no nosso hospital e temos outro lugar que temos que trabalhar com mais cuidado, que é o serviço de raio-X”, detalhou Cachimo Mulina, director do HCN, donde 10 funcionários foram expulsos.

Aquela unidade sanitária é conhecida também pela falta de camas para o internamento de doentes adultos e pediátricos, tal como reportou o nosso jornal, recentemente. A respeito deste assunto, Mulina diz que a situação foi minimizada, mas sublinha que a solução definitiva exige um investimento significativo do Governo, como é o caso da necessidade de construção de um bloco pediátrico e a conclusão das obras do Hospital Geral de Nampula.

“A partir desse momento, decidiu-se que podíamos utilizar outras unidades sanitárias, como é o caso de Muhala Expansão e de Marrere e o centro de saúde de Namiepe. Coordenamos com as equipas que estão nessas unidades sanitárias, no sentido de que aqueles doentes, que de facto podem ser internados nessas unidades sanitárias, o Hospital Central podia fazer o processo e encaminhar a essas unidades sanitárias, mas também aqueles doentes que entravam de forma grave e recuperavam-se o mais rápido possível podiam ir continuar o tratamento nessas unidades sanitárias. Neste momento, a taxa de ocupação que estava a 110%, principalmente nos serviços de medicina e pediatria, reduziu para quase 90%”, garantiu o director Mulina.

O HCN tem mais de 50 anos de existência e com o crescimento demográfico que a província regista neste momento, a mesma não responde à demanda, atendendo que é o hospital de referência na zona Norte do país.

Já reabriu para o atendimento ao público o Centro de Saúde Matola Santos que tem encerrado, sucessivamente, as portas devido às inundações e alagamentos nos acessos. As autoridades de saúde precisam de 10 milhões de Meticais para a restauração do sistema de drenagem de águas pluviais.

Anazelia João, residente  do bairro Matola Santos, esteve na unidade sanitária na manhã desta terça-feira e contou o drama que ela e os outros residentes têm enfrentado. “Passamos muito mal, porque os outros hospitais estão muito longe daqui, às vezes não temos dinheiro de chapa, para podermos chegar lá. Está um pouco melhor e conseguimos ter acesso ao hospital”, disse.

As recorrentes interrupções fazem com que reduza o número de utentes que procuram pela unidade sanitária. Nilza de Jesus, directora da unidade sanitária, revela que, actualmente, recebem e atendem uma média diária de 50 a 80 doentes contra 250 que eram atendidos antes dos encerramentos sucessivos devido às inundações e alagamentos causados pela chuva.

“O fluxo não é aquele a que estávamos habituados, mas os pacientes estão a voltar, temos estado a trabalhar com a nossa comunidade, os chefes de quarteirão para fazer chegar a informação à população de que o centro de saúde já está aberto. Há, de facto, falta de informação, mas, aliado a isso, há falta de segurança, uma vez que abrimos e fechamos quase sempre”, referiu Nilza de Jesus.

Há, neste momento, de acordo com Daniel Chemane, director da Saúde na Província de Maputo, um trabalho em curso que envolve o Município da Matola, sector das obras públicas, parceiros e o sector da saúde para a reposição do sistema de drenagem de águas pluviais e, para o efeito, são necessários 10 milhões de Meticais.

“Seria mais uma reabilitação mais profunda, porque há caixas destruídas, outras entupidas e há uma necessidade de fazer o aumento do leito da vala de drenagem para que qualquer chuva seja drenada com facilidade”, disse.

O Centro de Saúde Matola Santos está também em busca de fundos para a construção de uma maternidade e banco de socorros, serviços que, neste momento, não existem.

Município de Maputo já iniciou a reabilitação da Avenida das Instâncias e a da Organização das Nações Unidas, que permitem acesso à e saída da zona baixa da Cidade de Maputo. As duas vias vão custar aos cofres municipais 18 milhões de Meticais.

Desta vez pode ser um adeus ao festival de buracos que existem na Avenida da Organização das Nações Unidas e a das Instâncias. O Município de Maputo ouviu o grito dos automobilistas e decidiu pôr a mão na massa.

“O Município de Maputo, através da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento (EMME), decidiu reabilitar, em termos definitivos, estas duas ruas ou acessos. Nós vamos transformar a Organização das Nações Unidas numa avenida de duas faixas que é o que existe e, terminada a intervenção nesta, iremos à Avenida das Instâncias para acertar o que estará feito de forma provisória para o definitivo”, anunciou João Ruas, presidente do Conselho de Administração da EMME, a intervenção das duas rodovias que são estratégicas para o tráfego rodoviário de e para baixa da Cidade de Maputo.

O dinheiro a ser aplicado na reabilitação das duas vias vem da EMME. “A proveniência do dinheiro são fundos próprios da EMME. Quanto ao retorno dos 18 milhões de Meticais, vamos continuar a fazer esse dinheiro da mesma forma e, se o estacionamento rotativo fosse pago, nós não teríamos mais problemas de investimento. Mas temos reservas de espaço, terminais e silos que são pagos e, portanto, há uma série de fontes de receita que a EMME tem que não é apenas o estacionamento rotativo”, avançou Ruas.

A partir desta segunda-feira até à próxima sexta-feira, estará interrompido o trânsito na Avenida das Instâncias, isto é, não será permitida a circulação de viaturas particulares, estarão apenas autorizados os veículos envolvidos nas obras de reabilitação daquela rodovia.

O Estado perdeu, no primeiro trimestre de 2022, mais de três milhões de Meticais por causa do contrabando de viaturas, telemóveis, bebidas diversas e produtos alimentares. Só na semana passada, foram apreendidos mais de 19 mil celulares na capital do país, cuja importação foi fraudulenta.

As autoridades alfandegárias mantêm a luta contra a fuga ao fisco no país, uma acção que já culminou com a apreensão de 19.800 celulares que eram transportados em mais de 250 caixas disfarçadas, sem a respectiva documentação.

“A mercadoria saia de um armazém e a nossa equipa de fiscalização interceptou a viatura e exigiu a respectiva documentação de origem da importação. Mas o importador não possuía quaisquer documentos, não restando outra possibilidade senão apreender, pois estavam vários indícios de que se tratava de produtos contrabandeados”, explicou Gimo Jonas, director operativo nas Alfândegas de Moçambique.

Segundo Jonas, são escassas as informações sobre a origem destes produtos, no entanto são conhecidos os proprietários e, neste momento, decorrem processos legais.

“Não se sabe qual é a origem, nem se terão entrado por via marítima, terrestre ou aérea, porque a apreensão foi feita na via pública”, esclareceu.

As mesmas equipas apreenderam, também, 50 viaturas por irregularidades diversas, bebidas alcoólicas, produtos alimentares e vários outros bens. Segundo as alfândegas, o Estado foi lesado em mais de três milhões de Meticais, só nos primeiros três meses deste ano.

“As viaturas foram apreendidas por violação de regulamentos de importação temporária, outras foram regularizadas por meio de isenções que não são regulares”, disse.

Das 50 viaturas apreendidas, 16 já estão com a situação regularizada, o que resultou na cobrança de 756 mil Meticais.

Arrancam, esta semana, as obras de construção do sistema de drenagem do bairro Fomento, no Município da Matola, orçado em mais de 90 milhões de Meticais. A edilidade responde às críticas e diz que não se trata de uma vala qualquer e que há empreendimentos associados, sendo que o valor envolve, também, indemnizações. Calisto Cossa diz estar tranquilo, porque não transgrediu os procedimentos previstos na lei. 

É um problema com barba branca e que coloca os residentes do Fomento em constante desespero. Com pouca chuva, voltam a mergulhar no sofrimento. Naquela zona, a água não só inunda as casas, mas também as ruas. O sofrimento é tão longo que obrigou alguns moradores a abandonarem suas casas, isso mesmo, suas casas. Para resolver o problema, a edilidade da Matola lançou um concurso público para construção de um sistema de gestão da água, mas o problema surge com a colocação de uma placa, que indica 93 491 681,17 Meticais para uma vala de drenagem de 500 metros, facto que está a gerar alguma desconfiança no seio dos munícipes.

MUNICÍPIO DIZ NÃO SER UMA SIMPLES VALA DE DRENAGEM

Para o Município da Matola, não há motivos para tanta desconfiança, até porque “não se trata de uma vala simples”, explicou Firmino Guambe, vereador de Infra-estruturas.

“Nesta vala, serão agregadas outras infra-estruturas. Faremos a recuperação de uma bacia que está no traçado dessa vala. A recuperação passa pela limpeza. Teremos uma bacia revestida, o que fará com que, depois de concluída, possa servir de um ponto de captação de água. Temos cerca de quatro aquedutos que serão construídos ao longo do traçado para que haja transitabilidade, acessos, sendo que alguns dos quais estão, neste momento, condicionados. Teremos 2 200 m² de passeios que serão construídos ao longo da vala”, detalhou.   

VALOR ENVOLVE INDEMNIZAÇÕES POR DEMOLIÇÕES, DIZ EDILIDADE

Noutro desenvolvimento, o representante da edilidade avançou que o valor da obra envolve a indemnização de famílias, cujas infra-estruturas serão abrangidas pelo empreendimento. 

“Entendemos que esse período é acima do que se poderia esperar para um empreendimento desta envergadura. Mas isso foi feito para salvaguardar o respeito de alguns direitos dos munícipes que serão condicionados. Estamos a falar de demolições de muros e outras benfeitorias que serão afectadas, sem deixar de lado algumas situações que poderão surgir decorrente da construção desta infra-estrutura. Esses aspectos foram acautelados e estão na responsabilidade do empreiteiro que vai construir essa infra-estrutura”, disse.

CALDEIRA ESTRANHA INCLUSÃO VALOR DAS INDEMNIZAÇÕES NO VALOR DA OBRA

Para o jurista José Caldeira, é estranho que as indemnizações estejam inclusas no orçamento da obra e que sejam da responsabilidade da empresa que irá executar a infra-estrutura. “Não é normal. Está claro na lei que a responsabilidade de fazer expropriações e indemnizações é do dono da obra e do contratante. Se esse processo [de indemnizações] fosse incluso no projecto, deveria estar bem discriminado o valor da obra. Isso é importante para o trabalho do fiscal da obra para aferir o cumprimento do que está estipulado no contrato”.

De facto, na placa da obra não estão discriminados os valores. Caldeira chamou à responsabilidade o papel da Assembleia Municipal da Matola e da sociedade para o esclarecimento desta situação.

Outrossim, a obra tem duração de 36 meses, o que corresponde a três anos. Isto é, será concluída fora do mandato da actual direcção que termina no próximo ano. Para esta questão, a edilidade tem uma justificação.

“A experiência que temos é que a construção das infra-estruturas que têm esta componente de demolições costuma levar mais tempo e, se estipularmos um período limitado, somos obrigados a chamar o empreiteiro enquanto já não temos nenhum vínculo contratual com o mesmo”, explicou-se.

FOI ESCOLHIDA A 2ª EMPRESA COM MENOR PREÇO

A edilidade diz que foram 10 as empresas que concorreram para a obra e que foi escolhida a OGA Construções, uma das que cobrou menos. “Esse contrato assinado é resultado da proposta apresentada pelo concorrente que apresentou o segundo menor preço. Só para exemplificar, há concorrentes que apresentaram propostas de 290 milhões de Meticais, outros 180 e 160 milhões.”

Face a esses argumentos do representante da edilidade, o professor universitário Samuel Simango defendeu que o Município da Matola poderia ter evitado o alarido social, antevendo as críticas.

“ESTAMOS TRANQUILOS”, REAGE CALISTO COSSA

Polémicas à parte, a edilidade garante que as obras vão mesmo arrancar. “O mais tardar esta semana, o empreiteiro irá começar com os trabalhos. O empreiteiro já está posicionado”, garantiu, na passada quinta-feira, Calisto Cossa, para em seguida dizer que está de alma lavada, pois, segundo disse, não há, nem houve irregularidades.

“A nível da Província de Maputo, temos entidades ligadas ao Ministério Público que fazem o seu trabalho e nós estamos tranquilos, porque estamos a fazer o trabalho dentro dos procedimentos que a lei exige. Isso é importante, porque garante a transparência”, terminou.

SIMANGO DEFENDE REFERENDOS PARA OBRAS QUE EXTRAPOLAM LIMITES DOS MANDATOS MUNICIPAIS

Para o também analista político, os projectos que extrapolam os limites dos mandatos municipais deveriam passar por um escrutínio popular. “Para esses projectos, seria bom que passassem por um referendo que pudesse envolver os partidos representados na Assembleia Municipal e os munícipes para que sejam eles a escolher o que é melhor para si. Para que o projecto não seja de responsabilidade de um indivíduo, mas de toda uma comunidade”, defendeu Simango, tendo, em seguida, apontado possíveis riscos que se podem verificar no futuro.

“Tem-se notado, por várias vezes, que os edis a dizerem que alguns projectos [que não foram por si encabeçados] não são viáveis. É, por isso, importante que esses projectos sejam assumidos por todos. Temos que avançar a nível da nossa legislação municipal para que tenhamos esses referendos, de modo a evitar que apareça alguém que diz que não se revê no projecto do seu antecessor”, defendeu.

Para terminar, Samuel Simango advoga que a solução para devolver a credibilização da iniciativa municipal é a inclusão urgente da Ordem dos Engenheiros, dos Contabilistas e outras entidades independentes que possam chancelar as justificações da edilidade.

 

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia ( INAM) aponta para  ocorrência de chuvas nas três regiões do país, podendo haver me registo de trovoadas no centro e sul do país.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, na região norte do país, poderão registar ceu nublado, chuvas fracas a moderadas locais, nevoeiros  matinais e vento a soprar de  sueste a leste  fraco a moderado.

Assim, para Nampula, Pemba e Lichinga prevêem-se máximas de 28, 30 e 25 e mínimas de 19, 22 e 12 graus, respectivamente.

Para as cidades da zona centro do país, Chimoio, Beira, Tete e Quelimane, a previsão meteorológica aponta que poderão, igualmente, registar céu muito nublado, nevoeiros, queda de chuvas fracas a moderadas, acompanhadas de trovoadas e vento a soprar de sudoeste a sueste fraco a moderado.

Em graus Celsius, Chimoio, Beira, Tete e Quelimane apontam para máximas de 27, 30, 34 e 30 e mínimas de 16, 21, 22 e 22, respectivamente.

Já para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, na zona sul do país, o prognóstico indica que poderão registar céu nublado,  neblinas ou nevoeiros matinais, aguaceiros ou queda de chuvas fracas a moderadas e vento a soprar de  sudoeste a sueste fraco a moderado.

Para as quatro urbes, Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, as máximas previstas são de 25, 26, 28 e 28 e mínimas de 17, 19

, 22 e 19  graus Celsius, respectivamente.

A mediatização da COVID-19, e por vezes com informações pouco claras, criou pânico no meio dos profissionais da saúde afectos na maior unidade sanitária da região Centro do país, o Hospital Central da Beira (HCB), inclusive nos seus utentes, um facto que contribuiu para que centenas de doentes deixassem de frequentar a unidade sanitária e sofressem nas suas residências de diferentes enfermidades e alguns morreram por falta de cuidados médicos.

De acordo com Ana Tambo, directora clínica do HCB, a mediatização da doença sobre a sua propagação, locais de contaminação e mortes provocadas, foi mal interpretada ou difundida com algumas lacunas, o que gerou pânico nas comunidades.

“Notamos que o número de utentes que frequentava o hospital e de internados nas enfermarias baixou quase para metade. As enfermarias estavam vazias e um estudo por parte da comissão científica do HCB, que fora criado para lidar com a doença, concluiu que os doentes estavam nas suas residências, alguns morreram porque temiam dirigir-se ao hospital, já que, para eles, era o foco da doença, quando, na verdade, a maior contaminação foi sempre comunitária”, explicou Ana Tambo.

Fátima Manuel, uma das utentes do HCB, que a nossa equipa de reportagem encontrou na enfermaria de ortopedia, é uma prova dos doentes que evitaram os cuidados hospitalares, por temerem contrair a doença. Ela adiou uma consulta de ortopedia durante 14 meses.

“Eu tinha medo. Diziam que aqui, no Hospital Central da Beira, havia muita contaminação da doença. Eu preferia suportar as dores que sinto no meu pé em casa em vez de vir aqui e contrair a doença com todos os riscos de infectar toda a minha família. A doença abrandou e julgo que é uma oportunidade para receber cuidados médicos”, disse Fátima Manuel.

Ao nível do Hospital Central da Beira, de acordo com a directora clínica, todos os profissionais e o pessoal de apoio contraíram a COVID-19. “Chegou uma altura em que a COVID ficou descontrolada. No nosso seio, fomos igualmente afectados. Não existe nenhum funcionário que possa afirmar que nunca apanhou a doença e cada um no seu tempo. Infelizmente, quatro colegas morreram. Foram momentos separados, mas cada vez que isso acontecia, nós sentíamo-nos derrotados. Felizmente, lutamos e, hoje, continuamos, aqui, firmes, lutando todos os dias contra a pandemia”, avançou Ana Tambo.

Octávio Camacho, médico afecto ao Hospital Central da Beira, afirmou que atender um doente no auge da COVID-19 e com informações diárias diferentes sobre o comportamento da doença, propagadas pela media e canais oficiais internos do sector, era bastante desafiador.

“Tínhamos que nos reinventar para salvar vidas e cuidar da nossa saúde. Sabendo que a doença é altamente contagiosa, todo o cuidado era pouco. Era preciso saber preservar o nosso slogan – ‘o nosso maior valor é a vida’ – para continuar a salvar. Um desafio nada fácil, tendo em conta que o mínimo descuido podia ser fatal para mim ou para o meu paciente. Não sei, até hoje, onde busquei forças para continuar firme. Felizmente, o pior já passou”, louvou Octávio Camacho.

Para a directora clínica, apesar de todas as medidas de prevenção terem sido relaxadas, é importante manter uma vigilância activa. Ana Tambo afirmou ainda que o HCB aprendeu com a doença que é importante estar em prontidão permanente.

“Aprendemos que, apesar de termos poucos recursos, somos capazes de salvar vidas e termos equipas preparadas 24 horas por dia. Portanto, há necessidade de melhoria nos nossos recursos humanos em qualidade e quantidade”, terminou Ana Tambo.

Nas últimas 24 horas, sete pessoas testaram positivo para a COVID-19 no país. No total, foram testadas 276 amostras suspeitas, informou hoje o Ministério da Saúde, em comunicado de imprensa.

A Cidade de Maputo teve cinco infecções, o que representa 71.42% do total de casos em todo o país e uma taxa de positividade de 5.05%.

“Cinco casos são de indivíduos do sexo feminino e dois do sexo masculino. Todos os casos são de indivíduos de nacionalidade moçambicana e as suas idades variam entre 26 e 82 anos”, lê-se no comunicado enviado à nossa Redacção.

Nas últimas 24 horas, não foi notificado nenhum óbito originado pela COVID-19, nenhuma alta hospitalar e apenas um recuperado, mantendo-se, por isso, em 2.201, o cumulativo de mortes causadas por esta doença.

De acordo com o MISAU, actualmente, o país não tem nenhum passageiro, muito menos contactos de casos positivos em seguimento.

Com as cinco novas infecções notificadas hoje, o país tem 57 casos activos.

Desde o início da pandemia, Moçambique registou 225.426 positivos. Deste número, 225.057 são casos de transmissão local e 369, importados.

Em relação à vacinação, os dados das autoridades sanitárias indicam que 13.967,342 pessoas estão completamente vacinadas contra a COVID-19. A cobertura nacional vacinal situa-se em 91.8%.

Três novas associações de produtores agrícolas entram para o Agro-Mozal, que está a ser implementado nos distritos de Boane e Namaacha, na Província de Maputo. O projecto tem, neste momento, 12 associações, que se beneficiam de apoio em insumos e equipamentos agrícolas, bem como assistência técnica.

A Associação “Mata-Fome”, no distrito de Boane, Província de Maputo, é uma das três novas integrantes do Agro-Mozal. São 25 produtores que integram a agremiação que recebeu do projecto diversas sementes de hortícolas, enxadas, catanas, regadores e pulverizadores.

“Estamos bastante contentes, porque há muito tempo que sofremos e não tínhamos visto algo igual. Tem importância, porque trabalhávamos sem saber para quê e, hoje, com esta ajuda, estamos motivados e agradecemos bastante”, concluiu Sebastião Tseco, presidente da Associação “Mata-Fome”.

O extensionista Celso Matsinhe dá assistência aos produtores da Associação Mata-Fome. Segundo diz, os insumos e os respectivos equipamentos vão trazer diferença significativa no processo produtivo.

A Associação dos Regantes de Manguiza, ainda em Boane, entrou pela primeira vez para o projecto Agro-Mozal no presente ciclo produtivo e não esconde a satisfação por ter sido contemplada. “Nós vamos empreender mais esforço para garantir a produção e a produtividade, porque temos grande parte do que precisamos para trabalhar nesta segunda época agrícola”, referiu Daniel Silva, presidente da Associação dos Regantes de Manguiza.

O projecto Agro-Mozal garante o apoio necessário para impulsionar a produção e produtividade às associações recém-admitidas. “Temos certeza de que estas três associações que foram admitidas agora vão transformar as suas vidas, através do aumento da produção e produtividade, com toda assistência e conhecimento que o projecto vai emprestar, incluindo insumos que vai disponibilizar, conforme estão a testemunhar”, diz Patrício Manjate, director do projecto Agro-Mozal.

O Governo do distrito de Boane, representado pela respectiva administradora, testemunhou, pela primeira vez, a entrega de insumos aos regantes de Maguiza, tendo ficado patente o compromisso de tudo fazer para justificar este apoio. Guilhermina Kumagwele enalteceu os esforços em curso que visam galvanizar a produção agrícola. “Acredito que os agricultores vão mostrar aquilo que é o resultado deste grande apoio do projecto Agro-Mozal”, disse Guilhermina Kumagwele, administradora de Boane.

Já nas terras de Namaacha, foi seleccionada a Associação dos Produtores de Morango de Namaacha (APMONA), para integrar o projecto Agro-Mozal. A alegria é indisfarçável, canta-se e dança-se e não é para menos, há sementes e equipamentos diversos, com destaque para motobombas e seus componentes, como pulverizadores automatizados, o que vai mudar o rumo de produção destes associados.

“Vamos utilizar, cuidar bem e proteger. Agradecemos muito ao projecto Agro-Mozal que trouxe insumos e equipamentos que não tínhamos”, disse a presidente da Associação APMONA.

O camião percorria os acessos de Boane e Namaacha e, mais do que transportar simples equipamentos e insumos, carrega a esperança de dias melhores para centenas de produtores.

A Associação Regantes de Mafuiane, que contempla 237 membros com uma área de 170 hectares, traz consigo o impulso na produção e o reconhecimento dos próprios agricultores. Amélia Honwana é uma das produtoras integradas na Associação e beneficiária da iniciativa. “O projecto Agro-Mozal está a andar bem, temos todos os insumos e assistência.”

As 12 associações integradas naquela plataforma receberam apoio do projecto que, desde 2019, vem transformando vidas em Boane e Namaacha.

Depois da chuva que caiu, é preciso aproveitar a fertilidade dos solos e relançar a semente para terra nesta segunda época da campanha agrícola 2021-2022. O extensionista Amilton Nicols, afecto ao distrito de Namaacha, diz que estão criadas as condições para obter melhores resultados.

Mais do que isso, o projecto visa empoderar as famílias e trazer ganhos económicos e sociais. Ana Nhaca consegue custear a escola dos filhos com os ganhos obtidos nos campos de cultivo e com assistência do projecto Agro-Mozal.

Até aqui, o Agro-Mozal faz uma avaliação positiva do seu desempenho. “O projecto está satisfeito, porque os produtores estão a melhorar o seu rendimento, a sua produtividade e as suas vidas. O feedback que nós temos é positivo, os níveis de produtividade que registamos até agora são elevados, em comparação à altura antes de entrarmos nestas associações”, disse Patrício Manjate.

O projecto Agro-Mozal é da empresa de fundição de alumínio Mozal, implementado pela Fundação SOICO (FUNDASO).

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