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O País – A verdade como notícia

A venda ilegal de fármacos do Sistema Nacional de Saúde é uma realidade nos mercados informais da capital provincial de Tete. Os referidos medicamentos são comercializados à margem da lei e sob olhar impávido das autoridades.

Indivíduos sem conhecimentos técnicos de saúde colocam, com a sua acção criminosa, em perigo a vida das pessoas. Para estancar a venda ilegal de fármacos, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) realizou, na última sexta-feira, uma operação em locais onde a venda ilegal de fármacos ocorre e o resultado desta acção foi a detenção de três indivíduos e apreensão de quantidades diversas de medicamentos. Os indiciados desta prática no mercado informal negam seu envolvimento no crime e alegam estar detidos injustamente.

“Eu estava na banca do meu amigo e vinha comprar alguma coisa para comer, mas, quando cheguei ao local, a Polícia estava a fazer o seu trabalho e os agentes pediram-me para os acompanhar. Não sei por que estou detido”, disse um dos indiciados.

Outro indiciado alega ser apenas vendedor de chinelos no mercado Kwachena e não propiamente de fármacos. “A Polícia confundiu-me com indivíduos que vendem medicamentos quando saía de um alfaiate no mercado. Mas eu sou apenas um vendedor ambulante de chinelos e estou a ser acusado injustamente”, negou a prática do crime.

Um dos detidos que assumiu seu envolvimento de venda ilegal de medicamentos nos mercados informais esclareceu ter adquirido os fármacos numa das farmácias privadas, no centro da cidade de Tete.

“Eu compro estes medicamentos nas farmácias Goving e Aziaty, no centro da cidade Tete”, refere um dos indiciados também a contas com as autoridades.

A porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal em Tete, Celina Roque, diz que os fármacos foram apreendidos em plena luz do dia nos mercados Kwachena, Cambinde e Canongola na última sexta-feira.

A fonte refere, ainda, que maior parte dos fármacos apreendidos já se encontra fora de prazo. Por isso, apela à população para não seguir por vias ilegais para compra de medicamentos, facto que pode ser prejudicial à saúde pública.

“Eles efectuavam a venda nos três maiores mercados informais da cidade de Tete, nomeadamente Kwachena, Cambinde e Canongola. Maior parte dos medicamentos já está fora de validade e, por isso, apelamos às comunidades para não enveredarem por esta via para comprar medicamentos”, alertou.

Celina Roque esclareceu ainda que foi aberto um processo-crime contra os indiciados, pelo que deverão responder pelos seus actos na barra da justiça.

Refira-se que a venda ilegal de fármacos em Tete acontece numa altura em que se regista a falta de medicamentos nas farmácias das unidades sanitárias públicas.

Passam três dias que o Instituto Nacional de Transportes Rodoviários não está a imprimir cartas de condução provisórias, matrículas para veículos, nem faz captação de dados. Os utentes exigem que a instituição se posicione e diga até quando a situação vai persistir, pois, a cada dia que passa, somam prejuízos.

O braço-de-ferro entre os utentes e o INATRO vem desde a última quinta-feira, quando, por volta do meio-dia, o sistema que gere todo o processo ligado às cartas de condução foi abaixo, impossibilitando quaisquer trabalhos.

Só na última sexta-feira, depois de muita pressão, é que o INATRO, delegação da Cidade de Maputo, afixou um comunicado que apontou falha de sistema na GovNet, 24 horas depois que dezenas de utentes se amontoaram nas instalações, em busca de esclarecimento.

Esta segunda-feira, na esperança de o problema ter sido ultrapassado, os utentes acorreram às instalações do INATRO, mas, mais uma vez, sem sucesso, para o seu desespero.

“Infelizmente, não há nenhuma informação clara. Dizem que é um problema no sistema e a GovNet é que vai resolver, mas não sabem quando irá acontecer. Não podemos ficar sem informações desta forma, principalmente para nós que tivemos que pedir dispensa no trabalho e não podemos fazê-lo todos os dias”, desabafou Nelsa Matsinhe, que, até à retirada da nossa equipa, continuava no local, sem saber se o sistema seria ou não restabelecido.

A situação prejudica também aquele que precisa da carta de condução para trabalhar, como Cezino João, que é transportador público e encontra-se impossibilitado de se fazer à estrada devido à carta caducada.

“Quinta-feira, vim aqui por volta das 7h e só saí às 15h, por falta de sistema. Voltei sexta-feira, nada de sistema. Hoje, segunda-feira, cá estou novamente, mas parece que nada vai acontecer”, desabafou.

Uma situação que afecta também a delegação provincial de Maputo que não está a imprimir cartas provisórias, matrículas para veículos, nem faz captação de dados, acumulando, desta forma, os alunos nas escolas de condução.

“Há empresas que já estão a ser prejudicadas, como é o caso da minha, onde os trabalhadores só podem fazer-se à estrada com as cartas completamente regulares. Neste momento, não posso ir à estrada”, lamentou Aníbal Macamo, um utente que apelou ao Governo para se posicionar e talvez autorizar a circulação de automobilistas sem cartas de condução regulares, até que a situação volte ao normal.

O jornal “O País” tentou, uma vez mais, ouvir o INATRO, mas este continua fechado em copas. Já o Instituto Nacional do Governo Electrónico, através do GovNet, mantém a promessa de pronunciar-se em breve. Enquanto isso, os utentes continuam sem as suas cartas, nem esclarecimento.

Especialistas em arquitectura dizem que é tempo do Governo de Moçambique levar a sério a questão da resiliência e sugerem a criação de uma instituição pública vocacionada para este fim.

A noite de 10 de Março de 2022 e madrugada do dia 11 nunca mais serão esquecidas pela população dos distritos de Mossuril e Mogincual, na parte costeira da província de Nampula. Um ciclone com ventos que atingiram a intensidade máxima de 155 km por hora alcançou o território nacional e teve o seu epicentro na província de Nampula.

“Analisando a época chuvosa 2021/22, principalmente na sua segunda parte, de Janeiro a Março, ocorreram dois grandes ciclones, começando pelo ciclone ANA cuja porta de entrada foi a faixa costeira da província de Nampula, distrito de Angoche, que depois progrediu até à zona Centro do país. Esse ciclone também teve impactos a nível de infra-estruturas e, a seguir, no mês de Março, aconteceu o ciclone GOMBE que também teve como ponto de entrada a província de Nampula, entre os distritos de Mogincual e Mossuril”, lembra o meteorologista Alberto Colarinho, numa abordagem que, de forma clara, mostra o quão o nosso país está a viver uma era atípica caracterizada pelo impacto das mudanças climáticas.

Dois meses depois é pouco tempo para apagar as marcas de um ciclone tão devastador. A vila-sede do distrito de Mogincual está irreconhecível. As infra-estruturas públicas documentam o impacto da “fúria divina”, o caso dos edifícios onde funcionavam os serviços do Estado que ficaram quase todos com a cobertura destruída.

Luísa Favorito, secretária permanente do distrito de Mogincual, fala na primeira pessoa do que viveu naqueles dias: “o nível de destruição, na verdade, foi total porque toda a população foi abrangida, apesar de uma e outra casa que escapou. Como estão a ver, a secretaria distrital está toda destruída, a residência do administrador, idem”.

A residência oficial do administrador distrital não escapou. O vento arrancou a cobertura; a água da chuva entrou em todos os cómodos, destruindo o mobiliário e, neste momento, o administrador está a viver no escritório construído para os extensionistas das pescas e realiza o trabalho burocrático no alpendre da residência oficial que ficou intacto.

Só no distrito de Mogincual, foram quatro mortos; 10 mil casas destruídas, total ou parcialmente, e cerca de 60 mil pessoas afectadas. A ajuda humanitária demorou a chegar, porque as vias de acesso que ligam a capital provincial e o distrito de Mogincual estavam cortadas.

“Pelo menos, perto de 25 mil pessoas já foram assistidas, também vamos enviar uma grande quantidade para perfazer a diferença das cerca de 25 mil pessoas para rondarmos as 50 mil”, esclareceu Alberto Armando, delegado do INGD em Nampula.

No terreno, juntam-se as mãos para ajudar quem mais necessita. São organizações religiosas e não-governamentais que doam o que podem para ajudar a reconstruir a vida, tal como testemunhamos quando a CÁRITAS diocesanas de Nampula faziam a entrega de kits não alimentares.

“Esta é a terceira vez que damos assistência a 1600 pessoas neste distrito. Damos um kit composto por duas esteiras, duas mantas, um balde, um gírico e uma lona”, assegurou Edson Cassimo, da CÁRITAS.

“Sofremos porque as nossas casas foram destruídas e os nossos bens. Estamos assim mesmo”, lamentou Álvaro Albino, um dos afectados em Mogincual, que o encontramos na fila para receber a doação acima referida.

No posto administrativo de Lunga, no distrito de Mossuril, onde se registou de facto o epicentro do ciclone Gombe, a população tenta reconstruir as casas danificadas, porém há coisas que, na vida, não têm conserto. Foram 31 pessoas que morreram só neste ponto.

Só de se lembrar, uma mulher adulta desactou aos choros quando fazíamos a reportagem, numa clara manifestação da dor de luto que ainda carrega: a mãe morreu quando a casa desabou e, nas costas, tinha uma criança que escapou por muita sorte.

“Ela estava com outras pessoas que conseguiram sair e ela permaneceu lá dentro e a casa caiu por cima dela. A criança não morreu, apenas teve ferimentos num dos braços”, explicou Alde Amade.

A natureza está a mudar. Desde o ano 2000 que a frequência de cheias e ciclones passou a ser maior e Moçambique, com uma costa de 2700 km, torna-se altamente vulnerável.

Com décadas de experiência na arquitectura, Benedito Chicombo diz que, mais do que nunca, o Governo deve levar a sério a questão da resiliência na projecção e construção de edifícios públicos. “Para além daquela fixação normal que conhecemos, há que revisitar o projecto da Educação que desenvolveu alguns projectos-modelo até a situações de sismos e o projecto contempla chumbadores metálicos, rebites, para reforçar a fixação da estrutura de cobertura”.

Para o arquitecto, pode-se ensinar à população como construir com material local que seja mais resiliente aos efeitos dos eventos extremos. “O Ministério das Obras Públicas, em tempos, fez muitos estudos sobre isso e chegou a aprovar uma estratégia a nível do Conselho de Ministros e alguns materiais desta categoria que posso citar são: bloco de solo e cimento, que é um bloco de solo/argila estabilizado com cimento. Foram ensaiadas, em Namialo, soluções como a melhoria da casa de pau-a-pique maticada com argila e revestida com resina de castanha de caju. Aquele óleo residual da produção de castanha, ao aplicar-se numa parede rebocada com adobe, podemos passar um jato de água da mangueira, o nível de segregação de partículas é muito baixo”, disse o especialista que agora é gestor do projecto “Melhorando a Resiliência Climática em Moçambique”, que está a ser implementado pelo Ministério da Terra e Ambiente.

O nosso entrevistado entende que deve ser criada uma instituição pública para coordenar e assessorar a implementação das acções de resiliência.

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) aponta para tempo fresco, com temperaturas máximas  a variarem de 19 a 28 graus, e possibilidade de queda de chuvas no Centro, Norte e Sul do país.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, na região Norte do país, poderão registar céu pouco nublado, possibilidade de ocorrência de chuvas fracas, neblinas ou nevoeiros e vento a soprar de  sudoeste a sudeste, fraco a moderado.

Assim, para Nampula, Pemba e Lichinga, prevêem-se máximas de 25, 28 e 19 e mínimas de 17, 21 e 9 graus, respectivamente.

Para as cidades da zona Centro do país – Chimoio, Beira, Tete e Quelimane –, a previsão meteorológica aponta que poderão, igualmente, registar céu pouco nublado a  muito nublado,  aguaceiros ou queda de chuvas fracas a moderadas, neblinas ou nevoeiros e vento de  sudoeste a sueste fraco a moderado.

Em graus Celsius, Chimoio, Beira, Tete e Quelimane apontam para máximas de 19, 24, 26 e 25 e mínimas de 12, 19, 18 e 19, respectivamente.

Já para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, na zona Sul do país, o prognóstico aponta para a ocorrência de céu pouco nublado a temporariamente muito nublado, possibilidade de chuvas fracas locais.

Para as quatro urbes, Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, as máximas previstas são de 24, 24, 24 e 25 e mínimas de 15, 15, 20 e 17  graus Celsius, respectivamente.

Moçambique vai acolher, em 2023, o sétimo Congresso Internacional de Educação Ambiental, a nível dos países falantes da língua portuguesa. Trata-se de um evento bianual que vai decorrer no país cuja candidatura para fazer parte do evento, feita em 2021, foi aprovada.

A informação foi avançada, este domingo, pela secretária permanente do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, durante a sua intervenção num evento co-organizado pela Câmara do Comércio e Conselho Municipal de Maputo, que marca a passagem do Dia Mundial do Ambiente, celebrado a cada 5 de Junho.

Segundo Emília Fumo, o sétimo Congresso Internacional de Educação Ambiental dos países e comunidades falantes da língua portuguesa vai decorrer sob o lema: “Educação Ambiental: ferramenta-chave para a sustentabilidade, por reconhecer o potencial de oportunidades que pode gerar sobre a vida na terra”.

Este lema, segundo explicou a nossa fonte, visa lembrar sobre a necessidade de equilibrar a busca por recursos e a protecção do ambiente e, para o caso de Moçambique, destacar o papel que a educação ambiental assume na busca de soluções perante os problemas ambientais e na transformação do indivíduo para melhor lidar com os desafios da natureza.

O evento ocorre numa altura em que o mundo vem sendo fustigado por eventos climáticos extremos, em consequência das mudanças climáticas, causadas por acções humanas nocivas ao ecossistema.

“Esta candidatura para acolher o sétimo Congresso Internacional de Educação Ambiental expressa o comprometimento do Governo de Moçambique em integrar os valores do ambiente nas políticas, programas educacionais, de governação e nas economias dos países da nossa comunidade, em prol de um desenvolvimento sustentável”, disse Emília Fumo.

O Governo tem grandes expectativas ao realizar o referido evento, querendo reunir, numa única plataforma, “todos os fazedores de educação ambiental da CPLP, entre políticos, académicos, cientistas, investigadores, sectores públicos e privados e todos engajados para a causa única de educação ambiental”.

Espera-se, igualmente, garantir a troca de experiências e iniciativas de educação ambiental, com destaque para “Um líder comunitário, uma floresta, Programa Escola Verde – Escola Gira, Programa de Educação, Comunicação, Divulgação Ambiental, Prémio do Jornalismo Ambiental, Feiras de Ambiente”, e tantos outros que contribuem para elevação da consciência ambiental.

O Ministério de tutela diz que Moçambique é signatário de diversos protocolos e tem as suas acções alinhadas aos mesmo, pois percebe que há que garantir o envolvimento e contribuição de todos os segmentos da sociedade, para evitar que o Governo, organizações que protegem o ambiente e outros da sociedade civil promovam campanhas que, no terreno, encontrem barreiras, por falta de comprometimento das sociedades.

 

CONSTRUÇÕES DESORDENADAS CONTINUAM UM DESAFIO

A poluição das águas, emissão de gases, construções desordenadas, acompanhadas pelo bloqueio de caminhos das águas, e o desmatamento constituem actuais desafios para as principais cidades do mundo e Maputo não é excepção.

O presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche, que também participou das celebrações do Dia do Ambiente, fala da necessidade de haver mais eventos daquela natureza para, acima de tudo, despertar a atenção da humanidade sobre a valorização da vida sustentável em harmonia com a natureza, através de medidas de preservação e conservação, visando reverter a degradação dos ecossistemas, dinamizando acções educativas que reforcem a consciência sobre os perigos ambientais que se agravam à medida que cresce a ocupação do território e a exploração dos recursos naturais.

“O Município de Maputo, território privilegiado por ter sido abençoado com uma localização geográfica invejável, banhado pelas águas cristalinas do Índico, é, ao mesmo tempo, um dos pontos nevrálgicos no que diz respeito à exposição aos riscos climáticos, situando-se na linha de incidência dos ciclones que anualmente têm origem no Sudoeste do Índico. Em paralelo, a cidade está obviamente exposta às variações sazonais associadas às mudanças climáticas, tornando difícil a adopção de padrões de médio a longo prazo no planeamento físico e na gestão do uso do solo.”

Além destes factores dos quais a edilidade não tem controlo, existem outros que colocam em xeque a cidade e exigem uma intervenção mais visível.

“A expansão urbana que se verifica na nossa cidade tem provocado o desmatamento de extensas áreas outrora naturalmente inundáveis, para dar lugar a obras de urbanização, raras vezes acompanhadas pela provisão de sistemas de drenagem adequados. A consequência deste crescimento é a redução das reservas de inundação e infiltração, conduzindo a frequentes desentendimentos entre os munícipes e a edilidade”, afirmou o edil de Maputo.

Comiche reconheceu os desafios da cidade, porém apela para o envolvimento de vários sectores sociais e económicos, pois considera todos como parte da solução. “Perante este cenário, como gestores do território, queremos aproveitar este momento especial para, de mãos dadas com o Ministério da Terra e Ambiente e com os demais parceiros comprometidos com questões ambientais, reforçar a nossa aposta em acções que visam aprimorar a beleza da nossa cidade e assegurar a recuperação das áreas verdes urbanas, valorizando e melhorando os parques e jardins, restaurando e protegendo as áreas com valor ecológico actualmente degradadas, com destaque para os mangais e zonas pantanosas, e investindo em soluções inovadoras, visando a melhoria da mobilidade urbana”.

A edilidade propõe, ainda, a “continuar a realizar campanhas de limpeza nos bairros, nas praias, nos mercados, nas escolas e nas vias públicas, acompanhadas por acções de sensibilização e promoção de boas práticas, dando primazia ao plantio de árvores nas artérias da nossa cidade e na orla marítima”.

Yolanda Fernandes, vice-presidente da Câmara do Comércio de Moçambique, diz que o objectivo fulcral desta feira é garantir a difusão da informação sobre a necessidade de adoptar, cada vez mais, formas e ferramentas de trabalho e de negócio mais sustentáveis e amigas do ambiente, ou seja, “é possível fazer negócio sem destruir nem poluir”.

Estiveram no recinto mais de 50 empresários de ramos diversos, com destaque para a disponibilidade de energias limpas, através de painéis solares, produção de medicamentos diversos através de plantas medicinais e promoção de lâmpadas de baixo consumo.

Ainda no recinto do jardim zoológico, a efeméride foi marcada pela presença de empresários, através de uma feira co-organizada pela Câmara do Comércio e Conselho Municipal de Maputo.

Para o presente ano, o Dia Mundial do Ambiente é celebrado sob o lema: “uma só terra pela resiliência climática”.

Este ano, o evento coincide com a passagem do 50º aniversário da Conferência de Estocolmo, que deu lugar à institucionalização da data, por ocasião da primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 1972.

Refira-se que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) realizou, nos dias 2 e 3 de Junho, em Estocolmo, na Suécia, uma Conferência Internacional de Alto Nível, designada, ESTOCOLMO + 50, sob lema: “Uma só Terra”.

Moçambique fez-se representar pela ministra da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Ivete Maibaze.

Na conferência, o país lançou a reunião de consulta nacional, com o objectivo de promover uma reflexão sobre a agenda da sustentabilidade ambiental, em prol da preservação da vida no planeta terra e conta com a participação dos actores relevantes na área, com destaque para o envolvimento de mulheres, jovens, idosos, pessoas com deficiência, comunidades locais, bem como os demais representantes da sociedade civil e do sector privado.

De um total de 353 amostras testadas nas últimas 24 horas, 35 tiveram o resultado positivo, segundo o Ministério da Saúde (MISAU), que fala de mais 18 indivíduos recuperados da doença.

A Cidade de Maputo, com 21 casos e a província de Gaza, com 13 casos, foram as regiões do país que registaram mais casos no período em referência. Dos novos contágios, 33 são de indivíduos de nacionalidade moçambicana e dois cidadãos estrangeiros.

Nas últimas 24 horas, a Taxa de Positividade e a Taxa de Positividade Acumulada, situaram-se em 9.92% e 16.98%, respectivamente.

“Actualmente, o cumulativo nacional de amostras suspeitas testadas é 1.330.662, enquanto que o cumulativo de casos positivos é 225.968. Deste número, 225.599 são casos de transmissão local e 369 importados”, esclarece o MISAU, acrescentando que o país tem 278 casos activos do vírus.

Relativamente às pessoas recuperadas no período em causa, as autoridades explicam que as recuperações ocorreram na província de Maputo. “Não registamos nenhuma alta hospitalar, nenhum internamento (actualmente, cinco pacientes encontram-se internados nos CICOV, mas nenhum deles está nos cuidados intensivos”, lê-se no documento em referencia.

Moçambique continua com um cumulativo de 2.204 óbitos causados pela COVID-19, uma vez que não há registo de novas mortes em consequência da pandemia.

A cada ano, Moçambique sofre devido à seca, cheias e ciclones, que destroem infra-estruturas e tiram vidas. São os efeitos negativos dos fenómenos naturais, mas, segundo o director da Associação dos Jovens e Amigos de Govuro  (AJOAGO), tal tem a mão humana.

É que as mudanças climáticas são consequência directa da poluição que o mundo sofre, causada pela industrialização que é mundialmente liderada pelos países mais desenvolvidos.

José Mucote defende, por isso, que os países que mais poluem devem ser legalmente obrigados a compensar os mais vulneráveis às mudanças climáticas.

“É questão de Justiça e direito, que existam investimentos e compensações que realmente cheguem às comunidades que têm que enfrentar a perda de vidas humanas e de infra-estruturas”, defendeu o dirigente.

Anualmente, os países poluentes prometem biliões de dólares para apoiar a reconstrução dos países mais vulneráveis, dinheiro que, entretanto, não chega às comunidades afectadas.

Segundo José Mucote, cada moçambicano recebe três dólares de compensação face aos efeitos negativos das mudanças climáticas, mas esse dinheiro não chega para nada.

Mucote cita, como exemplo, a necessidade de melhorar as condições habitacionais para que sejam resilientes aos ciclones, como o melhoramento do sistema produtivo através de aquisição de sementes que sejam resilientes à seca ou a inundações, “como investir três dólares para protecção social”.

Um desses exemplos é a cidade de Vilankulo, em Inhambane, que vê a sua marginal a degradar-se devido ao avanço do mar sobre o continente.

O edil daquela cidade diz que há intervenções de pequena monta que estão a ser feitos na marginal, mas não resolvem o problema. Aliás, a falta de dinheiro tem sido o principal entrave para a protecção costeira de Vilankulo.

Para celebrar o Dia do Ambiente, a AJOAGO organizou, em Inhambane, um debate com estudantes, académicos e as comunidades, para discutir os desafios da resiliência às mudanças climáticas.

O arcebispo da Beira, Cláudio Dalla Zuanna, condena a onda de raptos frequentes no país e alerta que este crime pode estar ligado às instituições do Estado. Dalla Zuanna diz ainda que a situação é perigosa, na medida em que os autores do crime podem até infiltrar-se nas instituições da Justiça

Falando à margem da cerimónia de graduação de estudantes da Universidade Católica de Moçambique, o arcebispo da Beira, Cláudio Dalla Zuanna, alertou que os gestos e acções isoladas não travar os raptos e defendeu a união de esforços para combater o crime que ganhou contornos alarmantes no país.

Cláudio Dalla Zuanna referiu ainda que os raptos são prova da existência de crime organizado no país, o que é uma situação muito perigosa.

O arcebispo da Beira chama atenção ainda para o perigo de se estar num contexto de muita impunidade, realçando que tal pode ser um sinal de que os criminosos estão infiltrados nas instituições de Justiça.

“O crime organizado pode até infiltrar-se dentro das instituições e comprometer o trabalho e serviço”, alertou o arcebispo.

No último informe sobre o estado geral da Justiça no país, a procuradora-geral da República, Beatriz Buchili, disse terem sido registados 14 processos-crime por rapto em 2021, contra 18 em 2020. Buchili reconheceu que há casos que não estão oficialmente registados.

Para o arcebispo da Beira, é fundamental que todos os sectores da sociedade se envolvam no combate a este crime que tem como principais alvos empresários ou figuras a si ligadas.

“Temos que encontrar respostas juntos. As instituições académicas, políticas, judiciárias, família e a sociedade no geral devem envolver-se para dar espaço ao bem.”

A 19 de Maio passado, Safira Feroz, estudante de 19 anos, foi raptada pouco depois de sair das instalações da Universidade Católica de Moçambique e, até hoje, não se conhece o seu paradeiro. A vítima foi arrastada para uma viatura ligeira por três indivíduos que se colocaram em fuga.

“É com grande tristeza que tomamos conhecimento do rapto da nossa estudante. Queria manifestar a minha solidariedade para com a família, que deve estar em grande sofrimento neste momento”, disse o arcebispo.

O reitor da UCM, na Beira, Padre Filipe Sungo, foi incisivo nas suas declarações, defendendo que é necessário intensificar acções enérgicas para combater um mal que é do conhecimento de todos e que fragiliza o Estado de Direito.

“Temos que travar esta economia do rapto, corrupção, terrorismo, nepotismo, arrogância, ditadura, ambição desmedida, roubos, assassinos e demais males”, disse Padre Filipe Sungo.

Bernardete Zacarias deu voz aos estudantes que estão indignados e aterrorizados com este crime que chocou a cidade da Beira, em particular, e a sociedade moçambicana, em geral.

“É muito triste. Muito triste mesmo”, lamentou a estudante, visivelmente emocionada. Quem também não ficou indiferente em relação à crescente onda de raptos cuja estrutura de combate não dá sinais de avanço é o edil da Beira, Albano Macie.

A UCM graduou 500 estudantes das Faculdades de Saúde, Economia e Gestão e Instituto de Educação a Distância. O governador de Sofala, Lourenço Bulha, e a secretária de Estado, Stella Zeca, desafiaram, na ocasião, os técnicos a encontrarem soluções para os problemas das comunidades.

Mais de dez mil pessoas reassentadas no bairro Nametangurine, distrito de Nicoadala, província da Zambézia, recorrem a frutos silvestres para alimentação. São alimentos locais como minhanhe e tube. As famílias chegaram àquele bairro, umas na sequência das chuvas e inundações, e outras são vítimas do terrorismo na província de Cabo Delgado.

No bairro Nametangurine, distrito de Nicoadala, residem cerca de três mil famílias, o correspondente a mais de dez mil pessoas. O nível de sofrimento das famílias é gritante, não obstante os esforços do Governo e parceiros que procuram, sempre que possível, minimizar a situação a que estão sujeitas. Sucede que, com as mudanças climáticas que nos últimos anos têm originado chuvas que provocam estragos a residências e culturas alimentares das famílias, em Nicoadala, o Governo encontrou o bairro Nametangurine como o mais seguro para reassentar as famílias, facto que tem acontecido a cada ano.

O número das famílias cresceu com a chegada de mais moçambicanos provenientes da província de Cabo Delgado, vítimas do terrorismo. Francisco Aguacheiro, um idoso que reside em Nametangurine junto da sua família, foi mais longe ao afirmar que, na sequência da fome, os recém-chegados ao bairro têm recorrido aos frutos silvestres para a sobrevivência.

“Fome aqui não vale a pena, comemos frutos do mato como minhanhe e tube. Tem sido graças a estes alimentos que safamos da fome. Os nossos amigos, que chegaram este ano, estão a sofrer muito. Recebem alimentos nas tigelas para alimentar-se com as suas famílias. Não têm casa e dormem em tendas com várias pessoas”, disse Francisco Aguacheiro, pedido apoio quer em alimentos quer em construção das suas casas às famílias.

Elizabeth Agostinho, outra residente recém-chegada ao bairrio, fez saber que a comida distribuída pelas autoridades chega, mas em pequenas quantidades. Diz que é normal passar um mês sem receberem alimento. As crianças são as principais vítimas, por não conseguirem por si só se alimentar. Por isso, ela diz que os pais vão à mata para buscar frutos silvestres para cozinhar.

Ainda em Nametangurine, encontramos Armando Valentim, que chegou a Nametangurine no mês de Março deste ano. Antes residia na localidade Licuar, mas, pela força da água, viu-se obrigado a deslocar-se, com a sua família, àquele bairro de reassentamento. “As condições aqui são normais, apesar das diversas dificuldades. Temos dois comboios de escolas em construção e painéis solares para um pequeno grupo de pessoas do bairro. Conseguimos sobreviver através da comida que nos dão e, quando podemos, também vamos ao campo para produzir”, disse Armando Valentim.

Um dos grandes desafios que o Governo tem, neste momento, é tornar os bairros de reassentamento voltados ao desenvolvimento para acabar com a dependência das famílias. Ou seja, se por um lado o Executivo deve criar condições de infra-estruturas que atraiam as pessoas a manterem-se nos bairros, por outro, as famílias precisam de produzir comida para se alimentar.

A falta de comida no seio da população residente naquele bairro tem sido minimizada através de intervenção do Governo e parceiros, com alocação de cestas básicas sempre que possível.

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