Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A Primeira-dama, Isaura Nyusi, procedeu, ontem, em Inhambane, ao lançamento da Semana do Aleitamento Materno.  Na ocasião, Isaura Nyusi ofereceu um enxoval a um bebé nascido no Centro de Saúde de Muelé, na Cidade de Inhambane.

Vânia Fernando é uma jovem de 32 anos de idade, que deu à luz ao seu segundo filho no Centro de Saúde de Muelé, província de Inhambane. Com a experiência do primeiro filho, Vânia Fernando diz conhecer as vantagens do aleitamento materno para o bebé, uma vez que foi graças a isso que o seu filho mais velho cresceu saudável.

Mãe de primeira viagem, a jovem Hortência diz que não sai por nenhum instante de perto da sua filha. Aliás, é com esse ar proteccionista que ela defende o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses.

Mais, Hortência diz que, durante esse período, não se pode misturar o leite do peito com nenhum outro alimento.

Quem não teve a mesma sorte foi Gertrudes, menina de 5 meses de vida que o “O País” encontrou no Bairro Muelé 1, que recebe da avó leite artificial, uma vez que a mãe tem de trabalhar.

Segundo Lúcia Muthisse, avó de Gertrudes, depois do parto, a mãe ficou três meses em licença de parto, mas quando voltou ao trabalho, a única saída que viu foi introduzir o leite artificial na dieta alimentar da criança.

A bebé toma leite artificial enquanto a mãe está no trabalho e, depois das 15h00, quando a progenitora volta do trabalho, é que a bebé toma leite do peito. Lúcia Muthisse diz que, mesmo com a introdução do leite artificial, a criança não deixou de tomar o leite materno.

A UNICEF defende um tempo de 18 semanas de licença remunerada para que as mulheres possam amamentar os seus filhos, mas o quadro jurídico moçambicano não vai além das 12 semanas.

Segundo o Ministro da Saúde, Armindo Tiago, o país já registou avanços nesse sentido, uma vez que antes o período de licença pós-parto era de apenas quatro semanas e agora é de doze.

Isaura Nyusi diz que ainda há, no país, muitas crianças recém-nascidas que não têm o aleitamento materno exclusivo e refere que Moçambique apresenta uma situação de alimentação infantil delicada, onde cerca de metade das crianças são amamentadas exclusivamente com o leite do peito e apenas 35% das crianças de 9 a 11 meses têm uma frequência alimentar mínima.

A Primeira-dama defende, por isso, que urge o melhoramento do apoio à amamentação e à comunicação para a mudança de alguns hábitos que impedem o crescimento adequado das crianças, por um país livre da desnutrição crónica – que, apesar de ter registado um ligeiro decréscimo nos últimos anos, de 43% para os actuais 38%, continua muito alta.

O conflito em Cabo Delgado, que está a fazer muitos deslocados internos, cuja maioria são mulheres e crianças, aumenta a insegurança alimentar e limita a capacidade dos profissionais de saúde no apoio à amamentação.

Como solução, Isaura Nyusi propõe um subsistema de saúde comunitário fortalecido com diversos actores informados sobre os benefícios e as recomendações emanadas pelo Ministério da Saúde.

Isaura Nyusi fala, ainda, de um apoio combinado à mulher para o bem da saúde das crianças. “O apoio à amamentação envolve muitos protagonistas a diversos níveis, pois as mulheres precisam do apoio nas unidades sanitárias, nos seus locais de trabalho, nas suas comunidades, assim como no seio familiar”.

Para que esta cadeia seja eficaz, é necessário melhorar a educação e aumentar a capacidade de todos os protagonistas que, directa ou indirectamente, contribuem ao longo da mesma, que em último recurso vão garantir o aumento das taxas de amamentação, nutrição e saúde a curto e a longo prazo.

“Mesmo em tempo de emergência e conflito armado, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir o bem-estar das crianças”, finalizou Isaura Nyusi.

O Conselho Municipal de Maputo (CMM) vai investir cerca de cem milhões de dólares para o reordenamento dos assentamentos informais. Trata-se de um projecto que se enquadra no plano de transformação urbana da capital.

O Programa de Regularização Fundiária e de Reordenamento de Bairro, lançado, esta quinta-feira, em Maputo, pelo presidente do Conselho Municipal, Eneas Comiche, é um projecto que visa garantir a segurança de posse de terra e a requalificação dos assentamentos informais.

Ruas de difícil acesso e construções desordenadas são os maiores problemas que caracterizam a Cidade de Maputo.

Maria Fazenda, residente no bairro Luís Cabral há mais 20 anos, conhece bem as consequências.

“A rua que dá acesso à minha casa está muito apertada, daí que, quando alguém morre, é muito difícil ter que carregar o corpo para a estrada. Quando chove, toda a água vem de cima e acumula-se aqui”, disse a moradora.

São essas dificuldades que o CMM espera resolver com a requalificação de vinte bairros da urbe abrangidos pelo projecto.

“Nós vamos fazer a reestruturação destes bairros, em todos os aspectos ligados a vias de acesso, abastecimento de água, iluminação pública, saneamento do meio, entre outros”, explicou o edil de Maputo, Éneas Comiche, frisando que “o nosso objectivo é que as pessoas sintam que os lugares as pertencem e que é neles que devem investir”.

Na primeira fase, o reordenamento vai abranger os bairros Luís Cabral, Mavalane “A”, Mavalane “B”, Aeroporto “A” e Unidade 7.

O segundo grupo incluirá Inhagóia “A”, Inhagóia “B”, Nsaleni e FPLM, e na terceira etapa, serão contemplados os bairros Malanga, Chamanculo “A”, Chamanculo “B”, Chamanculo “D” e Xipamanine, tal como explicou o vereador para a área de Ordenamento Territorial, Urbanização e Ambiente, Silva Magaia.

“Não vamos completar o município todo, pois cerca de setenta por cento do nosso território é caracterizado por assentamentos informais e, neste projecto, foram priorizados os primeiros vinte bairros”, esclareceu o vereador.

Para facilitar o processo, a edilidade iniciou a atribuição de cerca de 20 mil títulos Direitos de Uso e Aproveitamento de Terra, que poderá abranger igual número de beneficiários nos bairros mencionados.

O processo de reordenamento territorial nos assentamentos informais vai abranger 60 mil famílias e serão investidos 100 milhões de dólares.

A Organização Nacional dos Professores (ONP) reconhece os erros ortográficos, de conteúdo e de cálculo nas provas trimestrais da 5ª, 6ª, 7ª e 9ª classes, em Maputo e na Zambézia. Entretanto, diz que há uma intenção de denegrir os professores e desvalorizar o seu trabalho.

A Organização Nacional dos Professores reagiu, esta quinta-feira, à circulação de conteúdos errados nas provas de alunos. O órgão defende a classe, considerando os erros “acidente de trabalho”.

“É preciso concordarmos que cada um que trabalha comete erros, diferente daquele que não trabalha que só se ocupa em criticar, recolher o errado para publicar. Por que não fazem o contrário: louvar o trabalho que o professor está a fazer na escola, dentro das difíceis condições em que ele é sujeito?”, questionou Teodoro Muidumbe, secretário-geral da ONP.

Muidumbe considera que os erros foram cometidos por quem devia fazer a verificação final das provas, mas há pessoas com intenção de manchar a classe.

“A pessoa, que fotografou estes enunciados, já os encontrou com as partes erradas sublinhadas, o que significa que ele pegou rascunhos para publicitar. Mas, a pessoa que sublinhou os erros é o responsável pela correcção, que o fez para posterior correcção”, defendeu a fonte, que destacou que estes erros não terão impacto algum na qualidade das correcções das provas.

As provas em curso no país marcam o fim do segundo trimestre do presente ano lectivo, devendo os alunos ir de férias depois da próxima semana.

A Comissão Política da Frelimo reconhece o bom trabalho das Forças de Defesa e Segurança (FDS), que travam, sem tréguas, e se esmeram na luta contra o terrorismo e na defesa da integridade territorial e soberania.

O órgão da Frelimo saúda, ainda, o trabalho das forças locais, no Teatro Operacional Norte, indica um comunicado a que o “O País” teve acesso.

A Frelimo enaltece o papel da mulher moçambicana e o seu empenho na construção da nação, no reforço da unidade nacional, na preservação da paz – condições indispensáveis para o desenvolvimento equilibrado e sustentável do país – e saúda o programa sobre o aleitamento materno, exortando as mães moçambicanas a fazerem do Programa um momento para melhorar os níveis actuais de desnutrição nas crianças.

MINISTRO DA DEFESA INSURGE-SE CONTRA DETRACTORES

O ministro da Defesa de Moçambique criticou a alegada “amnésia” de algumas correntes de opinião no país, que tendem a “omitir a bravura” das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique face ao registo de novos ataques armados na faixa Sul de Cabo Delgado.

“Os sinais de violência extrema, que [surgem], por vezes, com o recrudescimento de ataques em Cabo Delgado não podem, de forma alguma, fazer crescer uma amnésia de algumas correntes de opinião que tendem a omitir a bravura das nossas forças”, disse Cristóvão Chume, citado pelo jornal Notícias.

Em causa estão novos ataques na faixa Sul da província, que começaram a ser registados no início de Junho, visando pontos recônditos do distrito de Ancuabe, tendo as incursões provocado pânico também nalguns distritos próximos, nomeadamente Metuge, Mecúfi e Chiure.

As forças moçambicanas consideram que as acções registadas em diferentes locais do distrito de Ancuabe estão a ser desencadeadas por rebeldes em fuga da ofensiva militar que está em curso desde Julho de 2021, com apoio internacional.

Cristóvão Chume diz que as Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique mantêm a bravura para “tornar una e indivisível a pátria”, e acrescenta que o exército “sempre lutou e venceu” as guerras que Moçambique atravessou.

“Não vamos desarmar, não vamos desistir. Venha o que vier, custe o que custar, nós vamos vencer”, frisou o governante.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, no entanto, é aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista do Estado Islâmico.

A ARA-Sul está a efectuar trabalhos de limpeza na Bacia do Rio Umbelúzi, em Boane, para retirar plantas aquáticas que podem pôr em causa a qualidade e quantidade de água que é abastecida ao Grande Maputo.

As máquinas já roncam e começaram a limpar o troço de cerca de 20 km, desde a Barragem dos Pequenos Libombos até à Estação de Tratamento Água de Umbelúzi. A acção visa descongestionar o leito, garantindo maior fluidez e melhor qualidade à água que abastece o Grande Maputo.

“Esta é a primeira fase de um projecto que vai até 2025. A ideia é assegurar que, em todo o troço, parte da barragem até a Estação de Tratamento Água de Umbelúzi, haja a devida limpeza. Obviamente, esse processo foi antecedido de um estudo prévio no ano passado, em que foram mapeados os pontos mais críticos. Depois de assegurarmos a limpeza desses locais, iremos trabalhar na Bacia do Incomáti, com os mesmos objectivos”, detalhou Jaime Timba, director da Divisão de Gestão da Bacia do Umbelúzi.

Por seu turno, a edilidade de Boane acredita que a acção poderá ajudar os agricultores principalmente no que ao acesso à água diz respeito.

“O rio já apresentava sinais de assoreamento, mas, com esta limpeza, as águas irão correr com normalidade e isso é uma mais-valia para os nossos agricultores. Os ganhos não terminaram por aí, as plantas aquáticas tiradas nesse processo poderão ajudar os nossos agricultores, pois se trata de um produto orgânico muito rico para a agricultura”, defendeu Augusto Mambero, vereador de Infra-estruturas no Município de Boane.

Esta etapa, que conta com o apoio de organizações não-governamentais ligadas ao ambiente, começou em Junho e terá o seu fim em Setembro.

Na localidade de Cupo, no distrito de Funhalouro, província de Inhambane, ficar doente era quase proibido. É que, para chegar a uma unidade sanitária, a população percorria entre 40 e 95 quilómetros, em vias de acesso precárias e sem meios de transporte.

Segundo apurámos no local, o centro de saúde mais próximo de Cupo fica no Posto Administrativo de Mavume, a 42 quilómetros daquela localidade. “Não sabíamos o que fazer, porque não tínhamos hospital e, por conta disso, sofríamos muito aqui quando ficássemos doentes”, disse uma das residentes daquela região.

Aliás, para ter cuidados médicos, as pessoas que tivessem condições iam atrás de quem tem burros e carroças para o transporte do familiar até Mavume.

As mulheres grávidas são as que mais sofriam, pois ficavam até duas semanas na vila-sede do distrito, à espera da hora de dar à luz.

Muitas vezes, as mulheres iam até à vila-sede de Funhalouro, no Centro de Saúde Local, para ter tratamento, mas tal não acontecia e o tempo de espera era de até duas semanas para dar à luz.

Mas, os problemas da população chegaram ao fim, com a entrada em funcionamento do Centro de Saúde de Cupo. O ministro da Saúde refere que haverá, ainda este ano, mais de 25 novas unidades sanitárias que vão entrar em funcionamento.

Segundo Armindo Tiago, o Governo continua empenhado em reduzir as distâncias que a população percorre para ter cuidados médicos e, no ano passado, entraram em funcionamento 30 novas unidades sanitárias.

A entrada em funcionamento dessas novas unidades permitiu a redução de até 15 Km, a distância que a população percorre para chegar a um hospital.

A esposa do Presidente da República espera ver mais mulheres a darem à luz numa unidade sanitária. Isaura Nyusi disse, na ocasião, que a inauguração do centro de saúde constitui um marco importante na vida da população local, onde percorria, em média, cerca de 42 quilómetros para localidade de Mavume ou 92 quilómetros para a vila-sede distrital de Funhalouro, para ter acesso aos cuidados médicos.

Segundo acrescentou, a acção enquadra-se na política de Programa de Adaptação às Mudanças Climáticas, onde o alargamento aos serviços de saúde e redução dos índices de pobreza constitui um dos principais objectivos.

“Com esta unidade sanitária, esperamos reduzir os casos de mortalidade materno-infantil, bem como o raio das distâncias percorridas pelas comunidades à procura dos cuidados médicos”, acrescentou Isaura Nyusi.

O Centro de Saúde de Cupo, do tipo dois, vai beneficiar mais de três mil pessoas daquela localidade, e uma parte da população do distrito de Chigubo, em Gaza, e está orçado em pouco mais de 17 milhões de Meticais, financiados pelo Governo da Suécia, através do Programa Local.

A infra-estrutura contempla atendimento externo, maternidade, dois sanitários, lavandaria, fossa biológica, casas de pessoal técnico, uma casa para mulheres grávidas, farmácia e um depósito. Inclui, ainda, uma torre com depósito de água, três fontenárias para o centro de saúde, sede de localidade, bem como para escola primária local.

Iniciadas em Agosto de 2020, as obras foram executadas pela empresa Yuna Construções, empreiteiro e fiscalizadas por Victor Silva Eugénio.

Com este hospital, a província de Inhambane passa a contar com 144 unidades sanitárias e tem mais quatro em construção.

O Centro de Saúde de Cupo foi construído no âmbito do programa de resiliência às mudanças climáticas, que está em implementação nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.

A corrupção tornou-se uma cultura no país, por isso atingiu níveis preocupantes, considera Mia Couto. Para o escritor, o problema compromete a qualidade do ensino no país.

Numa sessão em que partilhou percepções literárias com escritores e leitores, Mia Couto aproveitou a oportunidade para se referir a questões inerentes à educação no país. Para o escritor, a má qualidade de ensino não está dissociada da corrupção generalizada.

“As crianças apreendem na escola onde o professor vende a nota e troca serviços de sexo”, explicou.

No seu entender, quando isso tudo é feito, os alunos assistem e o fenómeno fica em pune.

Ainda no evento, Mia Couto criticou o protagonismo que a imprensa tem dado aos políticos quando, muitas vezes, não têm nada de novo a dizer, por isso “é importante ouvir a opinião dos políticos, mas que não ocupe metade de antena ou metade das páginas dos jornais”.

Para o autor de várias obras literárias, há um ciclo vicioso porque o político sabe que precisa de ser ouvido e os meios de comunicação, por sua vez, estão sempre à disposição e “isso tem que ser cortado”, afirmou.

Segundo o escritor, actualmente, faz falta que os cidadãos tenham informação mais apurada sobre o que se está a passar em diferentes sectores sociais. “Por exemplo, a questão do custo de vida que hoje enfrentamos, faz falta que se perceba que este assunto não é especificamente moçambicano, é um assunto do mundo.”

MIA COUTO APELA À HUMANIZAÇÃO DE RELATOS SOBRE O TERRORISMO EM CABO DELGADO

“O papel é fazer com que essas pessoas possam ser escritoras da sua própria vida e serem testemunhas mesmos que não saibam escrever. É preciso que haja uma possibilidade de elas poderem dizer a quem sabe escrever para que o relato desta desumanização em Cabo Delgado seja registado. Temos, hoje, vítimas que não têm rosto, mas merecem ter nome. Se um empresário de sucesso tem o direito de ter nome, por que os outros não têm esse direito?”, questionou.

“É NECESSÁRIO O ENSINO DAS LÍNGUAS LOCAIS NO PAÍS”

O reconhecido escritor moçambicano considerou que o ensino das línguas nacionais deve ser resolvido a partir da escola, mas de uma maneira que contribua para a unidade do país. Tal deve acontecer, para que não haja conflito entre diferentes culturas, “que depois reivindicam a sua variante, por exemplo, considerar a cultura Macua superior à qualquer outra”, explicou.

O autor considera as línguas locais como um assunto delicado, pois envolve grandes meios financeiros, formação de professores e trabalho das próprias línguas no sentido de fazer a selecção das variantes das línguas que há no país.

A sessão literária com o escritor foi realizada na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

É mais uma voz da sociedade a condenar as medidas anunciadas de reforço para prevenção e combate a acidentes de viação, anunciadas, no passado dia 26 de Julho, pelo Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC).

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (CDHOAM) diz, em comunicado, que tais medidas (num total de 14 anunciadas pelo MTC) são ilegais.

A CDHOAM chama atenção para a necessidade de se respeitarem os princípios de legalidade, assim como do Estado de Direito Democrático, tal como prevê a Constituição da República de Moçambique (CRM).

“Com efeito, as situações constantes do comunicado de imprensa publicado pelo Ministério dos Transportes e Comunicações constituem contravenções médias ou graves, não estando, nos termos da previsão normativa do Código de Estrada, sancionadas com prisão imediata dos infractores, nem com a cessação do título de condução dos transgressores, muito menos com a apreensão de documentos da viatura. Pelo que, a efectivação de sanções previstas no referido comunicado é sustentável de violar os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos”, lê-se na nota da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados.

A CDHOAM lembra que, neste sentido, embora o artigo 153 do Código de Estrada estabeleça que é “punida com a pena de um a três anos e multa correspondente, o condutor que, com culpa grave cause a morte de alguém, como nos casos de ultrapassagem irregular, condução sob efeito de álcool, excesso de velocidade, cruzamento irregular de veículos, entre outros, a matéria prisão não é imediata, mas ordenada em sentença condenatória proferida pelo Tribunal competente”, argumenta a CDHOAM, recordando ainda que, “aliás, a condução sob efeito de álcool, influência de estupefacientes, substância psicotrópica ou produtos com efeito análogo é sancionada nos termos do artigo 230 do Código Penal”.

Sustenta que, “portanto, a prisão imediata das contravenções médias e graves ao Código de Estrada não só encontra enquadramento legal na previsão normativa do referido Decreto n.° 1/2011, de 23 de Março, o qual não pode ser alterado por mero comunicado, também constitui uma violação ao princípio de presunção de inocência”.

Para além disso, diz a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, “nos termos do disposto no artigo 243 do Código de Processo Penal, só pode ser sujeito à prisão preventiva os arguidos que tenham cometido crimes puníveis com penas não inferiores a dois anos de prisão. Pelo que, o agente que, em cumprimento do comunicado de imprensa publicado pelo Ministério dos Transportes e Comunicações, ordenar e impuser a prisão imediata de algum condutor, comete o crime de prisão ilegal, previsto e punido nos termos do disposto no artigo no artigo 415 do Código Penal, punido com pena de prisão até dois anos”.

Na mesma nota, a CDHOAM refere que, os artigos 146 e 147 do Código de Estrada, aprovado pelo Decreto n.° 1/2011, de 23 de Março, estabelecem, “respectivamente, as contravenções médias e graves, sancionando-as, nos termos do disposto no artigo 148, com inibição de conduzir”.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados reconhece, no entanto, que, nos últimos tempos, “tem estado a ocorrer acidentes de viação cada vez mais graves e frequentes, provocando luto nas famílias e causando prejuízos sociais e económicos avultados”.

Mais ainda: diz que o Ministério dos Transporte e Comunicações e os agentes da Polícia de Trânsito estão a envidar esforços no sentido de melhorar a segurança rodoviária.” Seja através de acções de sensibilização, dos condutores e peões, como de prevenção e combate aos acidentes de viação, impondo a aplicação e respeito das normas previstas no Código de Estrada, aprovado pelo Decreto n.° 1/2011 de 23 de Março”.

Contudo, considera a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados que “a implementação desses esforços institucionais, visando a prevenção e combate aos acidentes de viação em Moçambique, as entidades competentes devem respeitar escrupulosamente os princípios da legalidade e do Estado de Direito Democrático, conforme previsto na Constituição da República de Moçambique, evitando, deste modo, promover medidas que possam afectar os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos”.

 

QUAIS SÃO, AFINAL, AS MEDIDAS ANUNCIADAS PELO MTC?

O Ministério dos Transportes e Comunicações anunciou, no passado dia 28 de Julho, medidas extraordinários para reverter o quadro negro de sinistralidade nas estradas moçambicanas.

As medidas visam travar o elevado índice de sinistralidade no país, que ceifa vidas humanas e destrói património público e privado.

A título de exemplo, durante o primeiro semestre deste ano, ocorreram 494 acidentes de viação que resultaram em 434 óbitos e 973 feridos, entre graves e ligeiros, segundo dados do MTC.

Em comparação com igual período do ano passado, referiu o Ministério dos Transportes e Comunicações, a tendência é crescente e o número de acidentes de viação evoluiu em 9%, os óbitos em 4% e os feridos graves em 36%, impondo-se medidas arrojadas e contundentes para reverter este quadro negro.

Para evitar mais sangue nas estradas, o Ministério dos Transportes e Comunicações anunciou quatro medidas, entre as quais a prisão imediata dos infractores envolvidos em acidentes de viação com culpa grave que resulte em óbito, como os casos de ultrapassagem irregular, condução sob efeito de álcool, velocidade acima de 20 km do limite máximo estabelecido para a via em que circula, cruzamento irregular de veículos entre outros, à luz do disposto no Código da Estrada, aprovado pelo Decreto n.° 1/2011, de 23 de Março.

A segunda determina a apreensão do documento de identificação do veículo suspeito de contrafacção ou viciação fraudulenta, bem como apreensão de todos os outros documentos que digam respeito à circulação da viatura, à luz do disposto no Código da Estrada, aprovado pelo Decreto n.° 1/2011, de 23 de Março.

A terceira determina a cassação do título de condução aos transgressores que cometerem contravenções médias e graves, nos termos previstos na lei; a quarta apreensão do documento de identificação do veículo encontrado a circular sem oferecer as condições de segurança exigíveis nos termos da lei; a quinta a reeintrodução imediata da realização do teste de álcool na condução e tolerância zero à condução sob efeito de álcool e drogas; a sexta a responsabilização civil do condutor envolvido em acidentes de viação, ficando obrigado a indemnizar o lesado, incluindo o Estado, pelos danos resultantes desta violação e sujeito a reparação dos danos causados no património e infraestruturas públicas (edifícios, postes de iluminação, pontes e outras).

A sétima medida diz respeito à implementação da obrigatoriedade da frequência do curso de Segurança Rodoviária aos condutores sancionados com pena acessória da inibição de condução devido a infracções médias ou graves, como condição para a restituição da carta apreendida. O curso deve privilegiar conteúdos sobre a condução defensiva e outras boas práticas de segurança e partilha da via pública.

A oitava prescreve a revisão dos limites de velocidade e melhorar a sinalização das estradas, com prioridade para os pontos críticos (pontos negros) já mapeados e remover obstáculos fixos nas bermas da via pública; a nona a interdição do novo licenciamento do transporte interdistrital para veículos de 15 lugares em distâncias superiores a 100 Km e limitar a duas renovações aos veículos já licenciados.

A décima obriga a intensificação da fiscalização do trânsito rodoviário nos pontos de maior ocorrência de acidentes de viação; a décima primeira quer a articulação permanente dos agentes investigadores da anti-corrupção com as brigadas de fiscalização rodoviária; a décima terceira a operacionalização da emissão de auto de denúncia pelas autoridades com competência para fiscalizar o trânsito rodoviário; conceber e implementar uma campanha integrada de Segurança Rodoviária, privilegiando a comunicação e educação de todos os intervenientes na via pública; e a última a implementação de uma plataforma de comunicação e gestão de denúncias sobre o comportamento da tripulação e infracções de trânsito rodoviário.

Alunos da 5ª, 6ª, 7ª e 9ª classes, na Cidade de Maputo e na Zambézia, foram submetidos a sete provas trimestrais com erros de conteúdo e de escrita. Os Serviços de Assuntos Sociais da capital do país reconhecem a falha, mas dizem que tal não afectou a avaliação.

É mais um escândalo a abalar o Sistema de Educação em Moçambique, desde esta terça-feira, com a circulação de provas finais com erros diversos.

Trata-se de provas finais das disciplinas de Português, Matemática, Educação Visual e Ofícios e Ciências Naturais, que apresentam erros ortográficos, de conteúdo e até de cálculo.

Vamos em partes!

A nossa equipa teve acesso a um enunciado da disciplina de Português, da 9ª classe, avaliado na última segunda-feira (1), a nível da Cidade de Maputo, que apresenta um texto de natureza narrativa, no entanto, mais abaixo a informação remete a um outro género textual: “O texto da sua prova apresenta-se em estrofes e versos e obedece a uma estrutura fixa”, ou seja, é um texto poético.

No segundo guião de respostas, da disciplina de Matemática da 6ª classe, de uma província não identificada, o redator diz que 64+36 é maior que 101. Contas feitas: 64 + 36 = 100, o que significa que o maior número é o da direita, 101.

Mais do que isso, um outro guião de respostas, da 4ª classe, assume: 4521 + 8289 = 1810.

Situação semelhante, já para a disciplina de Educação Visual, da 6ª classe, cuja origem não conseguimos identificar, enumerou e deixou ao critério dos alunos os tipos de desenhos conhecidos: “1. a) Os quatro (4) tipos de desenhos são: giz, lápis de carvão, lápis de cor, lápis de cera” – uma resposta que valia quatro valores.

Alguns enunciados são provenientes dos distritos de Gurué e Nicoadala, na província da Zambézia, onde um deles tem a cotação que vai até 40 valores.

Em reacção ao assunto, o Serviço de Assuntos Sociais da Cidade de Maputo diz que a falha se deveu à existência de variantes da mesma disciplina.

“Nós conseguimos perceber que a frase em questão não pertence a esta prova, mas sim à prova do turno da noite, que efectivamente tem o texto que se apresenta em versos e estrofes. Foi durante a formatação destas provas em que ocorreu este erro, que é a permanência de um parágrafo que pertencia a uma outra prova”, esclareceu Alberto Muthemba, chefe do Departamento de Educação, Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional.

Segundo Alberto Muthemba, os professores são orientados a corrigir este tipo de falhas, sempre que detectadas durante a avaliação e tal foi feito para garantir normalidade no processo.

“A presença desta frase na prova do ensino diurno não interferiu para o rendimento dos alunos, nem pedagogicamente para a realização desta prova, porque as perguntas correspondem ao texto acima”, defendeu a fonte, apesar de assumir a fragilidade que terá havido no processo de verificação desta prova.

A fonte disse ainda que existe uma equipa responsável pelo processo, o que tem trazido resultados positivos na qualidade das avaliações, nos últimos tempos, por isso este acontecimento não pode anular o trabalho que é feito pela sua instituição.

Sobre os erros detectados em vários enunciados e guiões de correcção, a Organização Nacional dos Professores prometeu pronunciar-se amanhã.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE