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O País – A verdade como notícia

O sistema de venda Credelec online registou falhas durante o fim-de-semana último, o que deixou várias famílias às escuras. A EDM diz que tal se deveu à instalação de novos sistemas digitais na empresa.

Parte dos clientes da Electricidade de Moçambique (EDM) teve problemas na compra de credelec via online, durante o fim-de-semana, o que obrigou a empresa a manter as lojas abertas ao público por muito tempo.

Em reação ao problema e às reclamações por parte dos clientes, a empresa pública de produção e distribuição de energia eléctrica fala de uma falha do sistema, no âmbito da estabilização e desenvolvimento do mesmo.

“O sistema que estamos a usar já vem desde 2010; já está ultrapassado. O que aconteceu é que os nossos sistemas redundantes, que são as nossas lojas online, demoraram entrar, e a solução que os técnicos encontraram, de imediato, foi reiniciar os sistemas, o que teria causado essa falha que culminou com a paragem de venda de energia eléctrica por uma determinando período”, explicou Luís Amado, porta-voz da Electricidade de Moçambique (EDM).

Aos clientes que possam ter sido prejudicados, sob ponto de vista de materiais, com a falha do sistema, a Electricidade de Moçambique assegura que está a estudar uma forma de compensação e afirma que já fez anotações de algumas supostas ocorrências.

“Os que, de facto, foram afectados são aqueles clientes que tiveram ruptura de energia naqueles dias. Por terem ficado muito tempo sem energia, tiveram transtornos materiais. Em relação à compensação, a EDM pode ver caso a caso e, assim que se provar, iniciamos os pagamentos”, informou Luís Amado.

A empresa diz, ainda, que há necessidade de implementar novas infra-estruturas a nível tecnológico para evitar problemas do género.

“Claramente, a infra-estrutura que temos hoje não vai suportar os seis milhões e quinhentos mil clientes. Estamos a implementar um projecto grande, que é de estabilização e ampliação de sistemas e infra-estruturas para o suporte ecológico de várias iniciativas que o processo envolve”, reiterou Luís Amado, porta-voz da EDM.

A empresa estatal de produção, transporte, distribuição e comercialização de energia eléctrica revelou, também, que deve entrar em funcionamento, ainda este ano, um Call Center mais dinâmico para responder a inquietações de mais clientes, no âmbito do acesso universal à energia eléctrica.

O projecto de digitalização da EDM arrancou em 2020 e conta com um financiamento de 29,5 milhões de dólares do Banco Mundial.

A Associação de Pessoas com Deficiência de Moçambique quer mais inclusão de crianças com necessidades educativas especiais no ensino primário. Na Cidade de Maputo, apenas 21 escolas estão em condições de receber alunos com necessidades especiais, das cerca de 150 existentes.

O acesso à educação inclusiva ainda é um desafio, numa altura em que há, na Cidade de Maputo, mais de 2000 crianças com necessidades educativas especiais.

A educação inclusiva possibilita que uma criança, um jovem ou adulto com deficiência tenha acesso a escola.

Fárida Gulamo, secretária executiva da Associação dos Deficientes de Moçambique (ADEMO) defende que o Governo e a sociedade devem remover as barreiras para que as pessoas com deficiência possam beneficiar-se da educação.

“É necessário um gradualismo e deve ser respeitado. Deve-se investir na formação de professores e nos institutos de formação e nas universidades. Deve-se preparar programas de capacitação em metodologias específicas, para os professores do ensino pré-primário e primário em línguas de sinais e sistema braile. Deve-se criar condições em pleno, para que pelo menos uma escola de cada bairro tenha condições para respeitar as questões de acessibilidade nas salas de aula”, afirmou Fárida Gulamo.

Das cerca de 150 escolas primárias e secundárias da capital do país, apenas 21 estão preparadas para atender a necessidades educativas especiais.

O problema foi discutido, esta segunda-feira, no quarto Seminário Pedagógico do Município de Maputo, em busca de soluções.

“Não basta repetir que a inclusão começa no seio da família, se estas mesmas famílias não recebem informação e formação sobre o assunto, na perspectiva de mudança de comportamentos indesejáveis e cristalizados nas práticas culturais e visão do mundo dos indivíduos e nas comunidades”, disse Eneas Comiche, presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Apesar dos desafios, a edilidade destaca que já foram construídas rampas em 63 escolas primárias, no entanto, “as escolas ainda precisam de recursos para que sejam verdadeiramente ambientes inclusivos. O nosso sucesso reside no comprometimento e na participação de todos os actores sociais”.

O quarto Seminário Pedagógico Municipal decorreu sob o lema “O Desafio da Inclusão no Ensino Primário no Município de Maputo”.

Sete a oito pessoas dão entrada por dia na Psiquiatria do Hospital Central de Maputo, a procura serviços de assistência à saúde mental. A maioria dos casos são provocados pelo consumo excessivo de drogas.

Depressão, frustrações e consumo excessivo de drogas têm sido as causas de doenças mentais na Cidade de Maputo.

A título de exemplo, uma menina de 20 anos de idade, estudante da 12ª classe, interrompeu os estudos para se juntar aos amigos no consumo de drogas. “Minha mãe veio me internar na psiquiatria do Hospital Central de Maputo, por consumir drogas e estou aqui a uma semana e dois dias, consumia as drogas por influência dos amigos” informou a menina.

O caso não acontece apenas com os jovens. Um senhor com 65 anos de idade, desde os 32 consumia álcool, o que lhe levou à psiquiatria do Hospital Central de Maputo. “Eu vim parar a este hospital por conta do consumo do álcool, o que me levou a consumir o álcool foi problema de frustração, foi problema de preencher uma lacuna relacionada com minha parte social” explicou o senhor.

A directora da psiquiátrica diz que o consumo excessivo das drogas é a maior causa que leva pessoas a serem internadas na maior unidade sanitária do país. “Nos últimos cinco anos a saúde mental tem vindo aumentar de forma progressiva, principalmente por causa do consumo das substâncias psicoativas que hoje constitui a primeira causa de internamento ao nível do hospital central de Maputo e eventualmente nas unidades sanitária na cidade de Maputo” disse a directora Psiquiátrica Rosel Pedro.

Por sua vez, a psicóloga Maria Luísa diz que a sociedade deve saber lidar com esse tipo de doença, contactando sempre as estruturas do bairro ou a Polícia para conter o doente. “A comunidade deve aproximar-se as estruturas do bairro sempre que se deparar com um doente mental, até pode podem procurar um posto policial em caso de toxicodependência que pode existir agressividade ou um doente mental que por esquizofrenia pode agredir aos outros aí pode ligar para polícia para levar aquela pessoa aos nossos serviços” Explicou Maria Luísa Psicóloga.

Comemora-se a cada dia 10 de Outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental. A data foi celebrada, pela primeira vez, em 1992 por iniciativa da Federação Mundial para Saúde Mental, uma organização global de saúde mental presente em mais de 150 países.

O dia é comemorado sob o lema “Tornar a saúde mental para todos uma prioridade global”.

A Polícia Municipal na Cidade de Maputo diz que não tem agentes suficientes para travar a especulação do preço de transporte nas horas de ponta e, por isso, apela aos munícipes a denunciar a prática.

A equipa de reportagem de “O País” fez uma ronda pelas paragens da capital do país para os passageiros denunciarem especulação do preço de transporte, particularmente na rota Cidade de Maputo-Matola.

E este facto é do conhecimento das autoridades. A Polícia Municipal sabe também que há desvios de rota, mas está limitada de agir.

“Não há polícia que chegue para toda a Cidade de Maputo. O que nós aconselhamos é que haja denúncias por parte dos nossos munícipes para podermos dar resposta à questão da especulação de preços, assim como o encurtamento e desvio de rota”, revelou Ernesto Zualo, comandante da Polícia Municipal de Maputo.

Ernesto Zualo diz não haver agentes para todas as paragens da Cidade de Maputo, contudo, em pontos com maior fluxo de passageiros há polícias posicionados. “Temos, inclusive, polícias à paisana. Provavelmente, podem não notar a polícia, mas temos lá agentes que controlam o movimento. Por isso, vezes há em que outros se admiram sobre como é a situação chegou à Polícia Municipal”, referiu Ernesto Zualo.

Nos meses de Julho, Agosto e Setembro, chegaram à Polícia Municipal 133 casos de especulação de preços e desvio de rotas, tendo sido aplicadas multas que variam de mil a dez mil meticais.

A Universidade Pedagógica de Moçambique, através da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes, decidiu atribuir o títitulo Doutora Honoris à escritora Paulina Chiziane.

De acordo com a instituição, a atribuição do título honorífico ocorre em reconhecimento dos seus feitos na pesquisa literária, cultural e antropológica, pelas actividades de produção e publicação literárias “e pelas realizações relevantes, visando o desenvolvimento académico, cultural e de cidadania do país e do mundo”.

A cerimónia de atribuição do título vai decorrer no dia 27 de Outubro corrente, na biblioteca do Campus da Lhanguene.

A captura do caranguejo do mangal e do camarão de superfície será interdita a partir de 1 de Novembro no país. O caranguejo só pode voltar a ser pescado em Janeiro de 2023 e o camarão em meados de Março. Entretanto, a proibição não abrange Cabo Delgado, porque a província não tem défice destas espécies.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas anunciou o novo calendário de defeso para a pescaria de caranguejo do mangal e do camarão de superfície.

Apesar de abranger as zonas costeiras, o maior foco da proibição são as zonas da foz do rio Limpopo, Inhambane, Sofala e Baía de Maputo. “O que está previsto é que nós teremos um defeso de pesca industrial e semi-industrial, que vai decorrer de 1 de Novembro a 31 de Dezembro. De 1 de Janeiro a 14 de Março teremos a veda da pescaria do camarão de superfície industrial e semi-industrial”, afirmou Cassamo Júnior.

O director nacional de Pescas afirma que a única província que não será abrangida é Cabo Delgado, e justifica: “A indicação que temos é que os recursos que temos – camarão – na província de Cabo Delgado não significam que podemos avançar com o período de veda”.

O Ministério do Mar diz que todos os estabelecimentos pesqueiros devem fazer uma declaração dos seus produtos para controlar melhor as actividades. “A partir do dia 1 de Novembro, passamos a fiscalizar estes estabelecimentos de processamento. Significa que estarão proibidos de adquirir, transportar, manipular e processar o caranguejo do mangual e o camarão de superfície”, explicou o director nacional das pescas.

A interdição da pesca do caranguejo do mangal e do camarão de superfície visa proteger as espécies e garantir a reposição do stock para a campanha de pesca no ano seguinte.

Jaime Matlombe deixou de ser o líder máximo da Igreja Velha Apostólica em Moçambique, no último sábado. O antigo líder foi acusado de escândalos sexuais, curandeirismo, criminalidade e fraude financeira.

Matlombe liderava a Igreja Velha Apostólica nas províncias de Maputo e Gaza. Era acusado pelos membros da congregação, em Moçambique, de escândalos sexuais, curandeirismo, criminalidade e fraude financeira.

No passado dia 21 de Abril deste ano, dezenas de crentes juntaram-se na Igreja Velha Apostólica de Moçambique, no bairro Sikwama, na Matola, para exigir que o referido dirigente se retirasse do poder devido à sua má conduta.

Durante o litígio, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos teve de intervir, mediando as conversações, a última das quais ocorreu na passada segunda-feira, em que a ministra Helena Kida, segundo os crentes, aconselhou a que se tomasse a melhor decisão.

Este domingo, o conflito na igreja chegou ao fim. Depois de meses de diálogo e reuniões, a comunidade anunciou que Jaime Matlombe foi à reforma imediata, e deixa de exercer qualquer liderança naquela congregação.

“A decisão foi tomada ao nível mais alto da igreja, a OAC (sigla em inglês para  Igreja Velha Apostólica). Todas as decisões foram tomadas e entram em vigor imediatamente. O apóstolo Matlombe e a sua direcção foram afastados e não estão autorizados a mexer no tesouro da igreja”, explicou António Sebastião, superintendente.

Os membros da congregação dizem estar satisfeitos com a notícia.

Junto com Matlombe, foram afastados, também, alguns superintendentes por ele empossados sem o consentimento da igreja, numa conferência que houve no início deste mês.

“Conseguimos ter mais de 30 comunidades e suas capelas, que decidiram que já não queria ter nenhuma orientação ou decisão do bispo Jaime Matlhombe”, disse Elídio Muvume, representante da comissão da igreja.

Segundo alguns crentes, o apóstolo afastado teria tentado boicotar a reunião, enviando mensagens aos membros para não comparecerem no encontro.

O bairro Abel Jafar é atravessado pela linha do Limpopo, por onde passam comboios de mercadoria e de passageiros. Nas manhãs de dias úteis, o comboio apita, os passageiros aproximam-se à linha-férrea e, quando a locomotiva pára, os passageiros entram nas carruagens sem a observância de mínimas condições de segurança ou protecção.

Silvestre Mbalate conta ao jornal “O País” que os moradores do bairro embarcam com dificuldades e, quando cai chuva, molham-se parados antes de apanharem o comboio.

Eduardo Moiane, também residente, aliás, nativo de Abel Jafar deplora as actuais condições a que está sujeito quando vai embarcar na automotora: “Se os Caminhos-de-Ferro [de Moçambique] tentassem melhorar as paragens… porque o que nós queremos são paragens. Agora, por exemplo, já estamos na época chuvosa; vamos molhar aqui. Se eles tentassem melhorar, ajudar-nos-iam”.

A Empresa Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique, CFM, promete resolver as preocupações dos habitantes e passageiros de Abel Jafar em trinta dias. As palavras são de Iolanda Ponpsiky, chefe dos transportes de passageiros na Empresa Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique.

“A curto prazo, estão previstas plataformas metálicas, que são para facilitar esse embarque e desembarque de passageiros. Estamos a dizer que, [daqui a] aproximadamente 30 dias, vamos ter essas plataformas já prontas. O que falta é assegurar que não vamos ter roubos das plataformas quando lá as deixarmos. É preciso fazer-se um trabalho de fixação dessas plataformas”, garantiu Ponpsiky.

No local onde embarcam e desembarcam passageiros, há um edifício que já foi usado pelos CFM, mas hoje está em ruínas, alberga cobras e marginais, que assaltam utentes à noite, o que é facilitado pela falta de iluminação pública.

Carlos Inguane fala de ocorrência de casos criminais, afectando, sobretudo, as mulheres, que pedem as bolsas na calada da noite: “É um sítio que dá para eles reabilitarem, como uma paragem condigna, porque isto é uma vergonha para o Governo”.

Para os CFM, há um interesse em reabilitar o edifício construído na era colonial, mas, para já, não é revelado o plano nem as datas: “A área de infra-estruturas tem um plano, sim, com este edifício. Ainda não posso anunciar, mas existe um plano. Tudo o que é infra-estrutura dos caminhos-de-ferro tem um plano, sim”.

O capim está a crescer à volta da linha-férrea e há lixo de várias origens, que é trazido para este local pelos próprios passageiros.

Enquanto a solução prometida num prazo de 30 dias não chega, o comboio vai continuar a apitar e os passageiros continuarão em insegurança.

A Administração Regional das Águas do Sul (ARA-SUL) vai aumentar a descarga de água nas barragens dos Pequenos Libombos e de Massingir, a partir do dia 12 de Outubro. A ARA-SUL diz que a medida visa minimizar o impacto das cheias.

O Instituto Nacional de Meteorologia prevê a ocorrência de chuvas normais, com tendências para acima do normal, nesta época chuvosa.

Para reduzir o impacto das cheias, a Administração Regional das Águas do Sul vai aumentar a descarga de água nas barragens dos Pequenos Libombos e de Massingir, a partir de 12 de Outubro.

“O objectivo principal é garantir a segurança das infra-estruturas e criar capacidade de armazenamento. Não se prevêem vários impactos. Por isso, estamos a fazer descargas graduais”, disse Leonel Bila, representante do departamento dos Recursos Hídricos da ARA-SUL, explicando que “todas as barragens estão com volumes altos”.

Segundo a ARA-SUL, a Barragem dos Pequenos Libombos tem um nível de enchimento de 89% e a de Massingir de 75%.

Com o trabalho, o incremento das descargas na barragem dos Pequenos Libombos passa dos actuais 6,3m3/s para 20 m3/s, e, na barragem de Massingir, o incremento passa dos actuais 44,23 m3/s para 100 m3/s.

“Apelamos à sociedade para que tome medidas de precaução, evitando a travessia dos rios, a prática de actividades nos leitos dos rios durante a época chuvosa e recomendamos, igualmente, o acompanhamento de toda a informação hidroclimatológica que será divulgada pelas entidades competentes”, acrescentou Bila.

O incremento das descargas nas barragens dos Pequenos Libombos e de Massingir vai decorrer até meados de Dezembro.

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