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O País – A verdade como notícia

Mais de três mil milhões de Meticais é o dinheiro que a Electricidade de Moçambique (EDM) diz ter perdido nos primeiros seis meses deste ano devido ao roubo de energia. O valor das perdas é correspondente a quase 17 mil clientes que usaram a energia sem pagar no primeiro semestre. Não obstante, a prática continua e a EDM diz que está a apertar o cerco para evitar mais prejuízos. Nas próximas linhas, “O País” fala de esquemas de roubo de energia e os riscos associados.

Conhecem a técnica e sabem muito bem como implementá-la. Quase nunca falha. Chamam-lhe “gato” porque significa colocar no contador de energia dois fios à semelhança das barbas de um gato. Este é o animal usado para que muitas famílias na Cidade e Província de Maputo consumam a energia da rede pública a custo zero.

Entretanto, não basta saber como aplicar a técnica. É preciso conhecer muito bem em que horas do dia “o gato” pode entrar em acção para que ele (o “gato”) não seja caçado pelos técnicos da Electricidade de Moçambique e seja morto.

Os inimigos do “gato” são homens vestidos de uniforme cor de laranja. São eles que o caçam de todas as formas para evitar que a empresa pública some avultados prejuízos, em dinheiro.

COMO ISTO FUNCIONA?

Fomos ao bairro Chamanculo “D”, na Cidade de Maputo. As casas são de chapa e zinco encostadas umas às outras. Elas têm energia da rede pública, mas fazem o seu uso sem pagar. Aliás, algumas pagam pouco.

Zacarias Rafael, nome fictício, é chefe de um agregado familiar com seis membros. É guarda de profissão. Diz que o custo da vida lhe é pesado. Não consegue comprar energia todos os dias. Recorre à técnica do “gato” para suprir a falta de energia.

“Não consigo comprar energia todos os dias porque é cara. Só recebo cinco mil Meticais. Sou a única pessoa que trabalha aqui, em casa. Fazendo as contas, gastaria mais de dois mil Meticais só de energia. A solução é mesmo fazer alguns desvios. Estou ciente de que isto não é correcto, mas o que fazer? É a vida”, contou Zacarias Rafael, sem receios.

De acordo com Zacarias, não basta apenas roubar. Deve conhecer muito bem a técnica. Por exemplo, “uma vez que nós usamos os quadros antigos, abrimos o dispositivo e encaixamos lá dois fios, um preto e outro vermelho. Depois de fazer isso, o quadro desfaz o quilowatts que lá existem. Pára de contar e, automaticamente, o consumo de energia é de borla”, explicou a nossa fonte.  

O nosso entrevistado não é electricista. Explica como aprendeu a usar tal técnica. “Há um vizinho aqui, na zona (Chamanculo D) que fez o curso de Electricidade. Foi ele quem nos ensinou a roubar energia. Para ter tal conhecimento, tivemos que pagar dois mil Meticais, uma prestação única. Ele tem ajudado muita gente aqui, no bairro.”

Esta é a técnica usada pela grande maioria dos moradores do bairro. Não basta usar. Tem que saber em que momento usar, tal como explica, em anonimato, o jovem de 25 anos de idade, também morador do bairro.

“Por exemplo, nós sabemos que os técnicos da EDM podem aparecer no intervalo das 08h às 15h30. Então, o que nós fazemos é montar o sistema a partir das 15h30 e desmontamos às 07h30 do dia seguinte. Não há risco de sermos apanhados. Quando eles aparecem, vêem tudo conforme”, esclareceu a nossa fonte.

O QUE DIZEM AS AUTORIDADES?

Conversamos com Zeferino Chioco, vereador do distrito municipal de KaLhamanculu. Não tem dados concretos do número de casas em que há roubo de energia, mas confirma que tal acontece.

“Dizer que não se rouba energia neste bairro, estaria a mentir. Há roubo, sim. Não é contabilizar ou indicar tais casas. Nós, como estrutura, só nos limitamo-nos a explicar quais são os riscos de roubar energia”, disse Zeferino Chioco, vereador do distrito municipal de KaLhamanculu.

Chioco não precisa de ir longe para achar o exemplo do que pode ser uma consequência do roubo de energia. Em Agosto do ano passado, “tivemos um incêndio que queimou 22 casas neste bairro. Na altura, suspeitou-se que o curto-circuito fosse a causa do incidente. Eu tenho, quase certeza, que tal resultou do roubo de energia. Alguma coisa não correu bem e 22 famílias ficaram sem tecto”.

Para que o episódio não se repita, o vereador do distrito municipal de KaLhamanculu faz um apelo à Electricidade de Moçambique: “Pedimos que a empresa pública reforce a fiscalização. Os que roubam energia conhecem muito bem os horários dos técnicos. Na minha opinião, os fiscalizadores deviam circular, mas de forma indisfarçada. Isto significa que eles deviam vestir uma roupa que não seja uniforme e esconder crachás. Só assim, poderão achar infractores e puni-los”.

A equipa do “O País” escalou, igualmente, os bairros de Maxaquene, Mafalala e Inhagoia, ainda na Cidade de Maputo, onde muitas famílias também usam energia da rede pública sem pagar.

Na Matola, o problema replica-se, mas a técnica é outra… O bairro da Liberdade, cidade da Matola, foi a nossa porta de entrada. Conversámos com John – foi assim que a nossa fonte quis identificar-se. Aliás, é assim que é conhecido no quarteirão 15. É destemido. Abertamente, explicou-nos como é que se rouba energia naquela zona.

“Meu irmão, é muito fácil roubar energia. Eu que tenho car wash, achas que vou comprar energia todos os dias? Nem pensar”, introduziu a conversa para, de seguida, dar uma “aula” de como roubar energia.

“Primeiro, tens que ter dois fios”, começou por explicar. “Coloca os dois fios no poste eléctrico. Dali, os mesmos (fios) devem passar pelo caixa (um pequeno quadro), levá-los até ao quadro e, depois, para a tomada. Tens de fazer tudo isso com os disjuntores arreados para não haver risco de explosão. A partir daí, o contador pára de contar”, detalhou John, morador do bairro da Liberdade, cidade da Matola.

Segundo o entrevistado, esta é uma prática que tende a ser normal no bairro: “se alguém te disser que não está a roubar, estaria a mentir para ti. Todo o mundo aqui rouba energia. Onde é que vais apanhar dinheiro para comprar todos os dias? Eu, por exemplo, tenho um car wash e há dias em que não tenho clientes. Como é que vou pagar energia nos tais dias? Não tem como”.

Da Liberdade, fomos até Boquisso, ainda na cidade da Matola. A técnica e as justificações para o roubo de energia são as mesmas. Por aqui, nunca houve uma situação de incidente.

“Ainda não tivemos curto-circuito, muito menos incêndio. Talvez seja por isso que as pessoas continuam a roubar energia. Não é bom. Nós sabemos. Aliás, quando anoitece, a energia é muito fraca e o Posto de Transformação de Energia (PT) já se desligou várias vezes”, revelou Maria dos Anjos, residente do bairro Boquisso.   

De acordo com Maria dos Anjos, as estruturas do bairro já sensibilizaram os moradores a não fazerem tais coisas, mas “foi tudo em vão. As pessoas continuam a roubar energia. Há dois meses, uma família foi surpreendida a roubar energia. Cortaram-lhe a corrente e devem pagar muito dinheiro de multa. Entretanto, nem com isso aprendemos”. 

QUAIS SÃO OS RISCOS DO ROUBO DE ENERGIA?

O engenheiro eléctrico, Domingos Salvador, já ouviu falar das várias técnicas de roubo de energia, mas é com base no conhecimento científico que explica os riscos. Antes, há que compreender o personagem que consome a energia da rede pública sem pagar.

“É preciso olhar para as pessoas que roubam a energia. Se for um técnico da Electricidade de Moçambique, a sanção é mais pesada. Ele pode ser preso, julgado e condenado. E mais, deverá pagar uma multa pelo que fez, porque é alguém que conhece ou devia conhecer a legislação. Agora, se for um cliente, poderá ficar sem energia e pagar multas”, apontou Domingos Salvador, engenheiro eléctrico.  

Indo mais ao detalhe das consequências do roubo de energia, Domingos Salvador explica: “o roubo de energia nas residências pode resultar em curto-circuito, incêndio e sobrecarrega o Posto de Transformação (PT). É por isso que assistimos a explosões. É muita sobrecarga. Outro sinal evidente do roubo de energia é o enfraquecimento da corrente que chega às nossas residências”.

O especialista acrescenta que os cabos que fazem chegar a corrente às casas podem pegar fogo. “Nós temos visto postes pegarem fogo. O roubo de energia é que causa aquilo. Há uma outra coisa que chamamos de ‘juntas nos feios’. Aquilo, também, pode queimar e é muito perigoso que isso aconteça”, detalhou o engenheiro.

MAIS DE TRÊS MIL MILHÕES DE METICAIS DE PREJUÍZOS PARA EDM

Em entrevista exclusiva ao jornal “O País”, a chefe do Departamento Comercial da EDM descreveu como preocupante a situação do roubo de energia.

“Só para o primeiro semestre deste ano, estamos a falar de uma média de 16 555 clientes com irregularidades e este número não é pequeno. Isso tem consequências nas nossas receitas. Estamos a falar, só para os primeiros seis meses de 2022, de 52,2 milhões de dólares, o que corresponde a 3,3 mil milhões de Meticais”, revelou Marcelina Sambo, chefe do Departamento Comercial da EDM.

O Departamento Comercial da EDM alerta que não são apenas as residências que têm o mau hábito de roubar energia. Destaque maior, “estabelecimentos grandes em número de 100. Não ficam de fora pequenas bancas, mas estas não são difíceis de contabilizar porque são muitas e estamos a aplicar uma tarifa geral”.

Diariamente, a EDM detecta mais de 50 casos de uso clandestino de energia e há províncias que lideram o roubo de energia. “As províncias com mais casos são a Cidade e Província de Maputo, Tete e Cabo Delgado”, enumerou Marcelina Sambo. 

Para travar o fenómeno, a empresa pública diz que tem feito inspecções e, aliado a isso, “estamos a colocar, a nível do país, contadores inteligentes que são smart meters. Isto vai inibir a tendência de roubos, porque nós pomos os contadores no poste. É diferente do sistema que nós temos agregado às residências. Isso facilita o cometimento de irregularidades. Não que não o façam lá de outro lado, mas temos um mecanismo  de controlo. Para roubar, tem que ser alguém com muita mestria para subir ao poste e fazer uma ligação clandestina”.   

O uso de energia sem pagar, segundo Marcelina Sambo, transcende os prejuízos somados pela EDM. “Poderíamos fazer mais para os outros. Podíamos ligar para mais clientes, mas temos que nos reinventar para aquilo que era um propósito futuro para acomodar esta situação que tinha sido dada como ultrapassada. Temos que desembolsar mais fundos para o mesmo segmento de clientes que já estava a desfrutar deste serviço”, concluiu.

Deve haver boa relação entre as Forças Armadas e a população em Cabo Delgado, para facilitar a identificação dos terroristas. Este posicionamento foi defendido esta terça-feira, pelo director de Educação Cívico-patriótica no Estado-Maior General, após a Conferencia Científica de Defesa e Segurança.

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique buscam, a todo custo, eliminar os terroristas no seio das populações, que procuram camuflar-se.

O Brigadeiro Abel David explicou que esta acção é resultados da pressão que as FADM e outras que actuam no teatro operacional Norte, estão a imprimir contra os terroristas, porém há um trabalho de base que está sendo feito para identificar os infiltrados, no seu das populações, mas isso passa por haver confiança entre as populações e os militares.

“A relação entre as partes sempre se revelou boa, porque não podia ser de outra maneira, pois seria impossível combater o terrorismo”.

Entretanto, David avança que apesar destes progressos há desafios.

“O grande desafio é difundir a informação por forma a impedir que os terroristas ganham o coração das populações, através de mentiras, aliciamentos. O grande trabalho é de fazer as populações acreditarem que as informações que difundem são falsas e pretendem apenas atrasar e destruir as suas vidas”.

Para isso, segundo o Director de Educação Cívica, mostra-se necessário o reforço da formação académica, para melhorar a relação militar-população e manter as forças actualizadas em relação aos desafios actuais do país.

“A tarefa de formação vem desde a Luta Armada, é por isso que hoje temos várias escolas de formação militar, para cumprir esta missão. Nós precisamos de formar, treinar, organizar e preparar o homem para podermos triunfar”, disse.

Abel David, Director de Educação Cívica no Estado-maior general, falava esta terça-feira, após a realização do segundo dia da Conferência Científica de Defesa e Segurança, que decorre desde esta segunda-feira, onde são debatidos vários temas ligados às necessidades militares, desafios, perpectivas e partilha de informações relevantes sobre a operação norte, no combate ao terrorismo.

Prevê-se que a conferência aconteça até 26 de Agosto e visa, essencialmente reflectir sobre a situação de Defesa e Segurança do país, em geral, com maior enfoque ao terrorismo em Cabo Delgado.

A empresa Portos e Caminhos de Ferro (CFM) está a cobrar pelo acesso das viaturas ao Porto da Matola. Os valores variam de 450 a 1850 Meticais em função da classe do veículo, e as motorizadas pagam 120 Meticais.

O Porto da Matola, implantado numa área de 262 hectares, está, neste momento, num processo de implementação do sistema de controlo e acesso. Para garantir protecção e segurança dessas infra-estruturas, incluindo o próprio porto, bem como o seu funcionamento, os CFM estão, desde 1 de Agosto, a cobrar a entrada de viaturas no Porto da Matola.

A viatura de até nove lugares paga 450 Meticais e ao carro acima de nove lugares são cobrados 600 Meticais. O veículo de carga e misto de até 3,5 toneladas paga 750 Meticais. Viatura de carga e misto até 20 toneladas paga 1200 Meticais; veículo de carga e misto acima de 20 toneladas paga 1850 Meticais e motorizada paga 120 Meticais.

“Vamos continuar com investimentos, na reabilitação de estrada de acesso ao porto, na introdução do sistema de monitoramento electrónico ao longo da vedação. Estamos a criar, neste momento, uma unidade para controlo e gestão de acesso. Todos esses investimentos devem ser mantidos e, para a sua manutenção, precisamos de recursos. Por isso, achamos melhor cobrarmos essas taxas”, justificou Arlindo Fondo, director do Porto da Matola.

Entram no Porto da Matola, em média diária, 1200 veículos, destacando os de transporte de minérios que vêm da vizinha África do Sul; os de transporte de combustíveis vêm de diferentes países da África Austral. A situação tem causado congestionamento na Estrada Nacional Número Quatro e na chamada Estrada Velha.

O director do Porto da Matola explicou, ainda, que a situação se deve às condições existentes no interior do porto e que a situação estará resolvida dentro de dias.

“Chegámos à conclusão de que a subida do tráfego de minérios na rodovia é motivada por uma grande demanda a nível internacional. Os minérios deviam, em condições normais, ser transportados por ferrovia, até porque o terminal de minérios do Porto da Matola tem todas as facilidades para os manusear.”

O Porto da Matola funciona, parcialmente, no regime de concessão.

Em três anos, cinco agentes da Polícia morreram e dois contraíram ferimentos graves em acidentes de viação ocorridos aquando de escolta a governadores provinciais, em Inhambane e em Nampula.

Por volta das 19h20 do dia 16 de Agosto corrente, a viatura da PRM escoltava o governador de Nampula, no distrito de Nampula, envolveu-se num acidente de viação que resultou em dois feridos graves. As vítimas são agentes da Polícia afectos à Unidade de Protecção de Altas Individualidades (UPAI).

Pela gravidade do acidente, as vítimas foram internadas na unidade de cuidados intensivos do Hospital Central de Nampula, tal como confirmou a médica Dalva Khossa, porta-voz do Banco de Socorros daquele hospital.

“Dois tiveram alta da reanimação para a enfermaria e um está internado na ortopedia. Neste momento, só ficamos com um doente internado que está na ortopedia e fora de perigo.”

O acidente em causa foi gerido pelas autoridades locais, de tal forma que a Polícia só se pronunciou quatro dias depois do sucedido. “Tratou-se de um corte de prioridade. Um veículo de transporte de mercadoria, que seguia em alta velocidade, acabou por embater numa viatura que fazia escolta ao governador da província”, explicou Zacarias Nacute, porta-voz do Comando provincial.

Em Agosto de 2019, cinco agentes da UPAI morreram no distrito da Massinga, província de Inhambane, quando o carro em que seguiam, que fazia escolta ao governador daquela província, se envolveu num aparatoso acidente de viação.

Corte de prioridade por parte do condutor de uma carrinha de caixa aberta foi a causa do sinistro, exactamente a mesma situação que aconteceu em Nampula.

O Código de Estrada pune o excesso de velocidade, mas as escoltas a altas individualidades é uma excepção. Todavia, em muitos casos, há excessos até em zonas de grande movimentação de pessoas e outros veículos, descritos na lei de estrada como “dentro das localidades”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, procedeu, esta segunda-feira, à entrega de 100 tractores e 2800 sistemas de rega gota-a-gota a agricultores da localidade de Lamego, distrito de Nhamatanda, província de Sofala.

No quadro do programa de integração de equipamentos, o Presidente da República, Filipe Nyusi, distribuiu 100 tractores a agricultores de Tete, Zambézia e Sofala. Com esta entrega, o número de tractores disponibilizados aquando do SUSTENTA sobe para 1087.

Na ocasião, Filipe Nyusi defendeu a mecanização da agricultura, que, segundo ele, “traz muitos benefícios e inclui não apenas o alívio ao trabalho duro, como também a redução do tempo de trabalho e melhoria da produtividade e eficiência na produção”.

Os tractores entregues correspondem, segundo dados do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, a 25% no processo de comparticipação na aquisição pelo Governo.

Nyusi disse, ainda, que este processo se enquadra na melhoria dos processos de industrialização da agricultura, uma aposta cada vez mais segura.

“A lavoura e sementeira de um hectare pode levar apenas duas horas. Mas com a mecanização que pretendemos alcançar – não estamos a falar apenas do uso de tractores, mas também da agricultura agrária que usa máquinas, implemento dos instrumentos mecânicos em toda a cadeia agrária. Estamos a falar da industrialização da agricultura para produzir mais e melhor”, notou o Presidente da República.

O chefe de Estado afirmou, ainda, que “estamos a falar da industrialização da agricultura mecanizada, que vai desde o emprego da tracção animal, evoluindo para os tractores até às mais modernas práticas de agricultura, orientada através de satélites ou drones para a realidade agrária de onde é praticada” exemplificou Filipe Nyusi.

O Presidente falou também da formação de “500 mecânicos para a manutenção de máquinas com bolsas para o aumento de soluções e mecanização em resultado da revisão das políticas agrícolas e do diesel”.

Filipe Nyusi clarificou que, entre as medidas previstas, “está em vista a retoma da certificação de máquinas agrícolas e de apoio aos agricultores”.

 

BENEFICIÁRIOS ENALTECEM INICIATIVA DO GOVERNO

Os beneficiários do projecto SUSTENTA, que culminou com a oferta de 100 tractores a agricultores de Nhamatanda, em Sofala, mostraram-se satisfeitos com a iniciativa. Disseram que, com os meios que receberam, podem melhorar a sua produção e contribuir para o desenvolvimento da agricultura no país.

“Com estes meios, vamos melhorar a nossa produção. Queremos agradecer ao Governo pela iniciativa”, disse um dos beneficiários.

Os agricultores consideram que, com esta iniciativa, poderão melhorar a sua renda. “Eu penso que o Governo fez um bom trabalho e boa escolha ao eleger o SUSTENTA. Temos aqui a oportunidade de melhorar a nossa renda, podendo alimentar as nossas famílias”.

A previsão do estado do tempo para esta terça-feira indica que se poderá  registar queda  de chuvas fracas na zona norte e centro do país.

Hoje, as temperaturas máximas poderão variar de 22 a 33 graus Celsius.

Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, na zona sul do país, poderão registar temperatura máxima de 26, 25,24 e 25 e mínima de 12, 16,16 e 17 graus, respectivamente.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane prevêem-se máximas de 26,22, 33 e 26  e mínimas de 20, 12, 19 e 20 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 29, 28 e 25 e mínimas de 19, 20 e 10  graus.

O ministro da Defesa avança ainda que o grupo tem ligações com grupos na República Democrática do Congo e fora do continente. Reconheceu que os malfeitores se aproveitam das fraquezas de segurança para atacar as comunidades e causar terror.

Pela primeira vez, o sector da Defesa Nacional juntou académicos e militares experientes, em conferência científica, para discutir o terrorismo em Cabo Delgado com base na ciência. Cristóvão Chume começou por lançar as questões de partida.

“Como um grupo de jovens de Mocímboa da Praia atacou uma esquadra e se tornou num símbolo da insurgência em Moçambique, constituindo-se, hoje, num dos grupos mais radicalizados do nosso continente e até um dos mais agressivos que operam no nosso continente? Como em pouco tempo, na província de Cabo Delgado, o grupo conseguiu espalhar-se em toda a costa desde Nangade, Palma, Mocímboa da Praia, chegando a Macomia e, hoje, com alguns traços mais a Sul? Como este grupo conseguiu manter ramificações em África com referências na República Democrática do Congo e outros países dos Grandes Lagos dentro de uma rede internacional e com ligações fora do nosso continente?”, questionou.

O governante defendeu abertura na discussão e estudo do fenómeno para o bem do país.

“Cabo Delgado passou a fazer parte das estatísticas mundiais como resultado dos ataques terroristas. O gás passou a segundo plano nos noticiários nacionais e internacionais. Alguns até falaram de maldição do gás. Todos fomos à procura de explicações sobre a razão de ser do terrorismo em Moçambique. E por que em Cabo Delgado?”, questionou o dirigente para, em seguida, avançar que, face à falta de explicações sólidas sobre o fenómeno, “se edificaram e se costuraram análises sobre as causas. Estrelas mediáticas compareceram em todos os canais de comunicação e fomos ditos, repetidamente, que as causas gravitavam à volta da pobreza, exclusão social, da riqueza do gás, entre outras”.

Chume referiu que continua a ser difícil perceber as motivações do grupo que actua em Cabo Delgado.

“De forma tímida, a academia nacional iniciou uma discussão das causas sem ter conseguido, até hoje, passar para a comunidade nacional a razão objectiva do fenómeno. As Forças de Defesa e Segurança estão no terreno desde o fenómeno inicial na esquadra policial de Mocímboa da Praia. A matriz construída à volta da acção das FDS colocou a maioria da população a pensar que o terrorismo é uma catástrofe que se combate somente com as armas. Os que lideram o terrorismo em Moçambique nunca deram cara ideológica do seu manifesto sangrento. O país ainda não encontrou uma explicação clara.”

Chume quer que o sector da defesa, principalmente do Instituto Superior de Estudos e Defesa Armando Guebuza, use a ciência para dissipar dúvidas sobre a origem do fenómeno. O ministro reconheceu que o grupo se aproveitou de fragilidades na segurança existentes no país.

“SINDICATO DE CRIME APROVEITA-SE DE FRAGILIDADES”

“O fenómeno que estará em discussão é internacional. Há um sindicato do crime organizado que se aproveita de diferentes fragilidades, entre sistemas de segurança e fracturas ideológicas. Em países ricos, a matriz do terrorismo é urbano com o maior marco nos ataques às torres gêmeas do World Trade Center, o conhecido 11 de Setembro. Em quase a maioria dos Estados europeus, houve ocorrências ligadas ao terrorismo”, detalhou para depois caracterizar que “nos nossos países, é grandemente rural, de combate armado. Ataca os pobres e cria deslocados. Destrói infra-estruturas sociais, económicas e políticas. Mas ambos têm algo em comum – network internacional de financiamento para as suas investidas; nutrem-se do tráfico de drogas, de armas e de recursos naturais”.

“O ESTADO VAI VENCER”

O ministro da Defesa acredita que o Estado continuará resistente e vencerá esta luta. Para o efeito, defendeu que se usem os exemplos positivos adoptados por outros países para combater o fenómeno.

“Como resposta, os Estados, que sofrem de acções do terrorismo, nunca caiem. No final, têm resiliência contra o fenómeno graças ao reconhecimento internacional de que nenhum país do mundo pode, de forma singular, combater ou vencer o terrorismo. Exemplos são vários no continente africano e outros sobre a forma concertada de prevenção e combate ao terrorismo. Por tudo isto, entendemos que será erro grave se, durante estes dias, deixarmos de discutir como é que os outros tomam boas decisões que visam a prevenção e combate a esta praga. Fora o quadro de resposta militar, que iniciativas foram investidas, particularmente, para prevenir o recrudescimento da insurgência armada de toda natureza? Acreditamos profundamente no investimento para a prevenção, pois está mais do que provado que, por mais que tenhamos grandes exércitos, as consequências económicas e sociais de actos terroristas são indeléveis.”

A primeira Conferência Científica de Defesa e Segurança decorre no Instituto Superior de Estudos de Defesa Armando Guebuza, em Maputo, e tem duração de quatro dias.

“NÃO VÃO CONSEGUIR TER QUARTEL OU LOCALIDADE”

O Chefe de Estado Maior-General das Forças Armadas diz que continuam ataques esporádicos em Cabo Delgado. No entanto, Joaquim Mangrasse revela que os terroristas perderam a capacidade de instalar bases ou ocupar localidades.

“A situação continua, mas o inimigo continua enfraquecido. O terrorismo não acaba num dia. Vamos continuar a ser vigilantes, cooperar com as populações para que possam indicar-nos onde os terroristas estão”, explicou.

Questionado sobre a prorrogação da presença da Força da SADC em Cabo Delgado, por mais um ano, Mangrasse disse apenas que “o país continuará a trabalhar com as forças no terreno”.

O dirigente defendeu, ainda, maior investimento no exército: “é preciso pensar nos militares. É importante que eles estejam preparados para enfrentar desafios como o terrorismo”.

Cerca de 500 mil crianças, vítimas do conflito em Cabo Delgado, não têm acesso à alimentação de qualidade, educação e serviços de saúde condignos. As organizações internacionais dizem que houve redução do apoio financeiro às iniciativas humanitárias.

Passam cinco anos desde que eclodiu o conflito na zona Norte de Moçambique, especificamente na província de Cabo Delgado. Indivíduos desconhecidos invadem, destroem e matam indiscriminadamente.

Além de mortes, a situação provocou deslocados, que hoje chegam a um milhão de pessoas, sendo metade crianças, que precisam de apoio de todo o tipo. Mas isso já está a faltar.

Organizações não-governamentais internacionais denunciam uma situação calamitosa, onde há, inclusive, crianças sem tratamento devido a certas doenças.

Jaime Chivite é especialista em advocacia, campanhas e governação em direitos da criança na Save The Children, parte das 23 organizações internacionais, e fala de situações “gritantes” de violação dos direitos humanos, nos centros de acolhimento.

“Há crianças sem espaços amigos da criança, nos centros, sem espaços temporários de aprendizagem, elas e as famílias estão sem acesso a fontes de água segura mais próxima. Em relação à saúde, há brigadas móveis, pois há crianças em tratamento. Porém, os dados indicam elevados índices de desnutrição crónica, que já existiam antes do conflito, este só veio agravar a situação. Temos crianças em situação de desnutrição crónica, sem o devido acompanhamento nem atendimento, por limitações de fundos”, explicou Jaime Chivite.

Segundo a fonte, há padrões internacionais para a concepção dos assentamentos, porém, para a realidade de Cabo Delgado, há violações.

“Os padrões definem quantos sanitários devem ser colocados num centro de reassentamento ou de trânsito, por exemplo. Em Cabo Delgado, há centros abaixo dos padrões: com menos sanitários que deviam ter e com menos fontes de água, alguns até sem espaço de aprendizagem temporário, outros com centros a menos.”

O grupo das organizações internacionais, representado pela Save The Children, diz haver falta de priorização da assistência.

“Há necessidade de a situação humanitária em Cabo Delgado receber a atenção merecida, sob ponto de vista de acções contínuas para assistência, a disponibilidade de recursos financeiros, para assegurar que os deslocados internos sejam continuamente assistidos”, disse Judas Massingue, director-adjunto de Programas na Save The Children.

Segundo Massingue, a redução da atenção e da disponibilidade de recursos tende a reduzir, não só em situação de conflitos, mas também aquando do ciclone Idai e Kennet, “o que é condenável”.

“Uma vez que já passam cinco anos, desde que o conflito eclodiu, pode estar a haver uma tendência de pouca priorização e nós achamos que não pode acontecer, porque as necessidades são tremendas. Só para dar uma exemplificação, o plano de resposta humanitária este ano tinha uma meta de mobilização de recursos equivalente a 338 milhões de dólares, mas uma análise feita indica que, até Junho, apenas 73 milhões é que haviam sido alocados para a resposta humanitária”, detalhou.

O valor alocado até ao momento corresponde a 19 por cento, ou seja, por falta de recursos, vários outros apoios não serão alocados aos deslocados internos, agravando a sua situação.

Num pensamento partilhado, as organizações apelam a Moçambique, como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para usar o mandato para submeter a questão humanitária e solicitar apoio financeiro, caso contrário, o país corre o risco de resolver preocupações semelhantes de outros, sem resolver as suas próprias.

Pelo menos 30 crianças com fendas labiais e no palato (céu-da-boca) serão operadas esta semana, no Hospital Central de Maputo (HCM), para corrigir a anomalia. Por dia, serão operadas entre cinco e seis crianças.

As cirurgias iniciaram-se esta segunda-feira, e serão operadas crianças como Abigail, de cinco meses, que saiu da cidade da Beira para o HCM.

Segundo a mãe, a gestão foi normal, cumpriu todas as recomendações e até fez ecografias para aferir se estava tudo bem com a criança. O parto também correu bem, mas a surpresa surgiu quando segurou, pela primeira vez, o seu bebé.

“Disseram-me que a minha filha tinha uma fenda labial, mas que podia ser corrigida; transferiram-me do Centro de Saúde da Munhava para o Hospital da Beira, onde fizeram os exames e marcaram a cirurgia para Setembro”, contou.

Decidiu, depois, viajar para a Cidade de Maputo e ver se conseguia uma cirurgia urgente, pois, conforme disse, já não aguenta ver outros bebés com lábios “normais” e diferentes da filha, ser vista de forma diferente e ter pessoas assustarem, sempre que olhassem para o seu bebé.

“Uma vez, até uma criança de três anos me perguntou: ‘tia, por que a sua filha tem lábios diferentes dos meus?’ Essa abertura assusta! Então, fiquei mal, porque até uma criancinha percebia que algo não está bem”, contou, acrescentando que, no HCM, conseguiu a solução que procurava e a operação para correcção da má formação congénita foi marcada para Agosto, na tarde desta segunda-feira.

Apreensiva, a mãe orava para que a cirurgia corresse bem e sua filha saísse da sala de operações sem as dificuldades que tinha ao tomar o leite, por exemplo, que saía pelo nariz e a facilidade que tinha para ficar gripada ou com tosse, por conta da corrente fria que entrava com facilidade no organismo.

“Não é fácil ter uma criança nesta situação. Quero que ela cresça bem e, no futuro, não me culpe de não ter feito nada por ela, ainda criança. Estou com medo, mas sei que vai ficar tudo bem”, disse a mãe que aguardava na fila para entrar na sala de operações que já tinha uma criança a ser corrigida o seu defeito.

A campanha de operação para a correcção da fenda lábio-palatina, que prevê abranger 30 crianças dos quatro meses aos seis anos de idade, consiste, segundo a directora do Serviço de Cirurgia Maxilo-Facial, do HCM, Victoria Atanásio, em fechar a abertura que essas pessoas têm na boca.

“Algumas crianças serão operadas pela segunda vez, porque essas já foram operadas nos lábios e vêm operar o palato. Há adultos que nunca foram operados na vida e estes poderão também passar pela cirurgia”, explicou a médica.

As fendas, além do choque que causa na sociedade em geral, discriminação e pressão social e que depois criam problemas psicológicos na criança e nos seus parentes, originam problemas na alimentação, na fala e alinhamento dos dentes.

Segundo Victoria Atanásio, causam, ainda, problemas de audição e algumas pessoas até perdem a audição no ouvido do lado afectado pela fenda.

“Esta campanha tem sido realizada uma vez por ano, é gratuita e estamos preparados sob o ponto de vista de infra-estruturas, equipamentos consumíveis e sob o ponto de vista de recursos humanos”, garantiu.

A fonte garantiu que a cirurgia não deixa sequelas e o processo de cicatrização da ferida leva uma semana.

 

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