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O País – A verdade como notícia

O Mercado Kwachena, na cidade Tete, regista escassez de cebola branca, facto que concorre para a subida do preço do produto. Os vendedores alegam subida de preço no local de compra.

A cebola branca está a ser comercializada, na cidade de Tete, como um produto de luxo, devido à sua escassez. Um saco de cebola de 10 quilogramas, que antes era comercializado a quatrocentos Meticais, custa agora quinhentos e vinte Meticais.

Vendedores a grosso alegam que a escassez se deve ao facto de os fornecedores, na Província de Maputo, estarem a aumentar o preço.

Já os vendedores de tomate queixam-se de pouca demanda nas últimas duas semanas. Os comerciantes dizem, ainda, que a maior parte do produto está a deteriorar-se.

A expectativa dos vendedores é vender mais nos próximos dias, no contexto das celebrações do Dia do Acordo Geral de Paz e do Dia do Professor.

O director da Escola Especial defende que há uma necessidade de se criar uma gramática da língua de sinais para uma melhor comunicação e criação de mais instituições especiais. A Associação dos Jovens Surdos diz que há morosidade no cumprimento das leis.

Pessoas com deficiência auditiva na Cidade de Maputo sentem-se marginalizadas pela sociedade, devido à falta de acesso à informação e de escolas para este grupo social.

No interior das salas de aula da Escola Especial Número 1, estão os alunos com deficiência auditiva e quem não domine a língua de sinais dificilmente pode transmitir uma mensagem.

A  professora Ana Paula, de 32 anos, com as dificuldades que passou, venceu e hoje é licenciada e inspira muitos jovens, como Matilde, estudante da UEM que faz parte da Associação dos Jovens Surdos.

Matilde perdeu audição quando tinha oito anos e, para poder estudar, sofreu bastante e andou de escola em escola, devido à falta de instituições de ensino para pessoas com deficiência. “Eu tive muitas dificuldades para continuar a estudar. As escolas não me aceitavam. Tive de lutar muito para conseguir e era obrigada a trocar de escolas, porque eu sofria muita discriminação. Aceitaram-me numa escola onde eu recomecei e fui até à 12 classe”, contou Matilde, membro da Associação dos Jovens Surdos, que acrescentou que não desistiu do seu sonho.

Felizarda, que também faz parte da Associação dos Jovens Surdos, é estudante e defende a necessidade de uma gramática para melhor se comunicar com outras pessoas. “Para poder comunicar-me, uso gestos, o que dificulta a comunicação com os demais.”

A conselheira da Associação dos Jovens Surdos diz que “a nossa grande dificuldade é o acesso à informação”.

A conselheira diz que há morosidade no cumprimento das leis para a inclusão de pessoas com deficiência. “As pessoas que estão lá devem pôr em prática aquilo que assinam, não é falta de leis; já se assinaram cartas de comprometimento e, agora, vamos fazer 10 anos desde que Moçambique assinou a Convenção das Nações Unidas sobre a Deficiência”, afirmou a conselheira da Associação dos Jovens Surdos.

Por seu turno, o director da Escola Especial 1 de Pessoas com Deficiência Auditiva afirma que se deve criar uma gramática de língua de sinais para melhor inclusão. “Precisamos de criar uma gramática da língua de sinais, mas a escola sozinha não pode, precisa de interversão de vários especialistas como linguistas”.

O director diz ainda que se deve criar mais instituições de ensino para pessoas com deficiência, para evitar que os alunos percorram longas distâncias. “Outra dificuldade que nós temos está ligada ao processo de transporte dos próprios alunos, são crianças que vivem nas zonas periféricas e, para irem à escola, têm o seu custo”, realçou David Nhantumbo.

Actualmente, o país conta com duas instituições para pessoas com deficiência.

Foi a 26 de Setembro de 1980 em que foi feito o reconhecimento de língua de sinais, comemorando-se, assim, o Dia Internacional do Surdo

Os moradores da Machava “J”, no Município da Matola, estão preocupados com o surgimento de uma lixeira no bairro, o que atenta contra a saúde pública. O problema deve-se à fraca recolha de resíduos sólidos.

Há mais de cinco anos, os moradores do bairro da Machava “J”, no Município da Matola, clamam pela intervenção do conselho municipal, para remover o lixo acumulado nos arredores das residências.

Germano Gonçalves, um dos residentes daquela zona, contou ao “O País” que o lixo é depositado pelos próprios moradores.

“Estamos a viver muito mal, nem sequer sei como é que permitimos que o lixo chegasse a este nível. Só vimos que estava assim e cada vez mais a aumentar”, explicou o morador, acrescentando que a situação tem trazido enormes constrangimentos.

“Uma vez, até que o município mandou um carro para aqui, mas não fizeram nada e voltaram. Passam-se mais de cinco anos, mas nada mais acontece”, disse Gonçalves.

A secretária do bairro da Machava “J” referiu que, por várias vezes, os moradores tentaram ajudar a edilidade, mas “tiramos os pneus nos caminhos para que os camiões tivessem espaço para passar, mas continuamos assim e temo-nos alimentado à rasca”, contou Paulina Mucavel.

E porque nada está a ser feito, o lixo acumulado tornou-se num atentado à saúde pública, tal como disse Julião Cossa.

“A maioria das doenças que afectam as pessoas desta zona resultam desta lixeira. Há muitas pessoas que já tiveram cólera e malária por conta do lixo”, explicou Cossa.

A secretária do bairro Machava “J” afirmou que, com o passar dos anos, o lugar passou a ser preferencial até para deitar fetos e animais mortos.

“Geralmente colocam nados mortos nos sacos e deitam aqui na lixeira. Depois aquilo apodrece e descobrimos porque começa a cheirar muito mal e as crianças facilmente ficam doentes”, disse Paulina Mucavel.

Uma vez que a preocupação é de todos, os moradores procuram soluções conjuntas, mas sem sucesso.

“Queimamos este lixo para diminuir, mas as crianças têm vindo aqui brincar. Num dos dias, uma criança vizinha foi queimada nos seus pés”, relatou Clara Zunguze, moradora no bairro Machava “J” há mais de 15 anos, que ainda se lembra dos anos em que o espaço ocupado pelo lixo servia de caminho para ter acesso à estrada.

Com a aproximação da época chuvosa, o receio é que o cheiro nauseabundo aumente. Por isso, o pedido é só um: “Se houvesse aqui contentores para depositarmos o lixo e depois de algum tempo virem remover, ia valer a pena. Estamos a pedir ao município para vir tirar, estamos cansados”, apelou Paulina Mucavel, secretária do bairro Machava “J”.

O Conselho Municipal da Matola disse que tem conhecimento do problema e prometeu pronunciar-se esta terça-feira.

Cinco pessoas morreram e outras seis ficaram feridas em consequência de acidentes de viação, nas últimas 72 horas, na província de Gaza. O consumo de álcool e o excesso de velocidade são apontadas como as principais causas dos sinistros.

A informação foi avançada pelo comando provincial de Gaza, que fala de um fim-de-semana (longo) que não se via há alguns anos, devido às restrições impostas pela pandemia da COVID-19, que condicionaram o acesso às praias e a outros locais turísticos.

O fluxo de viaturas foi, até à manhã desta segunda-feira (26), bastante intenso devido à afluência às praias e a outros centros turísticos, por ocasião do fim-de-semana longo, devido à celebração do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Mas nem tudo foi diversão. Houve registo de mortos e feridos graves em algumas estradas da província.

“Registados quatro acidentes, contra um da semana passada. Houve incremento de três acidentes, dos quais resultaram 5 óbitos. Houve dois acidentes causados por excesso de velocidade e mais dois por consumo de álcool”, revelou Luís Chibulache, agente da Polícia de Trânsito.

Este facto manchou o fim-de-semana na província, segundo avalia a Polícia, que revelou a apreensão de mais de 100 cartas de condução por diversas irregularidades.

“Nós aplicámos 368 multas por infracções diversas, nas últimas 24 horas. Apreendemos 124 cartas de condução, das quais 47 foram por álcool ao volante, para além de 30 livretes que apreendemos por incompatibilidade com as viaturas”.

Os acidentes, do tipo choque entre viaturas e atropelamento, resultaram em mais de 6 feridos, entre ligeiros e graves, alguns dos quais se encontram em cuidados intensivos.

A Ministra da Educação, Carmelita Namashulua, nega que haja falta do livro escolar da terceira e sexta classes na província de Tete. O “O País” noticiou há cinco dias que cerca de 62 mil crianças da 3ª classe estudam sem o manual, o que pode estar a comprometer o aproveitamento pedagógico.

Foi o próprio chefe do Departamento da Educação Geral na província de Tete que avançou, no dia 21 do mês em curso, que faltam cerca de 200 mil livros de distribuição gratuita naquela província. O problema afecta a crianças da 3ª e 6ª classes.

Entretanto, a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano contraria o responsável da educação geral em Tete.

De um total de 15 distritos de Tete, apenas seis receberam livros da terceira classe no presente ano lectivo prestes a findar.

Transportadores reclamam do fraco movimento de passageiros no fim-de-semana longo. Alguns operadores no Terminal Rodoviário da Junta tiveram que juntar passageiros de rotas próximas para poder compensar a receita.

O fim-de-semana longo, devido ao feriado de domingo foi caracterizado, na Cidade de Maputo, por pouca afluência aos transportes públicos de passageiros.

“Estamos a voltar ao normal. Ainda não estamos ao nível desejado, ou seja, estamos aos 60% a 70% do que era antes. Há dois anos que registamos pouco movimento. Este sábado, por causa do fim-de-semana longo, houve um pouco de movimento. Hoje (a referir-se à segunda-feira) também não há muito fluxo, mas é um movimento razoável”, explicou o presidente da MOZATRA, Frederico Ambrósio.

Ambrósio diz que o terminal internacional da Baixa registou uma saída de poucos carros nos últimos dois dias, e a rota que mais teve passageiros foi a de Maputo–Johannesburg.

A fraca afluência obrigou alguns transportadores a juntarem passageiros de rotas diferentes para poder preencher um carro.

“Uma viatura de Mambone–Inhassoro está a constituir duas rotas pela insuficiência de passageiros. Por isso, tem que passar descarregar [passageiros] num ponto e depois terminar num outro, mas não era assim; cada rota tinha o seu autocarro e ficava preenchido”, detalhou o vice-presidente da AMOTRAS.

A medida sufoca os transportadores: “As consequências da fraca procura de transportes estão a recair sobre o bolso dos transportadores, porque é necessário mais combustível”, lamentou Gil Zunguza.

As Linhas Aéreas de Moçambique cancelaram, este domingo, dois voos, devido à indisponibilidade de duas aeronaves da sua frota que se encontram em reparação. Os voos fariam as rotas Maputo-Beira-Maputo e Maputo-Quelimane-Maputo.

Num comunicado a que “O País” teve acesso, a companhia aérea garante ter empreendido esforços, “no sentido de tornar possíveis os voos em referência, mas não teve sucesso” e explica que “decorrerem intervenções para se proceder à reparação das aeronaves”.

Os passageiros afectados pela medida “serão transportados amanhã, em horários a serem estabelecidos e comunicados, mediante a reprogramação a ser feita”, assegura a LAM, que pede desculpas aos passageiros pelos inconvenientes causados.

As populações tendem a regressar aos distritos de Eráti e Memba, na província de Nampula, depois da fuga em debandada devido aos ataques terroristas. O mesmo cenário é vivido em Cabo Delgado, onde há regresso massivo das populações às zonas libertadas.

A garantia foi dada pelos respectivos governadores Manuel Rodrigues e Valige Tauabo, respectivamente, à margem da cerimónia central do 58º aniversário das FADM, realizada, este domingo, na Cidade de Maputo. 

A segurança foi restabelecida nos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula, depois de terem sido palco de destruição e mortes protagonizadas por terroristas, há algumas semanas. A situação causou fuga em debandada das populações para distritos mais seguros.

Entretanto, a esta altura, os habitantes estão a regressar às zonas de origem, com o restabelecimento da segurança, de acordo com o governador da província, Manuel Rodrigues.

“Houve uma actuação das FADM que perseguiram o inimigo, que saiu em debandada. Depois da retirada e de consolidação do processo de limpeza da área, as populações estão a regressar dos distritos vizinhos, o caso de Nacala-à-Velha e Nacala-Porto, às suas regiões”, disse Rodrigues.

Segundo o governante, as Forças de Defesa e Segurança continuam no local a garantir a segurança das populações.

“Continuam no local a fazer o seu trabalho de defesa e de consolidação da integridade territorial daquela parte da província. Portanto, estamos, neste momento, a viver um momento de paz, graças à actuação das Forças de Defesa e Segurança que, em tempo real, perseguiram o inimigo”, explicou.

O mesmo cenário é vivido na província de Cabo Delgado. De acordo com o governador, Valige Tauabo, a segurança foi retomada em grande parte dos distritos e as populações tendem a abandonar os centros de reassentamento.

“Muitas famílias estão a sair das aldeias que tinham sido criadas para a sua acomodação, já estão a regressar às suas aldeias, que tinham sido impactadas pelo terrorismo. Portanto, há um regresso em massa.”

Tauabo reconhece ainda a necessidade de acelerar a reposição dos serviços sociais básicos para atender à população, na sequência da destruição pelos terroristas.

“Isto abre um desafio para o Governo. Em algumas aldeias, ainda não tinham sido restabelecidos os serviços sociais básicos”, disse Tauabo.

Entretanto, o governador diz não ter dados numéricos dos deslocados que estão a regressar às zonas de origem e prometeu trazê-los nos próximos dias.

A ministra do Trabalho e Segurança Social diz que todos os membros do Conselho de Administração do INSS envolvidos no caso de subsídios de mais de 20 milhões de Meticais foram ouvidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para o esclarecimento do caso.

Já há quase um ano que foi despoletado o escândalo sobre subsídios de início de funções para os membros do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

Trata-se de subsídios de mais de 20 milhões de Meticais autodeterminados pelos envolvidos, o que, na altura, levou a ministra do Trabalho e Segurança Social a anunciar a criação de uma comissão de inquérito para averiguar a sua legalidade.

Sabe-se, entretanto, que o caso seguiu à justiça.

“Entregamos o assunto a quem é de direito. Todos eles foram ouvidos pela Procuradoria-Geral da República. Então, deixemos as entidades próprias responderem (sobre o desenvolvimento no caso)”, disse Talapa, que, entretanto, não quis avançar se há algum desenvolvimento ou responsabilização, a ser o caso, a nível administrativo.

Em Novembro de 2021, quando o caso veio a público, um documento a que o “O País” teve acesso mostrava que o valor tinha sido transferido para as contas dos beneficiários, mas, mais tarde, suspenso. Os resultados da Comissão de Inquérito nunca vieram a público.

 

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