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O País – A verdade como notícia

Cerca de 324 mil pessoas, no Norte do país, poderão ter acesso à energia, à água potável, às estradas e às escolas em cinco anos. Segundo o ministro das Obras Pública, Habitação e Recursos Hídrico, o projecto conta com um financiamento de 100 milhões de dólares do Banco Mundial.

Trata-se do Projecto de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique liderado pelo Governo e Banco Mundial.

Esta segunda-feira, os municípios de Pemba, Montepuez, Nampula e Nacala Porto formalizaram participação no mecanismo que, segundo o ministro das Obras Pública, Habitação e Recursos Hídrico, vai melhorar a vida da população no Norte do país.

“O financiamento do projecto é de cem milhões de dólares americanos, a serem implementados durante cinco anos. De forma global, o projecto irá beneficiar cerca 40 000 pessoas com casas melhoradas, assim como cerca de 324 000 pessoas irão beneficiar-se de infra-estruturas básicas (água, estradas, energia e valas de drenagem), equipamentos sociais (creches, escolas primárias, centros de saúde, centros comunitários, parques de diversão e mercados)”, avançou Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

O governante reiterou, ainda, que o terrorismo na zona Norte está a criar retrocessos na construção de infra-estruturas básicas e equipamentos nos municípios mais desfavorecidos.

“A zona Norte de Moçambique apresenta um crescimento urbano acelerado, devido ao fluxo de cidadãos vivendo nas zonas rurais para as principais cidades por várias razões, entre as quais em busca de melhores condições de vida, num contexto económico e social, situação agravada pela acção dos insurgentes, o que, como consequência, sobrecarrega a capacidade destas cidades em disponibilizar infra-estruturas básicas, equipamentos sociais e provisão de habitação condigna”, disse Mesquita.

De acordo com o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, os quatro municípios foram seleccionados dentre 10 municípios do Norte do país, com base no número de deslocados internos, nível de acesso a infra-estruturas básicas e equipamentos sociais e défice habitacional.

O Banco Mundial quer que o projecto torne as cidades sustentáveis e inclusivas.

“Estas cidades são centros económicos no Norte. Se forem bem equipadas, irão impulsionar a transformação estrutural da região. O desenvolvimento destes municípios estará na vanguarda do reforço da resiliência climática de milhares de cidadãos”, explicou Idah Pswarayi-Riddihough, representante do Banco Mundial em Moçambique.

Durante a implementação do projecto, segundo o Governo, serão gerados outros benefícios indirectos, com destaque para a geração de empregos fixos e a arrecadação de receitas municipais.

Chimoio já foi, há poucos anos, considerado uma das cidades mais limpas do país, categoria que agora perdeu para a cidade de Inhambane. A edilidade, encabeçada por João Ferreira, está a fazer de tudo para resgatar essa imagem, por isso está a retirar lixo das residências dos munícipes.

Aliás, basta lembrar que, no início do mandato, João Ferreira jurou não cortar a sua barba sem que Chimoio voltasse a ser a cidade mais limpa do país. Ferreira viria a quebrar o seu juramento após o Presidente da República, Filipe Nyusi, numa visita à província de Manica, o ter autorizado a cortá-la.

Agora, com a campanha denominada “porta-a-porta sem lixo”, que consiste na recolha de lixo à porta das residências, pretende-se consciencializar os cidadãos sobre a necessidade de depositar resíduos sólidos em lugares apropriados.

“Estamos a trabalhar para os nossos munícipes retirarem o lixo das suas casas. Não podemos trabalhar em tempos de campanha, porque precisamos de votos. Nós estamos a trabalhar arduamente desde o início do nosso mandato”, avançou Ferreira.

A campanha conta com o envolvimento dos líderes comunitários e funcionários que exercem trabalhos burocráticos no Município de Chimoio.

Nesse processo, João Ferreira está a ser confrontado com problemas de vias de acesso nos bairros, mas diz ter já solução à vista.

“A preocupação que está a ser apresentada é de estradas. Nós temos muitas estradas feitas, mas os nossos munícipes querem mais. Dentro de poucos dias, teremos a cidade toda asfaltada ou com saibro, até a última ruela”, referiu.

E sobre estradas, de acordo com a edilidade de Chimoio, cerca de 80% das vias do centro urbano já estão asfaltadas, faltando apenas os bairros do interior.

O Banco Mundial vai desembolsar cerca de 200 milhões de dólares para apoiar o país no processo da digitalização. Até 2028, o Governo pretende aumentar a cobertura para que mais de 50% da população, sendo cerca de dois milhões de pessoas nas zonas rurais, tenha acesso à internet.

No país, apenas cerca de sete milhões de pessoas têm acesso à internet, do total estimado em 30 milhões da população moçambicana. E nas zonas rurais, um terço da população vive em locais onde sequer há sinal e não têm habilidades para o uso da internet.

A preocupação é do Ministério dos Transportes e Comunicações, que pretende reverter o cenário, com o lançamento do projecto de Aceleração Digital de Moçambique.

“Reconhecemos que, para além do acesso aos serviços de internet, é preciso que a população tenha a literacia digital e consiga possuir algum equipamento electrónico para aceder à internet. A nossa convicção é de que a transformação digital irá influenciar, em grande medida, o cumprimento da meta sobre as tecnologias de informação e comunicação, bem como dar suporte para acelerar a implementação dos 17 Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) emanados pelas Nações Unidas”, disse Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Trata-se de um projecto que prevê, nos próximos seis anos, garantir que pelo menos 50% da população tenha acesso à internet em todo o país e alargar a cobertura nas zonas rurais, para mais de dois milhões de pessoas que não têm acesso ao sinal de telefonia móvel.

“Com a implementação destes projectos, o povo moçambicano usufruirá de melhores serviços digitais prestados de forma segura, privilegiando a internet de banda larga, o acesso à informação e serviços digitais nas diversas áreas económicas e sociais, contribuindo para o desenvolvimento do país”, explicou Daniel Nivagara, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Neste projecto, o país conta com o apoio do Banco Mundial, que vai investir cerca de 200 milhões de dólares.

“Acreditamos que os sistemas digitais têm uma função transversal e que vão apoiar muitos sectores, por isso é indispensável contar com a liderança do Governo e com o apoio do sector privado”, disse Zayra Romo, representante do Banco Mundial.

O projecto de Aceleração Digital de Moçambique foi lançado, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo, e conta com a parceria dos ministérios da Ciência e Tecnologia, Educação e Desenvolvimento Humano e Secretária de Estado do Ensino Técnico Profissional.

Centenas de funcionários do corpo técnico e administrativo da UEM paralisaram parcialmente as actividades, esta segunda-feira, devido à falta de salários e por entenderem que não estão a ser enquadrados na Tabela Salarial Única.

A nova Tabela Salarial Única (TSU) continua a dividir os funcionários públicos. Desta vez, a situação de desconforto chegou à Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Os funcionários abandonaram os seus postos de trabalho para se juntarem num campo aberto e exigir o pagamento dos seus salários em atraso com base na Tabela Salarial Única. Por temerem represálias, os funcionários falaram ao jornal “O País” na condição de anonimato.

“O salário de Novembro foi pago a algumas pessoas na sexta-feira, porque sabiam que hoje estaríamos a fazer greve. Nós, outros, não temos salários até hoje”, revelou uma das funcionárias que deixaram os seus gabinetes para estar com os colegas.

“O do mês de Outubro, há colegas que ainda não receberam. Outros receberam-no no dia 23 de Novembro. O salário de Novembro ainda não entrou para muitos. É uma situação que não estamos a perceber e não temos esclarecimento de ninguém”, disse outro funcionário.

A Direcção de Finanças e a dos Recursos Humanos da UEM emitiram, em Outubro, um comunicado em que garantiam que, a partir de Novembro de 2022, todos os salários seriam processados com base na TSU.

A 8 de Dezembro, as mesmas direcções emitiram um outro comunicado: “Infelizmente, dada a persistência dos erros e para não agudizar o prejuízo que já é uma realidade, a UEM, sob recomendação do CEDSIF, vai pagar salários com base no sistema anterior.” A situação deixa cada vez mais enfurecidos os funcionários.

“Tenho uma sobrinha e órfã de pai, eu não consegui fazer a inscrição para ela que termina hoje, eu não tenho salário. Para um funcionário da UEM há 25 anos, temos que imaginar isto­­?”, lamentou mais um funcionário da UEM.

Outro acrescentou: “É a incerteza de salários que não sabemos quando teremos e já não temos a data fixa do salário; estamos cheios de dívidas e temos tanta coisa comprometida”.

A Direcção de Finanças da UEM reuniu-se com os funcionários para esclarecer o que está a condicionar o pagamento de salários, apontando os canos ao Ministério da Economia e Finanças.

“Até quarta-feira, (os do Ministério da Economia e Finanças) iam resolver o problema, por isso marcámos uma reunião com o Corpo Técnico e Administrativo, na quinta-feira. Já tínhamos marcado esta reunião em antecipação para saber em função do resultado que o Ministério da Economia e Finanças vai dar-nos. O comunicado que nós fizemos determina que, num espaço de duas semanas, tem que ser pago o salário de Dezembro com base na TSU e os retroactivos, isso tem que ser pago este ano”, disse Estácio Rajah, director de Finanças da UEM.

Por conta da paralisação parcial dos funcionários do Corpo Técnico e Administrativo, vários departamentos e sectores da UEM estiveram com as portas encerradas. Os funcionários da Direcção de Património e Desenvolvimento Institucional, por exemplo, foram categóricos e afirmaram que não iam trabalhar enquanto não se regularizar a questão salarial.

Aliás, naquele mesmo sector, estava um homem que ia levantar um cheque referente ao pagamento de serviços prestados e foi dito que tinha que voltar noutra oportunidade, porque o sector estava fechado.

Um condutor, de 31 anos de idade, encontra-se detido, desde a tarde de sexta-feira, por ter agredido um agente da Polícia de Trânsito, em Ressano Garcia, na Província de Maputo.

O acto deu-se durante a regulação de trânsito, quando o agente em serviço interpelou uma viatura, cujo condutor se fazia ao volante na contramão.

Segundo o porta-voz da Polícia de Trânsito na Província de Maputo, Juarce Martins, o agente reprovou a atitude e convidou o condutor a corrigir o erro, mas este recusou-se.

“Não querendo mudar o cenário, o agente quis tomar uma medida da Polícia, mas o cidadão saiu da viatura e agrediu-o fisicamente”, contou o porta-voz.

Segundo disse, o acto é uma ofensa à honra do agente e do Estado moçambicano e, porque houve crime, o indiciado encontra-se detido na 1ª esquadra de Ressano Garcia, onde foi aberto um auto e vai seguir os seus trâmites legais.

Entrevistado pelo “O País”, o condutor reconheceu o seu erro, disse não reconhecer a sua atitude e pediu desculpas ao agente e a todos moçambicanos.

“Estou ciente de que esta situação tira a dignidade da minha família, que me educou muito bem e, neste momento, estou a envergonhá-la. O agente estava a fazer o seu trabalho, não fez nada de errado e eu agredi-o. Quero pedir a todos que não optem por estes comportamentos, independentemente da situação”, desculpou-se o condutor.

Para o jurista Flávio Menete, o agressor cometeu o crime de ofensa corporal deliberada, pois, antes de agredir, convidou o agente a tirar a farda “para bater nele à vontade”, e a situação agrava-se ainda mais, pelo facto de ter atacado um agente da autoridade, durante o exercício das suas funções.

“Como foi em flagrante delito, justifica-se que ele tenha sido imediatamente detido. Então, independentemente da pena que caiba, deveria ter sido detido imediatamente e encaminhado para julgamento”, explicou Menete.

O jurista Nuno Rafael acrescentou que o condutor cometeu o crime de desobediência e pode pagar até três meses de multa.

“A punição, em princípio, muitas vezes, tem a ver com o tempo pelo qual o ofendido fica em convalescença. Se não tiver entrado em convalescença, a pena de prisão é de até dois anos e multa de até dois meses”, disse o jurista.

Mas, afinal, o que estará por detrás de tanta violência entre agentes da Polícia de Trânsito, na via pública, e entre si e os condutores?

Os transportadores do terminal interprovincial da Junta dizem estar preparados para responder à possível demanda de passageiros. Já os da rota Maputo–África do Sul não têm grandes expectativas em termos de ganhos durante esta época.

As festas do natal e do fim do ano são momentos em que se costuma estar em família e ao lado de quem se ama. A poucas semanas das festividades, alguns passageiros já antecipam o tão esperado momento do reencontro com familiares que não vêem há muito tempo.

No terminal internacional de transporte rodoviário da Baixa, em Maputo, a equipa do “O País” encontrou Emília e Marcolino, um casal que não vê a hora de rever os seus familiares.
“Lá [na África do Sul], estão os meus irmãos e os do meu marido”, disse Emília.

Já Marcolino explica que o motivo da viagem antecipada é que “a partir do dia 20, há muito congestionamento. Por isso, antecipo a viagem. Vou passar o natal [na África do Sul], mas volto a Maputo para a transição do ano”.

Os transportadores interprovinciais e internacionais preparam-se para responder à possível avalanche de passageiros. No terminal rodoviário interprovincial da Junta, por exemplo, foi reforçada a frota de carros para atender à grande demanda que se espera ter.

“Estimamos em 120 o número de carros que adquirimos este ano. Apesar dos impactos da COVID-19, foi necessário renovar as nossas frotas. É assim que funciona a nossa profissão”, disse Gil Zunguze, chefe-adjunto do terminal da Junta.

É comum que, faltando poucos dias para as festividades, aumente a procura pelos serviços de transporte nos dois terminais, e os transportadores garantem estar tudo preparado para atender à procura.

Os últimos dois anos foram marcados por medidas restritivas impostas pela pandemia da COVID-19, que dentre muitas limitações, originaram a redução do número de passageiros durante a época festiva.

Mesmo com o relaxamento das medidas, os transportadores internacionais ainda não conseguem antever ganhos.

“A nossa faturação continuará baixa. Não vamos sair daqui [de Maputo] com os carros cheios. Por isso, é um grande sacrifício para nós, sobretudo porque os combustíveis estão a um preço alto. Esta época beneficia apenas os [transportadores] sul-africanos”, desabafou Francisco Mondlane, secretário-geral da Associação dos Transportadores Internacionais.

Até ao momento, o fluxo de passageiros nos terminais rodoviários da Junta e internacional da Baixa é considerado normal, mas espera-se que haja, nos próximos dias, registo de enchentes.

 

O Bastonário da Ordem dos Médicos acusa o Governo de denegrir a imagem de profissionais que um dia considerou heróis. Gilberto Manhiça diz ainda que o Executivo quer colocar o médico numa situação de precariedade perante os utentes.

Gilberto Manhiça falava durante uma conferência de imprensa, ocorrida hoje, na Cidade de Maputo, cujo tema de fundo era a greve dos médicos, por si considerada legítima.

No evento, Manhiça começou por recordar que os médicos sempre deram de tudo, até nos momentos difíceis do país, como no caso da guerra civil e da pandemia da COVID-19, em que trabalharam em condições precárias, arriscando suas vidas e de seus familiares para cuidar e salvar pacientes.

Segundo o Bastonário, o Governo não está a encarar, hoje, com seriedade, as suas preocupações e os compromissos assumidos durante as negociações sobre a Tabela Salarial Única (TSU).

Gilberto Manhiça diz que as reclamações dos médicos são legítimas e arrastam-se há mais de 10 anos, e a Tabela Salarial Única só veio evidenciar problemas que o Governo parece estar a ignorar.

“No que toca à Tabela Salarial Única, entende o Governo que o subsídio de risco deve reduzir de 30% para cinco por cento, o que representa cerca de 2300 Meticais para um médico de Clínica Geral, ou seja, entende-se que um médico deve arriscar a sua vida, a vida de seus familiares em troca dos 2300 Meticais”, lamentou o bastonário.

Ainda em defesa dos seus colegas, Manhiça referiu que, para o Governo, os compromissos acordados parecem não ter validade alguma, pois, durante um dos encontros com a classe, foi acordado que seriam pagos 20% aos especialistas na forma de subsídio de investigação, mas a percentagem foi unilateralmente reduzida para cinco por cento.

Os médicos justificam a greve com a necessidade de serem valorizados pelo Governo, à semelhança do que tem feito com os médicos estrangeiros, pois representam um pilar importante no Sistema Nacional de Saúde do país.

“Queremos apelar ao Governo para deixar de denegrir a imagem dos médicos, que exercem as suas funções no Sistema Nacional de Saúde com excelência e abnegada dedicação, assegurando a saúde do povo nas diferentes vertentes”, desabafou.

Para Gilberto Manhiça, o direito à greve é constitucional e, ao protestarem como estão a fazer, estão a reivindicar a melhoria de condições de trabalho.

A Rede Aga Khan anunciou esta quinta-feira 20 mil carteiras para Moçambique, nas celebrações dos 65 anos do mandato do príncipe Karim e do centenário Polana Serena Hotel.

Em 1957, o príncipe Karim Aga Khan ascendeu a líder religioso dos ismaelitas em sucessão ao seu avô, Aga Khan III. Este ano, Karim faz 65 anos nesta posição. Enquanto isso, o Polana Serena Hotel, que faz parte da rede Aga Khan para o Desenvolvimento, completou o seu centenário. Ocasião perfeita para celebrar a dobrar.

E tal foi feito numa ocasião que reuniu empresários, deputados, membros do Governo e demais personalidades nas instalações do hotel Polana.

“Por estes marcantes 65 anos de uma vida ao serviço da humanidade, do desenvolvimento, da procura pela melhoria da qualidade de vida, expresso humilde e profundamente a sentida gratidão a Sua Alteza o Aga Khan, cuja missão, que assumiu em 1957, tocou milhares, com uma centelha de esperança, oportunidade e confiança, independentemente do seu credo, origem ou género”, disse o representante diplomático da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento em Moçambique, Nazim Ahmad, para quem a Rede Aga Khan “é a resposta ao mandato do Imamat em prol da melhoria da qualidade de vida humana”.

E esta melhoria da qualidade de vida continua a ser uma das missões da rede Aga Khan. Em Março deste ano, o filho de Karim Aga Khan, o príncipe Rahim, esteve em Moçambique e num encontro com a ministra do Género, Criança e Acção Social, a governante moçambicana falou da necessidade de apetrechamento de escolas públicas com 20 mil carteiras. E veio a resposta ao repto nas celebrações de ontem.

“Cabe-me a honra de aqui e hoje (quinta-feira), nesta auspiciosa ocasião, formalizar positivamente a resposta. A equipa do Ismaili Imamat, em estreita coordenação com a Senhora Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua, e a sua equipa, encontra-se a dar passos para efectivar a doação”, disse Ahmad.

Em Moçambique, a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN – sigla inglesa) emprega 1520 pessoas, das quais 97% são moçambicanas.

O Polana Serena Hotel, conhecido como Hotel Polana, é gerido, há 20 anos, pelo Grupo Serena do Fundo para o Desenvolvimento Económico do AKDN.

O empreendimento foi erguido em 1922 e icónico na capital moçambicana quando se fala do sector de hotelaria e turismo. Aliás, é este um facto reconhecido pela ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, que esteve na cerimónia de celebração ocorrida ontem, na Cidade de Maputo.

“Volvidos 100 anos, podemos orgulhar-nos e enaltecer a existência deste magnífico e icónico empreendimento hoteleiro/de alojamento e restauração, que se torna num dos primeiros hotéis centenários de Moçambique”, disse Materula e diz mais: “Cabe destacar que o Polana Serena Hotel tem a certificação ISO 14001 para o Hotel. Uma certificação atribuída em reconhecimento do sistema de reciclagem de águas cinzentas que produz água de qualidade para os jardins a partir das águas residuais do hotel. O hotel é o primeiro em Moçambique a receber esta certificação”.

O Hotel da Polana foi construído em 19 meses pela empresa Delagoa Bay. O projecto do hotel em estilo arquitectónico palacial de matriz neoclássica foi da autoria do famoso arquitecto inglês, Sir Herbert Baker. O Hotel Polana foi inaugurado no dia 1 de Julho de 1922.

De acordo com o Presidente da República, a intenção de suspender o pagamento aos médicos com base na Tabela Salarial Única visava compreender a real reivindicação da classe. Filipe Nyusi falava, hoje, em Quelimane, onde procedeu à inauguração de um condomínio de 32 quartos para os médicos afectos ao Hospital Central de Quelimane.

Filipe Nyusi diz que os médicos devem optar pelo diálogo e não pela atitude que pode trazer consequências graves à população, como está a acontecer agora. O Chefe de Estado defende que toda insatisfação na Função Pública deve ser resolvida com base no diálogo e não pautar por uma atitude que contrasta com o juramento da classe médica, que é salvar vidas humanas.

“Não tenho estado a andar atrás de quem faz greve ou não faz, mas a consciência que vi aqui, depois de ter falado com o director do Hospital Central [de Quelimane] e com os respectivos trabalhadores, é de que nos empenhamos em fazer de tudo para o bem do nosso povo. Irmãos, não bloqueiem o nosso raciocínio de pensamento, anos e anos ficamos desnivelados no salário e nós, o Governo, tomamos iniciativa de estabilizar e estamos a pensar mais coisas, por isso não nos bloqueiem”, apelou Filipe Nyusi, adiantando que “não existe funcionário da primeira nem da segunda, por isso temos esta iniciativa dentro de poucas possibilidades que existem”.

Filipe Nyusi foi mais longe, ao afirmar que “no meu Governo, não existe espaço para as pessoas terem medo de conversar com os membros do Executivo. Nós conversamos mesmo com aqueles que pensam que são diferentes ideologicamente. Não vejo nenhum problema que não se encontre solução. Eu não estou aqui a negociar, mas o sistema financeiro deste país é tão pequeno que o que estamos a fazer é uma aventura que nos leva a pensar como encontrar soluções para o sucesso da Tabela Salarial Única”, explicou Nyusi, referindo-se que a grave está a ser movimentada por um grupo pequeno de três a quatro pessoas, que agitam a maioria. Eu não vou deixar de pagar aos médicos nos moldes como calculamos por causa destas pessoas”.

Nyusi disse que o Governo vai continuar a falar com todos aqueles profissionais interessados em dialogar sobre a TSU.

MÉDICOS FALTOSOS TERÃO FALTA E DESCONTO NO SALÁRIO

Ainda sobre a mesma questão, o ministro da Saúde fez saber que os médicos que estão a faltar aos seus postos de trabalho, na sequência da greve em curso, serão descontados os seus salários. De acordo com Armindo Tiago, a Função Pública é regida por normas que devem ser cumpridas integralmente.

O governante diz que, em condições normais, o sector da saúde não devia ter perturbações graves, para permitir o cumprimento integral da sua missão. Neste momento, diz o ministro, alguns funcionários nem vão às unidades sanitárias.

“Nós fizemos uma análise de três dias, primeiro dia foi 11% de ausências, segundo dia 14%, terceiro dia 13%. Significa que, em termos de dados de falta, ao nível dos hospitais, se mantém, mas, na essência, os hospitais também estão a oferecer todos os serviços, embora em algumas situações haja atraso”, disse Armindo Tiago, ministro da Saúde.

Perguntado se serão ou não pagos os salários dos médicos que estão a faltar ao serviço, Armindo Tiago foi categórico ao afirmar que “nós vamos aplicar as normas. A lei estabelece que quem não vai trabalhar tem falta e, como sabem, a falta tem implicações nas questões salariais”.

Sobre a legitimidade da greve, Armindo Tiago prefere não classificar.

INAUGURADO CONDOMÍNIO PARA MÉDICOS

O Presidente da República e o ministro da Saúde falavam à margem da inauguração do condomínio dos médicos afectos ao Hospital Central de Quelimane. O referido condomínio conta com 32 apartamentos e está orçado em mais de cinco milhões de dólares.

As obras para a sua construção iniciaram-se em 2020, mas foram interrompidas por alguns ajustes no projecto.

Alguns médicos beneficiários do empreendimento explicam que a construção do condómino vai mudar na gestão das suas vidas, sobretudo no que ao atendimento dos doentes diz respeito.

Através do condomínio inaugurado esta quinta-feira, o Governo passa a poupar dinheiro com o arrendamento de casas, segundo o Presidente da República.

LANÇADA POLÍTICA DE SAÚDE

Ainda esta quinta-feira, o Chefe do Estado lançou a Política de Saúde e Estratégia de sua Implementação, que tem três pilares – bem-estar e estilo de vida saudável, fortalecimento do sistema nacional de saúde e saúde em todas as políticas.

Na ocasião, Filipe Nyusi avançou que mais equipamentos médicos para sectores de especialidade serão adquiridos pelo Governo, no próximo ano, para todos os hospitais do país.

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