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O País – A verdade como notícia

Os operadores de transporte internacional de passageiros, da rota Maputo–África do Sul, prometem retaliar à queima das suas viaturas por desconhecidos naquele país, caso o Governo não tome medidas.

É perante a insegurança que se instalou no sector dos transportes, na rota Maputo–África do Sul, particularmente no corredor de Durban, que a Associação dos Transportes Internacionais diz que é preciso que o Governo tome decisões concretas, porque pode haver consequências indesejadas.

“Temos desvantagens no transporte porque as pessoas já sabem que o carro sul-africano não tem problema e passa à vontade, vão optar por aquele carro e nós vamos ter que parar. O Governo tem que tomar alguma decisão sobre isso para evitar a retaliação porque, se isto acontecer de facto, nós teremos que tomar medidas de retaliação”, avisou Frederico Ambrósio, presidente da Associação do Transporte Internacional.

Perante a situação, o Ministério dos Transportes e Comunicações desaconselha a retaliação e garante que já está em conversações com a contraparte sul-africana para a tomada de medidas.

“É preciso manter a calma, não se pode pensar em enveredar pela retaliação e criarmos escaramuças deste lado. Para garantir a segurança nas estradas, há contactos directos que estão a ser feitos com a África do Sul e estamos a manter grupos de trabalho”, apelou o director nacional dos Transportes e Segurança no Ministério dos Transportes e Comunicações.

Desde o início, os malfeitores incendiaram um autocarro de uma transportadora moçambicana na África do Sul e, no último fim-de-semana, vandalizaram um minibus.

O jornal “O País” ouviu histórias de moçambicanos que sobreviveram a ataques e queima de suas viaturas na África do Sul. As vítimas contam o momento de terror que passaram, já que os malfeitores estavam armados e disseram que aquela era a mensagem para o Governo, sem especificá-lo.

O casal Mamad David e Suneia Habibo e os seus três filhos viajavam numa viatura de marca Toyota Prado, no dia 28 de Janeiro, de regresso a Moçambique, depois de terem estado na cidade sul-africana de Durban a trabalhar e a passar férias. No percurso, foram seguidos por malfeitores que se faziam transportar em duas viaturas empunhando armas de fogo.

“Da minha parte, o que sucedeu é uma perseguição de 20 quilómetros antes da vila de Sodwana e fui andando e alertei à minha esposa que este carro sem matrícula de repente entrou na estrada e está a seguir-me, mas não levei aquilo a sério, fui andando e, de repente, o carro ultrapassa-nos em boa velocidade, achei que fosse minha intuição errada”, contou Mamad David.

Mamad achava que a intuição errada transformou-se num autêntico terror. O seu carro foi queimado por malfeitores em número de 12, todos eles armados. “Logo de seguida, tiraram-me do carro, fizeram-me desligar o carro e puseram gasolina e incendiaram todo o carro. Eles não tiveram nenhuma compaixão, o objectivo deles era queimar os carros. Até ao último caso, eu a pedir para que não fizesse aquilo, foi quando ele me empurrou e mostrou-me uma arma de fogo e foi quando incendiou a viatura, pôs directamente a gasolina, incendiou e esperaram uns cinco minutos até não poder aproveitar nada.”

E os homens armados deixaram uma mensagem: “Este é um problema do Governo. Não é nada convosco. Problema do Governo”, sem especific­á-lo.

Foi um momento de pânico e muita dor. Suneia esposa de Mamad David viu todos pertences da família adquiridos na terra do rand a serem consumidos pelo fogo, sem poder fazer nada. Os seus filhos estão traumatizados. “É muito triste o que está a acontecer connosco desde que isso se passou, nós tentamos pedir, imploramos, eu ofereci telefones, disse até que tirasse tudo o que estava no carro para que nos deixassem ir, mas eles não tiveram compaixão cosco, incluindo as crianças que eram volta de oito, eles não quiseram saber, foram bruto, foram animais, posso dizer, os sul-africanos não têm nada a ver com moçambicanos.”

Ayman Calu viajava com a família numa outra viatura de marca Nissan Patrol emprestado que terminou queimado, depois de uma longa perseguição com malfeitores e escapou aos disparos de armas de fogo.

“E quando viram que eu não estava a ceder, eles começaram a disparar para a minha viatura. Naquele momento de aflição, eu pude contar pelos ruídos do carro sete a oito balas. Eu estava atento à estrada e ao retrovisor e vi que ele tirou da cintura de dentro das calças mais um carregador e carregou a arma de novo e voltou a disparar por aí sete a oito balas, foi o que consegui contar e umas das balas atravessou a porta, foi a bala que provavelmente atingiu o pneu dianteiro do lado direito do meu carro”.

E aquelas famílias sentem a ausência do Governo moçambicano perante esta tragédia. “O nosso Governo deve dar a cara uma vez mais para nos proteger. Se isso fosse com os sul-africanos, o Governo sul-africano faria de tudo para que os seus cidadãos se sentissem confortáveis. Graças a Deus que não perdemos a vida, mas o nosso Governo deve proteger-nos e deve fazer perceber ao Governo sul-africano que deve ressarcir-nos.”

Ao todo, são seis carros imobilizados e cercados por malfeitores, mas dois conseguiram escapar e os quatros terminaram em chamas. Nestas famílias, ficaram marcas que talvez o tempo possa apagar.

A província da Zambézia, no Centro do país, tem mais de cinco mil quilómetros de estradas, dos quais 650 poderão ser afectados na presente época chuvosa. O plano de contingência prevê danos nas plataformas de estrada e destruição de aquedutos que poderão demandar emergência.

“Pelas nossas estimativas, estamos com um défice de 950 milhões de Meticais para utilização imediata. Neste momento, ainda não temos nenhum valor para intervenção”, avançou Ramiro Rudias, delegado da Administração Nacional de Estradas na Zambézia.

O entrevistado diz que as intempéries têm estado a causar danos incalculáveis no sector de estradas, destruindo plataformas, pontes e aquedutos.

“Há danos da época chuvosa 2021/2022, que a província ainda não conseguiu reparar. Estamos ainda a procurar recursos para resolver a situação. A seguir, vão surgindo novos danos na sequência das enxurradas subsequentes. Temos pelo menos 650 quilómetros afectados, carecendo de intervenção. São secções danificadas pelas chuvas”, precisou.

E porque a província sofre, ciclicamente, cortes nas plataformas de estradas, Ramiro Rudias garante que a ANE vai fazer aprovisionamento de pontes metálicas a partir do estaleiro central localizado na província de Sofala, de modo a permitir que não ocorra situação de intransitabilidade, permitindo, assim, o escoamento de produtos agrícolas para o bem da economia da Zambézia.

Seis pessoas, incluindo o condutor, morreram na madrugada deste domingo, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, em consequência de um acidente de viação.

O sinistro ocorreu por volta da 1 hora e trinta minutos da madrugada deste domingo. As vítimas são, na sua maioria, jovens que saíam de um convívio nas proximidades da estrada nacional número 1, quando foram surpreendidas por um carro ligeiro que seguia em direcção à baixa da cidade de Xai-Xai. A Polícia diz que o condutor seguia em alta velocidade, falhou uma ultrapassagem e, na tentativa de retornar à faixa de rodagem, chocou contra pessoas que estavam na berma.

Segundo o hospital provincial de Xai-Xai cinco pessoas morreram no local do acidente e a outra perdeu a vida no hospital, onde permanecem cinco internados, dois dos quais em estado crítico.

Os pacientes em estado crítico, de acordo com os médicos, poderão ser transferidos para o Hospital Central de Maputo.

O esquema foi despoletado pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional que deteve os quatro implicados, três dos quais foram restituídos à liberdade depois do pagamento de uma caução de 75 mil Meticais.

Segundo um comunicado enviado à nossa Redacção, pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional, os quatro implicados foram admitidos ao quadro do Serviço Nacional de Investigação Criminal com recurso a documentos falsos. A nota revela que são, no total, quatro indivíduos implicados.

“Destes, três foram detidos nos dias 17 e 18 de Janeiro de 2023 e submetidos ao Juiz de Instrução Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para o primeiro interrogatório judicial, que culminou com a validação da captura e aplicação da medida de coação de caução no valor de 75 mil Meticais para cada um, cumulada com a obrigação de apresentação à autoridade judiciária onde o processo estiver a correr seus termos”, refere o comunicado.

O Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional esclarece ainda que “Os quatro arguidos são indiciados pela prática do crime agravado de falsificação de documentos, previsto e punido nos termos da alínea a) do artigo 323 e do crime de uso de documento falso, previsto e punido nas disposições combinadas dos artigos 324 e 322, ambos do Código Penal, aprovado pela Lei n° 24/2019, de 24 de Dezembro, por terem ingressado no SERNIC com recurso a certificados de habilitações falsos”.

As autoridades revelam ainda que o processo continua em instrução, para que os agentes sejam responsabilizados pelos crimes de que são acusados. Caso sejam condenados em sede de julgamento, deverão cumprir penas que variam de 1 a 8 anos de prisão.

Há 70 autocarros avariados e parqueados na região do Grande Maputo e a situação afecta cerca de 49 mil pessoas.

Em média diária, um destes autocarros transporta 700 pessoas para os vários destinos da área metropolitana do Grande Maputo. A disponibilidade de transporte está a complicar-se cada vez mais com o registo de avarias, uns por acidentes de viação e outros por desgaste do próprio uso.

“Considerando o tempo de circulação desses autocarros em função da actividade, temos, sim, autocarros parados, alguns de difícil recuperação e outros possíveis de recuperação. Há situações em que gestores não cumprem com regularidade o plano de manutenção. Temos perto de 20 do primeiro lote, alguns daqueles que tiveram acidentes. Temos 17 das empresas municipais da Matola e Maputo e tantos outros”, disse Armando Mbembele, administrador técnico da Agência Metropolitana de Transporte de Maputo.

Mbembele diz que a instituição procura contornar a situação buscando soluções, uma das quais é a introdução de novos meios circulantes e, agora, pretende-se introduzir autocarros articulados cujo concurso internacional para a identificação do operador já foi lançado e espera-se a abertura de propostas a 16 de Fevereiro próximo.

“Há esperança de que este projecto ande, a avaliar pelo nível dos cadernos de encargos que foram levantados e o modelo que queremos adoptar, em que o proponente será ele a adquirir os meios e operar”, avançou Armando Mbembele.

A Agência Metropolitana de Transporte de Maputo reiterou que não foi abandonada a ideia do BRT e, segundo Armando Bembele, já há trabalhos em curso para pôr em prática esta solução do transporte público.

Cerca de um milhão de pessoas em Cabo Delgado, Nampula e Niassa ficarão sem assistência do Programa Mundial de Alimentação (PMA) em Fevereiro. O facto deve-se ao défice orçamental de mais de 100 milhões de dólares, segundo avançou, hoje, a directora nacional da instituição.

O Programa Mundial de Alimentação não tem condições para oferecer cesta básica (arroz, feijão, óleo e suplementos para crianças) a deslocados do terrorismo no próximo mês.

“Não temos fundos suficientes, por isso teremos que suspender a assistência humanitária no mês de Fevereiro, isto porque queremos dar assistência no mês de Março, que ainda é época de escassez e antes da colheita”, revelou Antonella Daprile, directora nacional do PAM.

O Programa Mundial de Alimentação está com um défice de 102.5 milhões de dólares no seu orçamento para continuar a apoiar um milhão pessoas, entre deslocados do terrorismo e comunidades acolhedoras, mas diz que continua a bater a portas de modo a reverter o cenário.

“Procuramos aumentar todos os esforços para trazer mais programas sustentáveis e mais vinculados ao desenvolvimento, sobretudo em temas como agricultura sustentável e adaptada às mudanças climáticas”, afirmou Antonella Daprile.

O PMA lamenta não poder apoiar as comunidades durante trinta dias, porém espera conseguir angariar fundos para dar continuidade aos apoios nos próximos seis meses.
“Estamos a fazer uma campanha de sensibilização com todas as comunidades, para que compreendam que a produção de Janeiro que está a terminar e deve servir para cobrir algumas necessidades em Fevereiro”, explicou a directora-geral, que aproveitou a ocasião para apelar aos parceiros para que continuem a dar a sua ajuda, pois mesmo a retoma do apoio em Março só será feita com o colaboração da USAID, entretanto “é preciso que seja um trabalho de engajamento de todos”.

A embaixadora dos Estados Unidos da América nas Nações Unidas, Linda Greenfield, que está de visita a Moçambique desde a última quarta-feira, esteve nos armazéns do PMA e ouviu de perto as preocupações, anotou-as e usou da oportunidade para felicitar as organizações que apoiam as comunidades necessitadas.

“É impressionante ver o que este financiamento faz a milhares de moçambicanos. Os moçambicanos têm sido afectados por conflitos, efeitos negativos das mudanças climáticas, COVID-19 e várias outras crises sanitárias, mas todas estas organizações trabalham directamente para o alívio das comunidades, dia após dia”, disse Linda Greenfield.

PMA, UNICEF, USAID e vários outros programas que recebem financiamento dos Estados Unidos da América têm assistido a uma redução do dinheiro disponibilizado para apoio às comunidades necessitadas, devido à crise económica mundial provocada pela COVID-19, bem como pela guerra russo-ucraniana.

Depois de ter falhado a promessa em Dezembro do ano passado, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo assegura que a infra-estrutura estará pronta até aos últimos dias de Fevereiro próximo.

As obras de requalificação da Praça da Juventude, localizada na Cidade de Maputo, iniciaram-se a 23 de Maio de 2022. Esperava-se que a cerimónia de entrega da infra-estrutura fosse a 23 de Dezembro do mesmo ano, mas tal não aconteceu.

Três meses antes do lançamento da primeira pedra pelo edil Eneas Comiche, mais de 100 comerciantes, que vendiam produtos diversos, foram retirados do espaço.

Depois de ter falhado a promessa em Dezembro do ano passado, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo garante que deste ano não passa.

“Queremos assegurar que no presente semestre teremos a nossa praça operacional entregue à nossa juventude”, disse Nércio Duvane, vereador para a área da Juventude no Conselho Municipal.

Quanto aos motivos do atraso na entrega da infra-estrutura a edilidade diz que “houve algumas componentes que ditaram, em algum momento, o não decurso normal dos trabalhos, infra-estruturas eléctricas e rede de água – que envolviam a interação com outros actores. Há necessidade, igualmente, da inclusão de algumas componentes que no início não estavam presentes”.

Os novos prazos apresentados pela edilidade prevêem que até ao fim de Fevereiro as obras estejam concluídas e sejam entregues aos munícipes.

“Em termos de horizonte temporal da conclusão das obras, é até finais de Fevereiro, e estamos a monitorizar os trabalhos”, assegurou o vereador.

Enquanto isso, os automobilistas reclamam que a vedação feita no local agrava o congestionamento típico das horas de ponta, bem como torna deficitário o estacionamento de viaturas.

Os autocarros da Transportadora Ideal, conhecidos por City Link voltam a circular. O Ministro dos Transportes afirma que foi feita a inspecção e aplicada multa à empresa e ao condutor do autocarro que ano passado foi flagrado a circular com problemas mecânicos graves.

Foram precisamente 46 dias de suspensão temporária da empresa Transportadora Ideal, que opera os autocarros de transporte interprovincial de passageiros conhecidos por City Link. Tudo começou quando no dia 15 de Dezembro foi interpelado um autocarro desta companhia na província de Manica, que fazia viagem com deficiências mecânicas graves.

No caso concreto, foi aplicada uma multa de 450 meticais à empresa e 5 mil meticais ao motorista que estava na direcção do autocarro em referência.

Mateus Magala aproveitou para anunciar que será lançada uma campanha para a regularização dos problemas dos autocarros que fazem o transporte de passageiros e, a seguir, o Ministério que dirige vai actuar com “mão dura” contra os irregulares.

 

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