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O País – A verdade como notícia

Cerca de 600 pessoas desfavorecidas tiveram, ontem, um almoço solidário oferecido pela comunidade Sant’Egidio em Maputo no contexto das celebrações do Natal.

O evangelho de Jesus Cristo, cujo nascimento se celebra no Natal, diz, na Bíblia Sagrada, que a fé sem obras é morta.

A Comunidade Sant’Egidio, na Cidade de Maputo, provou, com este almoço solidário aos desfavorecidos, que a sua fé está viva e com obras em curso.

São, ao todo, 600 beneficiários entre crianças, jovens, adultos e idosos. Fátima Manjate faz parte do grupo. “Foi muito animado [o almoço]. Estamos muito contentes. O padre fez-nos uma boa coisa. É muito bonito”, descreveu Fátima Manjate, beneficiária do almoço solidário.

Fátima, de 40 anos de idade e desempregada, depende de uma cadeira de rodas para se locomover. Disse que teria passado o Natal em branco, não tivesse sido o almoço oferecido pela Comunidade Sant’Egidio.

“Nada ia preparar porque estou desprovida. Sou cadeirante, vivo ‘desenrascando’ porque não trabalho. Se não tivesse sido o padre que nos convidou, estaríamos nas nossas casas [sem o que comer]”, contou Fátima Manjate.

Há quem recebeu o convite para se juntar ao almoço solidário a partir da rua onde vive. “No dia do Natal, as pessoas ficam em casa e ninguém vai à rua. As lojas estão fechadas. Todos estão a passar festas em casa. Então, se não fosse cá, não teria onde e o que comer. Vivo na rua e sem família”, narrou Pedro Mateus, morador de rua e beneficiário do almoço.

Pedro Mateus partilha as ruas da Cidade de Maputo como sua casa com este menor de 13 anos de idade, que nos conta como foi parar lá. “Eu fui viver na rua por conta dos maus-tratos por parte da minha madrasta que não gosta de mim. Quando o meu pai vai ao serviço, ela não me dá comida”, revelou Shelton, menor de 13 anos e beneficiário do almoço oferecido pela Sant’Egidio.

Desde que saiu de casa, Shelton faz a vida nas ruas e os dias de Natal não têm sido dos melhores. Mas, este ano, teve um sabor diferente. “Se estivesse em casa, certamente estaria mais limpo. Contudo, gostei do que comi, do que de melhor tinha para comer. O Natal foi bom”, considerou.

A Comunidade Sant’Egidio diz que realizou o almoço solidário alusivo ao Natal para dar alento aos desfavorecidos. “Nós pensamos com a Comunidade Sant’Egidio em fazer um almoço para todos aqueles que não têm família, que não são acolhidos porque eles são família de Deus, do menino Jesus e da igreja”, explicou Giorgio Ferretti, Padre da Sé Catedral de Maputo em representação da Comunidade Sant’Egidio

O almoço serviu, também, para transmitir valores como solidariedade e amor ao próximo.

“Celebrar o Natal na casa de Deus, na Catedral de Maputo, é também o sinal forte para mostrar que a igreja dos pobres e todos nós devemos fazer o nosso melhor para trazermos no mundo a compaixão e a misericórdia de Deus”, apelou o padre Giorgio Ferretti.

Do Polo Norte, o Pai Natal viajou até à Sé Catedral de Maputo para distribuir presentes aos desfavorecidos. Chinelos para continuarem a sua caminhada pelas ruas da Cidade de Maputo.

E, no fim, porque não há festa se bolo, houve bolo para todos os que estiveram presentes no almoço solidário.

Há viajantes que levaram mais de cinco horas para atravessar a fronteira da África do Sul para Moçambique, através de Ressano Garcia. A demora no atendimento deveu-se a enchentes do lado sul-africano.

No dia 24 de Dezembro, a nossa equipa de reportagem esteve na fronteira de Ressano Garcia para reportar o movimento migratório na presente quadra festiva.

Chegado ao local, quase não havia muitos passageiros, pelo menos do lado moçambicano, porque, da fronteira de Lebombo, na África do Sul, chegavam-se notícias de um autêntico calvário.

Os viajantes, na sua maioria mineiros, chegaram a levar mais de cinco horas para atravessar a fronteira da África do Sul para Moçambique, através de Ressano Garcia.

“Cheguei na madrugada de sábado, por volta das duas horas. Há 10 quilómetros antes da fronteira, ninguém mais atendia. Ficámos por lá, dormimos porque não havia movimento migratório, mas dizem que a fronteira funciona 24 horas. O que é isso?”, questionou Marcelino Cuamba, mineiro com destino à província de Inhambane.

De madrugada estiveram expostos ao frio e de dia ao sol escaldante, sem nenhuma explicação da morosidade no atendimento na fronteira de Lebombo, na África do Sul.

“Não dizem os porquês da demora. Apenas mandam parar e seguir carros. O motor do nosso carro até chegou a aquecer. Faz muito calor. Não sei se a ideia é nos fazerem comprar seus refrescos”, supôs António Abílio, trabalhador das minas sul-africanas, para justificar a demora.

A lentidão no fluxo migratório sul-africano fez-se sentir do lado moçambicano, sobretudo através de longas filas de carros.
De tanto tédio, houve quem saiu da viatura, percorreu mais de quatro quilómetros a pé até aos balcões e efectuar o movimento migratório. Chegado à Ressano Garcia, o atendimento aos viajantes fluía…pousar para a foto e o som do carimbo colocavam os mineiros mais próximos de casa. “Sinto-me feliz porque já estou no meu país. Vou descansar”, respirou de alívio António Abílio.

A fronteira de Ressano Garcia conseguiu responder à demanda, tanto que até resta um tempinho de descanso e conversa entre os funcionários.

Este é o reflexo do fluxo migratório no dia que se esperava que fosse de pico. “Nas últimas 24 horas (de 23 para 24 de Dezembro), a fronteira de Ressano Garcia registou um movimento migratório de entradas de cerca de 22 mil viajantes que saem da República da África do Sul para Moçambique, com objectivo de passar as festas, na sua maioria mineiros”, revelou o chefe de Posto de Ressano Garcia, Armando Mata.

Armando Mata assegura que a demora no atendimento na fronteira sul-africana não está a sobrecarregar Ressano Garcia. “Do lado de Moçambique, todas as forças estão posicionadas e preparadas para o atendimento público.

Lamentamos que do lado sul-africano o atendimento seja moroso, mas temos feito todo o esforço para podermos ter flexibilidade no atendimento”, garantiu Armando Mata.
Até às 14 horas de sábado, grande parte dos mineiros já tinham atravessado a fronteira de Lebombo, estão no solo pátrio, mas isto foi vencer uma batalha e não a guerra. Ainda devem pegar a estrada com destino às províncias de Gaza e Inhambane.

“Queria passar o Natal junto da família, mas estou na fronteira e não sei quando chegarei à casa, porque vou a Vilankulo. Mas vale a pena porque já estou no nosso país”, manifestou o desejo Inácio Vilanculos, mineiro na terra do rand.

A viagem ainda é longa, mas a ideia é mesmo passar o natal junto da família. Por este momento, faz-se até o improvável.
Os mineiros ficam quase todo o ano na África do Sul a trabalhar e a saudade pelos seus é inevitável, e trazer lembranças da terra do rand, também.

“Não posso detalhar o que comprei, mas, como trabalhador, há coisas que comprei porque não posso entrar de mãos abanadas. Fiz algo para que se veja que chegou o chefe de família”, adiantou Domingos Mateus, mineiro na África do Sul, sem dar muitos detalhes.

Bom, certamente é uma boa surpresa e os beneficiários vão gostar.
Diferente da África do Sul, em Moçambique, enquanto os mineiros aguardam pelos processos migratórios para seguir viagem, as autoridades oferecem água para molhar a garganta e alguma coisa para, diga-se, enganar o estômago.

Cristãos em Maputo reuniram-se, hoje, para a celebração da missa de Natal, dois anos após as restrições impostas pela COVID-19. Os crentes dizem que o momento deve ser usado para a partilha de mensagens de amor ao próximo, perdão e reconciliação.

É o primeiro Natal depois de dois anos confinados por conta da COVID-19.

Crianças, jovens, adultos e idosos, através da leitura da bíblia, cânticos e palavras que alimentam o espírito, estiveram reunidos em diferentes igrejas, para celebrar o nascimento daqueles que é tido pelos cristãos como o Filho de Deus.

“É um bebé, indefeso, é um menino pobre, filho de uma família a quem ninguém dá acolhimento. Nasce numa gruta, numa manjedoura, mas aquele menino pobre é o Salvador”, disse Giorgio Ferretti, pároco da Sé Catedral.

Segundo o pároco, a estória do nascimento de Jesus deve servir de consolo para aqueles que vivem na pobreza, que sofrem abandonados pela Família, se sintam com Deus ao seu lado, pois “Deus vê tudo, olha por nós, proteger-nos-á e virá neste mundo”, acrescentou.

A ocasião foi usada igualmente para partilha de mensagens de amor ao próximo, perdão e reconciliação.

Jorge Chacate, membro da Igreja Anglicana, diz que sai da missa com as forças renovadas e pronto para o chamamento do “Criador”.

“Que cada um de nós possa rever a sua conduta e procurar viver em comunhão em Cristo, olhando para a irmandade, como Ele nos ensinou.”

Já para Marcos Tovela, da Igreja Presbiteriana, Jesus não nasceu na riqueza, nem para ser rico. Por isso apela aos crentes para terem esperança de que um dia todos poderão passar as festas como desejam.

Para os crentes, o Natal deste ano tem um significado mais forte, pois Deus os livrou de dois anos de provação.

“Mais uma vez, Deus revela o seu amor para com o Homem, pois nos fez sobreviver da COVID-19, que é para continuarmos a louvar e saber quão poderoso Ele é”, disse Sara Ntimane.

Os cristãos apelam aos cidadãos do mundo e de Moçambique, em particular, para reflectirem sobre os valores da paz, tolerância e irmandade.

Uma pessoa morreu e outras 17 deram entrada no Hospital Central de Maputo, vítimas de acidente de viação entre os dias 24 e 25 de Dezembro.

Apesar destes números a maior unidade sanitária do país considera calma a passagem para o Natal, comparando com o ano passado.

Cinco pessoas deram entrada em alguns hospitais da Cidade de Maputo por causa da intoxicação alimentar, causada pela má conservação de alimentos. A vereadora de Saúde e Accão Social no Município de Maputo, Alice de Abreu, diz que em alguns casos a intoxicação alimentar pode causar a morte.

Nesta altura do ano, várias iguarias que não são comuns no dia-a-dia de muitos cidadãos são confecionadas e consumidas sem o devido cuidado. Para evitar problemas de saúde, entre os quais a intoxicação alimentar, a vereadora de Saúde e Accão Social no Município de Maputo chama atenção para a escolha de alimentos a comprar e a respectiva conservação.

O que também se deve evitar é a mistura inadequada de alimentos, para evitar intoxicação alimentar, que pode levar à morte.

Alice de Abreu apela ao cuidado na alimentação e no consumo de bebidas alcoólicas nesta quadra festiva para evitar situações que pressionem os hospitais.

A um dia para o Natal, as compras de última hora criaram enchentes em alguns estabelecimentos de venda de roupa e supermercados na Cidade de Maputo.

Todos os anos é assim: correria daqui para lá. Agitação de pessoas a venderem e a comprar produtos é o que se assistiu. Tudo porque o Natal está à porta e as famílias não querem que nada falte nas festas, sobretudo roupa.

Ainda na capital do país, alguns supermercados registram um movimentado também intenso, pois muitos citadinos correram para completar o que faltava em casa.

Depois de dois anos de restrições por conta da COVID-19, este Natal será celebrado sem contenção, pelo que as autoridades apelam à calma.

Várias pessoas viram-se impedidas de chegar aos seus destinos, na manhã de hoje, devido a um congestionamento de mais de dois quilómetros. A Rua do Jardim, que dá acesso aos bairros de Infulene, Patrice Lumumba e Machava, no Município da Matola, estava quase intransitável, entre as 07h30 às 11h00.

Retidas no engarrafamento, por mais de duas horas, algumas pessoas preferiram continuar a viagem a pé e debaixo do calor intenso que se fez sentir este sábado.

A Polícia fez-se ao local para regular o trânsito, mas mesmo assim a situação levou muito tempo para melhorar porque não se sabia o que causava o congestionamento.

O nosso jornal apurou junto da Polícia de Trânsito que o congestionamento foi provocado por um camião de transporte de carga, que ficou encalhado na ponte pedonal da Maquinac, tendo bloqueado as duas faixas da Estrada Nacional número 4.

Perante o problema, vários condutores optaram por usar a Estrada Nacional número 1 até o bairro Jardim, e desta para diferentes zonas da cidade da Matola.

Quatro horas depois, o trânsito normalizou-se, com a retirada do camião encalhado na Estrada Nacional número 4.

A Igreja Velha Apostólica em Moçambique já pode retomar as suas actividades, dois meses depois da suspensão, devido a desentendimentos entre os membros de direcção. Entretanto, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos alerta que em caso de actos de violência haverá responsabilização criminal.

Depois de mais de dois meses com as portas fechadas, por ordem do Governo, devido a episódios de violência entre crentes, a Igreja Velha Apostólica em Moçambique já pode retomar as suas actividades.

O levantamento da suspensão das actividades da Igreja Velha Apostólica foi anunciada esta sexta-feira, pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, através de um comunicado comunicado no qual diz que “por se ter notado evolução na busca de pacificação no seio da Igreja e havendo necessidade de criar condições para que os crentes possam passar condignamente as festas do Natal e do Fim do Ano, o Governo, através Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, decide pelo levantamento a suspensão das actividades religiosas da Igreja Velha Apostólica a nível nacional’.

Apesar da autorização para se abrir as portas, o Governo deixa um aviso: “Todos aqueles que praticarem actos de violência ou incitarem a sua prática, comprometendo a ordem e tranquilidade dos crentes, bem como das comunidades circunvizinhas das diferentes paróquias, serão criminalmente responsabilizados nos termos da lei”.

As actividades da congregação foram interrompidas no dia 19 de Outubro passado.

Para o levantamento da suspensão, houve encontros entre o Governo e a liderança máxima da Igreja Velha Apostólica na África do Sul e Médio Oriente.

A Renamo afirma que a falta de pagamento de pensões é que está a dificultar o conclusão do processo de DDR. Este posicionamento do partido contraria o que o Presidente da República explicou há poucos dias.

Falhou, na segunda-feira, o encerramento da última base da Renamo no contexto de DDR e o Presidente da República garantiu que o entrave não eram as pensões.

E a Renamo apresentou, no programa Noite Informativa da STV Notícias desta quinta-feira, a sua versão dos factos.

“Dos mais de quatro mil que já foram desmobilizados, nenhum deles já recebeu pensão. Não haverá paz enquanto aqueles combatentes que já desmobilizaram não têm dinheiro para comprar medicamentos, para mandar seus filhos à escola e, muito menos para alugar a casa. Como é que nós vamos avançar com a desmobilização da última base?”, questionou André Magibire, membro da Renamo.

A base de Vanduze, em Sofala, é, também, tida como o Estado-maior General da Renamo e a desativação está mesmo condicionada à criação de condições.

“Se na próxima semana as condições foram criadas ou amanhã, aqueles vão ser desmobilizados. As conversações estão em curso, tanto é que conseguimos o ponto de que a fixação de pensões é um facto”, revelou André Magibire.

Magibire reagiu, igualmente, às declarações de Mirko Manzoni, segundo as quais, nem todas as armas podem estar a ser entregues nesse processo.

“Mirko Manzoni é responsável ou guardou armas da Renamo para saber quantas é que existiam e quantas já saíram? Ele fez isso? Não é ele quem controlava as armas da Renamo. Nós estamos a ser honestos neste processo. Nós estamos a entregar todas as armas. Não precisamos de esconder algo. Se Mirko Manzoni tem esta desconfiança, eu me ofereço a acompanhá-lo para nos mostrar onde estão as outras armas. Ele deve saber melhor”, rematou.

E mais: a Renamo diz que o Enviado Pessoal de António Guterres para Moçambique fixou 19 de Dezembro como o dia do encerramento da última base, sem o conhecimento do partido.

Para prestar mais esclarecimento aos guerrilheiros da Renamo sobre o processo de DDR, Ossufo Momade deslocou-se à província de Sofala.

Na sequência, circularam informações segundo as quais o líder da perdiz foi encurralado pelos seus generais, o que para o partido é tudo mentira.

“Essa notícia é falsa porque o presidente do nosso partido, desde à chegada aquele ponto da província de Sofala, goza de protecção, simpatia e fidelidade dos generais e de todos os combatentes ali aquartelados. Queremos deixar bem claro que jamais houve rebelião na Gorongosa desde que o presidente Ossufo Momade assumiu a liderança do partido”, desmentiu Clementina Bomba, secretária-geral da Renamo.

Clementina Bomba não poupou os elogios para sustentar a sua posição: “ele é muito querido no seio da Renamo e todas as falsidades envolvendo seu nome são criação de gente de má-fé, ambiciosa, sem projecto político, buscando projecção e sobrevivência, através da Renamo e seu presidente”.

Sobre o porquê de não ser o próprio líder a Renamo a conceder a conferência de imprensa, a secretária-geral do partido foi categórica.

“O presidente encontra-se no Quartel-general na base em Gorongosa. Ele goza de boa saúde. Gorongosa está em festa e os senhores jornalistas terão a oportunidade de ver o nosso presidente. Essas mentiras que são propaladas, não passam mesmo de mentiras”, sublinhou.

De acordo com a Renamo, a falsa informação de que o líder da Renamo está sob custódia de guerrilheiros que não querem ser desmobilizados foi propagada por Vitano Singamo, antigo membro daquela formação política.

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