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O País – A verdade como notícia

Liberdade, um dos bairros frequentemente afectados por inundações, na Província de Maputo, vai beneficiar-se da construção de mais uma vala de drenagem. As obras estão orçadas em 19 milhões de Meticais e terão duração de quatro meses.

Centenas de casas no bairro Liberdade, na Província de Maputo, foram abandonadas devido a inundações.

“No dia 5 de Fevereiro do ano 2000, nas cheias de 2000, foi quando saí desta casa”, contou Angélica Fumo.

Liberdade é um dos bairros com sérios problemas de escoamento de águas pluviais. Com o lançamento, esta terça-feira, da primeira pedra para a construção de 1,5 quilómetros de vala de drenagem, renasce a esperança entre os moradores.

“Veremos, veremos, diz-se que a esperança é a última a morrer. Assim que a vala de drenagem estiver concluída, volto a ocupar a minha casa”.

Amélia Simeão, também residente do bairro, disse ter esperança de dias melhores, pois já sofrem há muito tempo.

“Passamos muito mal aqui, andamos mal. As nossas casas e ruas estão cheias de água. Espero mesmo que a vala venha mudar o bairro.”

O edil da Matola, Calisto Cossa, explica que são, ao todo, 25 quilómetros de vala de drenagem que a edilidade pretende construir, mas o trabalho será faseado. O objectivo é minimizar o impacto das inundações.

“Está a chover em todo o lado. As águas estão a provocar danos, mas é também nossa obrigação, junto com os munícipes, ir procurando respostas. É um esforço enorme que estamos a fazer. Temos que continuar a mobilizar recursos, são recursos escassos. É nosso desejo que todos esses bairros que têm problemas de inundações tenham condições para escoar as águas das chuvas”.

A máquina escavadora já começou a actuar, e o presidente do Município da Matola avisa que, se necessário, as casas construídas em locais de curso natural das águas pluviais serão demolidas.

Mais uma viatura moçambicana foi destruída, ontem, à tarde na África do Sul. A situação acontece depois da Ministra dos Negócios Estrangeiros ter garantido que tais episódios não voltariam a acontecer.

Na manhã de ontem, Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, garantiu à imprensa que já havia sido montado um dispositivo de segurança para impedir a vandalização de viaturas de moçambicanos na África do Sul. Entretanto, no período da tarde, a  destruição de mais uma viatura veio contrariar as palavras da governante. O vídeo enviado por transportadores que testemunharam o sucedido, mostra a viatura a ser consumida pelas chamas. Entretanto, não há relato de vítimas mortais.

A autenticidade do vídeo foi também confirmada pela Associação de Transportadores Rodoviários Internacionais da Baixa, que voltou a mostrar preocupação com o fenómeno.

“A situação não está boa. Ontem, depois de termos estado reunidos com o Director Nacional de Transportes e Segurança, no ministério dos Transportes e Comunicações, recebemos mais esta informação da destruição de mais uma viatura de um colega de Inhambane. Fizeram isso num sítio onde nós pensávamos que era seguro e alternativo àquela via problemática. Isso quer dizer que eles (os malfeitores) aperceberam-se que estávamos a fazer aquele desvio e foram lá para destruir mais uma viatura”, lamentou Frederico Lopes, presidente da associação.

Face ao aumento de casos, os transportadores pretendem mudar a rota a usar de Moçambique para Durban. “Tenho estado a falar com os colegas que estão na África do Sul para concertarmos como iremos proceder nessa situação. Estamos a pensar em usar uma outra rota. Isto é, abandonar a da Ponta de Ouro e passarmos a usar a que usávamos há 30 anos, a que passa do reino de e-Swatini. Mas não temos como tomar essa decisão sem articular com os colegas que estão do outro lado. Ademais, mesmo depois dessa decisão, ela deve ser chancelada pelo Ministério dos Transportes e Comunicações”, explicou.

Mesmo assim, os transportadores vivem com medo. “Não sabemos onde isso vai parar. Mesmo com essa mudança não sabemos se eles irão mudar de abordagem e seguir-nos noutros caminhos. Temos medo que a situação possa se alastrar”

Segundo a associação, apenas viaturas com matrículas sul-africanas é que são permitidas no percurso, sendo por isso, que apenas uma seguiu, esta terça-feira, viagem para Durban.

Tiveram que passar seis dias para o Executivo moçambicano reagir às vandalizações de viaturas de moçambicanos na África do Sul. E não foi por iniciativa própria. A imprensa teve que confrontar, hoje, Verónica Macamo durante um evento na Presidência da República. Na ocasião, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação disse que ainda não sabe explicar o fenómeno, mas já pediu explicações ao Governo sul-africano.

O primeiro caso de queima de viaturas oriundas de Moçambique na África do Sul registou-se no passado dia 24 de Janeiro, e as vítimas foram os passageiros de um autocarro que ficou consumido pelas chamas. De lá para cá, o “O País” contactou, por várias vezes, o Gabinete de Comunicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, mas a resposta foi de que tínhamos que contactar o consulado moçambicano naquele país vizinho.

Nesta segunda-feira, isto é, seis dias depois do primeiro episódio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação reagiu, não por iniciativa própria, mas pela pressão da imprensa.

“Estamos a trabalhar com a África do Sul. Faz parte das nossas responsabilidades evitar que os moçambicanos sejam assaltados e seus bens danificados ou furtados. A embaixada está também a trabalhar, para dizer que estamos preocupados”, introduziu Verônica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, tendo, em seguida, garantido, para breve, um esclarecimento cabal sobre o assunto e assegurado que novos episódios não vão acontecer.

“Eximos ao Governo sul-africano respostas sobre quando esses fenómenos vão terminar. Não podemos ainda dizer se é um caso de xenofobia ou não, é prematuro. Haverá uma resposta formal, achamos essa via mais adequada. Queremos que estes episódios sejam esclarecidos o mais breve possível, mas estamos um pouco tranquilos, porque temos a segurança de que medidas estão a ser tomadas para que aqueles episódios não voltem a acontecer”, concluiu a governante.

O que se sabe é que, desde o início do fenómeno, foram destruídas seis viaturas, mas o que não se sabe é quem se vai responsabilizar pelos danos causados.

Os operadores de transporte internacional de passageiros, da rota Maputo–África do Sul, prometem retaliar à queima das suas viaturas por desconhecidos naquele país, caso o Governo não tome medidas.

É perante a insegurança que se instalou no sector dos transportes, na rota Maputo–África do Sul, particularmente no corredor de Durban, que a Associação dos Transportes Internacionais diz que é preciso que o Governo tome decisões concretas, porque pode haver consequências indesejadas.

“Temos desvantagens no transporte porque as pessoas já sabem que o carro sul-africano não tem problema e passa à vontade, vão optar por aquele carro e nós vamos ter que parar. O Governo tem que tomar alguma decisão sobre isso para evitar a retaliação porque, se isto acontecer de facto, nós teremos que tomar medidas de retaliação”, avisou Frederico Ambrósio, presidente da Associação do Transporte Internacional.

Perante a situação, o Ministério dos Transportes e Comunicações desaconselha a retaliação e garante que já está em conversações com a contraparte sul-africana para a tomada de medidas.

“É preciso manter a calma, não se pode pensar em enveredar pela retaliação e criarmos escaramuças deste lado. Para garantir a segurança nas estradas, há contactos directos que estão a ser feitos com a África do Sul e estamos a manter grupos de trabalho”, apelou o director nacional dos Transportes e Segurança no Ministério dos Transportes e Comunicações.

Desde o início, os malfeitores incendiaram um autocarro de uma transportadora moçambicana na África do Sul e, no último fim-de-semana, vandalizaram um minibus.

O jornal “O País” ouviu histórias de moçambicanos que sobreviveram a ataques e queima de suas viaturas na África do Sul. As vítimas contam o momento de terror que passaram, já que os malfeitores estavam armados e disseram que aquela era a mensagem para o Governo, sem especificá-lo.

O casal Mamad David e Suneia Habibo e os seus três filhos viajavam numa viatura de marca Toyota Prado, no dia 28 de Janeiro, de regresso a Moçambique, depois de terem estado na cidade sul-africana de Durban a trabalhar e a passar férias. No percurso, foram seguidos por malfeitores que se faziam transportar em duas viaturas empunhando armas de fogo.

“Da minha parte, o que sucedeu é uma perseguição de 20 quilómetros antes da vila de Sodwana e fui andando e alertei à minha esposa que este carro sem matrícula de repente entrou na estrada e está a seguir-me, mas não levei aquilo a sério, fui andando e, de repente, o carro ultrapassa-nos em boa velocidade, achei que fosse minha intuição errada”, contou Mamad David.

Mamad achava que a intuição errada transformou-se num autêntico terror. O seu carro foi queimado por malfeitores em número de 12, todos eles armados. “Logo de seguida, tiraram-me do carro, fizeram-me desligar o carro e puseram gasolina e incendiaram todo o carro. Eles não tiveram nenhuma compaixão, o objectivo deles era queimar os carros. Até ao último caso, eu a pedir para que não fizesse aquilo, foi quando ele me empurrou e mostrou-me uma arma de fogo e foi quando incendiou a viatura, pôs directamente a gasolina, incendiou e esperaram uns cinco minutos até não poder aproveitar nada.”

E os homens armados deixaram uma mensagem: “Este é um problema do Governo. Não é nada convosco. Problema do Governo”, sem especific­á-lo.

Foi um momento de pânico e muita dor. Suneia esposa de Mamad David viu todos pertences da família adquiridos na terra do rand a serem consumidos pelo fogo, sem poder fazer nada. Os seus filhos estão traumatizados. “É muito triste o que está a acontecer connosco desde que isso se passou, nós tentamos pedir, imploramos, eu ofereci telefones, disse até que tirasse tudo o que estava no carro para que nos deixassem ir, mas eles não tiveram compaixão cosco, incluindo as crianças que eram volta de oito, eles não quiseram saber, foram bruto, foram animais, posso dizer, os sul-africanos não têm nada a ver com moçambicanos.”

Ayman Calu viajava com a família numa outra viatura de marca Nissan Patrol emprestado que terminou queimado, depois de uma longa perseguição com malfeitores e escapou aos disparos de armas de fogo.

“E quando viram que eu não estava a ceder, eles começaram a disparar para a minha viatura. Naquele momento de aflição, eu pude contar pelos ruídos do carro sete a oito balas. Eu estava atento à estrada e ao retrovisor e vi que ele tirou da cintura de dentro das calças mais um carregador e carregou a arma de novo e voltou a disparar por aí sete a oito balas, foi o que consegui contar e umas das balas atravessou a porta, foi a bala que provavelmente atingiu o pneu dianteiro do lado direito do meu carro”.

E aquelas famílias sentem a ausência do Governo moçambicano perante esta tragédia. “O nosso Governo deve dar a cara uma vez mais para nos proteger. Se isso fosse com os sul-africanos, o Governo sul-africano faria de tudo para que os seus cidadãos se sentissem confortáveis. Graças a Deus que não perdemos a vida, mas o nosso Governo deve proteger-nos e deve fazer perceber ao Governo sul-africano que deve ressarcir-nos.”

Ao todo, são seis carros imobilizados e cercados por malfeitores, mas dois conseguiram escapar e os quatros terminaram em chamas. Nestas famílias, ficaram marcas que talvez o tempo possa apagar.

A província da Zambézia, no Centro do país, tem mais de cinco mil quilómetros de estradas, dos quais 650 poderão ser afectados na presente época chuvosa. O plano de contingência prevê danos nas plataformas de estrada e destruição de aquedutos que poderão demandar emergência.

“Pelas nossas estimativas, estamos com um défice de 950 milhões de Meticais para utilização imediata. Neste momento, ainda não temos nenhum valor para intervenção”, avançou Ramiro Rudias, delegado da Administração Nacional de Estradas na Zambézia.

O entrevistado diz que as intempéries têm estado a causar danos incalculáveis no sector de estradas, destruindo plataformas, pontes e aquedutos.

“Há danos da época chuvosa 2021/2022, que a província ainda não conseguiu reparar. Estamos ainda a procurar recursos para resolver a situação. A seguir, vão surgindo novos danos na sequência das enxurradas subsequentes. Temos pelo menos 650 quilómetros afectados, carecendo de intervenção. São secções danificadas pelas chuvas”, precisou.

E porque a província sofre, ciclicamente, cortes nas plataformas de estradas, Ramiro Rudias garante que a ANE vai fazer aprovisionamento de pontes metálicas a partir do estaleiro central localizado na província de Sofala, de modo a permitir que não ocorra situação de intransitabilidade, permitindo, assim, o escoamento de produtos agrícolas para o bem da economia da Zambézia.

Seis pessoas, incluindo o condutor, morreram na madrugada deste domingo, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, em consequência de um acidente de viação.

O sinistro ocorreu por volta da 1 hora e trinta minutos da madrugada deste domingo. As vítimas são, na sua maioria, jovens que saíam de um convívio nas proximidades da estrada nacional número 1, quando foram surpreendidas por um carro ligeiro que seguia em direcção à baixa da cidade de Xai-Xai. A Polícia diz que o condutor seguia em alta velocidade, falhou uma ultrapassagem e, na tentativa de retornar à faixa de rodagem, chocou contra pessoas que estavam na berma.

Segundo o hospital provincial de Xai-Xai cinco pessoas morreram no local do acidente e a outra perdeu a vida no hospital, onde permanecem cinco internados, dois dos quais em estado crítico.

Os pacientes em estado crítico, de acordo com os médicos, poderão ser transferidos para o Hospital Central de Maputo.

O esquema foi despoletado pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional que deteve os quatro implicados, três dos quais foram restituídos à liberdade depois do pagamento de uma caução de 75 mil Meticais.

Segundo um comunicado enviado à nossa Redacção, pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional, os quatro implicados foram admitidos ao quadro do Serviço Nacional de Investigação Criminal com recurso a documentos falsos. A nota revela que são, no total, quatro indivíduos implicados.

“Destes, três foram detidos nos dias 17 e 18 de Janeiro de 2023 e submetidos ao Juiz de Instrução Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para o primeiro interrogatório judicial, que culminou com a validação da captura e aplicação da medida de coação de caução no valor de 75 mil Meticais para cada um, cumulada com a obrigação de apresentação à autoridade judiciária onde o processo estiver a correr seus termos”, refere o comunicado.

O Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional esclarece ainda que “Os quatro arguidos são indiciados pela prática do crime agravado de falsificação de documentos, previsto e punido nos termos da alínea a) do artigo 323 e do crime de uso de documento falso, previsto e punido nas disposições combinadas dos artigos 324 e 322, ambos do Código Penal, aprovado pela Lei n° 24/2019, de 24 de Dezembro, por terem ingressado no SERNIC com recurso a certificados de habilitações falsos”.

As autoridades revelam ainda que o processo continua em instrução, para que os agentes sejam responsabilizados pelos crimes de que são acusados. Caso sejam condenados em sede de julgamento, deverão cumprir penas que variam de 1 a 8 anos de prisão.

Há 70 autocarros avariados e parqueados na região do Grande Maputo e a situação afecta cerca de 49 mil pessoas.

Em média diária, um destes autocarros transporta 700 pessoas para os vários destinos da área metropolitana do Grande Maputo. A disponibilidade de transporte está a complicar-se cada vez mais com o registo de avarias, uns por acidentes de viação e outros por desgaste do próprio uso.

“Considerando o tempo de circulação desses autocarros em função da actividade, temos, sim, autocarros parados, alguns de difícil recuperação e outros possíveis de recuperação. Há situações em que gestores não cumprem com regularidade o plano de manutenção. Temos perto de 20 do primeiro lote, alguns daqueles que tiveram acidentes. Temos 17 das empresas municipais da Matola e Maputo e tantos outros”, disse Armando Mbembele, administrador técnico da Agência Metropolitana de Transporte de Maputo.

Mbembele diz que a instituição procura contornar a situação buscando soluções, uma das quais é a introdução de novos meios circulantes e, agora, pretende-se introduzir autocarros articulados cujo concurso internacional para a identificação do operador já foi lançado e espera-se a abertura de propostas a 16 de Fevereiro próximo.

“Há esperança de que este projecto ande, a avaliar pelo nível dos cadernos de encargos que foram levantados e o modelo que queremos adoptar, em que o proponente será ele a adquirir os meios e operar”, avançou Armando Mbembele.

A Agência Metropolitana de Transporte de Maputo reiterou que não foi abandonada a ideia do BRT e, segundo Armando Bembele, já há trabalhos em curso para pôr em prática esta solução do transporte público.

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