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O País – A verdade como notícia

Aumentou o número de casas abandonadas devido a inundações no bairro Hulene, na Cidade de Maputo. Actualmente, há cerca de 500 famílias que abandonaram as suas residências, contra 160 registadas há duas semanas.

Já se passa quase um mês em que muitas casas do bairro Hulene, na Cidade de Maputo, estão fechadas e abandonadas. O silêncio nalgumas ruas revela o vazio que o bairro vai ganhando por conta das águas.

Algumas famílias que tiveram a coragem de regressar às suas casas são obrigadas a fazer um pouco de tudo em meio à água.

É o caso da dona Florência, residente no bairro Hulene “B” há mais de 30 anos. Para a mãe de sete filhos, as dificuldades que encontrou no centro de acolhimento obrigaram ao regresso da sua família para a sua própria residência, cujo quintal está todo inundado.

“Vivemos em meio às águas; eu e os meus filhos tentamos improvisar algumas caixas a partir do portão até a entrada da varanda, mesmo assim só conseguimos minimizar”, disse Florência.

O mesmo cenário verifica-se na casa de Miguel Ricardo, onde, além de estar inundada, as águas negras tomaram o seu único quarto. “Estamos a pedir socorro a quem de direito, já não aguentamos viver nestas condições, todas as águas negras da lixeira de Hulene entram nas nossas casas.”

No bairro Hulene, há águas negras que causam um cheiro nauseabundo, devido à sua mistura com resíduos sólidos.

O problema aumenta a cada dia que passa. Por isso, segundo o secretário do bairro, Alfredo Ernesto, há ainda mais famílias a abandonarem as suas residências.

“Estamos a falar de mais de 500 famílias que já abandonaram as suas residências. Por isso, acabamos por criar dois centros de acolhimento para acomodar as pessoas nas proximidades das suas casas e poder controlar os bens que ainda estão lá”, disse Alfredo Ernesto, secretário do bairro.

No bairro Hulene “B”, há dois centros de reassentamento que acolhem mais de 400 pessoas. A Escola Comunitária 10 de Outubro é um deles e, nos corredores, ouvem-se lamentações de quem deixou tudo para trás.

Quase todos os dias chegam mais pessoas, apesar de a vida nos centros de acolhimento tender a ficar mais desafiadora.

Os dados foram avançados no decurso da reunião do Centro Operativo de Emergência (COE) da província da Zambézia, orientada pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago. Além dos óbitos, há registo provisório de pelo menos 14 feridos e quatro mil famílias afectadas, o correspondente a mais de 22 mil pessoas. Os dados são referentes às pessoas que estão exclusivamente nos centros de Quelimane, Nicoadala, Namacurra e Mocuba.

A província da Zambézia vive uma situação de crise humanitária, por conta da passagem do ciclone tropical Freddy, que, além de matar, deixou rastos de destruição sem precedentes. São milhares de pessoas que perderam as suas habitações e, neste momento, não têm onde morar, nem alimentação, muito menos assistência medicamentosa.

Se os dados de balanço provisório avançados pelo COE provincial são referentes apenas aos centros de acomodação de alguns distritos, só em Quelimane há registo de pelo menos 300 mil pessoas que vivem o drama. Daquele número, mais de 50 mil estão nos centros de acomodação activados em diversas escolas.

Na Escola Primária de Sangariveira, foi activado o centro de acomodação, com pouco mais de duas mil pessoas. No referido centro, há pelo menos 264 pessoas em cada uma das oito salas de aula. Dormem em condições desumanas, porque faltam esteiras, cobertores e outros utensílios. As famílias relatam situação de fome naquele centro. Homens, mulheres e crianças estão entregues à sua sorte.

Em Sangariveira, um dos chefes de uma das salas que  acolhe as famílias denunciou a falta de água. Alberto Elizeu disse que as famílias bebem água da chuva sem ter sido tratada: “Estamos a passar por uma situação difícil aqui. Estamos sem água e é por isso que bebemos assim”, precisou.

A questão de saneamento é outro dilema e, se não forem tomadas medidas urgentes, fica iminente a eclosão de doenças como as de origem hídrica.

Depois da reunião do COE provincial, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fez saber que os centros de acomodação podem provocar uma situação de doenças respiratórias, dado a demanda a que os centros estão sujeitos. Contudo, Tiago anunciou a chegada de um total de nove médicos da Província de Maputo e da cidade da Beira. “São cirurgiões gerais e ortopedistas, uma vez que predomina o trauma, então nós vamos ter estes médicos a apoiar o Hospital Central de Quelimane”, avançou Armindo Tiago.

 

EN1 INTERROMPIDA NA ZAMBÉZIA 

Está interdito o trânsito rodoviário a partir do distrito de Namacurra para o resto da zona norte da província da Zambézia e vice-versa. Sucede que, por conta da chuva, o rio Namacurra transbordou. “São aproximadamente 500 metros de troço inundado, incluindo os desvios construídos no âmbito de trabalho de estradas em curso. Interditámos para evitar situações de desastres e danos humanos”, disse  Ramino Rubia, delegado provincial da Administração Nacional de Estradas da Zambézia.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicou o estudo “Jornada ao Extremismo em África: Caminhos para Recrutamento e Retirada”, apontando pressões económicas, a pobreza e o desemprego como factores centrais para o tipo de violência. No estudo, a África Subsaariana, particularmente Moçambique, é identificada como o epicentro global da violência e do extremismo.

Em conversa com a ONU News, de Nova Iorque, a vice-directora do PNUD para África, Noura Hamladji, disse que a prática de actos terroristas ganha espaço em jovens. Acompanha o quadro económico-social de 46 países do continente. A publicação liga esta realidade ao reflexo da pobreza em várias frentes, associada à falta de oportunidades de emprego, bem como aos papéis e às expectativas de género.

“Primeiro, temos entrevistados que estão a dizer que o factor principal para se juntarem os grupos extremistas é económico. É uma esperança de uma vida melhor. É uma esperança de um emprego. Não é um factor religioso, mas um factor económico que é a razão principal para que esses jovens se juntem aos grupos extremistas. São 58% dos recrutados que citam que não há confiança no Estado. Não há confiança nas autoridades nacionais. Querem todos uma vida melhor e um emprego, mas não há confiança no Estado para dar essa perspectiva positiva para o futuro. É mesmo uma quebra do contrato social”, disse Noura Hamladji.

De acordo com o estudo “Jornada ao Extremismo em África: Caminhos para Recrutamento e Retirada”, os jovens colocaram em segundo plano a influência de factores como religião e género. A especialista disse que o raio de acção dos terroristas cresce de forma robusta.

 

TERRORISTAS COMPETEM COM O ESTADO EM MOÇAMBIQUE

“Em terceiro lugar, mostramos também que esses grupos, as zonas que controlam não estão mesmo a dar serviço do Estado. Estão a competir com o Estado: a dar serviço de educação, mas também o de segurança. Com terror, mas segurança. E o serviço de justiça. Então, são mesmo o que chamamos os protoestados nessas zonas que controlam. É uma situação preocupante”, lê-se no comunicado do PNUD.

Apesar da redução de mortes por terrorismo em todo o mundo, os últimos cinco anos marcaram o aumento para o dobro dos ataques nesta região.

A publicação indica que metade das mortes devido a acções terroristas ocorreu na África Subsaariana. Mais de um terço foram registradas em quatro países: Somália, Burquina Fasso, Níger e Mali.

Moçambique é um dos novos pontos de extremismo violento, que também se espalhou para outras partes do continente. Os ataques arrasam vidas, meios de subsistência, perspectivas de paz e desenvolvimento, destaca o PNUD.

 

ATENÇÃO INTERNACIONAL ÀS MUDANÇAS DRAMÁTICAS DOS TERRORISTAS

O documento menciona ainda que as comunidades locais têm habilidade para se recuperar da violência em todo o continente. Elas envolveram-se na prevenção e em práticas inovadoras de construção da paz.

O problema é a fraca atenção internacional ao quadro de incerteza causado pelas mudanças dramáticas na actividade extremista no Oriente Médio e na África do leste, do norte e na região subsaariana. O desafio piora em meio à crescente crise climática, ao autoritarismo, à pandemia e à guerra na Ucrânia.

Com poucos sinais de redução do extremismo violento, o PNUD defende que é preciso apostar em novas ideias sobre as abordagens e os mecanismos internacionais de financiamento do contraterrorismo.

A pesquisa considera relevante ter maior atenção aos factores económicos como impulsionadores do recrutamento de jovens.

 

FALTA DE EMPREGO COMO PRINCIPAL RAZÃO

Um quarto dos participantes no estudo apontaram a falta de emprego como principal razão para ingressar nesses grupos. A maioria era do sexo masculino.

Há cinco anos, cerca de 40% inclinavam-se a culpar as “ideias religiosas de determinado grupo” como a principal razão para se voluntariar ao recrutamento. Menos da metade identificou a religião como um factor-chave.

Os baixos níveis de uso da internet estão relacionados ao recrutamento voluntário de jovens ao terrorismo. Os envolvidos que disseram nunca ter usado ou tido acesso à rede aderiram mais rapidamente a esses grupos do que os outros.

Meios de comunicação tradicional como o rádio foram citados como a principal fonte de informação para este grupo de jovens, depois da palavra passada oralmente.

 

CUSTOS DE PRODUTOS BÁSICOS E ENERGIA

A pesquisa recomenda que se invista nas capacidades dos jovens e em estimular aptidões de liderança. Uma das sugestões é criar oportunidades de monitoria e dar apoio financeiro a organizações juvenis com foco no empoderamento de mulheres mais novas.

Os impactos crescentes das mudanças climáticas, da pandemia e do aumento dos custos de produtos básicos e energia estão entre as maiores dificuldades. Grande parte da África Subsaariana enfrenta pobreza e desigualdade em vários sectores agravados pelos já conhecidos desafios económicos e políticos.

Com a mudança climática impulsionando as ameaças, o PNUD pede uma análise mais profunda das dinâmicas e de como aprofundar factores que ajudem a dar uma resposta mais eficaz ao problema para mitigar as causas do extremismo violento.

Perto de 116 mil pensionistas do Sistema de Segurança Social, gerido pelo do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), entre os de velhice, sobrevivência e invalidez, serão abrangidos, a nível nacional, pela Prova Anual de Vida (PAV), um procedimento administrativo que consiste na verificação física da existência do titular da pensão.

Para o efeito, teve lugar na manhã desta segunda-feira, 13 de Março, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, a cerimónia central do lançamento da PAV, que decorrerá, de forma presencial, ao nível dos serviços do INSS, nomeadamente nas delegações provinciais e distritais e nos postos de atendimento.

O acto foi dirigido pelo vice-ministro do Trabalho e Segurança Social, Rolinho Manuel Farnela, e contou com a presença da governadora de Gaza, Margarida Mapanzene Chongo, do presidente do Município de Xai-Xai, Emídio Xavier, de quadros do sector de Administração e Trabalho em Gaza, pensionistas, entre outros participantes.

O vice-ministro do Trabalho e Segurança Social destacou, intervindo na ocasião, a importância de os pensionistas aderirem em massa ao processo, como forma de evitar a interrupção das pensões.

O governante disse que a PAV é um exercício que permite actualizar, periodicamente, o cadastro dos pensionistas e tem um sentido extremamente importante. “Assim, a PAV não é um mero exercício de contacto com os pensionistas. É um acto de aproximação constante entre o INSS e os pensionistas que, ao longo do exercício da sua actividade profissional, contribuíram para o sistema para que hoje, tanto eles assim como os seus familiares, tenham o direito à pensão”, frisou.

Por seu turno, a governadora de Gaza, Margarida Mapanzene Chongo, apelou a todos os pensionistas para afluírem aos serviços do INSS ao nível da cidade de Xai-Xai e nos distritos para realizarem a PAV, como forma de garantir o pagamento das suas pensões. Na província de Gaza, serão abrangidos pelo processo 4401 pensionistas, dos quais 1252 são por velhice, 44 por invalidez e 3105 de sobrevivência.

Naquele ponto do sul do país, que acolheu a cerimónia central do lançamento da PAV deste ano, o Sistema de Segurança Social cobre, em termos acumulados até Dezembro do ano passado, 6372 contribuintes, 109 696 beneficiários e 4117 trabalhadores por conta própria (TCP).

O representante dos pensionistas, Eusébio Vembane, enalteceu o INSS pelo esforço que tem empreendido para garantir a protecção social dos trabalhadores, tendo destacado os vários apoios que a instituição tem concedido aos pensionistas e às suas famílias, no âmbito do Programa de Acção Sanitária e Social.

A PAV, que desde o ano de 2018 decorre de forma biométrica, compreende a captação da imagem do pensionista e das impressões digitais, contribuindo para a transparência, celeridade, fiabilidade e credibilidade do processo. Para a sua realização, os pensionistas devem ser portadores do cartão de pensionista e do bilhete de identidade ou do passaporte. Os filhos, com a idade entre os 18 e 25 anos, devem, ainda, apresentar o certificado de frequência de ensino médio ou superior.

Os pensionistas com dificuldades de locomoção são atendidos em suas casas, através de brigadas do INSS. Para os que residem no estrangeiro, a PAV será feita mediante a apresentação de um certificado de vida e/ou atestado de residência, emitido pelos serviços consulares de Moçambique.

Em todo o país,  existem 162 081 contribuintes, 2,483 171 beneficiários e 42 638 TCP.

Já está reposta a comunicação através de uma das redes de telefonia móvel, na província da Zambézia. O Instituto Nacional das Telecomunicações de Moçambique garantiu que a comunicação noutras duas operadoras seria reposta ainda hoje.

A entrada do ciclone tropical Freddy no país, no último sábado, causou a interrupção da comunicação telefónica na província da Zambézia.

Isso porque os ventos fortes condicionaram o funcionamento de todas as redes de telefonia móvel nos distritos de Quelimane, Nhamassunge, Nicoadala, Maganja da Costa e Pebane.

Entretanto, dois dias depois, o regulador das telecomunicações no país disse que já é possível comunicar-se através de uma das operadoras.

“Ontem (domingo), estávamos com as comunicações fora de serviço em Quelimane. Alguns operadores trabalharam incansavelmente e uma das operadoras de telefonia móvel conseguiu repor”, explicou Massingue Apala, director dos Serviços de Comunicações do INCM.

Com o abrandamento dos ventos, a instituição disse que tudo estava a ser feito para que, até o fim do dia de ontem, todas as redes de telefonia móvel voltassem a operar.

“As outras duas operadoras estão a fazer esforços no sentido de repor as comunicações. As infra-estruturas são diferentes, os danos que sofreram também. Pensamos que ainda hoje (segunda-feira) a situação poderá estar resolvida”, garantiu Apala.

Para as restantes províncias afectadas pelo ciclone tropical Freddy, o regulador das telecomunicações no país garante que a situação está controlada.

O volume de produção pesqueira no país deverá atingir 468 mil toneladas este ano, prevendo-se a arrecadação de uma receita global de cerca de 37 mil milhões de Meticais. Os níveis de captura de pescado previstos representam um crescimento em cerca de 12%, comparativamente a 2022, segundo previsões do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

Os dados foram partilhados, esta segunda-feira, no Distrito Municipal KaTembe, em Maputo, pela ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, na cerimónia de abertura da campanha de pesca de 2023.

Na ocasião, Lídia Cardoso mostrou-se confiante em relação à produção pesqueira, que, em Moçambique, será, este ano, superior a 460 mil toneladas, superando os valores de 2022.

“As nossas expectativas, para a presente época pesqueira, são animadoras quanto ao aumento da produção. Nesta senda, as estimativas apontam para uma produção global de 468 mil toneladas, valoradas em 37 mil milhões de Meticais”, perspectivou a ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas.

No que ao licenciamento da pesca diz respeito, prevê-se que sejam licenciadas 78 embarcações industriais, 406 embarcações semi-industriais e 37 649 artes de pesca artesanal, prevendo-se a arrecadação de uma receita global de cerca de 320 milhões de Meticais.

Desta produção, a pesca artesanal representa mais de 90% do global do país, constituindo, deste modo, um dos principais pilares que asseguram a contribuição na economia nacional. Por isso, há necessidade de se garantir a sua sustentabilidade.

“Nesta ordem de ideias, temos, por um lado, o grande desafio de assegurar a qualidade, a eficiência e a fiabilidade nos sistemas de registo de informação estatística da produção e, por outro, [devemos] prosseguir no caminho da consciencialização dos pescadores artesanais para a adesão ao licenciamento das suas actividades e à inscrição no sistema de segurança social e de seguro das suas unidades de pesca”, referiu Lídia Cardoso.

Por isso mesmo, a médio e longo prazos, o Governo pretende expandir infra-estruturas de apoio à pesca, assim como aprimorar, cada vez mais, as acções de combate à pesca ilegal, em estreita colaboração com os próprios operadores de pesca e com o envolvimento de outros actores.

É, na verdade, uma luta contra a maré das mudanças climáticas, pois, segundo o Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, a pesca artesanal, sobretudo ao longo da costa marítima, é gravemente afectada por este fenómeno, o qual impacta sobre os ecossistemas e habitats marinhos e costeiros, como resultado do aumento da temperatura e da subida do nível médio das águas do mar, incidindo directamente na destruição e perda de unidades de pesca, de infra-estruturas e de serviços relevantes para o desenvolvimento da pesca.

Os Conselhos Comunitários de Pesca (CCP), em Maputo, voltaram, esta segunda-feira, a pedir a redução do tempo de veda, argumentando que a sua produção é essencialmente de subsistência e não comercial.

“Nos últimos quatro anos, tem-se detectado uma veda longa de cinco meses, isto é, de 01 de Novembro a 01 de Abril, em que os Conselhos Comunitários de Pesca não notam o devido resultado, porque, logo na abertura, o camarão não aparece. Esta veda longa sufoca os pescadores porque não oferece alternativa para aliviar o sofrimento. Por isso, rogamos para que retorne ao período anterior, isto é, de 01 de Janeiro a 01 de Março”, argumentou Romão Tembe, representante dos CCP de pesca artesanal.

Essa posição foi igualmente defendida pelos operadores semi-industriais e industriais, que pediram que a fiscalização seja apertada para o combate à pesca ilegal, no país.

“O período de veda ou de defeso é muito longo para a comunidade pesqueira, visto que o desemprego é elevado e acarreta custos para empresas do ramo. Daí que propomos a época de defeso de três meses, com uma fiscalização permanente e rigorosa”, sublinhou Fred Miranda, representante dos operadores semi-industriais.

Por seu turno, Muzila Nhantsave, representante dos operadores industriais, partilhou o sentimento de desespero e preocupação em relação à falta de fiscalização efectiva. De acordo com Nhantsave, persiste a violação do período de veda à luz do dia, por operadores artesanais desonestos e não licenciados.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas avançou, à margem do evento, que vai entrar em funcionamento no país, dentro de um ano, um Centro Regional que irá coordenar as actividades de controlo da pirataria, pesca ilegal e outros crimes ao nível da SADC.

Mais de 300 mil pessoas vivem crise humanitária na cidade de Quelimane. Destas, mais de 50 mil estão nos postos de acomodação provisória activados em diversas escolas da cidade.

Na escola primária de Sangariveira foi activado um centro de acomodação provisório. Tem pouco mais de 2 mil pessoas. Na escola estão disponíveis oito salas de aula, cada uma tem pelo menos 264 pessoas. Fala-se de situação de fome. Homens, mulheres e crianças estão entregues à sua sorte.

Quando a nossa equipa de reportagem chegou em Sangariveira, na manhã desta segunda-feira, foi possível ver crianças e adultos a dormirem no chão.

Em Sangariveira uma mulher perdeu a vida na manhã desta segunda-feira, não se sabe ao certo se será por fome ou por doença. Consta, porém, que a mesma estava a medicar.

Por seu turno, o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, diz que o ciclone tropical Freddy arrasou Quelimane e que neste momento a visão passa por trabalhar para reconstrução da cidade. De Araújo diz que em coordenação com INGD trabalha-se para garantir mantimento à população acolhida em diversos centros.

As províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Niassa, Nampula e Tete continuarão debaixo de chuvas fortes até 15 de Março, dia em que a depressão tropical deixará Moçambique. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, os ventos reduziram para 55 km/h. Já a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos fala de risco de inundações urbanas na Zambézia e em Tete, devido ao transbordo de bacias hidrográficas.

O INAM diz que, nas últimas 24h, a tempestade tropical severa “Freddy” enfraqueceu para o estágio de tempestade tropical moderada.

Segundo o meteorologista Pedro João, a tempestade diminuiu a intensidade dos ventos máximos para 55 quilómetros por hora, com rajadas de 74 quilómetros por hora.

“A sua velocidade continua a nove quilómetros, a caminho da província de Tete, concretamente nos distritos de Mutarara e Doa”, explicou.

Pedro João avança que para “hoje e amanhã”, o sistema vai prevalecer como uma depressão.

Sobre a permanência do sistema no território nacional, a fonte explica que há uma tendência de o fenómeno sair, em dois dias, devido a outros sistemas de massa de ar quente provenientes da África Austral. O sistema vai perdendo a sua humidade e, por consequência, “vai mudando a sua trajectória, voltando à província de Tete, a caminho do mar, no dia 15”, explicou o entrevistado, acrescentando que “Freddy” vai deixar muita precipitação nas províncias acima descritas.

Face a esta situação, o INAM prevê continuação de chuva em algumas províncias do Centro e Norte do país, até ao dia 15 de Março, data prevista para a saída da depressão tropical do país.

“Estamos a falar de precipitação acima de 200 milímetros, que vai afectar a zona central da província de Zambézia, norte de manica e Sofala e leste de Tete, bem como zona sul da província do Niassa e sul de Nampula”, referiu o meteorologista Pedro João.

Já a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos diz que já há riscos de inundações devido à subida do nível das águas em algumas bacias hidrográficas.

“Nós estamos com algumas bacias que nos preocupam bastante nesta região, sobretudo a bacia do Licungo, que regista, neste momento, níveis muito altos, chegando a atingir cerca de 702 metros, às 6h. É certo que o rio está a oscilar, tendeu a baixar, mas prevemos que esta tendência possa piorar, para oito metros de altura. Assim, prevemos um caudal de cerca de cinco mil metros por segundo, que pode afluir a baixo Nante, distritos da Maganja da Costa”.

Agostinho Vilanculos, chefe do Departamento de Gestão de Bacias Hidrográficas, diz que a situação é preocupante, uma vez que a estrutura é deficitária, devido ao dique que sofreu aquando da passagem dos ciclones Ana e Gombe. Assim, onde passou na manhã esta segunda-feira, em Mocuba, por volta das 17h, pode criar algum impacto no baixo Nante, inundando zonas agrícolas, bem como habitacionais.

CHINDE TAMBÉM ESTÁ SOB ALERTA

“A bacia do Zambeze, sobretudo a do Chile, também está a receber precipitações altas, e temos algum risco de inundações, sobretudo em Caia, Marromeu, Morrumbala e Mopeia. Mas também, por causa da chuva, estamos a prever deslizamento de terra, sobretudo a erosão, nas zonas de Mopeia, Gilé e Alto Molócuè”.

Segundo Agostinho Vilanculos, há mais vias de acesso que também poderão estar interrompidas.

“As ligações Mutarara–Morumbala, Caia–Marromeu, Marromeu–Chinde, podem ficar condicionadas, assim como Namacurra–Maganja da Costa, Mocuba–Quelimane estão”, disse Vilanculos.

Dados preliminares, avançados este domingo, pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), indicam que, só no distrito da Maganja da Costa, o ciclone Freddy já afectou cerca de 83 famílias, correspondentes a 301 pessoas, das quais oito pessoas registaram ferimentos ligeiros e foram evacuadas para as unidades sanitárias mais próximas.

Ainda no distrito costeiro da Maganja da Costa, o fenómeno destruiu parcialmente 83 casas de material precário, uma unidade sanitária na vila Valdez; 12 salas (seis de material convencional e seis, precário); uma secretaria de material convencional, três casas dos professores, todas de material precário, e um alpendre destruído totalmente em Nante Sede.

Dados avançados, este domingo, pelo Comité Operativo de Emergência em Mocuba indicam que 187 casas foram destruídas, deixando ao relento o igual número de famílias e tendo afectado 935 pessoas que, neste momento, estão alojadas em três centros de acomodação provisórios (Conono com 42 famílias – 210 pessoas; EPC Munhiba com 16 famílias – 80 pessoas e Carreira de Tiro com 19 famílias – 95 pessoas). A assistência alimentar às famílias nos centros de acomodação acontece no sistema de panela única para todos.

Há também registo de destruição de infra-estruturas públicas (duas salas de aula e um sector administrativo da EPC de Muedamanga ficaram sem tecto) e interrupção de vias de acesso da via que liga Bive/Maganja e Magiui/Mussaba, devido ao aumento do caudal do rio Enólogo;

De salientar que, neste momento, chuvas e ventos fortes continuam a fustigar os distritos de Quelimane, Inhassunge, Luabo, Chinde, Namacurra, Maganja da Costa, Pebane, Mucubea. Neste momento, o rio Nipiode já está a transbordar e a qualquer momento poderá provocar interrupção da via.

Os distritos da Alta Zambézia (Alto Molocuè, Namarroi, Gurué, ile, Mulevala, Miange, Mulubo) também registam chuvas com regularidade e começam a gerar alguma preocupação.

Reagindo à situação, o Governo do distrito de Mocuba avançou que está a acompanhar as informações sobre o fenómeno Freddy e garantiu que vai continuar a socorrer as famílias.

“Orientamos que as famílias sem-abrigo devem ser acolhidas nas salas de aula ou igrejas. Vamos juntos assisti-las, apoiando as autoridades locais em coordenação com o INGD e sector da saúde”, disse o administrador do distrito, Joaquim Pahara.

De referir que alguns distritos da província da Zambézia estão sem electricidade desde sábado. Trata-se dos distritos costeiros, nomeadamente, Mucuba, Quelimane, Maganja da Costa, Mucubela, Pebane e Namacurra. Há relatos de quedas de árvores e poste.

Refira-se que a equipa de resposta humanitária da AAMoz está em coordenação com o INGD e outros parceiros, para dar melhor resposta à situação das cheias e inundações nas províncias de Zambézia, Niassa e Nampula.

Já na cidade de Quelimane, mais de 12 mil pessoas ficaram desalojadas por causa de ventos fortes e chuvas intensas acusadas pelo ciclone tropical Freddy. A madrugada de sábado para domingo também foi devastadora e aterrorizadora para muitas famílias da capital da Zambézia, que, por conta da situação, a capital provincial está fora da rede eléctrica nacional, com serviços de dados e voz restritos dado a força das intempéries que danificaram os diversos equipamentos.

A situação não está para menos, os ventos foram severos, com velocidade a ultrapassar os 170 quilómetros por hora, previstos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).

Quando parecia que o ciclone tropical Freddy fosse mais simpático, com ventos que pudessem ser moderados, ao nível de uma tempestade, ao cair da noite, pouco depois das 20 horas, o cenário foi contrário.

Os rastos de destruição ao nível da cidade de Quelimane eram visíveis logo ao amanhecer. Árvores e postes de energia eléctrica tombados bloquearam as principais vias públicas da cidade capital da Zambézia. As casas também não escaparam, milhares de famílias passaram noite ao relento.

As autoridades que geram as calamidades naturais ainda não se pronunciaram a respeito dos estragos, mas, por aquilo que o jornal O País apurou, há pelo menos um óbito por desabamento de casa no posto administrativo de Maquival.

O desabamento ocorreu sábado quando as chuvas caíram com bastante intensidade. Os dados foram avançados por Pio Tameliua, chefe da localidade de Zalala.

 

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