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O País – A verdade como notícia

O Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC) e o Projecto KILTIR manifestaram esta segunda-feira a intenção de reforçar a cooperação em prol do desenvolvimento das indústrias culturais e criativas em Moçambique.

O compromisso foi expresso durante um encontro entre o Director-Geral do INICC, Roberto Dove, e a Coordenadora do Projecto KILTIR, Astrid Audibert, que se encontra em Maputo para o lançamento do Guia Regional sobre Importação e Exportação de Bens e Serviços Culturais na região do Oceano Índico.

Durante a reunião, as partes abordaram vários aspectos relacionados com o fortalecimento das indústrias culturais e criativas, com destaque para os mecanismos de apoio disponibilizados pelo Projecto KILTIR. Na ocasião, Astrid Audibert encorajou o INICC a tirar partido das oportunidades oferecidas pelo programa, sobretudo no domínio das políticas públicas para o sector cultural.

A responsável destacou que Moçambique reúne condições para beneficiar das iniciativas promovidas pelo projecto, apontando áreas como os direitos de autor, a preservação de arquivos, bem como a valorização e promoção do património cultural material e imaterial.

“O INICC é um interlocutor privilegiado e Moçambique pode integrar os direitos de autor nas suas acções de advocacia, preservação dos arquivos e promoção do património cultural. Existem elementos suficientes para que o País beneficie do apoio do KILTIR”, afirmou.

Por sua vez, Roberto Dove considerou que a visita da coordenadora do projecto representa uma oportunidade para reforçar o papel do INICC na promoção das indústrias culturais e criativas e na implementação de instrumentos que favoreçam o desenvolvimento do sector.

O dirigente apresentou alguns dos principais projectos em curso na instituição, entre os quais a criação do catálogo nacional do artesanato, o mapeamento cultural iniciado em 2022 e a campanha de divulgação do Regulamento da Lei dos Direitos de Autor e Direitos Conexos.

O Projecto KILTIR disponibiliza apoio em diversas áreas, incluindo fundos de mobilidade regional, co-criação artística, organização de eventos culturais, bolsas de estudo, turismo cultural, empreendedorismo cultural, museus e direitos de autor.

Após o encontro, Astrid Audibert visitou as instalações do INICC, onde teve a oportunidade de conhecer o arquivo fílmico, a biblioteca, o auditório e a exposição permanente da instituição.

O Projecto KILTIR é uma iniciativa da Comissão do Oceano Índico, desenvolvida em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com o objectivo de reforçar os laços de cooperação entre os povos da região e promover o desenvolvimento sustentável através da cultura e da criatividade.

A Universidade Púnguè, na província de Manica, atribuiu esta quarta-feira o título de Doutor Honoris Causa em Artes e Humanidades ao compositor e músico moçambicano Célio Custódio Lopes Figueiredo, artisticamente conhecido por Célio Figueiredo, em reconhecimento pelo seu contributo artístico e social ao longo de várias décadas.

A distinção foi concedida em reconhecimento da relevância da sua obra musical e do seu compromisso com causas sociais, cujas mensagens de paz, unidade nacional, solidariedade e amor ao próximo marcaram gerações de moçambicanos.

Aos 64 anos, Célio Figueiredo possui um vasto repertório musical que ultrapassa o mero entretenimento, sendo igualmente valorizado pela sua dimensão educativa e humanista. Segundo a Universidade Púnguè, o seu legado artístico constitui um importante objecto de estudo científico e académico.

A apresentação da fundamentação para a atribuição do título esteve a cargo do sociólogo Filimone Meigo, padrinho do homenageado na cerimónia de outorga, que destacou o impacto cultural e social da trajectória artística do músico.

Na ocasião, a Reitora da Universidade Púnguè, Emília Nhalevilo, afirmou que as obras de Célio Figueiredo reflectem um profundo compromisso com a dignidade humana, a promoção da paz e os valores que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Visivelmente emocionado, o músico agradeceu a distinção e reiterou o seu compromisso de continuar a usar a música como instrumento de promoção da paz e da coesão social em Moçambique.

“Continuarei a cantar pela paz e pela união dos moçambicanos”, afirmou o artista.

Esta é a terceira distinção honorífica atribuída pela Universidade Púnguè. Antes de Célio Figueiredo, a instituição homenageou a antiga combatente da Luta de Libertação Nacional, Marina Pachinuapa, e o antigo internacional moçambicano de futebol, Chiquinho Conde.

Com esta distinção, a Universidade Púnguè reconhece o papel da cultura e das artes na promoção dos valores humanos e no desenvolvimento da sociedade moçambicana.

Os três suspeitos detidos no âmbito das investigações sobre o assassinato do bispo da Diocese de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, foram apresentados esta quinta-feira ao juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial da Província da Zambézia, no quadro do processo de legalização das detenções.

Os arguidos — um padre, um guarda e um jardineiro — permaneceram durante várias horas no tribunal, onde decorreram diligências do primeiro interrogatório judicial, num processo acompanhado com grande expectativa pela comunicação social e pela sociedade civil.

Até ao final da tarde, o tribunal ainda não tinha concluído a audiência, prolongando a incerteza sobre os contornos do caso que continua a marcar a opinião pública nacional.

Por volta das 18 horas, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) realizou uma conferência de imprensa, onde apresentou os primeiros elementos resultantes das investigações.

Segundo o porta-voz do SERNIC na Zambézia, Domingos Barone, foram realizadas várias diligências técnico-científicas para apurar as circunstâncias da morte do prelado.

“O corpo da vítima foi submetido à perícia médico-legal, foram realizados exames balísticos ao invólucro encontrado no local do crime, bem como ao projétil extraído do corpo da vítima, exames de ADN e análises a vestígios biológicos. Também foram realizadas audições a pessoas de interesse operativo”, explicou.

O SERNIC confirmou ainda que os primeiros indícios apontam para uma morte violenta com recurso a arma de fogo, tendo sido identificados suspeitos no âmbito da investigação.

“Da prova indiciária coligida até aqui, foram identificados cidadãos potencialmente suspeitos do cometimento do crime. Até ao momento existem três detidos, que já foram sujeitos ao primeiro interrogatório judicial, tendo sido legalizada a prisão preventiva”, acrescentou Domingos Barone.

O porta-voz não respondeu a perguntas adicionais da imprensa, incluindo questões relacionadas com a origem da arma utilizada no crime, deixando em aberto várias interrogações sobre o caso.

Enquanto decorriam os procedimentos judiciais, a cidade de Quelimane foi palco da chegada dos restos mortais de Dom Osório Citora Afonso à Sé Catedral, vindos do Hospital Central, num ambiente de profunda consternação.

Na catedral, iniciou-se uma vigília de oração com a participação de fiéis, religiosos e membros da diocese, num programa que se prolonga até à realização do funeral eclesiástico.

Segundo o padre da Sé Catedral de Quelimane, Dionísio Camacho, a programação envolve diferentes grupos da igreja em turnos de oração contínua.

“Passamos toda a tarde, toda a noite, até amanhã às sete horas, quando iniciamos os preparativos finais para a cerimónia fúnebre, prevista para as nove horas”, explicou.

As cerimónias fúnebres contam com a presença de diversas individualidades nacionais e estrangeiras, incluindo representantes diplomáticos e membros do Governo.

Entre as personalidades destacam-se o representante de Moçambique junto da Santa Sé, o Núncio Apostólico em Moçambique e o ministro da Justiça e Assuntos Religiosos, que se deslocaram a Quelimane para prestar homenagem ao prelado.

O Núncio Apostólico, Dom Luís Cárdaba, manifestou profunda consternação pela morte do bispo, sublinhando o impacto da perda no seio da Igreja Católica.

“É uma notícia muito triste. O Santo Padre está muito preocupado com a situação e aguarda o esclarecimento deste assassinato. A sociedade precisa de se pacificar e reconciliar”, afirmou.

Também o embaixador de Moçambique junto da Santa Sé, Raúl Domingos, destacou a expectativa em torno do desfecho das investigações.

“Espero que muito brevemente tenhamos o resultado das investigações em curso para tranquilizar esta preocupação legítima de toda a sociedade moçambicana”, disse.

As cerimónias fúnebres continuam a mobilizar autoridades, religiosos e fiéis, num ambiente de luto que marca profundamente a Diocese de Quelimane e o país em geral.

A Presidente do Tribunal Administrativo, Ana Maria Gemo, defendeu, nesta quarta-feira, uma profunda reforma da justiça no contexto da revisão constitucional em curso no país, propondo a criação de um Supremo Tribunal Administrativo e de um Tribunal de Contas como pilares para o fortalecimento do Estado de Direito, da transparência na gestão dos recursos públicos e da confiança dos cidadãos nas instituições.

A posição foi apresentada durante uma Mesa Redonda de Alto Nível realizada no âmbito do Congresso da Justiça, subordinada ao tema “Que Reforma da Justiça o País Precisa no Horizonte Constitucional?”, que reuniu representantes dos órgãos de administração da justiça, decisores públicos e especialistas para debater os desafios do sistema judicial moçambicano.

Na sua intervenção, a magistrada defendeu a elevação do actual Tribunal Administrativo à categoria de Supremo Tribunal Administrativo, argumentando que a medida permitirá reforçar a autonomia e a especialização da jurisdição administrativa, fiscal e aduaneira, assegurando maior uniformização da jurisprudência, segurança jurídica e confiança dos cidadãos.

Outra proposta considerada estruturante é a criação de um Tribunal de Contas, apontado como um instrumento fundamental para reforçar a responsabilização financeira do Estado, promover maior rigor na gestão dos recursos públicos e fortalecer o combate à corrupção.

A Presidente do Tribunal Administrativo sublinhou que a reforma da justiça deve ir além das alterações constitucionais e abranger a modernização das instituições judiciais, a revisão do quadro legal, a independência funcional, institucional e financeira dos tribunais, bem como a expansão dos serviços de justiça para todo o território nacional.

Entre as prioridades apresentadas constam ainda a implementação do processo eletrónico, a digitalização dos procedimentos judiciais, a criação de tribunais administrativos de recurso, a instalação de tribunais fiscais e aduaneiros em todas as províncias e o reforço da formação especializada de magistrados e funcionários judiciais.

Gemo defendeu igualmente que os cidadãos exigem hoje uma justiça mais célere, transparente e previsível, capaz de responder eficazmente às suas necessidades e de consolidar a confiança nas instituições públicas.

Segundo afirmou, o verdadeiro sentido da reforma da justiça no horizonte constitucional passa pela construção de instituições mais modernas, eficientes e próximas dos cidadãos, capazes de transformar os princípios constitucionais em resultados concretos para a sociedade.

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou, nesta quinta-feira, em KaTembe, o Centro Regional de Coordenação de Monitorização, Controlo e Fiscalização das Pescas da SADC, uma infra-estrutura destinada a reforçar a cooperação regional no combate à pesca ilegal e na protecção sustentável dos recursos pesqueiros da África Austral.

Na cerimónia de inauguração, o Chefe de Estado afirmou que o novo centro representa um marco para a região, ao disponibilizar uma capacidade colectiva de monitorização e fiscalização dos recursos aquáticos.

“Hoje, colocamos ao serviço da nossa região uma nova capacidade colectiva de proteger recursos estratégicos, fortalecer a cooperação regional e promover uma utilização sustentável das riquezas que os nossos mares, rios e lagos oferecem aos nossos povos da região da SADC”, declarou o Presidente.

Daniel Chapo sublinhou que a infra-estrutura vai além da sua componente física, constituindo uma plataforma regional para coordenar esforços na preservação dos recursos aquáticos vivos.

“Erguemos mais do que paredes, escritórios e equipamentos. Erguemos uma plataforma regional de coordenação, conhecimento e acção conjunta para proteger um dos mais valiosos patrimónios da África Austral: os seus recursos aquáticos vivos”, afirmou.

O Presidente destacou que a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada continua a ser uma das maiores ameaças à sustentabilidade dos recursos pesqueiros da região, afectando a segurança alimentar, o emprego e as receitas dos Estados.

Segundo Chapo, as perdas provocadas por esta prática são significativas. “Estima-se que a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada provoque perdas anuais entre 1,5 e 2 mil milhões de dólares norte-americanos na África Subsaariana. Na região da SADC, as perdas são estimadas em cerca de 400 milhões de dólares por ano”, referiu.

Perante este cenário, o Chefe de Estado defendeu uma resposta concertada entre os países da região, baseada na partilha de informação, harmonização de procedimentos e reforço das capacidades institucionais.

“O combate à pesca ilegal exige uma resposta que ultrapassa as fronteiras nacionais. Exige coordenação regional, partilha de informação entre os países, harmonização de procedimentos, capacidades técnicas e institucionais robustas e confiança mútua entre os nossos Estados”, frisou.

O novo centro permitirá aos Estados-membros da SADC melhorar a monitorização das embarcações de pesca, reforçar os mecanismos de fiscalização e promover operações conjuntas de combate à exploração ilegal dos recursos marinhos.

Na ocasião, Daniel Chapo destacou ainda o papel da Economia Azul como um dos pilares do desenvolvimento sustentável de Moçambique, País que possui mais de 2700 quilómetros de costa marítima.

“Para Moçambique, a Economia Azul constitui uma das fronteiras mais promissoras para a criação de riqueza, emprego e oportunidades para as gerações actuais e futuras”, afirmou, defendendo a necessidade de proteger os recursos marinhos através de instituições fortes e mecanismos eficazes de monitorização.

O Presidente aproveitou igualmente a ocasião para agradecer o apoio do Banco Mundial e dos parceiros de cooperação envolvidos na materialização do projecto.

“O Banco Mundial não financiou apenas um edifício. Apoiou a construção de uma capacidade regional que servirá milhões de cidadãos da África Austral”, declarou.

Ao encerrar o seu discurso, Daniel Chapo reafirmou o compromisso de Moçambique com a integração regional e defendeu que a cooperação entre os países da SADC é fundamental para garantir a preservação dos recursos partilhados e promover o desenvolvimento sustentável da região.

“As nossas fronteiras delimitam os nossos territórios, mas os oceanos unem os nossos destinos. E, quando protegemos juntos os recursos que partilhamos, estamos igualmente a proteger o futuro que desejamos construir em comum como povo da região da SADC”, concluiu.

O Centro Regional de Coordenação de Monitorização, Controlo e Fiscalização das Pescas da SADC foi oficialmente entregue ao Secretariado-Executivo da SADC e deverá desempenhar um papel central no fortalecimento da governação dos recursos pesqueiros e no combate à pesca ilegal em toda a África Austral.

O agravamento das crises climáticas, ambientais e económicas continua a aumentar os níveis de insegurança alimentar em Moçambique e em vários países africanos, comprometendo os esforços de combate à pobreza e colocando em risco a soberania alimentar das nações. 

O alerta foi lançado pelo secretário de Estado do Ensino Superior, Edson Macuácua, durante a abertura do XI Congresso Internacional de Agroecologia, que decorre na província de Gaza.

Falando perante investigadores, académicos e especialistas nacionais e estrangeiros, Macuácua destacou que milhões de pessoas continuam a enfrentar dificuldades no acesso a alimentos nutritivos, situação agravada pelos efeitos combinados das alterações climáticas e das fragilidades dos sistemas de produção agrícola.

“Crise climática, ambiental, económica e social. Milhões de pessoas continuam a enfrentar dificuldades de acesso a alimentos nutritivos, gerando a insegurança alimentar e fome, o que agudiza a pobreza, esvaziando o sentido de soberania”, afirmou.

O governante advertiu ainda que a fome não deve ser encarada como um fenómeno inevitável, defendendo mudanças profundas nos modelos de produção e distribuição alimentar.

“Não podemos continuar a conviver com a narrativa de que a fome é uma fatalidade natural. A fome é resultado de um sistema alimentar industrial extrativista e mercantilizado, focado no lucro de poucos e na destruição de muitos”, declarou.

Segundo Macuácua, a agroecologia apresenta-se como uma alternativa sustentável para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas, promovendo simultaneamente a protecção ambiental, a produção de alimentos saudáveis e o fortalecimento das comunidades rurais.

O secretário de Estado falava à margem do XI Congresso Internacional de Agroecologia, evento que decorre pela primeira vez em solo africano e reúne mais de 200 participantes e cerca de 60 oradores provenientes de dez países.

Durante o encontro, especialistas destacaram os desafios específicos enfrentados por Moçambique no domínio da gestão dos recursos hídricos. O director-geral do Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), Mário Tauzene, sublinhou a vulnerabilidade do país aos fenómenos climáticos extremos.

“O distrito de Chongoene, em particular, a província de Gaza e Moçambique no geral, em alguns momentos sofre de fome devido ao excesso de água. Em outros momentos sofre de fome devido à escassez de água. Temos que encontrar as melhores formas de domesticar, armazenar e utilizar a água”, defendeu.

Especialistas internacionais presentes no congresso também apelaram à valorização dos recursos naturais e à adopção de modelos agrícolas mais sustentáveis. Xavier Fernandez, da Universidade de Vigo, em Espanha, considerou que o País dispõe de condições favoráveis para alcançar maior autonomia alimentar.

“O que tem que fazer Moçambique, como qualquer outro País, é aproveitar as vantagens comparativas e os recursos naturais e de capital que tem, que são muitos, para a sobrevivência do seu povo”, afirmou.

Por sua vez, Emma Siliprandi, da Universidade da Andaluzia, defendeu uma aposta mais consistente na agricultura ecológica como instrumento para alcançar a soberania alimentar.

“Se essa soberania alimentar se consegue, seria o principal sucesso da política económica, da política agrária e do povo de Moçambique. É preciso acreditar na agricultura ecológica, parar de usar fertilizantes químicos e agrotóxicos”, sustentou.

O XI Congresso Internacional de Agroecologia prossegue até quinta-feira, reunindo investigadores, docentes, estudantes e profissionais de diversas áreas para debater soluções inovadoras relacionadas com a segurança alimentar, a sustentabilidade agrícola e a resiliência climática.

O evento coloca Moçambique no centro das discussões internacionais sobre agroecologia e reforça o papel da investigação científica na procura de respostas para os desafios alimentares e ambientais que afectam o continente africano.

O empresário Félix Machado tomou posse esta terça-feira como presidente da recém-criada Federação Empresarial de Sofala, uma nova estrutura que reúne associações do sector privado da província e que pretende, segundo os seus promotores, reforçar a coordenação dos investimentos e melhorar o diálogo com o Governo.

Na sua intervenção, Machado afirmou que a criação da federação representa um passo importante para a organização do sector empresarial em Sofala, defendendo que a nova entidade surge para “fazer a diferença” na articulação entre empresários e autoridades públicas, particularmente no contexto dos projectos estratégicos da província.

“A província de Sofala, o sector privado, empresarial e as suas associações tomaram aqui um passo muito importante naquilo que é a vida deles para definir o rumo de desenvolvimento da província”, afirmou.

O novo presidente sublinhou que a federação pretende funcionar como um ponto único de contacto para investidores e instituições públicas, evitando a dispersão de interlocutores do sector privado.

“Quem quiser dialogar com o sector privado de Sofala, quem quiser investir, sabe a quem se dirigir”, declarou, acrescentando que a entidade também visa facilitar a entrada de investidores nacionais e estrangeiros na província.

Félix Machado fez questão de clarificar que a nova organização não pretende competir com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), mas sim actuar como estrutura complementar.

“Esta federação não está aqui para confrontar alguém nem sobrepor-se à CTA. É membro da CTA e o passo a seguir será juntar toda a documentação e subscrever-se junto da CTA”, afirmou.

Entre os projectos destacados pelo dirigente está o Corredor da Beira, considerado estratégico para o desenvolvimento económico da região Centro do País. Machado defendeu maior participação do sector privado nacional na definição e execução de projectos de infra-estruturas.

“O acesso do corredor da Beira é um projecto nosso. O sector privado de Sofala têm palavras a dizer sobre o futuro daquela estrada”, afirmou, defendendo que empresários locais devem ser incluídos nos processos de decisão e investimento.

O presidente da federação questionou ainda a adjudicação de projectos de infra-estruturas a empresas estrangeiras sem maior envolvimento do empresariado nacional, defendendo maior valorização das capacidades locais.

“Não estamos contra empresas estrangeiras, mas temos palavras a dizer. A viabilidade foi dada por nós e devemos ser incluídos no processo”, sublinhou.

A nova federação pretende agregar associações empresariais de vários sectores, com a meta de integrar pelo menos 20 organizações, segundo o seu presidente. A estrutura poderá ainda promover a criação de novas associações sectoriais, de forma a ampliar a representatividade do tecido empresarial da província.

“Queremos ter dentro da federação pelo menos 20 associações. Quando for votar, iremos fortes”, concluiu Félix Machado.

A criação da Federação Empresarial de Sofala surge num momento em que o sector privado da província procura maior coordenação interna e maior influência nos grandes projectos de desenvolvimento económico, com especial enfoque no corredor logístico da Beira.

O Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se hoje à Nunciatura Apostólica, em Maputo, onde expressou solidariedade à Igreja Católica pelo assassinato do Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, sublinhando o pesar do Estado moçambicano e a condenação do crime, enquanto reafirmava o compromisso do Governo com o esclarecimento das circunstâncias do ocorrido e a preservação das históricas relações entre Moçambique e a Santa Sé. 

A visita do Chefe do Estado ocorre num momento de luto para a Igreja Católica em Moçambique e para o país, que perde uma figura religiosa o estadista moçambicano a descreve como dedicada ao serviço pastoral e à comunidade, num contexto em que continuam em curso as cerimónias e homenagens fúnebres. Na Nunciatura Apostólica, residência do representante do Vaticano em Moçambique, o Presidente da República foi recebido pelo Núncio Apostólico, Dom Luís Miguel Muñoz Cárdaba, a quem expressou pessoalmente condolências em nome do Governo e do povo moçambicano. 

“Como sabe, quando recebemos esta triste notícia estávamos fora do país, em Washington. Voltámos ontem e hoje achámos que devíamos vir prestar os nossos sentimentos, as nossas condolências à Igreja Católica. Perdemos um bispo, que é homem de Deus, humilde para quem conheceu-lhe. E achamos que Moçambique, tendo uma excelente relação com o Vaticano, uma relação histórica, devíamos vir aqui à residência do nosso Núncio Apostólico, que é representante do Vaticano na República de Moçambique”. 

O Chefe do Estado prosseguiu, destacando a relação entre Moçambique e a Santa Sé e reiterando as condolências institucionais. “E, como sabe muito bem, temos excelente relação com a Igreja Católica e a Santa Sé. Nós queríamos, mais uma vez, não só prestar as nossas condolências à Igreja Católica, mas à família enlutada e a todo o povo moçambicano”. No mesmo contexto, o Presidente da República sublinhou que o Governo está a desenvolver diligências para o esclarecimento do caso, reiterando que as autoridades vão continuar a trabalhar na investigação dos motivos e da autoria do crime hediondo, que condena veementemente, de forma a evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer no país.  

“Temos 50 anos de independência, vamos fazer 51 anos no dia 25 de Junho. É uma coisa que, durante todos esses anos de independência, nunca aconteceu e não pode, nem deve voltar a acontecer mais uma vez. Por isso continuamos a trabalhar, as investigações estão em curso para apurar a responsabilidade”. O estadista reiterou ainda a solidez das relações institucionais e diplomáticas entre Moçambique e o Vaticano, sublinhando que os laços com a Santa Sé e com a Igreja Católica permanecem intactos. 

Assegurou igualmente que o Governo continuará a prestar solidariedade e todo o apoio necessário para a realização das cerimónias fúnebres em condições adequadas, bem como à família enlutada. A visita insere-se no quadro das relações históricas de cooperação entre Moçambique e a Igreja Católica, através da Santa Sé, que têm sido caracterizadas por diálogo institucional contínuo e colaboração em áreas sociais e humanitárias.

Oito médicos especialistas deixaram de prestar serviço no Hospital Central de Nampula (HCN) após atingirem a idade de reforma, numa decisão que está a gerar contestação interna e debate sobre a aplicação da legislação da Função Pública no sector da saúde.

Os profissionais afectados afirmam ter sido surpreendidos com o processo de desvinculação, que ocorreu em Maio, pouco depois da tomada de posse da nova direcção da unidade hospitalar. Segundo um dos médicos reformados, o grupo foi convocado para uma reunião sem agenda previamente definida.

“No dia 20 de Maio fomos convocados para uma reunião, sem agenda, cerca de 8 a 9 médicos, e lá chegados, a única agenda foi a desvinculação com uma única determinante que é a idade”, relatou um dos especialistas.

A situação ocorre num contexto em que a Assembleia da República aprovou alterações à Lei da Função Pública, que elevam a idade de reforma de 60 para 65 anos, prevendo ainda um regime excepcional que pode prolongar a actividade até aos 70 anos em carreiras consideradas estratégicas, como médicos especialistas, docentes universitários e investigadores.

De acordo com o Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, a medida visa valorizar a experiência profissional e garantir a continuidade dos serviços públicos.

“Permitir salvaguardar a valorização da experiência profissional acumulada ao longo dos anos de serviço, bem como a continuidade e estabilidade dos serviços públicos”, afirmou o governante durante a apresentação da proposta na Assembleia da República, a 29 de Abril de 2026.

Os médicos afectados questionam, no entanto, a aplicação imediata da decisão no Hospital Central de Nampula, sobretudo num contexto em que o País ainda enfrenta défice de especialistas em várias áreas clínicas.

“São médicos especialistas moçambicanos e, em muitas áreas do hospital, só existe um ou dois médicos. O Ministério da Saúde e o hospital contratam médicos estrangeiros, como cubanos e coreanos, mesmo em idades superiores”, afirmou outro médico reformado.

Os profissionais alertam ainda para o impacto directo da saída destes especialistas no funcionamento de serviços essenciais, como ortopedia, cirurgia geral, neurologia, cardiologia e fisioterapia, entre outros.

Segundo os médicos, a redução de especialistas já está a provocar atrasos significativos no atendimento, com consultas a serem reagendadas para o próximo ano.

“Áreas como ortopedia, cirurgia geral, neurologia, cardiologia e tantas outras ficaram sem resposta. As consultas estão a ser marcadas para Abril ou Maio do próximo ano”, lamentou um dos profissionais.

A nova legislação ainda não foi promulgada pelo Presidente da República, o que acrescenta dúvidas sobre a interpretação e aplicação das regras de transição no sector da saúde.

O Ministério da Saúde e a direcção do Hospital Central de Nampula ainda não prestaram esclarecimentos públicos detalhados sobre o caso, embora fontes locais indiquem que a administração hospitalar poderá pronunciar-se nos próximos dias.

O caso está a gerar debate entre profissionais de saúde e entidades da província, num momento em que a escassez de especialistas continua a ser um dos principais desafios do Sistema Nacional de Saúde.

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