O País – A verdade como notícia

O Hospital Distrital de Morrumbala enfrenta uma situação crítica marcada pela falta de água, material médico-hospitalar e alimentação, afectando directamente as enfermarias e o bloco operatório. Os pacientes passam fome por falta de alimento para doentes. 

Trata-se de uma unidade sanitária de referência que recebe doentes provenientes dos distritos de Mopeia, Derre, Luabo, na província da Zambézia, e ainda do distrito de Caia, em Sofala. Apesar da sua importância, o hospital vive momentos dramáticos, devido à escassez de água, o que compromete a higienização básica.

Para além da falta de água, não há detergentes nem material médico-cirúrgico, situação que coloca em risco, tanto os profissionais de saúde como os pacientes, uma vez que os técnicos continuam a prestar cuidados em condições inadequadas.

A alimentação constitui outra grande preocupação. O hospital está há mais de quatro meses sem abastecimento alimentar, obrigando pacientes vindos das zonas periféricas, sem familiares na vila, a depender da solidariedade de outros doentes. Quem tem condições mínimas recorre à confecção de alimentos do lado de fora da unidade sanitária.

O “O País” tentou ouvir a direcção do Hospital Distrital de Morrumbala, sem sucesso. Em alternativa, a equipa de reportagem ouviu o administrador distrital, João Nhanbessa, que minimizou a gravidade da situação.

Entretanto, o distrito de Morrumbala enfrenta um surto de diarreia, com o registo de mais de 50 casos. Na última quarta-feira, várias equipas de saúde foram destacadas para as comunidades, com o objectivo de conter a propagação da doença.

A chuva está a aumentar a degradação das estradas na periferia da cidade de Nampula. Nalguns casos, a edilidade está a intervir em obras de emergência. 

A chuva que caiu desde o final do ano passado um pouco por todo o país, tem criado muitos problemas nos bairros suburbanos ao nível da cidade de Nampula. Na via que liga o centro da cidade até ao bairro de Namiteca, numa estrada muito usada pela população, a situação é degradante.

No local, uma ponte cedeu devido ao grande volume de água que passou pelo pequeno rio e causou uma destruição quase que total da mesma. Durante alguns dias depois da destruição, os munícipes ficaram privados da livre circulação porque não era possível a transitabilidade a partir do referido ponto. 

O Município de Nampula teve que fazer uma intervenção pontual porque não era mais possível aguentar por mais tempo sem que a via não estivesse aberta ao trânsito.

Os técnicos de uma empresa contratada pelo município continuam a fazerem algum trabalho de reposição dos solos, mas também a colocação de pedregulhos e anilhas para o escoamento das águas, uma vez que a via é um curso natural das águas.

Note-se que a intervenção é paliativa porque a estrada está dentro do projecto do Banco Mundial, ou seja, um projecto financiado pelo Banco Mundial e deverá ser asfaltada, mas o processo ainda decorre na parte burocrática, por isso o município de Nampula foi obrigado a fazer uma intervenção pontual para que a população pudesse voltar a circular. 

Munícipes da cidade de Nampula relatam situações de acidentes que aconteceram devido à degradação de estradas e a queda da ponte da via que leva as pessoas ao bairro Namiteca.

“Choveu muito sim, a ponte caiu. Alguém cai na ponte, mas conseguiu se salvar”, contou Crione Daniel, que disse ainda que a população ficou muito tempo com a ponte caída.

Já Natália Robáuè revelou que a situação estava muito péssima, mas que actualmente já pode-se circular mais à vontade. “Pelo menos nós que estamos ao redor já estamos satisfeitos, porque já estão a começar com o processo de reabilitação da estrada. Mas também não estou bem satisfeita por causa da minha casa, aí atrás já está a entrar muita água”, denuncia.

No bairro de Namutequeliua, mais concretamente na zona conhecida por Tokokwane, o município de Nampula foi obrigado a, de forma imediata, repor o tabuleiro da ponteca que tinha sido destruído por conta da chuva dos últimos dias.

Desde domingo passado que a via está encerrada ao trânsito porque é preciso garantir o tempo mínimo de cura do betão e de acordo com a informação da edilidade, só na próxima quarta-feira é que a via será reaberta ao trânsito.

As diplomacias moçambicana e portuguesa dizem que estão a trabalhar em estreita colaboração para o esclarecimento da morte de Pedro Ferraz Reis, cidadão portugues encontrado morto em Maputo. Os titulares das pastas diplomáticas pedem que se aguarde pelos resultados das investigações judiciais.

Há uma semana moçambicanos e portugueses debatem a morte do administrador do BCI, Pedro Ferraz Reis, de nacionalidade portuguesa, ocorrida em um estabelecimento hoteleiro em Maputo. Esta quarta-feira, após o envio de uma equipa da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses de Portugal para cooperar com o SERNIC no seguimento das investigações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação fez o primeiro pronunciamento público sobre o caso.

“Apresentamos as condolências a família do Pedro Fernando reis, mas também ao povo portugues, e asseguramos que este assunto está sob alçada das autoridades judiciais dos dois países, e só podemos aguardar pelos resultados”, disse a ministra moçambicana Marica Lucas após um encontro com a secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal. 

As autoridades portuguesas, exigem que o caso seja esclarecido, no entanto, apela à calma, e que se aguarde pelos resultados das investigações em curso.

“De facto, temos policia judiciaria portugues em Moçambique, e está a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades,agora o que sabemos, é o que é público. vamos deixar as autoridades trabalharem”, aconselhou Ana Xavier Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal. 

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Cooperação de Portugal, reuniu-se esta quarta feira em Maputo com a ministra dos negócios estrangeiros, e no fim anunciou ajuda do povo portugues para Moçambique lidar com as cheias. O país vai destacar uma equipa militar para operações de recuperação, e mais de de um milhão de euros a serem desembolsados através do Programa mundial alimentar.

Pelo menos 1500 pessoas chegaram, esta quarta-feira, transportadas num comboio, à cidade de Maputo, vindas da província de Gaza e do distrito de Magude, na província de Maputo. Os passageiros relatam dias difíceis vividos nos locais de proveniência devido às inundações.  

Por volta das 13 horas, desta quarta-feira, ouvia-se o som da buzina de um comboio, a partir da estação central dos Caminhos de Ferro de Moçambique, na cidade de Maputo, que para muitos era um som de alívio, por poder regressar à casa, depois de dias retidos no distrito de Magude, devido às dificuldades de transitabilidade na Estrada Nacional Número 1. 

“Estou a vir de comboio por causa da água. Não há caminhos, os carros não andam na zona de 3 de Fevereiro, não há passagem. Estou feliz porque andamos bem, não é como arriscar-se os barquinhos”, explicou Lizeth Mucavele, que ficou duas semanas em Magude, sem saber como regressar a casa. 

Alguns passageiros deslocaram-se ao distrito de Magude para visitas de apenas dois dias a seus familiares, mas foram surpreendidos pelas inundações que mudaram tudo e trouxeram dias difíceis.

“Eu vivo na cidade de Maputo, fui ao distrito de Magude para visitar os meus pais. Desde que começou a chover, há falta de quase tudo, desde comida até condições para dormir porque a água alagou as nossas casas e as vias de acesso”, disse Daniel Luís. 

José Matsinhe vinha da província de Gaza. A sua esperança era de, na cidade de Maputo, fazer-se a uma entrevista de emprego, nesta quarta-feira.  

Embora faça um balanço positivo da viagem, a chefe do serviço de Transportes e Passageiros do CFM explica que, desta vez, não foi possível abranger a todos. 

“Chegamos aqui por volta das 13 horas, em termos de trânsito tivemos cerca de 4 horas de tempo, tendo em conta o que desenhamos na tabela horária, nós cumprimos e avaliamos a viagem como positiva. Tivemos muita afluência de passageiros, alguns ficaram em terra porque não foi possível embarcarrem”, explicou Sônia Langa. 

Porque muitos passageiros ficaram de fora, está prevista mais uma viagem com destino a Magude, para esta quinta-feira, com partida às 08 horas e regresso no final do mesmo dia. 

O Governo angolano enviou, esta quarta-feira, a segunda aeronave carregada com 23 toneladas de produtos diversos destinados às vítimas das cheias em Moçambique. O lote integra um total de 75 toneladas de ajuda humanitária que deverão chegar ao país até quinta-feira.

Preocupado com a situação de cheias e calamidades que afectam mais de 600 mil pessoas em Moçambique, o Governo de Angola mobilizou aeronaves da Força Aérea Angolana que, desde terça-feira, têm aterrado em solo moçambicano, transportando mantimentos, vestuário e medicamentos.

Trata-se da segunda de três aeronaves previstas no âmbito desta operação solidária. O primeiro voo trouxe cerca de 20 toneladas de medicamentos, enquanto o segundo transporta aproximadamente 23 toneladas de vestuário, alimentação infantil, leite e papas. O terceiro voo, agendado para quinta-feira, transportará o restante material, perfazendo um total de 75 toneladas.

“O Governo angolano, através do Estado, está a manifestar a sua solidariedade e apoio ao povo moçambicano. São situações imprevisíveis. Trouxemos ontem o primeiro lote de medicamentos, hoje entregamos o segundo lote e amanhã virá o terceiro. Moçambique é um país irmão, com laços históricos, e sentimo-nos no dever de manifestar esta solidariedade”, afirmou o Secretário de Estado da Saúde de Angola.

Face às dificuldades de transitabilidade provocadas pelos cortes na Estrada Nacional Número Um (EN1), o Governo moçambicano garante possuir vias alternativas para fazer chegar os donativos às populações assoladas, incluindo rotas marítimas, ferroviárias e corredores terrestres a partir da província de Sofala.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) reconhece que há necessidade de quase tudo nos centros de acolhimento. “As populações perderam praticamente todos os seus bens. Precisamos de alimentação, vestuário, produtos de higiene e outros bens essenciais”, afirmou Messias Pascoal, representante do INGD.

A terceira e última aeronave angolana com ajuda humanitária deverá chegar ao país esta quinta-feira

O coco está cada vez mais caro, na Cidade de Maputo e cada vez mais a escassear. No mercado grossista do Zimpeto, por exemplo, apenas um vendedor ainda dispunha do produto na manhã desta quarta-feira.

Nos pontos de venda a grosso, ao longo da avenida de Moçambique, o coco também começa a escassear. 

O produto existente é conseguido depois de várias manobras feitas pelos vendedores. 

Hoje em dia não é fácil ter coco. É normal nós sairmos daqui para Matola-Gare, a pé. Atrás do coco, nas casas. Tem que pagar alguém para tirar, nos coqueiros, temos que pagar dinheiro de transporte para aqui. Tem muitas despesas, não sai. O negócio está sendo um pouco complicado”, lamentou Maria Bila. 

Para os que vendem a grosso, os custos de aquisição também aumentaram e consequentemente o preço final aos consumidores ficou muito mais alto.

Quem comprava três cocos para preparar as refeições, viu-se obrigado a adquirir menos.

Para os revendedores, este deixou de ser um negócio lucrativo. 

Eu compro coco a 60 meticais,  é muito caro. Para revender eu tenho que estabelecer o preço de 85 meticais”.

Há quem, por não mais conseguir continuar à base deste negócio, procure por alternativas.  

Os vendedores clamam pela reposição da transitabilidade da EN1 no tempo prometido  para garantir a  recuperação dos negócios.  

Pelo menos 1500 pessoas chegaram, esta quarta-feira, transportadas num comboio, à cidade de Maputo, vindas da província de Gaza e do distrito de Magude, na província de Maputo. Os passageiros relatam dias difíceis vividos nos locais de proveniência devido às inundações.  

Por volta das 13 horas, desta quarta-feira, ouvia-se o som da buzina de um comboio, a partir da estação central dos Caminhos de Ferro de Moçambique, na cidade de Maputo, que para muitos era um som de alívio, por poder regressar à casa, depois de dias retidos no distrito de Magude, devido às dificuldades de transitabilidade na Estrada Nacional Número 1. 

“Estou a vir de comboio por causa da água. Não há caminhos, os carros não andam na zona de 3 de Fevereiro, não há passagem. Estou feliz porque andamos bem, não é como arriscar-se os barquinhos”, explicou Lizeth Mucavele, que ficou duas semanas em Magude, sem saber como regressar a casa. 

Alguns passageiros deslocaram-se ao distrito de Magude para visitas de apenas dois dias a seus familiares, mas foram surpreendidos pelas inundações que mudaram tudo e trouxeram dias difíceis.

“Eu vivo na cidade de Maputo, fui ao distrito de Magude para visitar os meus pais. Desde que começou a chover, há falta de quase tudo, desde comida até condições para dormir porque a água alagou as nossas casas e as vias de acesso”, disse Daniel Luís. 

José Matsinhe vinha da província de Gaza. A sua esperança era de, na cidade de Maputo, fazer-se a uma entrevista de emprego, nesta quarta-feira.  

Embora faça um balanço positivo da viagem, a chefe do serviço de Transportes e Passageiros do CFM explica que, desta vez, não foi possível abranger a todos. 

“Chegamos aqui por volta das 13 horas, em termos de trânsito tivemos cerca de 4 horas de tempo, tendo em conta o que desenhamos na tabela horária, nós cumprimos e avaliamos a viagem como positiva. Tivemos muita afluência de passageiros, alguns ficaram em terra porque não foi possível embarcarrem”, explicou Sônia Langa. 

Porque muitos passageiros ficaram de fora, está prevista mais uma viagem com destino a Magude, para esta quinta-feira, com partida às 08 horas e regresso no final do mesmo dia. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas moderadas a fortes localmente fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas locais, nas províncias de Nampula e Cabo Delgado. 

Na província de Nampula serão afectados os distritos de Moma, Larde, Angoche, Mogovolas, Liúpo, Mogincual, Meconta, Mossuril, Monapo, Nacala, Nacarôa, Memba, Erati, Murrupula, Rapale, Muecate, Mecuburi e cidade de Nampula.

Já em Cabo Delgado, as chuvas far-se-ão sentir nos distritos de Mecufi, Chiúre, Metuge, Ancuabe, Quissanga, Ibo, Meluco, Macomia, Muidumbe, Mocímboa da Praia, Palma e cidade de Pemba.

O INAM prevê-se, adicionalmente, a continuação de chuvas em regime fraco a moderado na Zambézia, Niassa e resto dos distritos de Nampula e Cabo Delgado.

Chegou hoje a Maputo a segunda aeronave trazendo alimentos e roupas infantis de Angola, para apoio às vítimas das inundações. A ajuda faz parte de um leque de cerca de 70 toneladas de produtos diversos que Angola pretende doar para Moçambique. 

Segundo o secretário de Estado para a  Saúde de Angola, o gesto simboliza solidariedade e apoio à população moçambicana. O oficial angolano clarifica que foi ontem entregue o primeiro lote de doações de medicamentos diversos e, hoje, chegou a segunda aeronave, que traz alimentos e vestuário infantil.

O último lote vai chegar ao país amanhã, para completar as 75 toneladas de produtos que Angola pretende doar.  

Já o secretário de Estado do Comércio e da Indústria de Moçambique, António Grispos, avança que a gestão dos produtos será feita pelo INGD e que a alocação será feita de forma imediata, visto que o nível de necessidade é muito grande. 

António Grispos esclareceu ainda que os produtos têm chegado à população por via marítima e através do comboio, devido ao condicionamento da EN1. 

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