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O País – A verdade como notícia

Moçambique continua a enfrentar desafios para assegurar níveis sustentáveis de reservas de sangue, numa altura em que a procura pelo líquido vital cresce de forma constante nas unidades sanitárias do país. Dados avançados pelo Serviço Nacional de Sangue (SENASA) indicam que o país está muito abaixo dos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece que entre 1% e 3% da população deve ser dadora regular para garantir a estabilidade dos bancos de sangue.

Actualmente, em Moçambique, apenas entre 0,2% e 0,3% da população doa sangue com regularidade, um cenário que expõe fragilidades estruturais no sistema de recolha e coloca pressão acrescida sobre a capacidade de resposta hospitalar, sobretudo em situações de emergência.

A realidade torna-se particularmente sensível num país onde o sangue é indispensável para cirurgias, assistência a vítimas de acidentes de viação, hemorragias pós-parto, tratamento de crianças com anemia severa, doentes oncológicos e pacientes com outras patologias que exigem transfusões frequentes.

O alerta foi lançado este domingo, na cidade de Maputo, durante uma campanha de sensibilização e recolha de sangue realizada no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Dador de Sangue. Na ocasião, o porta-voz do SENASA, Merson Cunhane, reconheceu que a redução do número de dadores voluntários constitui um desafio crescente.

“Actualmente, nós temos acima de 50% de doadores familiares e, consequentemente, o número de doadores voluntários vai baixando. Porém, há uma indicação que é dada pela OMS, que diz que em países em desenvolvimento cerca de 1% a 3% da população tem que doar sangue. Mas o que se vê aqui em Moçambique é que estamos em volta de 0,2%, 0,3%. Isso indica que, em termos de doação de sangue, estamos extremamente baixos”, afirmou.

Segundo Cunhane, a dependência de dadores familiares compromete a eficiência do sistema, uma vez que a doação acontece, muitas vezes, apenas depois de o paciente já estar internado e necessitado de transfusão urgente.

“O sangue tem que ficar à espera do doente e não o doente ficar à espera do sangue. Então, se nós estamos a ter aumento de doadores familiares, significa que primeiro tem que chegar o doente à unidade sanitária e depois o familiar é que vem correndo para fazer a doação. Então, a nossa capacidade de resposta fica limitada”, explicou.

Nas cadeiras de recolha, o ambiente era marcado pelo silêncio e pela consciência do impacto do gesto. Entre os participantes, estavam dadores de primeira viagem e outros que já fazem da doação um compromisso regular.

A jovem Yara da Silva, que doou sangue pela primeira vez, descreveu a experiência como positiva e encorajadora.

“Na verdade, é a minha primeira vez. Sempre quis doar sangue, mas acho que nunca tive o cuidado de procurar e ter atenção. Mas sinto-me bem, estou bem e queria também aproveitar e chamar as pessoas para virem doar sangue. Não acontece nada de errado, sais daqui super bem e sentes-te muito bem por ajudar alguém que está precisando”, relatou.

O apelo à juventude também foi reforçado pelo dador regular, Issimile Kiane, que considera essencial criar hábitos permanentes de solidariedade.

“Eu ia incentivar os jovens para doarem sangue frequentemente, três em três meses. Eu, pessoalmente, sou um doador frequente e, como se diz, salvar uma vida é como se fosse salvar a humanidade”, afirmou.

Por sua vez, Issufo Lunate destacou a importância da doação, mas defendeu melhorias no atendimento aos familiares dos dadores, especialmente em situações críticas.

“Eu, como doador de sangue, deixava um apelo que melhorasse no serviço, que desse uma assistência rápida e imediata aos familiares do doador de sangue”, disse.

Apesar da pressão sobre as reservas, a vereadora da Saúde do Município de Maputo, Alice de Abreu, assegurou que, na capital, o stock existente continua a responder às emergências.

“Apesar de haver redução, nós temos sangue disponível para garantir todas as preocupações em termos de urgência nas nossas unidades. E o apelo que nós temos sempre feito é que mais munícipes possam fazer a doação para que os nossos níveis não estejam abaixo daquilo que é o recomendado”, garantiu.

Alice de Abreu explicou ainda que o acesso ao sangue por parte de familiares de dadores continua sujeito à avaliação clínica, à compatibilidade e à disponibilidade existente.

Dezenas de pessoas com albinismo marcharam, neste sábado, pelas ruas da cidade de Maputo, para exigir maior inclusão social, igualdade de oportunidades e acesso ao protector solar, um produto considerado essencial para a prevenção do cancro da pele.

A iniciativa enquadra-se nas celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, assinalado anualmente a 13 de Junho, e visou chamar a atenção para os desafios que continuam a afectar esta camada da população.

Munidos de cartazes e palavras de ordem, os participantes percorreram várias artérias da capital moçambicana para denunciar o estigma social, a discriminação e as dificuldades de acesso ao emprego que ainda enfrentam.

Entre as principais reivindicações dos manifestantes destacou-se o acesso ao protector solar, cuja utilização regular é fundamental para proteger a pele dos efeitos nocivos da exposição ao sol. Segundo os participantes, o elevado custo do produto continua a impedir que muitas pessoas com albinismo tenham acesso a este meio indispensável de prevenção.

As celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo contaram igualmente com a participação de pessoas com diferentes tipos de deficiência, numa demonstração de solidariedade e defesa conjunta da inclusão social.

A efeméride culminou com a realização de um workshop subordinado ao lema “Na Minha Pele”, durante o qual foram debatidos os desafios, as conquistas e as perspectivas para a promoção dos direitos das pessoas com albinismo em Moçambique.

Os participantes defenderam a adopção de medidas concretas para garantir o acesso à saúde, à educação, ao emprego e à protecção social, reiterando o apelo para que as pessoas com albinismo sejam reconhecidas e tratadas com dignidade e respeito.

A população de Chilembene, no distrito de Chókwè, província de Gaza, interceptou na madrugada deste sábado um camião que transportava 175 sacos de adubo, alegadamente desviados dos armazéns do distrito de Chibuto. O caso eleva para quatro o número de ocorrências do género, registadas em menos de dois meses, envolvendo insumos destinados às vítimas das recentes cheias.

O material era transportado por um camião de seis toneladas da marca Hino, surpreendido quando tentava descarregar a carga num alegado armazém clandestino, localizado em Chiduachine, no Posto Administrativo de Chilembene.

Segundo o chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco, há fortes indícios de que parte dos fertilizantes tenha sido desviada dos armazéns de Chibuto, onde estavam armazenados insumos destinados à assistência e recuperação dos agricultores afectados pelas inundações.

De acordo com a mesma fonte, outra parcela do adubo poderá ter sido adquirida de forma irregular junto de agricultores da localidade de Macavelane.

A descoberta ocorre numa altura em que milhares de camponeses continuam a enfrentar dificuldades para recuperar das perdas provocadas pelas cheias, que afectaram a província de Gaza nos últimos meses. Os insumos agrícolas, distribuídos por parceiros e pelo Governo para apoiar a retoma da produção, têm sido alvo de sucessivos casos de alegado desvio.

Com este novo episódio, sobe para quatro o número de casos de apreensão ou denúncia de desvio de sementes e fertilizantes registados em menos de dois meses na região.

Entretanto, o Governo distrital de Chibuto ainda não se pronunciou sobre a sucessão destes casos. Por sua vez, a Polícia da República de Moçambique (PRM) informou que deverá apresentar um posicionamento oficial sobre a ocorrência na próxima segunda-feira.

As autoridades prosseguem com as investigações para determinar a origem da carga e identificar os responsáveis pelo alegado esquema de desvio de insumos agrícolas destinados às populações afectadas pelas calamidades naturais.

 

Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite de quinta-feira, o supermercado Spar, localizado na cidade da Matola, provocando avultados prejuízos materiais e deixando em choque clientes e trabalhadores do estabelecimento.

O fogo deflagrou por volta das 21 horas e consumiu praticamente toda a infra-estrutura, incluindo o armazém e os produtos armazenados. Na manhã seguinte ao sinistro, equipas do Serviço Nacional de Salvação Pública continuavam a trabalhar para debelar os últimos focos de incêndio ainda activos no interior do edifício.

No local, o governador da província de Maputo, Simão Tule, afirmou que os trabalhos de rescaldo prosseguiam e que ainda era prematuro avançar com conclusões sobre as causas do incêndio.

“Neste momento ainda decorrem os trabalhos para debelar o fogo, porque ainda há focos de incêndio no interior. Os bombeiros estão aqui desde ontem a fazer este trabalho”, declarou.

Segundo o governador, somente após a conclusão das operações será possível avaliar a extensão dos prejuízos e iniciar o processo de apuramento das causas do sinistro.

“Assim que terminar o trabalho dos bombeiros, poder-se-á fazer a avaliação do que aconteceu e procurar saber das causas que estarão na origem deste incêndio”, referiu.

Simão Tule lamentou a destruição do estabelecimento, destacando a importância do supermercado para os residentes da Matola e zonas circunvizinhas.

“É com muita pena que assistimos a esta situação. Muitas pessoas tinham este supermercado como local habitual para fazer as suas compras. Infelizmente, ficou completamente destruído”, afirmou.

Apesar da dimensão dos danos, o governador revelou que o estabelecimento possui cobertura de seguro, o que poderá facilitar o processo de recuperação.

“Felizmente, o supermercado está assegurado. Depois da avaliação dos prejuízos, poder-se-á decidir os próximos passos e avançar para uma possível reabilitação e retoma das actividades”, explicou.

Questionado sobre as possíveis causas do incêndio, Simão Tule recusou-se a avançar qualquer hipótese, sublinhando que ainda decorrem avaliações técnicas no local.

“É difícil prever o que aconteceu. Neste momento não é possível dizer quais são as causas ou o que está por detrás deste incêndio. Depois da avaliação, a informação será divulgada”, declarou.

Até ao momento, não há registo de vítimas. As autoridades continuam concentradas na conclusão das operações de rescaldo e no apuramento das circunstâncias que estiveram na origem do incêndio.

O Papa Leão XVI nomeou novos administradores apostólicos para as arquidioceses da Beira e de Quelimane. 

Trata-se de Dom António Manuel Bogaio Constantino, bispo de Caia, que passa a liderar a administração apostólica da Beira, enquanto Dom Estêvão Ângelo Fernando, bispo de Alto Molócuè, assume a Diocese de Quelimane.

As nomeações foram divulgados através de um comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique, dias após o assassinato de Dom Osório Citorra,  entao bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. 

As decisões enquadram-se no processo de reorganização pastoral das duas circunscrições eclesiásticas.

Os administradores apostólicos terão a missão de assegurar a continuidade pastoral e administrativa até à eventual nomeação dos respetivos titulares pelo Santo Padre.

Durante a cerimónia fúnebre de Dom Osório Citora Afonso, o Arcebispo de Nampula, Inácio Saúre, lançou um forte apelo à reflexão sobre as circunstâncias do assassinato do prelado, estabelecendo um paralelo entre a sua morte e a traição de Jesus Cristo, tal como narrada nos Evangelhos.

Na sua homilia, o religioso afirmou que Dom Osório foi entregue à morte “num gesto não de amor, mas de ódio”, evocando a figura de Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus. Citando passagens bíblicas, destacou a dor provocada pela traição de alguém próximo, sugerindo que existem elementos que apontam para o possível envolvimento de pessoas do círculo de confiança da vítima.

“Há fortes indícios”, declarou o sacerdote, acrescentando que, caso se confirme a participação de pessoas próximas no crime, o facto constituirá “um grande escândalo”.

Apesar da gravidade das suspeitas, o líder religioso rejeitou qualquer discurso de vingança, defendendo antes a necessidade de misericórdia e conversão. Segundo afirmou, quem comete um assassinato não age como uma pessoa livre, mas como alguém dominado pelo mal e necessitado de redenção.

A homilia serviu igualmente para enaltecer o percurso pastoral de D. Osório, apresentado como um homem que viveu plenamente a sua missão de serviço à Igreja e à comunidade. O orador sublinhou que o bispo compreendia o sacerdócio como uma entrega total aos outros e que acabou por dar a vida de forma trágica, sem jamais ter procurado tal destino.

Num dos momentos mais marcantes da intervenção, o religioso apelou para que a morte de Dom Osório represente um ponto de viragem na sociedade moçambicana, marcada por episódios de violência e assassinatos.

“Que este assassinato seja o ponto final desta prática vergonhosa e pecaminosa”, defendeu, manifestando o desejo de que o país abandone definitivamente a cultura da violência e da eliminação física de adversários.

A cerimónia ficou marcada por momentos de profunda emoção, num ambiente de consternação e homenagem à memória de D. Osório, cuja morte continua a suscitar inquietação e exigências de esclarecimento por parte da sociedade.

Decorre hoje, na cidade de Nampula, o velório de Dom Osório Citora Afonso, cerimónia que reúne familiares, membros da Igreja, autoridades e fiéis para a última homenagem ao prelado.

As exéquias estão a ter lugar na principal igreja da arquidiocese, onde, desde as primeiras horas do dia, se registou grande afluência de pessoas vindas de diferentes pontos da província e de outras regiões do país. O ambiente é marcado por orações, cânticos litúrgicos e mensagens de condolências.

Durante o velório, líderes religiosos destacaram o legado pastoral do bispo, recordando o seu trabalho em prol da evangelização, da formação de sacerdotes e da promoção de iniciativas sociais junto das comunidades mais vulneráveis. Fiéis presentes na cerimónia descrevem-no como uma figura de proximidade, diálogo e dedicação ao serviço da Igreja e da sociedade.

Representantes do Governo, autoridades locais e organizações da sociedade civil também têm passado pelo local para prestar homenagem. Nas intervenções públicas, várias personalidades sublinharam o papel do prelado na defesa da paz, da coesão social e dos valores humanos.

Segundo informações da arquidiocese, o velório deverá prolongar-se ao longo do dia, culminando com celebrações litúrgicas e momentos de oração comunitária. O programa das exéquias prevê ainda uma missa solene e o funeral em data e local anunciados pelas autoridades eclesiásticas.

O Município de Maputo vai interditar a venda de mariscos na praça 25 de Junho, nas imediações do Porto de Maputo, a partir do próximo domingo, 14 de Junho. A medida não está a ser bem acolhida pelos informais que operam no local. 

Mariscos expostos ao ar livre, garrafas de bebidas alcoólicas jogadas no chão e viaturas estacionadas longe de qualquer organização, é o actual retrato das imediações da praça 25 de Junho e a emblemática fortaleza e o Porto de Maputo. Mas há uma nova ordem para o local de busca de subsistência dos vendedores informais. 

O conselho municipal de Maputo quer organizar o local

A medida ressurge em um contexto de requalificação da praça após longos anos de enceramento. A eventual reabertura, vai obrigar realocação dos comerciantes nos mercados formais.

Embora o Município garanta haver mercados preparados para receber os vendedores, os informais recusam abandonar o local onde dizem conseguir sobreviver

Os municípios de Xai-Xai, Inhambane e Chimoio informaram ao Governo que não vão aderir ao subsídio de transporte, tendo preferido agravar as tarifas. O Ministério dos Transportes e Logística diz que o processo de verificação dos transportadores licenciados e pagamento do subsídio é acompanhado por uma auditoria e se não houver conformidade, poderá haver responsabilização.

O Ministério dos Transportes assegura ter feito o pagamento do primeiro mês de subsídio ao transportador, depois da verificação do número de transportadores licenciados e após agravar-se o preço dos combustíveis a 7 de Maio. Mas, neste processo, houve quem rejeitou o subsídio.

O processo de verificação dos transportadores licenciados é acompanhado por uma auditoria e terá de ser refeita a verificação nos próximos pagamentos. Enquanto isso, vários municípios ainda não deram informação sobre adesão ao subsídio.

Depois dos três meses de pagamento de subsídio, será instalado um sistema nos transportes para melhor controlo das despesas relativamento ao combustível.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, por sua vez, confirma ter sido feito o pagamento do primeiro mês do subsídio e explicou as razões do subsídio não abranger o transporte interdistrital e interprovincial.

Enquanto isso, o Executivo diz ter recebido da FEMATRO uma proposta sobre tarifas interprovinciais ainda não homologadas. As informações foram avançadas em conferência de imprensa convocada pelo Ministério dos Transportes para dar o ponto de situação do pagamento de subsísio ao transporte.

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