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O País – A verdade como notícia

Um autocarro de transporte de passageiros foi reduzido a cinzas, depois de pegar fogo ao longo da N10 na região de Domela, distrito de Nicoadala, na província da Zambézia. O incidente ocorreu por volta das 4 horas de hoje.

O autocarro, da transportadora City Link, tinha como destino a Cidade de Maputo. 

Era para ser mais um dia de viagem com tranquilidade, mas viria a ser interrompida por conta de um incêndio que consumiu todo o autocarro pertencente. Seguiam 23 passageiros a bordo e todos conseguiram escapar da situação. 

O motorista, que preferiu não ser identificado, fala de tragédia para a companhia, e diz que tudo foi feito na altura para debelar o incêndio, mas sem sucesso, dada a intensidade. Explicou que as chamas começam a se fazer sentir do lado traseiro do autocarro.

As autoridades estão no terreno a aferir a situação. A delegada do INATRO na Zambézia, Lurdes Narciso, diz que tem recomendado sempre os automobilistas a levarem extintores nos veículos, bem como verificar as condições mecânicas dos mesmos.

O adolescente, de 15 anos, foi alegadamente torturado até à morte, depois de ser encontrado numa residência supostamente a roubar, ao longo da madrugada desta quarta-feira , no bairro de Sangariveira, na cidade de Quelimane. O proprietário da residência acabou detido depois de se entregar à Polícia, negando as acusações de tortura contra o finado.

O detido, indiciado de morte do adolescente, tem 45 anos de idade. A imagem do finado, vista no local logo após ao sucedido, é chocante: Corpo todo sujo de areia, sem roupa, o que levanta muitas interpretações sobre as reais motivações da morte. O proprietário da residência onde adolescente de 15 anos foi encontrado sem vida no bairro é tido pela Polícia como principal suspeito de homicídio agravado. Mais ainda, o adolescente foi achado amarrado com sinais de tortura depois de alegadamente pretender assaltar a residência deste, de acordo com Sidner Lonzo, porta-voz da Ppolícia na Zambézia.

Segundo explica, quando as diversas equipas de perícia foram ao local, ficou difícil perceber se foi mesmo o cão que matou o adolescente. “Tudo indica que o adolescente foi torturado, basta ver que o corpo estava amarrado e apresentava sinais neste sentido, nomeadamente areia por todo o corpo, sem roupa etc, a incursão de um cão na acção ficou difícil de apurar”, disse o porta-voz.

A família do finado lamenta o facto de o corpo do seu familiar ter sido encontrado amarrado, sujo e sem vida. Eduarda Dinheiro, irmã da vítima, fez saber que, pelas indicações vistas no local, “o corpo amarrado é do meu sobrinho sem vida; sem se ter provado que roubou, embora tenha estado no quintal do senhor, é desolador. Esperamos que os que lidam com a justiça, façam o seu devido trabalho para o esclarecimento deste caso”, disse a irmã do finado.

O proprietário da residência em causa está detido e já foi lavrado o auto criminal que vai seguir às estâncias de administração da justiça. Falando ao nosso jornal, fez saber que em nenhum momento torturou o adolescente.

“O que acontece é que, quando me apercebo da situação, saí de casa para o quintal, vejo o adolescente a ser maltratado pelo cão de casa. Na sequência, procurei retirar o cão com ajuda do guarda, que também estava no local. Na sequência, o menino contou a que família pertencia e, de seguida, amarrei para não fugir e fui ao encontro da família do adolescente por sinal irmã. Quando chegámos à casa, deparámos com o finado sem naquelas circunstâncias e imediatamente tratei de vir me entregar à Polícia e por isso cá estou”, disse.

Com cerca de 700 quilómetros de costa, as águas de Inhambane são apreciadas não só para ganhar dinheiro com a prática do turismo, mas também há quem ganha dinheiro no mundo do crime.

É que, segundo o procurador-chefe em Inhambane, a zona costeira dos distritos do norte da província, é usada por traficantes para colocar drogas no território moçambicano, cuja venda e consumo está a aumentar nos últimos anos.

O magistrado diz que os distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo são usados por traficantes de drogas, na calada da noite, para colocar em Moçambique, droga que vem da Ásia, por via marítima que e baldeada no alto mar para pequenas embarcações e de lá para a terra firme. Dessa droga, parte é vendida no mercado de Inhambane e outra parte segue para as províncias de Gaza e Maputo, outro ponto preferencial de consumo de drogas do país.

Para combater este e outros males, Nazimo Mussa defende que tal acção passa por fortalecer com meios humanos e materiais, a Polícia da República de Moçambique e o Serviço Nacional de Investigação Criminal, entidades competentes para investigar crimes. Tal fortalecimento consiste, segundo sugere o magistrado, na aquisição de meios aéreos e marítimos, dotar a inteligência policial de meios de recolha de voz, vídeo, seguimento de vigilância e outros, para que possam recolher evidências que alimentem as investigações.

Nazimo Mussa coloca o dedo na própria ferida e critica a forma como a justiça aplica algumas medidas de coação, que, na sua visão, prejudicam a investigação dos casos. Tais medidas referidas por Nazimo Mussa são a liberdade condicional mediante o termo de identidade e residência, ou ainda o pagamento de caução, que, não raras vezes, são promovidas pelo Ministério Público e aplicadas pelo tribunal de forma leviana e irresponsável, criando constrangimentos na instrução do processo, permitindo a fuga de suspeitos, dificultando a responsabilização dos agentes do crime, passando para o público em geral, uma imagem de que os grandes traficantes de droga, gozam de imunidade.

Ainda sobre o assunto, Nazimo Mussa sugere que se reflita de forma crítica sobre a prisão preventiva de consumidores de droga, uma vez, que segundo ele, também são vítimas do fenômeno “encarcerar pessoas tóxico dependentes encontrados na posse de pequenas quantidades de droga para o consumo, muitas das vezes não é a solução” acrescentou o magistrado, terminando que quer o Ministério Público e os Tribunais devem aplicar penas alternativas à prisão e garantir o tratamento dessas pessoas.

O Juiz Presidente do Tribunal Judicial de Inhambane, defende que o judiciário está preso a um conjunto de leis, que não vão de encontro com a realidade no terreno.

Ernesto Véquina entende que a lei de combate a droga pune de forma simbólica o consumo de drogas, sob a justificação de que quem usa droga, precisa de apoio e não de prisão. A referida lei diz que a prisão no caso de consumo, pode ser suspensa se o infractor for cumulativamente menor de idade, não reincidente, que assuma o compromisso de não voltar a fazer o uso da droga e que aceite submeter-se ao tratamento médico.

Porém, segundo Véquina, a demasiada abertura da lei atento à realidade actual do país, onde o estado não tem centros de reabilitação, relegando tais responsabilidades às organizações da sociedade civil, e organização não governamentais, o que pode propiciar a reincidência no consumo de drogas, sobretudo pelo gravo rigor na fiscalização daquelas entidades privadas, quando não acompanhadas por um controle jurisdicional.

Estas declarações foram proferidas no âmbito da abertura do ano judicial em Inhambane, que contou com a presença do Secretário de Estado na província, magistrados do Ministério Público e do judiciário, advogados e investigadores criminais.

Organizações da Sociedade civil condenam o assassinato de uma mulher a facada, na Matola Rio e a soltura do suposto assassino, que era o marido, mediante o pagamento de caução. A sociedade civil exige justiça. Entretanto, o indiciado foi reencarcerado.

Celina Muiambo é o nome da mulher assassinada, com recurso a uma faca, há cerca de uma semana, na Matola Rio, província de Maputo.

Depois de morta, o corpo foi depositado numa lixeira.

“Só tomamos conhecimento na quarta-feira, quando tentávamos ligar durante a semana para a nossa irmã  e o número encontrava-se desligado. Acabamos ligado para o Edson, que é o esposo da Celina, e ele disse que não a via desde sábado às 23 horas. Questionamos o facto dele não ter dito a ninguém sobre o desaparecimento da sua esposa, daí que começamos a fazer as buscas pelas redes sociais ”, contou uma das irmãs da vítima.

Três dias depois, o corpo foi encontrado pela família na morgue e o marido é acusado de ser o assassino da mulher.

Entretanto, o indiciado terá sido solto após pagar 100 mil meticais de caução.

“Ele foi solto e todos nós ficamos indignados. Pedimos socorro para entender a razão dele ter sido posto em liberdade, depois de tudo aquilo que fez”, acrescentou.

O caso levou a que mais de 50 organizações da sociedade civil se reunissem, esta quarta-feira,  na Cidade de Maputo, para repudiar a soltura do indiciado, mesmo depois de ter confessado o crime.

“E a vida da nossa companheira que se foi? Mas uma vez, o estado moçambicano provou não se importar com a vida humana, especialmente com a das mulheres, reafirmando que a cultura de impunidade está instalada na nossa sociedade e nas instituicoess”, disse Dalila Macuacua, membro de uma organização da sociedade civil.

Apesar de ter sido reconduzido às celas,  a sociedade civil defende que se deve fazer mais, para que a justiça seja feita.

“Que haja a devida investigação, por parte do Conselho Superior de Magistratura Judicial para confirmar se não houve corrupção ou má prática judicial para a libertação de alguém ” disse a activista Quitéria Guirengane.

Celina deixa um filho menor.

Inicia hoje o Ano Judicial 2024. A cerimónia de abertura foi dirigida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que pediu maior empenho do poder judiciário na luta contra as drogas.

Segundo Filipe Nyusi, o indivíduo que consome e vende drogas “não deve merecer contemplações do nosso sistema de justiça”, por mais “simpático” que seja.

E porque o sistema judiciário enfrenta alguns desafios, o Governo compromete-se a contribuir para o reforço da capacidade do judiciário, para que responda de forma eficaz a esses mesmos desafios.

“Nesta senda, continuaremos a apoiar a implementação da iniciativa “Um Distrito, um Edifício condigno para o tribunal, e a construção, já em curso, dos edifícios do Tribunal Supremo e do Conselho Constitucional”, explicou o Chefe de Estado.

Chuvas moderadas a fortes, acompanhadas de trovoadas, poderão atingir as províncias de Inhambane, Manica e Sofala, esta sexta-feira. O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia, que recomenda a tomada de medidas de precaução.

Em Inhambane, os distritos de Govuro, Inhassoro, Mabote, Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Funhalouro, Homoine e cidades de Maxixe e Inhambane, serão os mais afectados.

Em Manica, o alerta vai para os  distritos de Machaze, Mossurize, Sussundenga, Gondola, Manica, Vanduzi e cidade de Chimoio.

Machanga, Chibabava, Buzi, Nhamatanda, Dondo, Gorongosa, Muanza, Cheringoma, Marromeu e cidade da Beira serão os mais fustigados pelo mau tempo.

“Adicionalmente espera-se a continuação de chuvas moderadas locais, na região Norte do país”, refere o INAM, em comunicado.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirige hoje, em Maputo, a abertura do Ano Judicial 2024. O lema deste ano é: “Reforçando o Papel do Judiciário no Combate ao Tráfico de Drogas”.

Antes do evento, o Chefe do Estado vai conferir posse pelas, no Gabinete da Presidência da República, aos membros da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, de acordo com uma nota da Presidência. 

Desde que iniciaram os ataques terroristas em Cabo Delgado no ano 2017, alguns doentes com lepra, que vivem na zona Norte da província, deixaram de ter acesso ao tratamento médico e à assistência psicossocial.
A situação é considerada crítica e preocupante, especialmente para a Associação de Pessoas  Atingidas pela Lepra, ALEMO, uma organização que está com dificuldades de fazer o devido acompanhamento  dos doentes que saíram dos seus locais de habitação devido à insegurança.

“ALEMO viu os seus grupos destruídos naquela zona com deslocados para locais incertos, reduzindo, assim, o número de inscritos.  Lamentamos que os efeitos desta guerra fez parar total ou parcialmente as visitas aos grupos da zona Norte e parte do Centro e Sul da provincia”, alertou Regina Jacinto, representante da ALEMO em Cabo Delgado.

Alguns doentes com lepra em Cabo Delgado deixaram de ter assistência médica e acompanhamento psicossocial devido aos ataques terroristas, que forçaram o encerramento de unidades sanitárias e a deslocação de milhares de pessoas nos últimos sete anos.

A preocupação da ALEMO foi apresentada no distrito de Namuno, durante as comemorações do Dia Mundial de Luta contra Doenças Tropicais Negligenciadas.

“A lepra continua a preocupar a nossa província, pela ocorrência de bolsas desta doença um pouco por toda a província, com mais destaque para os distritos de  Namuno, Chiúre, Nangade, Montepuez, Meluco, Mecufi e Pemba, tendo sido diagnosticados, em toda a província, setecentos e quarenta e cinco casos novos em 2023, contra  quinhentos sessenta oito em 2022”, confirmou Magido Sabuna, Director Provincial de Saúde em Cabo Delgado.

Segundo estatísticas da saúde, desde que iniciaram os ataques terroristas em 2017, Cabo Delgado registou três mil cento e oitenta e sete casos de lepra, dos quais 132 nas zonas afectadas pelo terrorismo, sendo quatro na ilha do Ibo, quatro em Macomia, 19 em Meluco, 10 em Mocímboa da Praia, 16 em Mueda, 59 em Palma, oito em Metuge e Quissanga com sete casos.

Muidumbe é o único distrito alvo de ataques terroristas, que não registou casos de lepra nos últimos sete anos.

Mais de três mil alunos deixam de estudar ao relento, na Escola Primária de Malhampsene. Foram construídas 12 novas salas de aula e reabilitadas nove. A unidade foi inaugurada, hoje, pela ministra do Género, Criança e Acção Social.

A reinauguração e a entrega da Escola Primária de Malhampsene, que se tornou básica no presente ano lectivo, foram feitas pela ministra do Género, Criança e Acção Social, Nyeleti Mondlane, depois de erguidas novas salas de aula e requalificadas as antigas.
Até ao ano passado, era a escola que mais acolhia turmas debaixo de árvores, com alunos sentados no chão, sujeitos à chuva e à poeira no Município da Matola.

São mais de três mil alunos que deixam de estudar ao relento.

“As infra-estruturas ora existentes, além do elevado estado de degradação que apresentavam, tinham a capacidade reduzida de albergar todos os alunos, por isso mais que a metade estudava em salas improvisadas debaixo de árvores, facto que prejudicava o processo de ensino-aprendizagem, sobretudo em intempéries”, disse Samuel Samo Gudo, Presidente do Conselho de Administração da Mozal.

Além de salas de aula climatizadas, com novas carteiras e quadros modernos, foram também erguidos sanitários, sistema de abastecimento de água, blocos administrativos, pontos de lavagem das mãos e guarita.

A ministra do Género, Criança e Acção Social desencoraja o consumo de drogas e a violência no recinto da infra-estrutura.

“Um ambiente escolar seguro e saudável é fundamental. Assim, apelamos a todos para se engajarem na prevenção e combate ao consumo de álcool e outras drogas. O combate à violência baseada no género, às uniões prematuras e às gravidezes precoces são desafios que exigem a nossa atenção colectiva para o sucesso dos nossos filhos”, disse Nyeleti Mondlane.

A governante falou ainda da necessidade de se garantir a retenção da rapariga na escola e apelou para a preservação da infra-estrutura.

As obras da escola estão avaliadas em 117 milhões de Meticais, da empresa de alumínio Mozal.

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