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O País – A verdade como notícia

Portugal diz que está a trabalhar com Moçambique para assegurar a continuação da missão da União Europeia que treina as Forças de Defesa e Segurança na província de Cabo Delgado para o combate ao terrorismo.

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiro e Cooperação de Portugal está de visita a Moçambique e, esta segunda-feira, foi recebido pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. 

Depois do encontro, em declarações à imprensa, Portugal diz que vai continuar a trabalhar de mãos dadas com Moçambique para garantir a continuação da missão da União Europeia, que treina as Forças de Defesa e Segurança para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado. 

“E só trabalhando de mãos dadas é que se conseguiu um desfecho positivo para termos uma missão que está a trabalhar. E já formou, hoje, (uma unidade) de Forças Especiais moçambicanas. Como é evidente, que não haja qualquer dúvida, Portugal vai continuar a trabalhar com Moçambique neste assunto”, revelou Francisco André, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal. 

Francisco André acrescenta, ainda, “estamos a coordenar as nossas posições na articulação com os nossos sócios europeus, que são os parceiros europeus de Moçambique. Irá haver uma visita muito importante na próxima semana e penso que temos todas as condições para manter esta missão. É por isso que Portugal e Moçambique estamos os dois a trabalhar, tal como o fizemos no passado”. 

Também membro da União Europeia, a Espanha, através da sua agência de desenvolvimento, junta-se à causa do terrorismo através da criação de oportunidades económicas para a população afectada. 

“Nós iremos a Cabo Delgado na quarta e quinta-feira para, também, apoiar as instituições da província. No desenvolvimento, por exemplo, de actividades turísticas sustentáveis. Também no apoio através da ajuda humanitária a povoações vítimas do conflito que foram deslocadas dos seus povos e dos seus espaços. O trabalho é criar condições de desenvolvimento”, avançou Anton Garcia, Director-geral da Agência Espanhola de Desenvolvimento. 

O factor primordial para esta assistência, refere Anton Garcia, “é a segurança no terreno que é o pré-requisito para o desenvolvimento. Através da União Europeia, a Espanha está a apoiar as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas. O trabalho da Agência da Cooperação Espanhola, que fica presente em Cabo Delgado para questões prioritárias e que historicamente ficamos lá, mesmo nos momentos mais difíceis, continuamos a desenvolver projectos e criar estas oportunidades para que Cabo Delgado seja uma região próspera e com oportunidades para todos os moçambicanos e moçambicanas”. 

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, no fim das audiência, disse que as relações de Moçambique com Espanha e Portugal são boas. “A avaliação que nós fazemos é que as nossas relações de amizade e cooperação estão a atravessar um bom momento”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Gonçalves. 

Os três países passaram em revista a sua cooperação em vários sectores com destaque para saúde, educação, agricultura e cultura.  

642 alunas do ensino secundário dos distritos de Quelimane e Nicoadala beneficiaram de bicicletas, no âmbito do programa Eu Sou Capaz, da iniciativa da Primeira-dama da República, Isaura Nyusi. A cerimónia foi dirigida esta segunda-feira pelo secretário de Estado da Juventude e Emprego, Oswaldo Petersburgo.

São meios importantes e que vão apoiar às raparigas no processo de ensino e aprendizagem. Muitas delas residem distante das escolas e, com os meios, espera-se reforçar a assiduidade. Percorrem em média 20 quilômetros para encontrar uma escola secundária. 

“Queremos destacar que esta actividade, de apoio em bicicletas as raparigas, não iniciou este ano, iniciou em 2022. Começamos sobretudo na província de Manica e Sofala, numa altura em que a província da Zambézia ainda não era beneficiária. Na província de Sofala e Manica, nós atingimos 30 escolas, 16 distritos e 4.662 raparigas no processo de distribuição de bicicletas. Neste ano 2024, estamos a entregar os meios em 10 escolas de cinco distritos da província de Cabo Delgado”, explicou Oswaldo Petersburgo.

O secretário de Estado da Juventude e Emprego disse ainda que “aqui na Zambézia vamos atingir 22 escolas em 11 distritos, na província de Manica 17 escolas em 9 distritos, Sofala 14 escolas de oito distritos e na província de Maputo três escolas em dois distritos”. 

No distrito de Nicoadala beneficiaram de bicicletas  362 raparigas, enquanto que Quelimane 280. Foram, ainda, entregues duas oficinas para reparação dos meios.

Mais de quatro mil alunos estudam em salas improvisadas em Matlemele
A Escola Primária Completa de Matlemele, no Município da Matola, continua encerrada devido à água que inundou as salas de aula e o pátio. A situação obrigou cerca de quatro mil alunos a ficarem em casa durante mais de duas semanas, sendo que as aulas só se iniciaram esta segunda-feira, em salas  improvisadas.

A Escola Primária Completa de Matlemele,  na autarquia da Matola, está abandonada devido a inundações. Mais de quatro mil alunos foram forçados a não iniciar as aulas no mesmo dia que as outras.

Duas semanas depois, as crianças começaram a estudar no espaço onde estava a ser construído o aterro sanitário de Matlemele.
Pretende-se construir, no local, um total de 25 salas, sendo que, até agora, 13 delas estão prontas.

A situação vivida na manhã desta segunda-feira, 19 de Fevereiro, foi de total agitação, com os pais e encarregados de educação, na companhia dos seus educandos, a procurarem pelas turmas.

“Estou a trazer as crianças para estudarem. Ainda não identifiquei a sala de aula para elas. Está tudo desorganizado, mas vou continuar a procurar”, reclamou Sofia Bernardo, encarregada de educação.

As salas de aula são feitas de madeira e zinco. O chão não está cimentado e as carteiras não chegam para todos, situação que não satisfaz os encarregados de educação, embora reconheçam que seja melhor que as crianças estudem no actual cenário do que na anterior escola, cheia de água.
“Comparando com aquela, esta é melhor. Mas não é a melhor escola. Se o Governo pudesse fazer o melhor,  seria bom para nós. A escola não  está tão segura. Como se pode ver, está  cercada de mata. A escola  é um pouco distante para algumas crianças”, queixou-se Américo Vunjane, encarregado de educação.

São, ao todo, 4117 alunos, divididos em 75 turmas, em regime de três turnos, com uma média de 50 alunos por turma. O director da escola, Francisco Alissene, diz que, para já,  é importante garantir que os meninos estudem.

“Como vê, hoje é o primeiro dia e estamos ainda a construir a escola. Neste momento, o importante é garantir que as crianças tenham condições para estudar.”

Joaquim Malate, professor, já tem a turma composta e já começou com a actividade lectiva, interagindo com os seus alunos.  Malate contou ao “O País” que a situação vai exigir muito dos professores, visto que as condições não são adequadas.

“Dá para trabalhar. Como está a ver, estão aqui os meninos. Estamos conscientes de que não é possível fazer tudo num único dia. Vamo-nos esforçar e, acima de tudo, trabalhar e acreditar que os próximos dias vão ser melhores.”

É possível ver-se, no recinto escolar, um enorme espaço que não tem vedação e algumas sombras no pátio. Tudo está a ser improvisado, incluindo os sanitários.

Não existem, ainda, bloco administrativo nem gabinetes para os gestores da escola. Mas o director da instituição garante que os compartimentos serão construídos.

“São situações possíveis, que o Governo do distrito da Matola encontrou para proporcionar o mínimo de condições para que o trabalho prossiga. Estamos cientes dos desafios e estaremos cá para fazer o melhor.”

A escola vai funcionar naquele espaço provisoriamente, enquanto se procura  identificar um local seguro para a construção do novo recinto escolar.

Um incêndio de grandes proporções destruiu totalmente um supermercado na avenida da Marginal, na Cidade de Maputo. O Serviço Nacional de Salvação Pública não sabe o que causou o fogo.

No estabelecimento comercial, diversos produtos foram reduzidos a cinzas. Segundo testemunhas, o incêndio terá começado por volta das 20 horas deste domingo.

“De repente, vimos fogo do outro lado do supermercado, começámos a gritar pedindo socorro, porque pensávamos que fossem malfeitores tentando roubar algumas coisas, foi quando vimos que o fogo já se estava a alastrar”, contou uma das testemunhas.

No local, não houve mortos nem feridos, mas os danos causados são avultados.

A agente de segurança em serviço explicou que o incêndio terá começado na parte traseira do supermercado e logo se alastrou, consumindo tudo.
“Eu estava do lado de fora em conversa com o meu colega, depois do jantar. De repente, vimos chamas, mas como não tínhamos a possibilidade de ir para o outro lado, lá atrás, nada pudemos fazer. Imediatamente, ligamos para os bombeiros, mas eles chegaram mais tarde, por volta das 22 horas. Eles fizeram o trabalho, mas a água acabou. Tiveram de voltar para buscar mais água.”

Segundo o Serviço Nacional de Salvação Pública, as causas do incêndio são desconhecidas.

“Ainda não se pode adiantar nenhuma causa para o surgimento deste incêndio, ou seja, é um incêndio de origem desconhecida e, devido ao seu grande vulto, foi destacada uma equipa do SENSAP, que é responsável por fazer averiguação do incêndio para aferir as reais causas que estiveram por detrás desta ocorrência”, disse Vanesa Chiau, porta-voz do SENSAP na Cidade de Maputo.

Os proprietários da empresa não quiseram prestar declarações, mas o nosso jornal sabe que, em resultado do incêndio, mais de 100 trabalhadores do supermercado estão com o futuro incerto.

Um transportador foi obrigado por terroristas a pagar 150 mil Meticais em troca da sua vida e mercadoria. O sector privado em Cabo Delgado condena a situação.

É mais uma manobra encontrada pelos terroristas para intimidar a população. Desta vez, a vítima foi um condutor de um camião de mercadoria. Teve de escolher entre pagar 150 mil Meticais para ficar livre e ver a sua mercadoria queimada.

O referido assalto ocorreu no sábado, no distrito de Quissanga, em Cabo Delgado, segundo conta o presidente do Conselho Empresarial da província.

“Um dos carros do nosso empresário do distrito de Quissanga teve problemas. O carro enterrou-se numa das áreas do troço e ele pediu socorro de um tractor para puxar o carro. Depois de puxar o carro, a caminho da vila, cruzaram-se com insurgentes. Eles não fizeram nenhum ataque, não queimaram o carro, simplesmente procuraram saber da proveniência da mercadoria e disseram: ‘queimamos a viatura juntamente com a mercadoria ou dá-nos 150 mil Meticais’, foi o que aconteceu.

Para evitar a queima do carro e das mercadorias, o comerciante viu-se obrigado a entregar o valor pedido e eles deixaram os carros. Não queimaram nada, simplesmente levaram um saco de arroz e duas embalagens de Frozzy, e eles libertaram os carros para seguir viagem. Não houve nenhum ataque.”

É uma situação que, segundo Mamundo Irache, prejudica o ambiente de negócios.

“O impacto é muito negativo nessas situações: imaginemos se o empresário não tivesse o dinheiro pedido, teria mais prejuízos. Há mercadorias que os empresários levam a crédito, isso traz mais prejuízos.”

Quando questionado se a situação já foi reportada às autoridades, Irache respondeu nos seguintes termos:

“Todos já temos a informação. Imagine, se nós que estamos na cidade de Pemba temos a informação, evidentemente que toda a gente já tem.”

Circula nas redes sociais uma suposta carta manuscrita do grupo de terroristas que obriga condutores a pagarem valores para circular nas estradas do Rovuma ao Maputo para não serem mortos e não perderem os seus bens.

Um incêndio deflagrou, na manhã de hoje, o antigo reservatório de petróleo bruto usado para a produção de combustível. O tanque localizado no Porto da Matola, pegou fogo quando decorriam trabalhos da sua recuperação.

O fogo consumiu o reservatório que há 40 anos está inoperacional, e cuja sua recuperação estava prevista para os próximos dias. Sucede, porém, que um trabalho de soldadura originou as chamas no local.

Para o local, para debelar o incêndio, foram destacados dois carros de bombeiros, que numa operação de 10 minutos resolveram a situação.
Devido ao caos instalado, a entrada e saída ao Porto da Matola ficaram condicionadas. Não houve danos humanos, não houve também outro tipo de prejuízo.

Até a saída do Jornal O País do local a situação estava resolvida.

A Petromoc apela a calma e serenidade ao público e utentes do terminal e Porto de Maputo.

Nas zonas recônditas do distrito de Gondola em Manica famílias sobrevivem da venda de carvão. O combustível lenhoso é vendido em Chimoio e os praticantes do negócio chegam a percorrer 50 quilómetros de bicicleta sob riscos de acidentes na Estrada Nacional Número seis.

No percurso Inchope a Chimoio é comum verem-se homens de várias idades transportando, em bicicletas, carvão vegetal. Muitas vezes, o destino é a cidade de Chimoio onde com facilidade conseguem clientes.

Morgado Magura dedica-se ao negócio de carvão há 33 anos. Hoje, se sente um homem realizado.
Magura segue viagem muitas vezes transportando 3 a 4 sacos de carvão. Tem um kit de chaves para qualquer avaria mecânica do seu meio de transporte.

Bento Vasco saiu de Chipindo às 2 horas da madrugada, há escassos quilómetros da cidade de Chimoio. A sorte não lhe sorriu porque o pneu da sua bicicleta furou-se.

O que mais preocupa nesta actividade são os acidentes de viação.

Dados disponíveis indicam que houve 26 acidentes de tipo carro-bicicleta que resultaram em 23 mortes nos últimos 3 anos.
Os automobilistas que fazem o percurso onde é frequentado por homens de bicicletas dizem estar cientes de uma atenção redobrada.

Os municípios de Maputo, Matola, Matola-Rio e Boane estão com limitações no fornecimento de água entre hoje e amanhã. Em causa está um acidente de viação que limitou o fornecimento de energia à Estação de Tratamento de Água do Umbeluzi.

Um acidente de viação criou um dano a infra-estruturas de fornecimento de corrente eléctrica em Boane, na província de Maputo. E o problema é ainda maior.
Houve corte de energia fornecida à Estação de Tratamento de Água do Umbeluzi, o que leva a restrições na disponibilização do líquido nos municípios de Maputo, Matola, Matola-Rio e Boane.
A água será fornecida das duas horas da madrugada até às 09 e não 12horas, como vinha acontecendo antes.

A redução em três horas mantém-se este sábado e domingo, dia em que a Águas da Região de Maputo espera reiniciar o abastecimento dos reservatórios.
A empresa Águas da Região de Maputo diz em comunicado que está no terreno para resolver o problema. Já a Electricidade de Moçambique diz, também em comunicado, que o embate levou à interrupção do fornecimento de energia eléctrica a parte dos munícipes de Boane.

O Jornal O País sabe que do embate do camião nas infra-estruturas de energia não houve vítimas humanas.

A empresa responsável pela central de betão ainda não tem a licença ambiental da parcela onde a infra-estrutura está a ser erguida, nem sequer sabe se já foi emitida pelo Ministério da Terra e Ambiente. Por isso, os moradores entendem que a obra é ilegal e não deve prosseguir. E dizem mais: a instalação da fábrica no meio de casas poderá ter impactos negativos para a saúde e o ambiente.

A providência cautelar para o embargo das obras de construção da central de betão numa zona residencial, no bairro Costa do Sol, esteve, esta quinta-feira, em debate na nona secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo.

O advogado dos moradores foi o primeiro a apresentar os seus argumentos para sustentar o seu pedido de embargo da obra, começando por questionar a legalidade da central de betão.

“Meritíssima, é estranho o facto de o Conselho Municipal de Maputo, depois de ouvir a reclamação dos moradores, mandar suspender as obras e depois autorizar. O mesmo aconteceu com o Ministério Público, que embargou as obras e depois levantou o embargo. O que se recomendou à empresa foi que fizesse, apenas, a alteração dos documentos e, no meio disso, há documentação que, simplesmente, aparece e não se sabe de onde.

Suspeitamos que haja fortes indícios de corrupção”, disse Gildo Espada.

Tudo isso, continua a defesa dos moradores, não implicou a interrupção dos trabalhos de construção da central de betão.

“Meritíssima, primeiro, as obras iniciaram-se sem o devido licenciamento. A licença ambiental, por exemplo, apareceu no mês de Agosto, o DUAT e a licença de construção apareceram em Dezembro do ano passado. As obras, Meritíssima, arrancaram nos meses de Janeiro e Fevereiro. E mais: os documentos que aqui são referenciados nem são da parcela sobre a qual a central de betão está a ser construída. Os documentos em causa são da parcela 660D e a fábrica está a ser construída na 660A”, argumentou o advogado.

Para o caso da licença ambiental, contra-argumenta o mandatário da empresa, o erro já está a ser corrigido pelo Ministério da Terra e Ambiente. A correção custou 60 mil Meticais, pagos no dia 12 deste mês.

“Ainda não temos a licença corrigida. Neste momento, não sei se ela já foi emitida pelo Ministério da Terra e Ambiente, mas já foram feitos os devidos pagamentos. Se o Tribunal achar que é um elemento imprescindível para melhor decisão, podemos, em 48 horas ou menos, fazer chegar o documento. Primeiro, teria de confirmar se já existe ou não”, disse Julião Massingue, advogado da central de betão.

Este facto sobe, ainda mais, a tónica de haver indícios de corrupção neste processo.

“A empresa não tem a licença ambiental, que precede quaisquer outras licenças. Há sinais de que algo não está bem aqui. Não há, nos autos, um estudo de impacto ambiental que diz que não haverá problemas de saúde. Um estudo isento e no lugar certo. Há sinais de corrupção ao mais alto nível”, disse Gildo Espada.

A inexistência de uma licença ambiental corrigida não significa, segundo a empresa, que a construção da central de betão seja ilegal.

“Independentemente das falhas, a licença existe. Não se pediu nova licença, mas sim a correcção da que já existe. Pelo que entendemos que há autorização por parte das instituições competentes para a construção da central de betão. Por isso, o tribunal deve chumbar o pedido dos queixosos”, disse Julião Massingue.

Se a questão de fundo apresentada pelos moradores for o embargo da obra, o mandatário da empresa da central de betão entende que ela deve ser discutida a nível do Tribunal Administrativo e não Judicial da Cidade de Maputo.

“Os queixosos deviam tratar deste processo no Tribunal Administrativo e não no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, porque ela não tem competência para discutir o assunto. Há, também, contradição entre o pedido e as razões. Exigem a suspensão das obras, mas não são claros sobre o que justificaria a suspensão. Argumentam que viola a lei do ambiente, mas não explicam como isso acontece. Se o problema é a poluição, como é que justificam com ilegalidade dos documentos?”, questionou Julião Massingue.

A defesa dos moradores rebate o argumento do advogado da empresa:

“O caso iria ao Tribunal Administrativo se a empresa que está a construir a central de betão fosse uma concessionária. Pelo que pode e deve ser julgado por este Tribunal Judicial. O que os moradores reclamam não é uma questão de ilegalidade, Meritíssima. É a poluição, são as poeiras que esta fábrica provoca, barulho das máquinas até altas horas, circulação de camiões de grande tonelagem que degrada a via. Isto provoca graves problemas de saúde a curto, médio e longo prazo. E o contrato da central é de 10 anos. É muito tempo Meritíssima. Com ou sem a licença, os problemas ambientais e de saúde existem. Ter a licença não lhe dá o direito de pôr em causa a vida das pessoas”.

Ainda que este seja o problema, a defesa da empresa entende que a solução não passa por encerrar a fábrica.

“Será que encerrar a central de betão é a única saída para este problema de poluição? Pensamos que não. A solução não é encerrar, mas intimar a empresa a abster-se de tais actos que poluem o ambiente. A empresa está disposta a reunir-se com os lesados para encontrar uma solução. Se o problema for a instalação da fábrica, será difícil ultrapassá-lo”, Julião Massingue.

Só que, para os moradores, não há margem para negociação.

“As pessoas estão traumatizadas com a presença da central de betão ali. Se esta poluição está a decorrer antes de a fábrica entrar em funcionamento, depois disso, será pior. O problema, Meritíssima, é a central de betão. Ela tem de sair. A lei é clara. Este empreendimento tem de estar a seis quilómetros das casas”, disse Gildo Espada.

Na audiência de produção de provas para a providência cautelar da central de betão, foram arroladas testemunhas quer por parte da empresa, quer dos queixosos. De cada lado, foram ouvidas três testemunhas.

As testemunhas trazidas pela empresa vivem a menos de 900 metros da central de betão e não vêem problemas com a instalação da fábrica.

“Não há nenhuma poeira que chegue às casas. A poeira que existe é já de há muito tempo, por conta da nossa estrada, que é terra batida. Quando não chove, a terra fica muito seca e, quando passam carros, levantam poeira. Nos dias de chuva, a estrada fica pior. Isso não é causado pela fábrica de betão. Pelo contrário. Eles têm ajudado a estancar a poeira através de um carro que passa para irrigar a estrada e colocam pedrinhas para tapar buracos”, disse uma testemunha.

As testemunhas a favor da empresa desconhecem, também, algum barulho anormal provocado pela fábrica de betão.

“O barulho que se ouve é o normal de um local onde há trabalho, e isto acontece no período normal. Isto é, das 07h às 18 horas, no máximo. Fora estes horários, nunca ouvimos barulho. Os camiões que por aqui circulam não são só da central de betão, mas há outros. Entretanto, sobre a instalação da fábrica, nunca fomos ouvidos. Mas nós estamos a favor da central de betão, porque é fonte de emprego para os jovens do bairro”, defendeu uma testemunha.

Já as testemunhas do lado dos que contestam a obra descreveram ao Tribunal os constrangimentos pelos quais têm passado desde o início da construção da central de betão.

“Passam por aqui muitos camiões que degradam a via. Naquela fábrica, fazem trabalhos até altas horas, isto é, 22 horas. É normal a partir das 04 horas começarem os trabalhos. A empresa faz muito barulho com as suas operações. É um barulho com o qual ninguém consegue dormir. Há poeiras, águas fecais, resíduos sanitários, restos de betão e águas da limpeza de camiões de betão, e está a entupir as nossas valas de drenagem. As actividades da central de betão estão a afectar a produção agrícola, porque as poeiras vão parar nas hortícolas e a água para a irrigação está contaminada”, queixou uma testemunha.

Aquando da instalação da fábrica no local, os queixosos dizem que não foram consultados.

“Quando a empresa começou com os trabalhos, ninguém sabia dizer o que se passava. Não tinha sequer uma placa que dava a indicação do tipo de empreendimento que estava a ser construído. Mais tarde, apareceu uma placa com a licença e foi quando ficámos a saber que se tratava de uma fábrica de betão industrial. Não fomos consultados. Dizem que betão não é para venda, mas para a construção de outros prédios. Entretanto, já tivemos muitos prédios construídos aqui, na cidade, e não precisaram de uma central de betão daquela dimensão”.

São, todos esses, argumentos apresentados ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, que poderá decidir a favor ou contra o embargo da obra de construção da central de betão, no bairro Costa do Sol.

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