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O País – A verdade como notícia

Foram apreendidos, na Cidade da Beira, 25 mil Meticais em notas falsas. Esta é a segunda vez, no mês de Fevereiro, que a Polícia da República de Moçambique apreende notas falsas e, tal como na primeira, o produtor não foi localizado.

À primeira vista, as notas apreendidas pela Polícia parecem verdadeiras. Mas um olhar mais atento leva à conclusão de que são falsas.
São 25 notas que foram apreendidas na posse de um indivíduo que tentava depositá-las numa carteira móvel.

O indiciado alega que recebeu o dinheiro de um desconhecido, na via pública, que lhe tinha prometido emprego.

“Deu-me o número dele e eu levei o seu. Ele disse que ia ligar às 18h00 e, depois disso, veio ao meu encontro. Ele perguntou se eu estava interessado em ter emprego, e eu respondi que sim. Depois, orientou-me para depositar o dinheiro num agente de carteira móvel. Fui depositar o dinheiro num agente do M-Pesa e, depois de ele contar as notas, disse que eram falsas”, deu a sua versão o indiciado.

O agente da carteira móvel e as pessoas próximas, atentas, verificaram a autenticidade do dinheiro, retiveram o jovem e chamaram a Polícia.

“Queremos manifestar a nossa preocupação, tendo em conta que este caso ocorre pela segunda vez no mês de Fevereiro. E, pela forma como ocorre, sugere-nos que seja a mesma pessoa que está a instrumentalizar estes indivíduos a cometerem este tipo de crimes”, disse Dércio Chacate, porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Sofala.

A Polícia terminou exortando todos os agentes de carteiras móveis a redobrarem a vigilância e colaborar imediatamente com a corporação.

Sem causar danos, ocorreu, na manhã desta segunda-feira, um sismo considerado de pequena magnitude, no posto administrativo de Megaza, distrito de Morrumbala, província da Zambézia.

João Tsembane, director das infra-estruturas da Zambézia, fez saber que o tremor de terra ocorreu por volta das 9h29, numa magnitude de 4,1 na escala de Richter.

Com a profundidade de 15,2 km, o epicentro foi 160 quilómetros a noroeste de Quelimane; 232 km a sudoeste da cidade Tete, 465 km a sudoeste da cidade de Nampula e 301 km a noroeste da cidade da Beira.

Morrumbala é uma zona que regista com frequência os abalos sísmicos. As autoridades falam da ocorrência de dois a três sismos por ano.

O MISA Moçambique diz que as ameaças à jornalistas aumentaram no país. O caso mais recente apontado pela organização deu-se em Cabo Delgado, quando o governador daquela província acusou os jornalistas de “estarem em sintonia e terem acordos com terroristas”.

A organização defensora da classe dos jornalistas recorreu a um comunicado para manifestar a sua preocupação com o recrudescimento das ameaças aos jornalistas pelos governantes e pessoas próximas aos dirigentes.

O desabafo do MISA veio a público após uma série de ameaças lançadas pelo governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, à jornalistas.

Na altura, Tauabo dirigiu-se aos jornalistas com as seguintes palavras:  “(…) notamos que, de vez em quando, as vossas informações são de âmbito muito  duvidoso, porque adiantam uma informação que parece que o jornalista está em  sintonia com os terroristas. Então, quando as nossas Forças de Defesa e  Segurança abordam essa acção antes de acontecer, parece que há uma formatação,  do lado dos nossos concidadãos jornalistas, que já estavam formatados e que tinham certeza que essa acção ia acontecer, esquecendo-se que a população, na província, as Forças de Defesa e Segurança, todos nós estamos empenhados para debelar esta situação”, disse o governador, citado pela Zumbo FM, uma emissora baseada em Pemba, capital de Cabo Delgado.

O governador disse mais: “Então, os nossos queridos jornalistas levam-nos a crer que são formatados pelos terroristas. Então, vocês têm a informação que eles vão estar no sítio tal, às tantas horas e não importa, antes de acontecer, vocês já adiantam porque sabem, reconhecem os valores deles, não reconhecem os valores da população, nem reconhecem os valores das nossas Forças de Defesa e Segurança. Então, levam-nos a crer isso”, acrescentou, antes da ameaça velada.

Diante destas declarações, MISA Moçambique diz haver uma tentativa de intimidar os jornalistas para que não façam o seu trabalho com isenção, por isso que “condena, de forma veemente, e desencoraja estas e quaisquer ameaças visando interferir e restringir o trabalho de profissionais de comunicação envolvidos na cobertura do conflito do Norte de Moçambique, o que é uma manifesta violação a todos os princípios da liberdade de imprensa. O MISA lembra que um dos papéis centrais do jornalismo, em sociedades democráticas, é reportar acontecimentos de interesse público, incluindo tragédias como a que se abate sobre Cabo Delgado, há mais de seis anos”.

A organização esclarece ainda que reportar sobre ocorrência dos ataques não é reconhecer valores terroristas em detrimento de valores da população e das FDS, como sugere o governador de Cabo Delgado. É, pelo contrário, prestar um serviço público de interesse público, que é manter o país e o mundo e, em primeiro lugar, a população das zonas afectadas, informados sobre os acontecimentos à sua volta, ainda mais acontecimentos que colocam em causa vidas humanas.

“Por isso, ao mesmo tempo que volta a condenar a violência armada perpetrada por grupos armados contra populações indefesas, e a solidarizar-se com as vítimas destas acções macabras, o MISA Moçambique reitera que, enquanto problema que afecta, gravemente, o Estado moçambicano, a situação de guerra, no Norte de Moçambique, deve ser objecto de reportagem e escrutínio pela comunicação social, independentemente dos gostos de quem quer que seja”, explicou a organização.

Há distritos isolados em Cabo Delgado devido ao corte de estradas na sequência da chuva. As Estradas Nacional 380, entre Macomia e Oasse, e Regional 760, que liga Mecúfi e Chiúre, estão cortadas. Já a Estrada Regional 762 está condicionada.

A chuva está a fazer estragos na província de Cabo Delgado, cortando vias e isolando distritos.

Em comunicado, a Administração Nacional de Estradas deu a conhecer alguns danos graves nas vias que atravessam as bacias hidrográficas de Montepuez, Megaruma e Messalo.

São, ao todo, três vias, a Estrada N380 no troço Macomia-Oasse, que liga os distritos de Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia. Neste ponto, a transitabilidade  está interrompida devido à subida do nível de água do rio Messalo.

Outro ponto interrompido é a estrada R760, no troço Mecúfi-Mazeze.

A Estrada R762, que liga os distritos de Metuge e Quissanga está com a transitabilidade condicionada devido ao galgamento da água nas pontes sobre os rios Clitis e Montepuez.

A Administração Nacional de Estradas garante estar a monitorar a situação e avaliar os dados, para intervenções assim que as condições climáticas forem favoráveis.

 

ESCASSEZ DE PRODUTOS EM QUISSANGA

Há escassez de produtos alimentares no distrito de Quissanga, por conta da interrupção da comunicação terrestre, entre aquela região administrativa e o resto da província.

O facto deve-se ao isolamento da vila distrital, devido ao alagamento da estrada Metuge-Quissanga e ao desabamento de uma ponteca, no troço Bilibiza-Mahate.

A informação foi avançada pelo governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, falando, esta segunda-feira, na abertura da terceira sessão ordinária do conselho executivo provincial.

“Temos outra preocupação da população de Quissanga. Está-se a verificar escassez de produtos alimentares. Os nossos colegas funcionários e agentes do Estado estão a passar fome, e temos colegas da saúde, e alguns de construção em Quissanga, que saíram ontem de Quissanga para aqui, para cidade, para poder resolver a questão da falta de produtos alimentares, e não há comunicação”, disse o governador da província de Cabo Delgado.

Tauabo apelou à sensibilização de empresários, em Pemba, para se minimizar o problema.

Valige Tauabo frisou ainda que há necessidade de se mobilizar os comerciantes residentes em Pemba, para poderem abastecer o distrito de Quissanga, que, a esta altura, se ressente da falta de comida.

“Para os comerciantes, vai ser necessário evacuar os seus produtos para Quissanga, por via marítima”, disse Valige Tauabo.

O governador de Cabo Delgado ajuntou que “vamos envidar todos os esforços para que, mesmo por via marítima, façam chegar os produtos, sobretudo, para que os funcionários continuem a dar assistência à nossa população”.

A Depressão Tropical localizada a leste de Madagáscar, evoluiu para Tempestade Tropical Moderada e foi baptizada com o nome de “ELEANOR”. Este sistema poderá evoluir para Ciclone Tropical esta quarta-feira.

As projecções do Instituto Nacional de Meteorologia indicam que “a interacção deste, com outros sistemas meteorológicos poderá influenciar o estado do tempo com ocorrência de chuvas moderadas a fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas nas regiões centro e norte do país”.

O INAM garante estar a monitorar a evolução destes sistemas e apela a população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades competentes.

Os empresários da província de Cabo Delgado estão preocupados com a escalada dos ataques terroristas e falam de prejuízos para as suas empresas.

“Nós estávamos a recuperar as nossas actividades, já tínhamos a esperança do regresso e da retoma”, lamentou Mamudo Irache.

Para o representante dos empresários de Cabo Delgado, esta nova vaga de ataques terroristas, que se verifica desde Dezembro, deixa as empresas da província apreensivas.

“Desde que começaram os rumores da retoma das actividades na bacia do Rovuma, a ‘Jihad’ intensificou as suas actividades, retomou a actividade do terrorismo na região, e isto trouxe grande desespero aos empresários da nossa província”, observou, dando conta de camiões que chegam a ficar vários dias na vila de Macomia, região central de Cabo Delgado, aguardando escolta para chegarem ao norte.

“É sentimental ver camiões e camiões retidos em Macomia, são custos que o empresário está a ter neste momento, sem saber quando é que vai terminar essa preocupação”, continuou.

Por outro lado, Mamudo Irache lamenta a falta de apoio estatal aos empresários de Cabo Delgado, sobretudo os que foram afectadas pelas acções terroristas: “Já ouvimos falar de vários apoios, mas nunca chegam ao empresário. Mas é o mesmo empresário inseguro com os seus investimentos que está lá. Então, a situação para o sector empresarial não está boa”.

Neste cenário, diz, os empresários de Cabo Delgado “estão a virar-se à sua maneira”.

Para Assif Osman, empresário da longa data na província de Cabo Delgado, o cenário dos ataques não só preocupa as empresas locais como o resto do país, prejudicando a recuperação económica.

“Agora começava a haver sinais de que o país, depois de ter passado por um período relativamente longo de preparação, de adaptação à nova realidade, estava em condições de fazer o arranque, e continuo a acreditar que está. Essas notícias não são nada encorajadoras, mas volto a dizer, e quero frisar isso, que tenho esperança absoluta de que esta seja uma situação bastante pontual e que as nossas Forças de Defesa e Segurança rapidamente conseguirão ultrapassar”, apontou o empresário.

Populares do distrito de Chiúre, província moçambicana de Cabo Delgado, denunciaram ontem um novo ataque de grupos de insurgentes, que provocou pelo menos quatro mortos e a destruição de várias infra-estruturas.

Fontes das comunidades locais disseram à Lusa que os insurgentes atacaram, no último sábado, a comunidade de Magaia, no posto administrativo de Mazeze, naquele distrito do Norte do país, provocando quatro mortos entre a população.

Nas últimas semanas, têm sido relatados casos de ataques de grupos insurgentes em várias aldeias e estradas de Cabo Delgado, inclusive com abordagens a viaturas, rapto de motoristas e exigência de dinheiro para a população circular em algumas vias.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou, na semana passada, a autoria de um ataque terrorista em Macomia, em Cabo Delgado, e a morte de pelo menos 20 pessoas. Tratou-se de um dos mais violentos ataques em vários meses.

Através de canais de propaganda, o grupo terrorista documentou o ataque a uma posição das forças armadas moçambicanas, levando material bélico, e reivindicou ainda outro ataque em Chiúre.

Na terça-feira, foi confirmado o ataque, também depois reivindicado pelo EI, no distrito de Chiúre, com a destruição de várias infra-estruturas e igrejas.

A Focus Fístula Moçambique, uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que intervém na saúde uro-ginecológica, com foco na prevenção e tratamento da fístula obstétrica, em parceria com a EngenderHealth e o Ministério da Saúde e com o apoio da USAID, realizou, de 15 a 18 de Fevereiro, uma formação de enfermeiras do Serviço Materno Infantil (SMI) das províncias de Nampula e Niassa sobre prevenção, diagnóstico e cuidados da fístula obstétrica, escreve o sítio da Rádio Moçambique.

A formação tinha em vista dotar as enfermeiras de conhecimentos e habilidades em aspectos críticos da prevenção, diagnóstico, encaminhamento e cuidados pré e pós-operatórios de pacientes de fístula obstétrica, visando contribuir para reforçar os cuidados de SMI no âmbito da prevenção e combate à fístula obstétrica em Moçambique.

Segundo Emília Sueia, médica ginecologista, uma das formadoras, esta formação é acertada, pois vai permitir às enfermeiras terem a fístula obstétrica no centro das suas atenções.

“A fístula obstétrica é um problema de saúde pública e requer uma intervenção a todos os níveis. As enfermeiras lidam com a comunidade e têm um papel central na prevenção da fístula. No entanto, elas não podem exercer devidamente este papel sem estarem munidas de conhecimentos sobre a doença, das causas, como prevenir, como diagnosticar e encaminhar para o tratamento”, disse, indicando que, com a formação, espera ver mudanças com vista à redução dos casos da doença.

“Espero que haja mudanças nos nossos locais de trabalho. Mudança no sentido positivo, na componente preventiva, que é no pré-natal, e na componente prática, que é nas nossas salas de parto, na monitorização das nossas utentes, pois, ao fazermos isso, penso que 90 por cento do trabalho estará feito para reduzir a ocorrência de fístulas. As enfermeiras do SMI têm muita interacção com a comunidade, mas esta componente de fístula é muito esquecida. Mas esperamos que, com esta formação, já vai fazer parte das nossas palestras e do nosso trabalho.”

As enfermeiras que se beneficiaram da formação são provenientes dos distritos de Nampula, Moma, Eráti, Nacala, Monapo (Nampula), Lichinga, Mandimba, Cuamba, Lago e Marrupa (Niassa).

Natália Leonel, enfermeira do SMI no Centro de Saúde de Marrupa na província de Niassa, aponta a chegada tardia das mulheres às unidades sanitárias e os partos realizados fora das unidades sanitárias como os grandes desafios para a eliminação da fístula.

“No distrito onde estou, temos, sim, casos de fístula, embora não se registem números elevados. Os casos que temos recebido resultam de trabalho de parto prolongado, muitas vezes devido à demora na chegada às unidades sanitárias. E nós, como enfermeiras do SMI, quando se tratava de fístula, ainda estávamos muito adormecidas. Dificilmente, conseguíamos diagnosticar que uma mulher tinha fístula. A nossa interpretação era que se tratava de uma infecção urinária, ou não dávamos atenção àquela paciente. Isto acontece porque se fala muito pouco da fístula nas unidades sanitárias. É algo diferente do que acontece com outros programas como planeamento familiar. É algo que falamos todos os dias nas palestras, mas, quanto à fístula, é algo que ficava sempre esquecido”.

Com a formação, acredita que o cenário vai mudar. “Nós ouvíamos falar da doença, mas não sabíamos qual era a causa, o que acontece com a mulher com fístula, como podemos prevenir, enfim, com a formação, pude compreender a gravidade da doença e qual é o nosso papel, como enfermeiras do SMI para travar a doença. Acredito que cada uma das enfermeiras que esteve na formação vai fazer a sua parte para mudar o cenário quanto a esta doença. Vamos incluir este tema nas nossas palestras que formos a fazer na comunidade e na unidade sanitária. Vamos trabalhar com os nossos colegas do envolvimento comunitário, pois eles são a chave na prevenção das doenças”.

Por sua vez, Margareth Josseph, enfermeira do SMI em Moma, diz que apesar de uma tendência de redução de casos no distrito de Moma, onde são realizadas cirurgias de casos simples, prevalecem práticas de risco nas comunidades.

“Tínhamos muitos casos de fístula no nosso distrito, e a maioria era de mulheres com idades inferiores. Agora temos estado a trabalhar com líderes comunitários para acabar com casamentos prematuros, e está a diminuir um pouco. Em Moma, descobrimos um centro onde realizavam partos. Havia parteiras tradicionais que incentivavam aquelas práticas. Tivemos de realizar palestras com líderes comunitários e temos estado a ajudar para a redução de casos, mas ainda temos casos de mulheres que realizam partos fora das unidades sanitárias.”

Em relação à formação, considera que foi uma mais-valia, pois a informação em relação à doença ainda era escassa.

Em Moçambique, os dados apontam para a existência de mais de 2500 novos casos de fístula obstétrica por ano.

Populares do distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, denunciaram, esta segunda-feira, um novo ataque de grupos de insurgentes que provocou pelo menos quatro mortos e a destruição de várias infra-estruturas.

Fontes das comunidades locais disseram à Lusa que os insurgentes atacaram, no último sábado, a comunidade de Magaia, no posto administrativo de Mazeze, naquele distrito do Norte do país, provocando quatro mortos entre a população.

“Estão lá desde a manhã do sábado. Mataram o meu cunhado à luz do dia, porque entraram a disparar”, relatou à Lusa um familiar de uma das vítimas deste ataque.

A mesma fonte avançou que, no ataque a Magaia, os rebeldes mataram outras três pessoas durante a manhã de sábado, enquanto trabalhavam nos campos agrícolas: “Todos estavam nos seus campos de produção, os terroristas entraram a disparar e mataram as pessoas. O meu cunhado levou tiro no pescoço quando tentava fugir”.

Uma outra fonte da população local disse que os terroristas destruíram algumas infra-estruturas públicas e privadas no ataque a Magaia.
“Sei que destruíram a escola, por exemplo, e queimaram muitas casas da comunidade de Magaia. Neste momento, a população está a sair para Chiúre-sede”, disse a mesma fonte.

Acrescentou que, desde este ataque, o número de deslocados para a sede distrital de Chiúre tem estado a aumentar. Além da saída massiva da comunidade de Magaia, os residentes da aldeia Ntonhane, a menos de 10 quilómetros de Magaia, também abandonaram a aldeia por receio de ataques.

“A situação está caótica. Os de Magaia, saíram, assim como a comunidade de Ntonhane saiu. Os terroristas estão espalhados, em Chiúre”, observou a mesma fonte.

Segundo o administrador distrital de Chiúre, Oliveira Amimo, os ataques terroristas no distrito começaram em 03 de Fevereiro, quando os rebeldes entraram na região, vindos do vizinho distrito de Mecúfi, através da comunidade de Somas.

Nas últimas semanas, têm sido relatados casos de ataques de grupos insurgentes em várias aldeias e estradas de Cabo Delgado, inclusive com abordagens a viaturas, rapto de motoristas e exigência de dinheiro para a população circular em algumas vias.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou, na quarta-feira, a autoria de um ataque terrorista em Macomia, em Cabo Delgado, e a morte de pelo menos 20 pessoas. Tratou-se de um dos mais violentos ataques em vários meses.

Através de canais de propaganda, o grupo terrorista documentou o ataque a uma posição das forças armadas moçambicanas, levando material bélico, e reivindicou ainda outro ataque em Chiúre.

Contudo, o administrador distrital de Macomia, Tomás Badae, confirmou no dia 12 que os grupos de insurgentes que atuam em Cabo Delgado atacaram uma posição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no distrito.

O ataque aconteceu na noite de dia 09 e a madrugada de dia 10, entre 23h00 e 03h00, no posto administrativo de Mucojo, a 45 quilómetros da sede distrital de Macomia: “Tomaram, sim, a posição e assaltaram-na, mas não temos mais informação se ainda estão lá ou já abandonaram.”

Na terça-feira, foi confirmado o ataque, também agora reivindicado pelo EI, no distrito de Chiúre, com a destruição de várias infra-estruturas e igrejas.

O alvo foi a sede do posto administrativo de Mazeze, no interior do distrito de Chiúre, onde os rebeldes atearam fogo ao hospital, à secretaria do posto administrativo e à residência da chefe do posto administrativo, avançou o administrador distrital de Chiúre.

“As infra-estruturas estão basicamente destruídas”, disse Oliveira Amimo, acrescentando que os rebeldes destruíram a capela pertencente à Igreja Católica.

A província de Cabo Delgado enfrenta, há seis anos, alguns ataques reivindicados pelo EI, o que levou a uma resposta militar desde Julho de 2021, com apoio do Ruanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projectos do gás.

Parte dos vendedores do Mercado do Maquinino, na cidade da Beira, acusa o Município da Beira de estar preocupado apenas com a recolha de receitas e pouco ou nada fazer para melhorar as suas condições de trabalho. A edilidade reconhece a queixa, pede calma aos vendedores e garante que vai, brevemente, assumir na íntegra as suas responsabilidades.

O braço-de-ferro entre os vendedores do Mercado do Maquinino e o Município da Beira remonta a 2019, cinco anos atrás.
Na altura, o ciclone Idai destruiu o alpendre e, de lá a esta parte, a edilidade não fez a reposição.

“O mercado não tem tecto desde que passou o ciclone IDAI. Estamos a sofrer até hoje. Mesmo a estaca está a sair. Não temos como pendurar plásticos”, desabafou Luísa Gabriel, vendedeira.

Os vendedores garantem que as queixas começaram, exactamente, em Março de 2019, após a passagem do ciclone IDAI.
“Reclamámos, mas eles justificaram que estavam a organizar o processo”, queixou-se Luísa Gabriel.

O que deixa os vendedores agastados é o facto de serem, todos os dias, obrigados a pagar senhas.

“Pedimos ao senhor Albano Carige para olhar para os vendedores. Com chuva ou não, pagamos senha. Somos crianças dele. Quando sais e dizes a uma criança que vais trazer bolacha e não trazes, como fica?”, questionou Gabriel, que foi secundada por Marta Alice.
“Estamos a perder clientes. Nos dias de chuva, ninguém entra aqui. Mas, mesmo com chuva, sol ou vento, eles cobram senhas. Todos os dias, temos de pagar 400 ou 600 Meticais.”

O Município da Beira diz que os vendedores têm razão e aponta dificuldades financeiras como um condicionalismo no processo de reabilitação do alpendre. Contudo, garante que há técnicos que já estão a trabalhar no caso.

“Estamos a fazer a planificação e o levantamento necessário, de modo a que consigamos dar seguimento à construção de alpendre do Mercado do Maquinino. Temos muitos mercados por fazer intevenção”, explicou Pedro Sola, vereador para a área de Mercados e Feiras.

De acordo com o vereador, os alpendres serão repostos ainda neste ano, e o primeiro mercado a beneficiar-se do mesmo será o do Maquinino.

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