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O País – A verdade como notícia

Os níveis de água das principais bacias hidrográficas no Sul do país têm tendência a baixar desde as últimas 24 horas até quarta-feira.

A redução regista-se em todas as bacias, com excepção da Bacia do Maputo, em Madubula, que registou nível hidrométrico acima dos 26 centímetros.

Às bacias de Umbelúzi e Incomáti que já registavam tendência a baixar, adicionam-se a albufeira de Massingir, que registou descida do nível de enchimento em 71,98%, a de Corumana, em 60,77%, e a dos Pequenos Libombos, em 95,15%.

De momento, a situação não é preocupante, considera a ARA-SUL.

“para as próximas 48 horas, prevê-se a continuação do actual cenário hidrológico, caracterizado pela oscilação dos níveis hidrométricos com tendência geral a baixar, face ao abrandamento da chuva”, lê-se em comunicado.

Apesar da tendência geral a baixar nos próximos dois dias, os efeitos das chuvas continuam visíveis, sobretudo em Maputo, onde uma ponte desabou, escolas fecharam-se durante uma semana e inúmeras vias de acesso ficaram destruídas.

O Município de Maputo entregou mais 50 casas  às famílias vítimas do desabamento da lixeira de Hulene em Possulane, município de Marracuene. Entretanto, faltam serviços sociais básicos na zona de reassentamento e a edilidade promete criar condições. 

Passam já seis anos após a tragédia que matou 17 pessoas e feriu outras mais de duzentas em Hulene, quando a lixeira desabou. 

O Governo retirou da zona atingida, 275 famílias e prometeu dar novas casas.

De 2018 a esta parte, foram construídas 209 casas em Possulane, Marracuene, província de Maputo, das quais 159 já tinham sido entregues.

Esta segunda-feira mais 50 casas foram entregues pelo edil da Cidade de Maputo, Rasaque Manhique. “São casas muito bonitas e sabemos  que vocês  vão cuidar muito bem delas, portanto, aquilo que vamos dizer é que é uma parte que fizemos, falta ainda uma parte porque faltam ainda muitas casas para serem entregues”, disse Rasaque Manhique, presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.    

A falta de serviços sociais básicos é ainda a maior preocupação e  as autoridades locais muito bem sabem. “Temos a consciência e também já estivemos a conversar em relação a algumas questões que faltam, em relação a uma escola, hospital, posto policial. 

Por sua vez, os beneficiários do projecto mostraram-se satisfeitos por receber suas casas, no entanto garantiram não parar de interagir com a edilidade de Maputo até que a entrega de casas prometidas seja concluída.      

Cada uma destas casas do tipo 3 custou cerca de um milhão e trezentos mil meticais.

Importa referir que não passa um mês desde que as  vítimas do desabamento da lixeira de Hulene protestam contra a falta de pagamento de subsídio de renda das casas alugadas onde vivem.  As famílias falaram ainda, de despejos por parte dos proprietários das casas.

Houve cinco mortos por conta das inundações nas cidades de Maputo e Matola, milhares de pessoas afectadas, casas quase engolidas pelas águas e abandonadas e vias de acesso cortadas. Ainda assim, o INGD entende que o sistema de alerta evitou que o pior acontecesse. Aliás, as pessoas que engrossam as estatísticas dos afectados foram avisadas, mas negaram sair das zonas de risco para proteger os seus bens.

Na semana passada, concretamente, nos dias 24, 25 e 26 de Março, a natureza entrou “em fúria”, na zona Sul do país. Maputo, Gaza e Inhambane estiveram sob fortes chuvas, mas os impactos foram mais notórios no primeiro ponto (Grande Maputo).

Muitas famílias entraram em desespero. Houve cinco mortes. As estradas foram cortadas. Casas quase engolidas pelas águas e muitos bens arrastados pela correnteza das águas. As famílias lamentavam. Clamavam por socorro.

Diante de tudo isto, muitas perguntas. A principal delas é: era possível evitar esta situação ou, pelo menos, minimizar os seus impactos? Sábado, 23 de Março: um aviso de mau tempo é emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia, INAM.

“Para este fenómeno, que aconteceu na zona Sul, nos dias 24, 25 e 26, o Instituto Nacional de Meteorologia já havia emitido, na tarde do dia 23 de Março, um alerta sobre a ocorrência de chuvas e trovoadas fortes na zona Sul”, recordou Júlio Langa, meteorologista do INAM.

E todos os que deveriam trabalhar para minimizar os impactos desta tragédia, incluindo os governos municipais, sabiam da ocorrência do fenómeno.

“Todas as autoridades, incluindo o INGD, já tinham sido alertadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia, através de canais próprios”, revelou Júlio Langa.

Um alerta que não foi suficiente para evitar o drama provocado pelas chuvas. “Estamos mal com água. Não temos comida. Não temos nada para comer. Na minha casa está cheio de água. É difícil ter acesso ao quintal”, contou Ana Inácio, uma das vítimas das inundações.

São chuvas de três dias que criaram um grande drama humanitário nas cidades de Maputo e Matola. Casas foram destruídas, abandonadas e milhares de famílias deslocadas por conta das chuvas. Buscava-se um abrigo longe das inundações, até na linha férrea. As outras vítimas das inundações urbanas estão nos centros de acolhimento, onde se queixam de tudo e mais um pouco.

Mas tudo isto era evitável? O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres na Cidade e província de Maputo diz que fez de tudo para proteger as pessoas dos impactos da última chuva. Por exemplo, sensibilizou as famílias para saírem das zonas de risco através de vários mecanismos, só que as pessoas foram renitentes.

“Se não tivéssemos os comités locais de gestão de risco de desastres a funcionar, não tivéssemos os centros operativos de emergência e o conselhos técnicos de gestão de desastres a nível do distrito da província e a nível central a funcionar, se não tivéssemos um sistema de aviso prévio que funcione, os danos seriam sido muito maiores”, afirmou Sara Matchie, delegada do INGD na província de Maputo.

Mesmo para o número de pessoas que foram afectadas pelas inundações, há uma explicação. “As chuvas foram acima de 160 milímetros em 24 horas durante três dias consecutivos. Então, é muita quantidade de água, apesar de as pessoas estarem informadas e terem sido tomadas as medidas, elas (as pessoas) foram apanhadas de surpresa, mas não porque não sabiam que haveria de ocorrer este fenómeno extremo”, explicou Esselina Muzima, delegada do INGD na Cidade de Maputo.

E foi através de mensagens como estas que o Instituto Nacional de Redução do Risco de Desastres alertou sobre a aproximação do mau tempo. O INGD afirma que o sistema foi eficiente, mas as famílias afectadas não abandonaram as zonas de risco para proteger os seus bens.

“As pessoas só se retiram quando vêem o perigo, porque elas têm bens por proteger. É sua responsabilidade cuidar dos seus bens. Alguns não tinham saído quando a chuva começou, porque estavam à procura de um local para conservar todos os seus bens”, observou Esselina Muzima.

E o INGD não tem como forçar as famílias a abandonarem as zonas de risco. “Nós só podemos sensibilizar as pessoas, comunicá-las do perigo que está a acontecer, mas às vezes algumas acatam e outras esperam para ver”, referiu Sara Matchie.  Porque, segundo o INGD, as famílias não acataram as mensagens de sensibilização, muitas casas ficaram inundadas e milhares de pessoas foram afectadas.

“A estrutura do bairro não nos informou sobre a aproximação do mau tempo, mas, uma vez que temos rádio e televisão, tivemos a informação através destes meios. A partir daí, começamos a precaver-nos, mas não foi fácil, porque não esperávamos que fosse nesta dimensão”, contou Rosa Maolele, vítima de inundações no Município da Matola.

Mesmo depois de receber a informação, há quem ficou à espera até que a chuva caísse para proteger os seus bens. “Lá nas nossas casas, há roubos. Nós soubemos sobre a aproximação do mau tempo, mas, sempre que há esse tipo de alerta, não acontece nada. Por isso, nós não abandonámos as nossas casas”, explicou-se Graciete Cumbe, residente no bairro do Infulene Luís Cabral, cidade da Matola.

Entre as vítimas, há quem não recebeu nenhuma informação sobre a ocorrência das enxurradas e esperava por uma intervenção do INGD, em vão.

“Eu fiquei admirado, porque noutras zonas há sensibilização do INGD, mas desta vez não fomos informados”, disse Eduardo Lourenço, vítima das inundações no bairro Luís Cabral.
Sem informação, criou-se um espaço para especulações. “Ouvimos boatos. Disseram que iria chover, mas não acreditámos. Só saímos das nossas casas quando vimos que a água já estava a invadir as residências”, narrou Amélia Ubisse, outra vítima de inundações.

Porque falhou a prevenção, resta ao INGD remediar os impactos das últimas enxurradas, através da assistência a mais de 10 mil pessoas que estão em 30 centros de acolhimento na Cidade e Província de Maputo, através da disponibilização de produtos alimentares e não alimentares.

 

FAMÍLIAS NAS ZONAS DE RISCO: AS MAIORES VÍTIMAS

A população que mais sentiu os impactos das últimas chuvas é a que vive nas zonas ribeirinhas ou vulneráveis a inundações. Há, inclusive, nestes locais, placas que proíbem construções, por serem áreas de risco. Ainda assim, as pessoas fixaram residências, que têm água e luz, sob o olhar impávido de quem gere o solo urbano das cidades de Maputo e Matola.

As pessoas que vivem em zonas propensas a inundações estão sempre com o coração na mão, sobretudo quando chove.

“A minha casa estava cheia de água. Todos os meus pertences molharam, incluindo a comida”, contou Elsa Carlos, mais uma vítima.

Mulher de 32 anos e natural da Zambézia, Elsa foi obrigada a abandonar a sua casa, construída numa zona de risco. Ela comprou o terreno há sete anos. “Consegui o espaço à minha maneira. Eu e o meu marido trabalhamos. Então, começamos a juntar dinheiro para adquirir o espaço. Estava muito barato quando o comprámos”, detalhou.

Os que vivem em zonas de risco já mapeadas compraram os terrenos de alguém que o chefe de quarteirão muito bem conhece, inclusive os perigos de viver nessas áreas.

“Não temos condições para conseguir um terreno que não esteja em zona de risco. O terreno onde vivemos, comprei, e o chefe de quarteirão sabe que nós o comprámos, mas disse para não contarmos a ninguém, porque isso não é permitido. Ele disse que estava a ajudar-nos”, revelou Sílvia Ângelo, que vive numa zona propensa a inundações.

Alguns desses sítios foram integrados em alguns bairros há pouco tempo. “O bairro onde vivemos, perto da Portagem de Maputo, pertence ao Trevo, município da Matola. Esse é o nome que aparece nos documentos que solicitámos ao chefe do quarteirão para tratar água e luz”, esclareceu Francisco Eusébio, também residente numa zona de risco.

Sobre a construção de casas em zonas propensas a inundações, desobedecendo às placas de proibição, o INGD diz que a sua intervenção está limitada.

“Quando há uma ocupação das zonas de risco, desencadeia-se um processo, porque as pessoas não podem viver em constante perigo. O INGD pode chamar atenção para que os municípios tomem medidas”, observou a delegada do INGD na Cidade de Maputo.

E a delegada da mesma instituição na Província de Maputo, Sara Macthie, diz mais: “Não temos como obrigar as pessoas. Só podemos sensibilizá-las a abandonar as zonas de risco, e sentimos que isto está a produzir resultados. Já há um plano de retirada de pessoas nas cidades de Maputo e Matola”.

O Município da Matola justifica a construção de casas em locais propensos a inundações com o que chamou de êxodo rural. Mas há um trabalho para evitar que estas situações se repliquem.

“Estamos a instar as autoridades, desde os chefes de 10 casas, de quarteirão, secretários do bairro, chefe do posto, até a polícia municipal, para não estare ausentes do território. Não pode haver vazio no controlo do território. As famílias não podem, por elas, fazer a densificação dos bairros”, avançou Júlio Parruque, presidente do Município da Matola.
Para travar o fenómeno, o Município da Matola promete tomar medidas mais arrojadas.

“Quando for necessário demolir algumas casas, nós não iremos hesitar. Vamo-nos entender com as pessoas e com as entidades para podermos gerir as águas. É um trabalho que faremos com responsabilidade e tranquilidade”, concluiu.

Contactámos o Conselho Municipal de Maputo para falar sobre a ocupação das zonas vulneráveis a inundações, mas não houve sucesso.

O facto é que este fenómeno é, também, característico da capital do país, onde até o mangal é abatido para dar lugar a construções de luxo, agravando ainda mais a situação de inundações urbanas.

As aulas vão mesmo arrancar esta segunda-feira, apesar de algumas escolas ainda serem centros de acomodação na autarquia da Matola. A edilidade diz que os alunos vão partilhar espaço com as vítimas das enxurradas. Para todos os efeitos, Matola já desactivou cinco dos nove centros transitórios de acomodação.

Analita Zaqueu, aluna da 11ª classe que está, junto com a família, no centro de acomodação que funciona na Escola 8 de Março, diz que a água já secou na sua casa e já pode regressar.

“Na minha casa já não há água, por isso acho que já podemos regressar à nossa casa para ceder a escola.”

Quem também diz que já há condições para abandonar o centro de acomodação é Irene Vilanculos.

“Não está suficientemente seco, mas já dá para estar. O resto vamos ver lá podemos ficar sim.”

Ao contrário das anteriores entrevistadas, Natália diz que ainda vai permanecer no centro de acomodação da escola 8 de Março, porque a sua residência ainda está cheia de água.

“Não há condições. Há muita água na minha casa. A situação agrava-se porque está próxima a uma bacia de retenção. Então há muita água concentrada.”

E sobre esta situação, o edil da Matola diz que, para já, a solução será a partilha de espaços, e garantiu que as aulas vão mesmo arrancar.

“Aqui, nós teremos uma situação para segunda-feira, talvez até terça, em que teremos uma partilha do espaço, porque as famílias, as pessoas não ocupam todas as salas. Se a escola, por exemplo, tem 20 salas, estarão ocupadas duas ou três para acolher os munícipes.”

O edil da Matola diz que, para já, não há espaço para debates, sendo que a prioridade é gerar soluções para os diferentes bairros afectados na autarquia.

E uma das grandes preocupações nos centros de acomodação é, por enquanto, a escassez da  alimentação, e a cidade da Matola recebeu, este domingo, kits de alimentos e produtos diversos.

Uma embarcação, operada pela Unidade Nacional de Protecção Civil, naufragou, neste sábado, com 11 pessoas a bordo. Fala-se de um morto devido ao incidente. 

“Nas primeiras horas do dia de hoje, estávamos no processo de desencalhar a embarcação e os marinheiros aperceberam-se da presença de um corpo que estava por baixo de embarcação e, esta manhã, ao levantar a embarcação, viu-se o corpo, confirmou-se que se trata do corpo de um homem de cerca de 50 a 60 anos”, explicou a presidente do Município de Boane, Jubia Bonifácio.

A fonte explica que na embarcação havia coletes salva-vidas, mas a vida mortal não usava. O caso está a ser investigado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal.

A razão por que se usa a embarcação para ligar as margens do rio Umbeluzi é que a ponte de “Mazambanine” está submersa devido à subida do caudal do mesmo. A situação preocupa a população que, mais uma vez, exige que seja construída a referida ponte. 

Adamugi Amade diz ser recorrente a existência de naufrágios, por isso, entende que a solução é mesmo a construção da ponte. “Estamos a pedir ao Governo para construir a ponte para parar com o sofrimento das pessoas aqui em Mazmbanine”, disse.

Neste momento, a travessia entre os bairros Sete de Setembro e 25 de Setembro é feita por embarcações artesanais e convencionais. O facto mais alarmante é que as embarcações da Unidade Nacional de Protecção Civil terminam de operar às 17h, sendo que no período nocturno, as comunidades arranjam uma outra solução.

Para já, o drift de Mazambanine está encerrado ao trânsito.

As chuvas que caíram há dias na cidade de Maputo, causaram vários estragos, e no leque das vítimas, estão os pequenos agricultores da Associação Agrícola Samora Machel no bairro Ferroviário.

Os campos que carregam rastros de destruição após inundações, tinham sido lançados diversas plantações de hortícolas que, para já, serão necessários  mais 45 dias para voltarem a estar prontas.

Otilia Djindji é uma das mais de 450 mulheres pertencentes à associação que viram a chuva lhes roubando o sossego.

“Fomos todos assolados pelas chuvas e neste momento estamos a procurar ver de que forma recuperamos o pouco que sobrou, o difícil é não termos nenhum apoio.” Lamenta Otília.

Sem apoio para fazer face aos prejuízos, os 650 agricultores estão angariando pequenos fundos para recuperação do que foi perdido, incluindo o escritório da associação.

“Estamos a tentar pelo menos de novo organizar valas para que as águas passem normalmente para de novo começarmos a semear, tentar recuperar o que escapou que não é lá grande coisa”, afirmou Ângelo Manhiça  presidente da associação.

A intensidade das águas que vem invadindo as machambas, é motivada por esta conduta inacabada construída pela CFM em 2013, que nos últimos anos tem sido motivada pelo desabamento de residências.

Os moradores e agricultores pedem ações urgentes de quem é de direito para a solução do problema.

Foram hoje a enterrar no cemitério em Chimoio os restos mortais de Manuel Tomé. Colegas, familiares e amigos destacaram os feitos do político, jornalista e músico, ao mesmo tempo que apelaram para o seguimento dos seus ideais.

Familiares, amigos e colegas de trabalho prestaram este Sábado última homenagem  ao cantor, jornalista, académico, activista e político.

Para a família, o vazio deixado por Manuel Tomé será difícil de preencher.

No velório em que esteve presente o Presidente do partido Frelimo, o secretario geral, Roque Silva destacou as qualidades de Manuel Tomé.

Dirigentes e políticos a vários níveis presentes na cerimonia apelaram para o seguimento dos ideais de Manuel Tomé.

Manuel Tomé, cujos restos mortais foram a enterrar no cemitério de Chissui neste Sábado, nasceu a 20 de Novembro de 1952

Subiu de 11 para 18 o número de mortos na sequência do ciclone Gamane, que atingiu Madagáscar na quarta-feira.
De acordo com o Gabinete Nacional de Gestão de Riscos e Catástrofes, mais de 20.000 pessoas estão deslocadas, para além de casas que foram arrastadas.

Ventos violentos derrubaram árvores e correntes de água invadiram aldeias quando o ciclone Gamane, que inicialmente se esperava que passasse ao largo de Madagascar, no leste da África Austral, mudou de rota e atingiu o norte deste país na quarta-feira.

De acordo com o Gabinete Nacional de Gestão de Riscos e Catástrofes, 18 pessoas morreram, sendo que algumas morreram afogadas e outras morreram devido ao desabamento de casas ou à queda de árvores. O ciclone deslocou-se lentamente, o que amplificou os seus efeitos destrutivos, levando mais 20 mil pessoas a se deslocarem. Há mais de 5 mil casas afectadas, para além de que muitas estradas e pontes ficaram inundadas, isolando algumas regiões de Madagáscar.

No local devastado pelo ciclone, os habitantes afectados não têm o que comer e beber, necessitam de assistência. O ciclone Gamane foi actualizado para tempestade tropical e já se dissipou naquele país, segundo os meteorologistas. A época de ciclones no sudoeste do Oceano Índico dura normalmente de Novembro a Abril, com uma média de 12 fenómenos por ano.

Cristãos na cidade de Maputo celebraram a sexta-feira santa,  em cultos de comunhão carregados de mensagens de amor e sensibilização para o fim dos ataques em Cabo Delgado.  A mesma mensagem é replicada pelas famílias. 

É um dia carregado de grande simbolismo para a comunidade cristã em todo o mundo, e em Moçambique não foi diferente.

Em cânticos e louvores, os crentes reuniram-se nas igrejas para recordarem a morte de Jesus Cristo. 

Na Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Tlavana, o culto começou pontualmente às 12 horas e 30 minutos.  Prostrados, os crentes suplicavam pela paz.

“O que nós desejaríamos é que houvesse paz, primeiro nos nossos corações e depois paz também ao nível dos país. Neste dia de hoje a Igreja Evangélica Assembleia de Deus alinha-se a todos que são pela paz”, afirmou Inoque Zavala membro da Igreja localizada no bairro do aeroporto. 

O mesmo cenário de cânticos, assistiu-se na Igreja Metodista Evangélica de Moçambique do bairro do Jardim. Por aqui, homens e mulheres, crianças e idosos impunham perdão como reflexão do dia.

A comunidade cristã entende que o país atravessa desafios que vão para alem do cenário religioso com destaque para o terrorismo em Cabo delgado, seca e inundações. por isso a necessidade de angariar ajuda para os necessitados.

Na Sé catedral na cidade de Maputo, a missa foi caracterizada pelos ensinamentos de lembrança do caminho percorrido por Jesus até a morte, um símbolo de perdão pela humanidade.

“Ele é bom. você chega a esta fase de perdão porque Deus é bom, porque ele me pega a sua mão para me tirar de lá debaixo eu do meu nada” prosseguiu ensinando o arcebispo de Maputo dom João Carlos. 

Para o conselho cristão de Moçambique, o momento de páscoa é próprio para a recuperação dos valores morais e união, num momento em que a nação necessita.

“Estamos neste momento a fazer de tudo para a angariarmos diversos produtos para que possamos ajudar os nossos irmãos assolados pelo terrorismo e as últimas chuvas que inundaram alguns pontos da cidade e província de Maputo. estamos em comunicação com o INGD, a entidade que viabiliza os processos”, garantiu o presidente do conselho cristão de Moçambique Orlando Dambo.

Os cultos e as missas de páscoa, continuam até o dia de domingos, o dia da ressurreição.

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