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O País – A verdade como notícia

36 doentes internados na oftalmologia do HCB, podem perder a visão dada a gravidade da infeccção na sequência de tratamento caseiro da conjuntivite hemorrágica. Os referidos doentes recorreram à água da praia, limão e piri-piri.  

O estado dos olhos destes doentes internados no HCB é considerado muito preocupante pelos profissionais de saúde, devido a  complicações severas. 

As complicações severas estão directamente relacionadas com o recurso a tratamentos caseiros.

Contudo de uma forma geral o número de doentes que procuram cuidados médicos  padecendo de conjuntivite hemorrágica  baixaram. Nesta semana 40 a 50 pacientes foram ao HCB por dia contra cerca de 100 a 150 nas últimas três semanas.

Dados cumulativos indicam que 722 profissionais foram infectados e cerca de 5 mil casos foram registados desde finais de Fevereiro deste ano, nesta unidade sanitária. 

O Mercado Central de Inhambane voltou a funcionar, cinco anos depois de ter sido encerrado para obras de reabilitação.

Entretanto, nem todos vendedores estão a trabalhar nas novas instalações, tudo porque o processo de atribuição de bancas ainda não foi concluído.

O novo rosto do Mercado Central da Cidade de Inhambane, um mercado que volta a funcionar 5 anos depois de ter sido encerrado para obras de reabilitação e requalificação.

O mercado oferece um novo ambiente para os vendedores, desde pequenas bancadas, até bancas de pequeno e médio porte.

Ao trabalhar aqui há 2 dias, os vendedores dizem que as condições de trabalho melhoraram.

Está melhor, mas nem tudo agrada a quem vai trabalhar aqui. É o caso destas bancadas onde estão estas mulheres que as consideram pequenas para o tipo de actividade que exercem.

Até ao fecho desta reportagem estas bancas continuavam vazias, uma vez que o processo de atribuição das mesmas ainda não tinha sido fechado.

No primeiro andar do Mercado tem infraestruturas que poderão funcionar como restaurantes além de outras bancas para diversos tipos de actividades.

O Hospital central de Quelimane já tem serviços de tomografia axial computorizada (TAC), um ano depois da avaria do equipamento. A situação anima o pessoal médico e pacientes que procuram por aqueles serviços especializados. 

No passado os pacientes eram encaminhados ao Hospital Central de Nampula para encontrar aqueles serviços. Trata-se de um exame importante para diagnósticos de doenças complexas que felizmente já foi feita a reposição do equipamento pelo ministério da saúde. 

Quando a nossa reportagem chegou ao Hospital Central de Quelimane testemunhou uma criança a ser submetida ao exame de TAC. A referida criança vem sofrendo com dores de cabeça constantes e intensas. Na ocasião, o técnico que operava o aparelho de TAC fez questão de comunicar-se com o paciente para lhe tranquilizar no sentido de que o exame iria iniciar. Trata-se de um momento que visa relaxar o paciente, já que o equipamento faz movimentos e que podem causar algum medo ao paciente. 

De acordo com a direcção do Hospital Central de Quelimane,  enviava em média quatro doentes por semana ao HCN para diagnósticos de patologias complexas. 

Hoje, com serviços de TAC funcional, por dia são feitos em média 6 exames. “É um passo muito grande para os serviços de imagiologia onde já fazemos todos os exames. Concretamente ao TAC já conseguimos fazer todos os exames necessários. No ano passado tínhamos um problema com o equipamento, por isso enviávamos em média quatro doentes para o Hospital Central de Nampula para exames de várias patologias complexas.  Já temos o TAC funcional e fazemos em média seis doentes por dia, no caso desta criança que estão a ver,  ela sofre de dores de cabeça persistentes e o médico neurocirurgião pediu o exame do TAC crânio encefálico e assim já vai fazer”, disse Ladino Suade director-geral do Hospital Central de Quelimane. 

No serviço de imagiologia do Hospital Central de Quelimane é possível igualmente fazer exames de mamografia para o diagnóstico precoce de cancro da mama, densitometria óssea para pacientes com problemas dos ossos e ecografia para diagnóstico de várias patologias sobretudo do abdômen. 

O Hospital Central de Quelimane está a migrar para a digitalização. Deixou de usar máquinas de raio X analógicas. Desde o segundo semestre de 2023 está a usar uma máquina digital.

 Aqui o raio  X é feito no serviço de radiologia e enviada a imagem para os computadores dos gabinetes médicos. 

A nossa reportagem deparou com um jovem paciente, por sinal estudante, que fraturou a sua perna, fez o raio X e toda informação foi enviada ao computador.

Zefanias Carlos, médico ortopedista, explicou que a digitalização permite de forma eficiente o médico estar em contacto com o documento do paciente.  “Conseguimos em tempo real ter imagens de radiografias, ou de raio X que os doentes fazem, e que tem a grande vantagem porque já temos o papel que implicaria imprimir para fazer leitura. Através de uma tela de televisão temos acesso a informação clínica dos nossos pacientes. Isso permite com que o doente não tenha chapa de raio X consigo, porque tínhamos muitos constrangimentos nas consultas subsequentes, onde a pacientes por qualquer motivo perdiam. Agora temos um arquivo clínico digital que facilita muito bem o acompanhamento dos doentes” disse o médico ortopedista Zefanias Carlos. 

O director-geral do HCQ  explica que nos oito anos da existência daquela maior unidade sanitária, o Ministério da Saúde tem feito esforços no sentido de garantir melhor qualidade ao  atendimento aos doentes urgentes. 

“Estamos a notar uma grande melhoria na eficiência dos serviços  do hospital , o desafio do momento não é apenas o raio X ser enviado para os computadores dos gabinetes dos médicos, mas também os resultados dos exames de sangue e urina serem enviados de forma digital para os computadores dos gabinetes médicos”, disse Ladino Suade. 

Sabe-se que o Hospital Central de Quelimane tem um dos  melhores serviços de radiologia do país, em termos de número e qualidade dos equipamentos.

Um agente da PRM e um membro da Polícia Municipal na Ilha de Moçambique estão detidos por terem fornecido droga para a comercialização. Os mesmos terão se apoderado de droga apreendida e decidiram fazer negócio.

São cerca de cinquenta quilogradas de dois tipos de droga apreendida das mãos de agentes que têm por missão manter a ordem e tranquilidade públicas.

“Recebemos informasções a partir do dia 27 dando conta que no distrito da Ilha de Moçambique, concretamente no Lumbo, havia uma casa cm suspeita de ter um produto que se suspeitava que fosse droga. Formamos nossa equipa dos nossos agentes que foi ao terreno e culminou com a recuperação de 37 embalagens contendo droga diversa, neste caso, a metanfentamina e heroína. Em termos de peso estamos a falar de 48.5 kg”, explicou Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC na província de Nampula.

O SENIC deteve primeiro um jovem que foi encontrado com uma tijela contend a droga. Ele terá sido confiado a missão de vender a referida droga. Através do mesmo, os investigadores criminais chegaram aos fornecedores que são membros da Polícia.

“As informações que nos deu levaram à detenção de um chefe das operações da Polícia Municipal [do Município da Ilha de Moçambique], bem como o chefe do posto policial de Lumbo que eram tidos como as pessoas que entregaram para a sua comercialização”.

Trata-se de droga que terá sido apreendida numa residência e no lugar de entregar às autoridas competentes para a conservação como prova e posterior destruição, os mesmos viram uma oportunidade de negócio.

“Não são só estes elementos que foram arrolados. Existem outros: um é agente da PRM e outros cidadãos que terão compactuado com a prática do mesmo crime”, concluiu Tsinine.

Os indiciados contam a sua versão dos factos.

“Estive a perseguir populares que possivelmente tinham invadido uma casa e retiraram lá droga. Na perseguição, deixaram cair uma tijela e apanhei. Foi isso só”, disse um dos indiciados e o outros acrescentou: “por causa de uma tijela de droga que encontrei durante a fiscalização e perseguição de uns miúdos. Peguei na droga e vendi”.

Por serem agentes da Polícia, a sua pena, caso sejam condenados, poderá ser agravada.

Os moradores do bairro Vaz, na cidade da Beira, exigiram  ao Município acções concretas para pôr fim ao martírio a que estão sujeitos, sempre que chove, caracterizado por águas estagnadas durantes meses, pelo facto de todas as saídas estarem bloqueadas por construções comerciais de investidores chineses.  

Em resposta às exigências, a edilidade diz que vai  abrir valas de drenagem com urgência.  

A história começou há cerca de três anos, quando dois investidores estrangeiros, um português e outro chinês, ergueram naquele bairro longos muros de vedação com objectivo de protegerem os seus investimentos comerciais.

A construção dos estabelecimentos comerciais e dos muros de vedação não foi devidamente acompanhada pela edilidade e, na sequência disso, os caminhos naturais das águas foram fechados e sempre que chove a mesma fica estagnada por longo período que chega a ultrapassar três meses, deixando inundando quintais e residências. 

Nas últimas três semanas, os moradores daquele bairro têm vindo a pressionar a edilidade para solucionar o problema e, ontem, os serviços autónomos de saneamento e os representantes das empresas que obstruíram as vias de acesso das águas, foram ao referido bairro e os moradores exigiram soluções concretas e imediatas.

Laura Tomé, representante dos moradores disse ao edil que “vivemos aqui há mais de 50 anos e nunca enfrentamos tanta inundações como nos últimos anos e tudo por conta destas obras autorizadas pelo Município. Exigimos que resolvam estes problemas”.  

Em resposta a esta exigências, Albano Carige, edil da Beira começou por dizer que as exigências dos moradores do Vaz eram legítimas e que, por isso, a edilidade iria resolver a curto prazo com a construção de valas de drenagem. 

“Infelizmente todas as bacias de retenção e vias das águas  naturais deixaram de existir por conta das obras. Reconhecemos que algo não foi desenhado nos projectos dos investimentos, por isso, em coordenação com os mesmos, vamos abrir canais de drenagem de céu aberto e de tubagem enterrado com cálculos para permitir um rápido escoamento das águas”, garantiu o edil.

A Comissão Interministerial confirmou que houve atribuição fraudulenta da nacionalidade moçambicana a três cidadãos turcos, num esquema alegadamente encabeçado por alguns funcionários da Direcção Nacional de Identificação Civil, através de atribuição de Bilhetes de Identidade. A incursão foi despoletada pelo Centro de Integridade Pública (CIP) em finais do ano passado.

Para o seu esclarecimento o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos liderou uma comissão multiministerial composta pelo Ministério do Interior e dos Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação que concluiu que, sim, houve um esquema de atribuição ilegal de nacionalidade a três cidadãos turcos tal como deu a conhecer o secretário Permanente do Ministério da Justiça, Justino Ernesto Tonela, em conferência de Imprensa, na manhã desta quinta-feira, em Maputo.

“Constatamos a existência de transcrição de nascimentos falsos emitidos no ano de 2013. Também, a confirmação da utencidade dos acentos de nacionalidade falsa, emitidos no ano de 2020. Os documentos no caso referidos têm indicação de processos em curso na Conservatória dos Serviços Centrais, na Cidade de Maputo”, declarou Justino Tonela.

Constatadas as irregularidades, a comissão mista que já tinha falhado o prazo de apresentação dos resultados do inquérito no dia 5 de Fevereiro do presente ano, deixou uma série de recomendações a começar pela aplicação de um processo disciplinar.
“A instauração de processos disciplinares para alguns agentes e funcionários de Estado por negligência na sua atuação e a recomenda-se a remessa do relatório final ao Gabinete Central de Combate à Corrupção”, avançou Tonela.

Confirmada a fraude, o Centro de Intergridade Pública (CIP) na qualidade de denunciante espera por uma responsabilização exemplar de modo a desencorajar cenários semelhantes.

“Não podemos firmar estarmos satisfeitos por se ter concluido que cidadãos estrangeiros compram nacionalidade em Moçambique. Isso não deve agradar à ninguém, porque significa uma maior vulnerabilidade para o nosso País. Agora, temos expectativa de que haja responsabilização criminal exemplar. Esperamos que o Ministério Público e outras entidades que têm essa resposbilidade de investigar e agir criminalmente contra aqueles que violam a lei em Moçambique dêm continuidade de modo que tenhamos punição exemplar”, Borges Nhamirre, representante do Centro de Integridade Pública.

A terminar, à comissão de inquérito diz ter detectado algumas fragilidades na legislação pelo facto de Moçambique não dispor de uma lei específica de nacionalidade, tendo recomendado que o país tenha um regime jurídico claro sobre todo processo a ser seguido para atribuição de nacionalidade moçambicana.

Uma pessoa morreu vítima de cólera e foram 13 estão internadas, na última semana, na província de Maputo. A doença infectou 60 pessoas, em pouco mais de um mês na mesma província.

Segundo as autoridades hospitalares, todos os casos estão concentrados no distrito de Moamba, com maior peso em Ressano Garcia. Para todos os casos, a explicação médica é aliada a má higiene e incidências de chuvas que fustigaram a província de Maputo nos últimos dias.

A médica chefe provincial, Celestina da Conceição, explica que “cólera é resultado de forma grosseira de nós colocarmos fezes na boca. Quando nós temos higiene individual e colectiva, dificlmente podemos ter o surto de cólera”, explicou.
Apesar da doença atingir todas as faixas etárias, o grupo de pessoas com 29 anos é o mais efectado pela em Moamba, um dado que preocupa as autoridades de saúde.

“Neste momento, a província de Maputo está preparada para atender em qualquer eventualidade de doença. Estes pacientes estão a ser cuidados no Hospital Provincial de Ressano Garcia”, assegurou.

O governo provincial ainda não fez soar nenhum alarme devido à cólera mas nem com isso o sector de saúde minimiza a situação.
Neste momento, a província mais afectada pelo surto de cólera é a de Nampula com mais de 2.9 mil casos, seguido de Tete com mais de 1.8 mil infectados.

Vinte e oito mil hectares de produção agrícola foram afectados pelas últimas chuvas na província de Maputo, tendo, neste cenário, sido perdidos 38 mil produtos.

A Direcção Provincial de Agricultura considera, por isso, como perdida a primeira época agrícola 2023/2024.

A instituíção avança ainda que 51 mil hectares ficaram totalmente inundados e, neste momento, decorre o plano de recuperação do pouco que sobrou nas machambas, incluindo assistência aos pequenos produtores.

“Esta informação ainda é preliminar. Estamos ainda a fazer o levantamento de dados e os campos ainda estão inundados. Não foi só a chuva que destruiu as plantações, a seca também contribuiu,” explica a Directora Provincial de Agricultura, Mariamo José.

“Neste momento, não temos muita esperança. Quase toda a primeira época ficou comprometida com as chuvas, conjugadas com os efeitos do O El Niño caracterizado por uma grande seca. O nosso desafio passa, actualmente, por nos concentrar na segunda época agrária. Estamos a procurar recompor as infraestruturas agrárias com ajuda do Instituto Nacional de Gestão de Desastres”, afirmou.

As chuvas poderão agravar a situação alimentar já considerada crítica, desde 2018, na zona Sul do país.

Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas, no período de Outubro de 2023 a Março de 2024, cerca de 3,3 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda ou superior em Moçambique. Isto equivale à fase 3 dos quais 220.000 pessoas na fase 4, de emergência

Em mais uma escola, professores decidiram paralisar as aulas na província de Maputo. São mais de 40 professores do sector público afectos à uma escola comunitária na Matola que interromperam as actividades para exigir horas extras.

Na escola Comunitária Daejo Cheile no bairro khongolote, Município da Matola, o dia começou com cânticos e batucadas.

Professores, rigorosamente vestidos, abandonaram as salas de aula para reivindicar, através de cânticos e dísticos, o pagamento do subsídio de horas extras dos anos 2022 e 2023, como explicou a professora Nilsa Miranda. “Estamos, de facto, a reivindicar o pagamento de horas extras desde Setembro de 2022 até agora”.

Outros professores que se amotinaram defronte da escola fizeram ecoar as suas preocupações face a este capítulo do não pagamento do subsídio de horas extras. 

“Estámos a enfrentar esta situação de não pagamento de horas extras desde 2022, então decidimos, por unanimidade, paralisar as nossas aulas até que esta situação seja resolvida”. O Professor Taula acrescenta que “nenhum dos nossos colegas sentiu o sabor desse dinheiro na conta. Tentámos várias vezes aproximar a direção da escola e aos Serviços Distritais, mas sem sucesso”.

A Escola tem cerca de 5000 alunos da primeira à décima segunda classes. Os alunos também juntaram-se à causa dos seus professores. “Esta Escola tem professores que ensinam. Paguem os professores para que a gente siga a nossa carreira, paguem os professores, paguem os professores…”

A paralisação desta quinta-feira  segue-se à interrupção de actividades na Escola Secundária da Machava-Sede, esta quarta-feira, também por falta de subsídio de horas extras. 

Recorde-se que o Ministério da Educação já tinha avançado que o assunto estava a ser resolvido e que tudo dependia do Ministério da Economia e Finanças.

Já a instituição dirigida por Max Tonela disse estar a pagar em função do apuramento sobre quem de facto trabalhou em horário extra-laboral.

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