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O País – A verdade como notícia

Membros supostamente do partido Renamo devolveram, ontem, camisetas e bandeiras do partido como forma de repudiar a reeleição de Ossufo Momade como presidente do partido e candidato às eleições de 9 de Outubro.

O facto que nos últimos dias tem se replicado em diversos pontos do país, viveu-se na Cidade de Maputo, onde por volta das 11 horas desta quinta-feira, um grupo de pelo menos 30 jovens, cantando “Ossufo Momade Traidor”, “Ossufo Momade fora” e “Lambe-botas… Lambe-Botas” os jovens se dirigiam à sede da Renamo na Cidade de Maputo, ostentando artigos do partido para, conformem disseram devolverem.

“Em Alto Molócuè, no Congresso, o jovem foi desprezado, não ouviram a vontade dos jovens e por conta de interesses pessoais escolheram Ossufo Momade. Momade nunca foi nosso candidato preferencial, eles estão a matar a Renamo porque são Lambe-botas”, disse, indignado, Juvêncio Ernesto, um dos manifestantes.

Na verdade, a preferência por Venâncio Mondlane é que esteve por detrás da fúria dos jovens manifestantes. É que, eles segundo contaram, acreditam que Mondlane seja a pessoa ideal para representar a Renamo nas eleições de 9 de Outubro, pois “ele está preocupado com o povo”.

E porque Mondlane foi excluído do processo, eles nao tem mais motivos para fazer parte do partido, pois “ficou provado que estão preocupados em comer com a Frelimo” e dizem que a continuar assim a apoiar a Renamo “vão continuar a sofrer, como sofrem desde a Independência do país”.

“Estamos aqui porque já não queremos fazer parte da Renamo, viemos devolver os cartões de membro, as camisetas, as bandeiras e tudo que recebemos deste partido, porque já não nos é útil, nós agora, vamos para onde o nosso libertador Venâncio Mondlane for”, disse Tucha Bernardo.

“O País” entrou em contacto com o delegado da Renamo na Cidade de Maputo que disse, sem gravar entrevista, que os manifestantes não fazem parte do partido, por isso não foram devolvidos cartões de membros porque estes não tem.

Devolveram apenas 28 camisetas, 2 bandeiras, 2 Chapéus e um vestido distribuídos a quando das marchas realizadas em protesto aos resultados das eleições autárquicas.

Na Vila de Marromeu, em Sofala, o cenário vivido esta manhã foi igual. Alguns simpatizantes também não querem Ossufo Momade, por isso, invadiram a sede do partido, rasgaram as assinaturas recolhidas para a candidatura de Ossufo Momade e outros documentos e o chefe provincial da Mobilização de Sofala foi agredido.

Quatro pessoas morreram, este ano, no Parque Nacional de Mágoè, em Tete, vítimas de ataques por elefantes. A administradora daquela área de conservação, Júlia Mwito, diz que o desafio é sensibilizar as 27 comunidades que vivem no interior do parque a procurarem outros locais de abrigo.

Por sua vez, Pedro Muagura, administrador do Parque Nacional da Gorongosa, defendeu a união de forças para acabar com o mal.

A Biofund investiu dois milhões de dólares na conservação da biodiversidade, sobretudo na componente de formação, tendo beneficiado pouco mais de 300 jovens.

Estes dados foram partilhados no quadro da celebração de 22 de Maio, Dia Internacional de Conservação da Biodiversidade, evento que juntou na Unizambeze, em Chimoio, diversos actores.

O Parque Nacional de Mágoè é rico em biodiversidade, mas, porque o homem e o animal procuram partilhar o mesmo espaço naquela área de conservação, há registo de “conflitos”.

Os Estados Unidos da América entendem que a inclusão de técnicos e agentes de trânsito reformados na definição de políticas e construção de estradas pode garantir maior qualidade das vias e reduzir acidentes, dada a experiência que possuem. São ideias partilhadas na Conferência Africana sobre Tecnologias dos Transportes, que decorre na Cidade de Maputo.

Responsáveis das áreas de estradas e transporte de Moçambique, África do Sul e Estados Unidos da América estiveram num frente-a-frente, na Conferência Africana sobre Transferência de Tecnologias dos Transportes, a debater soluções para a qualidade de vias de acesso e redução de acidentes de viação.

Na partilha da sua experiência, a Administração de Estradas Federais dos EUA disse estar a usar conhecimentos do passado para resolver problemas actuais, envolvendo técnicos e agentes reguladores de trânsito reformados.

“Incluímos regularmente a força policial. Além disso, contratei um agente da Polícia reformado para trabalhar comigo e com a minha equipa durante muitos anos. O que fizemos, com o tempo, foi percorrer os Estados Unidos, reunindo-nos com polícias de todo o país e ensinando-lhes as contramedidas de engenharia”, conta Patrick Hasson, quadro da Administração de Estradas Federais Norte-Americanas.

Além da preservação das vias, segundo Patrick Hasson, do Centro Norte-Americano de Recursos de Administração Federal de Estradas, com a adopção desta medida, reduzem-se também os acidentes de viação.

“Com ou sem dados sobre acidentes, podemos olhar para as nossas estradas e compreender como foram executadas, porque temos hoje um conhecimento tão grande em comparação com há 25 anos. Sabemos muito mais sobre as infra-estruturas rodoviárias e a forma como contribuem para os acidentes, pelo que podemos ir para as estradas, analisar essas características, compreender onde os riscos são elevados e resolver o problema”, adverte o representante americano.

Já da África do Sul, Simphiwe Nene, do Departamento de Transporte em Kwazulu-Natal, disse que o seu país tem reservado cinco por cento do orçamento anual para a segurança rodoviária. “A proposta vem acompanhada de uma condição que diz que temos de reservar 5% dos orçamentos para tratar apenas de questões de segurança rodoviária. Depois, temos de fazer uma avaliação e apreciação da segurança rodoviária.”

A IX Conferência Africana de Transferência de Tecnologia dos Transportes junta dirigentes e técnicos na área. O evento termina esta sexta-feira.

Vinte e seis estudantes bolseiros estão a cursar medicina na Cidade da Beira, financiados pela edilidade, no âmbito da iniciativa um bairro um médico.

Durante a campanha eleitoral das eleições autárquicas do ano passado, o edil da Beira, Albano Carige, prometeu financiar bolsas de estudo na área de medicina para atender as necessidades de saúde ao nível dos 26 bairros da urbe.

O projecto, denominado “um bairro, um médico”, tem como objectivo garantir atendimento em primeiros socorros de qualidade aos munícipes nos seus bairros antes de se dirigirem às unidades sanitárias.

O município da Beira revelou que os primeiros 26 bolseiros, com idades entre os 18 e os 23 anos, já estão em formação na Universidade Católica de Moçambique.

“Daqui a sete anos, temos 26 médicos para igual número de bairros. Ainda este mês, pagámos todo o ano”, disse Albano Carige, edil da Beira.

Os beneficiários, visivelmente emocionados, enaltecem o Conselho Municipal da Beira e garantem aplicar-se nos estudos.

“Queremos agradecer, do fundo do coração, pela iniciativa. E esperamos que o presidente possa ter mais iniciativas do genéro que beneficiem a população”, maniestou Antónia Castigo, uma das beneficiárias.

Carige falava à imprensa no âmbito dos primeiros cem dias de governação. Na ocasião, lembrou que o concurso para a construção do muro de protecção costeira, uma das suas promessas, já foi lançado.

“Isto significa que, ainda este ano, se tudo der certo as obras de protecção costeira vão arrancar na nossa cidade.”

Em relação as valas de drenagem, o edil da Beira garantiu que a segunda fase é uma realidade, pois, já foi encontrado o empreiteiro, que é um grupo de engenheiros chineses.

” Este empreeteiro vai executar as obras de reabilitação, requalificação e construção da segunda bacia de retenção. Estas obras vão decorrer nas Palmeiras 2, Macúti, Matacuane, Macurungo, Chota e Estoril”, precisou Albano Carige.

O edil da Beira falou, igualmente, da construção da praça da saúde e do início do pagamento das indeminizações aos antigos trabalhadores da extinta empresa dos Transportes Públicos da Beira.

Nos últimos quatro meses, quatro mototaxistas foram assassinados, no município de Dondo, em Sofala. Todas ás vitimas foram violentados por um grupo de jovens, entre eles uma mulher, que se faziam passar por passageiros. As motas eram posteriormente vendidas nas cidades da Beira e Chimoio.

Oito jovens, residentes nos município de Beira, Dondo, Chimoio e Gondola, foram detidos pelo SERNIC, indiciados de roubo e assassinato de quatro mototaxistas.
A rede de malfeitores opera ao longo do corredor da Estrada Nacional Número Seis. Entre eles, estão os que atraem os mototaxistas, fazendo-se passar por passageiros, usando algumas mulheres.

Os criminosos indicam um destino e, a meio do percurso, simulam que pretendem satisfazer uma necessidade biológica, exactamente no lugar onde estão outros elementos do grupo, que violentam os mototaxistas, tal como contou um sobrevivente.

Houve 10 situações desta natureza que resultaram em 4 vítimas mortais.

O país poderá melhorar a capacidade de investigação geológica, através do uso de métodos modernos a serem implementados pelo Instituto Karpinsky, uma organização russa que vai formar estudantes e pesquisadores moçambicanos, no Museu Nacional de Geologia.

É o início de uma parceria que vai dotar os estudantes moçambicanos de técnicas mais avançadas para a pesquisa de minérios no país.
Para o efeito, foi assinado ontem um memorando de entendimento no qual o Instituto russo Karpinsky se compromete a formar estudantes moçambicanos em matéria de investigação geológica.

A directora nacional de Geologia e Minas, Luísa Mahocha, considera que “nós olhamos para esta parceria como sendo aquela que vai trazer melhor capacidade para o uso de instrumentos na área geológica, e esperamos que as classes que vão ser formadas nesta parceria sejam capazes de replicar o conhecimento e fazer colectas representativas para a exposição aqui, no Museu Nacional de Geologia”.

Por sua vez, os especialistas russos comprometem-se a trazer os modelos mais avançados de ensino sobre minérios para o país.

“No âmbito do projecto das classes Karpinsky, ofereceremos aos estudantes e especialistas de Moçambique os resultados das mais recentes pesquisas de cientistas excepcionais do Instituto, mostrando modelos metodológicos e a esfera das tecnologias de informação”, garantiu Pavel Khimchenko, responsável do Instituto Russo Karpinsky.

O Museu Nacional de Geologia diz ainda que os conhecimentos russos, a serem partilhados com estudantes e pesquisadores moçambicanos, respondem às necessidades da instituição na busca de mais visibilidade de recursos minerais existentes no país.

Por outro lado, os estudantes, presentes no acto, louvaram a iniciativa e esperam poder ajudar o país a saber mais sobre as suas riquezas. “É gratificante ter essas novas oportunidades, por isso vai ajudar a catapultar os nossos conhecimentos. Será uma boa oportunidade para complementar os nossos conhecimentos em algumas cadeiras, como é o caso dos métodos de pesquisa”, destacaram.

Para além de capacitar alunos e pesquisadores, segundo os intervenientes, a assinatura do memorando, com duração de dois anos simboliza a fortificação dos acordos bilaterais entre a Rússia e Moçambique, nas diversas áreas de cooperação.

 

Uma nota publicada pelo Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC) indica que, para o ano lectivo de 2024, o Governo encomendou 21 043 900 livros da 1ª à 6ª classe, dos quais 19 722 500 são de ensino monolingue (em uma língua), 604 150 são do ensino bilíngue, 5250 escritos em braille (para crianças com necessidades especiais), 422 700 são destinados à alfabetização de adultos e 289 300 são manuais e guiões de professores para facilitar o processo de lecionação.

Há quase um semanas, o Governo disse, na Assembleia da República, que os livros escolares da 1ª, 2ª e 3ª classes já tinham chegado aos portos de Maputo, Beira e Nacala, e a sua distribuição pelos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia havia iniciado.

Por outras palavras, o Governo foi ao Parlamento confirmar que o livro escolar de distribuição gratuita ainda não tinha chegado às mãos das crianças que frequentam o ensino primário do SNE, quando faltavam menos de duas semanas para o término do primeiro trimestre.

O mais grave ainda é que os livros que estão a ser transportados dos portos (Maputo, Beira e Nacala) para os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia não são de todas as classes do ensino primário, mas apenas da 1ª, 2ª e 3ª classes. Não se sabe quando é que os livros da 4ª, 5ª e 6ª classes irão chegar a Moçambique, situação que aumenta os receios de as crianças que frequentam essas classes passarem o segundo trimestre sem aquele instrumento essencial na construção do saber científico e cultural.

A chegada tardia do livro escolar às mãos das crianças também se verificou no último ano lectivo. Até Agosto de 2023, o Governo ainda tinha por alocar um total de 1 617 863 livros aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia das províncias de Niassa e Cabo Delgado. Isto é, dos 13 892 900 livros planificados, tinham sido alocados aos distritos 12 274 497 livros, o correspondente a uma execução de 93%.

Se até Agosto de 2023 ainda decorria o transporte do livro escolar de Nacala para os distritos de Niassa e Cabo Delgado, significa que há crianças que entraram para o terceiro e último trimestre do ano lectivo sem o livro escolar de distribuição gratuita.

“Enquanto o livro escolar não for colocado às escolas em tempo útil, a qualidade do ensino fica comprometida, pois o livro é essencial no processo de ensino-aprendizagem. A chegada tardia do livro nas escolas compromete, igualmente, a plena efectivação do direito à educação, consagrado no artigo 88 da Constituição da República de Moçambique, incluindo o princípio de acesso universal à educação gratuita e de boa qualidade”, lê-se na nota do CESC.

 

 

SERVIÇOS DISTRITAIS DE EDUCAÇÃO NÃO TÊM ORÇAMENTO PARA FAZER CHEGAR LIVROS ÀS ESCOLAS
O processo de distribuição de livros obedece a um esquema em que o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) é responsável por alocar os manuais aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, cabendo a estes serviços fazer chegar os livros às escolas. Nas capitais provinciais, onde há facilidades de circulação, os livros são levados às escolas pelo MINEDH.

Sucede que os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, que têm a missão de fazer chegar os livro às escolas, muitas delas localizadas em zonas de difícil acesso, não dispõem de orçamento suficiente para fazer a distribuição do manuais.

Por isso, os livros que já chegam tarde aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia – normalmente no fim do primeiro trimestre – levam mais tempo ainda para chegar às escolas, sobretudo aquelas que estão mais distantes das sedes distritais e/ou em locais de difícil acesso.

As crianças que frequentam as escolas localizadas em zonas rurais de difícil acesso acabam por ser as mais penalizadas, sendo que muitas chegam a entrar para o terceiro e último trimestre sem o livro escolar, como se verificou no ano lectivo de 2023 em algumas escolas de Niassa e Cabo Delgado.

Enquanto o livro não chega para todas as crianças que estão no ensino público, a Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) detectou, em todo o país, 224 escolas privadas que usavam o livro escolar de distribuição gratuita. Esta situação revela que, além dos problemas na cadeia de produção e distribuição do livro escolar, o MINEDH enfrenta o desvio de manuais para as escolas privadas.

Por isso, o CESC defende a alocação directa de meios financeiros às Direcções Provinciais de Educação e aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia para a distribuição do livro às escolas, bem como a descentralização da contratação de empresas que transportam o livro escolar dos portos para os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia (neste momento as empresas são contratadas a nível central).

A observância rigorosa de todas as etapas de provisão dos manuais de ensino, desde a edição até à distribuição, com envolvimento activo de todos os actores relevantes (Governo central, provincial e distrital) é outra medida defendida pelo CESC para garantir que o livro chegue em tempo útil e em quantidade e qualidade desejada.

Para combater o desvio de manuais de distribuição gratuita, a organização apela à introdução de medidas concretas de segurança nos locais de armazenamento e em toda a cadeia de distribuição. “É preciso incluir no calendário do ano lectivo o período de distribuição do livro escolar, de modo a evitar que as aulas se iniciem sem que as crianças tenham recebido a material”.

O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano faltou à verdade ao afirmar que os livros da primeira, segunda e terceira classes estavam a ser impressos a nível nacional. As gráficas que, supostamente, estariam a imprimir livros desafiaram o MINEDH a provar tais factos com documentos. Enquanto isso, os alunos fecharam o primeiro trimestre e arrancaram com o segundo sem manuais.

Precisamente no dia 12 de Outubro de 2022, Dia dos Professores, o Presidente da República anunciou uma novidade. “O Governo passará, também, a financiar com os seus próprios recursos o processo de produção dos livros escolares de distribuição gratuita. A partir de 2023, iremos alocar um orçamento destinado à aquisição dos livros do primeiro ciclo do ensino primário, ou seja, da primeira à terceira classe”, revelou Filipe Nyusi, no evento organizado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano na Cidade de Maputo.

O chefe do Estado acrescentou que esta medida seria pioneira, uma vez que “seria a primeira vez que o Governo chama a si a responsabilidade de financiar a aquisição de livros escolares”.

Volvidos dois anos, Moçambique ainda não entrou no mapa dos países do mundo que imprimem os manuais escolares internamente. Ademais, houve introdução de uma iniciativa inédita no sector da educação no país, que é a impressão e distribuição do caderno de actividades. Isto nunca tinha sido implementado no sector da educação.

Na verdade, o sonho de produzir livros a nível nacional ganha forma com um anúncio de concurso público pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento, de 29 de Março de 2023.

Nele, empresas nacionais interessadas e elegíveis são convidadas a submeterem as suas propostas para impressão e distribuição dos livros escolares da 1ª, 2ª e 3ª classes. Eram os primeiros passos para a tão propalada produção do manual escolar dentro do país, que, afinal, não nos levaria para muito longe.

É que, conforme apurou o “O país”, cerca de um mês depois, isto é, em Abril de 2023, o concurso terá sido cancelado, porque não acomodava os interesses do principal financiador para a produção do livro escolar: o Banco Mundial.

O que o financiador exigia, no acordo bilateral com o Ministério da Educação, era que o concurso para a produção do livro fosse internacional. E foi isto que matou o sonho da produção interna do livro, mas o Ministério da Educação desmentiu, ao afirmar que havia gráficas nacionais a imprimirem os manuais.

“Nós lançámos um concurso, ganharam as empresas nacionais, e são essas que já estão a entregar os livros que imprimiram. Um pouco mais de 60 por cento dos cinco milhões de livros já estão a ser distribuídos. Os concursos que foram lançados para a produção interna estão a ser produzidos, mas tem também o concurso internacional. Os livros do primeiro ciclo, segundo a garantia que temos, são impressos pelas gráficas nacionais”, assegurou Manuel Simbine, porta-voz do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano.

A garantia foi tão segura que fez com que o porta-voz mencionasse as empresas nacionais que, supostamente, estariam a imprimir os livros: a Minerva Print e a Académica Limitada.

Atrás de respostas, a nossa equipa de reportagem contactou as duas gráficas que o Ministério da Educação disse terem ganhado o concurso público para a impressão dos manuais da primeira, segunda e terceira classes. As duas empresas negaram ter imprimido os manuais e desafiaram o MINEDH a provar com documentos.

Questionada se terá imprimido os livros da primeira, segunda ou terceira classes, a Académica Limitada respondeu nos seguintes termos: “Nós não imprimimos livros da primeira, segunda e terceira classes. Aquilo é Português e Matemática na mesma brochura. São os chamados cadernos de actividade e foi apenas para a segunda classe. Foram pouco mais de um milhão de cadernos de actividade. Aliás, o único manual que imprimimos foi o de matemática da quarta classe e já entregamos ao Ministério da Educação. Sabemos, também, que já foi distribuído”, recusou a Académica Limitada.

A Minerva Print também nega ter ganhado concurso público para a impressão dos livros da primeira, segunda e terceira classes e desafia o Ministério da Educação a provar isso.

“Nós desconhecemos esse concurso para impressão dos livros escolares da primeira, segunda e terceira classes. Desafiamos o porta-voz do Ministério da Educação a mostrar, publicamente, quando é que o suposto concurso foi lançado e quando é que foi adjudicado a nós, Minerva Print. Certamente, eles têm os documentos sobre isso guardados em algum sítio. O porta-voz do MINEDH não pode dar a cara para querer manchar as outras instituições”, rebateu, a Minerva Print.

Entretanto, a gráfica confirma ter ganhado um concurso público, mas que não tem nada a ver com a impressão e distribuição dos referidos manuais.

“A Minerva Print até ganhou um concurso, mas para imprimir o livro de Matemática da quarta classe, e já fizemos a entrega. Nós, quando imprimimos os livros, a maior preocupação é fazer a distribuição por todos os locais. Se não fizermos isso, que é a nossa obrigação, estaremos a prejudicar todo o país. Participamos em algumas reuniões no Ministério da Educação, nas quais, o que estava em discussão era a impressão dos livros pelas gráficas nacionais, mas quando se fez o layout e se chegou à fase de impressão, fomos afastados”, fundamentou a Minerva Print.

 

O “peso” da educação sem os livros escolares

O livro escolar que tinha sido prometido aos alunos para a segunda semana depois do arranque do ano lectivo, ainda não está disponível. Encerramos o primeiro trimestre e arrancamos com o segundo sem os manuais. O Ministério da Educação mandou produzir e distribuir cadernos de actividade para a segunda classe, impressos pela Académica Limitada. Isto nunca tinha acontecido na história de Moçambique.

A falta do livro escolar para as primeiras três classes do ensino primário está a tornar dificílima a missão de ensinar.

“É um martírio. Todos nós sabemos que a primeira e segunda classes são iniciais. Tudo bem que o professor tem de ter estratégia, redobrar os métodos e fazer tudo o que estiver ao seu alcance, mas não é fácil trabalhar sem o livro. Não é fácil mesmo”, desabafou Alzira Sampaio, professora da primeira classe, numa das escolas da Cidade de Maputo.
São palavras carregadas de revolta de quem sente, no seu dia-a-dia, o peso do ensino-aprendizagem sem os manuais escolares. “Não tem sido fácil. Por isso, a direcção, internamente, acabou por adoptar a estratégia de recorrer ao livro antigo, esperando, ainda, o novo livro que é para usarmos”, explicou Paulino Matola, professor na Escola Primária Bê-à-Bâ, Cidade de Maputo.

E há quem nunca tenha visto isto em toda a sua carreira como professor. “Estou a trabalhar há 28 anos. Nunca vi um cenário igual, de o trimestre terminar sem o livro da primeira classe”, afirmou a professora Alzira Sampaio.

Nunca tinha visto, mas hoje, não só vê, como também é obrigada a adaptar-se ao contexto da actuação do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano.

“Por vezes, nós vamos espreitar no livro antigo, só para tirar aquelas imagens e desenhar no quadro, mas as crianças não sabem desenhar. Elas (as crianças) só sabem pintar bola e os desenhos ficam ali no quadro. É difícil trabalhar assim”, detalhou Alzira Sampaio.

Por ser difícil trabalhar nas classes iniciais sem o livro escolar, o Ministério da Educação introduziu, pela primeira vez, o caderno de exercícios da segunda classe.

A ideia era facilitar o trabalho do professor na sala de aula, mas, na prática, a realidade é outra. “O caderno de actividades tem poucos exercícios. Nós, às vezes, recorremos a outros livros para termos os exercícios e escrevemos no quadro ou mesmo escrever no próprio caderno do aluno”, explanou Isabel Ntsenane, professora da segunda classe.

Em algumas escolas da capital do país, as direcções tomaram a decisão de usar os livros tidos como descontinuados por conta da demora na chegada dos manuais escolares.

E para não comprometer o próprio processo de ensino-aprendizagem, o porta-voz do Ministério da Educação estava quase seguro de que os livros chegariam até Março.
“Dada a nossa cadeia de produção e distribuição de livros, tendo em conta os vários intervenientes e o facto de que cada um deve observar as normas, só agora é que começámos a receber os livros e iniciamos a distribuição no dia 11 de Março. Recebemos. Pode ainda não haver os manuais… Até agora que estamos a falar, há um pouco mais de cinco milhões de livros da primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e sexta classes que estão a ser distribuídos. Uma e outra escola é que ainda podem não ter recebido os livros no momento em que estamos a falar”, garantiu Manuel Simbine, porta-voz do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano.

Isto não é verdade! Nem no momento em que estávamos a gravar a entrevista e muito menos até ao fim do trimestre, alguma escola tinha recebido os supostos livros.
E, na Assembleia da República, o Governo deu uma outra explicação sobre os livros.

“O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano está em processo de recepção e distribuição do material de aprendizagem adquirido para o ano de 2024. Com efeito, já foram recebidos alguns materiais de aprendizagem nos três portos principais do país, nomeadamente, Maputo, Beira e Nacala e transportadores foram contratados e já iniciaram a sua distribuição para os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, e estes para as escolas”, revelou Daniel Nivagara, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

E isto é a prova de que o plano de produzir o livro escolar no país fracassou.

 

O inédito caderno de actividades no Sistema Nacional de Educação

A ideia do Ministério da Educação era, também, introduzir um caderno de actividades para a primeira classe, tal como o fez com a segunda, mas alguma coisa falhou.
O jornal O País apurou, de fontes ligadas à educação, que os cadernos de actividades da primeira classe até foram impressos e distribuídos pelos alunos, na última semana de Fevereiro, isto é, quase um mês depois do arranque do ano lectivo.

As escolas da Cidade de Maputo, capital do país, foram as primeiras a receber o caderno de actividades da primeira classe, mas, imediatamente, houve uma campanha para a sua recolha: o material didáctico foi impresso com erros.

Um mapa de Moçambique sem Chimoio e, segundo o qual, a província de Gaza está localizada na zona Centro do país, bem ao lado da Beira. É um dentre os vários erros que ditou a retirada do caderno de actividades da primeira classe das escolas.

Para garantir que nenhum caderno de actividades ficasse nas escolas, no acto da recolha, os técnicos do Ministério da Educação faziam uma comparação minuciosa entre o que foi entregue e o mapa com a quantidade de livros requisitada.

A nossa equipa de reportagem apurou que os cadernos de actividade da primeira classe estão trancados a sete chaves num dos armazéns do Ministério da Educação, na Cidade de Maputo.

O sector de saúde, em Niassa, intensifica campanhas sobre a saúde sexual e reprodutiva para travar elevado índice de gravidezes precoces.

O facto tem como causas o fraco poder económico de algumas famílias, aliado  às condições físicas e psicológicas que propiciam o aliciamento das menores.
De Janeiro  a esta parte, por exemplo, cerca de quinhentas raparigas de catorze aos quinze anos de idade contraíram gravidezes precoces,  facto que preocupa as autoridades de saúde nesta parcela dos pais.

O director dos Serviços provinciais de saúde no Niassa, José Manuel, referiu que, para minorar o problema, o sector de saúde está criar comités de protecção de crianças, através do programa multissectorial do Banco Mundial para a saúde, educação e protecção social.

José Manuel reitera o apelo à população para incrementar acções de educação sexual e reprodutiva, como forma de chamar a razão as comunidades em relação aos riscos que correm ao iniciar a actividade sexual precocemente.

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