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O País – A verdade como notícia

Dois homens foram detidos indiciados de abate e porte ilegal de espécies protegidas, no distrito de Nhamatanda, em Sofala. A detenção ocorreu quando os indiciados tentavam vender dentes e garras de leão a um curandeiro. 

São, no total, 20 dentes e igual número de garras, que foram extraídos, segundo um dos indiciados, de um leão abatido no distrito de Munaza, também em Sofala, que pertence à zona de tampão do Parque Nacional de Gorongosa. O indivíduo encontrado com as garras nega que tenha abatido o animal. 

“Alguém deu-me esses dentes, há quatro meses, só que depois perdeu a vida”, disse o indiciado. 

O jovem acrescentou que, há cerca de uma semana, soube, a partir de um outro amigo, que um curandeiro estava à procura de dentes e garras de leão, por isso, decidiu vender o que tinha. 

“A proposta era 3500, para poder pagar a pessoa que me arranjou o cliente. Então, eu fui para lá e quando cheguei encontrei a polícia”, contou. 

O outro detido distancia-se de todas as acusações e disse que apenas transportou o outro acusado. 

Alfeu Sitoe,  porta-voz do  SERNIC  em Sofala, diz que se trata de uma rede e que ainda estão em falta três indivíduos. 

“As diligências ainda estão em curso para poder neutralizar os demais”, disse Sitoe. 

O curandeiro que, supostamente, compraria as garras ainda está fugitivo.

Paulina Chiziane diz que o Estado deve prestar atenção com o surgimento de novas igrejas no país.  A escritora entende que há congregações com o objectivo de oprimir a sociedade.  

A escritora Moçambicana, Paulina Chiziane, foi a convidada do Programa Grande Entrevista, desta semana. Durante a sua intervenção, Chiziane sublinhou a necessidade de “libertar as mentes”. E explicou: “Por que quando aparecem pensadores negros, a tendência de alguns desses grupos (grupos religiosos) é reeprimir. Isso é porque esses indivíduos, pensadores negros, despertam a mente, e alguns estão interessados em dominar o continente africano através da mente”. 

“Vem um tipo, de onde vem, em nome da salvação, mas a primeira coisa que faz é associar todo o ser africano ao diabólico. Mesmo em coisas comuns, ora, a palhota que é uma habitação ecológica do povo africano é associada ao diabólico… Por exemplo, o cabelo, sobretudo, quando é rastafari é associado ao diabólico, mesmo a timbila que é património da humanidade é também um instrumento de bruxaria”, disse. 

Paulina Chiziane chamou ainda atenção para a necessidade da formação, particularmente, no pastorado, como forma de não replicar preconceitos. “Para mim, um indivíduo que se diz pastor deve conhecer a história, deve ter formação para não replicar preconceitos”. 

Chiziane diz que o Estado deve ter atenção a quem são os líderes das várias formações religiosas, qual é a sua formação e a quem já salvaram. “Algumas vezes foi se fazer vistorias às igrejas, ou saber qual é a formação dos pastores, profetas, entre outros. O Estado não se deve meter, mas deve saber o que está a acontecer”.

Moçambique registou uma redução de mortes causadas por acidentes de viação, durante os primeiros seis meses de 2024, comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório do Ministério dos transportes e comunicação, de Janeiro a Junho, foram contabilizados 310 óbitos, contra 357 registados no primeiro semestre de 2023, o correspondente a 13%.  

O documento mostra que o maior número de acidentes é do tipo atropelamento, representando 36% do total de acidentes registados. De seguida são os acidentes do tipo despiste, com 29% e o choque envolvendo carro e mota, com cerca de 14%. 

O relatório do Ministério de Transporte e Comunicação avalia também a prevalência de atropelamentos por província, com destaque para a Cidade de Maputo, com 34%, seguido da província de Inhambane, com 21% e Gaza com 12%. 

O balanço semestral sobre os acidentes nos transportes inclui, ainda, a componente do transporte ferroviário e marítimo. Nas ferrovias moçambicanas, foram contabilizados 39 óbitos, contra cerca de 18 registados no primeiro semestre de 2023. Considerando a distribuição espacial dos sinistros ferroviários, “o Corredor do Norte” afigura-se como “o mais mortífero”, com 23 óbitos, seguido do sistema ferroviário sul, com 10 óbitos, e o sistema ferroviário centro registou o menor número, seis óbitos.

No transporte marítimo, os dados apontam para a ocorrência de 141 óbitos, contra 34 registados no primeiro semestre de 2023. “Esta subida é influenciada pelo acidente da Ilha de Moçambique, ocorrido em Abril deste ano, no qual morreram 98 pessoas”. Ainda em Nampula, a costa de Angoche contribuiu com 7 óbitos. As províncias do Niassa e Sofala também registam números elevados de óbitos resultantes de acidentes marítimos com um total de 10 óbitos por cada província.

O MISA Moçambique entende que a suspensão da STV, pela TMT, é uma deliberada restrição ao Direito à Informação. Numa nota de imprensa publicada esta quinta-feira, o MISA Moçambique considera que, sob ponto de vista da lógica do negócio dos media, a TMT é quem deve pagar às televisões por usar os seus conteúdos para realizar o seu negócio de distribuição e não o contrário. Ao cobrar as estações de televisão, a TMT faz, pois, uma inversão da norma do negócio dos media, no mundo, em que os distribuidores são os que devem pagar pelos conteúdos dos produtores. Para o MISA Moçambique, além de limitação do Direito à Informação, preocupa o momento em que a decisão da TMT é tomada, altura em que o país entra para a fase decisiva do processo eleitoral. Ademais, o MISA Moçambique avança que a TMT tem um modelo de negócio concorrencial desleal. A Televisão de Moçambique não paga nenhum “tostão” à TMT, alegadamente, por ser accionista.

A seguir, leia o comunicado na íntegra do MISA Moçambique:
O MISA Moçambique tomou conhecimento da suspensão, esta terça-feira, do sinal da Televisão Soico (STV) na plataforma TMT. Para o MISA, o fundamento comercial evocado pela TMT não passa de uma escusa para restringir aos cidadãos dos serviços de informação providenciados pela STV, sendo uma restrição deliberada ao direito fundamental como o Acesso à Informação, sobretudo quando causadas por um modelo de negócio concorrencial desleal como o da TMT, em que empresas concorrentes da STV, como a TVM e a RM, não têm nenhum tipo de custos por terem chegado à estrutura accionista da TMT, com critérios pouco claros. Por outro lado, o MISA entende que a TMT, em Moçambique, ao cobrar as estações de televisão, faz uma inversão da norma do negócio dos media, no mundo em que os distribuidores são os que devem pagar pelos conteúdos dos produtores. Isto é, deveria ser a STV a cobrar a TMT por distribuir os seus conteúdos, não o contrário.

Alegando incumprimento de acordos comerciais, a Transportes – Multiplexação e Transmissão (TMT), empresa privada constituída com endividamento público, cerca de USD 150 milhões, decidiu suspender a STV da sua plataforma, impedimento que cerca de 640 mil moçambicanos conectados aos decoder da TMT tenham acesso a este que é um dos principais canais de televisão com informação alternativa sobre os acontecimentos do país. Na sua argumentação, TMT diz que, no dia 12 de Agosto de 2024, em cumprimento de uma decisão tomada pelo seu Conselho de Administração (CA), e atempadamente informada aos seus accionistas, a provedora procedeu a suspensão do sinal da STV na sua plataforma.

A TMT é composta pelas empresas públicas Televisão de Moçambique (TVM), Rádio Moçambique (RM), StarTimes Internacional e a Focus 21, através da StarTimes Moçambique. A TMT explica, ainda, que esta decisão resulta de um longo processo de contactos e tentativas de negociação que, por responsabilidade exclusiva da STV, não surtiu efeitos pretendidos. A TMT aloja 18 canais de televisão nacionais, sendo que cada um tem de pagar 415.087,00 meticais/mensais pelo uso de 60 sites de transmissão do sinal que a plataforma oferece em todo o país. Contudo, devido a fragilidades financeiras, a maioria dos canais nacionais não usam nem menos da metade dos sites.

O mesmo não acontece com a STV, que transmite seus conteúdos em todo território nacional e que, para tal, tem a obrigação de pagar na totalidade o valor acima mencionado, mas que, segundo a TMT, não está a pagar desde 2020, altura em que a empresa iniciou com as cobranças pelo uso do sinal. De acordo com a TMT, a falta de pagamento de mensalidades fez com que a STV acumulasse dívidas na ordem de 3.608.048,00 meticais. Por sua vez, a STV entende que é produtora de conteúdos que a TMT coloca na sua plataforma e, tal como faz com os canais internacionais, também deve pagar pelo uso desses conteúdos. Isto é, na óptica da STV, quem deve pagar ao outro é a TMT porque esta não produz conteúdos.

A STV também questiona o facto de os accionistas da TMT serem concorrentes directos. Por exemplo, a StarTimes é provedora de serviços de televisão digital em Moçambique, competindo com outras empresas que têm a mesma actividade. Por outro lado, a StarTimes está na estrutura societária da TMT, fazendo com que também realize serviços de processamento, transporte, distribuição, e emissão de sinais de rádio e televisão digital. Isto significa que a TMT distribui conteúdos de canais de televisão nacional por meio de contrato com estes canais. No entanto, passa os mesmos canais para a StarTimes, que os distribui de igual modo. Ou seja, neste momento, a StarTimes tem duas plataformas de distribuição de televisão digital, nomeadamente a própria StarTimes e a TMT. Ademais, a decisão de fixação de preços de transmissão da TMT foi tomada sem consulta nem audição prévia às empresas de comunicação social.

Posicionamento

Enquanto uma organização de defesa das Liberdades de Imprensa e de Expressão e do Direito à Informação, o MISA Moçambique mostra-se profundamente preocupado com a suspensão da STV pela TMT. A decisão da TMT coloca em causa o direito fundamental de Acesso à Informação que assiste a todo o cidadão moçambicano, ainda mais porque a TMT é o serviço de televisão mais acessível à maioria do povo moçambicano, sobretudo os pobres. Mais ainda, não é apenas a STV que tem dificuldades de pagar os custos de transmissão do sinal a TMT. Todos canais são incumpridores. A TVM não paga nenhum tostão, alegadamente por ser accionista da TMT. A Miramar e a TV Sucesso, que também transmitem o sinal em todo país, pagam, em média, até 30% do valor que a TMT cobra mensalmente.

A argumentação do Presidente do Conselho de Administração (PCA) da TMT, António Barros, segundo a qual a sua empresa tomou medidas extremas contra a STV porque, para além de não pagar pelo uso da plataforma, o canal televisivo não aceita assinar o contrato de adesão aos serviços da TMT e muito menos aceita dialogar, mostra-se desproporcional. O MISA entende que as rivalidades comerciais não podem colocar em causa um direito fundamental como o Acesso à Informação, sobretudo quando se trata de rivalidades causadas por um modelo de negócio concorrencial desleal como o da TMT, em que empresas concorrentes da STV, como a TVM e a RM, não têm nenhum tipo de custos por terem chegado a estrutura accionista da TMT, com critérios pouco claros.

Sob ponto de vista da lógica do negócio dos Media, o MISA entende, com base nas experiências diversas, que a TMT é quem deve pagar aos produtores (as televisões) por usar os seus conteúdos para realizar o seu negócio de distribuição e não o contrário. Ao cobrar as estações de televisão, a TMT faz, pois, uma inversão da norma do negócio dos media, no mundo, em que os distribuidores são os que devem pagar pelos conteúdos dos produtores. Além de limitação do Direito à Informação, preocupa o momento em que a decisão da TMT é tomada. A empresa suspende a STV numa altura em que o país entra para a fase decisiva do processo eleitoral, que irá culminar com a votação do dia 9 de Outubro.

Embora a função dos media não se limite às eleições, durante estes períodos, o Acesso à Informação dos media revela-se de extrema importância para permitir uma participação informada do cidadão nas eleições. Este é, pois, um momento de grandes decisões para o país e que, por isso, o cidadão precisa de ter acesso à informação para tomar a melhor decisão. Por isso, o momento não se compadece com apagões contra a informação, independemente de se concordar ou não da linha editorial de determinado órgão de comunicação.

Neste momento em que a TMT decidiu suspender a STV, um dos principais canais de televisão com informação alternativa sobre os acontecimentos do país, o MISA lembra que o Acesso à Informação é um direito constitucional, em Moçambique. A Constituição da República consagra, a todos moçambicanos, no seu Artigo 48 (Liberdades de Expressão e de Informação), o Direito à Informação, que não pode ser limitada por censura. O MISA lembra que, quando Moçambique desligou, no 10 de Dezembro de 2021, os últimos emissores analógicos de televisão, marcando assim a conclusão do processo de migração da radiodifusão de analógica para digital, o Governo classificou esse como um marco e uma oportunidade para maior acesso à televisão pelos moçambicanos, uma vez que o sistema analógico não tinha uma cobertura em todo o território nacional, contrariamente ao sistema digital que tem cobertura nacional.

O Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres diz que não tem conhecimento da falta de apoio aos deslocados no centro de acolhimento de Corane, em Nampula. Sobre a próxima época chuvosa, Luísa Meque diz que ainda não é altura para se falar de um plano de contingência.

Há cerca de um mês que as famílias deslocadas devido ao terrorismo em Cabo Delgado, que vivem no centro de acolhimento de Corane, em Nampula, se queixam da falta de apoio.

Desde a abertura do centro de reassentamento, a assistência vinha sendo garantida pelo INGD, mas, desde Março deste ano, esta ajuda não tem chegado.

Questionada sobre as razões da falta de apoio às famílias que vivem no centro de reassentamento de Corane, a presidente do INGD disse não ter conhecimento destas reclamações. “Se nos está a trazer essa informação, para nós é bom sabermos que há famílias que estão com esta manifestação de que não estão a ser assistidas”. Luísa Meque explica, também, que “temos lá uma delegação, ao nível da província. Não nos foi reportada ainda esta reclamação. Nós poderemos dar seguimento àquilo que nos está a trazer aqui”.

Luísa Meque falava à margem da abertura do terceiro conselho consultivo da instituição. Neste evento, serão desenhadas acções para a próxima época chuvosa e ciclónica 2024-2025, e destas não consta, ainda, um plano de contingência, porque, no entender da presidente do INGD, “não é o momento de plano de contingência. Nas formações que nós temos estado a dar, geralmente têm participado alguns jornalistas. Há lá um cronograma sobre em que momento é que se aprova o plano de contingência”.

Luísa Meque entende que “não temos como fazer uma previsão antes do trabalho feito, porque isto é um cronograma. Nós agora podemos correr e fazer um plano. Esse plano pode ser exequível ou não, consoante a previsão”.

Anualmente, Moçambique tem sido afectado por cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa e o Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres tem-se ressentido da falta de fundos para prestar assistência às vítimas dos eventos climáticos extremos.

O terceiro Conselho Consultivo do INGD decorre até esta sexta-feira, sob o lema “Engajando as comunidades nas acções antecipadas contra desastres”.

Iniciou-se, esta segunda-feira, o julgamento dos cinco agentes da PRM que agrediram um casal de supostos ladrões no distrito de Homoíne, na província de Inhambane.

O antigo chefe de operações, em Homoíne, um dos arguidos no processo, diz que a agressão começou quando a vítima se recusava a cumprir as ordens da Polícia.

Mais de dois meses depois da detenção dos cinco agentes da Polícia que agrediram um casal em Homoíne, os mesmos já estão a responder em julgamento.

Segundo o Ministério Público, uma das vítimas chegou a entregar bens pessoais para se livrar das torturas, uma acção classificada como sendo típica de criminosos.

O Ministério Público diz, ainda, que, à data dos factos, os agentes da Polícia agiram fora da lei, sem nenhum mandado judicial, para tirar proveito da situação.

Os agentes da lei são, agora, acusados de crime de ofensas corporais, crime de tortura e outros tratamentos cruéis, crime de coacção física, crime de prisão ilegal e crime de concussão.

O antigo chefe de operações da Polícia, em Homoíne, um dos arguidos do processo, diz que a violência começou quando a Polícia tentava neutralizar a vítima que se negava a acatar as ordens da Polícia.

O arguido diz que, na qualidade de chefe de operações, ordenou que os seus colegas parassem com as agressões depois que viu que a senhora já estava imobilizada.

O arguido disse, ainda, que a ordem de agressão não veio de si, e só viu os seus colegas a agirem de acordo com a agitação que se vivia no momento.

Mais de 166 mil pessoas de quatro distritos da província estão em insegurança alimentar e, destas, mais de 49 mil estão na fase de emergência. Para mitigar a situação, a governadora da província disse que está a mobilizar apoios para atender aos casos mais críticos.

Está continuamente a subir o número de pessoas afectadas pela fome no país. Recentemente, o Grupo de Segurança Alimentar liderado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA) revelou que, só em três províncias da zona Norte, mais de 1,5 milhões de pessoas eram afectados até Junho.

A situação, segundo o relatório, verifica-se nas províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado, esta última com 879 mil pessoas afactadas, devido, sobretudo, ao terrorismo.

Ontem, durante a última sessão da Assembleia Provincial, que decorre desde esta quarta-feira, no distrito de Gondola, Francisca Tomás, governadora de Manica, revelou que a situação da fome é igualmente preocupante, sobretudo em quatro distritos, onde são afectadas mais de 166 mil pessoas.

“Os dados indicam que os distritos de Tambara, Macosa, Guro e Machaze foram classificados como estando na fase três da crise alimentar, com cerca de 166 126 pessoas em insegurança alimentar aguda e cerca de 49 384 na fase de emergência, necessitando de assistência da alimentar”, disse.

Para mitigar a situação, Francisca Tomás disse que esforços estão a ser feitos para, pelo menos, minimizar os casos mais críticos. “Estamos a trabalhar com o INGD e com os demais parceiros para a mobilização de produtos alimentares para atender aos casos mais críticos”, revelou.

Enquanto se aguarda mais apoio, a governadora disse que já foram “distribuídas 38,2 toneladas de sementes diversas, pesticidas e fertilizantes, oito sistemas de irrigação, instrumentos de produção e fundos aos produtores”.

Por causa da fome, estima-se que cerca de 39,1% de crianças abaixo de cinco anos sofrem de desnutrição crónica em Manica.

Organizações da Sociedade Civil estão preocupadas com a demora na materialização das leis de proteção da Mulher e Rapariga, e pedem acções urgentes por parte do Governo. Já o Executivo diz que os parceiros continuam a dar apoio humanitário aos deslocados pelo terrorismo.

Dos mais de um milhão de deslocados pelo Terrorismo em Cabo Delgado, 52% são mulheres que vivem em situações desafiadoras no contexto de paz e segurança. Esses  dados são do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e preocupam as organizações que lidam com programas de proteção à mulher e rapariga e aos Direitos Humanos.

“O país viveu situações de conflito a nível nacional, que foram sucedidos por conflitos na região centro e norte do país. Actualmente,  Cabo Delgado ressente-se da insurgência dos terroristas que tem provocado deslocamentos e crise humanitária, preocupando, assim, vários movimentos da sociedade civil. Aspectos como impacto das mudanças climáticas sobre a segurança humana  são desafios. Muitas vezes a situação levanta leva a contornos alarmantes”, disse Laila Chemane do IMD.

A Universidade Joaquim Chissano desenvolve pesquisas e emite recomendações sobre políticas de equidade do género, por isso, é que defende a ideia do envolvimento da mulher em processos mais práticos.

“Nós temos que começar a investir muito mais na mulher, atribuindo-a grandes pensamentos. A mulher é útil e fundamental para o desempenho das acções de combate. O governo e os partidos políticos devem abrir espaço para que a mulher seja contribuinte em tudo que seja defesa, paz e segurança”, desafia, o  acadêmico Ênio Chingotuane, e pesquisador Universidade Joaquim Chissano

Questionada sobre a situação actual de ajuda humanitária em Cabo Delgado, a directora nacional do género, demonstrou incertezas entretanto garantiu que os parceiros de cooperação continuam a endereçar apoios.

Os parceiros continuam a desembolsar apoio e a trabalharem com o governo na questão humanitária aos deslocados. Há fundos que são destinados a essas comunidades, porém em termos de números não posso avançar aqui” reagiu  Geraldina Juma, Directora Nacional do gênero.

A conferência da mulher, segurança e paz, junta membros da sociedade civil, governo e parceiros de cooperação  e tem duração de um dia.

Os raptores podem recuar se se provar que a Polícia tem capacidade de combater os raptos. O pensamento é defendido pelo jurista Sérgio Quihá, que acredita igualmente que, a ser verdade que a ex-sogra de Nini Satar é mandante, pode ser o começo do fim dos raptos.

Foi hoje, depois de o Ministério do Interior ter registado aproximadamente 200 raptos ao longo dos últimos 15 anos que foi apresentado, pela primeira vez, um mandante dos raptos.

Trata-se de uma mulher de 62 anos, que por sinal é ex-sogra de Nini Satar. Em reacção ao caso, o jurista Sérgio Quihá diz que se se provar que a acusada é realmente culpada, os raptos poderão reduzir nos próximos tempos.

“A considerar a hipótese de esta senhora ser a mandante do crime, podemos considerar o fim dos raptos, porque o crime dos raptos envolve muitas pessoas e, assim, há possibilidade de detenção de mais envolvidos, e podemos considerar, parcialmente, o fim do tumulto dos raptos.”
Além de ser um sinal positivo para a redução de um crime que assola o país há aproximadamente 15 anos, defende que os raptores podem recuar nas suas incursões.

“Isto também vai demonstrar aos raptores que o SERNIC tem técnica suficiente para combater este tipo de crime. Quando não havia esclarecimentos, os criminosos acreditavam que o SERNIC não tinha meios nem técnicas suficientes para combater o crime. E, quando hoje nos traz as pessoas envolvidas, vamos perceber que nos próximos meses podem reduzir”, defendeu.

Ao mesmo tempo, o jurista apelou à precisão no processo de construção de provas antes de apresentar publicamente os supostos criminosos, sob o risco de manchar a reputação de pessoas inocentes.

“O SERNIC é uma instituição que depende do Ministério Público, que vai proceder à acusação desta senhora, e a instrução preparatória é secreta, ou seja, o momento da produção de provas está velado pelo princípio de segredo de justiça. Imaginando que não seja provado que a senhora não é a mandante, como é que fica a imagem e reputação das pessoas?”, reflectiu.

Quihá considerou que já é hora de os raptos terem respostas, pois, só neste ano, em média, é raptado um cidadão por mês, o que não é justificável com o número de polícias na corporação.

“Historicamente, nunca houve, na história de Moçambique, tantos agentes como agora. Só na última formação, foram cerca de 11 mil agentes na República de Moçambique para garantir a tranquilidade pública.”

A moldura penal dos raptos prevê entre 16 e 20 anos de pena máxima para todos os envolvidos e com agravantes podem estender até 24 anos.

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