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O País – A verdade como notícia

Duas pessoas perderam a vida e outra ficou gravemente ferida na sequência de um acidente de viação ocorrido na noite de ontem, na Cidade de Maputo. As três vítimas faziam-se transportar numa viatura de marca Honda Fit, que seguia o trajecto Mulumbela-Zimpeto.

A Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo explica que o acidente do tipo embate e despiste terá ocorrido nas proximidades de um supermercado, onde o mesmo carro terá se embatido com o outro de marca Land Rover.

O ferido grave está internado no Hospital Central de Maputo. Há, ainda, registo de danos avultados nas viaturas envolvidas no sinistro.

O edil de Marracuene, Shafee Sidat, proibiu o fornecimento de água e energia da rede pública aos residentes de Marracuene que disputam espaço com a empresa Milhulamete Limitada. À mercê da decisão do tribunal, Sidat avisa que vai demolir as construções erguidas pelos residentes, uma vez que as mesmas são ilegais e desordenadas.

Há cada vez mais construções na parcela em disputa entre a e os supostos nativos e Milhulamete Limitada.

Em 2023, quando O País esteve em Marracuene, concretamente na parcela em disputa entre a empresa Milhulamete Limitada e os supostos nativos, já haviam construções, algumas imponentes, apesar do caso ainda estar a correr no Tribunal.

Em causa está a disputa de cerca de 500 hectares de terra, em que de um lado supostos nativos dizem pertencerem a si e do outro lado, está a Milhulamete, que afirma ter Direito de Uso e Aproveitamento da Terra.

Sem se saber de que lado está a verdade, os moradores começaram a erguer moradias tal como contou a nativa, Armanda Libombo. “Deparamo-nos com seguranças armados, cães, houve até disparos contra uma viatura, entre outras situações, mas, porque decidimos implantar nossas residências aqui, assim fizemo-lo e hoje vivemos aqui”, disse.

Além de casas, os supostos nativos dizem até que já têm reservas para infra-estruturas sociais, bastando apenas a aproximação das autoridades. “Aqui temos tudo. Temos casas e outras em construção. Temos também espaços reservados para a construção de escolas, esquadras, hospitais e campos de futebol para os nossos filhos.

Apesar de existirem espaços, os residentes ressentem-se da falta de energia elétrica e água. “As dificuldades que nós temos são a falta de energia e água”, revelou Cipriana Chivambo, representante dos Nativos.

Sobre a falta de água e energia para os nativos, Shafee Sidat, edil de Marracuene explica que um acto propositado. “Temos um acordo com a EDM, não haverá energia na área, não haverá outras condições, só se for clandestino. Também a questão da água só se for clandestina”.

No entender de Shafee Sidat, as construções erguidas naquela parcela são desordenadas e ilegais.

“Nós estamos neste momento num processo de invasão. Já fizemos duas demolições. Neste momento encontramos outra vez em processo para novamente agirmos nesta área mas não pode ser sempre assim. Estamos protelando essas situações mas até agora não temos solução. São construções desordenadas e desorganizadas numa zona muito nobre ”

Até ao momento, foram demolidas cerca de 60 casas construídas irregularmente, mas pode haver mais. “Se a decisão chegar não teremos problemas em demolir todas as outras que estão lá porque as pessoas estão devidamente avisadas há muito tempo, que esta área não é para construir até uma decisão final”.

Lucas Chivambo, advogado dos supostos nativos,diz que não há cabimento na decisão da edilidade. “As obras não são ilegais nem desconhecidas. A edilidade surgiu há 6 meses mas o processo existe há 8 anos. Os nativos estão aqui desde 2014. As obras um pouco mais regredidas e as que estão avançadas dependem de cada um”.

Chivambo explicou que o Tribunal Supremo já tinha decidido a favor dos nativos. “Surgiu um segundo embargo em 2022 intentado novamente contra as mesmas pessoas já no Tribunal Provincial.

“Fomos lá e houve contraditório diferido, levantou-se novamente o segundo embargo enquanto isso, vem correndo a acção principal que até hoje teve decisão que foi ao Tribunal Supremo que deu como procedente a acção intentada pela Milhulamente, logo, essa improcedência, automaticamente, a outra parte, nesse caso, que são os nativos”.

Para ele, os supostos nativos têm todo o direito de usar o espaço, apesar de ainda não haver decisão judicial. “Não há nenhum comando legal para impedir ocupantes dessas terras de fazer o que lhes convier, não há nenhum comando legal. Aquilo que está a fazer é uma ingerência, não devia se meter nesse assunto. Ele devia ser claro com a comunidade de que ele não tem palavra com um assunto que está em tribunal e podemos concluir que ele tem interesses”, criticou.

Por isso, os nativos reiteram que as obras não vão parar, até porque acreditam que o tribunal vai decidir a seu favor.

Já foi restabelecido o sinal da STV na TMT. Pelos transtornos, a STV pede desculpas aos seus telespectadores que ficaram temporariamente sem o sinal nesta plataforma.

Desconhecidos roubaram na noite desta sexta-feira, material informático no Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, no distrito de Inhassoro, província de Inhambane. O Director Provincial do STAE naquele ponto do país, diz que o material subtraído não tem ligação com o processo eleitoral.

O material informático roubado é administrativo e não está ligado ao processo eleitoral. “Levaram dois computadores, duas impressoras e dois cabos. Este material é apenas administrativo e não tem a ver com o processo eleitoral”, disse César Silva, director do STAE em Inhambane.

Sobre o processo eleitoral, a província de Inhambane vai precisar de mais de 11 mil membros de mesa de voto, cujas entrevistas para o apuramento de parte deles vão começar nos próximos dias.

“Neste momento já temos o recrutamento encerrado, o que está acontecer neste momento é que vão terminar as entrevistas dos formadores provinciais.”

A nossa fonte diz que para este processo, foram recebidas milhares de candidaturas.

O Ministro das Obras Públicas diz que os acidentes de viação que acontecem na Estrada Nacional Número 4 são frutos do mau comportamento dos condutores e não das condições da estrada. Carlos Mesquita visitou hoje as obras de alargamento daquela via na Matola e mostrou-se satisfeito com o nível de execução.

Três pessoas morreram em acidentes de viação na Estrada Nacional Número 4, em apenas dois dias, na província de Maputo. O Ministro das Obras Públicas, Carlos Mesquita, não tem dúvidas que a culpa dos acidentes é dos condutores irresponsáveis.

“Temos estado a acompanhar abusos de alguns condutores, há muita indisciplina por parte de alguns utilizadores da via, o que tem concorrido para acidentes desnecessários e que poderiam ser evitáveis. Notamos nos últimos cinco dias que houve acidentes que ceifaram vidas e quando vamos avaliar as reais causas, tem a ver com o comportamento do ser humano e das condições da via” disse Carlos Mesquita, Ministro das Obras Públicas.

Mesquita visitou esta sexta-feira as obras de alargamento da Estrada Nacional Número 4, entre o nó de Tchumene e o Supermercado Novare, onde avaliou positivamente a execução.

“Os trabalhos estão a decorrer num ritmo muito bom nas duas serventias. São serventias que cada uma tem uma extensão de cerca de 9.5 quilômetros, que vai também contribuir para reduzir a pressão sobre a estrada central. Quando eu digo reduzir a pressão é porque reconhecemos que entre estes dois pontos onde a serventia está localizada há algum tráfego”, explicou.

Além de dinamizar o fluxo de cargas que entram pela fronteira de Ressano Garcia, Mesquita diz que vai reduzir o tráfego no local.

“Nós temos aqui uma média de cerca de 5 mil veículos a passar numa base diária dos quais, cerca de 2300 são pesados, e muito tráfego” conluio o responsável.

E para evitar acidentes, o ministro garantiu que a estrada terá ponte e iluminação.

Um homem de 38 anos de idade, foi detido indiciado de tentar matar a esposa com recurso a gasolina. Depois de atear fogo a esposa, o homem tentou socorrê-la, mas também acabou queimado.

Tudo começou com uma briga motivada por ciúmes. O caso deu-se no passado dia 11 deste mês, quando o indiciado chegou a casa embriagado e com uma botija  contendo gasolina.

O indiciado aguardou que sua esposa dormisse, bloqueou a única saída da casa, colocou gasolina em volta da cama  e ateou fogo.

Enquanto as chamas se intensificaram, a vítima gritava por socorro, mas era tarde para  impedir que o pior acontecesse. Na sequência, o marido se arrependeu e decidiu  socorrer a esposa, mas acabou também queimado.

O Hospital Provincial de Tete garantiu que os dois estão fora de perigo mas diz que seu estado clínico é grave.

O indiciado negou ter ateado fogo à esposa, aliás, diz que a sua esposa foi quem, por iniciativa própria, tentou um “acto suicida”, porque alegadamente estava aborrecida.

Sem gravar entrevista, a Polícia em Tete, diz que foi aberto um processo crime contra o indiciado.

O casal tem três filhos menores.

Mety Gondola vai levar à barra do tribunal todos os Institutos Técnicos Profissionais que operam ilegalmente no país. O Secretário de Estado do Ensino Técnico Profissional assume o compromisso de transferir todos os formandos enganados pelas instituições mal fiscalizadas para instituições credíveis.

O Secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional decidiu tomar medidas e vai arrastar todos os transgressores à barra da justiça.

“Ladrão tem que ser tratado como ladrão. Se você abre uma instituição sem autorização, está a fazer mais do que roubar, está a enganar as pessoas. Nós temos de encerrar essas instituições e parar por aí?, o proprietário deve ser responsabilizado criminalmente, isso já é assunto da procuradoria”, disse Mety Gondola.

Gondola assume que o governo deve encontrar escolas credíveis para os burlados.

“Se encerramos uma instituição, não podemos prejudicar os estudantes. O que estamos a fazer é direcionar esses estudantes para outras instituições para encontrar uma solução. Por outro lado, é preciso que façamos a divulgação das instituições que estão acreditadas”, defendeu.

A prova viva deste trabalho é que só este ano, mais de 14 mil certificados já foram entregues. “Só em 2019 foram 19.275 certificados entregues, mas só neste ano, cerca de 14.719certificados foram distribuídos neste processo”, concluiu.

Mety Gondola falava esta sexta-feira na província de Maputo, no âmbito do 4o Conselho Coordenador, um evento que visa aprimorar as estratégias do sector para melhor servir ao público.

O arquitecto francês Alain Moatti reflectiu, esta sexta-feira, sobre a importância da arquitectura na construção das cidades e, sobretudo, no fortalecimento da condição e das relações humanas. A conferência realizou-se na Faculdade de Arquitectura da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo.

Alain Moatti é um arquitecto e cenógrafo francês. Em Maputo há dois dias, o profissional tem aproveitado o período de férias para conhecer a cidade, as suas particularidades arquitectónicas e as suas gentes. Por isso mesmo, na manhã desta sexta-feira, foi à Faculdade de Arquitectura para, numa sessão com professores e estudantes, partilhar algumas perspectivas do seu trabalho, que, igualmente, se desenvolve na área de museografia e design.

Em aproximadamente duas horas, Alain Moatti procurou, no anfiteatro da Faculdade de Arquitectura, passar a mensagem de que o mundo funcional já acabou. Logo, actualmente, o mais importante é abrir a arquitectura para outras disciplinas, numa interface harmónica com a modernidade, quer através da relação com a literatura e história, quer através da relação com a ecologia.

Para Alain Moatti, é muito importante que a arquitectura contribua para que se cultive a fragilidade do ser humano e desconstruir a ideia de que o mundo é para os grande homens. “Temos de abandonar o pensamento militar que formou as cidades, até agora, para construirmos lugares onde as pessoas se juntam só pelo prazer de estarem juntas”, acrescentou o arquitecto francês: “Temos de ser capazes de prolongar o futuro. Neste mundo, somos todos passageiros e nada nos pertence”.

Alain Moatti é a favor do prolongamento de histórias comuns, inerentes ao lugar por inventar através de perspectivas urbanas. Nesse sentido, acredita, as cidades podem se tornar territórios únicos e com narrativas globais. “Na arquitectura, devemos partir do particular para o global, pois a cidade não é uma ideia, mas uma metaformfose, uma imagem do ser vivo”.

A experiência com professores e estudantes de Arquitectura foi, para Moatti, muito produtiva, com perguntas justas e pertinentes. “Os jovens perceberam a mensagem, a mensagem de que há em Maputo muitas coisas possíveis de fazer para continuarem a torna-la uma cidade única que é. Os jovens sãos as mãos do seu próprio futuro e Maputo é uma cidade extraordinária, do ponto de vista arquitectónico”.

Outra percepção partilhada por Alain Moatti, na conferência realizada na Faculdade de Arquitectura da UEM, é a de que as pessoas podem se reconhecer através da arquitectura, que concorre para a construção e reconstrução de um mundo imaginário, que ainda não existe, mas desejado. “A arquitectura não é o acto de construir, mas de constuir um mundo melhor”.

Moatti acredita que o contacto com outras realidades, para o arquitecto, é fundamental, porque renova o olhar. Até porque “temos muito a aprender uns dos outros. Sempre achei que a humanidade não está em mim, em si, mas no nosso encontro”, gracejou.

Na Cidade de Maputo, Alain Moatti já visitou obras de Pacho Guedes e José Forjaz.

A conferência do arquitecto francês é uma inicitiva da Embaixada da França em Moçambique em parceria com a Faculdade de Arquitectura, com a direcção do professor Domingos Macucule.

 

SOBRE O ARQUITECTO

Alain Moatti nasceu e foi criado em Miliana, na Argélia. Entretanto, a sua família mudou-se para Paris, em 1961. Em 1985, obteve o diploma de Arquitecto na École de Paris-Villemin. Na década de 1990, voltou-se para a cenografia teatral. Colabora também com agências parisienses, trabalhando igualmente em projectos de cenografia (centros de conferências, teatros). De 1994 a 2001, fundou e administrou uma agência de arquitectura e cenografia em seu nome e criou a Fundação Dapper, um museu de artes primitivas em Paris.

Em 2001, fundou a agência Moatti – Rivière, com Henri Rivière (1965-2010), com quem venceu o concurso para transformar uma mansão parisiense em casa de alta costura de Jean Paul Gaultier. O projecto marca o início de uma década em que a dupla cria numerosos equipamentos culturais, bem como programas comerciais de alto padrão. Em 2010, a agência venceu o concurso internacional para a remodelação do primeiro andar da Torre Eiffel.

Em 2012, Alain Moatti foi admitido à Academia de Arquitectura e é membro do júri do Grande Prémio para Arquitectos Franceses de Exportação.

 

Pelo menos 18 pessoas morreram em menos de 40 dias vítimas de Sarampo em Cabo Delgado. Sobre a Varíola dos Macacos, já dectectada em 11 países africanos, o Ministério da Saúde garante que o país continua livre da doença, entretanto, alerta para a tomada de medidas de precaução. 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus e pode levar a complicações graves, até mesmo à morte, particularmente em crianças. 

No país, foram registados 238 casos, de 09 de Julho a 14 de Agosto, que levaram à morte de 18 pessoas. Todas fora das unidades sanitárias, segundo o director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes. 

“O nosso país tem estado a registar de forma recorrente surtos de sarampo. Só nas últimas 24 horas, foram notificados 16 novos casos. O Sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por meio do contacto directo, através de gotículas expelidas pelos pacientes que estão infectados, quando tossem ou quando expiram. 

 A eclosão do surto do Sarampo em Cabo Delgado e Niassa deve-se, em parte, à fraca vacinação contra a doença, onde mais de 48% dos infectados não foram abrangidos pelo processo.  

“Em resposta a este surto de sarampo foi realizada uma vacinação de bloqueio, nos distritos afectados e em áreas específicas. Estamos a planificar realizar uma campanha de vacinação para crianças menores de 15 anos, em toda a província de Cabo Delgado, dado ao risco que existe de extensão do surto”. 

A “Varíola dos Macacos”, recentemente declarada emergência de saúde global pela Organização Mundial da Saúde, passando a ser denominada Mpox, é outra preocupação, apesar de não se ter detectado casos no país. 

“Em Moçambique, não tendo casos actualmente, nós não declaramos uma emergência, mas elevamos o nível de alerta, para permitir realizar acções de prevenção e preparação para uma eventual resposta”. 

De Janeiro a esta parte foram registados em África 537 óbitos em resultado dos 15 600 casos da Mpox. 

“Temos que evitar o contacto físico com pessoas infectadas pela Mpox, ou as suspeitas. Temos que garantir que as pessoas que cuidam dos pacientes tomem todo o cuidado para que não tenham um contacto directo. É preciso evitar um contacto com os animais que eventualmente estejam contaminados e desinfetar todas as superfícies que tenham entrado em contacto com algum fluido de um paciente infectado”.  

Segundo o director nacional de Saúde Pública, que falava esta sexta-feira em conferência de imprensa, o país está preparado para responder ao diagnóstico da doença, em caso de suspeitas. 

Sobre a situação da cólera, Quinhas Fernandes avançou que o distrito de Moamba, na província de Maputo, é o único com casos activos.

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