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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Daniel Chapo, felicitou o jornalista moçambicano Carlitos Cadangue pela conquista do Prémio de Liberdade de Imprensa 2026, na categoria “Impacto”, atribuído pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), distinguindo o seu contributo para o jornalismo.

Numa mensagem dirigida ao premiado, o Chefe do Estado manifestou o seu orgulho pela distinção alcançada, considerando que o galardão representa o reconhecimento do profissionalismo, da dedicação e do compromisso de Carlitos Cadangue com os mais elevados valores da actividade jornalística.

Daniel Chapo salientou que a distinção internacional transcende a dimensão individual do jornalista, constituindo igualmente um motivo de honra para Moçambique, ao evidenciar o talento, a competência e a capacidade dos profissionais moçambicanos da comunicação social no panorama internacional.

O Presidente da República sublinhou ainda que o reconhecimento atribuído pela RSF constitui um incentivo ao fortalecimento da liberdade de imprensa no país, reafirmando o compromisso do Governo com a promoção de um ambiente cada vez mais favorável ao exercício responsável, ético e profissional do jornalismo.

Na mensagem, o Chefe do Estado formulou votos de contínuos sucessos pessoais e profissionais a Carlitos Cadangue, encorajando-o a prosseguir o seu trabalho em prol de um jornalismo de qualidade e ao serviço da sociedade.

O jornalista do Grupo SOICO, Carlitos Cadangue, foi distinguido na cidade de Marselhas, França, com o Prémio Impacto, um reconhecimento da Repórteres Sem Fronteiras pelo trabalho investigativo sobre a mineração na província de Manica.

O reconhecimento é devido a uma série de reportagens sobre a actividade mineira em Manica, no Centro de Moçambique.

As investigações mostravam os impactos da mineração nas comunidades locais, incluindo problemas relacionados com agricultura, acesso à água e as condições de vida das populações. Depois da publicação dessas reportagens, o governo central tomou medidas, e algumas actividades mineiras foram paralisadas.

Por causa de suas reportagens iniciadas em Junho do ano passado, Carlitos Cadangue foi alvo de um atentado armado em Fevereiro deste ano. Dois homens, usando fardas semelhantes às da polícia, atiraram contra ele. No seu discurso proferido no 77º Congresso Mundial de Jornalismo,

Cadangue referiu que, em muitos momentos, exercer o jornalismo investigativo em Moçambique significou enfrentar pressões, ameaças e tentativas de silenciamento.

“Hoje recebo o meu primeiro grande reconhecimento internacional através da organização Repórteres sem Fronteiras, ao ser distinguido com o Prémio Impacto”, disse, anotando que o momento em que sofreu o atentado mudou profundamente a sua vida, mas também reforçou uma convicção de que, “quando o jornalismo incomoda pessoas poderosas — empresários, figuras políticas e outros interesses influentes —, é porque está a cumprir a sua missão”, disse.

Cadangue assegurou que continuará a dar voz às comunidades afectadas, aos cidadãos esquecidos e às vítimas de abuso de poder.
“Receber este prémio não é apenas um reconhecimento pessoal. É também uma homenagem a todos os jornalistas moçambicanos e africanos que trabalham em condições difíceis, muitas vezes sem
protecção, mas com coragem e compromisso”, sublinhou.

Pelo menos 50 crianças, filhas de motoristas parceiros da Yango Moçambique, receberam um vale de 3 mil meticais, para a aquisição de presentes e artigos infantis na Fantasia Store.  A iniciativa surge em reconhecimento aos motoristas e parceiros. 

O evento reuniu motoristas parceiros, os seus filhos e representantes da Yango num momento marcado pela emoção, gratidão e fortalecimento dos laços familiares.

Para muitos dos pais participantes, a iniciativa teve um significado que ultrapassou o valor dos vales oferecidos. Leocádio Nhancande, motorista parceiro da Yango há sete meses e pai de quatro filhos, partilhou como a plataforma tem contribuído para o sustento da sua família.

“Entrei para a Yango quando estava desempregado. Hoje, esta actividade permite-me sustentar a minha família. A minha filha mais nova celebrou o seu terceiro aniversário há apenas alguns dias e momentos como este lembram-nos porque trabalhamos tão arduamente todos os dias. Ver a felicidade dela hoje é algo que nunca vou esquecer”, afirmou.

Por sua vez, o motorista parceiro Frenk Nombora destacou a importância de se sentir reconhecido não apenas como motorista, mas também como pai. “Passamos muitas horas na estrada para sustentar as nossas famílias. Hoje recordou-nos que os nossos esforços são vistos e valorizados. Foi um momento especial não apenas para os nossos filhos, mas também para nós, enquanto pais”, disse.

O Dia Internacional da Criança é uma das datas familiares mais celebradas em Moçambique. 

O Ministério Público avança que o país ainda enfrenta desafios para garantir a protecção integral das crianças diante de cenários de vulnerabilidade social, crimes sexuais, uniões prematuras e trabalho infantil. 

Em entrevista no Programa Manhã Informativa da STV,  o magistrado do Ministério Público, Jorge Gimo Tivane apelou à protecção das crianças pelos pais, para a quebra de ciclos de  violência.  

“O primeiro guardião deve ser os progenitores. Se falham os progenitores, a comunidade. Se falha a comunidade, há de ser o Estado”, sublinhou Tivane, lembrando a responsabilidade partilhada na protecção da infância.

Um dos principais destaques do último informe anual foi o registo de 6248 acções de alimentos a nível nacional, além de 1 921 casos de regulação do exercício do poder parental. Embora os números demonstrem uma tendência de subida, as autoridades consideram o volume ainda irrisório face à densidade populacional de Moçambique, que conta com cerca de 30 milhões de habitantes, dos quais as crianças representam entre um terço e um quarto.

O magistrado do Ministério Público avançou ainda que os crimes sexuais e as uniões prematuras continuam no topo das preocupações do Governo e da sociedade civil. Apesar de Moçambique ainda figurar nos índices africanos com taxas elevadas de uniões prematuras, a tendência tem sido de redução desde a aprovação da lei específica em 2019.

Por tratar-se de crimes públicos, o Ministério Público recorda que qualquer cidadão tem o dever de denunciar. No entanto, alerta sobre um erro comum cometido pelas famílias que destrói as hipóteses de condenação dos agressores: a perda de vestígios biológicos.

O Dia Internacional da Criança é celebrado hoje em todo o mundo, com destaque para actividades educativas, culturais e recreativas, que colocam os petizes no centro das atenções. Em Moçambique, escolas, organizações sociais e instituições várias instituições promovem eventos que reforçam a importância da proteção, educação e bem-estar infantil.

Apesar do ambiente festivo, a data também serviu como momento de reflexão sobre os desafios que ainda afectam milhares de crianças no país, incluindo o acesso limitado à educação de qualidade, cuidados de saúde e nutrição adequada. 

Durante as celebrações em Maputo, várias crianças participam em actividades lúdicas, apresentações culturais e palestras educativas. 

A Procuradoria da Cidade de Maputo reforça o apelo ao uso de conteúdos adequados para as crianças, durante as celebrações.

Realiza-se, nesta segunda-feira, a Reunião Nacional de Sanidade Animal. O encontro tem como objectivo identificar áreas prioritárias de investimento e promover parcerias público-privadas para o fortalecimento dos serviços veterinários, contribuindo para a protecção da saúde animal e humana, em conformidade com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde Animal.

O evento, que decorre sob o lema “Fortalecer a Sanidade Animal para Garantir a Saúde Pública e a Segurança Alimentar”, será dirigido pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino.

Segundo o comunicado a que o jornal O País teve acesso, a reunião enquadra-se no conjunto de medidas que o Governo tem vindo a implementar para reforçar os serviços de controlo da movimentação de animais, a prevenção e o controlo de doenças, bem como a regulação e monitorização de medicamentos veterinários e produtos biológicos, garantindo que a sua circulação e utilização observem os requisitos de qualidade, segurança e eficácia, de acordo com as normas nacionais e internacionais.

O mesmo documento refere que mais de 70 por cento das doenças zoonóticas emergentes, incluindo o Ébola, a SARS e a Influenza Aviária, têm origem animal, facto que reforça a necessidade de serviços veterinários robustos, eficazes e devidamente regulados, capazes de prevenir riscos para a saúde pública, proteger os meios de subsistência das comunidades e garantir a segurança sanitária e alimentar do País.

Governo provincial quer plantar um milhão de coqueiros até 2030 para travar o envelhecimento das plantações, combater os efeitos do Amarelecimento Letal e recuperar a produção de uma das culturas mais importantes da economia local.

​A província de Inhambane decidiu avançar para uma das maiores operações de renovação agrícola dos últimos anos, numa tentativa de travar o declínio gradual dos seus coqueirais e proteger uma das actividades económicas mais importantes para milhares de famílias. O Governo Provincial lançou um programa de repovoamento massivo do coqueiro que prevê a plantação de um milhão de novas mudas até 2030, numa resposta directa ao envelhecimento das plantações e à propagação do Amarelecimento Letal do Coqueiro, uma doença que continua a devastar extensas áreas de produção.

​A iniciativa surge numa altura em que cresce a preocupação em torno do futuro de uma cultura que, durante décadas, ajudou a moldar a identidade económica, social e cultural da província. Conhecida em todo o país como a terra do coco, Inhambane possui actualmente cerca de 16 milhões de coqueiros, o segundo maior pomar do país. No entanto, por detrás dos extensos coqueirais que se estendem ao longo da faixa costeira, escondem-se sinais cada vez mais evidentes de desgaste e declínio.

​O problema começa na própria idade das plantas. Uma parte significativa dos coqueiros existentes já ultrapassou várias décadas de produção e aproxima-se do fim do seu ciclo produtivo. Segundo o governador de Inhambane, Francisco Pagula, cerca de 14 por cento dos coqueiros existentes encontram-se numa fase avançada de envelhecimento, com idades compreendidas entre os 80 e os 100 anos.

​Trata-se de árvores que continuam de pé e mantêm a sua imponência na paisagem, mas cuja capacidade de produção diminui progressivamente. Para as autoridades, esta realidade representa um dos maiores desafios para a sustentabilidade da cultura do coco na província.

​Francisco Pagula considera que a preocupação não deve ser vista apenas sob uma perspectiva agrícola ou económica. O governante defende que o coqueiro faz parte da história colectiva de Inhambane e está profundamente ligado à identidade das comunidades locais.

​Segundo explicou, muitos dos coqueiros que actualmente produzem coco foram plantados por gerações anteriores, tornando-se um património que atravessou décadas e ajudou a sustentar milhares de famílias ao longo do tempo.

​A situação torna-se ainda mais preocupante quando se junta ao envelhecimento das plantas o impacto do Amarelecimento Letal do Coqueiro. Dados apresentados pelo Governo Provincial indicam que mais de dois milhões de coqueiros estão actualmente afectados pela doença, considerada uma das mais destrutivas para esta cultura em Moçambique.

​A enfermidade provoca o enfraquecimento gradual da planta até à sua morte, reduzindo significativamente a capacidade produtiva dos coqueirais e agravando a pressão sobre os produtores.

​Na prática, o resultado desta combinação entre envelhecimento e doença é que apenas pouco mais de três milhões de coqueiros se encontram actualmente na fase considerada ideal para uma produção plena. O número preocupa as autoridades numa altura em que a procura por coco e seus derivados continua a aumentar tanto dentro como fora da província.

​O governador de Inhambane reconhece que a procura pela produção local tem vindo a crescer de forma consistente. Segundo explicou, grande parte do coco consumido no país tem origem em Inhambane, o que aumenta a pressão sobre os produtores locais.

​Além do consumo tradicional, novos investimentos começam a surgir em torno da cadeia de valor do coco, aumentando ainda mais a necessidade de garantir matéria-prima suficiente para abastecer o mercado.

​Francisco Pagula revelou que investidores estrangeiros já manifestaram interesse em desenvolver projectos industriais ligados ao processamento dos derivados do coco na província. Entre eles estão investidores chineses que pretendem apostar em diferentes segmentos da cadeia produtiva.

​A perspectiva é aproveitar integralmente o potencial económico da cultura, desde a casca até aos subprodutos industriais, criando novas oportunidades de negócio, emprego e geração de rendimento.

​Contudo, para que estes investimentos se concretizem de forma sustentável, será necessário garantir uma base produtiva robusta e capaz de responder ao aumento da procura.

​É precisamente neste contexto que surge o programa de repovoamento massivo do coqueiro.

​As autoridades acreditam que a renovação dos coqueirais é hoje uma prioridade estratégica para assegurar o futuro económico da província. A cultura do coco continua a ser uma das principais fontes de rendimento das comunidades rurais e costeiras, desempenhando um papel fundamental na redução da pobreza e na dinamização da economia local.

​Dados do Governo Provincial indicam que cerca de 60 por cento das famílias de Inhambane dependem directa ou indirectamente do coqueiro para garantir o seu sustento.

​O impacto económico vai muito além da simples venda do fruto. O coco alimenta uma vasta cadeia de valor que inclui a produção de óleo, carvão, artesanato, materiais de construção, bebidas tradicionais, rações e outros produtos derivados.

​No conjunto, esta actividade movimenta anualmente mais de seis mil milhões de meticais, tornando-se um dos sectores mais relevantes da economia provincial.

​Perante este cenário, o Governo Provincial definiu metas ambiciosas para os próximos anos. O objectivo é plantar um milhão de coqueiros até 2030, numa operação que deverá envolver comunidades, produtores e instituições públicas.

​Segundo Francisco Pagula, só durante este ano está prevista a plantação de cerca de 60 mil mudas.

​O programa começou a ser preparado ainda no final do ano passado, com a identificação de áreas para instalação de viveiros destinados à produção das mudas necessárias para a renovação dos coqueirais.

​A fase actualmente em curso já contempla a distribuição das plantas e a sua colocação nos campos das comunidades beneficiárias.

​Numa primeira etapa, o programa está concentrado nos distritos de Jangamo, Morrumbene, Maxixe e Massinga, considerados áreas com elevado potencial para a produção de coco.

​No entanto, a intenção das autoridades é expandir gradualmente a iniciativa para todos os distritos da província que apresentem condições favoráveis para a cultura.

​A aposta no repovoamento surge também como uma resposta aos níveis actuais de produção, considerados muito abaixo do potencial existente.

​Actualmente, Inhambane produces cerca de 384 mil toneladas de coco por ano. Embora o volume continue a colocar a província entre os principais centros produtores do país, está longe dos níveis que poderiam ser alcançados caso os coqueirais estivessem em melhores condições.

​Estimativas do Governo apontam que a produção anual poderia atingir aproximadamente 850 mil toneladas se pelo menos dez milhões de coqueiros estivessem em plena capacidade produtiva.

​A diferença entre os números actuais e o potencial existente revela não apenas a dimensão das perdas provocadas pelo envelhecimento e pelas doenças, mas também as oportunidades que poderão surgir caso os programas de recuperação alcancem os resultados pretendidos.

​Para as autoridades, salvar os coqueirais significa muito mais do que proteger uma cultura agrícola. Significa preservar empregos, garantir rendimento para milhares de agregados familiares, fortalecer a segurança económica das comunidades e criar condições para que a província continue a afirmar-se como a principal referência nacional na produção de coco.

​Numa terra onde o coqueiro faz parte da paisagem, da história e da própria identidade das populações, o sucesso do programa de repovoamento poderá determinar o futuro de uma actividade que, há gerações, sustenta famílias, impulsiona negócios e ajuda a mover a economia de Inhambane.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, iniciou este sábado uma visita de trabalho à província do Niassa, onde permanecerá até ao próximo dia 7 de Junho, no quadro das celebrações do Dia Internacional da Criança e de um vasto programa de acções sociais destinadas à promoção do bem-estar das comunidades.

A deslocação decorre sob o lema “Proteger a Criança é Responsabilidade de Todos”, escolhido para assinalar o Dia Internacional da Criança, celebrado a 1 de Junho. Durante a visita, a esposa do Presidente da República irá liderar e participar em diversas iniciativas de sensibilização voltadas para a defesa dos direitos da criança, com especial enfoque na educação, saúde, protecção e desenvolvimento integral dos menores.

As actividades programadas incluem encontros com crianças, jovens, idosos, estudantes e outras personalidades influentes da província, criando espaços de diálogo sobre os desafios e oportunidades para o desenvolvimento das comunidades locais.

A agenda contempla igualmente a realização de comícios populares, que servirão de plataforma para a transmissão de mensagens de sensibilização sobre a protecção da criança, a valorização da família e a importância do envolvimento colectivo na construção de comunidades mais inclusivas e solidárias.

No âmbito da sua deslocação, Gueta Selemane Chapo manterá também encontros de trabalho com membros dos Órgãos de Governação Provincial, delegados sectoriais, directores distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, bem como com responsáveis de estabelecimentos de ensino. Os encontros visam recolher contribuições e discutir soluções para questões ligadas à educação, ao empoderamento da juventude e à melhoria das condições de aprendizagem.

A visita insere-se no compromisso contínuo do Gabinete da Primeira-Dama de promover iniciativas de desenvolvimento humano e social, com particular atenção às camadas mais vulneráveis da população.

Através desta deslocação ao Niassa, Gueta Selemane Chapo procura reforçar a mobilização de instituições, famílias e comunidades em torno da protecção da criança, da valorização da juventude e do respeito pelos idosos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária.

A província de Gaza poderá enfrentar uma das mais graves crises alimentares dos últimos anos após as cheias que devastaram campos agrícolas, destruíram meios de subsistência e comprometeram a recuperação de milhares de famílias rurais. O alerta foi lançado pelas autoridades provinciais, que admitem um cenário de fome aguda caso não haja uma resposta urgente para restaurar a capacidade produtiva das comunidades afectadas.

Os números revelam a dimensão da tragédia. Mais de 270 mil hectares de culturas diversas foram destruídos pelas enxurradas, enquanto cerca de 168 mil famílias produtoras perderam sementes, equipamentos agrícolas e acesso às suas machambas. Em muitos casos, as áreas de cultivo continuam submersas meses após as inundações.

“A nossa província experimentou mais uma vez problemas ligados às mudanças climáticas e grande parte dos afectados continua a viver em situações dramáticas. Falta abrigo e muitas das terras onde deveriam produzir encontram-se alagadas. Este ano a nossa província vai enfrentar problemas sérios de fome”, alertou o Secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto.

O governante defende que o país deve investir em mecanismos de adaptação climática e em soluções de longo prazo para garantir a sustentabilidade alimentar das populações vulneráveis.

Segundo a Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, a recuperação da produção enfrenta dificuldades devido à insuficiência de insumos agrícolas. Das cerca de 168 mil famílias afectadas, apenas parte deverá receber apoio imediato para retomar o cultivo.

“Estamos a receber os insumos e vamos apoiar cerca de 127 mil produtores. Ainda teremos um défice significativo de famílias que necessitam de assistência”, explicou a directora provincial da Agricultura e Pescas, Ercília Cau.

 

Insegurança alimentar agrava-se

A situação na província surge num contexto nacional já marcado por elevados níveis de insegurança alimentar. Dados recentes do Programa Mundial de Alimentos indicam que cerca de 2,7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar em Moçambique, enquanto as cheias registadas no início de 2026 afectaram aproximadamente 700 mil pessoas em várias regiões do país.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura estima que as inundações tenham afectado mais de 313 mil hectares de terras agrícolas em todo o território nacional, sendo Gaza a província mais atingida, com mais de 182 mil hectares inundados. A organização alerta que a destruição de culturas como arroz, milho e cana-de-açúcar ameaça agravar a escassez de alimentos e a perda de rendimentos nas zonas rurais.

 

Famílias já enfrentam dificuldades

Nos distritos do norte da província, a crise já é visível. Na comunidade de Bingo, localizada a cerca de 39 quilómetros da vila de Massingir, mais de 240 famílias lutam diariamente para garantir alimentação.

A perda das colheitas e dos meios de produção reduziu drasticamente a capacidade de sobrevivência de muitas famílias.

“Perdi dez cabeças de gado de um total de quinze. Agora trabalhamos as machambas apenas com as mãos. Depois da perda do gado não temos capacidade de produzir nem condições para comprar alimentos”, relatou Manuel, criador de gado afectado pelas cheias.

Outro produtor, Pedro, afirma que perdeu todo o efectivo bovino.

“Não tive qualquer apoio. As dez cabeças de gado foram arrastadas pelas águas”, contou.

Dados do Ministério da Agricultura indicam que as cheias provocaram também a perda de centenas de milhares de animais em todo o país, afectando sobretudo os distritos de Massingir, Guijá e Chibuto.

 

Governo e parceiros procuram resposta

Perante o agravamento da situação, o Governo e parceiros internacionais estão a implementar programas de recuperação agrícola e reforço da resiliência comunitária.

Entre as medidas previstas estão a distribuição de sementes, a formação em agricultura de conservação e o apoio técnico aos agricultores afectados.

“Os desastres estão a aumentar e os recursos para apoiar os afectados estão a diminuir. Precisamos olhar para soluções locais e reforçar a capacidade das comunidades para responder a estes choques”, afirmou Geoffrey Kibigo, parceiro do Governo em programas de recuperação pós-cheias.

A intervenção em curso na província de Gaza está estimada em cerca de 15 milhões de meticais.

Para o administrador distrital de Massingir, Sérgio Costa, a rapidez na distribuição de sementes será determinante para evitar perdas ainda maiores.

“Sabemos que ainda existe humidade nos solos e a única forma de aproveitá-la é lançar imediatamente à terra as sementes que estamos a receber”, afirmou.

 

Mudanças climáticas aumentam vulnerabilidade

Moçambique continua entre os países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando regularmente ciclones, secas e inundações. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, os fenómenos extremos têm contribuído para a deterioração das condições de vida de milhões de pessoas, sobretudo nas zonas rurais dependentes da agricultura familiar.

Com mais de 300 mil pessoas afectadas pelas cheias apenas na província de Gaza e diante do aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, autoridades e organizações humanitárias alertam que os próximos meses serão decisivos para evitar uma crise alimentar de maiores proporções.

Sem apoio rápido e consistente à recuperação agrícola, milhares de famílias poderão enfrentar uma situação prolongada de escassez alimentar numa região já severamente fragilizada pelos efeitos dos eventos climáticos extremos.

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