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O País – A verdade como notícia

O Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), em coordenação com a Associação Moçambicana de Cineastas (AMOCINE), promove esta quinta-feira, 5 de Junho, uma jornada de exibição cinematográfica destinada a cerca de 300 crianças, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Criança.

A iniciativa decorrerá no Auditório do INICC, em Maputo, a partir das 10h30, e contará com a projecção dos filmes Sonho da Criança, de Manuel Abreu, e Tropical Sunday, de Fabian Ribezzo, dirigidos a menores com idades compreendidas entre os cinco e os 12 anos.

Com 43 minutos de duração, Sonho da Criança aborda a necessidade de mudança de atitudes entre professores, alunos e comunidades escolares, tendo por base o Programa de Revitalização dos Conselhos de Escola de Bilene e Guijá.

Tropical Sunday, uma curta-metragem de 15 minutos, retrata o quotidiano de quatro crianças de rua que recorrem à mendicidade para sobreviver, estabelecendo um contraste entre diferentes realidades sociais e entre o universo infantil e o mundo dos adultos.

Segundo os promotores, a iniciativa reforça a cooperação entre o INICC e a AMOCINE na dinamização das indústrias culturais e criativas, através da promoção do cinema nacional junto do público infanto-juvenil.

As Forces Armées de la Zone Sud de l’Océan Indien (FAZSOI) encontram-se a colaborar com a Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ), no âmbito da formação especializada às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

Neste contexto, e em coordenação com a EUMAM MOZ, as FAZSOI iniciaram esta semana, através de Equipas Móveis de Formação (MTT), atividades formativas no Centro de Manutenção e Oficinas (CMO) das FADM, em Maputo, e no Campo de Treino da Katembe.

Esta formação incide sobre áreas essenciais para o reforço das capacidades técnicas e operacionais das FADM, nomeadamente manutenção de viaturas e procedimentos táticos de combate a engenhos explosivos improvisados, através dos cursos Vehicle Maintenance Course e Counter-Improvised Explosive Devices (C-IED) Tactical Course, e irá decorrer entre 1 e 19 de junho.

Iniciada ainda durante a Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM MOZ) em 2021, a colaboração entre a EUMAM MOZ, as FAZSOI e as FADM têm desempenhado um papel relevante no reforço das capacidades operacionais no terreno, nomeadamente através do treino das Forças de Reação Rápida (QRF) e da partilha de conhecimento técnico em áreas essenciais para a eficácia das operações.

Este trabalho conjunto reflete o compromisso da União Europeia e da França no fortalecimento das capacidades de Moçambique, contribuindo para a promoção da segurança, da estabilidade e da eficácia operacional das FADM no combate à insurgência em Cabo Delgado.

A Assembleia Provincial de Gaza aprovou a revisão da tarifa de transporte interdistrital de passageiros, num aumento que poderá atingir cerca de 35%, decisão que gerou contestação da oposição, que acusa o processo de falta de inclusão e alerta para o agravamento do custo de vida.

A resolução foi aprovada com 67 votos favoráveis, impulsionada pela bancada maioritária da Frelimo, e estabelece que as novas tarifas passam a integrar a regulamentação oficial do transporte interdistrital na província.

“Com 67 votos favoráveis, a Assembleia Provincial de Gaza aprovou a proposta de revisão das tarifas de transporte interdistrital”, anunciou Agnaldo Navalha, vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza, durante a sessão, que ficou marcada por divergências entre as bancadas parlamentares.

A sessão decorreu sem a presença da Renamo e do MDM pelo segundo dia consecutivo, com as duas formações políticas a justificarem o boicote com alegadas irregularidades no processo de debate e exclusão da oposição na tomada de decisão.

“Era uma manobra dilatória para se excluir a oposição que tanto a Frelimo cantou que Gaza é 100% da Frelimo, e isso jamais acontecerá”, afirmou Felix Tivane, chefe da bancada da Renamo, criticando o modelo de condução dos trabalhos.

A oposição considera que o aumento aprovado terá impacto directo sobre as famílias, num contexto já marcado pela pressão do custo de vida, apontando ainda discrepâncias entre os valores apresentados e os cálculos oficiais.

“Não faz sentido quando se diz que vai subir a tarifa em 35%. De Xai-Xai para Valdemiro estava a 40 mil meticais, e agora vai subir para 85 mil, acima de 100%”, afirmou o deputado da oposição, questionando os critérios técnicos utilizados.

Segundo os críticos da medida, outras rotas registam aumentos ainda mais elevados, como Xai-Xai–Zongoene e Chicualacuala, o que, alegam, contraria a percentagem oficial anunciada.

“São eles mesmos que têm essas maiores forças de transporte, é por isso que estão lá dentro da sessão, para martirizar o povo e pôr o povo a sofrer mais”, acrescentou Andradia Balate, da Bancada do PARENA durante o debate.

Por outro lado, a bancada maioritária e representantes do Partido de Reconciliação Nacional (PARENA) defendem que o reajuste é necessário para harmonizar os preços praticados no sector e reduzir a especulação nas tarifas aplicadas pelos transportadores nos diferentes distritos.

“Cientes de que este reajuste, de cerca de 35%, irá incrementar os custos para a nossa população, o mesmo visa regular e harmonizar as tarifas aplicadas pelos transportadores, bem como evitar a contínua especulação e arbitrariedade nos preços”, sustentou Muchaque Otaniel, da bancada da maioria.

A decisão inclui ainda a entrada imediata em vigor da nova tabela tarifária após a sua aprovação, encerrando a sessão legislativa com forte polarização política e críticas sobre o modelo de governação provincial.

A oposição advertiu que poderá continuar a contestar o processo, enquanto a maioria defende que a medida representa um passo para a estabilidade do sector dos transportes na província de Gaza.

Um total de 545 cidadãos moçambicanos afectados pelos recentes actos de xenofobia ocorridos em Mossel Bay, na Província do Cabo Ocidental, África do Sul, regressou hoje ao País através do Posto Fronteiriço de Ressano Garcia.

Segundo um comunicado do Gabinfo, à chegada ao território nacional os cidadãos foram submetidos aos procedimentos de registo migratório, triagem sanitária e assistência humanitária, tendo igualmente beneficiado de refeição quente, distribuição de lanche para viagem e encaminhamento para os respectivos meios de transporte com destino às suas zonas de origem.

Dos repatriados recebidos, 17 têm como destino a Cidade de Maputo, 105 a Província de Maputo, 337 a Província de Gaza, 78 a Província de Inhambane e oito a Província de Manica.

A operação de recepção e encaminhamento decorreu de forma ordeira e coordenada, envolvendo diversas instituições do Estado moçambicano, nomeadamente os sectores de migração, saúde, assistência social, gestão de riscos e emergências, bem como as Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique na África do Sul, refere a mesma nota.

De acordo com o comunicado, estavam inicialmente previstos para repatriamento 584 cidadãos moçambicanos. Contudo, apenas 545 concluíram a viagem até ao território nacional.

Os restantes não regressaram devido a situações detectadas durante o processo de triagem e controlo migratório, incluindo a retenção de uma criança pelas autoridades sul-africanas para efeitos de verificação documental e a desistência de alguns cidadãos antes da conclusão dos procedimentos de repatriamento.

O Gabinfo indica ainda que as autoridades moçambicanas continuam a acompanhar os casos pendentes em coordenação com as autoridades sul-africanas, prestando assistência consular e assegurando a protecção dos direitos dos cidadãos envolvidos.

O Governo moçambicano mantém o acompanhamento da situação dos cidadãos afectados pelos actos de xenofobia na África do Sul e reafirma o compromisso de prestar a assistência necessária aos compatriotas que dela necessitem, acrescenta o comunicado.

O Presidente da República, Daniel Chapo, chegou na manhã desta terça-feira à província de Manica, onde reafirmou o compromisso do Governo com a promoção da paz, da unidade nacional e do desenvolvimento económico, destacando a necessidade de aumentar a produção e a produtividade para melhorar as condições de vida das populações.

Na sua primeira intervenção pública, após a chegada ao Aeroporto de Chimoio, o Chefe do Estado explicou que a sua deslocação à província se insere no âmbito da estratégia de Governação de Proximidade, tendo como principal objectivo acompanhar a execução do Plano Quinquenal do Governo (PQG).

Recebido por membros da população que acorreram ao aeroporto para saudar a sua presença, Daniel Chapo sublinhou a importância da monitoria dos programas governamentais, considerando que este acompanhamento permite avaliar o impacto das acções em curso junto das comunidades e garantir que as iniciativas implementadas respondam às necessidades reais dos cidadãos.

Durante a sua intervenção, o Presidente da República destacou igualmente que leva à província de Manica mensagens de promoção da paz e da unidade nacional, factores que considerou fundamentais para a consolidação da estabilidade e para o desenvolvimento sustentável do País.

O Chefe do Estado defendeu ainda o incremento da produção e da produtividade como uma das principais vias para o fortalecimento da economia nacional e para a melhoria do bem-estar das famílias moçambicanas. Neste contexto, salientou a relevância da agricultura familiar, incentivando a criação e expansão de hortas familiares como instrumento para reforçar a segurança alimentar e aumentar o rendimento dos agregados familiares.

Comerciantes enfrentam aumento dos custos de transporte, enquanto operadores de passageiros queixam-se da falta de clientes após agravamento das tarifas.

A mais de 100 quilómetros da Estrada Nacional Número Um, o distrito de Mabote vive uma realidade onde quase tudo chega depois de uma longa viagem por uma estrada marcada por buracos, poeira e dificuldades de circulação. Num território onde o comércio constitui uma das principais fontes de rendimento para centenas de famílias, a recente subida do preço dos combustíveis veio agravar um cenário que já era desafiante para quem depende do transporte de mercadorias e passageiros para sobreviver.

O impacto da crise faz-se sentir em praticamente todos os sectores da economia local. Dos comerciantes que precisam trazer produtos da Maxixe, de Inhambane ou de outras regiões do país, aos transportadores que diariamente percorrem estradas degradadas para garantir a mobilidade das populações, todos enfrentam custos mais elevados e margens de lucro cada vez menores.

Em Mabote, a distância em relação aos principais centros de abastecimento sempre representou um desafio. No entanto, os operadores económicos dizem que o aumento do preço do combustível tornou a situação ainda mais difícil.

António, comerciante estabelecido na vila-sede de Mabote, conta que fazer chegar mercadorias ao distrito é um exercício permanente de resistência.

Segundo relata, muitos comerciantes não possuem meios próprios de transporte e dependem do aluguer de camiões para trazer produtos da Maxixe. O problema é que o estado da estrada prolonga o tempo das viagens, aumenta o desgaste das viaturas e encarece significativamente os custos de transporte.

“O sofrimento é grande. Quando chove é pior ainda. Há períodos em que uma viagem que deveria ser feita num dia acaba por levar dois dias. A estrada tem muitos buracos e há zonas onde a circulação se torna extremamente difícil”, relata.

Para os comerciantes, a degradação da via não representa apenas um problema de mobilidade. Traduz-se directamente em custos adicionais que acabam por influenciar o preço final dos produtos vendidos à população.

A recente actualização do preço dos combustíveis veio agravar esta equação.

Cassamo Luzenda, também comerciante em Mabote, explica que os custos de transporte aumentaram de forma significativa nas últimas semanas.

Segundo conta, o aluguer de um camião de dez toneladas, que anteriormente custava cerca de vinte mil meticais, pode actualmente atingir valores entre vinte e cinco e trinta mil meticais.

“O combustível subiu e isso afecta tudo. Os transportadores aumentam os preços e nós somos obrigados a suportar esses custos. Muitas vezes os clientes pensam que estamos a especular os preços, mas a verdade é que os custos de operação também aumentaram para nós”, afirma.

A situação preocupa particularmente porque a maior parte dos produtos consumidos em Mabote não é produzida localmente. Alimentos, materiais de construção, bens de primeira necessidade e diversos outros produtos percorrem centenas de quilómetros antes de chegarem aos estabelecimentos comerciais da região.

Com o aumento dos custos operacionais, os comerciantes admitem que a subida dos preços ao consumidor poderá ser apenas uma questão de tempo.

“Por enquanto ainda não alterámos os preços, mas a tendência é essa. Quando os preços aumentam na origem, mais cedo ou mais tarde acabam por chegar até nós. E quando chegam, somos obrigados a fazer reajustes para conseguir continuar a trabalhar”, explica António.

O receio dos operadores económicos é que o agravamento dos preços reduza ainda mais o poder de compra das famílias, num distrito onde muitas pessoas já enfrentam dificuldades para satisfazer necessidades básicas.

Se para os comerciantes a principal preocupação está relacionada com o aumento dos custos de abastecimento, para os transportadores de passageiros o problema apresenta uma dimensão diferente.

Dependentes do gasóleo para manter as viaturas em circulação, muitos operadores foram obrigados a rever as tarifas para conseguir continuar a trabalhar.

Em algumas rotas do distrito, os aumentos chegaram a atingir cinquenta por cento.

Félix Massingue, transportador de passageiros, explica que os reajustes foram inevitáveis.

Segundo relata, o percurso para Mussengue, que anteriormente custava sessenta meticais, passou para noventa meticais. Já outras rotas registaram aumentos semelhantes.

No entanto, a actualização das tarifas trouxe consigo um efeito inesperado: a redução do número de passageiros.

“Muitas pessoas deixaram de viajar. Algumas preferem percorrer longas distâncias a pé porque já não conseguem suportar o custo das passagens”, conta.

A realidade descrita por Félix reflecte-se nas estradas e nos terminais improvisados do distrito. Em vez do movimento habitual de passageiros, muitos transportadores passam horas à espera de clientes.

Noé, outro operador do sector, diz que o aumento do combustível acabou por criar um ciclo difícil de quebrar.

Por um lado, os custos obrigam os transportadores a subir os preços. Por outro, o agravamento das tarifas afasta passageiros e reduz as receitas.

“O combustível está muito caro. O preço da passagem aumentou, mas os passageiros desapareceram. Há dias em que faço apenas uma viagem. Hoje ainda não consegui transportar ninguém”, lamenta.

A situação levanta preocupações sobre a sustentabilidade do transporte de passageiros em algumas rotas do distrito.

Sem passageiros suficientes para garantir rentabilidade, muitos operadores receiam não conseguir manter as actividades por muito tempo.

O impacto da subida dos combustíveis em Mabote vai além das contas dos comerciantes e transportadores. Os efeitos começam a repercutir-se em toda a economia local, influenciando o custo de vida das famílias e reduzindo a circulação de pessoas e mercadorias.

Economistas têm alertado que os aumentos nos combustíveis tendem a produzir efeitos em cadeia, afectando praticamente todos os sectores de actividade. Em regiões mais remotas, como Mabote, onde grande parte dos bens depende do transporte rodoviário para chegar aos mercados, os impactos tendem a ser ainda mais severos.

A combinação entre combustível caro, estradas degradadas e baixo poder de compra cria um ambiente particularmente desafiante para a actividade económica.

Enquanto aguardam uma estabilização dos preços, comerciantes e transportadores procuram adaptar-se como podem.

Alguns reduzem margens de lucro para evitar perder clientes. Outros diminuem a frequência das viagens ou procuram alternativas para reduzir custos operacionais.

Mas há uma percepção comum entre os diferentes sectores ouvidos pela reportagem: a de que o aumento dos combustíveis veio aprofundar dificuldades que já existiam.

Num distrito onde a distância continua a ser um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento económico, cada metical acrescido ao custo do transporte tem repercussões directas na vida das famílias.

E enquanto os preços continuam a subir, comerciantes e transportadores de Mabote seguem numa luta diária para manter os seus negócios activos, preservar empregos e garantir que produtos e serviços continuem a chegar a uma das regiões mais isoladas da província de Inhambane.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, reuniu-se, hoje, com o Diretor da Capacidade Militar de Planeamento e Condução da União Europeia (DMPCC) e Comandante da EUMAM MOZ, Tenente-General Michiel van der Laan, no Quartel-General da Missão.

O Chefe de Missão da Delegação da União Europeia (UE) em Moçambique, Embaixador Antonino Maggiore, participou igualmente neste encontro, sublinhando o compromisso da UE em apoiar Moçambique através de uma abordagem abrangente que promove a paz, a estabilidade e a eficácia operacional.

Segundo o comunicado da EUMAM MOZ, a visita da Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação à EUMAM MOZ reflecte o apoio contínuo e o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Missão, contribuindo igualmente para o reforço da parceria entre Moçambique e a União Europeia.

O DMPCC encontra-se a realizar uma visita de dois dias à Missão, durante a qual se reunirá com altas entidades moçambicanas. O programa visa proporcionar uma oportunidade para um diálogo de alto nível sobre a cooperação em curso, bem como para discutir prioridades comuns no âmbito do mandato da Missão.

A EUMAM MOZ  integra militares e civis de 12 nacionalidades europeias e desenvolve as suas actividades em plena conformidade com o Direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos.

A onda de violência contra estrangeiros na África do Sul continua a preocupar Moçambique, numa altura em que pelo menos nove cidadãos moçambicanos perderam a vida em episódios associados à xenofobia. Enquanto decorre o repatriamento de centenas de pessoas, especialistas alertam para a recorrência do fenómeno e para a necessidade de uma resposta mais firme dos dois Estados.

Durante uma análise sobre a situação, no espaço de comentários  com Rogério Uthui considerou que os ataques contra cidadãos de outros países africanos não configuram apenas actos de xenofobia, mas sim de “afrofobia”, uma vez que as vítimas são maioritariamente africanos negros.

Segundo o académico, os episódios de violência têm ocorrido de forma cíclica desde 2008, com novos surtos registados em 2015, 2019 e agora em 2026. Para Uthui, a origem do problema está associada às profundas desigualdades sociais existentes na África do Sul, onde grande parte da população continua sem acesso a oportunidades económicas, apesar do fim do apartheid.

“O primeiro diferente que os sul-africanos pobres encontram são outros africanos igualmente pobres que vivem ao seu lado. Acabam por transformá-los em alvo das suas frustrações”, explicou.

O comentador apontou ainda críticas à actuação das autoridades sul-africanas, considerando que a resposta tem sido insuficiente para travar a violência. Na sua visão, a polícia sul-africana tem demonstrado complacência perante os ataques, permitindo a actuação de grupos que promovem a expulsão de estrangeiros.

Entre os movimentos citados está o Dudula, uma organização que defende a retirada de imigrantes da África do Sul e que tem sido associada ao aumento do discurso hostil contra estrangeiros.

Além das críticas dirigidas às autoridades sul-africanas, Uthui manifestou preocupação com a postura do Estado moçambicano, que classificou como excessivamente cautelosa perante os ataques sofridos pelos seus cidadãos.

Para o académico, a diplomacia moçambicana tem evitado confrontar de forma mais directa Pretória, apesar das mortes e dos prejuízos sofridos pelos moçambicanos residentes naquele país.

“Quando cidadãos de outros países são vítimas de violência no exterior, normalmente surgem fortes reacções diplomáticas. No caso de Moçambique, essa firmeza não tem sido evidente”, observou.

A violência contra estrangeiros já levou o Governo moçambicano a iniciar operações de repatriamento de cidadãos que manifestaram interesse em regressar ao país. Estima-se que cerca de mil moçambicanos possam ser repatriados nas próximas semanas.

 

Cerca de 600 cidadãos moçambicanos deverão chegar ainda esta manhã ao país, provenientes da África do Sul, através da fronteira de Ressano Garcia, em resultado de episódios de xenofobia registados naquele país vizinho.

À sua chegada, os cidadãos estão a ser recebidos por equipas do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres na fronteira de Ressano Garcia, onde recebem apoio e orientação.

As autoridades estão a proceder ao encaminhamento dos retornados para as respectivas províncias de origem. A maioria chega em situação de vulnerabilidade, trazendo apenas roupa e poucos pertences pessoais, após terem suas casas queimadas e seus pertences roubados. 

Refira-se que nove moçambicanos morreram em resultado de acções de xenofobia na África do Sul.  

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