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O País – A verdade como notícia

Cerca de 1200 pessoas, incluindo 500 crianças, fugiram da vila de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, após uma vaga de ataques em Abril e Maio deste ano. A informação consta no relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, publicado esta quinta-feira.

Os deslocados afectados por três ataques, durante os últimos 2 meses,  pertencem a 258 famílias, revela o relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados.

Entre Abril e Maio de 2026, houve deslocação de  1.200 pessoas, dos quais 466 crianças, 45 mulheres grávidas, 62 idosos e 301 homens, provenientes de 258 famílias afectadas pelos ataques terroristas, na vila de Mocímboa da praia.

O relatório divulgado esta quinta-feira, aponta que a maioria das pessoas abandonou as suas comunidades em busca de segurança, enquanto outras permanecem em trânsito ou escondidas em zonas consideradas mais seguras devido ao receio de novos ataques.

Os testemunhos recolhidos pela agência das Nações Unidas descrevem um cenário de violência marcado por mortes, agressões físicas, saques, destruição de bens e perda dos meios de subsistência. 

Muitos deslocados relataram discriminação nas zonas de acolhimento, segundo a ACNUR. 

Prossegue a monitoria da situação dos cidadãos moçambicanos afectados pelos actos de xenofobia registados em algumas províncias da República da África do Sul. Segundo informações actualizadas pelas Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique, a situação de maior preocupação continua concentrada na Província do Cabo Ocidental, onde se encontram actualmente acolhidos 169 cidadãos moçambicanos afectados pelos incidentes, dos quais 64 em Mossel Bay e 105 em Hermanus.

Os cidadãos acolhidos continuam a beneficiar de assistência prestada pelas autoridades locais, organizações da sociedade civil e outras entidades envolvidas na resposta humanitária. Paralelamente, decorrem diligências visando assegurar meios de transporte para o eventual repatriamento dos compatriotas que manifestem interesse em regressar ao País.

Na Província de Mpumalanga, foram registadas, no dia 4 de Junho, manifestações na cidade de Witbank, durante as quais foram proferidas mensagens hostis contra cidadãos estrangeiros. O Consulado-Geral de Moçambique em Mbombela acompanha a situação e continua a apurar o eventual impacto destes acontecimentos sobre cidadãos moçambicanos residentes naquela província.

Na Província de KwaZulu-Natal, foram igualmente reportadas manifestações em Durban e Pinetown, acompanhadas por actos de intimidação dirigidos a cidadãos estrangeiros, incluindo proprietários de estabelecimentos comerciais moçambicanos.

Entretanto, as autoridades da Província do Cabo Ocidental condenaram publicamente os actos de violência e intimidação, ao mesmo tempo que o Governo sul-africano prossegue esforços para restaurar a confiança e reforçar a convivência pacífica entre as diferentes comunidades residentes naquele país.

As Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique na África do Sul mantêm-se em contacto permanente com as autoridades locais e com os cidadãos afectados, acompanhando a evolução da situação e prestando a assistência e protecção consular necessárias.

Pelo menos nove pessoas deram entrada, este ano, no Hospital Distrital de Mocuba, vítimas de ataques de crocodilos no Rio Licungo, sem registo oficial de óbitos.

Os casos mais frequentes são provenientes dos bairros Samora Machel, nas zonas de Magogodo e Macuia, em Mocuba. O hospital recebe igualmente pacientes oriundos do Baixo Licungo, em Nante, distrito de Maganja da Costa, e do Baixo Lugela, no distrito de Lugela.

O director do Hospital Distrital de Mocuba explicou que os ataques por crocodilos continuam a representar uma séria ameaça para as populações que dependem do rio para as suas actividades diárias.

Entretanto, circulam informações nas comunidades, ainda não confirmadas oficialmente, de que pelo menos duas pessoas terão perdido a vida no mesmo período, vítimas de ataques de crocodilos no Baixo Lugela.

As autoridades apelam à população para redobrar os cuidados ao utilizar as águas do Rio Licungo, sobretudo nas zonas consideradas de maior risco.

Terminou hoje, 5 de junho, no Campo de Treino da Katembe, o Curso Prático Básico de Munições, ministrado às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), por uma Equipa Móvel de Formação e Aconselhamento (MATT) das Forças Armadas Austríacas, e que contou com o apoio da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).

A cerimónia de encerramento do curso foi presidida pelo Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, e onde estiveram igualmente presentes altas entidades das FADM.

Esta formação especializada foi conduzida por três instrutores da Escola de Logística das Forças Armadas Austríacas, e teve como objetivo desenvolver competências técnicas essenciais numa área crítica para a segurança e eficácia operacional das FADM, nomeadamente o manuseamento, armazenamento e gestão de munições.

Nestas últimas duas semanas, os militares das FADM que concluíram com aproveitamento o Curso Teórico Básico de Munições, realizado em março deste ano, consolidaram os conhecimentos adquiridos em contexto prático e operacional.

Este curso integrou uma abordagem sustentada de capacitação, orientada para dotar as FADM de conhecimentos técnicos e práticos fundamentais, reforçando a sua capacidade de resposta aos atuais e futuros desafios de segurança.

A realização deste curso ministrado pela MATT austríaca constitui mais um exemplo da parceria entre a União Europeia e Moçambique na afirmação da promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento de capacidades das FADM.

Relembrando que em agosto de 2024, a Áustria financiou a construção de Depósito de Munições, que visou garantir as condições adequadas de armazenamento e manuseamento de material explosivo e perigoso, no Campo de Treino da Katembe.

A EUMAM MOZ é uma missão não executiva, com mandato até dezembro de 2026, focada no ciclo de formação operacional e na manutenção, prestando aconselhamento, mentoria e formação especializada, de modo a permitir que as FADM se tornem autossuficientes na resposta à insurgência em Cabo Delgado. Esta Missão da União Europeia conta com mais de 80 militares e civis de 12 nacionalidades, incluindo um militar da Áustria.

O ministro dos Trasportes e Logística diz que a informação publicada sobre os aviões da LAM, que estão na África do Sul há seis meses, é falsa, entretanto, João Matlombe não avança a informação verdeira. Por outro lado, o governante desconhece a injecção financeira de 2 mil milhões feito na LAM e Aeroporto de Moçambique no ano passado, segundo o relatório do Ministério das Finanças.

SERNIC investiga possível rede de desvio de fármacos na província de Gaza, depois de um militar ter sido encontrado na posse de medicamentos que, alegadamente, pertencem ao Sistema Nacional de Saúde.

Um militar de 56 anos foi detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, na posse de uma quantidade significativa de medicamentos alegadamente desviados do Sistema Nacional de Saúde (SNS), num caso que poderá revelar a existência de uma rede organizada de desvio e comercialização ilegal de fármacos.

A detenção ocorreu no passado dia 2 de Junho, na sequência de uma operação conduzida pelas autoridades criminais, que culminou na apreensão de diversos medicamentos pertencentes ao circuito público de saúde.

Durante os primeiros interrogatórios, o suspeito admitiu estar na posse dos fármacos, alegando que pretendia comercializá-los para sustentar a sua família. O indiciado afirmou ter conhecimentos na área de saúde adquiridos durante o período em que serviu nas Forças Armadas, onde exerceu funções ligadas à assistência médica.

“Estava a tentar conseguir meios de sobrevivência para os meus filhos”, declarou o suspeito, que disse ser pai de seis crianças.

Entretanto, o SERNIC considera que o caso poderá ir além da actuação individual do militar. Segundo o porta-voz da corporação em Gaza, Zaqueu Mucambe, as investigações em curso apontam para a possível existência de um esquema organizado envolvendo diferentes intervenientes ligados ao circuito de distribuição dos medicamentos.

De acordo com as autoridades, os indícios recolhidos sugerem que os fármacos tenham sido retirados ilegalmente do Sistema Nacional de Saúde antes de chegarem aos pacientes a quem se destinavam.

O suspeito é acusado da prática do crime de exercício ilícito de funções públicas ou de profissão titulada, previsto e punido pelo artigo 344 do Código Penal moçambicano. As autoridades admitem avançar com a aplicação da medida de prisão preventiva enquanto decorrem diligências para o esclarecimento completo do caso.

O porta-voz do SERNIC sublinhou que a investigação prossegue para identificar a origem dos medicamentos apreendidos e determinar eventuais responsabilidades de outros indivíduos que possam estar envolvidos no alegado esquema.

Casos de desvio de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde têm sido apontados como uma das preocupações do sector, por comprometerem o acesso da população a medicamentos essenciais e favorecerem a comercialização ilegal de produtos destinados ao atendimento gratuito ou subsidiado nos estabelecimentos públicos de saúde.

As autoridades acreditam que os próximos dias poderão ser determinantes para o aprofundamento da investigação e eventual responsabilização criminal de outros suspeitos ligados ao caso.

Mais de 400 cidadãos moçambicanos repatriados da África do Sul começaram a chegar à província de Gaza, fugindo de uma nova vaga de violência xenófoba que, segundo relatos das vítimas, provocou mortes, feridos e a destruição de bens de estrangeiros em várias localidades sul-africanas.

Entre lágrimas, ferimentos e poucas bagagens, os repatriados descrevem dias de terror marcados por perseguições, agressões físicas e incêndios. Muitos afirmam ter abandonado os seus locais de residência apenas com a roupa que traziam no corpo, deixando para trás casas, negócios e outros bens acumulados ao longo de vários anos de trabalho.

Uma das vítimas, Lídia Pedro, relatou ter perdido seis familiares durante os ataques. Segundo contou, quatro morreram no primeiro dia da violência e outros dois perderam a vida nas horas seguintes.

“Vivemos coisas muito tristes. Pessoas foram queimadas, outras mortas. Eu, o meu bebé e o meu marido também poderíamos não estar vivos neste momento”, afirmou.

Outro repatriado, identificado apenas por Comé, contou que a sua esposa foi brutalmente agredida durante os confrontos. Segundo relatou, tentou defendê-la, mas acabou também atacado.

“Bateram-me até deixar o meu braço neste estado. A minha esposa ficou com ferimentos internos. Conheço pelo menos seis pessoas que foram queimadas vivas”, disse.

Os testemunhos apontam para uma situação mais grave do que aquela que tem sido oficialmente reportada. Algumas vítimas afirmam que muitos casos de morte e desaparecimento ainda não foram contabilizados pelas autoridades.

Um dos regressados relatou ter perdido um familiar que continua numa casa mortuária na África do Sul, após ter sido atingido com golpes de arma branca e apedrejado durante os ataques.

Além das perdas humanas, muitos moçambicanos regressaram sem qualquer património. Um dos repatriados contou ter deixado para trás um veículo avaliado em cerca de 40 mil dólares, além de outros bens que não conseguiu recuperar.

Face ao aumento do número de regressados, as autoridades moçambicanas activaram mecanismos de assistência humanitária para apoiar as famílias afectadas. O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) transformou o distrito de Bilene num ponto de acolhimento e assistência aos cidadãos provenientes da África do Sul.

Segundo o porta-voz do INGD em Gaza, Bonifácio Cardoso, “cada agregado familiar está a receber um kit alimentar de emergência destinado a garantir o sustento durante os primeiros dias após o regresso ao País”.

“Os kits incluem farinha de milho, arroz, feijão, açúcar e óleo alimentar”, disse Bonifácio Cardoso, explicando ainda que “as autoridades estão a proceder ao registo e triagem dos repatriados para determinar o número exacto de pessoas afectadas” e garantir o encaminhamento da ajuda para os respectivos distritos de origem.

As projecções apontam para cerca de 400 cidadãos moçambicanos já identificados, mas o número poderá aumentar nos próximos dias. “As autoridades moçambicanas na África do Sul alertaram que novos grupos de compatriotas continuam a manifestar intenção de regressar ao País, devido ao agravamento da situação de insegurança”, disse o representante do INGD.

Enquanto aguardam apoio para recomeçar a vida em Moçambique, muitos dos repatriados deixam um apelo às autoridades nacionais para a criação de mais oportunidades de emprego e geração de rendimento, afirmando que a falta de trabalho foi a principal razão que os levou a procurar melhores condições de vida na África do Sul.

Dois cidadãos moçambicanos estão entre as 21 vítimas mortais de um incêndio que deflagrou, esta quarta-feira, num hotel situado em Malviya Nagar, no sul de Nova Deli, capital da Índia. Segundo o Governo, os dois compatriotas encontravam-se naquele país para tratamento médico.

O incêndio, considerado um dos mais graves registados nos últimos anos em Nova Deli, começou pouco antes das 9 horas da manhã. As chamas alastraram rapidamente pelo edifício, levando vários hóspedes a saltarem das janelas para escapar ao fogo.

De acordo com as autoridades indianas, pelo menos 40 pessoas ficaram feridas. O combate às chamas mobilizou oito viaturas dos bombeiros, tendo o incêndio sido dado como extinto por volta do meio-dia.

O Governo moçambicano manifestou profundo pesar pela perda de vidas humanas e expressou solidariedade para com o Governo e o povo da Índia, bem como com as famílias das vítimas.

O Governo moçambicano elevou para 545 o número de cidadãos nacionais repatriados da África do Sul na sequência da recente vaga de violência xenófoba registada na província do Cabo Ocidental. Ao mesmo tempo, confirmou a morte de dois moçambicanos no incêndio que destruiu um hotel em Nova Deli, na Índia.

A actualização foi feita esta quinta-feira pelo Ministro da Saúde, Hussene Isse, durante uma conferência de imprensa convocada para apresentar o ponto de situação das duas ocorrências que mobilizam actualmente as autoridades moçambicanas.

Segundo o governante, a operação de assistência aos cidadãos que regressam da África do Sul continua em curso e envolve diferentes instituições do Estado.

“No âmbito da nossa resposta humanitária e de protecção dos cidadãos nacionais, o Governo de Moçambique continua a trabalhar nesta operação que iniciámos desde que tomámos conhecimento dos actos xenófobos na África do Sul, principalmente na assistência humanitária e no encaminhamento dos compatriotas moçambicanos repatriados a partir da província do Cabo Ocidental”, afirmou.

De acordo com os dados actualizados, até ao momento foram recebidos no posto fronteiriço de Ressano Garcia 545 cidadãos moçambicanos, dos quais 441 homens e 104 mulheres. Entre os repatriados contam-se ainda 63 crianças e três idosos.

A maior parte dos regressados foi encaminhada para a província de Gaza, que acolheu 337 cidadãos. A província de Maputo recebeu 105 pessoas, Inhambane 78, a cidade de Maputo 17 e Manica oito.

O ministro explicou que todos os cidadãos beneficiaram de assistência integrada prestada pelas autoridades nacionais.

“À chegada ao território nacional, todos os repatriados beneficiaram da assistência integrada prestada pelas instituições do Estado, incluindo registo migratório, triagem e acompanhamento de saúde, alimentação, distribuição de lanches para viagem e encaminhamento para os respectivos meios de transporte. Importa destacar que toda a operação decorreu de forma ordeira, segura e coordenada”, declarou.

O Governo confirmou igualmente que cerca de 150 moçambicanos continuam acolhidos em centros temporários nas localidades sul-africanas de Mossel Bay e Hermanus, enquanto decorrem avaliações sobre eventuais necessidades adicionais de assistência ou repatriamento. 

As autoridades moçambicanas mantêm contacto permanente com os cidadãos afectados e com as entidades sul-africanas responsáveis pelo acolhimento.

“As autoridades moçambicanas mantêm um contacto permanente com estes compatriotas e com as autoridades sul-africanas, estando a avaliar as necessidades existentes e a preparar eventuais operações adicionais de assistência e repatriamento, caso seja necessário”, disse Hussene Isse.

O ministro aproveitou ainda para agradecer o opapoio prestado pelas autoridades sul-africanas aos cidadãos moçambicanos deslocados.

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