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O País – A verdade como notícia

Foi abortada uma tentativa de rapto na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, após perseguições entre a polícia e os raptores. O caso deu-se no fim-de-semana.

Em menos de três semanas, a cidade de Xai-Xai volta a ser palco de mais um rapto. Os supostos raptores, em número de três, invadiram uma residência, na noite de sexta-feira, tendo arrastado consigo o proprietário da mesma. Seguidamente, exigiram valores de resgate. A esposa da vítima narrou ao jornal O País episódios de terror protagonizados pelos criminosos.

A vítima percorreu cerca de 10 quilómetros no porta-malas da sua própria viatura, sem esperança de sobreviver por falta do valor exigido pelos raptores.

Vizinhos referem que os gritos de socorro da família são os que despertaram a população sobre a ocorrência do crime.

Houve perseguição entre os raptores e a polícia, o que levou ao resgate da vítima e à detenção de um dos suspeitos. O indiciado diz que a vítima seria levada para um cativeiro, no distrito de Mandlakazi.

A polícia esclarece que os criminosos abandonaram a viatura nas imediações da paragem Xiquelene, zona alta da cidade.

Na mesma madrugada de sexta-feira, uma viatura que se supõe que seja de raptores incendiou-se. A polícia não confirma que seja carro de raptores e diz que o carro se incendiou na sequência de um acidente de viação.

Um posto policial foi incendiado pela população no posto administrativo de Chalaua, na província de Nampula. A população queimou também um carro da polícia, apoderou-se de uma arma e destruiu a sede do partido Frelimo. 

Um vídeo-amador mostra a população eufórica, depois de tomar de assalto o posto policial localizado na vila-sede do posto administrativo de Chalaua, pertencente ao distrito de Moma, na província de Nampula. No mesmo vídeo, um jovem segura uma arma do tipo AK47, supostamente pertencente à PRM.

O caso deu-se no final da tarde deste domingo. A Polícia ao nível do Comando Provincial de Nampula diz que tudo começou com um confronto entre agentes da PRM, que estavam a proteger um grupo do partido Frelimo, que promovia uma marcha pacífica e membros e simpatizantes do partido PODEMOS que se terão feito à vila, para inviabilizar a marcha.

A sede local do partido Frelimo também foi vandalizada, além da casa do primeiro secretário local. Mas a nível provincial, ninguém do partido se pronunciou sobre o facto.

Em Nacala, um agente da Polícia continua sob cuidados de saúde no hospital local, depois de ter sido agredido no confronto entre a Polícia e os manifestantes do PODEMOS.

 

O Hospital Central de Maputo recebeu 40 pacientes resultantes das manifestações ocorridas nos dias 21, 24 e 25 de Outubro. Nos dois últimos dias, foram admitidos 24 pacientes nos serviços de urgência, 10 dos quais ficaram internados.

O Hospital Central de Maputo apresentou, hoje, as principais ocorrências da última semana. Dino Lopes, director de serviços de urgência no HCM, avançou que o hospital teve um total de 1185 pacientes, dos quais 420 foram vítimas de diferentes tipos de trauma.

Lopes referiu que, das 420 entradas, 29 foram por acidentes de viação e 40 resultaram das manifestações que se registaram nos dias 21, 24 e 25.

“No primeiro dia das manifestações, (…) o total de entrada foi 16, como referi noutras reportagens, e tivemos dois internados, um por fractura da tíbia e outro por uma ferida no abdómen… manifestações do dia 24 e 25, tivemos um total de 24 pacientes que foram admitidos nos serviços de urgência e 10 ficaram internados. Dos 10 que ficaram internados, temos uma senhora de 41 anos, que está num estado crítico e encontra-se, actualmente, no serviço de cuidados intensivos, sob cuidado dos nossos colegas”, disse

Mais de 200 mil pessoas podem ser afectadas por eventos climáticos nos próximos meses, na província de Inhambane. O governador daquela província diz que as autoridades devem evitar cenários de assistir as mesmas pessoas todos os anos.

Com a época chuvosa já em curso em Moçambique, as autoridades começam a preparar-se para enfrentar eventos extremos do clima que ciclicamente assolam o país.

Para já, prevê-se a ocorrência de chuvas e ciclones que podem afectar cerca de 200 mil pessoas.

Mas o governador de Inhambane chama atenção para o facto de que, ciclicamente, as autoridades estarem a assistir as mesmas pessoas.
Caso se concretize a previsão climática nos próximos meses, as chuvas podem destruir áreas de cultivo e diversas infra-estruturas.

Misa Moçambique diz que a limitação dos serviços de internet havida entre sexta-feira e sábado foi uma acção propositada. O MISA diz igualmente que a intenção era limitar  a troca de informação no contexto dos protestos contra os resultados eleitorais.

Bandwidth throttling ou simplesmente  “limitação intencional da banda larga”, após realizar investigações foi é constatação do MISA sobre a falta de internet por mais de 18 horas  em todo o país.

“Através da verificação feita pelo Misa Regional no IODA (Internet Outage detection an Analysis), a velocidade da Internet em moçambique foi reduzida na tarde do dia 25 de Outubro, num contexto em que o país vem vivendo um ambiente de tensão violenta devido ao anúncio dos resultados eleitorais”, lê-se. 

Em adição, o Misa diz que o Governo pretendia  além de limitar o direito de imprensa e de expressão, limitar a troca de informação no contexto das manifestações contra os resultados eleitorais.

“Depois das violações contra as liberdades de imprensa e de expressão, através da violência policial, o Governo volta a violar a liberdade de expressão,  ao limitar aos cidadãos de circular e trocar informações através das plataformas digitais , assim como limitado às operações de negócio  e a vida social, num dia em que muitos moçambicanos se encontram a realizar as suas actividades de forma remota devido a violência nas ruas” concluiu.

Até ao momento as operadoras ainda não deram quaisquer explicações.

A Ordem dos Advogados de Moçambique acusa a Polícia da República de Moçambique (PRM) por estar a perpetrar violência e detenções arbitrárias contra cidadãos indefesos. Na mesma acusação, a Ordem diz que os tribunais são cúmplices dos crimes. 

A denúncia sobre o uso excessivo de força na actuação da PRM na privíncia de Cabo Delgado é um problema antigo que tem-se agravado com eclosao do terrorismo e ficou fora do controlo com recentes manifestacoes contra a alegada fraude eleitoral.

“Temos informações de uma criança de 15 anos que foi detida no dia 21 de outubro, só ontem foi restituída a liberdade, graças a intervenção dos advogados. A criança sofreu agressão dentro da 3a Esquadra da Cidade de Pemba”, denunciou Fidelino Gumaçanze, membro da OAM em Cabo Delgado.

Para a Ordem, a contínua violência policial deve-se à suposta cumplicidade dos órgãos de administração da Justiça.

“A atuação desta polícia que estamos recorrentemente a referenciar que é exacerbada a violência policial parece uma situação que ocorre sob o olhar impávido dos órgãos de administração da Justiça e parece-nos que os órgãos de Administração da Justiça são cúmplices, porque nada fazem”, acusou.

A suposta cumplicidade dos órgãos de Justiça a má actuação da polícia foi denunciada durante o julgamento de catorze jovens detidos na cidade de Pemba acusados de vários crimes relacionados às manifestações contra os resultados eleitorais de 2024.

“Colocaram barricadas nas estradas, colocaram pneus, arremessaram pedras, garrafas e demais instrumentos contundentes contra os agentes da Polícia da República de Moçambique junto das suas viaturas. Os nacionais já identificados também destruíram estabelecimentos comerciais de alguns particulares não mencionados e instituições do governo não mencionados. Na ocasião os nacionalistas exibiam cartazes contendo mensagens de repúdio à má governação pelo partido no poder e a morte dos senhores de nome Elvino Dias e Paulo Guambe. Referiram que respeitavam a instrução do candidato do partido PODEMOS de nome Venâncio Mondlane”, leu Carmen Massicame do Ministério Público.

A defesa dos supostos manifestantes está a ser garantida pela ordem dos advogados de Moçambique que exige a libertação imediata dos jovens por alegadamente serem considerados inocentes.

“Estamos no tribunal Judicial da cidade de pemba para exigir que este órgão de administração da justiça restituiu a liberdade a estes cidadão indefesos que se encontravam a exercer um direito fundamental e constitucional que é o direito à manifestação”.

Em Cabo Delgado as manifestações contra a suposta fraude eleitoral começaram no dia 21 de Outubro corrente e até ao momento não se sabe ao certo o número total de detidos.

Os transportadores Interprovinciais da Junta apelam para o cancelamento da “greve nacional” convocada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que em apenas três dias causou prejuízos que consideram “incalculáveis”. Entre quinta e sexta-feira apenas um carro de 60 lugares seguiu viagem com menos de 40 passageiros.

Pela primeira vez o país “parou” por três dias devido a uma “greve nacional” que foi convocada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane. A greve começou na segunda-feira, teve dois dias de interrupção, retomou na quinta-feira e foi até sexta-feira. Durante esses dias houve tumultos em vários pontos do país que obrigaram ao não funcionamento de diversas instituições públicas e privadas, sistemas de transportes urbano, interprovincial e internacional.

Na cidade de Maputo por exemplo, no início da noite de quinta-feira, Estrada nacional No 1 (EN1) teve alguns troços bloqueados por barricadas e pneus queimados como são os casos da Estrada Circular de Maputo, próximo ao Estádio Nacional do Zimpeto e na Primeira Rotunda, que dá acesso a bairros como Muhalaze. Na Estrada Nacional No 4 (EN4) no troço que dá acesso à Cidade da Matola que foi igualmente bloqueado, houve viaturas destruídas, os bairros T3, Machava-Sede e Zona-Verde que também ficaram com as estradas bloqueadas.

O cenário de caos repercutiu em várias zonas ao que, no entanto, os transportadores tiveram de paralisar as suas actividades. Durante os três dias, segundo o representante da Associação dos Transportadores Interprovinciais, Gil Zunguze disse que os transportadores estavam “prontos para operar mas não havia passageiros”.

“Com a greve nós sempre somamos prejuízos. Um transportador paralisar só um dia já é um prejuízo enorme e não estamos simplesmente a olhar para nós como transportadores mas também como moçambicanos, porque isso não conta apenas para o interprovincial, também para o urbano, é de lá que conseguimos passageiros”, disse.

E, em representação do grupo, Zunguze diz que as consequências não foram apenas para os transportadores nacionais. “Estamos a falar também do (transportador) internacional que não se moveu, e dos países vizinhos, que é através de nós que se alimentam e é através deles que também nos alimentamos. Todos nós sofremos prejuízos incalculáveis.”

No meio do caos, Zunguze, disse também que durante os dias de greve, alguns passageiros que programaram viagens para quinta-feira, para os diversos pontos do país,  apelaram para serem transportados no autocarro que seguia para a província de Tete.

“Por uma força maior tinha de sair um carro para a província de Tete mas com mistura de muitos passageiros que são os próprios passageiros que disseram que tinham de ir. Os passageiros tiveram de ir mas não com o carro cheio, o carro era de 60 lugares mas nem 40 passageiros levou”, disse.

Carla Nhanala, conseguiu a sua viagem que estava marcada para sexta-feira. “A minha viagem estava programada para sexta-feira, mas por conta dos tumultos não consegui, tinha um casamento do meu tio e perdi-o, assim não consigo chegar a tempo de fazer o que ia lá fazer”, referiu. Ao mesmo tempo, Nhanala diz que a “greve é necessária”.

Para os passageiros que não puderam seguir viagem, os bilhetes foram devolvidos e até a manhã deste sábado, apenas dois carros conseguiram seguir, com exceção do autocarro que corresponde à frota Mambone, inhassoro e Vilankulo que está há três dias sem passageiros.

As pessoas voltaram a estar “conectadas” depois de cerca de um dia de restrições dos serviços de internet móvel que ocorreu desde as 14h desta sexta-feira até a manhã deste sábado. Nenhuma operadora explicou até ao momento e o Instituto Nacional de Comunicações também não recebeu quaisquer justificações.

Desde as 14 horas de ontem que o país estava sem internet, não se podia enviar nem receber e-mails, acessar as redes sociais, muito menos realizar operações com recurso a internet móvel. Os munícipes ouvidos pelo “O País” reclamaram de ter registado prejuízos. 

“Como vários outros estudantes e não só, pois acredito que todos estão a sentir os efeitos da falta de internet e isso cria vários problemas porque não temos como fazer nossos trabalhos acadêmicos nem comunicar”, disse Chandy Veeraswamy, estudante de engenharia eletrônica.

Como referiu o estudante de engenharia, as restrições foram para todos. Ibraimo Manete, usuário disse estar agastado com a situação porque precisava realizar actividades que só a internet poderia resolver, contudo não foi possível. “Queria enviar alguns documentos mas não tenho como. tenho dados ligados mas não funcionam”.

Para quem tivesse dados ligados, pela falta de informação prévia por parte das operadoras de serviços de internet, ficaram alarmados e sem saber o que realmente estava a acontecer. “Quem me despertou foi o meu marido. Eu consultei se tinha megabytes para ver se tinha e percebi que tenho (…)”, disse  Cristencia, também usuária.

A certeza de ter megabytes era de muitos, mas nada funcionava. Houve quem procurou inclusive contratar serviços de táxi por aplicativo, porém igualmente dava sem conexão. 

O problema não permitiu nenhuma atividade que dependesse da internet.

O  “O País” Paprocurou ouvir as três operadoras de telefonia móvel, mas todas, igual a muitas instituições na cidade de Maputo, estavam fechadas. 

Já o Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique disse ainda não ter recebido uma comunicação oficial sobre as restrições de internet móvel.

Um incêndio de grandes proporções atingiu dezenas de barracas construídas de madeira e zinco no mercado FAE, ao nível da cidade de Quelimane, Província da Zambézia, causando prejuízos aos vendedores.

Consta que o fogo iniciou por volta das 21 horas desta quinta-feira e alastrou-se até a manhã desta sexta-feira. Foi possível debalar o fogo graças à intervenção de corpo de salvação pública, que disse que é prematuro avançar detalhes.

O vereador das actividades económicas diz que o curto circuito foi a causa do incêndio.

Refira-se que, em 2016, o mercado FAE registou igualmente um incêndio que prejudicou 230 comerciantes

 

 

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