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O País – A verdade como notícia

Em Tete, três indivíduos, dois deles estrangeiros, foram detidos pela Polícia, suspeitos de fazerem parte de uma rede de tráfico de drogas. 

Na sequência da detenção, foram apreendidos 1.2 quilogramas de cannabis sativa e 830 gramas de heroína, localmente conhecida por zombo. A droga foi apreendida no sábado, e estava disfarçada em caixas de produtos alimentares e embalagens de fraldas para bebés. 

Estes dois indivíduos de nacionalidade nigeriana, cuja a tarefa, segundo as autoridades, era receber a droga e  contactar os potenciais compradores, alegam que não sabiam o que continham as caixas e embalagens apreendidas. 

Os indivíduos são proprietários de estabelecimentos comerciais e a Polícia não descarta a possibilidade de os mesmos estarem  a usar suas lojas para distribuir a droga.

De acordo com a PRM, os dois cidadãos nigerianos, não têm antecedentes criminais, mas residem ilegalmente no país há cerca de cinco anos.

Daniel Chapo condenou as mortes e destruição de infra-estruturas públicas e privadas, durante as manifestações pós-eleitorais. O chefe do estado falava, hoje, em Maputo, na abertura do ano judicial, evento no qual disse que o acesso à justiça não pode ser um luxo para a população. 

No seu discurso de ocasião, Daniel Chapo enfatizou o papel essencial do Judiciário na preservação do Estado de Direito e na defesa das liberdades fundamentais dos cidadãos. Condenou também os ataques a edifícios judiciais, reforçando que tais actos prejudicam o acesso à justiça e representam um atentado ao Estado de Direito.

Entre os compromissos assumidos, o Mais Alto Magistrado da nação ressaltou a necessidade de reformas estruturais no sistema judicial, incluindo a criação do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de medidas para combater a morosidade processual e melhorar as condições dos magistrados. Falou ainda da digitalização dos processos e a expansão dos tribunais móveis, como estratégias fundamentais para tornar a justiça mais acessível à população.

No combate ao crime organizado, o Presidente da República sublinhou a importância da integridade dos operadores da justiça e da necessidade de mecanismos robustos, para enfrentar sequestros, corrupção e branqueamento de capitais. Defendeu uma actuação coordenada entre as instituições e a implementação de tecnologias para garantir maior eficiência no combate à criminalidade.

Chapo também realçou a importância da formação contínua de magistrados e demais operadores do Direito, sublinhando que um sistema judicial forte depende da capacitação constante de seus profissionais. Para tal, anunciou que o Governo pretende reforçar parcerias com instituições académicas e organismos internacionais para promover o intercâmbio de boas práticas e a modernização do ensino jurídico no país.

Além disso, o Chefe de Estado defendeu uma maior descentralização da justiça, permitindo que os serviços judiciais estejam mais próximos dos cidadãos, especialmente nas zonas rurais. Reafirmou o compromisso com a ampliação da rede de tribunais distritais e municipais, garantindo que o acesso à justiça não seja um privilégio, mas um direito efectivo para todos os moçambicanos.

O Presidente Daniel Chapo concluiu reafirmando a necessidade de um Judiciário independente e comprometido com a justiça social. Exortou os diversos sectores da sociedade a participarem do processo de reforma do sistema eleitoral e reiterou o compromisso com a estabilidade política e o desenvolvimento do país. “A harmonia social não pode esperar e não descansaremos enquanto não tivermos um país unido e coeso, rumo à construção do bem-estar para todos”, afirmou.

O Presidente do Tribunal Supremo diz que a proliferação de cursos de Direito sem qualidade está a comprometer o sistema judicial. Adelino Muchanga afirma que a Tabela Salarial Única é um desafio para o sector e pede que seja reposta a estabilidade anterior à introdução.

“A proliferação de cursos de Direito em dezenas de instituições de ensino superior, sem  adequados padrões de qualidade, tem produzido profissionais nem sempre  preparados para as exigências da prática forense moderna. Esta realidade reflecte-se  em toda a cadeia da justiça, pois a qualidade da prestação jurisdicional está  indissociavelmente ligada à preparação técnica de todos os intervenientes processuais”, disse Adelino Muchanga, durante a cerimónia de abertura do ano jurisdicional. 

Muchanga acrescentou ainda que a Tabela Salarial Única (TSU) trouxe desafios inesperados para as Magistraturas, visto que a “sua implementação  resultou, na prática, na eliminação das carreiras específicas das magistraturas, na  desconsideração da sua natureza singular, na redução do nível salarial, na revogação  de direitos adquiridos”. 

O Presidente do Tribunal Supremo pede, por isso, que seja reposta a estabilidade anterior à introdução da TSU. 

O bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) defende que é necessário despartidarizar o Conselho Constitucional. Carlos Martins condenou ainda a onda de violência ocorrida durante as manifestações.  

Ocorreu, esta terça-feira, a abertura do ano judicial, sob o lema “50 anos construindo o poder judicial: nova era, novos desafios”. No seu discurso de ocasião, o bastonário da OAM apelou ao abandono de soluções político-partidárias e ao envolvimento da sociedade civil, na busca de soluções no sector da justiça. 

Carlos Martins falou ainda da revisão da Constituição da República e da necessidade de despartidarizar o Conselho Constitucional, através da redução do número de juízes conselheiros designados pela Assembleia da República, permitindo que a sua designação seja feita por outras entidades como os conselhos superiores das magistraturas administrativas e do ministério público e organizações relevantes da sociedade.

Essas medidas servirão para que sejam afastadas “as desconfianças sobre a integridade e imparcialidade deste pilar essencial de um Estado de direito democrático que é a justiça constitucional”. 

Martins acrescentou que a revisão do Constitucional deve abarcar ainda  “o alargamento das entidades com legitimidade para provocar decisões sobre declarações de inconstitucionalidade das leis ou ilegalidade dos actos normativos dos actos do Estado, transformando-se o Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional”, acrescentou.  

“Devemos, definitivamente, distanciar o poder político do poder judicial”, sublinhou o bastonário, acrescentando que, caso não haja esta separação, chegará a um ponto em que o judicial deverá apresentar relatórios ao legislativo. 

O bastonário apelou também que o Estado evitasse medidas radicais, no que diz respeito à justiça criminal, através da reformulação ou abandono das propostas de Lei da Polícia e do SERNIC, que o anterior Governo depositou na Assembleia da República. “É preciso termos em mente que quando a justiça se distancia dos seus princípios fundamentais, toda a sociedade perde”, acrescentou. 

Ainda sobre o mesmo discurso, condenou a violência da polícia contra a população. “É quase uma heresia falar hoje da dignidade da pessoa humana, com a normalização da violência. Estamos a falhar profundamente como sociedade, em que as ameaças e intimidações estão a substituir o diálogo…) Hoje, quando há manifestações pacíficas ou não, a primeira unidade a ocorrer ao local é a Unidade de Intervenção Rápida e não as lideranças políticas”, lamentou. 

O procurador-geral da República apelou que a justiça fosse mais acessível e transparente e aprimorasse os mecanismos de combate a corrupção.  Falando em ocasião da abertura do ano judicial, Américo Julião Letela enfatizou a necessidade de reforma da legislação eleitoral, para que garanta unicidade, sistematização e estabilidade. Letela acrescentou ainda que não se pode permitir que todos os pleitos eleitorais culminem em violência e acções criminosas. 

Falando em ocasião da abertura do ano judicial, Américo Letela apontou para a morosidade processual, limitações no acesso à justiça, insuficiência de meios materiais e humanos e a necessidade de maior integridade no sistema, como os grandes entraves para a concretização de uma justiça plena. 

Letela acrescentou ainda que “os desafios colocados pela era digital e a necessidade de garantir uma justiça célere, acessível e a confiança dos cidadãos no sistema judicial, exigem uma resposta firme e eficiente dos órgãos de justiça”. Por isso, para o procurador-geral da República, é fundamental garantir a abertura dos serviços de forma a afastar ideias de opacidade na administração da justiça, tornando os cidadãos mais acessíveis aos cidadãos. 

Américo Letela fez também menção às manifestações, que, segundo ele, desafiam o sector de justiça a acelerar a reforma da legislação eleitoral, avançando para a adopção de um verdadeiro código eleitoral, que garanta unicidade, sistematização e estabilidade. “Não podemos permitir que em todos pleitos eleitorais, passemos por convulsões sociais, que, muitas vezes, resvalam para comportamentos que configuram crimes”, sublinhou.

O ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, aponta para a atribuição de terrenos para jovens e comercialização de material de construção a um preço acessível como parte das propostas a levar à mesa de debate no Governo. O governante afirma que não se pode distrair a população com o que não acrescenta valor.

Caifadine Manasse assume um ministério que junta dois sectores, que, no antigo Governo, estiveram separados, o da juventude e do desporto. Como formas de aliviar os anseios da classe, Manasse tem algumas propostas a apresentar ao executivo, das quais, facilitar o processo de habitação para os jovens.

“Na área onde dirigimos, que é a área de juventude, faremos tudo o que está ao nosso alcance para trabalhar, para que haja um terreno para jovens construírem. Vamos trabalhar com o Governo para encontrar formas e alternativas de mitigar aquilo que são os efeitos de preços de material de construção e outras questões. Vamos submeter, vamos discutir e vamos fazer tudo para que a juventude continue a ser o centro da nossa governação”, apontou.

E para a materialização destas e outras propostas, Caifadine Manasse afirmou que o ambiente deve ser de paz e sem distração.

“É importante não distrairmos a população com aquilo que não vai acrescentar valor, nem na vida da população, nem na vida de Moçambique. Este é o momento de estarmos unidos e nós continuaremos a trabalhar para o diálogo permanente, para fazer compreender a todos os actores da sociedade que é importante olharmos Moçambique como um país nosso, como uma propriedade nossa e que deve ser acarinhada para o seu desenvolvimento. Hoje é mais um dia de reflexão para a unidade nacional, para juntos estarmos no caminho do desenvolvimento”, explicou o governante.

Caifadine Manasse, falava, esta segunda-feira, em Maputo, à margem do dia dos heróis nacionais, efeméride que sugere que seja usada para reflexão sobre a nação. Para Caifadine “Este ciclo de governação vai ser um ciclo que arranca com aquilo que é a independência económica do país. Pensar no desenvolvimento para que cada moçambicano tenha pão, cada moçambicano tenha algo para comer, cada moçambicano tenha pelo menos um sítio para dormir. Este é o desafio desta governação e nós, como ministros, vamos trabalhar para fazer com que aquilo que é a orientação e comando de Sua Excelência a Presidente da República  esteja lá.” apontou Manasse.

 

A ministra da Educação e Cultura garante que até ao fecho do primeiro trimestre todas as crianças da primeira e segunda classes terão livro escolar de distribuição gratuita. 

O ano lectivo de 2025 arrancou, oficialmente, na última sexta-feira e os livros de distribuição gratuita começaram a chegar às escolas. 

E a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, garante que, até ao fecho do primeiro trimestre, todos os alunos da primeira e segunda classes terão  os manuais escolares. 

“Estamos a trabalhar. Os livros estão a chegar. Estamos a distribuir. O que queremos garantir, efectivamente, nestes três meses é que os livros do primeiro ciclo cheguem aos alunos. É o livro-caderno da primeira e segunda classes. Portanto, um aluno não pode não ter livro-caderno, senão não aprende a ler. É lá onde temos as imagens”, assegurou Samaria Tovela, ministra da Educação e Cultura.  

Em 2022, o ex-Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou o início da produção e impressão do livro escolar a nível nacional a partir do ano seguinte. Ou seja, 2023. 

Até aqui, isto não passou de um sonho que Samaria Tovela promete não deixar morrer. “Este sonho não vai morrer. Só não podemos dizer se será hoje ou amanhã porque tem que haver condições. As nossas gráficas devem ter condições de imprimir a quantidade de livros que nós precisamos. Temos que planificar e isso deve ser muito mais cedo para que não possamos iniciar o ano sem o livro. Então, os desafios são muitos”, avançou Samaria Tovela. 

A titular do pelouro da Educação e Cultura revelou, ainda, que o sector está a criar condições para que os alunos afectados pelo ciclone Chido não percam o ano lectivo de 2025. 

“Precisamos de recursos para colocar tendas provisórias. Nós chamamos de espaços temporários, que é para os alunos poderem estudar. Infelizmente, nós temos esse problema que quando iniciamos o ano lectivo, o desafios são as chuvas e, agora, estamos sistematicamente, a sermos afectados por ciclones, mas o objectivo essencial é vermos a nível do currículo, planos de estudos e do programa sobre como é que nós podemos compensar isso para que as crianças entrem num período mais calmo”, referiu a ministra da Educação.  

O Sistema Nacional de Educação conta com cerca de 10 milhões de alunos da primeira à décima segunda classes. 

Oito pessoas morreram e outras três ficaram gravemente feridas, num acidente de viação que ocorreu na madrugada desta Segunda-feira, na Vila da Macia, em Bilene. A polícia aponta o consumo de álcool e o excesso de velocidade como as causas do sinistro.

A madrugada desta segunda-feira foi trágica no distrito de Bilene, em Gaza. Um acidente de viação matou 8 pessoas e feriu outras três na zona Nwampaco, na vila municipal da Macia.

“Por causa da força do próprio embate, os corpos estavam muito de qualquer maneira”, contou uma testemunha, acrescentando que podiam ser vistos membros dos corpos espalhados pela estrada. 

Do embate violento entre duas viaturas ligeiras, sete pessoas, entre as quais uma menor de dois anos, perderam a vida no local.

O Centro de Saúde da Macia confirma a entrada de 4 pacientes, alguns em estado grave e outros ligeiros, bem como os sete óbitos.

“Um teve ferimentos ligeiros e a posterior foi dado alta, e os três foram dados socorro, nesta unidade sanitária, e a posterior foram transferidos para o hospital distrital, que é nosso hospital de referência”, avançou Elsa Semente, directora do Centro de Saúde da Macia. 

Devido à gravidade dos ferimentos, uma das vítimas perdeu a vida a caminho do hospital distrital da Macia.

O excesso de velocidade, bem como a manobra irregular são apontados como as principais causas do acidente.

“Primeiro, o cruzamento irregular do veículo, aliado ao excesso de velocidade. Mas também há lá um elemento, nos dois  veículos, a perícia detectou que havia indícios de consumo de bebidas alcoólicas, o que quer dizer que estavam a consumir bebidas alcoólicas”, disse Ramiro Nhateve, polícia de trânsito em Gaza. 

Entre as vítimas do acidente registado, nesta segunda-feira, está o músico moçambicano Khossete e seus quatros bailarinos.

O governador da Zambézia, Pio Matos, condena a violência ocorrida em Morrumbala, que culminou com a decapitação de um militar na reserva. Já o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, culpa a Polícia da República de Moçambique pelo ocorrido. 

A celebração do dia dos heróis moçambicanos é antecedido por uma violência bárbara, no distrito de Morrumbala. É que um militar na reserva foi decapitado e a sua cabeça foi deixada num espaço público.

O governador de Zambézia reagiu, esta segunda-feira, ao crime. “Ainda ontem assistíamos em Morrumbala um acto bárbaro, bastante nojento, um acto desumano, que não tem explicação (…) Porquê decapitar uma pessoas, que nada de mal fez. Estava na sua casa tranquilo. Porque nos matamos entre nós, a vida só pertence a Deus e mais ninguém, ninguém pode tirar a vida do outro”, disse. 

Manuel de Araújo, por sua vez, solicitou que o governador mandasse parar a perseguição contra moçambicanos, naquele ponto do país. 

“Mas ele tem que dar o primeiro passo, informado ao Comandante-Geral da Polícia para deixar de perseguir os moçambicanos (…) Tem havido caça ao homem nesta província, e é a Polícia da República de Moçambique, é o SERNIC, que tem estado a caçar jovens e mulheres  e o povo que não tem protecção do Estado acaba protegendo-se a si próprio”, disse o Edil de Quelimane. 

De forma geral, o dia 3 de Fevereiro decorreu de forma tranquila, na cidade de Quelimane.

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