Voluntários humanitários da Cruz Vermelha em Gaza ameaçaram fechar as portas da Delegação Província na sequência de uma greve, devido ao atraso no pagamento de subsídios de 7 meses no quadro da assistência às cheias. O grupo acusa ainda a Direção da Instituição de arrogância e falta de diálogo para a resolução do problema. Em reação, o Presidente do Conselho Executivo da Cruz Vermelha em Gaza admite a dívida em Xai-Xai e Mandlakazi, mas rejeita arrogância e crise institucional.
Voluntários humanitários da Cruz Vermelha em Gaza ameaçam, desde a tarde desta sexta-feira, encerrar as portas da instituição em Xai-Xai.
“Eles são funcionários, nós somos voluntários. Nós queremos o nosso dinheiro ou trancamos isto”, afirma um dos voluntários.
Em causa está o não pagamento dos subsídios que, segundo os voluntários, foram acordados no quadro da assistência às vítimas das cheias que assolaram a província.
“Desde janeiro para cá estamos a trabalhar, o nosso dinheiro por receber é de 10.500. De janeiro para fevereiro. Mas só recebemos 6.100. Então disseram que estão no dever 4.500”, relata um dos voluntários.
Não é apenas uma dívida monetária. O grupo acusa a Direção do Conselho Executivo Provincial da Cruz Vermelha de arrogância e de ameaças, uma postura que, segundo os voluntários, terá provocado uma quebra de confiança dentro da instituição humanitária ao nível local.
O Presidente do Conselho Executivo da Cruz Vermelha em Gaza, Manuel Amone, confirma a existência da dívida, mas ainda não consegue dizer exatamente quanto deve, a quantos voluntários e quando poderá efetuar o pagamento.
Até aqui, Xai-Xai e Mandlakazi estão entre os distritos com casos ainda pendentes.
“Para Xai-Xai, estimo que a dívida esteja entre 160 e 190 mil meticais. Não tenho memória agora”, respondeu Manuel Amone, quando questionado sobre o valor em causa.
Sobre as acusações de arrogância e a alegada crise interna, Manuel Amone diz tratar-se de acusações infundadas, numa tentativa de “denigrar” a sua imagem e a da instituição que dirige.
A nível provincial, a Cruz Vermelha conta com mais de 850 voluntários, mas os envolvidos na resposta às cheias foram de Xai-Xai, Chókwè, Chibuto, Guijá, Manjacaze e Massangena, onde permanecem casos de subsídios por pagar.