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O País – A verdade como notícia

Uma senhora desapareceu em Junho do ano passado em circunstâncias ainda por serem esclarecidas. Nove meses depois, há indícios que apontam que o corpo da mesma pode estar enterrado no quintal da residência do seu namorado, a última pessoa com quem foi vista numa casa de pasto.

A situação criou algum alvoroço nesta segunda-feira, em que dezenas de moradores do bairro de Chingussura, arredores da cidade da Beira, se amotinaram na casa onde  foi,  supostamente, enterrada, clandestinamente, na parte traseira do quintal,  uma senhora que é dada como desaparecida há nove meses.

A senhora em causa chamava-se Cristina Domingos e, na altura em que desapareceu, tinha 32 anos. Ela  foi vista pela última vez em finais de Junho do ano passado, a  conviver numa casa de pasto com o seu namorado.

A informação já estava, desde o sábado passado, na posse da polícia, que deteve naquele dia o principal suspeito do acto macabro, que é namorado da suposta desaparecida.

A comunidade de Chingussura soube que estava agendada para esta segunda-feira a exumação, e, por conta disso, amotinou-se na residência para ver de perto a acção policial que não chegou a acontecer.

A secretária do bairro confirma que Cristina Domingos, mais conhecida por Nina, frequentava a residência e que o relacionamento dela com o detido era do conhecimento das duas famílias.

A filha da desaparecida disse que era frequente a mãe ir ao encontro do namorado e não regressar no mesmo dia, tal como o fez pela última vez, em Junho do ano passado, e que o detido tinha comportamento violento.

Os parentes do suspeito estão surpreendidos com a informação e disseram que nada sabem do sucedido e que estão prontos para colaborar com a polícia.

Enquanto se esperava pela chegada da polícia, alguns membros da comunidade tentaram destruir a residência do suspeito e, quando a polícia chegou, apelou à calma. O apelo da polícia foi acatado pela comunidade.

Para garantir a integridade dos familiares do suspeito e proteger a sua residência, foi destacado um contingente policial que irá permanecer no local até o caso ficar esclarecido, provavelmente nesta terça-feira.

Estão a ser destruídos os 900 metros de estrada de betão na Avenida das Nações Unidas, que dá acesso e saída da baixa da Cidade de Maputo. A infra-estrutura, que custou mais de 21 milhões de Meticais à Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento, foi inaugurada em Setembro de 2022 e deveria durar pelo menos 20 anos, mas passaram-se menos de três anos. 

 

Em Março de 2022, o município de Maputo, através da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento, reabilitou 900 metros de uma das faixas da Avenida das Nações Unidas, na Cidade de Maputo, devido ao elevado nível de degradação da via.

Trata-se da faixa de rodagem que dá acesso à baixa da cidade, cuja intervenção custou cerca de 21 milhões de Meticais e, quatro meses depois, foi entregue ao público, isto em Setembro de 2022, com promessas de vida útil de, no mínimo, 20 anos.

No dia 9 de Junho de 2022, o PCA da EMME declarou: “Tomámos a decisão de fazer um pavimento em betão armado, completamente novo, e esse pavimento, de acordo com as especificações técnicas e com as normas de construção, é um pavimento que pode durar 20 a 25 anos sem manutenção”.

No entanto, no terreno, verificava-se o oposto. O pavimento já se apresentava com fissuras, buracos e muitos pontos já intervencionados, contrariando as expectativas de João Ruas.

Sucede que, em menos de três anos, o betão da superestrada está a ser totalmente removido e, no seu lugar, será implantada uma estrada de asfalto. 

Quem está a fazer esta intervenção é o Ministério dos Transportes e Logística, através do projecto Move Maputo, que, no entanto, esclarece que esta via não era para durar sequer 10 anos, porque ela era provisória. 

É uma obra provisória que custou aos cofres da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento 21 milhões de Meticais, conforme explica o engenheiro Afonso Ronda, responsável pela obra. 

“O Governo de Moçambique iniciou, com o Banco Mundial, um processo de negociação para financiamento de um projecto de mobilidade para a área metropolitana de Maputo.  Dentro deste projecto, existem várias componentes, e temos uma componente que chamamos de componente 3, que é a intervenção em infra-estruturas municipais. Neste contexto, o município de Maputo identificou algumas artérias a intervir, e a reabilitação da Avenida da ONU foi incluída neste pacote. Entretanto, por força da necessidade de mitigação de aspectos de mobilidade e acesso à cidade, o município de Maputo implementou a solução de reparação desta via, enquanto o projecto  finalizava os procedimentos de procurement, implementou esta solução com betão, que está, agora, a ser intervencionada”, defendeu o engenheiro.

Mas porque destruir em vez de reabilitar?

Em resposta, Ronda disse: “Esta intervenção foi feita pelo município de Maputo, não tive nenhuma participação do projecto, pelo que não posso comentar”.

Não pode comentar, mas esclarece que a estrada de betão tinha muitos problemas, e o sistema de drenagem das águas da chuva é um deles.

“Nós temos intervenções profundas aqui a fazer, particularmente a nível do sistema de drenagem, que envolvem escavação em áreas para instalação de sistemas de drenagem.  Adicionalmente, verificámos, também, que a solução implantada começava já a exibir alguns defeitos, que sob o risco de colocar o que quer que fosse de camada de desgaste por cima, essa camada de desgaste iria reflectir depois algumas das patologias que a estrutura em betão já estava a exibir.  Para garantir uma solução sustentável e que minimize custos com a manutenção desta infra-estrutura, optámos por fazer o reforço da estrutura com uma solução de pavimento flexível”, ouviu-se de Afonso Ronda, até porque há evidências de que, neste caso, o asfalto é melhor que o betão.

“A nossa intervenção, que foi feita na faixa de saída, foi feita recentemente, mas, com certeza, pode-se observar que a outra faixa não apresentava os problemas que esta faixa de entrada tinha, sendo que elas estão localizadas na mesma zona, operam sob as mesmas condições e é uma estrutura flexível, porque temos confiança de que essa solução com uma estrutura flexível vai funcionar, sim, porque há demonstração da mesma numa faixa que está mesmo ao lado, está a menos de 10 metros.”

Concluída a estrada, Ronda garante vida útil da infra-estrutura de, pelo menos, 20 anos.

“A intervenção que está a ser feita, como disse, está a ser feita de forma robusta a nível do sistema de drenagem, para garantir o suprimento adequado das águas, tanto superficiais  assim como subterrâneas, para minimizar a influência da água na performance do pavimento.  Estamos a fazer reforço do pavimento, como se pode ver nos trabalhos executados na faixa de saída da cidade, com recurso a uma solução baseada em base tratada com betume. Portanto, estes agregados com algum volume de betume lá, é um produto a quente preparado em central, que também vai ser um tratamento similar para esta faixa de entrada da cidade. Com isto, nós não só vamos garantir que tenhamos uma camada de desgaste nova, mas, acima de tudo, possamos garantir que haja, pelo menos por 15 a 20 anos, durabilidade a nível estrutural desta estrutura de pavimento que vamos agora construir.”

O “O País” contactou o presidente do Conselho de Administração da EMME, dono da obra. João Ruas mostrou-se espantado com as intervenções em curso, numa infra-estrutura que, no seu entender, era de qualidade.  

“Eu fui, também, surpreendido quando vi a Avenida da ONU ser destruída. Inclusivamente, na mesma manhã, falei com o presidente do município e esclareci-lhe que isso estava a acontecer e que não estava a entender o que se passava. Eu não sei exactamente o que é que aconteceu, porque quem está a fazer o trabalho é o Ministério dos Transportes, através do projecto MOVE [Maputo]. Eles é que estão a fazer a obra, eles é que estão a fazer aqueles trabalhos, não é o município de Maputo nem é a EMME, e nós não sabemos, efectivamente, quais são as razões técnicas ou financeiras que levaram, portanto, a essa decisão. Efectivamente, o trabalho que tinha sido feito com a laje de betão armado, em cima  da base que já existia anteriormente, tinha sido uma solução que poderia levar, sim como eu tinha dito, 20 anos. Qualquer engenheiro pode provar isso”, explicou João Ruas, dizendo mais: a solução nunca deveria ter sido a destruição da estrada e explica.

“Eu sou engenheiro civil e já trabalhei em construção de estradas e construção de aeroportos. Qualquer pavimento de betão tem coeficientes de dilatação maiores que o asfalto. Aparecerem algumas fissuras, e é natural que elas aconteçam, portanto, é uma questão de manutenção. Agora, a solução para evitar as fissuras era, exactamente, meter um tapete de asfalto em cima, não demolir tudo e fazer tudo de novo. A solução, como está a ser preconizada, eu acredito que vai haver fragilidades na caixa de fundação, na sub-base e na base. Há-de haver deformações no pavimento, e eu acredito que, em pouco tempo, há-de haver fissuras e, consequentemente, buracos.  Portanto, eu penso que, tecnicamente, a solução está errada.”

Recorde-se, caro leitor, que o engenheiro Ronda teria dito que a infra-estrutura de betão era uma solução provisória. Ruas desmente.

“Isso é absolutamente falso, porque a solução, de facto, não é temporária. Quando se mete um tapete de betão armado ao longo de uma via, essa solução não é solução temporária.  Uma solução temporária seria tapar buracos e fazer trabalhos de remendos, etc, etc, o que não foi o caso. Nós fizemos um tapete com 14 centímetros de espessura, 10 metros de largura e 1200 metros de comprimento. Isso não pode ser uma obra provisória, não é verdade.  Tecnicamente, essa justificação não é correcta, porque isso não é verdade”.

Contradições à parte. O facto é que, sempre que chovia, uma parte da avenida ficava alagada, e isso pode ter sido uma das falhas, de acordo com Bento Machaila, presidente da Federação dos Empreiteiros.

“Não creio que seja na qualidade, não creio também que seja na falta de engenharia. Provavelmente, houve omissão de alguns trabalhos que poderiam ter sido feitos. Como eu disse, o sistema de drenagem mostrou-se ineficiente. Fez-se o trabalho na faixa de rodagem e esqueceu-se de colocar um sistema de drenagem que possa escoar as águas com muito mais eficiência.”

Para o Presidente da Federação dos Empreiteiros, a exiguidade de fundos pode ser a razão da falta de sistema de drenagem na infra-estrutura.

“Muitas das vezes, acontece que o Estado ou as entidades que contratam têm um determinado montante para investir numa infraestrutura e, quando se percebe que não é suficiente para fazer todo o trabalho necessário, acabam por colocar de lado alguns trabalhos, como este, a que me estava a referir. Provavelmente, não se investiu muito no sistema de drenagem porque se achou que poderia fazer  numa outra altura, mas a natureza foi mostrando que, quando chove, o sistema de drenagem não pode, de maneira nenhuma ser esquecido para uma engenharia daquelas”, explicou Machaila, deixando um recado ao Governo.

“Aí fica a mensagem de que o Estado ou as entidades que contratam, sempre que fizeram um projecto, nunca podem pôr de lado os investimentos necessários para o sistema de drenagem, porque acabam por dar cabo a toda aquela infra-estrutura que se gastou muito dinheiro para se executar.”

O prazo para a entrega das obras de reabilitação da Avenida das Nações Unidas, orçada em mais de 420 milhões de Meticais, está para o dia 3 de Abril. Enquanto isso, o trânsito continuará condicionado, pelo menos nas horas de ponta, nos dias úteis da semana.

Trabalhadores do cemitério Chali, em KaTembe, denunciam uma suposta vala comum e péssimas condições de trabalho. A denúncia é feita através de um vídeo que circula nas redes sociais. A situação preocupa os moradores.

A denúncia é feita através de um vídeo amador que circula nas redes sociais e que mostra muitos sacos de objectos hospitalares, um deles contendo a perna de uma pessoa morta, sendo mostrados por dois funcionários do cemitério. “Só para você ter noção do que está a acontecer aqui, no terreno, as coisas todas estão aqui”, dizia um dos funcionários do cemitério, no referido vídeo amador.

Além de estranhar os supostos corpos, os trabalhadores falam de péssimas condições de trabalho. A indignação é também dos moradores do quarteirão 10, nas imediações do cemitério Chali, no bairro com o mesmo nome, na KaTembe.

“O que nós estamos a chorar é por causa dessas pessoas que estão aqui, enterradas de qualquer maneira e que provocam um cheiro nauseabundo aqui. Não sabemos se amanhã vamos tomar chá no quintal ou termos o almoço à vontade, ou se a noite vamos dormir em paz”, disse um residente do bairro Chali.

Uma residente do mesmo bairro, também falando em anonimato, disse que tudo aconteceu na sexta-feira e “eu só vi meus vizinhos a dizerem que no cemitério deitaram coisas estranhas, vamos lá ver. Quando chegámos lá, acabavam de enterrar, mas só tentaram fechar um pouco, e aquele coveiro disse que eram cerca de 60 plásticos”.

Também em anonimato, outra cidadã conta a sua versão dos factos. “Meus irmãos estavam a brincar, estavam no muro do cemitério, porque eles gostam de brincar ali em cima. Depois viram uma ambulância chegar ali. Começou a retirar os corpos, muitos corpos nos plásticos, transparentes, pretos, rosa. Deitaram ali mesmo. Depois, meu irmão ficou assustado. Chegou à casa e disse-me o que estava a acontecer. Eu saí, chamei minhas tias, chamámos os vizinhos, fomos lá espreitar o que eles estavam a ver. De facto, aquelas crianças que foram enterradas ali, quase nem foram enterradas, colocaram num plástico, depois começaram a tapar com areia, e depois chamámos o chefe de quarteirão”, contou.

Entre as denúncias está também uma suposta perseguição por parte da polícia aos moradores responsáveis pela gravação dos vídeos que circulam nas redes sociais. Duas moradoras denunciaram perseguições e ameaças de agentes do SERNIC.

“Depois da situação que houve aqui, no cemitério, no mesmo dia, um agente do SERNIC chamou-me, puxou-me para o lado, disse que era para eu entregar o vídeo que tenho, senão me mataria. Disse que o SERNIC não leva tempo para matar. Eu disse que não tinha nenhum vídeo, e, de facto, eu não tinha nenhum vídeo. Apenas vi o vídeo aqui, assisti, porque o meu telefone não tinha carga. Daí fiquei, voltei para casa, e tive medo, porque ele me ameaçou de morte. Saí, fugi, fui-me esconder com as minhas irmãs na cidade”, contou.

Contactada pela equipa do “O País”, a Direcção de Saúde da KaTembe rebate a reclamação dos moradores e diz que não se trata de restos mortais, tal como disse Francisco Mucavel, director distrital de Saúde da KaTembe.

“Não se trata de restos mortais, mas sim de placentas, placentas que são membranas que ligam o bebê à mulher durante a gravidez e após o parto, esta mesma membrana expulsa e necessita de algum tratamento especial. Tratando-se de material biológico com potencial contagioso, não pode ser depositado em contentores de lixo comum. E o lugar mais indicado para o tratamento deste tipo de material geralmente são os cemitérios. Olhando também para o perfil das unidades sanitárias do Distrito de KaTembe, que não tem capacidade cirúrgica, não é possível produzir lixo anatómico como, por exemplo, membros como perna, braços, entre outros, mas sim placentas. Importa também salientar que o distrito da KaTembe tem duas maternidades que concorrem para a produção deste tipo de material”, revelou Francisco Mucavel.

Até à saída da nossa equipa de reportagem do local, o cemitério de Chali estava com os portões fechados.

 

 

Os hospitais andam muitos cheios na Cidade de Nampula. Os pacientes ficam longas horas à espera de atendimento e os profissionais de saúde dizem estar pressionados. A época chuvosa e a vandalização de alguns hospitais está entre as causas das enchentes

O Centro de Saúde de Muhala Expansão é o ponto de partida da nossa ronda pelos hospitais da cidade de Nampula. Logo cedo, a unidade sanitária registou um grande fluxo de pessoas, dentre doentes e acompanhantes, de todas idades.

O tempo de espera é maior. Alguns pacientes deitam-se no chão e outros marcam a fila com objectos. Os dirigentes da unidade sanitária têm explicações para esta avalanche: época chuvosa e vandalização de alguns hospitais.

No Centro de Saúde 1º de Maio, noutro extremo da cidade, o cenário que se vive é o mesmo. Até é difícil a circulação no pátio devido à aglomeração de pessoas.

O cenário até não é novidade, por estas alturas do ano, mas, neste 2025, há outra explicação para a procura que é três vezes mais que o habitual, disse Dalito Branco, Médico e Director do Centro de Saúde 1º de Maio.

Situação idêntica encontramos no Centro de Saúde 25 de Setembro, com mesmas lamentações dos pacientes, assim como o mesmo posicionamento da direcção do hospital.

 

Nos últimos dois dias, pelo menos quinhentas e trinta e oito pessoas foram repatriadas de Malawi ao Distrito de Morrumbala, em Moçambique, através do Rio Rio Chire. 

As operações de repatriamento estão em curso, no entanto, ainda não há datas para o término. O administrador de Morrumbala garante condições para a população. 

Em média, 350 a 400 pessoas serão repatriadas por dia, de Nhamithutu, em Malawi, para o Distrito de Morrumbala, em Moçambique, por vias de embarcações a motores. 

Nos últimos dois dias foram repatriados 538 pessoas. O administrador de Morrumbala, João Nhanbessa, diz que no seu distrito as condições estão criadas para os repatriados. 

A avaliar pelo número de pessoas no terreno, a operação pode seguir até ao fim de semana. 

João Nhanbessa diz que os moçambicanos devem regressar e começar com a produção para subsistência. Sobre o assunto, as condições estão criadas para todos os moçambicanos. 

O repatriamento de moçambicanos refugiados no Malawi iniciou no último sábado e a operação decorre das 07 às 17 horas. Por viagem, as três embarcações levam no global 50 pessoas. 

 

Pelo menos 200 pacientes, que sofrem de diversas doenças e que estavam na lista de espera há muito tempo, vão beneficiar de cirurgias, a partir desta segunda-feira, no Hospital Central de Maputo. A iniciativa enquadra-se na campanha massiva, que irá abranger quatro hospitais centrais do país

Com sua filha nos braços, Gilda Artur aguardava ansiosa, em vê-la entrar no bloco operatório e de lá sair com uma nova forma de andar. A filha da encarregada nasceu bem, mas, aos dois anos de idade, as suas pernas simplesmente ficaram arqueadas. 

Há cerca de um ano, esperava pela cirurgia, no Hospital Central de Maputo, mas não é a única. Carlos Monteiro sofre de fístula desde 2023, e só este ano vai ser operado. 

Ambos os pacientes fazem parte de um grupo de 200 pacientes, que sofrem de diversas doenças, e que, há cerca de um ano, aguardavam por cirurgias. 

O sofrimento poderá acabar a partir desta segunda-feira, até 28 de Março, em que serão operados na maior unidade sanitária do país, segundo explicou António Assis da Costa. 

A campanha vai ajudar a reduzir o número de pacientes na lista de espera pelas cirurgias, que não poucas vezes se queixam de demora. O processo será liderado por profissionais de saúde de diversas especialidades. 

A campanha de cirurgias vai beneficiar um total de 500 pacientes, nos hospitais centrais de Maputo, Beira, Quelimane e Nampula. 

 

O Município de Tete falhou o prazo de colocação de sinais de trânsito nas principais ruas e avenidas da cidade. As obras deveriam terminar em Junho do ano passado, mas até aqui nada de concreto está a ser feito. 

Em 2024, a edilidade, através do então vereador para área de Infraestruturas e Trânsito, prometeu sinalizar devidamente as ruas e avenidas do Município de Tete até ao mês de Junho. No entanto, volvidos cerca de cerca de oito meses, a edilidade  ainda não concluiu os trabalhos e parte das estradas já intervencionadas apresentam problemas nas pinturas das faixas laterais e centrais. 

A sinalização insuficiente ou inadequada das rodovias, aliada à ausência das autoridades reguladoras de trânsito, são apontadas como presumíveis causas de acidentes. Os munícipes, sobretudo crianças, arriscam suas vidas no meio de carros e motorizadas. 

Sobre o assunto, o edil de Tete diz que os trabalhos não foram concluídos no período previsto por causa da falta de meios, mas assegura que os trabalhos deverão retomar, assim que a chuva abrandar.

De acordo com as autoridades, pelo menos uma pessoa morreu, vítima de atropelamento a cada três meses na província de Tete. 

Os operadores turísticos da Ponta D´Ouro queixam-se da falta de clientes, desde o início dos protestos no país, que também se fazem sentir naquele ponto turístico do país, com tumultos e bloqueios nas vias com o objectivo de obrigar a redução dos preços dos produtos.

Segundo a Presidente do Conselho Empresarial de Matutuine, Celma Issufo, nenhum estabelecimento foi vandalizado ou saqueado, mas a situação que se vive tem retraído a presença de visitantes naquele local. 

Não há clientes, nem das instituições que, para lá se deslocam para realizar as suas conferências e nem os que vão para fazer turismo, que geralmente, tem ido para lá aos fins de semana. 

“O cliente não vai se deslocar para uma instância sem saber se vai regressar para casa ou se terá algum bloqueio na rua, ou se seu carro será vandalizado e nesta situação entendemos que ninguém vai usar os seus fundos para ir fazer turismo, porque com tudo isto a acontecer não sabemos como será o dia de amanhã”, lamentou a Celma Issufo.  

Com as praias vazias, restaurantes sem clientes e hoteis sem hóspedes, nem o pequeno negócio flui, como a venda de artigos de artesanato e muito menos os grandes negócios, o que já se faz sentir nas contas dos operadores turísticos, que dizem já estar a ter dificuldades para pagar os salários dos seus funcionários, e outras despesas correntes.

“O que nos aflige mais é o salário. Estamos a fazer manobras para tirar dinheiro de onde não existe, porque não podemos nem recorrer a fundos  de curto prazo para pagar salários, porque não é sustentável. Agora o pagamento das nossas despesas básicas até tentamos ver como gerir e negociar com os nossos fornecedores, mas a situação não está boa”, disse.  

Por conta da situação, a presidente do Conselho Empresarial de Matutuine, revelou que alguns estabelecimentos têm optado em fechar as portas por um ou dois dias, por semana, como forma de conter os custos. 

Com a situação assim, a esperança, agora é que as coisas se tranquilizem, nos próximos dias para que na páscoa possam ter algum fluxo de clientes. 

Caiu de uma varanda em 2002, sua mandíbula deixou de movimentar-se e a boca ficou fechada por 23 anos. Não comia coisas sólidas e não falava. Graças aos “anjos brancos” voltou a falar

Calado Hermínio Júlio Lino, 30 anos, falava normalmente até 2002 quando sofreu um acidente que mudaria por completo a sua vida.

“Caí de uma varanda em 2002, dali, fiquei dois dias sem conseguir abrir a boca”, explicou Calado em entrevista que aconteceu nos corredores do Hospital Central de Nampula onde está internado, sozinho, desde Outubro do ano passado.

O que parecia uma simples consequência da queda tornar-se-ia no mais longo silêncio daquele jovem natural do distrito de Mecula, província do Niassa. “Ficava assim mesmo, calmo. Nem para alimentar-se, falar (…)”.

Foram mais de duas décadas sem conseguir abrir a boca porque a mandíbula perdeu os movimentos, impossibilitando o abrir e fechar da boca. Com efeito, não tinha como alimentar-se de comidas sólidas, por isso sobreviveu de coisas líquidas. 

A sua condição social lhe valeu discriminação e isolamento. A sua família já havia perdido esperança até ao dia em que uma associação de pendor religioso decidiu criar condições para Calado viajar para uma consulta no Hospital Central de Nampula.

“Calado é um doente que foi internado na nossa enfermaria em Outubro e chegou aqui com uma condição de saúde muito rara e complexa. Não conseguia abrir a boca nem um milímetro. Era uma limitação de abertura da boca severa. Não conseguia abrir a boca e nem movimentar a mandíbula para a frente nem para os lados”, precisou Alexeis Alarcon Amita, médico cirurgião maxilo-facial de nacionalidade cubana que liderou a equipa que cuidou de Calado desde o primeiro momento.

Depois de várias consultas para estudar o problema, os médicos entraram em acção para uma cirurgia complexa. “Conseguimos abrir e tirar aquele bloco de consolidação que tinha ali desde 2002. A cirurgia foi feita com sucesso”.

De Outubro a esta parte, o paciente faz regularmente um exercício de abrir e fechar a boca para treinar as articulações da mandíbula. Um caso raro, com final feliz, que entra no currículo dos profissionais de saúde que recuperaram a fala do jovem Calado.

“Foi o primeiro caso que nos apareceu com este historial de trauma e anquilose”, reconheceu Sabina Nemane, médica dentista.

Dentro de dias, Calado voltará a Mecula a falar e já se advinha a recepção apoteótica. 

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