Skip to main content

O País – A verdade como notícia

População da zona de Ngonwanine, em Chongoene, na província de Gaza,  recupera cerca de três mil terrenos usurpados por munícipes de Xai-Xai. O Administrador de Chongoene, Artur Macamo,  condena a invasão e parcelamento ilegal e avança medidas para travar o fenóneno.

“Foi uma atitude não boa, porque deviam ter se dirigido ao Governo do distrito, para perguntar onde é que tem espaço. O facto de ver um terreno que ainda não  está a ser usado, não significa que não tenha ninguém, tem alguém lá”, condenou Artur Macamo, administrador de Chongoene, acrescentando que “Chongoene é uma vila e, por isso, não há espaços que não tenham dono”.  

Macamo explica ainda que foi a própria comunidade que se organizou para pedir satisfações para os invasores e houve conversações de forma a se chegar a um consenso. O administrador garantiu que o Governo está disponível para, aceitando os proprietários das terras, fazer o devido parcelamento. 

“Esta é uma zona urbana, é uma vila. Então, há normas  para o ordenamento e parcelamento (…) Essas pessoas que foram lá manifestar não se aproximaram ao Governo, porque se o tivessem feito, nós podíamos ter cedido áreas que não precisam negociar com ninguém”, disse. 

Pelo menos 9,3 mil pessoas morrem anualmente devido a doenças ligadas ao consumo de tabaco, no país, segundo dados do estudo divulgado, hoje, pelo Ministério da Saúde, que mostra que o país perde 11,7 mil milhões de Meticais, com custos desta substância, além da perda de 900 milhões de meticais investidos nas despesas de saúde.

Cabo Delgado é a província com maior número de consumidores de tabaco em Moçambique, uma taxa de 20,6 por cento. 

Ainda no Norte, Nampula é a segunda província com mais consumidores, com 13,8 por cento. Os dados constam de uma pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada nesta segunda-feira.

Segundo a instituição, MISAU, na Província de Inhambane, com uma taxa de 5,5 por cento, é onde se consome menos tabaco ao nível do território nacional. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o consumo de tabaco é responsável pela morte de mais de 9,3 mil pessoas, por ano, no país.

Para além de perdas humanas, o mais recente relatório divulgado pelas autoridades sanitárias aponta que Moçambique perde, anualmente, 11, 7 mil milhões de meticais com o custo de tabaco, o correspondente a 1,3 por cento do PIB.

“Quando olhamos as perdas económicas diretas e indirectas, olhando o custo, quando olhamos os custos directos, podemos dizer que elas prefazem 0,9 bilhão e quando olhamos os custos indirectos, que é 92%, fazem 10,8 bilhões. E quais são esses custos? Onde é que afecta exactamente? Estamos a falar de pausas para fumar, 2,4 bilhões, o absentismo, porque está doente, se tem alguma doença relacionada, 1,2 bilhões, despesas pessoais com a saúde, 0,09 bilhão, gastos que também o Governo tem que ter relativamente à saúde destes indivíduos, é de 0,55 bilhões”, disse a Directora Nacional de Saúde, Aleny Couto. 

Além destas perdas, os resultados do inquérito demonstra que o Estado Moçambicano tem despesas directas e indirectas, com destaque para 900 milhões de meticais em despesas de saúde dos doentes.

Segundo o MISAU, “o custo, quando olhamos para os custos directos, podemos dizer que elas perfazem 0,9 bilhão e quando olhamos os custos indiretos, que é 92%, fazem 10,8 bilhões. E quais são esses custos? Onde é que afecta exactamente? Estamos a falar de pausas para fumar, 2,4 bilhões, o absentismo, porque está doente, se tem alguma doença relacionada, 1,2 bilhões, despesas pessoais com a saúde, 0,09 bilhão, gastos que também o Governo tem que ter relativamente à saúde destes indivíduos, é de 0,55 bilhões.” 

Para mitigar a situação, o Ministério da Saúde e os seus parceiros propõem a adopção de medidas para regulamentar a venda e o consumo do tabaco, e alertam que se nada for feito, a situação poderá agravar-se. 

Para a Directora Nacional de Saúde, “se nós não reforçarmos as nossas medidas, teremos perdas em termos de 128 bilhões, isto se não fizermos nenhuma intervenção, se conseguirmos algum controle, teremos perda de 83,5, para isso nós temos que fazer um investimento no controlo do tabaco e deveríamos implementar medidas e em termos de redução total das perdas económicas, podemos ter uma redução no final até 44,5 bilhões.” 

Um investimento nas medidas de controlo ao tabaco, o país irá salvar cerca de 53.300 vidas humanas para além de 45 mil milhões de meticais em custo de saúde e perdas económicas até 2037.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é parceira do Governo e promete ajudar na ideia de implementação da lei de controlo ao consumo desta substância. Presente no acto da divulgação dos resultados do relatório, Severin von Xylander disse ser urgente o estabelecimento de uma lei específica.

“A necessidade de ampliar os esforços nacionais para o controlo do tabaco, no país, é inadiável. A Organização Mundial da Saúde tem trabalhado ao lado do Governo e dos parceiros para apoiar a implementação da Convenção Quadro para o controlo do Tabaco. Trata-se de uma obrigação sobre para reduzir significativamente o consumo e seus impactos”, disse Severin von Xylander.

Uma proposta de lei de regulamentação do consumo e venda do tabaco deverá dar entrada no conselho de ministro no mês de maio, e só depois da sua aprovação é que poderá dar entrada no parlamento para o debate e aprovação. 

O uso do tabaco está associado a uma série de doenças tais como: Tuberculose, acidente cardio vascular, doenças isquémica do coração, infecções respiratórios, cancros de traqueia, entre outras.

O estudo despoletou ainda que treze por cento da população adulta consome excessivamente o tabaco. Desta percentagem, 7,3 são mulheres.  

A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) diz que a responsabilidade de assistência aos passageiros deve ser compartilhada, em casos de cancelamento de voos por mau tempo. A companhia aérea reagia assim a queixas de passageiros por falta de assistência.

Os cancelamentos de voos da LAM têm sido recorrentes e o último caso foi reportado este domingo, de um voo que fazia a rota Chimoio-Beira-Maputo, onde passageiros se queixavam de falta de assistência da parte da companhia, como hospedagem e alimentação.

Em entrevista ao “O País”, esta segunda-feira, o administrador Técnico e Operacional explicou que a companhia aérea não se responsabiliza por completo, em caso haja mau tempo.

“Neste caso, cancelamento por mau tempo, a companhia faz o melhor para prestar assistência ao passageiro, mas legalmente… tem alguma responsabilidade de voltar a pôr no destino, mas nós também, de certa forma, fomos vítimas da meteorologia. Legalmente, questões meteorológicas, nós temos uma responsabilidade, temos sempre, mas é uma situação que exige responsabilidade partilhada, é algo que não podemos controlar”, disse Bruno Miranda, Administrador Técnico e Operacional da LAM.  

Bruno Miranda diz que o cancelamento foi causado por não haver condições de aterragem e, por isso, não houve aviso atempado.

“Houve uma boa planificação, mas o piloto, ao chegar e fazer a aproximação a Chimoio,  não conseguiu estabelecer referências visuais com o aeródromo, o que não lhe permitiu aterrar em segurança. Nesse caso, o procedimento é divergir para o alternado”, explicou   

A LAM diz que estão em curso medidas para evitar os recorrentes cancelamentos de voos e outras queixas. 

“É exactamente este tipo de problema que viemos para resolver. Existe sim uma estratégia de comunicação, sempre existiu. Nós estamos, neste momento, a rever pontos que possam criar falhas   e estamos a melhorar e a desenhar um processo de comunicação abrangente”, avançou o administrador técnico e operacional da LAM

A LAM tem actualmente quatro aeronaves, que segundo o administrador não são suficientes para responder a demanda, precisando de pelo menos mais oito. 

O administrador técnico e Operacional da LAM assegura que o voo, que havia sido cancelado partiu, na manhã de hoje, de Maputo para Manica e já se encontra no destino.

A ministra da Educação e Cultura diz que já há negociações com algumas gráficas nacionais, para que os livros escolares possam ser impressos no país. Samaria Tovela, que falava à margem das celebrações dos 52 anos de criação da OMM, garantiu o arranque das impressões ainda neste ano.

Para garantir qualidade e celeridade na produção e distribuição do livro escolar, o Governo optou pela produção interna dos manuais, que, aliás, é uma promessa que vem desde o Governo de Filipe Nyusi, como resposta aos recorrentes atrasos registados nos últimos dois anos lectivos, acompanhado de erros “graves”.

O ministério dirigido pela então ministra, Carmelita Namashulua, não conseguiu imprimir os livros internamente e muito menos conseguiu trazer a tempo os livros impressos no exterior, um facto que dificultou o processo e descredibilizou a instituição.

Daniel Chapo assumiu a promessa e “hoje” a ministra fala de avanços.

“Estamos a discutir com as gráficas. Estamos a discutir no sentido de termos um custo suportável pelo nosso Estado. Essa é a questão. A discussão mesmo é no sentido de termos um custo suportável. É a nossa intenção, é isso que nós queremos. Todos nós sabemos que imprimir aqui significa termos, no período de interrupção, tarefeiros que são os nossos concidadãos, significa circulação de dinheiro, aumento da renda para a nossa população. É o fundamental, é isso que todos nós queremos, mas temos de tornar o custo suportável. Então, estamos a interagir com algumas gráficas sobre o custo de livre, para que seja suportável pelo Estado”, explicou a ministra, deixando depois outro desafio, tendo em conta o ano lectivo 2026.

“Nós, alguns, até este ano, vamos imprimir aqui. É o que estamos a fazer. O que nós queremos é que, gradualmente, a nível interno, possamos ter a capacidade, porque é uma quantidade enorme.”

E, sobre o ano lectivo 2025, Samaria Tovela assegurou o cumprimento do prazo para distribuição do livro escolar.

“Há sete dias, nós tínhamos distribuído 87%. Terei o balanço na segunda-feira. Então, nós já vamos saber o quanto é que vamos, mas nós vamos distribuir todos os livros até ao fim de Março. O livro está a chegar aos alunos.”

Tovela mantém a garantia, mas fala de dificuldades do acesso a alguns distritos, devido ao ciclone Jude.

“Está em todos os distritos, está a chegar aos alunos. Temos algum probleminha, por causa do ciclone que nós tivemos, a nível de Nampula, a interrupção da nossa estrada (…) Estava-se a ver como é que nós, em relação aos transportadores, como é que poderiam, efectivamente, terminar a distribuição, que é aquela última parte que nós temos, a última que chegou.”

A governante assegurou que, a partir desta segunda-feira, se poderiam arranjar alternativas para fazer chegar o material naqueles locais cujas vias estão interrompidas.

“Era exactamente para ver se iam fazer algum transporte parando onde, efectivamente, a estrada não permite  e transportando as caixas para outro carro que esteja num sítio um bocadinho mais seguro. Mas, neste momento, o constrangimento são os efeitos nefastos do ciclone. Então, temos algumas estradas interrompidas, mas estamos já a trabalhar com foco exactamente nesses locais, para que as nossas crianças possam ter o livro.”

A governante falava neste domingo, na praça da OMM, em Maputo, à margem das celebrações dos 52 anos da organização.

Na Zambézia, perspectiva-se uma boa campanha agrária no distrito de Nicoadala, com destaque para o arroz, cultura de bandeira. Nicoadala tem uma área de 40 mil hectares lavrada de um total de perto de 42 mil. Espera-se produzir mais de 145 mil toneladas da cultura de arroz.

A chuva que para uns foi prejudicial para outros foi feliz. 

Nicoadala tem uma população camponesa estimada em perto de 42 mil, e pratica-se a actividade em três regadios: Mucelo, Ilalane e Muziva – todos em regime de sequeiro. De Mucelo e Ilalane não estão operacionais há bastante tempo. Aliás, os regadios não têm estação de bombagem nem canais de irrigação, enquanto o regadio de Muziva, que já tinha sido reabilitado e entregue provisoriamente, o ciclone freddy veio deitar a baixo todo o investimento do Banco Mundial em mais de um milhão de dólares .

Ainda assim, os camponeses estão ávidos e esperam uma boa colheita. O sorriso da Mina Damião denuncia este facto. “Tenho prova de que vou produzir neste ano, mas nem sei quantas toneladas”, disse, realçando que, ao nível dos campos de produção, tudo tem corrido bem.

“Antes, nós sofríamos um pouco de sol. Quando lançávamos sementes, não saía, não germinava, agora está tudo bem. Eu tenho aqui um hectare”, continuou Mina Damião.

De Mucelo homens e mulheres chegam e saem em carros de caixa aberta, também conhecidas por “my love”. Na hora em que foi produzida a reportagem havia um casal de funcionário públicos, que se deslocou para a “machamba” para aproveitar o facto de ter chovido para transplantar o arroz.

“Viemos aqui no fim-de-semana, porque somos funcionários públicos. Não tínhamos muito espaço para vir para aqui. Às vezes vimos só aos sábados e domingos”, disse Jonas Elias, que acrescentou que, apesar de ter chovido, no princípio a água estava em quantidade elevada, mas baixou nos últimos tempos. 

“Para aquele que tem tempo para essa actividade, vai ter de ter resultado mesmo”, frisou.

Já Maria da Conceição, também camponesa, espera ter uma produção de cerca de uma tonelada de arroz na sua “machamba”, em cada hectare. 

“Para quem consegue acompanhar bem a época, sai uma tonelada sem problemas. Basta ter chuva, mais nada. Mas aquela chuva que é da produção, não essas últimas chuvas de ciclone”, disse.

A directora distrital das actividades económicas de Nicoadala, Zélia Sabão, diz que, depois de um período de escassez de água, choveu e perspectiva-se boa colheita do arroz.

“Os produtores foram semeando, tiveram queda por causa do intenso sol, voltaram a fazer a sementeira e depois tivemos um cumulativo de precipitação de 450 ml. Isto veio a alavancar os produtores de arroz, assim como de milho, mas tivemos ainda mais essa intensa chuva”, disse Zélia Sabão.

Aliás, a  directora distrital das actividades económicas de Nicoadala assegura que em cada hectare se produzem 1,9 toneladas em rendimento.

“Para a área de arroz, nós temos 40 732 hectares, e estamos à espera de uma produção de 145 632 toneladas. Mas também, no global, temos uma área lavrada de 874 mil hectares, e esperamos ter uma produção global do distrito de 366 832 toneladas”, esclareceu Zélia Sabão.

Se por um lado a chuva complicou a vida de algumas comunidades com a passagem da depressão tropical Jude, no regadio de Mucelo, em Nicoadala, as famílias camponesas estão felizes com a chuva, sendo que esperam boa produção.

O Presidente da República disse, no sábado, em Nampula, que a população que está sitiada ignorou as mensagens de apelo para se retirar com antecedência das zonas de risco. No entanto, Daniel Chapo garantiu assistência por via aérea. Quanto à reposição da transitabilidade na EN1, assegurou que estão a ser mobilizados todos os meios para que seja o mais breve possível.

O Presidente da República, Daniel Chapo, visitou, no sábado, a província de Nampula, a mais afectada pela passagem do ciclone Jude, para avaliar o impacto da destruição, prestar solidariedade às comunidades atingidas e coordenar as acções de resposta e recuperação.

Durante a visita, o Chefe do Estado constatou que as condições de assistência às populações afectadas estão criadas, com o fornecimento de alimentos e assistência sanitária garantida. “A nossa presença em Nampula é com dois objectivos principais, nomeadamente solidarizar-nos com a população da província de Nampula, Cabo Delgado, Niassa e também da província da Zambézia, mas também apresentarmos as nossas condolências às famílias enlutadas”.

Daniel Chapo confirmou ainda os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Gestão de Riscos e Desastres, em relação a mortes e feridos. “Aqui, na província de Nampula, o INGD comunicou-nos que tivemos 11 óbitos e 36 feridos”, afirmou Chapo.

O Chefe do Estado destacou o trabalho preventivo realizado pelo INGD e pelos Comités Locais de Gestão do Risco de Calamidades. “Se não houvesse esse trabalho do grupo de avanço dos colegas do INGD e também, sobretudo, dos Comités Locais de Gestão do Risco de Calamidades, os danos seriam maiores em termos de mortes e outras situações”, reconheceu.

No rio Monapo, onde a Estrada Nacional Número Um (EN1) sofreu um corte significativo, Chapo constatou o avanço dos preparativos para a reparação. “Saímos de lá satisfeitos, primeiro porque o empreiteiro já está mobilizado, já está no local com o equipamento, mas está à espera de camiões chegarem para carregarem a pedra e irem descarregar no local para podermos repor a ligação das duas províncias”, disse o Presidente.

O Presidente destacou a mobilização de empreiteiros para restabelecer a ligação entre as províncias de Nampula e Cabo Delgado. Além do corte no rio Monapo, houve corte no rio Mecubúri. Assim sendo, o estadista explicou que o empreiteiro de Cabo Delgado vai repor primeiro no rio Mecubúri, o que vai possibilitar os trabalhos da reposição da estrada no rio Monapo.

O Presidente da República considerou o balanço da visita positivo, reafirmando o compromisso do Governo em garantir a rápida recuperação das infra-estruturas e o retorno à normalidade nas províncias afectadas. “Nós estamos a fazer tudo por tudo para repor as vias de acesso, sobretudo a EN1 e a estrada que liga Nacala, Nampula, a partir do rio Monapo, de forma a que possamos colocar a nossa economia a trabalhar e garantir a circulação de bens”, concluiu o Presidente da República.

Chapo apresentou quatro recomendações para a recuperação das áreas afectadas. A primeira recomendação é que a Administração Nacional de Estradas (ANE) e o ministro dos Transportes e Logística, que já está no terreno, não saiam de Nampula sem repor a ligação, primeiro de forma condicionada para viaturas ligeiras, depois para viaturas pesadas; a segunda recomendação é cuidar das populações nos centros de acomodação; a terceira é continuar a assistir as populações ainda sitiadas por via aérea ou rodoviária, caso as águas baixem; e a última recomendação é sensibilizar as comunidades sobre a importância de evacuar zonas de risco sempre que houver avisos de calamidade.

População da Ilha de Moçambique sitiada em Natemba

Há uma população que está sitiada no distrito da Ilha de Moçambique. O INGD teve que recorrer a um helicóptero não adequado para o transporte de carga para levar papa quente para as crianças que estavam havia dias sem comer.

As imagens vistas de cima projectam várias zonas com inundações, localizadas no distrito da Ilha de Moçambique, em consequência da passagem do ciclone Jude na província de Nampula. Entretanto, o que mais preocupa é a zona de Natemba, onde a população está sitiada.

Relatos dos residentes referem que a água do rio Monapo fechou todos os acessos, deixando um número significativo de pessoas sem qualquer tipo de assistência.

“Quando enche, aquela água primeiro fecha os rios, porque vem dos bairros. Se tivéssemos um lugar por onde pudéssemos passar, nós podíamos fugir”, disse Omar Momede, residente em Natemba, distrito da Ilha de Moçambique.

Na quinta e sexta-feira, a presidente do INGD, Luísa Meque, juntamente com o secretário de Estado em Nampula, fizeram um sobrevoo e, depois de identificarem a população em desespero, tiveram de pedir ao piloto para ajudar a levar papa quente de um centro próximo no distrito da Ilha de Moçambique e alguns produtos alimentares para a população de Natemba.

“Aqui, em Natemba, quando o ciclone entrou, praticamente vocês ficaram num sítio onde não há saída, por causa da água, todos os lados rodeados de água. Então, nós tivemos conhecimento através do nosso administrador daqui, do distrito da Ilha de Moçambique, que há uma comunidade que não tem comunicação. Para chegar aqui, a nossa preocupação era: vamos chegar de mãos de abanar? Não podemos, porque sabemos que aqui há crianças, há pessoas idosas, há mães grávidas. Por isso é que usamos o meio aéreo para trazer produtos alimentares para apoiar aqui, para assistir nesta comunidade, mas a nossa maior preocupação está nas crianças”, disse Luísa Meque no primeiro encontro com a população de Natemba.

O ambiente é de choros, devido à fome em Natemba, e não é para menos! Foram dois dias sem alimentação, segundo contam os residentes daquela região. Omar Momade diz mesmo que os produtos ficaram molhados. “Só comemos de qualquer maneira, comemos de qualquer maneira, porque toda a comida, a nossa comida é caracata, então a toda caracata está molhada”, disse.

Edmane Saíde pede apoio a quem de direito, para que enviem mais alimentos a Natemba. “Estamos a pedir socorro, socorro mesmo, que nós estamos a precisar.  Como está a ver, temos casa destruída, muitas coisas foram embora, e temos apenas roupa. Somos assim mesmo, nem chinelo, nem nada”, pediu Edmane.

Já o administrador da Ilha de Moçambique, Silvério João, diz que a falta de comunicação com a população de Natemba deixou a administração impotente e desesperada, mas aliviada quando conseguiram fazer o contacto. “Pelo menos já passaram duas noites deste o dia 10, em que não havia comunicação, mas sabíamos que havia lá pessoas sitiadas, mas sem comunicação, nem via terrestre, nem via aérea. Nós estávamos impotentes e desesperados sem saber como é que poderíamos chegar lá. Então com a chegada deste meio é como se fosse uma espécie de uma benção para nós”, realçou Silvério João.

A pouca quantidade de alimentos não confeccionados que foi descarregada na sexta-feira em Natemba acabou por ser tomada por um pequeno grupo de populares.

 

Violência política e vandalismo assolam a província de Inhambane, com impacto devastador na EN1 e em infraestruturas públicas e privadas.

A noite de quarta-feira ficará marcada como um dos episódios mais violentos na história política de Inharrime, província de Inhambane. Manifestantes invadiram e incendiaram a sede distrital da Frelimo, culminando na morte de um jovem membro do partido, além de uma destruição generalizada, que abalou toda a comunidade.

A sede, que acolhia uma reunião interna com membros locais do partido, foi cercada por um grupo numeroso de manifestantes. De acordo com o primeiro secretário da Frelimo em Inharrime, Arlindo Macuácua, o ataque foi premeditado e teve como objectivo causar dano físico aos membros da organização.

“Estávamos em reunião, quando fomos surpreendidos por um grupo de manifestantes, que invadiu o espaço de forma violenta. Lançaram pedras, incendiaram o edifício e agrediram fisicamente alguns dos nossos membros. Foi um ataque coordenado para intimidar o partido e semear o medo na comunidade. Infelizmente, perdemos um dos nossos jovens, um companheiro que dava tudo pela causa do partido”, relatou Macuácua, visivelmente emocionado.

O líder partidário em Inharrime destacou ainda que, apesar do luto e da destruição, a Frelimo não se deixará abalar por actos de violência. “Estamos de luto, mas continuamos moralizados. Estes actos só reforçam a nossa determinação em servir o povo moçambicano e lutar pela estabilidade e pelo progresso. A violência nunca será a resposta para resolvermos os nossos problemas enquanto nação.”

Além dos danos à sede da Frelimo, o rasto de vandalismo alastrou-se por outros pontos da província, especialmente nos distritos ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1). Lojas foram saqueadas, camiões de transporte de carga atacados, e várias infraestruturas públicas destruídas, aprofundando o clima de tensão na região.

Entretanto, o coordenador provincial do grupo de apoio ao antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane, Ilídio Cumbe, repudiou os actos de violência e distanciou-se das acções atribuídas aos manifestantes.

“Queremos deixar claro que o nosso grupo defende exclusivamente acções políticas pacíficas e dentro do quadro legal. Não temos qualquer envolvimento com manifestações violentas ou com os actos de vandalismo que ocorreram. Estas acções não representam a nossa forma de fazer política”, afirmou Cumbe.

Contudo, o coordenador foi mais além ao condenar o oportunismo de indivíduos que, segundo ele, se aproveitam do ambiente de instabilidade para cometer crimes. “Infelizmente, sempre que há situações tensas como estas, surgem grupos de malfeitores que nada têm a ver com a política e que apenas aproveitam para saquear, destruir e espalhar o caos. O que vimos em Inharrime e nos distritos vizinhos é inaceitável e deve ser tratado como crime, não como manifestação política.”

O ataque à sede da Frelimo e a morte do jovem membro do partido geraram uma onda de indignação e tristeza entre os moradores de Inharrime. Algumas testemunhas relatam o medo vivido durante os momentos mais críticos do ataque, com muitos a refugiar-se em casa para evitar confrontos.

“Foi assustador. As pessoas gritavam, e o fogo tomou conta do edifício. Nunca pensei que algo assim pudesse acontecer aqui. Estamos todos muito abalados”, disse um residente local que preferiu não ser identificado.

Por outro lado, as autoridades locais reforçaram a presença policial na região e prometeram investigar a fundo os acontecimentos. Até ao momento, não foram feitas detenções relacionadas com o ataque, mas fontes ligadas às forças de segurança indicam que há suspeitas de envolvimento de grupos organizados por detrás das manifestações.

Enquanto isso, ao longo da EN1, os impactos económicos e sociais começam a fazer-se sentir. Camionistas enfrentam dificuldades para circular, com receio de novos ataques, e os comerciantes contabilizam prejuízos significativos após os saques registados nos últimos dias.

A tragédia de Inharrime lança luz sobre um contexto mais amplo de tensões políticas e sociais que parecem estar a ganhar proporções alarmantes em várias regiões do país. Entre o luto e a destruição, fica a expectativa de que as autoridades e líderes políticos consigam trazer calma e segurança a uma população profundamente afectada.

 

O mau cheiro invadiu o coração da cidade de  Chókwè, devido à  falta de recolha de lixo, há três semanas. Munícipes alertam para riscos à saúde, e vendedores do mercado Senta Baixo falam de prejuízos e acusam o município de se ter  demitido das suas funções.

Da rotunda em direção a  linha férrea estende-se uma faixa de mais 40 empreendimentos comerciais, incluindo o Mercado Senta-Baixo, mas o que se destaca é o lixo acumulado desde finais de Fevereiro,  que  mergulhou a zona comercial de Chókwè na imundície.

“Chókwè está podre, estamos já há um mês no meio da sujeira, aqui no coração da cidade. É Triste há tratores, basculantes para remoção do lixo,mas nada funciona. Uma cidade como está imunda é triste”, lamentou, César Márcio, residente do terceiro bairro de Chókwè.

Marta Sambo, residente do primeiro bairro refere “até os produtos partilham espaço com sujeira. Isto deve parar” sentenciou.

Como muitos vendedores do mercado Senta Baixo, Marlene Cossa de 30 anos de idade, fala de prejuízos incalculáveis, devido ao cheiro insuportável que cria  muito desconforto, além de afugentar clientes.

“Estamos  há três semanas sem clientes, por causa do mau cheiro que tomou conta da área. Os clientes preferem ficar em casa” refere, Marlene Cossa,  vendedeira  do  mercado Grossista de Chókwè.

O mercado informal  também não escapa. Há  lixo  espalhado no chão, por todo o lado. Sónia Marta vende verduras  neste recinto há mais de 30 anos e descreve a situação.

“Vendo Hortaliça, cacana, couve, tomate, cebola, mas o que se vive nestes dias é pior. Exigimos que o presidente do município venha tirar este lixo aqui”.

Com as chuvas que continuam a cair, o lixo toma o lugar das vias principais de acesso, bem como, do terceiro e quarto bairros da cidade.A situação agrava-se mais ainda com falta de sistema de drenagem. A água arrasta lixo contaminado para vários pontos

Mário Tiago paga diariamente a taxa de limpeza, por isso entende que as  autoridades municipais se demitiram da sua principal missão, situação agravada pela ausência de linha de diálogo para o esclarecimento das causas.

Agastados com a situação, os munícipes alertam para os perigos à saúde e  exigem resposta urgente das autoridades municipais.

Mesmo depois de um contacto com um três dias de antecedência, não foi possível ter as autoridades do município para explicar os motivos da deficiente recolha de lixo em Chókwè.

 

Mais de 11 mil pacientes foram diagnosticados com glaucoma no país em 2024, uma doença que causa cegueira irreversível. O Hospital Central de Maputo diz que a maioria dos casos analisados encontram-se em estágio avançado.

Chama-se glaucoma, uma das maiores causas de cegueira irreversível. Trata-se de uma doença grave que surge na sequência do aumento da pressão intraocular, cuja perda de visão é consequência da destruição das células ganglionares, uma estrutura que liga o olho ao cérebro e responsável pela condução das imagens da retina até ao cérebro.

De 70 anos de idade, Simão Francisco tem esta bengala como o único auxílio desde que perdeu parte da sua visão, em 2023.  De lá a esta parte, tudo mudou em sua vida. “Não consigo ver. Quando tento ver, só vejo nuvens. Este ano o problema agravou-se, pois não consigo andar. Não tem sido fácil”. 

Uma reviravolta teve também Alfeu Alfredo. “A minha situação começou a piorar, no dia em que me apercebi que os outros estavam a ver bem e eu não. É como se visse cacimba”, explicou o paciente que actualmente tem dificuldades em reconhecer as pessoas, e até mesmo os seus familiares.  

“Chegou numa fase em que comecei a não reconhecer as pessoas que convivem ao meu redor. As pessoas cumprimentam-se e respondo mesmo só por vergonha de dizer que não reconheço. Tenho netos, alguns deles também não os reconheço”. 

Devido à doença, Alfredo perdeu parte da sua visão, e por isso, abandonou o seu negócio.

“Eu sou comerciante, com o passar do tempo comecei a ter dificuldades na troca das moedas, no sentido de não conseguir diferenciar, por exemplo, dois meticais de cinco meticais”.

As autoridades sanitárias explicam que o glaucoma é também conhecido como uma doença silenciosa, cujos sinais muitas vezes são sentidos tardiamente, tal como revelou o paciente Silvestre Mathe. 

“Não sei dizer desde quando tenho o glaucoma, mas foi-me diagnosticado em 2023 e já estava num estágio avançado. Eu vinha me queixando de um puxão das veias no rosto até na nuca. Os médicos dizem que a doença é irreversível”

Mas afinal, quais são as causas desta doença, que provoca cegueira irreversível?

“Existem vários factores de risco que podem levar o paciente a ter glaucoma, principalmente os que se apresentam com pressão ocular elevada, mas também a raça negra está mais predisposta ao glaucoma. Pacientes que têm familiares com esta doença também estão susceptíveis, com diabetes e pressão arterial  e  a miopia alta”.

De acordo com a médica Mariamo Abdala, a cirurgia de pacientes com a doença reduz a tensão dos olhos e retarda a cegueira.

“Para fazer o diagnóstico do glaucoma é muito difícil, mas podemos suspeitar que a pessoa tem glaucoma se nós medirmos a pressão alta dentro dos olhos. A cirurgia é a última fase, pois o tratamento é feito com gotas que o doente deve aplicar para a vida inteira” .

Com vista a tentar reduzir os casos de cegueira, o Hospital Central de Maputo, levou a cabo uma campanha de cirurgias massivas, no âmbito da semana Mundial do Glaucoma. 

Trata-se de uma campanha que abrangeu pacientes que, por muito tempo, aguardavam por uma intervenção médica.

“A cirurgia dura cerca de 40 minutos e usamos uma técnica que nos permite fazer a drenagem do líquido que está a mais ao nível do olho”.

Só no ano passado foram diagnosticados no país, mais de 11 mil pacientes com glaucoma. A cidade de Maputo e as províncias de Nampula e Sofala tiveram mais casos. 

“Por se tratar de uma doença silenciosa, quando dá sintomas é porque já está numa fase avançada. No rastreio nós detectamos o nível de pressão u«intraocular que o paciente tem e de alteração do nervo óptico, através da fundoscopia”. 

Para prevenir-se do glaucoma e da cegueira, os profissionais da oftalmologia recomendam a quem tiver sintomas a fazer consulta de rotina, pelo menos uma vez por ano. 

+ LIDAS

Siga nos